Os diários de Sylvia Plath

Os diários de Sylvia Plath Sylvia Plath
Karen V. Kukil




Resenhas - Os Diários de Sylvia Plath


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Gilberto 13/11/2014

Os Diários de Sylvia Plath 1950 – 1962 – Sylvia Plath, Karen V. Kukil (editora)
Os Diários de Sylvia Plath 1950 – 1962 – Sylvia Plath, Karen V. Kukil (editora)
Como pensar sobre a qualidade técnica de diários escritos sem a autora saber que seriam publicados? Como julgar o que ali poderia ser omitido, ou cortado como excesso sem que com isso se perca a fidelidade ao que foi escrito? Existe um jeito de julgar a literatura confessional chegando a um ponto de dizer: acho que aqui o sofrimento narrado pala autora está sendo exagerado ou dramático? Estas são algumas das questões práticas que me vem à cabeça enquanto leitor do livro Os Diários de Sylvia Plath, que transcreve de forma totalmente fiel ao que foi escrito pela escritora em seus diários, que vão de 1950 (ano em que ela entra na faculdade) até 1962 (cerca de um ano antes dela se suicidar).
Sylvia Plath mantinha diários desde os onze anos, mas a escolha do material que ia ser utilizado, e respectivamente de que ano a que ano foram baseadas nos diários que abrangem o começo da sua vida adulta como estudante, escritora e principalmente mulher (pode ser que eu esteja errado, mas acredito que a escolha de que período seria abrangido na obra tem uma ligação também com o tamanho que o livro iria ficar no fim, pois se em um período de doze anos resultou em 835 páginas imagine só se fosse abrangido o período dos onze anos, quando ela começa escrever diários, até os trinta anos quando se suicidou.).
Se em tamanho o livro é grande em temas Plath consegue não deixar por menos, a autora descreve desde suas companheiras de alojamento na faculdade até esboço de poesias, passando por temas como; o homem ideal para se casar, observações sobre suas produções artísticas, desabafos sobre sua tremenda angustia, insatisfação e inquietação, dentre vários outros. Os pontos de vista dela são por várias vezes inusitados (como no trecho que ela reclama do fato de que a sociedade não permite que uma mulher tenha tesão por sexo em um nível tão grande quanto os dos homens, ou simplesmente o fato de ela quere se casar, não importando para isso como e com quem, o objetivo é casar e só. E até mesmo a sua busca desenfreada por se aperfeiçoar como escritora que a leva a se candidatar a um emprego de baba nas férias para que possa adquirir conhecimentos e melhorias na sua escrita com a experiência.).
Não é raro os momentos em que o livro se tronou sufocante para mim durante a leitura, inclusive por um período perto do fim da leitura minha capacidade de concentração durante a leitura foi reduzida drasticamente, isso é claro pelo fato de ler os diários é um mergulho de cabeça na alma daquela que muitos amigos acham uma artista fascinante, e é neste momento que para mim a leitura cria uma tensão com a minha capacidade de avaliação; será que estou sendo injusto quando considero que alguns trechos poderiam ser cortados ou que ela foi melodramática, ou até mesmo nos momentos em que o acho desinteressante ? Afinal ninguém julga assim claramente a vida e a dor dos outros (E quando se fala em Sylvia Plath haja dor, mesmo que ela esteja ali como uma angustia que paralisa, ou como uma insatisfação que pode a invadir nos momentos de felicidade até a culminância com seu suicídio.
A verdade é que quando eu leio estes diários eu posso ter uma compreensão maior do quanto a depressão é uma doença intrínseca na vida de alguém, se o leitor olhar com um senso prático verá que a vida de Sylvia Plath tinha muitos mais pontos para dar certo do que errado, e mesmo assim dá errado, mesmo ela sendo uma autora reconhecida pela sua qualidade, mesmo ela tendo se casado com um homem que a amava, mesmo tendo bolsa nas melhores universidades e por ai vai uma grande quantidade de mesmos que só poderiam (teoricamente) dar certo, mas a depressão se insinua, de forma constante e irreparável na vida de Plath, fazendo com que ela tentasse se suicidar em 1953 e outra vez (desta vez consegue) uma década depois.
Apesar de eu ter achado o livro em vários momentos desinteressante ou cansativo o que mais me irrita foi o trabalho feito por Karen V. Kukil, para mim como editora ela é mais amadora do que eu como resenhista. Não existe um prólogo ou qualquer coisa do gênero dizendo coisas básicas sobre Sylvia Plath e seu período de vida antes do abordado nos diários. A organização escolhida pela editora deixa a desejar (e muito); notas são inseridas no fim do livro e para cada caderno existe um apêndice (ou mais), porém assim como as notas eles se encontram no final do livro (ao invés de uma forma mais prática: cada apêndice ser inserido no final do caderno que ele se refere). Chegou um momento em que eu ia e voltava mais as páginas do livro do que lia ele (o livro nesta ordem; diários, apêndices, notas e notas do apêndice) ou seja cheguei ao patético ponto de usar quatro marcadores por causa de uma edição que se bem pensada poderia ter sido mais prática (afinal que tipo de leitor, por mais meticuloso que seja, se interessa em tornar um livro de 835 páginas um objetivo de academia muscular, onde você fica indo e voltando as páginas ?!). Mesmo que tenha sido organizado lista com que página foi referido cada nome, ou em quem era cada pessoa citada, acho que a edição fica a dever em praticidade e conforto durante a leitura, e se isso acontece com os diários de uma artista tão aclamada eu me pergunto o porquê de um editor ali, seria simplesmente um objeto/profissional ornamental ?!


