A Redoma de Vidro

A Redoma de Vidro Sylvia Plath




Resenhas - A Redoma de Vidro


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Serena 01/02/2010

Esther Greenwood vivia na redoma que a sociedade criara para ela, a princípio tentou moldar-se ao esperado de uma jovem tão brilhante. Mas quando não se reconhece aquele alguém refletido no espelho, e o maior pesadelo é não poder fugir dos próprios muros, a insanidade parece ser o último folego daquilo que ainda se chama, eu.
Esther foi o que Plath queria salvar de si, e não salvou.

"A batida do meu coração retumbou
como um tambor na minha cabeça.
Eu sou, eu sou, eu sou."
[Sylvia Plath - A Redoma de Vidro]
Ericka Firmino 03/02/2012minha estante
Muito bom mesmo! Preciso ler esse livro.




Anna Costa 09/12/2013

"Eu respirei fundo e ouvi a velha pancada do meu coração. Eu sou, eu sou, eu sou."
O romance semi-autobiográfico da poetisa Sylvia Plath me marcou como ferro em brasa. Curiosamente, este fim de ano comecei a ler alguns livros mais densos, e algo dentro de mim implorava para finalmente lê-lo.

Eu já conheço o trabalho, a vida e a história de Sylvia há algum tempo, então sabia onde estava me metendo. O que eu não sabia era que meu passado cairia em cima de mim como o teto de uma casa, desabando enquanto eu lia A Redoma de Vidro.

Algumas semelhanças do romance com a minha própria vida são enlouquecedoras; em várias páginas eu quase me imaginava como a protagonista Esther Greenwood, uma jovem que lenta e imperceptivelmente, entra em depressão e enlouquece.

Esther, que estava vivendo dias de intensas experiências ao ganhar um trabalho na redação de uma conceituada revista em Nova York, enfrenta uma enorme decepção quando seu maior sonho se despedaça diante de seus olhos. Sem notar, a decepção vai se transformando em apatia e resignação, e a personagem se vê internada em um manicômio após tentar se matar. Os dias passam e ela não consegue dormir, nem comer, nem tem ânimo para trocar de roupa ou pentear os cabelos. Ela forja meios para cometer suicídio nas cenas mais cotidianas, e se vê fazendo tratamentos de eletrochoque para tentar se curar do que, nas décadas de 50 e 60, era considerado loucura e não doença.

"Eu engatinhei de volta para a cama e puxei o lençol sobre minha cabeça. Mas mesmo isso não bloqueou a luz, então eu enterrei minha cabeça sob a escuridão do travesseiro e fingi que era noite. Eu não via o porque de me levantar. Eu não tinha nenhuma expectativa."


A autora, Sylvia Plath, que teve um duro convívio com a depressão, fala com uma propriedade escandalosa sobre o dia a dia de sua personagem enfrentando seus demônios. Ela se suicidou aos 30 anos, pouco depois do lançamento de sua única prosa, que considerava apenas mediana. O livro se tornou símbolo do movimento feminista, graças aos constantes questionamentos de Esther sobre a função da mulher na sociedade, em temas como a perda da virgindade, casamento e sua escolha de não ter filhos.

Eu não considero A Redoma de Vidro um livro para entreter. Assim como "Walden", de Thoreau, é um livro para ser lido em um momento em que se busca por auto-conhecimento. Qualquer pessoa, independente de gênero, que tenha tido um contato mesmo que superficial com a depressão, vai se identificar profundamente.

site: http://anna-costa.blogspot.com.br/2013/12/a-redoma-de-vidro-de-sylvia-plath.html
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Vanessa 28/08/2009

A intensidade do inferno pessoal vivido por Esther faz até os vidros que a cercam, derreterem.
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Felipe Lago 24/05/2011

Lindo.
Sylvia Plath mais do que ninguém sabia o que era a tristeza, mas soube tirar tanta beleza e poesia quanto dor dela, o que faz com que a leitura desse livro, cheio de analogias fantásticas (como a da figueira), seja fácil e deliciosa.
é um dos livros da minha vida.
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Zi 29/03/2010

