Nada

Nada Carmen Laforet




Resenhas - Nada


8 encontrados | exibindo 1 a 8


Ricardo.Mendes 21/04/2019

Desatino
Uma verdadeira loucura a família da Andrea. Confesso que não sei como a velha sobreviveu à tanto descalabro.
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Dave 21/04/2016

Sobre o tudo que há em nada
Eu encontrei esse livro em um sebo. Em meio a tantas histórias a serem lidas, naquele dia em particular, sentia-me determinado a comprar algo que não se adequasse à categoria clássicos em minha mente. E, após cerca de dez ou quinze minutos fuçando as prateleiras do lugar, encontrei o título que, de imediato, fez com que eu pensasse: esse pode ser o livro da minha vida coisa que pareceu provável quando li o comentário de Carlos Ruiz Zafón acerca do livro. Talvez essa seja uma posição difícil de ser alcançada. Talvez Nada, de Carmen Laforet, não tenha alcançado esse cargo não neste momento em particular de minha vida. Entretanto, isso não tira todo o mérito da autora ao escrever sobre tudo aquilo que nos cerca em momentos de solidão: nada.

A trama é focada na jovem Andrea, uma moça que chega à cidade de Barcelona com o intuito de estudar em sua faculdade de letras. Para que possa completar sua graduação, ela terá que morar na casa de alguns parentes com quem já não se comunicava há anos. Logo que chega à casa localizada na rua Aribau, Andrea se depara com a situação do local. O caos que reina sobre sua nova moradia e sobre as pessoas que nela habitam logo se evidenciam, deixando claro que a ajuda fornecida pelos parentes estava mais próxima de ser um empecilho na trajetória da garota.

Com uma narrativa em primeira pessoa, acompanhamos a vida de Andrea ser abalada pelos mais variados tipos de pessoa. Sua família parece ser composta por um grupo de lunáticos; alguns afetados pela idade, outros porque simplesmente agem como loucos. Entretanto, todos parecem pensar que suas respectivas atitudes e personalidades se encaixam em um padrão de normalidade, se comparado ao dos outros habitantes da casa da rua Aribau. Andrea, então, descreve ao leitor os altos e baixos de sua vida em meio a esse circo que, ora apresenta situações cômicas, ora causa angústia diante a tantos fatos que podem ser tomados como revoltantes ou até mesmo incompreensíveis.

Aliás, incompreensível é uma palavra que parece definir bem os personagens. Nada é um livro que trabalha em cima de seus personagens complexos. Todos possuem suas motivações e suas desculpas para determinados comportamentos (embora nem todas tenham parecido ser razoáveis, ao meu ver). E quando me refiro à complexidade dos personagens, não me atenho necessariamente a um desenvolvimento que influencie no crescimento deles e que esteja explícito ao leitor. Com exceção da própria Andrea e, talvez, de Ena, melhor amiga da protagonista nessa história, os outros tem seus comportamentos fixos durante o enredo. Não por qualquer tipo de erro da autora, mas porque, ao que fica evidente, o misterioso passado de cada uma dessas figuras foi o suficiente para os moldarem da forma que são apresentados ao leitor. E isso é, em minha opinião, razão o suficiente para se intrigar com cada um deles.

No âmbito universitário, a autora procura se ater apenas à amizade de Andrea com Ena, além de alguns outros personagens que surgem durante a leitura. Ena é o oposto de Andrea: rica, com uma beleza mais acentuada, popular e com uma vida amorosa mais ativa, ela pode parecer, a princípio, uma jovem fútil. Contudo, logo nota-se que Ena é uma das figuras mais misteriosas que poderiam existir nesse livro. E as motivações para muitas de suas atitudes atitudes essas que fazem nossa querida protagonista viver momentos de desgosto e preocupação são reveladas de maneira espetacular em um dos capítulos mais intensos de todo o livro (ao qual eu, carinhosamente, apelidei de A Redenção de Ena). A amizade de Andrea e Ena é como qualquer outra da vida real: recheada de alegrias e tristezas, confissões e desastres, mas que nunca temina, como toda boa amizade deve ser.

Nada é um livro agradável de se ler. Entretanto, ele é carregado de uma atmosfera pesada. Não me refiro necessariamente a mortes, ou temas obscuros, mas ao simples fato de Andrea levar uma vida conturbada e que por muitas vezes parece desanimá-la. Uma vida em que nenhuma peça quer se encaixar. Uma vida com a qual podemos constantemente nos identificar. A melancolia, a irritação, os sentimentos amargos, tudo isso é trabalhado com maestria por Laforet. Entretanto, isso não impede a fluidez da leitura que, aliás, é bem fácil. O livro não é dos mais dinâmicos, mas se sustenta nos mistérios e motivações pessoais que cercam cada personagem todos tendo alguma influência na vida de Andrea. Preciso ressaltar que os capítulos 19 e 21 foram, para mim, os mais intensos e mais reveladores, pois são responsáveis por fazer com que o leitor reflita sobre diversas coisas; pensar sobre a influência dos erros do passado, das paixões desastrosas, das escolhas que constituem nosso caráter. Faz-nos refletir sobre o caminho que viemos trilhando até aqui.

