Sombras de Um Crime

Sombras de Um Crime Val McDermid




Resenhas - Sombras de um Crime


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Ju Oliveira 23/01/2012

Sombras de um crime é sem dúvida, o melhor livro suspense policial que já li em toda minha vida. Tão envolvente, aterrorizante e num ritmo frenético.

Fiona Cameron é uma psicóloga especialista em Conexão criminal, estudando o perfil geográfico de maníacos assassinos. Ela optou por essa profissão, depois que sua irmã caçula foi brutalmente estuprada e assassinada. Infelizmente ela jamais encontrou o assassino de sua irmã.

Fiona é durona em seu trabalho, mas quando está em casa, é só carinhos com seu namorado Kit, famoso escritor de livros de suspense.

Depois de alguns desentendimentos com seus superiores, ela jurou que nunca mais trabalharia para a Scotland Yard. Até que um serial killer começa a agir. Ele caça, tortura e mata famosos escritores de suspense que tiveram suas obras adaptados para o cinema ou TV. E os mata exatamente como os personagens de seus próprios livros.

“Nenhum criminoso era mais difícil de ser capturado do que um assassino sem uma ligação aparente com a vítima, alguém cuja lógica só fazia sentido para ele mesmo, que deixava poucos rastros e era inteligente o suficiente para se manter alguns passos à frente de seus perseguidores.”

Após o assassinato do terceiro escritor de suspense, todos amigos de Kit, a Policia finalmente acredita na teoria de Fiona. De que todos os assassinatos estão ligados, não foram aleatórios. E ela agora teme pela vida de seu amor, pois além de ser um grande escritor de suspense, sua obra foi adaptado para o Cinema.

Ela precisa correr contra o tempo para poder salvá-lo e sabe exatamente como o serial killer irá executá-lo. Exatamente como Kit escreveu em seu livro. Com todo aquele sangue e tortura…

“O terror esmagou-lhe o peito. Sabia exatamente o que estava por vir. Afinal de contas, ele próprio escrevera o enredo.”

Sombras de um Crime é aquele tipo de livro que te tira o sono, te tira o fôlego! Literalmente. Eu devorava o livro, e ficava tensa, angustiada e querendo saber o que viria página após página. É livro de suspense mais bem escrito que já li. em momento algum você vai se sentir enfadada da leitura. É adrenalina do começo ao fim.

Os personagens são muito bem construidos, intensos, reais. A autora, Val McDermid, nos faz mergulhar na mente de um assassino. Através do diário do serial killer, ficamos aterrorizadas, estarrecidas com tamanha crueldade e sangue frio. Algumas cenas são tão fortes que chega a embrulhar o estômago, tamanha a capacidade da autora em nos mostrar o pior lado da mente humana.

Esse foi o primeiro livro da autora que li, com certeza agora já quero todos os outros títulos lançados aqui no Brasil, Um corpo para o Crime, O eco distante, Prelúdio para a morte e Domínio Sombrio.

Quem é fã de um bom livro de suspense, com direito a um serial killer implacável e sanguinário, não pode deixar de ler. Recomendadíssimo.

Mais resenhas em: http://juoliveira.com/cantinho/
Ricardo Tavares 19/04/2018minha estante
Não sei se você já leu algum livro da Karin Slaughter e do James Patterson (Literatura americana) ou do não menos fabuloso Jo Nesb (Noruega) e ainda Henning Mankell (criador do grande detetive Kurt Wallander, um policial muito inteligente), mas esses são mestres em criar narrativas frenéticas e com serial killers de arrepiar. Esse é o primeiro livro de Val McDermind que leio e achei o ritmo arrastado, com uma polícia tonta, que precisa desesperadamente de Fiona para resolver seus casos. No entanto, o que essa personagem faz é meramente traçar perfis geográficos, não percebi claramente o pensamento do criminoso. As intenções do vilão não são elucidadas, até porque a autora recorreu a um clichê muito antigo, não revelar a identidade do criminoso e sempre jogar a culpa em outros que sabemos não serem os culpados, pois as provas contra eles são fracas. Tem muita conversa bobinha entre Fiona, Kit e Steve, que não trazem nenhum pista relevante sobre o criminoso. A narrativa segue um caminho óbvio e após ler mais de trezentas páginas de um total de 504, não senti nenhum ritmo frenético. Na minha humilde opinião merece uma nota 3,5, pois esse livro poderia ter uma 200 páginas a menos para realmente tornar a leitura mais dinâmica, que o diga a grande Agatha Christie, que nunca escreveu livros longos e resolvia os casos com aproximadamente 300 páginas.