site: http://lerateaexaustao.wordpress.com/2014/11/13/os-diarios-de-sylvia-plath-1950-1962-sylvia-plath-karen-v-kukil-editora/
Nanci 13/11/2014minha estante
Concordo com você sobre a publicação de qualquer texto sem a aprovação do autor; os diários, em especial, tornam o assunto ainda mais delicado. Sylvia era muito criteriosa e perfeccionista com seus escritos - isso fica claro na coletânea de poemas "Ariel" que traz uma apresentação, um prefácio e as correções da autora em cada poema original (a edição é bilíngue).

Pra você, meus parabéns pela dedicação e sinceridade da resenha.


Gilberto 13/11/2014minha estante
Obrigado, mas acho que ficou tão fraca na parte em que falo sobre os sentimentos, acho que faltou algo na minha resenha :/


Lucas 26/09/2015minha estante
Olá Gilberto, vc tem ou sabe quem tem Os Diários para trocar ou vender?




Marselle Urman 23/01/2019

Um turbilhão num dente de leão
É bem difícil falar sobre essa leitura. Até por não ser prosa nem poesia. Um diário é algo totalmente diferente que, pra começo de conversa, não foi feito pra ser lido muito menos avaliado por ninguém. Então vou falar do que senti, lendo.

Sylvia foi uma pessoa extremamente inteligente e constantemente assombrada por seus sentimentos e suas idéias ( assim como a pessoa que me levou até ela, Chris Cornell). Me identifiquei -hoje- com ela aos 18, 19. Fiz tantos recortes que é melhor nem citar nada. Agoniada com o tempo e seu passar e seus significados. Com a própria expressão física e seu lugar na sociedade. Com seus anseios e suas proibições. Com suas luzes e sombras.

Me decepcionei com a aceitação e total dependência emocional que ela teve de Ted Hughes após o casamento. Me pareceu aceitar muito mansamente aquele padrão imposto pela sociedade, o "agora somos 'felizes para sempre'". Justificativa-se de serem ambos poetas sem dinheiro, justificativa-se de ter menos talento que ele ( discordo sumariamente), justificava- se de todos os seus sacrifícios pessoais para seguir bovinamente aquele ícone do marido idolatrado, perdoou-lhe as traições como de praxe na sociedade. Realizou-se na maternidade menos que o esperado por ela mesma.

Enfim, não há como saber o que continham os outros diários que Ted Hughes destruiu. Decerto coisas muito íntimas, mas com certeza rasgos da alma de Sylvia que nos teriam ajudado a compreendê-la melhor.

Ainda assim ela foi uma estrela, atormentada, cujo brilho se extinguiu rápido demais.

SP, 23/01/2018
Bruna 23/01/2019minha estante
Adorei sua resenha.




