São Bernardo

São Bernardo Graciliano Ramos




Resenhas - São Bernardo


108 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |


Mateus 25/08/2011

Grande parte dos alunos das escolas brasileiras não gostam de ler e não sentem nenhuma atração pelos livros. Na verdade não grande parte, mas a maioria. E por que isso ocorre? A resposta está nos livros nacionais que os professores os obrigam a ler. O que era pra ser um estímulo à leitura, acaba se tornando um empecilho para os jovens.

Felizmente consegui perder meu preconceito por livros brasileiros há algum tempo atrás, após ler livros nacionais que acabei gostando bastante. Com São Bernardo, porém, me voltou o desânimo em relação a tais livros. Uma leitura nem um pouco atrativa, extremamente egocêntrica e de história vazia. Aí está um ótimo exemplo de porque os jovens não gostam de ler. Sendo obrigados a ler algo assim, é impossível pegar gosto pela leitura.

São Bernardo é narrado por Paulo Honório, um homem que carrega a angústia no coração e resolve contar sua história. Vai desde sua juventude pobre, passando pela conquista da fazenda São Bernardo, até chegar à grande fazendeiro, tudo isso marcado por grandes dificuldades. Uma história direta e nada mais. Sua importância histórica é indiscutível, pois foi uma das obras mais importantes do modernismo. Mas de resto não tem nada a acrescentar.

O que há de pior em São Bernardo são os personagens secundários quase sem característica alguma. Como é Paulo Honório quem conta a história, tudo no livro gira apenas em torno de suas opiniões e pensamentos. Sua personalidade sem dúvida é fascinante, e duvido que exista nos livros brasileiros alguém igual. Mas os outros personagens, que surgem no desenrolar do livro como peças quase imóveis do cenário, deveriam ganhar mais espaço, pois só assim a leitura se tornaria interessante. Ou não.

E quanto a sua história, tudo parece conspirar para que seja extremamente monótona e fácil de abandonar. Li cada página pensando em parar, e apenas cheguei ao fim porque precisava terminar um trabalho sobre ele. Mas é claro que o livro tem toda uma filosofia por trás de sua narrativa, pois se não não seria um clássico. Porém li, entendi e posso dizer que não gostei. Graciliano Ramos jamais.
Ariadne 29/08/2011minha estante
Querido, Modernismo é meio barra mesmo... Mas confesso que um representante do Romantismo em Portugal me deixou traumatizada... Fuja de "Amor de Perdição"... rsrs


Mateus 01/09/2011minha estante
Se nem os livros Modernistas brasileiros eu aguento, imagina os portugueses? Pode deixar que fico longe deles. Hehe' ;)


Bruna Britti 11/09/2011minha estante
Acho que estímulo a leitura é deixar cada um ler o que quiser, o que infelizmente isso está longe de acontecer nas escolas. Por isso os brasileiros logo cedo pegam o desgosto pela leitura. Existem livros maravilhosos de escritores brasileiros da atualidade que, infelizmente, não ganham tanto destaque porque estamos sempre valorizando apenas os clássicos. Enfim, tive a mesma sensação que vc. Li porque precisei, pra fazer uma prova da faculdade, mas minha vontade foi parar a cada página, rsrs.


Milena Karla - Mika 23/03/2012minha estante
Também estou tendo que fazer um trabalho sobre Graciliano Ramos. Uma chatice devo admitir. Até hoje não li nenhum livro brasileiro que realmente me fascinou.


Mateus 18/04/2012minha estante
Como a Bruna disse, existem livros brasileiros incríveis de autores atuais, como Laurentino Gomes, Jô Soares, dentre outros, que seriam escolhas muito melhores para os alunos do que Graciliano Ramos e seus companheiros do século passado. É uma pena que apenas esses clássicos insuportáveis e massantes ganhem espaço nas escolas do país, tento tantos outros bons autores para mostrar.


