S. Bernardo

S. Bernardo Graciliano Ramos




Resenhas - São Bernardo


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Ludhi 07/02/2020

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Paulo Honório e um rolo compressor, que decide escrever um livro, contando que ele conseguiu muita coisa na vida, dinheiro, poder, status, mas as coisas que ele perdeu, fazem com que os ganhos não tenham sentido na vida dele.
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Andressa Lima 07/02/2020

Regionalista
O livro de Graciliano Ramos já virou um dos nossos clássicos, tá cheinho de regionalismo, o que se reflete na escrita. Escrita essa que não é tão simplista quanto parece.

Falar do protagonista, Paulo Honório, é falar de um ser empreendedor, um capitalista. É ler sobre algumas coisas bem típicas da época refletidas na ignorância que muitos personagens parecem ter sobre alguns assuntos.

É um livro importante na literatura, é um livro importante pra se ler!
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Letícia 26/01/2020

Livro admirável
Que livro admirável é este "S. Bernardo"! Na obra publicada em 1934, Graciliano Ramos usa a propriedade título do romance, no Nordeste, para abordar questões políticas, sociais e econômicas do país naquela época, mas principalmente, explorar aspectos psicológicos de Paulo Honório, que é tanto o narrador quanto o protagonista da história. Um recurso muito interessante utilizado pelo autor para diferenciar os dois é a alternância entre tempos verbais no presente e no passado. O que mais me chama atenção no livro, que figura entre os grandes da segunda fase do Modernismo brasileiro, é como Graciliano consegue transcrever a aridez do sertão e as adversidades de quem lá vive não somente pelas palavras da oralidade regional, mas na forma como o texto é escrito e apresentado pelo narrador. Para mim, essa habilidade fica ainda mais evidente em "Vidas Secas", publicado em 1938. Esse estilo direto, mas totalmente subjetivo, é um mergulho no personagem principal, o que nos ajuda, se não aceitar, a pelo menos compreender suas razões, comportamentos e transtornos. Foi inevitável me emocionar no final. A partir da crítica ao lucro acima de tudo e de todos, o romance mostra que a pior coisa que pode acontecer a uma pessoa é a perda de si mesma e da sua humanidade.

site: https://www.instagram.com/leticiamariaklein/
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Ana 15/12/2019

Eu nunca fui muito fissurada por clássicos, fossem eles nacionais ou internacionais. Tenho que admitir que eu fico com um pouco de preguiça, já que, na maioria das vezes, a linguagem é rebuscada demais para o meu gosto. S. Bernardo, por exemplo, foi lançado lá pela década de 30 e desde então vem ganhando novas edições, como essa de 2019 da Editora Record. Confesso que se eu não tivesse recebido esse livro, provavelmente morreria sem conhecer as memórias de Paulo Honório.

Tenho a leve impressão que Graciliano Ramos não gostava de exalar otimismo em suas histórias, visto que em meu segundo contato com o escritor ― o primeiro foi com Vidas Secas, quando eu ainda estava no ensino médio ― tive o mesmo sentimento de falta de esperança. Aqui, conhecemos a vida de Paulo Honório, um filho do sertão alagoano que sonha em conquistar o mundo, custe o que custar. Logo de cara percebemos que tem um caráter um tanto duvidoso: é frio, calculista, machista e bastante violento.

Mesmo conquistando a fazenda S. Bernardo, lugar onde trabalhou e sofreu por uma vida inteira, Paulo Honório só queria saber de acumular mais riquezas e, posteriormente, arranjar um herdeiro que cuidasse de tudo. Assim, tendo em vista a forma árida como tratava todos ao seu redor, não é difícil imaginar como era o seu relacionamento com a esposa, Madalena, uma professora inteligente e humilde ― e com os dois pés no socialismo, diga-se de passagem ―, com pensamentos totalmente opostos aos seus.

Apesar de ser um casamento arranjado e sem amor, Paulo Honório começa a desenvolver um ciúme doentio por Madalena e é a partir desse ponto que conhecemos a verdadeira face desse homem. Como S. Bernardo é narrado em primeira pessoa sob o ponto de vista do protagonista, temos acesso à todos os pensamentos dele, todos os sentimentos, todas as opiniões. O mais "engraçado" de tudo é que, ainda que seja uma história que se passa na década de 30, é impossível não comparar Paulo Honório aos "homens de bem" da atualidade.