Onde a loucura dorme inteira e sem lacunas
"Onde a loucura dorme inteira e sem lacunas" é um verso de um poema de Jorge de Lima que se aplica bem ao caso da jovem Esther Greenwood, no fundo a própria autora, que vai se aprisionando dentro de si mesma, com aqueles grilhões invisíveis (que todos nós, em certos momentos, somos tentados a nos colocar) até à beira da loucura. O livro até começa meio morno, mas aos poucos a nossa personagem vai se deixando tragar pelo turbilhão da depressão e da loucura. Ela bem que buscou ajuda, mas o primeiro terapeuta, que ela procurou voluntariamente, não teve empatia com ela, e a ajuda não veio (conheço casos assim). O desfecho do livro parece ser o que a autora desejava para ela mesma, mas infelizmente não foi o que ela obteve na sua breve (e poeticamente fecunda) existência. Li, não me lembro onde, que certa vez perguntaram a um conhecido terapeuta americano qual seria, na opinião dele, o percentual de pessoas com algum tipo de problema emocional, e a sua resposta foi: "Todos nós".
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Alexandre 21/02/2016

Desesperador.
Eu fiquei rindo histericamente desse livro. A história é tão sufocante, incômoda e desesperadora que rir era minha única maneira de suportar tudo o que eu sentia enquanto lia. Sei que muitos acham esse um livro pesado, e concordo. É pesado, repleto de desdém e o espírito da depressão paira sobre o livro inteiro. No entanto, é tão belo. Poético. A forma como ela escreve... A depressão nunca foi tão bela. Sylvia Plath acabou comigo.
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Francisco 07/06/2016minha estante
Gostei muito de sua resenha, se obra enveredar por esse caminho, será uma das melhores da vida!!!


Aline 20/06/2016minha estante
Sua resenha foi além do senso comum, apesar do senso comum ser de bom tato. Gostei bastante.




Bruna Modesto 08/02/2016

Eu já li este livro duas vezes, não porque o achei maravilhoso como todo mundo acha, mas sim porque criei expectativa demais na primeira vez. Toda resenha que vi e li sobre o título diziam a mesma coisa: "é uma história pesada, leia em um momento bom da sua vida para não se deixar levar" e coisas do tipo. Então, quando peguei o livro e sentei para ler, me decepcionei porque não achei nada pesado, nada muito surpreendente. A escrita é de fato muito boa; flui, é um livro que pode ser lido em dois ou três dias muito tranquilamente.

Então eu pensei, ou eu devo ser muito fria e insensível porque não achei a história comovente, ou não prestei muita atenção. Resolvi reler e cheguei a conclusão de que a história deve ser lida nas entrelinhas mais do que qualquer coisa.

Esther Greenwood é uma jovem estudante em uma universidade conceituada, que conseguiu um estágio numa revista de moda famosíssima de New York onde passa o verão, e onde começa nossa história. Logo no início da narrativa Esther já nos deixa pistas de que dali em diante sua cabeça só vai piorar. Esther é rodeada de meninas bonitas (assim como ela), e de muito luxo. No decorrer das páginas podemos acompanhar Esther indo a várias festas, bares e conhecendo muitos homens nas madrugadas agitadas de New York. Entretanto, ao passo que vemos tanto divertimento, podemos ver muito desinteresse, apatia e tristeza da parte de Esther. Ela não quer saber de homens, prefere beber até cair do que se apaixonar. E também podemos notar nas entrelinhas que Esther é uma mulher forte, no sentindo de ser feminista e talvez nem saber disso, afinal é um livro da década de 60. Ela é dona de seu corpo e faz o que ela quiser, sempre se questionando sobre o papel da mulher na sociedade.

Ela conseguiu ter tudo o que sempre quis para chegar até onde realmente quer, ela está no caminho certo, na carreira certa, mas por algum motivo (ou nenhum, quem sabe?), Esther está entrando num poço cada vez mais fundo chamado depressão. Ela tem crises de choro inexplicáveis, ela não tem compaixão, não tem empatia, tanto é que deixou sua colega desmaiada do lado de fora do seu quarto propositalmente, e que sem dúvidas é uma cena que você relê só pra ter certeza de que foi aquilo mesmo que leu. Quando lhe perguntam o que ela quer da vida, ela não sabe responder, ela mesmo pensa que sempre teve a resposta para essa pergunta na ponta da língua, mas em dado momento ela só sabe responder "não sei", porque a depressão sugou todas as esperanças e vontade de viver que havia nela.