Ana 02/06/2012minha estante
Não acho que a leitura de autores nacionais de outrora seja negativa. Certamente que o prestígio é merecido; São Bernardo é uma obra consagrada e merece respeito. Pode não ter sido, a meu ver, absolutamente fascinante, mas também não creio que seja motivo para desânimo. Graciliano Ramos não merece o preconceito que recebeu entre a juventude. Obviamente que deve se levar em consideração a época em que o livro foi escrito - os aspectos, já hoje não considerados inovadores, na época de publicação tiveram sua importância, até hoje reconhecida. A literatura do século passado tem seu valor. Uma pena que nem todos o reconheçam.


Milena Karla - Mika 15/06/2012minha estante
Concordo Mateus, sou louca para ler um Livro de Jô Soares. Soube que ele escreve muito bem. É realmente ruim ser obrigado a ler Livros tão chatos e monótonos.


Mateus 15/06/2012minha estante
Ana, eu reconheço o valor das obras do Graciliano Ramos, assim como falei em minha resenha. Já perdi meu preconceito com a literatura brasileira a um bom tempo, e comecei a ler São Bernardo com a mente totalmente limpa e sem pensar em pontos negativos. Mas como disse, não gostei nem um pouco. Isso parte da minha opinião sobre o livro, e não questionei em momento algum seu valor. Assim como eu disse, sei que foi uma obra importante para o modernismo, e uma das maiores obras do autor. Mas achei a história, o enredo e quase todos os personagens extremamente monótonos e cansativos. Seu valor cultural sem dúvida é inquestionável, mas não sou obrigado a gostar de um livro por este motivo.


Bruno Oliveira 08/01/2013minha estante
Acho esse debate muito legal porque vejo um problema real nele: as obras clássicas frequentemente são pesadas e difíceis de apreender sobretudo porque a educação geral das pessoas é medonha, por isso, são julgadas "chatas" ou qualquer bobagem assim, o que acaba fazendo com que as pessoas abandonem a leitura crendo que leitura se resume à isso. O ruim é que a escola é o espaço onde justamente o clássico deveria ser apresentado, onde as pessoas poderiam ser formadas com o que há de melhor na cultura de seu país, já que quando saírem não terão que ler esse tipo de obra e poderão ir, por exemplo, para literatura de massa que vocês citaram, Jô Soares, Paulo Coelho e qualquer coisa do tipo.

O ideal seria melhorar a educação das pessoas ao ponto que um clássico se torne uma coisa incrível independentemente de se gostar, achar chato ou qualquer avaliação subjetiva do tipo. Porém, dadas as condições brasileiras acho que isso não virá tão cedo. Particularmente, eu gostaria que quando jovem me tivessem apresentado outros clássicos os quais me motivariam mais a ler para que hoje, com mais cultura, eu pudesse voltar aqueles de difícil digestão, como Lima Barreto, São Bernardo e livros do tipo.


Caroline 09/05/2013minha estante
Mateus, penso exatamente da mesma forma que você. Brasileiro não gosta de ler porque é obrigado a ler livros chatíssimos e rebuscados quando ainda não tem maturidade pra isso. Lembro de ter sido obrigada a ler livros como Vidas Secas, São Bernardo, entre outros, quando muito nova na escola e aquilo vira sinônimo de obrigação das mais insuportáveis. Está na hora disso mudar, os clássicos nacionais devem ser inseridos no nosso dia a dia aos poucos, misturados com livros divertidos, de autores contemporâneos, livros de fantasia... Enfim, esperamos que isso mude, não é?! :)


Sergio 11/08/2013minha estante
Se vc pensa isso desse livro então se vc leu algum do Jose de Alencar vc queimou ele na primeira pagina né? Pq o cara tem o tedio e a monotonia em cada ponto, e no caso do dom casmurro , por exemplo q tem uma tematica parecida vc tentou o suicidio


Sergio 11/08/2013minha estante
Na escola me pediram pra ler um livro pra fazer trabalho pela primeira vez em 1986, tava na terceira serie, a professora pediu Vinda Com a Neve, é livro infantil, próprio pra alguem q tem 9 anos, depois ela foi pedindo os do Pedro Bloch, tudo livro infantil, como eu já lia quadrinhos foi tranquilo, agora na 8 serie a professora pediu pra ler Senhora, eu desejei q ela queimasse no inferno, e hj com 36 anos se vc falar em José de Alencar perto de mim vc esta tentando fazer um inimigo


