Anna Kariênina

Anna Kariênina Leon Tolstói




Resenhas - Anna Kariênina


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Cris Lasaitis 28/12/2010

http://cristinalasaitis.wordpress.com/2009/04/29/leituras-abril2009/

Conhece a biografia do Tolstói? Não? Eu tenho a impressão que depois de passar uns minutinhos consultando a wikipedia você vai sentir um influxo de respeito cada vez que se deparar com a música deste nome: Tols..tói.

Deixando de lado as ideias revolucionárias, as atitudes inusitadas e o romantismo quixotesco que cerca a sua morte quase heróica, para entender por que Tolstói é considerado um dos grandes escritores da literatura mundial, só lendo.

O exemplar que li (velhinho e ao mesmo tempo virgem) comprei a 15 mangos num sebo. É uma tradução portuguesa da tradução francesa do original russo, ou seja, tem muito pouco de Tolstói de facto. E apesar do telégrafo sem fio passando por terras francesas e lusitanas, o romance me soou perfeitamente belo e brutal. Imagino como deve estar boa essa edição nova da editora Cosac Naify (capa acima), traduzida para o português brasileiro diretamente do russo.

Fui ler Anna Karenina de tanto que foi recomendada por um professor meu. Fisgou minha atenção o fato da obra ser praticamente um tratado sobre o amor em todas as suas formas, cores e fases, abordado com uma delicadeza que me deixou boquiaberta. As cenas em que o amor acomete os personagens são mágicas, há desde o encantamento da paixão à primeira vista, o amor-babão, o amor-devoção, o ciúme, o amor autodestrutivo

O romance é praticamente uma novela, no sentido telenovelesco do termo (mas sem a ingenuidade implícita). Existem vários núcleos dramáticos entrelaçados. Anna Karenina não é exatamente uma protagonista, ela divide a cena com uma dúzia de personagens principais, e a cada momento da narrativa um deles é colocado sob o holofote para que seu drama seja dissecado até a última frestinha da alma. Impressionante é a habilidade com a qual autor comunica a tensão de cada cena. A descrição da agonia de um homem morrendo de tuberculose, por exemplo, me deixou paralisada no meio do metrô de São Paulo, idem para a narração de um parto que só faltou me fazer gemer. É bem o tipo de narrativa que transporta o leitor para outro mundo.

Liev Tolstói transportou a si mesmo para o romance na forma de um personagem (não vou dizer qual é, mas quem ler vai identificar fácil), que dá vazão às suas ideias pessoais (e incomuns para a época) em relação a política, religião, convívio em sociedade, entre outras coisas. Ele consegue pintar um quadro perfeito da vida burguesa na Rússia czarista, criticando-a não com palavras diretas, mas com a retratação desconcertante de uma alta sociedade frívola, ociosa, entediada, artificial e profundamente blasé.

E tem mais: nunca vi outro escritor do sexo masculino com uma sensibilidade tão aflorada, afiada e potente quanto a de Tolstói. Me deixou sem palavras! Para ele rasgo todas as sedas, os veludos, as rendas, e também as musselinas e os brocados
Sabrina 19/07/2011minha estante
Excelente texto! Muito bem escrito, tive que parar a leitura no meio por problemas operacionais, mas voltei logo, pois de fato me prendeu. Comecei a ler a sua resenha pra ver se valia a pena o livro. Apenas pelo resumo tinha ficado em dúvida, apesar de ser um clássico. Mas você me convenceu. Parece, de fato, ser emocionante.


Ricardo Rocha 19/08/2014minha estante
Que bonito...


carol 21/09/2014minha estante
alguém poderia me ajudar a encontrar esse livro em português? pois só encontro em inglês em todas as livrarias que procuro..


Thiago 05/01/2015minha estante
Assisti o filme e foi depois que soube que era um livro, gente, a fotografia do filme e tudo ficou bem artístico, quase poético aos olhos, me encantei e quis adquirir o livro. Deve chegar logo logo.




Livia 27/06/2011

Todos os dramas são um drama de família!
Todas as famílias felizes se parecem, mas cada família infeliz é infeliz a sua maneira.

A frase que abre o livro resume com perfeição a obra. Anna Karienina é um livro sobre famílias felizes e infelizes. As causas da infelicidade podem ser muitas: traições, brigas, falta de dinheiro, doença, ciúme, superficialidade de sentimentos, necessidade de manter aparências... É fácil fazer uma família infeliz. Já a felicidade exige empenho, e podemos acompanhar como personagens apaixonantes precisam aprender sobre o mundo e, principalmente, sobre si mesmos, para encontrar a felicidade e a harmonia.

A família feliz do livro nos mostra que alcançar esse estágio exige uma jornada. Se eles tivessem começado a sua família no ínicio da história, provavelmente teriam fracassado. Eles tiveram que amadurecer primeiro, saber o que queriam pra si e o quanto podiam doar pro outro, e só então estavam prontos para essa nova fase da vida.