Vai Lendo 28/12/2017

A busca de uma artista por si mesma
A história de Sylvia Plath é conhecida: em fevereiro de 1963, a poeta, romancista e contista norte-americana de apenas 30 anos comete suicídio ao colocar sua cabeça dentro do forno com o gás ligado. Ela deixa dois filhos, alguns livros de poesia e seu único romance, "A Redoma de Vidro".

Mas quantas histórias cabem dentro desse emaranhado de atos trágicos, como é constantemente definida a vida de Plath? O suficiente para preencher as páginas de vários cadernos onde a autora documentava seus dias – histórias que agora podem ser conhecidas pelo público através da nova edição de "Os Diários de Sylvia Plath", publicada pelo selo Biblioteca Azul, da Globo Livros.

Abrir esse livro é, no entanto, como abrir uma portinha que carrega uma grande placa dizendo “entrada restrita”. Entramos nos mais íntimo dos pensamentos de Sylvia, no lugar em que ela se sentia segura para escrever sem julgamentos e despejava suas frustrações por não conseguir se dedicar aos seus trabalhos literários. Pois esta é uma característica que salta aos olhos quando entramos no universo particular de Sylvia Plath: a perfeição. Extremamente crítica, ela raramente estava satisfeita com seus textos e, às vezes, passava meses remoendo um conto ou poesia que não conseguia escrever.

Em uma das entradas de seu diário ela escreve: “Não posso ser feliz fazendo qualquer coisa, exceto escrever, & não consigo ser escritora: nem mesmo uma frase consigo formular: o medo me paralisa, a histeria mortal.” O diário se torna para ela esse lugar de “não-escrita” e, ao mesmo tempo, um espaço livre para praticar diálogos, sinopses de contos futuros ou apenas palavras-chave para o seu dia. É o lugar em que ela escreve quando não consegue escrever e que, ironicamente, agora faz parte dos textos que compõem sua obra. E isso me fez pensar, ao entrar nessa “área restrita”: como avaliar a qualidade desses escritos? Tão impossível quanto julgar a vida e os sentimentos de qualquer outra pessoa. E todas as vidas são importantes. Plath também sabia disso: “Amo as pessoas. Todas elas. Amo-as, creio, como um colecionador de selos ama sua coleção. Cada história, cada incidente, cada fragmento de conversa é matéria-prima para mim. Meu amor não é impessoal, nem tampouco inteiramente subjetivo.”

Em outras palavras: para entender o universo fragmentado que Sylvia criou nesses diários é preciso julgar menos e sentir mais. Aguçar nossos sentidos. Sentir o peso dos desencontros amorosos que a autora passou nos início dos anos 50 como aluna do Smith College, o terror de ter tudo que qualquer outra garota de sua idade gostaria – uma bolsa de estudos, contos publicados na Seventeen, editora convidada da Mademoiselle após vencer um concurso – e, mesmo assim, não se sentir completa, com medo do futuro e das obrigações que uma mulher tinha aos olhos da sociedade (“Mas as mulheres também desejam. Por que devem ser relegadas à posição de zeladoras de emoções, babás de crianças, alimentando sempre a alma, o corpo e o orgulho do homem? Ter nascido mulher é uma tragédia horrorosa”); sua primeira tentativa de suicídio ao voltar para casa no verão de 1953; o casamento com o também poeta Ted Hughes – e a crescente recusa de seus contos enquanto via a prolífica produção literária de seu marido; a tentativa de conciliação entre a vida como professora e de escritora, com constantes queixas pelo tempo escasso para a escrita; as tentativas frustradas até finalmente conseguir ser mãe, algo inimaginável para a Sylvia que conhecemos nos anos 1950, mas imprescindível para a mesma Sylvia de 1960.

Seus diários se encerram em 1962, um ano antes de a autora cometer o suicídio que marcaria a forma como seria conhecida. Os diários que Sylvia manteve depois, sendo um dele com registros de até três dias antes de seu suicídio, foram destruídos por Ted Hughes, aumentando ainda mais as teorias e curiosidades em torno de sua morte. Mas o que nos fica, após a leitura das páginas de cadernos que temos acesso, é o retrato de uma autora em constante busca por si mesma, pela melhor forma, pelas melhores palavras, com sede de conhecimento – várias páginas são recheadas de notas sobre livros que precisa ler e idiomas aos quais precisa se dedicar. Fica o cheiro da chuva – é curioso como a maioria das entradas são feitas em dias chuvosos – e a eterna espera pelo carteiro de camisa azul clara, que nos sonhos de Plath traria as cartas de aceite de todos os seus livros, contos, poesias e a paz de saber que ela era mesmo aquilo que achava ser: artista.

site: http://www.vailendo.com.br/2017/12/26/os-diarios-de-sylvia-plath-resenha/
Gabi Rached 22/07/2020minha estante
Que linda resenha...