Quando o estágio dela acaba, ela volta para sua casa em Boston, onde tudo parece piorar, Esther tenta se matar algumas vezes, sua cabeça é rodeada de pensamentos ruins, de crises existenciais e de autodestruição. Até que ela vai parar em uma clínica psiquiátrica, onde os profissionais da época usavam muito a "eletroterapia", em que passou por várias sessões, porém sem melhora nenhuma. Ao perceber que não havia jeito de melhorar, Esther passou a fingir dar resultados, até que foi transferida pra uma outra instituição, e lá, encontrou a Dra. Nolan, a única pessoa no livro em que Esther demonstrou algum sentimento e confiança.

E então, o livro termina exatamente do mesmo jeito que começou: Esther consegue o que quer, mas continua completamente vazia dentro de sua redoma de vidro.

Sobra a autora...

Sylvia Plath nasceu em outubro de 1932 e suicidou-se em fevereiro de 1963, pouco depois da publicação da sua obra em 14 de janeiro de 1963. E é daí que vem o pressuposto de que a obra é autobiográfica. Eu não li a biografia de Sylvia Plath, por isso não me arrisco a dizer com certeza, mas muitas pesquisas e outras resenhas de pessoas que leram a biografia apontam que sim, é um livro autobiográfico. O próprio site Wikipédia o intitula como "semi-autobiográfico". Sylvia também escrevia poemas e foi uma das principais autoras do movimento norte-americano chamado "poesia confessional", recebeu um prêmio dezenove anos depois de sua morte devido a coletânea de poemas que seu marido Ted Hughes selecionou. Ela era casada e tinha dois filhos.

site: literavivo.wix.com/blog
Maria de Fátima 12/02/2016minha estante
"Esther consegue o que quer, mas continua completamente vazia dentro de sua redoma de vidro." !




Thais 24/01/2017

NÃO LEIA ESSE TEXTÃO, LEIA "A REDOMA DE VIDRO"
NÃO LEIA ESSE TEXTÃO, LEIA "A REDOMA DE VIDRO"