Nada oferece bons temas a serem debatidos; questões morais a serem levantadas, além dos próprios enigmas que a autora nos incumbiu a desvendar. É um livro ótimo e, arrisco dizer, um pouco paradoxal. Apesar de seu título, Nada parece se tratar, na verdade, sobre o tudo.

site: https://dearalaskablog.wordpress.com/
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Dose Literária 28/07/2013

O Nada Que Mudou Tudo - Um Vislumbre da Literatura Espanhola
Nada conta a história de uma jovem órfã, Andrea, uma garota que, ao completar 18 anos, deixa sua cidade natal e vai para Barcelona onde ela pretende estudar literatura. Entusiasmada com o futuro, cheia de esperança e expectativas, logo que chega à cidade de seus sonhos Andrea recebe o primeiro tapa na cara da família. Ninguém está esperando por ela na estação.
Porém, ela está tão feliz por finalmente estar na cidade grande que releva esse pequeno detalhe e vai sozinha para o apartamento de seus familiares. Na época em que seu avô estava vivo, aquele apartamento era símbolo de elegância, alegria, e até riqueza, entretanto, tudo mudou após sua morte. Sujo, mal cuidado, e bagunçado, o local chega a cheirar mal, e seus habitantes são descritos quase como fantasmas (quer dizer, se fantasmas fossem sujos e fedessem)...

Continue lendo em...

site: http://www.doseliteraria.com.br/2013/06/o-nada-que-mudou-tudo.html
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Renata CCS 01/02/2013

Quando o Nada e a tristeza da existência faziam tanto sentido
NADA foi o primeiro livro escrito por Carmen Laforet, quando tinha apenas 23 anos. É a Espanha empobrecida e de ruas escuras no início dos anos 40 e a dura realidade da época que nos é apresentada através de Andrea, uma jovem órfã que se muda para a casa de parentes em Barcelona para iniciar um curso de Letras na universidade local. O mundo que ela encontra é desolador: os familiares estão falidos e moram todos juntos em um velho casarão, uma casa sem privacidade ou limpeza, onde todos discutem constantemente pelos motivos mais banais. Dentro e fora de casa, Andrea é uma garota de poucas palavras que precisa lidar com vários problemas, como sua timidez e falta de tato para as relações pessoais, sua sensação de deslocamento e o dinheiro curto. E a vida na faculdade, cheia de segredos e falsas amizades, também não é muito fácil. É neste ambiente que Andrea conhece Ena, colega do curso de Letras que se torna sua melhor amiga. As jovens não poderiam ser mais diferentes: Ena é rica, inteligente, alegre, linda e vive cercada de pessoas interessantes. Esta amizade é um sopro de alegria na existência triste e vazia de Andrea. A vida de Andrea oscila entre conseguir preservar sua individualidade e investir em novas relações que possam libertá-la de sua família. Mas insegura e sem amor-próprio ela se torna uma presa fácil das diversas armadilhas escondidas na vida social: todos os relacionamentos acabam sendo pouco profundos e acompanhados de um sentimento persistente de inadequação. Os dias mais felizes serão passados ao lado de Ena e de Jaime, o namorado da amiga. Andrea se alegra sinceramente pelos dois, mas sente-se deslocada e sozinha. As diversas situações que se formam entre a família ou entre os amigos tornam Andrea uma verdadeira heroína urbana. Gostei de ler as inquietudes de Andrea: a briga com ela mesma, a mania de perseguição de qualquer adolescente, a sensação de estar só no mundo. Neste livro, Carmem Laforet trouxe sentido à tristeza da existência. Lamento não ter lido este livro na minha adolescência: seria um livro marcante de imediato.
Ariane 24/11/2018minha estante
Sua resenha é maravilhosa. Estou lendo esta obra e confesso que ela está me deixando inquieta.




Silvana (@delivroemlivro) 24/11/2012

Quer ler um trecho desse livro (selecionado pelos leitores aqui do SKOOB) antes de decidir levá-lo ou não para casa?
Então acesse o Blog do Grupo Coleção de Frases & Trechos Inesquecíveis: Seleção dos Leitores: http://colecaofrasestrechoselecaodosleitores.blogspot.com.br/2012/10/nada-carmen-laforet.html

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Livrogram 21/10/2012

Não é somente a escrita que carrega a aridez, o acinzentado das ruas dessa grande cidade, com suas gigantescas diferenças sociais e o fervilhar de uma intelectualidade que começa a aflorar depois da guerra, Barcelona é o palco desse romance que, embora trate da pobreza das relações familiares sustentadas pela fome e pela lembrança corroída de um passado que já foi grandioso, as palavras fazem com que as lâmpadas das ruas comecem a se acender e brilhar nos olhos da juventude. Vemos uma esperança realista no olhar de Carmen Laforet que escreveu esse livro com uma memória fresca, aos 23 anos de idade, quando cursava letras nessa mesma Barcelona pós-guerra. Um romance autobiográfico com personagens reveladores.
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