A linguagem utilizada por Graciliano Ramos é carregada de regionalismos, o que pode causar certo estranhamento no início da leitura, mas é bem fácil se acostumar. Por incrível que pareça, não sei se foi para eu pagar língua, o desenvolvimento da narrativa é bem fluido, principalmente porque os capítulos são curtos, tornando a leitura bem mais direta. Outro ponto positivo é que não existem descrições cansativas, tudo aqui é muito objetivo.

S. Bernardo é um livro totalmente político e social. O final não surpreende ― na realidade, foi justamente o que eu esperava, infelizmente ―, mas acredito que demonstra com fidelidade a sociedade da época, uma classe burguesa que, de forma ou de outra, ainda prevalece no Brasil, e olha que estamos no século XXI...

site: http://www.roendolivros.com.br
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Vida Literária 23/11/2019

Decadência Psicológica de Paulo Honório
São Bernardo (1934) é uma obra que surge em um período conturbado da história do Brasil, quiça do mundo. 1929 é marcado pela quebra da bolsa de Nova Iorque e a crise mundial espalhada em larga escala. Os países com mercados internacionais (o Brasil incluído) sofrem o impacto em suas economias, as revoltas civis e sociais proliferam e assevera a crise política em diversos governos mundo afora.

Notemos, em primeira instância, o formato escolhido: o de memórias. Aqui, o jogo temporal colabora em demasia para o aprofundamento sistemático do psicológico dos personagens. Outros romances de nossa literatura já exploraram esse formato, como o saudoso Ateneu (1888), de Raul Pompeia ou Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), de Machado de Assis. Perceba que mesmo em diferentes períodos literários, o “romance memorial” figura como uma opção relevante entre os grandes escritores brasileiros.

A prosa em primeira pessoa também é um fato a ser considerado, principalmente no que tange ao lapso temporal e aos dois planos narrativos que Graciliano trabalha. Exite o narrador e o personagem Paulo Honório, essa característica fica evidente pela escolha do tempo verbal posto nos personagens. Paulo Honório narrador é demarcado pelo uso do presente verbal, já o Paulo Honório personagem é demarcado pelo tempo pretérito. Outros aspectos também são dignos de destaque, dentre os quais, ressalto a relação de poder, ascensão social e desumanização, esta última sendo, a meu ver, a mais grave.

Resenha Completa no link abaixo.

site: http://vidaliteraria.net/sb/
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DiRock S. 07/11/2019

“Se não houvesse diferenças, nós seríamos uma pessoa só”
Ninguém é isento da política. As condições estabelecidas na vida do indivíduo o molda, exercita uma perspectiva a qual será fiel conforme a experiência e as referências obtidas. O sujeito em questão emprega palavras e argumentos dos mais racionais, ainda assim recheados pelos sentimentos e sensações guardados consigo, agora transmitidos pela escrita, feita mesmo desprezando as atribuições literárias na maior parte da vida.

S. Bernardo é narrado pelo dono da propriedade homônima, em busca de rememorar os dramas que moldaram sua identidade particular e política. Publicado pela primeira vez em 1934 por Graciliano Ramos e com nova edição em 2010 pela editora Record, o protagonista Paulo Honório confidencia parte da própria vida nas palavras deste romance.

“A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste”

Paulo Honório foi sertanejo, trabalhador de campo com salário baixo, correspondente a esta profissão. Ardiloso, conseguiu obter muito dinheiro e aproveitou a oportunidade de comprar a propriedade onde trabalhou, depois do antigo patrão falecer e o filho sofrer dificuldades financeiras. Agora dono de grande terreno, Paulo vira o patrão e administra as plantações correspondentes da propriedade, firma contatos políticos e com outros membros da sociedade, ganha novas pretensões e planeja o futuro, quer garantir um herdeiro e o tenta através de Madalena, formada em professora e aspirante na literatura, assunto nada agradável a Paulo. O protagonista desenrola as consequências destas escolhas, procurando refletir através da escrita desses acontecimentos.

“Estudei aritmética para não ser roubado além da conveniência”

A narrativa em primeira pessoa faz questão de expor o ponto de vista do protagonista quanto aos aspectos de sua vida. É nítido acompanhar a divergência de ideias entre ele e os demais personagens, por vezes sendo antagônicos mesmo morando próximos. O trabalho no campo moldou as ideias de Paulo na praticidade, o deixa desconfiado de todo registro elaborado a partir de experiências diferentes das dele, e permanece firme neste posicionamento mesmo ao interagir com quem discorde. É assim com Madalena, moça letrada e de pensamento crítico, mas que cede ao desejo de Paulo pela oportunidade jamais tida em outra circunstância. A relação amorosa sucede a debates entre pessoas de posicionamentos políticos contrários, as falhas na conciliação gera mais atritos e transformam o ponto de vista dos dois personagens.