Já li alguns livros desses ditos "romances de formação", todos escritos por homens. Grandes obras, que eu vou poupá-los dos títulos para evitar aqui que se propague uma falsa ideia de erudição da minha parte, porque esse é um textão baseado tão somente em achismo e experiência pessoal, para indicar um livro. E se tudo que te interessa é a indicação, a foto encurta o caminho, se não, fique comigo mais algumas, talvez muitas, linhas.
O fato é que eu os li, e todos foram escritos por homens - os que eu li, ressalvo -, mas além da compreensão conceitual do termo "romance de formação", nada de realmente transformador aconteceu comigo durante a leitura. Nenhuma luz se acendeu fora da curva, nada além do que uma boa prosa ou "boa literatura" - eu não acredito nisso, mas fica pra outra hora - já provoque naturalmente. Eu sou uma dessas pessoas que se refugiou na biblioteca para sobreviver à infância e principalmente à adolescência, e é daquela época a noção que mais tarde se solidificou dentro de mim a respeito da função do livro. Salvar vidas. Eu costumava achar que escritores eram uma espécie de salva-vidas a espreita na margem do rio-bravo-da-vida, disposto a tudo para te trazer à tona, mas sem nunca te arrastar de volta até a margem, instruindo a nadança e encorajando o mergulho. Eu ainda acho que é pra isso que livros são escritos. E um romance de formação se propõe, quase que declaradamente - quase porque nenhum escritor pensa deliberadamente nisso enquanto está escrevendo, exceto que esteja escrevendo um livro de auto-ajuda ou um livro técnico; e principalmente porque esses termos são cunhados e designados por críticos e não pelos escritores - a isto, instruir, formar. Trata-se de um romance de aprendizagem, onde acompanhamos o desabrochar da maturidade do protagonista. É como se ele não estivesse pronto, e se fizesse através da leitura, e é nesse lugar onde acontece o fenômeno do romance de formação, a leitura. Leitor e protagonista compartilham experiências, sentimentos, sensações e desabrocham juntos, no decorrer do romance. Ou é isso que deve acontecer quando um homem lê um romance de formação escrito por outro homem. Identificação.
Não era o meu caso, eu era, agora sou um pouco mais, uma mulher, e nós somos bastante diferentes, não é mesmo? Mas hoje, eu, finalmente, experimentei essa sensação, a da tal, famigerada, representatividade. Quando virei a última página de A Redoma de Vidro, único romance escrito pela poeta norte-americana Sylvia Plath, em 1963, chorei um choro atravessado na garganta há alguns anos, um choro desses com soluço, que entope o nariz, o choro de quem acabara de ser parido. Eu podia parar de me debater, talvez eu até conseguisse voltar a nadar. O romance me fez companhia por algumas semanas - que eu prolonguei, evitando me despedir de Esther, a protagonista - e a cada capítulo eu sentia algo se mover dentro de mim, como uma grande placa de gelo se desprendendo da parede do congelador da geladeira - as pessoas ainda descongelam geladeiras? E afora o livro ser um contundente relato sobre a depressão - vivenciada pela autora, que se suicidou um mês após a publicação -, o romance trata daquele período da juventude em que ainda não somos adultos, mas adulto é tudo que nos resta ser.
E é interessante, para não dizer desesperador, como alguns dilemas e dificuldades (questões como contracepção, estupro, descoberta da sexualidade) enfrentadas por uma jovem-mulher-branca-de-classe-média, nos EUA dos anos 60, se assemelhem tanto a situações vividas por qualquer mulher, de qualquer cor, e qualquer poder aquisitivo, em qualquer lugar do mundo em pleno século XXI - e sim, estou sendo muito reducionista, falo do alto dos meus privilégios partilhados com a protagonista, a situação de muitas mulheres é ainda pior. Tudo isso para dizer que o romance de formação é, sim, uma grande ferramenta de aprendizagem do que é "ser" e de como fazê-lo, mas não sem representatividade.
Precisamos de mais romances de formação escritos por mulheres cis, por mulheres trans, por mulheres lésbicas, por mulheres negras, por mulheres indígenas, por mulheres que reúnam todos os adjetivos ou não. Precisamos de mais mulheres escrevendo, mais mulheres lendo mulheres, mais mulheres conversando com mulheres e sobre mulheres, sobre o que é e como ser mulher. Precisamos demais. E enquanto isso, recomendo que vocês, mulheres - homens também -, leiam A Redoma de Vidro, mas só de você ter lido até aqui eu já fico grata, afinal eu sou. "Eu sou, eu sou, eu sou", parafraseando Esther.

E amem mulheres, esse é o primeiro passo da revolução.
Gisele 19/03/2017minha estante
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Mari SN 15/03/2013