*** SPOILERS E OPINIÕES PESSOAIS ***

Não gosto quando comparam Anna Karenina a Madame Bovary, Dom Casmurro e O Primo Basílio. Embora os quatro livros falem sobre traição feminina, Anna, Emma, Capitu e Luísa são diferentes.
Emma Bovary trai por tédio, Luísa, porque quer saber o que perdeu, e Capitu, bom, jamais saberemos. Anna é a única que se entrega ao verdadeiro amor. A única que larga tudo para vivê-lo também.

E Anna e Vronsky pagam um preço alto por esse amor. Pagam o preço do isolamento, do preconceito, da hipocrisia. A sociedade que aceita abertamente as traições do irmão de Anna, não perdoa uma mulher que se entrega à paixão.

E a sociedade hipócrita é tão poderosa que por fim, consegue quebrar um amor verdadeiro. Excluída da sociedade e impedida de ver o filho, Anna se torna reclusa, depressiva e ciumenta. Vronsky sente falta da vida que tinha antes, e mais falta ainda da mulher por quem se apaixonou um dia, e que já não existe.

O fim é trágico, é claro. Uma mulher transgressora não pode ser feliz. Mas não pode porque zomba da lei dos homens e deus ou porque os que não tem a mesma coragem estarão prontos para apedrejar e destruir? E ainda, se Anna tivesse resistido a Vronsky, teria tido um final feliz? Uma mulher presa a um casamento falido, sufocando o amor que sentia, dançando a dança das aparências como uma marionete sem vida, seria menos trágico ou mais trágico? Talvez a tragédia de Anna não fosse ter uma atitude transgressora, mas antes, um coração transgressor, que acabaria por lhe trazer a infelicidade independentemente de suas ações.

Além de Anna e Vronsky, temos vários outros personagens, cada um com sua trama, seus problemas, seus pensamentos. É como uma novela, onde cada personagem vai aparecendo de vez em quando, vivendo sua própria história, e acabam por criar um panorama abrangente da Rússia czarista. Porém esses personagens poderiam realmente fazer parte de uma novela atual. Seus dramas são atemporais, e o leitor certamente se identificará com alguns deles, pois há todo tipo de problema e todo tipo de pessoa nessa história.

O leitor desatento poderá achar um pouco chato ler sobre as questões agrárias, militares ou outros diálogos filosóficos que aparecem no texto. Mas se tirar alguns minutos pra pensar sobre eles, verá que estes ainda são pertinentes, pois as relações patrão-empregado, a relação do homem com a natureza, as desigualdades sociais, as intervenções militares, continuam sendo debatidas hoje em dia, e cada vez mais.

Há quem defenda que a grande lição do livro é que ninguém pode criar sua felicidade sobre a dor de outrem. Mas acredito que não há uma lição a ser aprendida, ou talvez haja uma infinidade delas. Há toda uma sociedade retratada no livro, e para cada personagem, assim como para cada leitor, há uma lição. Ou não!
Laryssa Costa 16/07/2013minha estante
Eu estava realmente querendo saber a opinião forte de alguém e você me fez querer mais do que antes, ler esse livro. Já assisti o filme, pelo qual eu simplesmente me apaixonei. E eu fiquei tão feliz quando você falou que ela não tem nada a ver com a Emma a Luísa e a Capitu, porque bem, nem se comparam a ela. O amor pelo qual ela tinha pelo Vronsky era da alma, tão profundo que abandonou o que ela tinha certeza (futuro, filho, dama certa da sociedade) por ele. As circunstancias fazem as pessoas mudarem, Anna não fez isso sozinha, Anna estava maravilhosamente bem se não fosse a hipocrisia da sociedade pelo qual ela era rodeada.


Livia 19/07/2013minha estante
Que bom que tenha gostado da resenha.
Recomendo que leia o livro o quanto antes!!
Eu matei a leitura em duas semanas, apesar do tamanho do livro, pois o texto é fluido e envolvente.
Está entre os 5 melhores livros que já li na vida, junto com O Morro dos Ventos Uivantes (meu favorito), até batizei meu cachorro de Mitia, por causa do bebê da Kitty :)




Gláucia 03/12/2013

Anna Kariênina - Liev Tolstói
Alguns livros e certos autores são capazes de afastar leitores por medo. Quando juntamos as palavras clássico e russo temos a tendência de achar que a leitura será difícil e até enfadonha. Ler Tolstói e, especialmente AK nos prova o quanto essa ideia é infundada.
Em AK há muitos personagens sim, todos com nomes estranhos para nós mas eles vão sendo apresentados aos poucos e de forma divertida, dando-nos tempo de nos conhecermos melhor. De repente, percebemos que já somos íntimos de todos. Vamos odiar alguns, rir com outros, sofrer pelas dores de vários, torcer por alguns. Mas há que se tomar cuidado antes de tomarmos partido por um ou outro; minha opinião sobre vários deles se modificou ao longo da leitura.
Narrativa leve e envolvente, personagens muito bem construídos, ambientação muito bem feita que te coloca dentro da obra, o autor traz, além de uma bela história de amor (ou paixão?), adultério e suas consequências, as discussões políticas, históricas e filosóficas daquela época.
Liévin é o próprio Tolstói. Adorei Stiepan, mesmo tendo se revelado um belo oportunista e me surpreendi com sua passiva esposa Dária.
Ótimo livro para desmistificar que clássicos russos são livros difíceis e de compreensão inacessível.



site: https://www.youtube.com/watch?v=odgkw1GVol4
Marcone 17/06/2013minha estante
Ótima resenha!


