A Morte em Veneza & Tonio Kröger

A Morte em Veneza & Tonio Kröger Thomas Mann




Resenhas - Morte em Veneza & Tonio Kröger


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Adonai 19/07/2020

Mais um livro brilhante
Como é possível, em um texto curto, tantas reflexões, referências e camadas de leitura? Foi talvez uma das primeiras questões que me fiz ao finalizar esse livro e especificamente a primeira novela A morte em Veneza. Não foi o meu primeiro contato com o autor, já li A montanha mágica e o meu amor pelo autor apenas cresce.

Um texto denso, com um ritmo próprio (quase um concerto de música erudita) e que carrega inúmeras referências de outras obras literárias e filosóficas, essa primeira novela é um constante questionar sobre a razão, o sentir, o que é escrever, o que é fazer arte, o que é o belo. A segunda novela não fica longe disso, porém percebo um tom mais inicial, como se Mann tivesse amadurecido sua expressão entre a produção dessas duas textualidades. Com certeza é aquele livro que vale ser (re)lido mais vezes.
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Marcos 02/03/2020

Jornada íntima
Trata-se da história de dois personagens, Gustav von Aschenbach um autor alemão conhecido e bem-sucedido, mas solitário, que perdeu os sentimentos pelas emoções e prazeres da vida e, Tadzio, um garoto polonês de férias com a família em Veneza.

Aschenbach, que decide passar férias em Veneza para rejuvenescer seu interesse pela vida, e de Tadzio, que faz com que Aschenbach realize paixões novamente em sua vida enquanto Aschenbach admira, fantasia e ama o garoto de longe. O leitor se depara com a transformação física e mental de Aschenbach de um adulto digno e desencantado que, ao ver Tadzio, um belo jovem, redescobre sua própria juventude e uma sede de amor.

O simbolismo está presente em todo o romance. As gôndolas negras de Veneza, representando a morte, também são simbolicamente importantes. E a própria cidade, decadente, sofrendo com uma epidemia invasora, lança seu feitiço sobre Aschenbach.
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Dri Viana 15/08/2020

As duas novelas são simplesmente incríveis! As histórias carregas de ironia e as personagens sanguíneas, geralmente a marca de autores latinos, são herdadas por Mann pela sua mãe brasileira.
Entretanto, a novela de Tonio Kruger me cativou muito mais do que a famosa ?A Morte em Veneza?, talvez por me identificar um pouco com a personagem (bissexual, inseguro, deslocado), Tonio realmente me cativou, ao mesmo tempo que sentia muita raiva dele por ser tão mimado. Apesar disso, ?A morte em Veneza? é uma história que realmente te prende, Mann constrói a história de maneira frenética, onde o desenrolar das coisas vai ser tornando cada vez mais desesperador e claustrofóbico.
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Mari 08/06/2020

Maravilhoso demais encontrar uma narrativa baseada em "Dionísio x Apollo". É arrebatador!
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Book.ster por Pedro Pacifico 01/03/2020

A morte em Veneza, Thomas Mann – Nota 8,5/10
Leitura de fevereiro para o #desafiobookster2018 (livro publicado na década de 1910) e minha primeira obra de Thomas Mann, um clássico da literatura alemã e mundial. Já nas primeiras páginas pude perceber a complexidade e prolixidade da escrita do autor, mas que não compromete a fluidez da leitura. Gustav von Aschenbach, um escritor decepcionado com a receptividade de suas obras mais recentes, decide “mudar de ares”, deixando a sua cidade Munique em direção à Veneza. Na época, a cidade, quente e fétida, estava sofrendo uma epidemia de cólera. E é nesse cenário que tem início o seu fascínio por Tadzio, um jovem polonês, a personificação da beleza pura. É uma obsessão completamente platônica, que acaba deixando um velho escritor em um profundo conflito interno, sem saber quais passos tomar. A trama é simples e não é o que chama atenção na obra. O talento de Thomas Mann está na construção de um dilema interno muito profundo e, ao mesmo tempo, sútil. Tamanha a complexidade de seus pensamentos, que senti dificuldade de absorver mais da obra, até mesmo pelas diversas referências a filósofos como Platão e Nietzsche, que conheço pouco. Ou seja, não se deixe enganar pelas poucas páginas do livro e pela simplicidade da narrativa: a escrita é profunda, filosófica e excepcional. Um livro para ser relido.

