O país das mulheres

O país das mulheres Gioconda Belli


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Resenhas - O País das Mulheres


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Ruh Dias 17/04/2018

Sugestão de leitura
Gioconda Belli é uma poetisa da Nicarágua, atualmente com 67 anos e ativista do movimento feminista em seu país. Nos anos 70, ela lutou contra a ditadura em seu país, o que a fez largar uma carreira como alta executiva em uma multinacional e dedicar-se às causas humanitárias. Seus primeiros poemas foram sobre a revolução na Nicarágua e as péssimas condições de vida de seus habitantes e, depois, evoluíram para tratar da questão da feminilidade.

Se, de um lado, temos O Conto da Aia de Margaret Atwood como uma distopia, "O País das Mulheres" seria o seu oposto, ou seja, uma utopia. A premissa da obra é a seguinte: O PEE (Partido de Esquerda Erótica, cujo símbolo são os pés com as unhas pintadas de vermelho da capa) ganhou a eleição para a presidência do país fictício de Fáguas, através da incrível Viviana. Este novo governo fez uma série de mudanças de paradigmas na sociedade, o que divide opiniões, como, por exemplo:


- Todos os homens foram mandados para casa, com um auxílio salarial de seis meses, e ficaram responsáveis pelos cuidados da casa e dos filhos, de forma que possam compreender a realidade das mulheres, que passaram anos com a responsabilidade de serem donas-de-casa.
- Os postos de trabalho de todo o governo (Ministérios, Exército, Forças Armadas, Polícias, Saúde, etc.) fora ocupados única e exclusivamente por mulheres, desde os cargos mais altos até os cargos mais operacionais. O PEE acreditava que era necessário expurgar toda a influência masculina do ambiente de trabalho, pois tal influência constrange e sufoca o potencial feminino.
- A Educação não é obrigatória até os doze anos de idade, e as crianças podem experimentar e descobrir o que gostam e o que não gostam. A partir desta idade, elas são obrigadas a irem para a escola e todos - meninos e meninas - aprendem sobre maternidade.
- Os homens condenados por estupro recebem um pequeno E tatuado no meio da testa, como forma de alertar as mulheres de seu perigo, e cumprem pena trancafiados em jaulas, exibidas em praça pública e com acesso livre da população.

Viviana e as colegas do PEE acreditam que medidas drásticas são necessárias para derrubar o patriarcalismo, já enraizado demais na sociedade e no subconsciente das pessoas. Assim, ela acumula alguns inimigos e, enquanto proferia um discurso, foi baleada na cabeça e fica em coma no hospital. Durante os meses em que ela está em coma, as demais mulheres do PEE precisam continuar governando com pulso firme e, além disso, provar ao mundo todo que suas idéias são válidas e produtivas. Em paralelo, elas tentam desvendar quem cometeu o atentado contra Viviana.

Enquanto está em coma, Viviana sonha que está em um galpão cheio de objetos seus perdidos ao longo dos anos e, em cada objeto, mora uma lembrança importante de sua vida. Assim, o leitor fica sabendo quem é esta personagem, uma das melhores personagens femininas já escritas: forte, sensual, inteligente, intensa, dona de si e perseverante. Como eu queria ser Viviana!

O único ponto que não gostei da estória é a explicação oferecida para justificar porque as mulheres conseguiram chegar ao governo: um vulcão de Fáguas entrou em erupção, soltando uma toxina no ar que derrubou os níveis de testosterona dos homens, deixando-os submissos e apáticos.

Ao longo da estória, mostram-se os dois lados da moeda através de personagens do enredo, e Gioconda especula quais seriam os prós e os contras de um governo assim, em uma abordagem realista e interessante.

O que mais me identifiquei com a leitura deste livro foi a postura de Gioconda Belli - e do PEE - diante da feminilidade. A autora postula que as mulheres não devem perseguir atributos masculinos na sua busca pela liderança - como, por exemplo, racionalidade, agressividade, objetividade - e sim, que as mulheres devem se orgulhar daquelas características que, normalmente, são atiradas contra nós como se fossem defeitos: intuição, emotividade, cuidado, acolhimento, ternura, maternidade, delicadeza. Ela prova por A + B que tais atributos femininos são fortes e importantes e que podem, sim, mudar a ordem das coisas e o status quo. Esta mensagem ficou gravada em mim de tal forma que tenho pensado nisso desde que finalizei a leitura.

Nem preciso dizer o quanto recomendo esta obra.


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Paola 07/11/2011

O livro me interessou pelo nome. A capa também me chamou atenção. A história foi ficando melhor a cada página lida.

Como seria um país governado somente por mulheres? Presidenta, ministras e todos os cargos do alto poder ocupados somente por mulheres? Pois o país de Fáguas, uma cidade latino americana, passa por essa revolução. As amigas Viviana, Martina, Eva Salvatierra, Ifigênia, Juana de Arco e Rebeca, decidem montar o Partido de Esquerda Erótica (PEE) e concorrer a presidência.

As propagandas políticas são as mais inteligentes possíveis, e com isso acabam ganhando o voto da maioria e exercendo o poder! E a primeira atitude é mandar todos os homens para casa e as mulheres para trabalhar! Ou seja, inverter os papéis. E isso com certeza gera uma enorme polêmica. O objetivo disso tudo e mostrar que um país governado e controlado somente por mulheres tem a capacidade de dar certo igual ou melhor de quando são comandados pelos homens. Um governo super feminista!

Porém, no meio de um discurso Viviana sobre um atentado em praça pública. Um bala é disparada do meio da multidão e atinge a brilhante presidenta. E depois desse atentado, ela acorda num galpão e encontra objetos que perdeu há tanto tempo... No entanto, esses objetos como, guarda chuva, toalha e xícara, a fazem voltar no tempo e lembrar de muitos momentos vividos. E pelas suas memórias vamos conhecendo como o PEE chegou ao poder.

O livro é de linguagem simples e divertida. Pois, a história além de falar sobre a luta de um poder feminista coloca um pouco de humor e romance também, para deixar ainda melhor o enredo. Quem atirou em Viviana? Como o país ficou? Só lendo a história para descobrir!
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