Gláucia 17/06/2013minha estante
Obrigada Marcone, já leu esse?




Matheus Lins 28/04/2011

http://b33p.me/2011/04/24/resenha-anna-karienina-de-liev-tolstoi/
Anna Kariênina, além de um romance, é duas coisas bem distintas.

Primeiro, um recorte da Rússia do século XIX. Os costumes, valores, tradições, a tensão política – enfim, todas as características que compuseram o quadro social vigente na Rússia de 1800s – são retratados de forma tão minuciosa e verossímil que é impossível o leitor não se sentir uma espécie de autoridade eslavófila do período, dada a riqueza de detalhes que Liev Tolstói fornece ao leitor.

Segundo, é uma quasi auto-biografia do seu autor, que imprimiu muitas das suas convicções na figura de Liévin Dmítrich, que, não à toa, é inquestionavelmente o protagonista masculino da história. Detalhes como o pedido de casamento feito por este, ou as opiniões por ele aduzidas sobre os mais variados tópicos (v.g. educação, agricultura, política), funcionam como sneak peeks para dentro mente do escritor.

Como romance, é uma leitura desafiadora, por dois motivos.

O primeiro é que Tolstói dá ensejo a uma pletora de tramas paralelas, tecendo uma intrincada rede de personagens em cada uma delas. Conforme a história progride, no entanto, elas convergem em duas linhas narrativas principais, cada qual gravitando em torno de um dos dois protagonistas – Liévin (o “espelho” do escritor) e Anna Kariênina.

O segundo motivo é que Tolstói gosta de tergiversar (o que também pode ser contemplado no seu outro magnam opus, Guerra e Paz). Em diversos momentos a narrativa é tomada pelas divagações de um ou outro personagem, rendendo páginas e páginas de monólogos sobre questões que, embora caras ao narrador, são um enfado para a maioria dos leitores – como as longas reflexões de Liévin sobre as questões agrária e educacional, entrelaçadas no meio rural em que vive.

A publicação nacional do livro pela Cosac Naify se destaca em dois aspectos.

O primeiro é o estético. Uma esplêndida arte de capa adorna o material, mostrando uma mesma fotografia de (o que eu presumo que seja) uma das ruas de Moscou sob dois ângulos distintos e invertidos, complementada por ilustrações das mais diversas e engimáticas que marcam a passagem de um capítulo para o outro.

O segundo é o, digamos, “técnico”. A edição conta com um esclarecedor prefácio do tradutor Rubens Figueiredo, que contextualiza e esclarece a obra, além de legitimar algumas das suas escolhas no tocante à tradução; uma árvore genealógica dos personagens (que pode ser observada aqui); e sugestões de leitura que podem enriquecer a experiência do livro.

A estrutura do enredo foi arquitetada de tal modo a engendrar dualidades: as “duas capitais” (Moscou e São Petesburgo), as duas realidades (rural e urbana), os dois protagonistas (Liévin e Anna) e seus respectivos dramas e desfechos etc. Esta resenha buscou emular essa peculiaridade. Se foi algo bem-sucedido ou não, não cabe a mim dizer.
Matheus Cassano 08/04/2012minha estante
Parabens por construir uma otima resenha livre de SPOILERS.


Marina 17/01/2013minha estante
Só uma pequena correção no seu comentário sobre a capa dessa edição da Cosac Naify: as fotos sobrepostas são uma de Moscou e a outra de São Petersburgo, seguindo a dualidade existente na narrativa.




Lima Neto 01/06/2009

Anna Kariênina
“Anna Kariênina”, tornou-se um dos maiores, mais importantes e mais influentes clássicos da literatura russa e mundial. As palavras possuem força, tocam, envolvem e fazem com que o leitor se identifique e se apaixone por cada personagem, por cada drama, por cada história e passagem apresentada nesta magnífica obra. História de amor, de felicidade, mas também de ciúmes e de infelicidades, “Anna Kariênina” é uma obra ímpar na história da literatura. Rompe com os ideais românticos da literatura alemã, francesa e inglesa, e cria um novo estilo, muito mais vivo, que muito mais se aproxima a realidade, as alegrias e tristezas, aos risos e as lágrimas e aos dramas de pessoas comuns, seja ele pertencente a que classe social for. Tolstoi, ao concluir tal obra, deu um novo sentido ao romantismo, introduzindo a este estilo, a esta escola literária, toques de realismo, criando assim um romantismo-realista.