Naty 11/11/2011

www.meninadabahia.com.br


Eles tinham errado feio. O terror esmagou-lhe o peito.
Sabia exatamente o que estava por vir.
Afinal de contas, ele próprio escrevera o enredo.
Pág. 403


Anos atrás, quando sua irmã foi vítima de um serial killer, Fiona Cameron prometeu a si mesma fazer algo em prol das vítimas desse tipo de maníaco. Especializou-se em conexão criminal com estudo do perfil geográfico. Com ajuda dos seus alunos de doutorado, até conseguiu desenvolver um software para definir melhores parâmetros e, assim, ter resultados mais realísticos.

Depois de algumas frustrações trabalhando com a Polícia Metropolitana – que não confiava em seu método –, ela jurou numa mais se envolver com eles. Mas agora, precisa repensar sua decisão. Um serial killer começa a caçar, torturar e matar escritores famosos de suspense, que tiveram obras adaptadas para TV ou cinema. Ele matava os escritores tais quais os assassinos em seus respectivos livros.

Um copycat real e macabro.

Nunca ataque na incerteza. Nunca perca o controle. Apenas aguarde. Mesmo que a espera seja difícil e amarga.
Pág. 311


Fiona, casada com um famoso escritor, Kit Martin, que também vendeu um bestseller para adaptação cinematográfica, tem certeza que ele está na lista. Ela não confia em mais ninguém para traçar o perfil do assassino. Mas, com outros trabalhos urgentes, é ‘obrigada’ a se ausentar da cidade. É quando seu marido desaparece.

Sem conseguir apoio imediato, Fiona parte em busca do marido e do assassino. Ela conhece a história do bestseller transformado em filme e sabe exatamente como o copycat irá matá-lo. Se ele seguir a cena à risca, ela ainda tem algumas horas para salvar Kit.

Raciocínio lógico. Suspense psicológico. Adrenalina pura. Assim é o mais novo lançamento de Val McDermid, no Brasil. Diferente de seus outros livros, lançados aqui, Sombras de um Crime (Bertrand Brasil, 504 páginas, R$ 49,00) nos insere na mente de um psicopata. Um serial killer que se excita ao matar. Seu modus operandi é doentio e diabólico.

Sempre digo que sou completamente apaixonada pela escrita da Val, porque seus romances policiais não são recheados de facadas, assassinatos a sangue frio ou cenas macabras, e sim pelo policial clássico. Mas, Sombras de um crime tem tudo isso! E eu continuo enfeitiçada pela dama escocesa do crime. É o tipo de autor policial que sempre irei recomendar!
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Noeli 12/03/2020

O livro mais fraco da Val. Já li 4 livros dela e acho que ela é uma escritora fenomenal, mas este livro deixou a desejar! Muitas descrições desnecessárias, alguns personagens rasos e chatos, diálogos infantis...enfim. Mas não vou desistir. Lerei mais livros dela, pois os outros que já li eu adorei!
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Saulo 01/12/2011