Além de A morte em Veneza, essa edição também contempla Tonio Kröger. Li e gostei ainda mais do que a primeira novela. Kröger é filho de um burguês e uma mãe brasileira (o que denota um cunho autobiográfico, já que a mãe do autor também tinha origem brasileira). É um jovem que difere das crianças com quem convive. Com sua origem brasileira, Kroger foge do padrão caucasiano de pele, cabelos e olhos claros. E é na arte, escrevendo poemas, que protagonista consegue demonstrar a sua beleza. É também uma narrativa envolvendo o conflito interno do ser humano e o conceito de beleza. .

site: https://www.instagram.com/book.ster
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Juliana Lopes 27/05/2014

Citações:
"Nada é mais estranho, mais melindroso que a relação de duas pessoas que só se conhecem de vista - que diariamente, em cada hora mesmo, se encontram, se observam; são obrigadas a manter a aparência de indiferente estranheza, sem cumprimento, sem palavra, pela ética ou capricho pessoal."
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mrsnone 16/06/2020

A reflexão de Thomas Mann
Os dois contos que se encontram no livro são extremamente magníficos. Com escrita e estética impecáveis. No primeiro conto "morte em veneza" temos um personagem que é um escritor e que procura se distanciar um pouco dos lugares que frequentava, decide, então, viajar à Veneza e passar uns tempos por lá. Acaba se apaixonando por um garoto chamado "Tadzio", mas como nunca conversou com o garoto, apenas o observa e, não obstante, o persegue durante toda a narrativa. Uma coisa que me incomodou nesse conto - de desculpe-me problematizar - é a diferença de idade dos dois, tanto do personagem principal, chamado Gustav, como do Tadzio; um garoto de aproximadamente 16 anos. Gustav é narrado já como um senhor de cabelos grisalhos... Enfim, o conto se resume na perseverança que o Gustav tem em admirar Tadzio, mesmo que isso cause, indubitavelmente, em sua tragédia. Esse conto mostra algo comum nas obras do Thomas Mann: o distanciamento dos personagens da sociedade.
No segundo conto, "Tonio Kröger", é o que me cativou e me fez dar 5 estrelas para a obra. Um conto com fragmentos de autobiografia. Tonio é um personagem que se distingue dos outros ao seu redor, sempre incompreendido e um peixe fora d'água. Pelo menos é assim que se sente. Mais uma vez um personagem distante da sociedade. Se apaixona na sua infância por Hans Hansen e na sua adolescência pela "loura Inge" como a chama. Thomas Mann nasceu numa pequena região da Alemanha, mas é de antecedência brasileira e nórdica o que diferenciava de muitos ao seu redor. Além do fato de sua orientação sexual, que o fazia se sentir assim. Talvez tudo isso fizesse com que sentisse deslocado no lugar em que nasceu e na sua época refletindo isso em seus personagens. Mas não podemos deixar de lado a crítica que ele faz a vários escritores que o antecederam, como Goethe. Manter distância de uma sociedade tão violenta, preconceituosa e trivial é tão ruim assim? Por que iríamos querer viver perto de pessoas que agem dessa maneira? Fica a pergunta no ar.
Alê | @alexandrejjr 16/06/2020minha estante
Excelente texto! ??




Isidro 27/12/2011

Sobre Morte em Veneza
A história de um renomado escritor alemão que viaja para Veneza em busca de descanso e é arrebatado pela beleza de Tadzio, um garoto que encontra-se hospedado com sua família no mesmo hotel, demonstra a predileção de Thomas Mann pela arte (com fortes pitadas de homoerotismo) e revela a dicotomia que tanto o torturava: o artista como um deus que vive em um mundo platônico de beleza e virtudes, mas, ao mesmo tempo, contaminado pelo mundanismo terreno. Eis aqui um dos relatos mais vivos sobre a relação entre a arte e a vida, a perda da dignidade do artista e a paixão incontida. Uma obra-prima do gênero, escrita com muita sutileza e profundidade psicológica.
Daniel 17/01/2013minha estante
Bela resenha. A riqueza de detalhes que o personagem principal vê e ouve são um banquete para os sentidos. É comovente acompanhar como Aschenbach sucumbe à juventude e à beleza.