Felicidades e infelicidades, incertezas e certezas se entrecruzam e se mesclam ao longo dos capítulos, ao longo de toda a história.

Muitíssimo bem construído, este magnífico romance de Liev Tolstoi nos transporta para o mundo das elites peterburguesas e moscovitas, assim como também para os campos e propriedades rurais de seu país, com personagens vivos, que riem, que choram, que passam por crises existenciais, que amam, que odeiam, que têm fé, que têm dúvidas, que são felizes, mas que também são infelizes. Tolstoi nos apresenta, ao longo de toda a extensão desta obra, uma infinidade de personagens, tais como viveram, seja na vida real ou na sua mente, introduzindo-os em seus devidos lugares, em suas respectivas sociedades as quais pertenciam, construindo história e dramas isolados que se mantém independentes, mas que ganham um sentido mais amplo quando vistos como um todo, como componentes de uma história maior.
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Alessandra 28/12/2009

Pensei ser tratar de uma heroína, uma mulher forte, à frente de seu tempo. Mas não, Anna é uma mulher extremante insegura, sem alto estima, fútil e egoísta e por vezes imatura e infantil. Casada com um homem bem mais velho, provavelmente ela se casou apenas para cumprir uma obrigação social. Dentro de uma relação de aparências, o casamento se mantinha por ele por questões referentes a sua posição social, por ela, por medo, em ambos por acomodação. Anna então se apaixona, por um homem pelo qual ela sente admiração, mas insiste em manter-se casada com um homem pelo qual senti repulsa. Numa sociedade hipócrita e retrograda o casamento se mantém, a ponto de se criar um triangulo amoroso, o marido teme o escândalo da separação, a perda de prestigio na carreira, Ana teme perder o filho. Vronski o amante, apaixonado, seguro, prático, o único capaz de agir com coerência, de maneira adulta, o que não o impede de num momento de fragilidade e desespero tentar o suicídio; sobrevivendo exigi de Anna que se separe, pois a situação então insustentável, já não é possível esconder da sociedade e Anna nem se esforça para isso, tenta enfrentar a sociedade, mas não tem nem estrutura emocional, nem maturidade, e só consegue provocar escândalos.
O marido também é fraco, se mantém apático dentro do casamento, sem pulso firme, raras e insignificantes as vezes que tenta se impor. Tanto ele como Anna parecem unidos pelas suas inseguranças, por medo de romper com uma sociedade hipócrita, de aparências, ambos não sabem o que querem. Ambos com seus motivos não aceitam a separação, um esforço inútil, já que o escândalo é fato. Anna usar o filho como desculpa para não pedir a separação, temendo que o marido fique com ele, mas fica sem o filho do mesmo jeito, e em nenhum momento anterior ao seu envolvimento com Vromski, nem com os escândalos que provoca em sociedade, ela parou para pensar no filho, as conseqüências dos seus atos. A única pessoa equilibrada, sensata é o amante.
Anna é infeliz, frustrada e culpa o marido e o amante, quando é ela que não é capaz de dirigir a própria vida, é não aceita a responsabilidade que lhe cabe.
Anna tem um filho com o amante, que se preocupa com a situação da filha e dos futuros filhos; pressiona Anna, que sofre por antecipação, titubeia, usa o filho como desculpa para não exigir a separação e termina por abandonar o filho que tem com o marido e a filha que tem com o amante.
Apesar das imensas transformações que a sociedade sofreu desde Anna Kariênina, é claro que ainda existem muitos casamentos degradantes assim, principalmente por questões financeiras.
Liévin, também personagem principal do romance. Preocupado em constituir família, com suas frustrações, inseguranças e crises existências, com seus questionamentos, filosóficos, dividido entre uma visão prática e realista da vida e dúvidas quanto a existência ou não de uma força superior, espiritual, e dá importância de uma fé.
Tendo sempre muitas dúvidas e pergunta sobre suas existência, sua função e importância na vida e de tudo que o cerca e não tendo nenhuma resposta definitivamente satisfatória. Em comparação com Anna, é o único á conseguir de fato forma uma família equilibrada feliz, a despeito de toda a sua trajetória, tentando ser feliz como pode e com seus dilemas e duvidas.
Vale ressaltar a citação na abertura do romance, tão famosa que é considerada por muitos, como o melhor inicio de romance, independente de concordar ou não, sem dúvida é uma frase de impacto.
Outra coisa que chama a atenção e a repetição de palavras isoladas ou não. Segundo Rubens Figueiredo (tradução e apresentação) não é descuido do escritor, e sim a intenção de sublinhar, dar ênfase. Realmente é o que acontece quando se lê estes trechos. Uma técnica interessante, creio eu, não é comum.
A bela edição é impecável, muito bem executada, têm biografia do autor, informações relevante sobre o mesmo e sua obra.
N 03/09/2012minha estante
Enfim uma pessoa que compartilha da mesma opinião que eu tenho sobre a Anna.