Bem... por onde eu deveria começar? Pois bem, lá vai.
Sempre desejei comprar esse livro. A capa dele é fenomenal. Mas não foi a arte que me instigou a comprá-lo. Quando eu li a orelha do livro, a sinopse me fez perder o fôlego. “Nossa, esse livro tem uma história em tanto!” foi o que eu disse. É, realmente a história é muito boa, mas é uma pena não ter sido bem desenvolvida. Nas 20 primeiras páginas eu fiquei embasbacado como as palavras se agrupavam em frases estonteantes. Estava excelente! Digno de 5 estrelas aqui no skoob. Mas, conforme as páginas foram virando, a história ficou bobinha, aguada e difícil de ser rodada, ou seja, o livro perdeu toda a velocidade. O que antes era para ser comparado às obras de Stephen King, tornou-se um romancesinho aguado equivalente a Arnould Delaland. Desculpe-me Val, mas esse livro se um dia virar filme merece passar apenas no Supercine! Se você, caro leitor, estar lendo essa resenha pensando que vai pegar um livro e encontrar um estilo de leitura igual ao filme Se7en, Colecionador de Ossos ou 8MM, procura outro autor. Não gostei desse livro!
Araggorn 16/12/2011minha estante
Oi. O que tem haver com Stephen King?


Araggorn 16/12/2011minha estante
Ela é autora do gênero policial clássico e psicológico. Não do policial onde muitas vezes só sabemos quem é o matador no final.


Saulo 11/05/2012minha estante
Não a história em si, Caro herdeiro ao trono de Gondor! Falo do modo a ser escrito, o desenvolver rápido e elétrico das palavras.


Joelma 06/01/2018minha estante
Faltam cerca de 90 páginas para eu acabar a leitura. E até o momento estou concordando com sua opinião (e achando totalmente desnecessários os crimes na Espanha...)


Ricardo Tavares 17/04/2018minha estante
Concordo com a sua opinião, o ritmo é lento, já li umas duzentas páginas e a história não engrena. Como pode um grupo de escritores receber cartas ameaçadoras e a polícia não encontrar nenhuma ligação entre elas? Aliás, a polícia nessa trama tem um papel bem secundário e os policiais são sem carisma, sem presença. A personagem principal, Fiona, não me causou nenhum frisson. Enfim, espero que ao final não seja uma total decepção, mas já li melhores, como os livros de Karin Slaughter.




Deia 21/05/2020

Leitura concluída.
Comecei a ler esse livro para me adiantar nas leituras coletivas, eis que me prendeu de um jeito, que o larguei agorinha quando terminei.
Sabe quando uma leitura é familiar? Pois é, me senti assim lendo esse suspense, ele não é lugar comum, não. Jorra sangue como gosto, o gênio do mau é doido como gosto, uma personagem feminina forte e tals....vou falar como meu pai, " se ti prendeu Andréa, é bom".
Foi bom e envolvente.
Valeu a leitura!
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Beth 27/06/2017

Homenagem a João Soares
O João me indicou este livro. Grande leitor, jamais deixou de fazer uma resenha para os livros que lia.
João não está mais entre nós.
Mas jamais deixará o coração dos skoobers que o conheceram.
João querido, não gostei deste livro tanto quanto tu. Talvez por a leitura ter sido borrada pelas lágrimas que derramei por ti.
Jhony 27/06/2017minha estante
:(




Hannah 02/06/2020

O livro é bem descritivo por isso que ele tem 500 páginas.
Poderia ter um pouco menos, faria o livro ser mais dinâmico.
O começo é confuso. São muitos crimes, muitas linhas, mas depois a coisa vai se afunilando e vai ficando mais fácil de acompanhar.
O final foi o esperado. Nada de surpresa.

O mais incrível é que eu sempre lia Georgina o nome da Georgia, hahaha. Sim, complicava o nome. Vai entender.