Vai Lendo 30/07/2020minha estante
Oi, Gabi!
Que bom que gostou! Muito obrigada! :)
Beijos!




Mary 01/03/2020

A alma inquieta, o gênio não reconhecido a tempo...
"Talvez um dia eu vá rastejar de volta para casa, exausta, derrotada. Mas não enquanto eu puder criar histórias a partir do meu desgosto, beleza a partir da tristeza."

Estupor. Deslumbramento. Vertigem. Epifania.

Sylvia Plath dedicou sua vida a arte de escrever e, talvez como um exercício e meio de se manter produzindo constantemente, ela escrevia diários (percebe-se o esforço, a determinação e a constância nesse volume em 800 páginas). Ela sabia o que queria, sabia o papel que desejava assumir e, antes de qualquer reconhecimento, já se considerava uma escritora. Nos seus diários, acompanhamos sua jornada, - não totalmente voltada pra isso, mas tudo na sua vida convergia a esse ponto - amores, desamores, desejos, inseguranças, crises depressivas... O diário passa pela primeira tentativa de suicídio e termina pouco antes da última que deu fim a sua vida tão cheia de possibilidades promissoras.

"Morrer é uma arte, como tudo o mais. Que eu pratico surpreendentemente bem."

Sylvia era intensa, determinada, consciente, mas não foi reconhecida em vida e isso é um dos pontos mais angustiantes na leitura. O diário é repleto de esboços, projetos, desejos que nunca se confirmaram e você não consegue deixar de se perguntar: "imagina se ela tivesse vivido mais tempo e conseguisse tirar tudo isso da abstração devido a promessa de um futuro longo e produtivo." Sylvia sempre postergou o desenvolvimento de suas ideias para um futuro em que seria reconhecida, um sinônimo para publicada, e sim, a mulher era indomável e nunca percebeu as ideias geniais que tinha no colo. Ela passava por crises de insegurança que a paralizavam totalmente, nem escrever conseguia (o famoso bloqueio criativo).

"Tudo na vida pode ser escrito se você tiver a coragem de fazê-lo e a imaginação para improvisar. O pior inimigo da criatividade é a insegurança."

O primeiro romance, um tema muito recorrente depois que ela termina o mestrado, sempre foi o seu foco e ela achava que não conseguiria, por isso, passou anos lutando consigo mesma até nos entregar o A Redoma de Vidro (seu único romance). A luta interna era devido a exagerada exigência que tinha consigo mesma perante sua escrita, poderíamos dizer que ela era uma perfeccionista nata. Dentre diversos poemas e contos recusados em vários lugares, se sabe que sua vida conjugal também era um entrevero em sua montanha russa emocional (como Ted e seu histórico recorrente de traições); entretanto, como o compilado de diários foi "editado" pelo marido, muito é falado que o material original foi alterado e, consequentemente, só temos contato com uma visão romanceada do matrimônio de Sylvia (realmente, parece um conto de fadas, diga-se de passagem).

Dentre tarefas domésticos, pendências de suas listas de afazeres, descrições detalhadas de experiências e sensações, ideias de contos e romances e poemas, a cobrança de cada vez escrever mais e mais, a determinação de escrever cada vez melhor; nós temos nesse volume o contato direto com a mente de Sylvia e, ainda assim, não consigo me sentir como se em algum momento cheguei perto de realmente conhecê-la. Passei meses acompanhada de suas palavras (apesar do ritmo frenético do último mês em contrapartida aos outros que foram dispersos e quase gota a gota), não podia deixar de registrar esse momento em que me despeço com um misto de alegria pela conclusão e o pesar pela separação. Eu sei que ela merece o reconhecimento póstumo com o que ela já tinha produzido tão jovem, mas não deixo de pensar que se ela tivesse visto o mínimo de sucesso em vida, qual o montante de textos e materiais delas não teríamos em mãos?