A Redoma de Vidro: no mundo de Sylvia Plath
Conheci a literatura de Sylvia Plath a partir do romance A redoma de vidro. Foi sua única incursão no gênero romance, visto que sua grande habilidade – pela qual se tornou conhecida e reconhecida – foi a poesia. Poderia ter sido diferente, caso ela não tivesse buscado a morte aos 30 anos em 27 de fevereiro de 1963.
Romance escrito em tom confessional, cuja personagem tem história muito parecida com a vivida pela própria Sylvia em sua juventude, considero A redoma de vidro quase uma autobiografia.
Escrito em 1961, dois anos antes de seu suicídio, traz como personagem central a jovem Esther Greenwood, aluna brilhante de uma universidade do interior, que parte para um estágio numa revista feminina de Nova York. Apesar de talentosa, Esther tem dificuldade em se inserir verdadeiramente no mundo de vaidades no qual acabou de entrar. "Deveria ficar tão animada quanto a maioria das garotas, mas não conseguia. Eu me sentia imóvel e oca como o olho de um furacão, se agitando estupidamente no meio daquele enorme tumulto."
Conforme conta os dilemas de Esther, Sylvia retrata suas próprias angústias, dúvidas e neuroses, o vazio causado pela morte do pai, a pressão exercida pela mãe, a relação de amor, dependência e rancor velado entre elas, seus primeiros envolvimentos amorosos. "Um olho verde brilhava na cama ao lado. Era dividido em quatro partes como uma bússola. Estiquei o braço devagar e perguei-o. Levantei-o. Junto com ele veio um braço, pesado, como de um morto, mas quente de sono. (...) Por um segundo debrucei-me sobre ele, estudando-o. Eu nunca tinha dormido ao lado de um homem."
Indecisa sobre seu futuro profissional, Esther volta para casa e, ao se sentir mais uma vez pressionada pela exigente mãe, tenta se matar. Pela sinopse dá pra perceber o quanto A redoma de vidro reflete a própria vida de Sylvia numa espécie de profecia desconcertante.
Romance de qualidade excepcional, torna-se impossível analisá-lo sem remeter à trágica morte da autora, que foi, não apenas exemplo de talento lterário, mas de obstinação. Fica evidente quando se lê as diversas biografias publicadas sobre ela (tive acesso a três delas), o quanto Sylvia aliava seu talento natural a uma profunda e férrea vontade de alcançar a perfeição. Quando conheceu o poeta inglês Ted Hughes, com quem viveu um casamento apaixonado e ao mesmo tempo tumultuado, que gerou dois filhos, Sylvia já tinha um enorme potencial. Na época mais conhecido que ela, a relação com Hughes ao mesmo tempo em que a estimulou a ser cada vez melhor, era uma ameaça ao seu talento. É como se vivesse um paradoxo entre amar o marido e ao mesmo tempo querer superá-lo. Ou ao menos, ser algo mais do que a esposa de Ted Hughes. Um sofrimento injusto. Sylvia era muito boa no que fazia. Os poemas de sua autoria, publicados a maioria após sua morte o comprovam. Mas uma possível personalidade bipolar encerrou sua vida – e sua obra - muito cedo.



Read more: http://todolivro.blogspot.com/search?updated-min=2009-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2010-01-01T00:00:00-08:00&max-results=5#ixzz2NdHcN5A1
Larissa 23/06/2013minha estante
Amei a resenha.. (Sylvia se suicidou em 11 de fevereiro e ñ 27)




Joy 22/09/2015

Ler esse livro foi como ler a mim mesma em muitos momentos. Em várias partes, eu balançava a cabeça concordando ou lembrando de situações em que agi igualmente. Sylvia Plath expôs todo o sofrimento e o isolamento que a doença mental pode causar, sem abandonar as questões cotidianas e banais que todas as mulheres e moças jovens acabam passando nessa idade: trabalho, futuro, amor, etc. É um livro duro, difícil e deprimente, mas importante por expor uma realidade oculta no interior do ser, onde muitas poucas pessoas se dispõem a olhar.
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Pandora 06/09/2017

Em retrospecto, não faço ideia de como topei com "A redoma de vidro" da Sylvia Plath. Esse foi o tipo de livro com o qual me vi de repente na mão lendo enquanto estava presa em no congestionamento meu de cada dia, sem ter ideia da tema da história, da vida do autor, do que esperar e sem google ou skoob para ajudar com o sagrado spoiler.

De muitas formas, Sylvia Plath dispensa apresentações, para entender do que essa autora é feita basta ler o primeiro paragrafo do livro. Ele te da um soco preciso no estomago e de uma vez só você descobre uma autora de escrita limpa, confiante na capacidade de compreensão do leitor (um risco no qual atualmente poucos autores ousam correr), capaz de metáforas precisas e um cuidado exacerbado em não ter pressa de avançar na caminhada ou chegar a reta final.

"Era um verão estranho, sufocante, o verão em que eletrocutaram os Rosenberg, e eu não sabia o que estava fazendo em Nova York. Tenho um problema com execuções. A ideia de ser eletrocutada me deixa doente, e os jornais falavam no assunto sem parar - manchetes feito olhos arregalados me espiando em cada esquina, na entrada de cada estação de metrô, com seu bafo bolorento de amendoim. Eu não tinha nada a ver com aquilo, mas não conseguia para de pensar em como seria acabar queimada viva até os nervos."

O livro é todo escrito em primeira pessoa e através dele conhecemos Esther Greenwood, uma estudante universitária brilhante, capaz de sair do subúrbio para uma prestigiada universidade e consegui um concorrido estagio em uma revista em Nova York. Esther tem tudo para ser um simbolo de ascensão social, exceto talvez pelo fato de que a moça não está nada bem. As hipocrisias cotidianas, violências simbólicas, mascaras sociais, pressões culturais impostas as mulheres, angustias cotidianas, medos, solidão e cobranças batem na estrutura psicológica dela dia após dia e consomem as bases de sustentação do prédio todo.