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Fer 12/04/2018

Mediano
Vi uma booktuber com o gosto literário muito parecido com o meu falando desse livro, e decidi confiar. A sinopse do livro é muito boa, te dá muita vontade de ler, porém, a autora enrola demais. A coisa começa a andar depois das 300 páginas aproximadamente, ou seja, perto do final do livro. Mesmo com três casos de assassinatos distintos sendo investigados, a história parecia muito parada. Acredito que a autora não soube construir tão bem seus personagens, eles são muito rasos e tomavam atitudes estúpidas. O motivo do assassino então, meu Deus, muito fútil. Creio que umas 200 páginas poderiam ser apagadas e o livro seria melhor.
Ricardo Tavares 21/04/2018minha estante
Concordo plenamente. Para que serviu a viagem à Espanha? Acho que só para dar credibilidade a Fiona e mostrar que seu método funciona. Outra coisa estranha é a constante afirmação de que ela não faz perfis psicológicos, apenas geográficos. Balela, pois o meio em que a pessoa vive está relacionado com seus hábitos. O motivo é bem desinteressante e o vilão não se sobressai. O artifício de colocar páginas de um suposto diário nada acrescentam, apenas indicam um psicopata maníaco. Com certeza se o livro tivesse umas 300 a 350 páginas, já seria bom. Mas já percebi que essa autora gosta de enfeitar o pavão e fazer narrativas bem longas. Nota 3.




Jojo Cristine 19/05/2020

Quem me conhece sabe que amo um suspense, e esse livro a história foi muito boa mas o final..ahh final foi péssimo na minha opinião
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Ednelson 04/12/2012

Análise:

“A diferença, ponderou ele, é que sabia que o que estava lendo era ficção. Não importava que não tivesse resolvido o crime ao apagar a luz. Seus assassinos não iriam matar novamente até que estivesse preparado para eles.”
—Pág. 39.

Saudações, caros leitores cabulosos! O livro resenhado hoje chegou até minhas mãos por uma pequena ajuda do destino. Vou lhes explicar isso melhor. Foi o seguinte: um vizinho meu costuma receber alguns folhetos de propaganda de livros de diversas editoras e com isso de vez em quando acaba descobrindo alguma obra atraente. Então, foi em um destes folhetos que o nome Val McDermid surgiu e com um livro que já atraiu a atenção por causa da sua capa que retrata um cenário sombrio cuja simples visualização já nos remeteu a ideia de que ali estava uma obra de potência extrema, um maravilhoso banquete de suspense. A minha curiosidade foi ainda mais aguçada pela promessa de originalidade no modo como a autora desenvolve a figura do assassino e por isso mesmo fui exigente durante a minha leitura, afinal sou um leitor muito familiarizado com o estilo. Agora, sem mais demoras, vou começar a tecer minhas impressões.

O enredo começa de uma forma não muito original, devo admitir, com uma personagem (Fiona Cameron), cuja força motriz é a morte da irmã caçula. Isso é um exemplo claro de uma personagem que não teve o impulso para a “ação” ou motivação heroica, como preferir chamar, vindo de si, mas de um fator externo. Exemplos que seguem esse caminho não faltam, seja no cinema ou na literatura, mas Fiona nos apresenta originalidade em sua forma de pensar, principalmente no que se refere a como conduz seus estudos das mentes psicopatas. Normalmente em minhas leituras o que vejo, acerca de psicólogos traçando perfis criminais, é um grupo de pessoas tentando elaborar um perfil de vida (infância, adolescência) condizente com os crimes em questão e a partir disso caçar pessoas que se encaixem nesse molde. O que acompanhamos em “Sombras De Um Crime” é um processo de investigação inovador, contudo ele não parte de princípios arbitrários que só fazem sentido nas condições apresentadas pela escritora. Tudo é muito coerente e alicerçado em uma minuciosa explanação sobrea a razão das coisas serem de tal forma, isso passa credibilidade para a autora, uma vez que demonstra que além de possuir uma mente criativa, também realizou um extenso trabalho de pesquisa. Uma pesquisa é fundamental para se produzir um bom livro de suspense, considerando que a maioria deles parte de princípios reais, e ficar divagando sobre coisas que você desconhece acaba diminuindo a atratividade da narração.