Marina 17/01/2013minha estante
Acho que você está analisando a obra por uma perspectiva errada. Você está julgando as ações dos personagens com o seu olhar contemporâneo. É fácil condená-los por serem fracos e covardes ao manterem uma situação insustentável e um casamento falido por causa das aparências, mas na Rússia do século XIX a sociedade exigia certas normas e excluia aqueles que não as seguiam.
Anna não é fraca, ela é sim corajosa por abandonar o marido. Ao fazer isso ela está enfrentando a sociedade. Só que ao fazer isso ela é abandonada por todos. Enquanto o Vronski, que você julga ser o único correto, pode continuar tendo uma vida pessoal, com atividades políticas e sociais, Anna fica presa em casa e não tem a companhia de ninguém. É claro que nesse cenário ela ficaria cada vez mais insegura e com isso cobra cada vez mais a atenção e o amor de Vronski, minando o relacionamento dos dois.
Anna estava sem saída. Se continuasse no casamento sem amar o marido seria infeliz. Se pedisse a separação e ficasse com o Vronski, ficaria sem o filho para sempre e também seria infeliz. Na situação em que se encontrava, vivia na indefinição e também era infeliz. Ela não tinha para onde fugir.

No final, as ações de todos os personagens derivam da sociedade em que viviam, que, concordo, era hipócrita e de aparências.


Cássio 05/05/2013minha estante
Acho que você não gostou tanto porque tinha a expectativa de que Tolstói fosse que nem Jane Austen...


Geo 24/09/2015minha estante
Concordo plenamente com a Marina, você teve uma perspectiva errada sobre a Anna. Eu já sabia o que aconteceria na história, mesmo assim, fiquei chocada quando li a passagem onde ela abandona tudo por uma paixão. Naquela época, traição e divórcio era um escândalo e ainda mais polêmico do que hoje e as consequências eram terríveis para uma mulher. A Anna teria um nome sujo e seria vítima de preconceito pelo resto da vida. Mesmo assim, ela correu o risco. Como pode dizer que essa mulher não foi corajosa?




Ju 30/05/2013

Anna Kariênina
Anna Kariênina foi escrito no final do século XIX. Nele, vemos a sociedade russa, com seus costumes e peculiaridades. Talvez por isso, eu tenha tido uma relação diferente com o livro. Não entrei na história, me coloquei no papel de observadora.

Gente, achei tão engraçado cada pessoa reservar um horário em que vai receber convidados, e essas pessoas começarem a chegar sem aviso. Explico melhor: alguém divulga que "recebe" toda quarta das 18 às 22 horas. Durante esse tempo, chegam visitas e começam a interagir com os donos da casa e com os outros que decidiram aparecer por lá também.

Não é de bom tom chegar para a visita a pé, então mesmo que seja uma caminhada de dez minutos, é necessário providenciar cavalos para a utilização de algum meio de transporte que dependa deles. Também é necessário falar francês em algumas situações, para se mostrar chique, mesmo que a língua oficial seja o russo. Enfim, muitas coisas que remetem a um mundo e a uma época bem diferentes.

É um clássico que eu queria ler já há bastante tempo. São muitas personagens, e dá pra se confundir um pouco com os nomes delas... porque não é sempre que as pessoas são tratadas pelo mesmo nome. E como eu não entendo nada da língua ou dos costumes russos, sou incapaz de decifrar porque os nomes têm derivações tão curiosas. Realmente não tenho a menor ideia de porque uma pessoa às vezes é chamada de três formas diferentes, e bem diferentes, por sinal. Mas a gente se acostuma a isso, a história é bem longa e permite que conheçamos as personagens profundamente. Elas dividem seus pensamentos conosco, mesmo que os escondam das outras personagens.

Personagens que, aliás, seguem caminhos inversos: algumas estão com a vida totalmente estruturada no início; por mais que não se sintam as pessoas mais felizes de todo o mundo, têm suas pequenas felicidades para confortá-las. Algumas destas se perdem no decorrer da história, chegando a um total desequilíbrio. Outras, que começam sem saber bem o que desejam da vida, acabam alcançando uma vida plena e feliz. Tudo causado pelas escolhas de cada uma delas, obviamente. O autor nos mostra que reconhecer os erros e ter a capacidade de perdoar são coisas muito importantes para alcançar o equilíbrio e a tão almejada felicidade.

"É absurdo não aceitarmos a vida como ela é, deixarmo-nos dominar pelo passado. Há que lutar para viver melhor, muito melhor."

Anna Kariênina fala de muitos assuntos relevantes, como vocês podem ver na sinopse. Como não tenho conhecimento sobre eles, não vejo sentido em tentar esclarecê-los. Mas é uma aula sobre tudo o que a sociedade russa vivia, uma leitura bem densa. Apesar disso, não tive dificuldades com o livro. Me apeguei à história, deixei que os acontecimentos me guiassem pelo universo de Tolstói. Com certeza não me decepcionei.