"Não teria feito a menor diferença se ela tivesse me dado uma passagem para a Europa ou um cruzeiro ao redor do mundo, porque onde quer que eu estivesse ? fosse o convés de um navio, um café parisiense ou Bangcoc ?, estaria sempre sob a mesma redoma de vidro, sendo lentamente cozida em meu próprio ar viciado."

Ela merece o legado eterno, depois de buscar o repouso de uma vida inteira em que se via deslocada, muitas vezes não se sentindo presente ou, simplesmente, não se sentindo. Você conquistou, Sylvia, conquistou o mundo nas palmas de suas mãos esperançosas e trabalhadoras que viveram em um corpo que guardava uma mente inquieta. O mundo é seu e espero que você, finalmente depois de tudo, tenha encontrado o que procurou a vida inteira.
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Ginete Negro 09/05/2020

A prosa íntima que veio à tona
Ler os diários de Sylvia Plath, muito mais que uma 'intromissão' na vida da autora, é um exercício de tentar imaginar exatamente o que a levou ao suicídio, ainda que saibamos que foi um conjunto de fatores. É tocante remexer em seus sonhos, suas expectativas e frustrações enquanto escritora e mulher, vendo os triunfos do marido Ted Hughes (que era publicado quase sempre, enquanto a esposa, poucas vezes - e por erro de julgamento dos editores), as listas de palavras e personagens para obras... E, ainda, saber que seus (decisivos e) últimos diários provavelmente foram destruídos pelo marido. No entanto, os próprios diários não pintam Sylvia como uma santa, uma vítima perene -- o que nos aproxima ainda mais da autora, imperfeita segundo suas próprias palavras de diários, mas apaixonada, neurótica, irritada, tranquila e feliz.
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Mariana Dal Chico 16/10/2018

Breves considerações
Depois de quase cinco meses de leitura, finalmente encerrei minha jornada pelos Diários de Sylvia Plath 1950-1962.
O ritmo de leitura mais lento - para mim - vai além do calhamaço de mais de 800 páginas. Algumas entradas de diário são leves, divertidas, outras um pouco tediosas, mas a maioria retrata toda tristeza e desesperança de sua autora.
Em vários momentos precisei parar a leitura, respirar e procurar algo para me distrair.

“… Desejo colossal de escapar, fugir, não falar com ninguém. Pânico em tese - falta de pessoas com quem gostar - recriminação pelas escolhas erradas do passado - Medo, feio & grande & lastimável. … Desejo perverso de se refugiar no pouco me importo. Sou incapaz de amar ou de sentir, agora: autoindução. …”

Confesso que a primeira metade dessa obra me envolveu mais que o restante. Chegou um momento em que eu não aguentava mais ver promessas de estudar alemão que nunca aconteciam, começar o romance que se arrastou por anos e a descrição dos alimentos das refeições.
Se por um lado como leitora eu me cansei dessa repetição, por outro me mostrou uma mulher talentosa, mas que não acreditava em sua escrita, a preocupação com a perfeição estética literária do que escreveria a castrava antes mesmo de começar a colocar no papel suas ideias.

Algum tempo após o casamento com Ted, Sylvia passou a relatar seu dia a dia como dona de casa, professora de literatura e autora. Sua frustração crescia exponencialmente junto com as cartas de recusa de publicação de seus contos e poemas. Enquanto ela via o sucesso do marido aumentar, Sylvia dizia se realizar nele enquanto sua vez não chegava. Mais para o final, era claro que isso não bastava e ela precisava encontrar felicidade em si mesma.

Para aproveitar melhor a leitura dos diários, é preciso deixar de lado o julgamento e se guiar pelo sentimento. Afinal estamos falando de uma obra onde a autora não tinha a intenção de que outras pessoas a lessem e depositou ali tudo o que sentia e pensava.