A protagonista se sente como uma criança solitária olhando um desfile luxuoso encabeçado por um Rei nu. A multidão percebe a nudez dele, mas o aclama como se ali houvesse sedas e fios de ouro, vivem a festa da insignificância, convidam Esther a fazer o mesmo. Ela não consegue e definha... definha... definha... E vai se desconectando da multidão, da visão do "Rei nu", de todos que sentem o mesmo que ela... Esther Greenwood sofre de uma feroz depressão.

"Vejam só do que esse país é capaz, elas diriam. Uma garota vive em uma cidade no meio do nada por dezenove anos, tão pobre que mal pode comprar uma revista, e então recebe uma bolsa para a universidade e ganha um prêmio aqui e outro ali e acaba em Nova Yorke, conduzindo a cidade como se fosse seu próprio carro.Acontece que eu não estava conduzindo nada, nem a mim mesma."
De página em página acompanhamos o definhar dela, o passo a passo de como ela se desconecta de tudo e todos, como vai se perdendo de si, como a falta de sentido vai cercando ela de ponta a ponta, como uma redoma de vidro pousa sobre ela e de repente o próximo fica distante e tudo e nada viram a mesma coisa para ela.

O livro angustiante, poético, sem rodeios ou subterfúgios, mas não é dramático, Plath não apela para nada além da verdade de seus sentimentos. Este é um relato autobiográfico da vida e dos sentimentos da própria Sylvia Plath. Após a leitura descobri que ela é uma importante poetiza americana, que também habitou o doloroso mundo da redoma de vidro, no verão de 1952 tentou o suicídio e foi internada em uma clínica psiquiátrica.

"Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que o olho de um tornado deve se sentir, movendo-se pacatamente em meio ao turbilhão que o rodeia."
"A redoma de vidro" é um relato sincero, leal, cru, nada dramático, mas doloroso sobre depressão, as situações nas quais a doença coloca a pessoa e como a sociedade reagia com desconhecimento e preconceito na década de 1950. Desnecessário dizer o quanto o texto permanece atual.

"Eu via os dias do ano se estendendo diante de mim como uma série de caixas brancas e brilhantes, separadas uma da outra pela sombra escura do sono. Só que agora a longa perspectiva das sombras, que distinguia uma caixa de outra, tinha subitamente desaparecido, e eu via os dias cintilando à minha frente como uma avenida clara, larga e desolada até o infinito."

É doloroso ver como a família não compreende e acha que Esther está naquela situação por que quer, é revoltante como existia (desconfio que ainda existam) uma gama de profissionais mal preparados para cuidar das pessoas, é desconfortável a intervenção dos religiosos, é de da vergonha é duro/desconfortável está dentro da cabeça de alguém terrivelmente deprimido.

"... odeio gente que pergunta como você está e, mesmo sabendo que você está na pior, espera que você responda 'tudo bem'. - Estou péssima."

Esse é o tipo de livro que marca e informa. É um relato sem frescuras de uma pessoa que esteve na redoma de vidro e foi tragada por ela até não sobrar nada, como a Sylvia Plath se suicidou pouco depois de ter escrito esse livro considero ele como um presente a todos nós. Ler esse texto nos da a oportunidade de ter uma ideia de como é sofrível está deprimido.

Com sua escrita precisa Sylvia Plath diz que as pessoas não ficam deprimidas por desejo ou necessidade de chamar atenção. Depressão é uma DOENÇA, é REAL, MATA.

"Para uma pessoa dentro da redoma de vidro, vazia e imóvel como um bebê morto, o mundo inteiro é um sonho ruim.Um sonho ruim.Eu lembrava de tudo.(...)Talvez o esquecimento, como uma nevasca suave, pudesse entorpecer e esconder aquilo tudo.Mas aquilo tudo era parte de mim. Era minha paisagem."