Outro personagem que ganha um grande destaque no livro é Kit Martin, esposo de Fiona e famoso escritor de suspense. Kit é uma pessoa cujo humor é tão grande quanto o sucesso de seus livros, porém isso não chega ao nível de pastelão fazendo com que a trama caia em momentos que destoem da atmosfera do livro. Não estou dizendo que o livro é uma tensão ininterrupta, mas que em nenhum momento o sentimento de apreensão chega a abandonar o leitor e isso é o que justamente faz as páginas passarem em um ritmo constantemente, um fator muito apreciado entre os leitores mais vorazes de suspense e pessoalmente não aprecio livros que fiquem fugindo da proposta do enredo. Kit é o elo de confronto na trama, visto que nas circunstâncias da história se vê ameaçado por um embate entre a ficção que ele próprio “vive” ao gerar suas histórias de suspense e ter de mergulhar por alguns momentos, controlados, dentro de terrenos sombrios com o intuito de criar os personagens mais aterradores, que não deixam de ser uma possibilidade do ser humano, vários casos já aconteceram na história da humanidade e servem como prova, e a realidade crua e visceral de um desconhecido que talvez possa mata-lo e fazê-lo viver o terror que já fez, por meio da escrita, outras “viverem”. Achei muito interessante esse contraste que a Val McDermid criou, pois quem ama o terror ou suspense, como livros ou filmes, obviamente anseia por tramas em que os personagens vivam as coisas o mais intensamente possível, entretanto é evidente que isto não é algo que desejamos para a nossa vida, ou seja, temos uma fascinação pelo medo controlado, necessitamos de uma adrenalina para sentir que estamos vivos ou para evitar o confronto com coisas que ocasionem desprazer. Sinceramente, acho que somos uma espécie fascinante, a mente humana oferece mesmo muitas dúvidas para serem analisada, refletidas e respondidas ou não.

A presença do assassino como alguém para quem algumas páginas são cedidas para expressar seus sentimentos e pensamentos demonstra um refino em seu modus operandi, mas alguns detalhes nos fazem ficar intrigados e confusos quanto aos seus reais motivos e como encara verdadeiramente as suas ações. É uma mente extremamente incomum, dotada de um sistema lógico a principio incompreensivo, mas que vai sendo elucidado, sem qualquer pressa, como um aperitivo que visa nos instigar a ir para o final, a refeição principal. O assassino não é do tipo carismático como o famoso Dr. Hannibal Lecter, mas nos cativa pela complexidade de seus pensamentos.

A autora também soube como conduzir histórias paralelas, sem deixar a atenção do leitor oscilar e essas partes acabam criando um cenário ainda mais completo para a obra e serve para deixar a narração dinâmica. Praticamente todos os personagens secundários têm a sua função no fluir da história e isso com certeza evitou cenas desnecessárias que nada acrescentassem à obra. A grande sensação que fiquei ao terminar este livro foi que se tratava de um estudo romanceado sobre a psicopatia. Genial e mesmo já tendo lido diversos romances de suspense, me senti respirando um novo ar e com certeza Val McDermid está agora entre os melhores livros que já li. O desfecho soa como uma redenção para Fiona e percebemos o quanto mergulhar em certos mistérios pode ser perigoso, pois quando se olha para o abismo, ele pode olhar para você. Por isso, este livro irá ganhar cinco selos cabulosos e palmas em pé! Abraços e até outro momento!

Escrevo no: http://leitorcabuloso.com.br/
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Leitor Cabuloso 26/08/2012

Saudações, caros leitores cabulosos! O livro resenhado hoje chegou até minhas mãos por uma pequena ajuda do destino. Vou lhes explicar isso melhor. Foi o seguinte: um vizinho meu costuma receber alguns folhetos de propaganda de livros de diversas editoras e com isso de vez em quando acaba descobrindo alguma obra atraente. Então, foi em um destes folhetos que o nome Val McDermid surgiu e com um livro que já atraiu a atenção por causa da sua capa que retrata um cenário sombrio cuja simples visualização já nos remeteu a ideia de que ali estava uma obra de potência extrema, um maravilhoso banquete de suspense. A minha curiosidade foi ainda mais aguçada pela promessa de originalidade no modo como a autora desenvolve a figura do assassino e por isso mesmo fui exigente durante a minha leitura, afinal sou um leitor muito familiarizado com o estilo. Agora, sem mais demoras, vou começar a tecer minhas impressões.