Foi uma jornada incrível, ainda tenho MUITAS considerações a fazer e vou precisar de um vídeo no youtube.com/maridalchico para poder conversar melhor com vocês sobre essa obra.
Instagram - @maridalchico

site: https://www.instagram.com/p/BoY6a1jHVAq
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Rodolfo Vilar 22/02/2021

Resenha publicada em @bodegaliteraria
Toda vez que eu leio os diários de alguém eu me sinto invadindo a sua cabeça, a sua vida, a sua intimidade. Apesar dos Diários de Sylvia Plath serem inundados de ensaios e pequenos manuscritos de contos, poemas e apontamentos para personagens ela está lá, em toda a sua alma, com todo o seu medo sobre crescer, sobre ser lida, sobre ter filhos, sobre o que fazer da vida e sobre a felicidade, essa que a todo momento parece fugir de suas mãos. É algo intenso, tanto que havia momentos em que eu precisava parar a leitura, respirar assistindo alguma série, ouvindo alguma música e só depois retornar as suas palavras. Havia também momentos tediosos sobre as narrativas de seus jantares, de suas amizades lodosas e sobre a rotina de seu trabalho, nesses momentos a paciência era necessária. Mas o principal é: Sylvia Plath é uma gênia, talentosa, grande, suprema, pois nunca havia lido alguém como ela captar tão bem os pequenos detalhes da sua vida, das minucias do seu olhar que nas páginas de papel conseguem se transformar num explendor de literatura. Sylvia Plath é única, sempre foi talentosa, sempre foi ela mesma em suas palavras, atos e emoções. Conhecer os seus diários foi conhecer essa autora às vezes tão estigmatizada pela sua morte, tão desconhecida pelos jovens leitores, mas que necessita de mais compreensão, de um olhar mais profunda na obra tão rica e curta dessa mulher tão inspiradora.
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Hele 18/11/2013

Sylvia
Dá vontade de escrever um diário lendo este livro. Troquei ele pelo skoob. Inesquecível! Troquei porque não gosto de acumular coisas e acho o skoob uma ótima ferramenta de fazer a energia girar.
Dani 02/04/2014minha estante
Então troca comigo, please! Quero muito ler esse livro. :-)


Livia Maria. 14/07/2014minha estante
Eu gostaria muito! =)


Lucas 26/09/2015minha estante
Olá Hele, vc tem ou sabe quem tem Os Diários para trocar ou vender?




Ana Luiza 19/08/2018

Os Diários de Sylvia Plath – Sylvia Plath e Karen V. Kukil
SOBRE O LIVRO

Sylvia Plath faleceu jovem e nos deixou poucos de seus trabalhos como legado, além de uma história de vida fascinante. Em 2004 a editora Globo lançou a primeira edição de um compilado de seus diários em um volume único organizado por Karen V. Kukil que logo saiu do mercado.

“É impossível ‘capturar a vida’ se a gente não mantém diários.”

Os diários são relatos, entradas escritas por Sylvia nos anos de 1950 à 1962. Alguns dos cadernos teriam sido lacrados por seu marido Ted Hughes e só poderiam ser liberados em 2013, no entanto, em 1998 percebendo que sua saúde estava debilitada ele liberou os diários pouco antes de sua morte, dando aos fãs da autora uma oportunidade de conhece-la através de suas próprias impressões e personalidade.

Além dos escritos que compõe a obra existiriam ainda mais três cadernos, escritos até pouco antes de ela cometer o suicídio. Contudo, dois destes cadernos foram destruídos pelo marido e aparentemente um deles ainda está perdido.

MINHA OPINIÃO

Começando pelo final, ou talvez o início para o entendimento da descrição da obra, o que Ted Hughes fez foi manter trancados os diários onde a esposa falava sobre o relacionamento dos dois, fazendo com que eles fossem publicados somente após sua morte. O que pode ter sido consequência de existirem neles alguns relatos de certa forma inconvenientes para o marido, já que mais para o final dos escritos vamos acompanhar a “decadência” do relacionamento entre os dois. Em uma das entradas ela relata com detalhes um ocorrido na universidade em que Ted lecionava, em um local escondido onde ela o flagra com uma aluna; além disto ela deixa escapar outros pontos não muito explícitos sobre a infidelidade dele, descritos em momentos de raiva ou tristeza.