Ainda quanto a circunstância do homem de campo, Paulo Honório deixa claro a manifestação da linguagem escrita conforme é falada, persistindo nas palavras regionais por todo o romance. Vale destacar que o coloquialismo fica restrito ao uso destas palavras, sem abusar da conjugação verbal inexata, forçar falhas na concordância nominal, nem atribuir a grafia das palavras conforme se fala, como “ocê” ao usar a palavra “você”. Outras obras usam desses artifícios mencionados ao simular o coloquialismo, já Graciliano — ou pelo menos esta edição publicada pela Record — opta por essa abordagem mais sutil e destaca as palavras singulares da região.

S. Bernardo é o segundo romance publicado de Graciliano, autor alagoano que demonstra o regionalismo na escrita e manifesta a discussão política a partir de um trabalhador de campo capaz de aproveitar as oportunidades — essas de honestidade dúbia. Trabalhos feitos este são ótimos patrimônios de referência sobre o país e de caracterização da região ambientada.

site: https://xpliterario.com.br/xp-leitura/s-bernardo/
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Conte 14/08/2019

S. Bernardo
Final inesperado e com uma crítica social de época bem construida.
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Maju Deolindo 12/08/2019

S. Bernardo
Graciliano Ramos tornou-se um dos meus autores favoritos. S. Bernardo foi o meu 2° contato com a autor e eu fui completamente tomada por essa história. Um livro fluido, com uma drama muito boa, impecável. Sem falar que eu acabei lembrando em algumas partes de Dom casmurro. Já quero outros livros desse autor.
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Mariana Dal Chico 13/07/2019

?S. Bernardo? de Graciliano Ramos foi lançado pela primeira vez em 1934 e esse ano ganhou nova identidade visual pela Editora Record.
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Do mesmo autor, eu tinha lido Vidas Secas e quando estava procurando textos sobre ?Jude, o obscuro?, me deparei com um de Carpaux (Visão de Graciliano Ramos, ensaios reunidos volI) fazendo uma comparação entre a literatura de Graciliano Ramos e Thomas Hardy, ali ele dizia que Vidas Secas era a obra mais esperançosa do autor, fiquei curiosa para conhecer melhor outros títulos de Graciliano e tirei da estante meu exemplar de S. Bernardo.
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Tive um certo estranhamento no começo da leitura por causa do vocabulário, que traz uma linguagem regionalista, mas rapidamente me adaptei e fiquei completamente envolvida com a leitura.

A escrita do autor é concisa, não há descrições paradisíacas de paisagens, tudo aquilo que não é essencial, foi eliminado. Logo, cada palavra é escolhida de forma cuidadosa e magistral, com o objetivo de atingir o leitor em cheio.

Paulo Honório é o protagonista que nos vai contar sua história e, aos poucos, é possível perceber sua humanidade se esvaindo por entre os dedos. Seu extremo egoísmo é de um homem que sonha conquistar, prisioneiro de um mundo que existe apenas nele e para ele.

Apesar da narrativa ser em primeira pessoa, Paulo Honório é incrivelmente honesto com o leitor e não se esquiva de seus defeitos e crimes.

Em certo momento, achei que o livro tem um tom de Dom Casmurro, mas com um viés um tanto mais real, palpável com linguagem acessível que o de Machado de Assis.
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Gostei MUITO da leitura, mas não me comoveu tanto quanto Vidas Secas, que é meu favorito do autor.
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Instagram @maridalchico
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Liliane França 08/07/2019

O tom bruto que sempre me interessou na escrita de Graciliano Ramos não se ausenta nessa obra. Paulo Honório é um homem prático, direto, objetivo, controlador e que pouco explora seu lado humano, não há tempo para futilidades da alma. Conquista a fazenda São Bernardo, convence Madalena a casar-se com ele.O que vem depois das vitórias são acidentes de percurso, servem para mostrar ao grande homem de negócios que a vida não segue um plano predeterminado e ele não tem controle total sobre os rumos de seus empreendimentos. Bom livro.
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Vanessa - @livrices 05/07/2019

S. Bernardo é o nome de uma fazenda no interior do nordeste, cuja propriedade foi adquirida por Paulo Honório, antigo funcionário, já por meios fraudulentos...
O livro é narrado pelo próprio personagem principal e tem como pano de fundo o Brasil de 30, pós crise de 29, borbulhando em aspirações políticas de todos os lados. O pensamento de Paulo Honório reflete, na fazenda, o espírito capitalista e industrial vigentes no governo Vargas.