Mizael 21/09/2013minha estante
Sinceramente não compartilho nem um pouquinho que seja de sua opinião. Primeiro, não acho nem um pouco chata e monótona a leitura de S. Bernardo nem muito menos Graciliano Ramos, ao que me parece é "chato e monótona' pra quem não entende o por que do livro ser feito dessa forma. Segundo, para Tuila Ziliotto, acho, sinceramente, que leituras como Graciliano divertem muito, e mais tem uma significação diferente a cada vez que leio. Não é à toa que tenho um cachorra chamada Baleia. Terceiro, me desculpe a sinceridade Matheus, você leu S. Bernardo obrigado, e diferindo do que você disse, VOCÊ NÃO ENTENDEU O LIVRO, vc o leu apenas pelo simples (des)prazer da obrigação, o que a meu ver, lhe bota uma venda nos olhos impedindo de ver o além-horizonte desse livro. Adoro esse livro, assim como Vidas Secas, sou fã de Graciliano e acredito que suas obras além de divertir bastante nos fazem pensar, são livros que não acabam quando acabam. Provocam, como li um dia desses, um êxtase literário, um ótimo indicador de um bom livro. PS. Nicholas Sparks é sim uma "literatura de papel higiênico".


Mateus 29/09/2013minha estante
Acho que o mais fascinante das pessoas é que cada uma possui uma opinião diferente, né Mizael? Achei bem legal tudo o que você disse em relação a São Bernardo, e é bem perceptível em suas palavras o quanto você gosta das obras do Graciliano Ramos. Mas minha opinião está expressa no que eu disse aí em cima, e nada mais. Achei chato mesmo, monótono e super cansativo, e ponto final. Ter lido obrigado para a escola pode ter contribuído para isso, mas já li outros livros na mesma situação, como Iracema e Memórias de um Sargento de Milícias, e que eu acabei gostando muito. Dizer que não entendi ou que não estava no momento certo para a leitura são só desculpas esfarrapadas para um livro que eu não gostei de verdade. Tenho um respeito enorme pelo Graciliano Ramos, e sei bem o quanto o autor contribuiu para enriquecer a literatura brasileira, mas infelizmente os livros dele não são do meu agrado e pronto. A Tuila disse certo aí embaixo, existem a "literatura de papel higiênico", que é a que todo mundo lê e é só para diversão (estilo Nicholas Sparks), e os livros clássicos, que são pra instruir, despertar nosso senso crítico. Com sinceridade, eu gosto muito de livros clássicos, mas se for pra ler algum, eu fico com os clássicos mundiais ou até mesmo com José de Alencar, que acho bem mais agradável e com uma narrativa mais bela do que o Graciliano. Pelo menos tenho a honra de ter lido e dado minha opinião, ao contrário de tanta gente que diz que odeia literatura brasileira mas não sabe quase nada a respeito. O importante é tentarmos diversificar nossas leituras, criar um senso crítico e respeitar a opinião de cada um como estamos fazendo.


Muan Murt 07/10/2013minha estante
E um livro não monótono para você é exatamente o que? Dragões cuspindo jetskis em anões assassinos de golfinhos? Ou as trapalhadas do "50 tons de cinza"? Ou as terríveis aventuras de "Eu Sou o Numero Quatro"? São Bernardo traz consigo dezenas de criticas sociais e analises possíveis que provavelmente você não captou. Impossível uma obra como essa ser considerada monótona. Sua opinião é superficial e não me instiga nem um pouco.