"- Sempre gostei de ti, e quando se gosta de uma pessoa, gosta-se dela tal como é e não como nós quereríamos que fosse.
(...)
- Apenas pretendo viver, sem prejudicar ninguém, exceto a mim própria."

Postada originalmente em: http://entrepalcoselivros.blogspot.com.br/2013/05/resenha-anna-karienina.html
Lua 30/05/2013minha estante
Sinopse gigante, né?! rs a maior que já li. Nunca tinha ouvido falar desse livro, e me parece ser um clássico que merece ser lido. Adoro como é diferente a escrita desse tipo de literatura, conhecer os costumes de regiões e épocas diferentes da nossa é o que mais me agrada. A capa já tem aquele quê de antigo, muito aconchegante e simples. =D

ótima resenha!


Adriane Rod 30/05/2013minha estante
Que sinopse comprida, né?

Eu sou louca para ler esse clássico, mas não consegui compra-lo ainda. Sou louca por Tolstói.

Sabe que essa história de marcar horário para receber visitas é bem legal!! Eu gostei. Assim nunca pegaria desprevenida.

Eu também não gosto muito dessa história de chamar uma mesma pessoas de várias formas, ainda mais quando o livro tem muitos personagens. É tão confuso.

Eu achei um pouco completo todos esse assuntos tratados, mas como eu não conheço nada sobre os costumes russos, vai ser bem interessante.

Eu quero ler logo, para poder assistir ao filme.

;)


Thaís 30/05/2013minha estante
Nossa quando eu vi que você tava lendo esse livro achei interessante, cheguei a procurar no skoob, as deu uma preguicinha de ler a sinopse gigaaaante haha
Adoro clássicos! Mas nunca havia ouvido falar dele e eu acho histórias antigas tããão interessantes, sei la coisas antigas me atraem, mas essa história parece um pouco complicadinha.
Nomes de personagens confundidos, formalidades demais durante a história e muitos costumes russos (muita coisa pra minha cabeça, porque eu também não entendo nada sobre isso)
Enfim, achei o livro muito interessante! Tenho certeza que nos ensina muitas coisas e isso é realmente bom! Eu leria, só para assistir o filme depois haha!


Juh 01/06/2013minha estante
Nossa nunca tinha ouvido falar sobre esse livro e que sinopse grande heein??!! Mas gostei da capa, da sinopse e da resenha, é um clássico literário muito rico, pois representa a sociedade russa do século XIX, acredito que seja um livro bem crítico quanto aos costumes da época. Quero ler!!


Tawany 07/06/2013minha estante
Se o filme é ótimo, imagina o livro. Quero ler! :)


Victoria (Vic) 07/06/2013minha estante
Sou louca pra ler esse livro *O*


Ana Lopes 21/06/2013minha estante
Amei sua resenha , por acaso é o livro do filme ?! Porque se for eu gostaria de ler , achei o filme tão superficial , tudo acontece tão rápido que não dá tempo nem de entender direito
acho que o livro seria mais explicativo :)




Bruna Sassi 04/02/2009

O melhor autor e o melhor livro de todos os tempos
A história e as personagens já são lindas e fascinantes por si só, mas ninguém narra com a perfeição e a sutileza do Tolstói. É pra ler sublinhando, de tão linda a narração. O trecho do 1º livro em que ele compara os vestidos da Kitty e da Ana arrepia até a alma! :)

Pra encerrar:

"Se para cada cabeça existe uma sentença, então existem tantas formas de amar como existem os corações."

LEIAM!!!
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Cássio 05/05/2013

Nota 11!!
Um dos livros mais completos que já li em toda minha vida.
Não existe um misero assunto que não esteja dentro da alçada desse romance, ele fala de tudo( politica, religião, guerra, amor, casamento, ciência , filosofia, trabalho, economia, morte, vida).

Esse livro é muito mais do que uma estória de traição feminina, ele é um livro épico sobre a própria vida.

A escrita e o estilo do autor também são muito impressionantes, o livro passa muita impressão de realidade pro leitor. O apogeu dessa impressão de realidade (pra mim)é na morte da protagonista Anna, onde eu realmente senti que uma pessoa que eu conhecia estava partindo (essa cena arranca lágrimas até de uma estátua).

Como já disse esse livro fala de tanta coisa que fica difícil fazer uma resenha apropriada pra grandiosidade dele, mas o que eu posso dizer é que eu achei o livro incrível.

Tolstói estabeleceu um padrão estético muito alto dentro da minha cabeça, tudo que eu já li parece pequeno (literalmente) perto desse romance.
LidoLendo 26/07/2013minha estante
Oi Cássio. Coloca alerta de spoiler aí, menino! ;)
Tbm acho que depois de ler Tolstoi, fica muito difícil ler "qualquer coisa"...




eglair 17/10/2014

Reflexões, ideais e transformações
Tive um ano muito turbulento e este romance acabou se tornando minha linha guia, meu fio condutor para lugares incríveis e personagens densos e apaixonantes, ajudando-me a passar por todo esse processo árduo.