O personagem apresenta a si e a seus amigos, que são, basicamente, representantes do judiciário, da igreja católica, do jornalismo, da educação, da militância... Quanto a ele, logo percebemos seu caráter extremamente objetivo, prático, frio, violento e machista. Paulo Honório, nascido pobre, maltratado, mal amado, conseguiu enriquecer na vida à custa de trapaças, mortes e mentiras. Agora, sendo patrão, reproduz com os outros tudo que sofreu em sua juventude, e mais. Acredita que todos, além de seus próprios empregados, devem obedecê-lo e se curvar às suas vontades. Todo o seu cotidiano e planejamento de vida é baseado em produzir e acumular mais riquezas, relacionando-se com as pessoas apenas com o fim de retirar delas alguma vantagem.

Assim, as coisas começam a lhe perturbar quando, arranjando uma esposa apenas para fins de ~constituição de família~ e geração de um herdeiro para seu patrimônio, casa-se com Madalena, professora, com pensamentos totalmente divergentes dos seus: Madalena adora ensinar, Paulo Honório diz que escola é perda de dinheiro e tempo (mas mantém uma em sua fazenda, visando parcerias políticas que o beneficiem). Madalena ajuda os empregados da fazenda, doa roupas e mantimentos, Paulo Honório acha isso um absurdo, inadmissível. Madalena fica enfurecida quando vê Paulo Honório batendo e xingando um funcionário que atrasou o trabalho, ao passo que o marido não entende tamanha ~tempestade em copo d’água~.

Tudo piora quando Madalena entra em contato com os ideiais socialistas de Padilha (inicialmente dono de S. Bernardo, mas, vítima das falcatruas de Paulo Honório, se afunda em dívidas e torna-se empregado da fazenda). Com toda a afinidade de pensamentos entre sua esposa e a ~ameaça socialista~, Paulo Honório inicia um ciúme doentio, que desaguará em muitos spoilers nessa história viciante.

Graciliano conseguiu se superar nesse romance. Sem dúvidas, o meu preferido até agora!



site: https://www.instagram.com/p/Bzil-0tj8z3/
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Lipe 05/06/2019

Paulo H. me pareceu uma combinação perfeita do Bento Santiago (Bentinho, Dom Casmurro) + o "cidadão de bem" dos dias atuais.
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SSS 30/05/2019

"D. Glória não conhecia S. Bernardo, e essa ignorância me ofendeu, porque para mim S. Bernardo era o lugar mais importante do mundo."
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Tendo sua primeira publicação em 1934, foi o segundo romance de Graciliano Ramos a ser lançado e a obra que o consagrou como um dos maiores romancistas de nossa literatura. Os críticos consideram S. Bernardo com a mais importante obra de ficção do movimento modernista envolvendo o regime fundiário e os conflitos sociais no Nordeste.
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Aos cinquenta anos, Paulo Honório decidiu que colocaria suas memórias no papel. Redigiria sua vida num livro, para talvez assim tentar entender o sentido de tudo que passou e sofreu. Ao voltar ao passado, o homem busca compreender seus conflitos internos e as decisões que o colocaram ali, no ponto exato da vida em que está escrevendo.
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Narrado em primeira pessoa, Paulo expõe tudo para o leitor. Tendo agora terras em seu nome, faz o que está ao seu alcance para dar todo o lucro que pode. Se endivida, importa maquinário, se joga na pomicultura e na avicultura. Contrata empregados e constrói uma casa para si. Solidificado seu império, vai em busca de uma esposa. Não por amor, mas sim por conveniência e para ter um herdeiro. Case-se então com Madalena, uma jovem professora de bom coração.
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"A verdade é que nunca soube quais foram os meus atos bons e quais foram atos maus. Fiz coisas boas que me trouxeram prejuízo; fiz coisas ruins que me deram lucro."
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Graciliano criou um personagem cotidiano que realmente não tem nada demais. Suas ações, falta de instrução e preconceito, é totalmente o que é esperado de um sertanejo dos anos 30 que vivia no interior do Alagoas. E é exatamente isso que faz a obra ser tão boa, pois é um retrato fiel da época.
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Mesmo vivendo em um período político conturbado, Paulo era um perfeito alienado, apenas se inteirando pelo que os amigos ao redor falavam. Mas julgá-lo é muito difícil, pois até nos dias de hoje há quem 'escolha' não se envolver. Acredito que essa seja a jogada brilhante de Graciliano, usar situações simples pra exprimir a crítica.
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