Arsenio Meira 14/01/2014minha estante
Olá Mateus,
Respeito sua opinião (é, aliás, a obrigação de todos respeitar o pensamento divergente); porém não concordo com sua análise. "São Bernardo", de fato, requer um pouco de maturidade, e essa maturidade pode ser trabalhada com o pessoal mais novo. É um romance pleno. Um joia rara. O fato de o Narrador centrar suas opiniões não justifica o vazio do enredo; Paulo Honório exteriorizou as suas reflexões; a partir delas, as denúncias sociais são explicitamente grafadas pelo gênio do escritor alagoano. Até mesmo Graciliano, que escreveu o romance em 1934 (!!) entendeu o absurdo que é, quando um ser humano tenta anular o outro. Naquela época a coisa mais comum entre as gentes, era subjugar a mulher. Quando o homem, fosse da cidade ou do campo, pisava nas mulheres, ficava tudo por isso mesmo. Fosse em São Paulo, no Rio ou no sertão de Pernambuco. Até nisso, é um livro pioneiro. Pouca gente no Braisl olhava para tal questão. Outro ponto: o livro foi escrito em plena ditadura Vargas, e mostra como a ambição é capaz de matar um ser humano. É um petardo contra o próprio Getúlio, que de político bonachão, passou a torturar, prender e matar quem estivesse pelo meio do caminho. A garotada precisa conhecer isso, e também, como nem tudo são cinzas, a face iluminada da personagem Madalena. E, por fim, Graciliano escrevia em dois parágrafos o que muita gente graúda por aí não consegue escrever em 5 páginas. E isso, definitivamente, não é para qualquer um. Mas o seu ponto de vista, assim como o de outros que concordaram, precisa ser preservado ao máximo, de modo que a minha discordância é meramente isso: uma questão, cujo meu ponto de vista é diferente do seu. E nada mais. Nem eu sou mais inteligente que você e vice-versa. O importante é o diálogo. Abraços.


Júlia da Mata 13/02/2014minha estante
Gostei bastante da sua resenha, mantendo a sua opinião sem se importar se as pessoas não concordam. Concordo contigo quando diz sobre os jovens brasileiros não lerem por conta da maneira que os professores nos obrigam a ler livros chatos. Até hoje, mesmo sendo uma leitora avida, sofro com isso, mas sobre o que diz sobre o livro, vou me abster até ter lido o livro e ter uma opinião própria.

Além disso, parabéns pela boa resenha.


Thiago Ernesto 07/03/2014minha estante
Mateus, devo discordar da sua análise. São Bernardo é escrito de acordo com a visão de Paulo Honório, de modo que a falta de descrição dos personagens seja uma marca de seu egocentrismo. Creio que este romance é ainda melhor que Vidas Secas também de Graciliano. Graciliano Ramos escreve com um pessimismo em relação aos humanos e é um mestre nas palavras. Na minha humilde opinião, logo após Machado, excluindo a genialidade de Guimarães Rosa com seu neologismo, é o escritor que mais bem domina nossa língua e sabe construir uma história. Graciliano sempre!


Ed Ribeiro 03/03/2015minha estante
São Bernardo é top! O que tu gosta de ler Mateus?


Ana 20/07/2015minha estante
Pouco atrativo para a juventude brasileira? Com certeza. Chato? Talvez. Agora, HISTÓRIA VAZIA? JAMAAAAAIS!!!


Rê Lamounier 23/11/2015minha estante
Engraçado que eu sempre fui uma leitora voraz, aprendi a ler pouco antes dos 4 anos, antes mesmo de ir para escola, de pura curiosidade - minha mãe era professora e eu ficava o tempo todo prestando atenção quando ela estava preparando aula.
E desde os 11 anos, quando li Memórias Póstumas de Brás Cubas com acompanhamento de uma tia que era professora de português, tenho profundo carinho pela literatura clássica brasileira.
Estou relendo S. Bernardo agora e me surgem novos questionamentos acerca da reitificação, da maneira genial como o livro é todo estruturado na divisão do trabalho, na maneira como foi escrito na língua coloquial sem que isso comprometesse a qualidade literária.
Tenho muita dificuldade em ler são esses livros escritos em massa, que até bastante gente gosta. Escritores como "Nicholas Sparks", "John Green", "Stephanie Meyer", "Dan Brown" não me descem com facilidade, principalmente quando tento ler um segundo livro deles e vejo que é praticamente igual na estrutura ao anterior.
Às vezes noto muita gente com dificuldade de sair da zona de conforto, taxam um livro como ruim ou enfadonho porque o mesmo possui palavras que não conhecem ou porque têm informações que precisam ser digeridas, analisadas, repensadas. Sempre gostei daquilo que me fazia procurar o dicionário, me gerava perguntas e até uma certa dificuldade, misturando lazer e conhecimento.
Não gosto de livros "Sessão da Tarde", mas claro, isso é uma questão pessoal.