Rodrigo.Barros 28/04/2020

Obra-prima
Duas novelas exemplares. Destaca-se a qualidade elevada d'A morte em Veneza que possui uma miríade de referências e alegorias sutis à natureza da morte, ao belo e à arte. Fica implícito o conflito entre a vida e a arte, a ordem e o caos. Uma das melhores coisas q já li. Já na segunda novela fica evidente o sentimento de alienação que está ligado ao fato do autor ter uma origem, segundo ele, exótica. Sendo Mann filho de uma brasileira. Esse fato se reflete no sentimento de alheiamento sentido por Tonio, tanto com relação a sua aparência quanto ao fazer artístico.

Enfim, essas são obras que não se esgotam seus sentidos em apenas uma leitura. São obras que nos acompanham a vida toda.
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Danilothe36 12/08/2010

É interessante a proposta de Thomas Mann ao abordar um tema que pode ser confundido com diversas outras coisas, porém é mais simples do que pensamos: não se trata de homossexualidade ou pedofilia, como muito deve ter sido pensado, o protagonista apaixona-se pela beleza do menino, como o rosto dele era perfeitamente desenhado. Apesar de achar interessante é um livro que não me atraiu tanto assim, acho que não é lá muito o estilo que mais me apetece.
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Junia.Maria 19/07/2017

A Morte em Veneza - Thomas Mann
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 200
Publicação: 2015

A Morte em Veneza e Tonio Kröger são duas histórias independentes do escritor alemão Thomas Mann. Elas foram compiladas nessa edição da Companhia das Letras que está republicando suas obras em uma coleção que leva o seu nome. Por tanto, essa resenha será dividida para cada uma das obras apresentadas.

A Morte em Veneza traz a história do escritor Gustav von Aschenbach, que vai à Veneza em busca de repouso em uma espécie de férias para buscar inspiração para seu novo livro. De lá, ele partiria para outra cidade, porém em seu hotel encontra-se hospedado um jovem chamado Tadzio, por quem Gustav logo se encanta. Ao longo e sua estadia, Gustav e Tadzio não trocam sequer uma palavra, pelo contrário, o escritor o admira o tempo todo, à distância, com medo de lhe proferir algo. O máximo que conseguem é uma troca de olhares aqui e acolá.

Porém, as mudanças repentinas do tempo fazem com que Gustav fique com a saúde abalada. Mesmo assim, sua paixão por Tadzio faz com que ele não queira deixar Veneza de jeito algum. Posteriormente, isso lhe trará um custo alto.

Essa história é um clássico da narrativa de Mann. Nela veremos como o autor gosta de abordar os seus personagens, gosta de nuances na escrita e de trabalhar os vários significados que o texto possa ter através da vasta gama de possibilidades de leitura que o leitor possa fazer sobre ele.

Uma questão que se faz presente é a polêmica relação dos protagonistas da história. Uma vez que Tadzio é descrito como ainda um adolescente recém-saído da fase infantil e Gustav um adulto já experiente, teremos aí uma relação que tende para a pedofilia, o que faz com que o livro seja sempre citado em listas que abordam essa temática na literatura. Mesmo estando com narrativa em primeira pessoa, o leitor atento percebe que toda a situação do romance só ocorre na cabeça de Gustav e Tadzio, em nenhum momento, lhe dá esperanças de que isso vá acontecer. Trata-se quase que de uma obsessão doentia por parte do escritor por sobre o jovem. É um texto polêmico, que daria margem para muitos debates.

Já em Tonio Kröger teremos a história do personagem homônimo, um escritor que, ao longo de sua vida, lida com a contradição de conhecer o seu eu e de se dedicar à arte. O livro aborda muito a relação arte-artista, trazendo o ponto de vista do escritor por sobre a sua existência e o mundo à sua volta. É interessante como Mann, nesse caso, é bastante sucinto e objetivo em situar o leitor na vida de Kröger, fazendo essas passagens brevemente e focando em suas reflexões. Percebe-se que, sendo o protagonista também um escritor, Mann usa-o para desvelar e trabalhar em cima de fatos autobiográficos, abordando seus sentimentos e sua própria profusão de ideias.