O enredo começa de uma forma não muito original, devo admitir, com uma personagem (Fiona Cameron), cuja força motriz é a morte da irmã caçula. Isso é um exemplo claro de uma personagem que não teve o impulso para a “ação” ou motivação heroica, como preferir chamar, vindo de si, mas de um fator externo. Exemplos que seguem esse caminho não faltam, seja no cinema ou na literatura, mas Fiona nos apresenta originalidade em sua forma de pensar, principalmente no que se refere a como conduz seus estudos das mentes psicopatas. Normalmente em minhas leituras o que vejo, acerca de psicólogos traçando perfis criminais, é um grupo de pessoas tentando elaborar um perfil de vida (infância, adolescência) condizente com os crimes em questão e a partir disso caçar pessoas que se encaixem nesse molde. O que acompanhamos em “Sombras De Um Crime” é um processo de investigação inovador, contudo ele não parte de princípios arbitrários que só fazem sentido nas condições apresentadas pela escritora. Tudo é muito coerente e alicerçado em uma minuciosa explanação sobrea a razão das coisas serem de tal forma, isso passa credibilidade para a autora, uma vez que demonstra que além de possuir uma mente criativa, também realizou um extenso trabalho de pesquisa. Uma pesquisa é fundamental para se produzir um bom livro de suspense, considerando que a maioria deles parte de princípios reais, e ficar divagando sobre coisas que você desconhece acaba diminuindo a atratividade da narração.

Outro personagem que ganha um grande destaque no livro é Kit Martin, esposo de Fiona e famoso escritor de suspense. Kit é uma pessoa cujo humor é tão grande quanto o sucesso de seus livros, porém isso não chega ao nível de pastelão fazendo com que a trama caia em momentos que destoem da atmosfera do livro. Não estou dizendo que o livro é uma tensão ininterrupta, mas que em nenhum momento o sentimento de apreensão chega a abandonar o leitor e isso é o que justamente faz as páginas passarem em um ritmo constantemente, um fator muito apreciado entre os leitores mais vorazes de suspense e pessoalmente não aprecio livros que fiquem fugindo da proposta do enredo. Kit é o elo de confronto na trama, visto que nas circunstâncias da história se vê ameaçado por um embate entre a ficção que ele próprio “vive” ao gerar suas histórias de suspense e ter de mergulhar por alguns momentos, controlados, dentro de terrenos sombrios com o intuito de criar os personagens mais aterradores, que não deixam de ser uma possibilidade do ser humano, vários casos já aconteceram na história da humanidade e servem como prova, e a realidade crua e visceral de um desconhecido que talvez possa mata-lo e fazê-lo viver o terror que já fez, por meio da escrita, outras “viverem”. Achei muito interessante esse contraste que a Val McDermid criou, pois quem ama o terror ou suspense, como livros ou filmes, obviamente anseia por tramas em que os personagens vivam as coisas o mais intensamente possível, entretanto é evidente que isto não é algo que desejamos para a nossa vida, ou seja, temos uma fascinação pelo medo controlado, necessitamos de uma adrenalina para sentir que estamos vivos ou para evitar o confronto com coisas que ocasionem desprazer. Sinceramente, acho que somos uma espécie fascinante, a mente humana oferece mesmo muitas dúvidas para serem analisada, refletidas e respondidas ou não.