Um livro de leitura árdua para um processo árduo de transformação!

Me surpreendi positivamente ao perceber que Anna Kariênina era muito mais do que a narrativa de uma mulher apaixonada. Além da protagonista e seus dissabores, gostei muito das reflexões e questões filosóficas/religiosas de Liévin, uma espécie de alter ego do próprio Tolstói.

A forma que Tolstói escreve e a maneira como alterna o discurso entre as personagens é cativante. Para mim foi uma leitura prazerosa, porém alguns trechos foram complicados de ler por tratarem de assuntos que eu realmente não tenho interesse, paradoxalmente esses trechos eram feitos na voz narrativa de Liévin, o personagem pelo qual mais me interessei.

O romance é embasado em sua grande parte a essas reflexões, ideais e transformações de Liévin, mais do que as de Anna, mas ela é a personagem feminina marcante com um poder magnífico de sedução. Anna veste a luz de uma figura revolucionária para sua época.

Esse é um livro difícil, mas vale pela experiência de passar por um romance denso, cheio de camadas e estórias distintas que se interligam através de uma figura com muito poder feminino e também suas fragilidades.
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Lucia Sousa 26/07/2010

Inesquecível!
Eu o li há muitos anos atrás e só me lembrei depois de conhecer um amigo que gosta de ler os clássicos,aqui no Skoob.A estória é fantástica,vemos uma mulher lutando para ser feliz,apesar do medo e das convenções sociais do século passado.
Mas,como já citado por Agatha Christie em seus livros,a natureza humana é a mesma, independente da época em que se vive,ou seja,não muito diferente das histórias que ouvimos falar de tantas pessoas que conhecemos ou vamos conhecer.
Paralelamente temos a estória de Liêvin,completamente apaixonado por Kitty e o desenrolar do romance dos dois,puro,bonito e leve como todo romance deveria ser.Não obstante,temos as crises existenciais deste e seus questionamentos,que podem ser de qualquer um.
Sinceramente,foi um dos livros que mais gostei em toda a minha vida!Guerra e Paz,me aguarde!
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haroeira 22/01/2009

O velho e bom Tolstói.
É maravilhoso. Um romance de adultério, da grandeza de Dom Casmurro e de Madame Bovary. A personagem título, Ana Karenina, fez uma viagem a Moscou a fim de tentar salvar o casamento de seu irmão, que estava em crise. Conseguiu, mas acabou pondo a perder o seu próprio, apaixonando-se perdidamente por um aristocrático militar por quem larga marido e o filho pequeno. Ambos vão viver no exterior sua intensa paixão, embora mesmo no auge dela um quê de melancolia envolva o casal. Em tempo: quando de seu lançamento, Tolstói era o grande nome da literatura universal. O livro era considerado o maior de Tolstói. Dizem as críticas, que se Tolstói não tivesse escrito mais nada depois dele, Ana Karenina seria o the best. Ele já estava consagrado! E o cara ainda vai e lança Guerra e Paz, que arrebenta. Os russos... os russos são fodas!
Bell 10/04/2010minha estante
Mas ele não lançou Anna Kariênina depois de Guerra e Paz? Ele não era o "grande nome da literatura universal" justamente por causa do último?


N 03/09/2012minha estante
Boa resenha, moço. E os russos são fodas sim!
Só uma ressalva: Guerra e Paz antecede em uns sete anos (não sei precisamente) a publicação de Anna Kariênina.

Aliás, preciso muito ler o primeiro. :-)


haroeira 03/09/2012minha estante
well, a minha impressão é que Guerra e Paz foi lançado depois, li isso no prefácio do livro. bom, vou checar então, já que vcs duas estão falando. Valeu. e tenks alote pela presença.




Rafaela 14/06/2015

Tudo é falsidade, tudo é mentira, tudo é engano, tudo é maldade!
Liev Tolstói tinha um dom para a escrita magnífico. Quando você lê Anna Kariênina parece que você não é um leitor mas um bisbilhoteiro espiando a vida alheia tão formidável é a construção dos personagens, de suas falas e pensamentos, que parecem reais.

O livro alterna a história de Anna, uma mulher casada que abandona tudo pelo amante Vronski e Lievin que se apaixona por Kitty que esta quase noiva de Vronski.

Anna foi a personagem que mais gostei, quando ela se apaixona perdidamente pelo Vronski ela vive isso tao intensamente e descaradamente, que eu ficava entre o ódio e amor por ela. Mas quando a história dela avança parece que o autor queria se dedicar apenas a contar sobre o Lievin, apesar de todos os personagens serem complexos e bem retratados o Lievin era o xodó do Tolstoi.

A historia de Lievin pode parecer chata se você procurar só romance no livro, o personagem é um apaixonado não apenas pela Kitty mas pela agricultura, e são seus capítulos que monstra como Tolstoi foi um autor foda e único. As cenas de caça, o questionamento de Lievin sobre os mujiques ou qual a melhor forma de plantar, sobre máquinas agricolas, tudo é escrito de um jeito delicioso de ler, nada cansativo.