No geral, esses textos são ótimas formas de começar a ler o autor, uma vez que são curtos mas pungentes no que tange à sua narrativa. Vários traços das características conhecidas de Mann podem ser encontrados neles. Vale destacar também a edição maravilhosa que a Companhia das Letras fez, com capa dura e diagramação bem trabalhada. Sem dúvidas já quero essa coleção inteira na minha estante.
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Paula.Fernandes 28/08/2020

Ótima obra do Mann
Com suas descrições rebuscadas e o enredo de novel alemã o autor mostra a relação entre o artista e o belo, fazendo referências a outros textos e trazendo filosofia á obra. Em suas poucas páginas é possível mergulhar na complexidade das obras do Mann.Leitura certamente recomendada.
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Cesinha 30/07/2016

Aschenbach é um artista,mas como mestre da forma está preso a ela. O homem moderno,cativo no mundo que ele próprio construiu e mantém, é apolíneo.O rompimento da forma pela arte moderna é sintomático. A busca de liberdade se dá de maneira conservadora. Aschenbach é um ser não-comportamental sublimado. O artista sublima esteticamente sua existência negada na realidade social. Realiza-se em sua obra.

Aschenbach representa a ambigüidade do homem moderno,no qual a aparência de disciplina e produtividade esconde um interior minado pela insatisfação .O escritor amava seu ofício,mas estava cansado e preocupado em não deixar que isso transparecesse em sua obra. Jamais conhecera a ociosidade,vivera uma vidaregrada e previsível.

A previsibilidade da vida moderna e sua imperfeição o ferem. Acostumara-se a se alegrar com a meia perfeição de sua obra,mas, repentinamente,não conseguia mais.

A viagem, o distanciar-se de tudo que é conhecido e previsível é a única saída frente à resignação da vida cotidiana. Caminhos conhecidos não levam a lugar algum.Assim, a viagem é uma procura de um sentido próprio e inclassificável para a vida, o qual denominaremos destino.

Aschenbach buscava o estranho e o sem relação; a viagem que o leva a Veneza também é uma viagem interior. Sua alma desperta para questões sobre a validade da obra artística ou de qualquer outra obra. Mann sugere que a satisfação humana não pode derivar da atividade artística, nem de qualquer outra atividade que resulte em um produto.

Aschenbach, como artista que ousa querer viver, está propenso ao indefinido. A solidão que lhe proporciona a inspiração criativa também o seduz para o absurdo e o proibido.

Seu desejo de descansar observando o mar despreocupadamente significa a aceitação da ociosidade e do nada-uma forma do perfeito-tão opostos à sua tarefa, mas por isso mesmo sedutores. A insatisfação para com a mercantilização da vida é explicitada por Mann de modo acontrapô-la a um encantamento que estava tornando-se nostalgia.
Douglas Marques 14/10/2020minha estante
Excelente resenha. Obrigado


Cesinha 14/10/2020minha estante
Obrigado ! =)




Marianne.Azevedo 26/02/2020

Vale a pena
2 histórias igualmente boas. A segunda de leitura fácil, a primeira depois que acostuma, flui bem
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Natanael Nonato 10/02/2020

Interessante
Quero deixar claro que não entro no mérito da sexualidade porque não tenho qualquer interesse e nem sobre possíveis pensamentos pedófilos porque me propus a apreciar a obra e em minha opinião nenhum tema deve ser proibido na literatura. As duas novelas de Thomas Mann combinam muito bem. Ambas possuem como personagens principais artistas que sentem a necessidade de respirar novos ares. No caso de Tonio, são encontrados novos ares na Dinamarca e no caso de Aschenbach o destino é Veneza. Os dois livros dão detalhes preciosos das características das personagens e das cidades que eles passam. Me senti na própria Veneza, ou em qualquer país nórdico (Tonio Kröger) ao ler esses livros. Infelizmente, minha pouca capacidade e interesse por filosofia me fez ficar perdido por alguns poucos parágrafos nos dois livros, quando os artistas refletem profundamente sobre a vida do artista. Mas, tirando isso, os livros foram bem interessantes e belos. A beleza com que o autor descreve os sentimentos é bem interessante e cativante. Embora o fim não seja o mesmo para os dois livros, há muita conexão entre as duas histórias de paixão. Nota 3,5, porque sou bem crítico!
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