Particularmente nunca sei o que fazer em relação a depressão, mas sei que as pessoas só podem ser o que são e talvez encarar a realidade do que elas são, a sua paisagem interior como verdadeira, por mais árida que seja, possa ajudar. A gente só pode ser o que é, nada mais ou menos. Aceitar e ser aceito faz bem e ajuda a enfrentar a vida e encontrar soluções para a solidão.

Respirei fundo e ouvi a batida presunçosa do meu coração.Eu sou, eu sou, eu sou.
Nunca é demais lembrar que depressão é um problema de saúde pública. Não sou uma pessoa de muitas certezas, mas suspeito que todos nós devíamos fazer o exercício de lembrar que depressão mata e encarar com seriedade o sofrimento psicológico e o quanto ele é REAL e PERIGOSO. Setembro é marcado pela campanha "Setembro Amarelo" através da qual se busca conscientizar sobre a prevenção do suicídio, para saber mais da uma olhada no site http://www.setembroamarelo.org.br/

Eu também gostaria de agradecer a Sylvia Plath por ter tido força suficiente para escrever esse livro antes de partir. Não sei se indico a todos o mergulho nessas águas, mas esse é o tipo de livro fundamental, em todas as bibliotecas do mundo deveria ter um exemplar dele.

site: http://elfpandora.blogspot.com.br/2017/09/a-redoma-de-vidro.html
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Lilyan 04/11/2018

Denso, forte,...
É um livro com uma escrita fácil, mas é muito denso, forte, em alguns momentos desesperador, agoniante. A autora retrata momentos sutis da depressão e momento bem complicados. Imagino como foi em sua época de lançamento, pela maneira retratada...quando pesquisamos sobre a autora, entendemos muito do que ali foi colocado. Se você tem depressão ou sente que pode ter, não recomendo a leitura, pode ser um gatilho.
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Aline Stechitti 16/10/2014

Presa em uma mente autodestrutiva - Uma redoma
Sylvia Plath - 268 páginas - Record

Esther não me cativou. A personagem que se descobre "louca" é desdenhosa e fria. Para mim, era como se já estivesse morta.
Escolhi o pior momento da minha vida para ler este livro. Um momento de busca de ajuda médica e terapêutica, de tão brabo que a coisa ficou. Não leia se estiver na mesma, pois me deixou pior.
Eu li o livro em PDF e não gostei da tradução. Acho que tem coisa fora do lugar aí, mas enfim... Ele tem uma linguagem que nem sei explicar, meio indiferente ao leitor, tem um mundo próprio. Me identifiquei com alguns pensamentos, mas não gostei nem um pouco da Esther. Entretanto, é compreensível esse desligamento dela com todo o resto e sua vontade de sair experimentando coisas e largando coisas e buscando a morte em cada diálogo consigo mesma.
Não me fez nada bem, não mesmo, principalmente por ser um relato quase autobiográfico da autora. É muito doloroso saber que uma poetiza tão magnífica foi levada pela depressão dois anos depois de escrever esse livro. Mas ver de dentro da cabeça dela o que é esse mal, foi uma experiência magnífica. Só que, sinceramente, eu preferia que esse livro não existisse, pra ela não ter sofrido o que sofreu. Ninguém merece isso.

Respirei fundo e escutei o velho e orgulhoso som do meu coração. Eu sou, eu sou, eu sou. Sylvia Plath - A redoma de vidro

site: http://alinestechitti.blogspot.com.br/
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Franco 03/05/2013

Livro que toca, arrepia. Consegue dar verbo e adjetivo extremamente sensíveis às experiências pessoais (e violentas) que narra.

Livro que nos arrebanha e põe a dúvida da boa literatura em primeira pessoa: o que aqui é real e o que é ficção?

Plath conseguiu expressar através de Esther a loucura em diversos níveis, mas talvez o principal deles seja aquele que rodeia a personagem. Faz um pequeno retrato da época, mas sobretudo mapeia as trilhas neuróticas de uma subjetividade que não consegue se encaixar onde deveria.

E, afinal, por que deveria se encaixar nisso que nada mais é do que uma redoma de vidro sufocante?

"Eu sou eu sou eu sou".





Andressa 27/08/2013minha estante
Eu quero muito ler esse livro, mas me disseram que ele é feito de poesias. Isso é verdade? Queria saber antes de comprar. Obrigada.




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