No fim você acaba é com muita fome de ler outras histórias do autor, só não gostei foi da Anna pagar um preço tão caro pela sua traição motivada pela paixão, enquanto o irmão sem vergonha que abandona a família no meio do mato permanece ileso, um bom exemplo de como é difícil ser mulher.
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Ale Siqueira 25/03/2013

Anna Kariênina
Neste Romance épico de Tolstói a heroína Anna Kariênina é uma mulher que enfrenta todas as convenções morais e sociais de seu tempo para viver um amor adúltero. O marido Kariênin, com quem Anna tem um filho, é um homem metódico, excessivamente empenhado em suas obrigações profissionais. A vida conjugal do casal, embora pacífica, é bastante superficial. No entanto, ao contrário do que a princípio se pode pensar, Kariênin não é uma pessoa insensível; no desenrolar da trama vemos que suas atitudes são corretas e generosas, muitas vezes altruístas. (Particularmente me irrita a atitude de Anna em relação à ele: ela é ingrata, desnecessariamente irritadiça, o odeia e despreza de forma mesquinha, não obstante os esforços que ele faz para ajuda-La.)
Em uma viagem a Moscou Anna se apaixona pelo jovem conde Vrónski. Tomada por esse amor, sua antiga vida e seu casamento vazio se tornam insuportáveis, parecendo sufoca-La e Anna se entrega com paixão a esse romance. Os dois amantes vivem uma relação que suporta com audácia e coragem a rejeição da sociedade, mas que no entanto é minado aos poucos pelo isolamento, o tédio, os ciúmes e a insegurança obsessiva de Anna.
Paralela à história de Anna o livro conta a história de Liévin, rico proprietário rural, homem dedicado ao trabalho, um pouco avesso à vida em sociedade e que é apaixonado pela jovem princesa Kitty. De alma inquieta, ao longo de toda a narrativa Liévin procura encontrar o sentido e propósito da vida, sua e do homem em geral. Nesse aspecto, Liévin lembra um outro personagem de Tolstoi: a inquietação diante do mistério da vida; a incessante e freqüentemente frustrada busca de respostas; até mesmo a epifania final revelada nas palavras de um simplório mujique. Tudo isso também encontramos em Pedro Bezukhov de Guerra e Paz. Não por acaso, ambos os personagens são considerados alter ego de Tolstói.
Enriquecendo esses dois núcleos narrativos principais há uma grande quantidade de personagens secundários que completam o painel da sociedade russa em fins do século XIX. Intelectuais, militares, funcionários do governo, senhores de terras, damas e cavaleiros nobres da (ociosa) alta sociedade circulam pelas duas capitais (Moscou e São Petersburgo) e por propriedades no campo, nos revelando a vida e os costumes daquele tempo. O especial de Anna Kariênina é justamente esse retrato da sociedade russa (embora feito de cima) que nos permite contemplar o ambiente social e tomar conhecimento dos principais debates (políticos, econômicos, sociais) que agitavam a Rússia pré-revolucionária.
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Lys Coimbra 27/03/2015

Não consigo entender como esperei tanto tempo para ler Tolstói.

É certo que o volume, desta obra em particular, e o próprio nome de Tolstói podem ser um tantinho intimidativos, mas a leitura se mostra, na maior parte do tempo, extremamente prazerosa.

A riqueza e a complexidade de alguns personagens é fascinante e nos conduz a dilemas filosóficos extasiantes.

Anna é um personagem inspirador, especialmente quando consideramos a época em que o romance foi escrito. Uma mulher que se atreve a ser forte, autêntica, inteligente, politizada e vanguardista numa época em que as mulheres se reduziam a meros figurantes sociais. Eu a achei realmente incrível!

Apesar das fraquezas e do desfecho de Anna, me encantei com a postura de assumir seus desejos e lutar pela felicidade, ainda que o preço - a segregação social e a privação da presença do próprio filho - fosse um vislumbre do inferno.

Mas Anna não brilha sozinha, pois mesmo com toda a sua aura mítica, o personagem que mais me conquistou foi Liévin e suas reflexões, suas brigas internas, suas incompreensões e anseios. Ele conseguiu ser simples e riquíssimo com toda a sua simplicidade.

Me maravilhei com as questões filosóficas e com a revelação da estrutura social russa da época do romance.

Em algumas passagens, me senti meio arrastada e até me entendiei um pouco, mas, na maior parte do tempo, o livro é um presente.

Enfim, Tolstói já não me intimida e mal posso esperar pelo próximo.
Léo 05/04/2015minha estante
Eu estou lendo Anna Kariênina é a sua resenha reflete bem o que eu estou sentindo ao ler essa obra magnífica. Tolstói é vida!!


Lys Coimbra 03/07/2015minha estante
Léo, depois deste li "a morte de Ivan Ilitch" que também é fantástico! Recomendo!




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