É importante saber que os relatos são variados de acordo com o humor de Sylvia, sendo assim, enquanto algumas entradas são extremamente bem humoradas, outras são bastante deprimentes. É claro que todos temos momentos de altos e baixos, mas aqui, devido à personalidade dela, tudo é muito intenso, tanto os momentos bons quanto os ruins. O que quero trazer à tona é que deve-se prestar bastante atenção ao momento em que você se encontra quando decidir ler os diários.

“Para mim, o presente é para sempre, e o eterno está sempre mudando, fluindo, se dissolvendo. Este segundo é vida.”

Talvez a parte mais interessantes de ler algo assim de alguém é o exato fato de que normalmente a pessoa não tem a intenção de outros tenham conhecimento de seus pensamentos, desta forma, elas são na maior parte do tempo sinceros e espontâneos, exceto talvez, quando buscam enganar a si mesmos. Entre uma juventude cheia de farras mas ao mesmo tempo cheia de questionamentos, Sylvia se propõe pensar sobre questões cotidianas que a acometeram de certa forma, em sua maioria, algo o qual ela não considerava justo ou correto, como por exemplo os bons costumes quanto a comportamentos femininos não só físicos mas intelectuais.

Uma vida repleta de pessoas, pessoas com as quais ela se apaixonava por seus mínimos defeitos. Todos eram personagens potenciais, personalidades a serem exploradas. Tanto amor e necessidade de estar entre outros acaba explicitando a insegurança, a necessidade de se provar e até mesmo a falta de fé em si. Algumas pessoas podem dizer que ela deixou indícios de que futuramente cometeria suicídio, mas em minha opinião, mais do que pensamentos tristes são necessários para isto.

Após o casamento, ela oscila a maior parte do tempo entre inveja do marido por ele ser um poeta publicado e ela não (tinha algumas poesias publicadas mas nada tão grandioso) e o amor que sente por ele. O que fica claro também é que sua produtividade não foi a mesma desde então, afinal ela convivia diariamente com o sucesso dele enquanto seus escritos era rejeitados, sempre: “cru demais” , “sincero demais”. Existem alguns esboços de contos e poesias ao longo dos diários além de algumas ilustrações e, o que nos vem em mente enquanto lemos é o porque ela, tão talentosa, nunca fez nada com suas grandes ideias, talvez, porque não tenha tido tempo. A maioria de seus trabalhos foram publicados postumamente e ela só ganhou notoriedade significativa depois de morta.

“Se eu não pensasse, seria muito mais feliz; se não tivesse órgãos sexuais, não vacilaria à beira de um ataque de nervos e lágrimas o tempo todo.”

O início dos diários é marcado pela adolescência da escritora e seus encontros com namoradinhos e empregos de férias de verão. São em minha opinião, a parte mais divertida da história, apesar de explicitarem a necessidade de companhia, principalmente do sexo masculino. Um fato que talvez tenha colaborado para a carência foi o fato de seu pai ter falecido quando ela ainda era muito pequena, e ela o procurava, de certa forma, nos homens com os quais saia. O relacionamento conturbado com a mãe e a forma com que ela retrata o pai para a garota são pontos chaves para alguns questionamentos.

A maior parte do tempo se passa com esboços de criações, ideias para roteiros, nomes para personagens e descrições de lugares e pessoas. As ideias são fragmentadas na maior parte do tempo, sejam os relatos ficcionais ou reais. Em 1963 ela falece e a última entrada de seu diário é de 1959, e somente nos apêndices temos algumas entradas de 61 e 62 sobre seu dia a dia sendo a última, sobre um funeral.

Finalmente, este é um livro que não se esgota com apenas uma leitura e com toda certeza irei relê-lo daqui há algum tempo. É claro que é importante ter-se atenção com o momento já que se trata de uma personalidade delicada que oscila entre sentimentos bons e ruins, momentos de felicidade e extremo mal humor e, é claro, separar o que se leva, mais uma vez lembrando que a ideia de um diário é ser pessoal. Para mim que nunca li nada de Sylvia Plath, posso dizer que foi uma experiência fascinante e que me fez ter vontade de conhecer tudo o que ela escreveu, além do sentimento de proximidade com uma vida tão conturbada, mas ao mesmo tempo tão boa em suas singularidades.


site: http://resenhandosonhos.com/os-diarios-de-sylvia-plath-sylvia-plath-e-karen-v-kukil/
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