mpin 27/08/2017minha estante
Verdade. A forma como literatura é ensinada no Brasil ainda é muuuuuuito canônica. Li esse livro na faculdade, também. Não me marcou pelos motivos que você cita. Hoje em dia a faculdade mudou bastante a forma de se ensinar literatura, mas essa abordagem canônica ainda resiste. Eu sou formado em Letras, mas só me reconciliei com a literatura depois de velho, escolhendo minhas próprias leituras, sem preconceitos. Vou da literatura mais pop à de mais alto nível. Mas os professores insistem em se refugiar apenas nos clássicos e se sentem inseguros de abordar com mais seriedade os aspectos técnicos que fazem uma história funcionar desse ou daquele jeito. Pena.


Maleno Maia 06/12/2017minha estante
Devido a sua resenha negativa vou correr para ler avidamente, pois eu adoro clássicos brasileiros. Já li muitos e todas as escolas literárias. Nunca tive problemas com clássicos; aliás, sempre me instigaram e dou graças a Deus que a escola me os ofereceu (eu não via como obrigação) e assim aumentei minha paixão por eles. Meu gosto pelos livros nacionais foi por conta da escola. Como sou grato a ela.


Jeze 13/12/2018minha estante
Discordo de sua opinião.


Caio 25/12/2018minha estante
Discordo. Para mim a literatura brasileira é ótima, no meu caso, sempre tive dificuldade em Machade de Assis mas APRENDI a ler e agora entendo a sua mensagem. O problema tbm é que as pessoas só querem ler coisas fáceis, simples de acordo com ela sabe, dificil as pessoas pegar um livro dificil pq tem preguiça ou nao tem vontade de aprender algo mais dificil e novo. Eça de Queirós outro exemplo de leitura realista detalhista, alguns não gostam pela linguagem, estilo mas adoro e já li 3 livros dele. Eu gosto e prefiro livros dificeis e que tenha muitas citações.


Caio 25/12/2018minha estante
Graciliano é um grande representante e gosto muito li tres livros dele (Vidas Secas terminando), Caetes e São Bernardo e falo para vc: Vlw mt a pena.


Elomar 27/05/2019minha estante
É por causa de pessoas como essa que as embalagens de xampu vem com manual de uso, pois se não elas são capazes de ingerir o conteúdo do frasco.


Laura 16/07/2019minha estante
eu gosto muito da literatura brasileira mas graciliano ramos é um caso a parte, um absurdo de chato...




Bruna 25/04/2011

Enxuto, cru e brutal. É o que resume São Bernardo, um romance rápido e forte, rígido.

Paulo Honório escreve sobre sua vida de maneira seca, quase que indiferente, sem se prender a detalhes e descrições. Entretanto, em alguns momentos, ele nos surpreende com digressões e desequilíbrios. Nem dá pra dizer qual das duas posturas do narrador é a melhor.

E o final, bem... é espetacular.

Leiam.
Pedro Luiz Viegas 08/05/2011minha estante
Fiquei com vontade de reler.