A presença do assassino como alguém para quem algumas páginas são cedidas para expressar seus sentimentos e pensamentos demonstra um refino em seu modus operandi, mas alguns detalhes nos fazem ficar intrigados e confusos quanto aos seus reais motivos e como encara verdadeiramente as suas ações. É uma mente extremamente incomum, dotada de um sistema lógico a principio incompreensivo, mas que vai sendo elucidado, sem qualquer pressa, como um aperitivo que visa nos instigar a ir para o final, a refeição principal. O assassino não é do tipo carismático como o famoso Dr. Hannibal Lecter, mas nos cativa pela complexidade de seus pensamentos.

A autora também soube como conduzir histórias paralelas, sem deixar a atenção do leitor oscilar e essas partes acabam criando um cenário ainda mais completo para a obra e serve para deixar a narração dinâmica. Praticamente todos os personagens secundários têm a sua função no fluir da história e isso com certeza evitou cenas desnecessárias que nada acrescentassem à obra. A grande sensação que fiquei ao terminar este livro foi que se tratava de um estudo romanceado sobre a psicopatia. Genial e mesmo já tendo lido diversos romances de suspense, me senti respirando um novo ar e com certeza Val McDermid está agora entre os melhores livros que já li. O desfecho soa como uma redenção para Fiona e percebemos o quanto mergulhar em certos mistérios pode ser perigoso, pois quando se olha para o abismo, ele pode olhar para você. Por isso, este livro irá ganhar cinco selos cabulosos e palmas em pé! Abraços e até outro momento!
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João 12/04/2017

A mídia está em polvorosa.
Um assassino cruel está vagando pela cidade.
Suas vítimas:escritores de suspense que estão na lista dos mais vendidos.
As vítimas são executadas da mesma maneira que as suas personagens nos livros.
Um serial killer diferente,que não deixa pistas.

Sombras de Um Crime é o terceiro livro que leio da autora Val McDermid.
A autora já havia conquistado espaço nas minhas leituras porém,o último que havia lido dela me decepcionou,o que me fez iniciar a leitura desse livro com um pouco de cautela.
Mas já nas primeiras páginas fui surpreendido por uma narrativa instigante,com personagens bem elaborados e um serial killer que prometia.
O livro é sensacional,do começo ao fim.
Pra quem gosta desse tipo de leitura é diversão garantida.
É incrível você ir acompanhando aos poucos os assassinatos e a corrida dos detetives atrás de pistas. A personagem Fiona Cameron é muito bem construída e acompanhar sua trajetória pelo livro foi fantástico. No final,tudo explicado,o que pra mim torna o livro que é bom,perfeito. Odeio ficar no limbo e Val McDermid não me decepcionou.
Em qualquer tipo de leitura é questão de gosto e opinião que são válidos. Eu achei o livro fantástico,porém muita gente não gostou. Só lendo mesmo para saber.
Excelente leitura.
Euflauzino 14/04/2017minha estante
caro João, tenho muitas vezes a mesma cautela que vc. isso acontece nas leituras de dean koontz. ele é incrivelmente criativo, mas há livros que nem parece ele, então sempre vou caminhando a passos curtinhos, porque tem alguns que são clássicos, imperdíveis. ando um pouco afastado dos romances policiais, tenho lá minha preferência (dennis lehane), mas agora ando optando pelos nórdicos, eles estão à frente neste quesito. sua resenha me chamou a atenção, ainda mais por ser 5 estrelas. devidamente anotado, porque sua opinião criteriosa sempre me encanta.




Luciana Gonçalves 18/10/2019

Trama muito interessante mas o livro é longo demais, se arrasta na mesma história.
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spoiler visualizar
Joelma 06/01/2018minha estante
Estou me arrastando rumo ao final...
Ela é mesmo chata. E arrogante.
E qual a necessidade de incluir aqueles crimes na Espanha a não ser enrolar?


Adriana 06/01/2018minha estante
Pois é, nenhuma necessidade! O final é meio arrastado msm :/




Donilde 25/07/2020

Muito bom!
Senti que demorou um pouco para engrenar, mas depois... Só queria chegar em casa para poder ler. Aquele apego no personagem, sabe?!
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