Lara 24/09/2011

S. Bernardo - Graciliano Ramos
Escassez de adjetivos, profusão de verbos e sujeitos. Característica marcante de Graciliano Ramos, o relato direto constitui a narrativa de Paulo Honório, dono da fazenda S. Bernardo. Terminei de ler o livro sensibilizada com Honório, na minha visão e interpretação, as atitudes que ele tomou com as pessoas ao seu redor e para alcançar suas metas foram reflexo de ter sido uma vítima da vida.
Sartre dizia que não importa o que a vida fez de você mas o que você fez do que a vida fez de você. As ações de Honório a partir das circunstancias às quais a vida lhe submeteu só o deixaram mais embrutecido e acabaram, no final, desgostando ele próprio.
Madalena, a mulher com quem se casa, na minha opnião, é a voz de Graciliano falado mais alto, é o fator humanizador. Ela se revolta contra as atitudes dele para com seus empregados e acaba por imprimir na alma bruta de Honório certo sentimento. Os personagens secundários também são muito interessantes, Padilha, que perde S. Bernardo, o fiel Casimiro Lopes, tubarão a ladrar e até mesmo as corujas da torre da igreja. Eu gostei muito do livro e recomendo.
comentários(0)comente



Ana 29/09/2011

A despeito do que eu imaginava, tratar do nordeste não necessariamente implica no uso exacerbado do tema seca e de suas consequências. Nesse livro, vemos não um solo seco, mas sim uma vida seca. E enquanto no livro do mesmo autor, "Vidas Secas", o foco está no explorado, em "São Bernardo" está no explorador. E nesse caso, trata-se de Paulo Honório, homem deveras bruto, que no começo da vida desejava as terras do Sr. Mendonça e, quando obteve estas - por meios justos ou não -, começou sua vida de patrão. E por conseguinte sua escória.

Tive, em alguns momentos, a impressão de que Paulo ostentava a vida simples de seus empregados (principalmente Casimiro Lopes, sujeito chucro e desprendido), e de que a todo tempo tratava de seus acontecimentos com desdém e não expunha suas condições emocionais como de fato elas eram. Nesse âmbito é que achei a narrativa em 1ª pessoa de suma importância, agravando o temperamento da personagem.

E no final, Paulo Honório externa suas angústias de forma única, despejando tudo aquilo que não havia dito antes. Isso me causou grande empatia.

Tirando as partes maçantes (como os momentos políticos, por exemplo), achei a narrativa excelente.

Observação inútil: Fiz um paralelo entre Honório e Julius (do seriado "Todo mundo odeia o Chris")... Tornou a conduta sovina mais descontraída!
Bruno Oliveira 09/01/2013minha estante
Essa coisa dele não expressar muita consciência, muito sentimento no correr do livro é atormentador. Minha mãe detesta o Graciliano, ela diz que nele os personagens são de plástico, não são gente, haha.


Rosa Santana 24/03/2017minha estante
Acho Paulo Honório um dos grandes personagens dá literatura. Nele, a inconsciência capitalista do ter, acumular, comprar está sempre em primeiro lugar!
Mas o final é, na verdade, a materialização da ideologia do seu criador, GR, um comunista assumido, inclusive preso na ditadura Vargas: O personagem central, aquele que conta sua própria história, se desmorona e vai perdendo tudo o que acumulara com tamanho sacrifício, a propriedade: inclusive a esposa, até então vista apenas como um dos seus "bens"!
Amo Graciliano! Amo Paulo Honório e Sinhá Vitória!




Adriano 05/12/2013

Quando você chega no topo, não encontra nada lá em cima!
São Bernardo narra a vida e ascensão social de Paulo Honório, que foi guia de cego na infância e tornou-se um latifundiário de Alagoas. Depois de alcançar seu objetivo, ele se propõe a escrever um livro, procurando uma justificativa para o desmoronamento da sua vida, do seu fracassado casamento e da distância que separa ele e seu filho.

A confissão do narrador faz com que percebamos que para alcançar sua ascensão ele destrói seu caráter e perde a sua humanidade, tornando-se áspero, mesquinho e rude, fruto da corrente científica do Determinismo.
"Princípio segundo o qual tudo no universo, até mesmo a vontade humana, está submetido a leis necessárias e imutáveis, de tal forma que o comportamento humano está totalmente predeterminado pela natureza, e o sentimento de liberdade não passa de uma ilusão subjetiva". Fonte: Infoescola.
Paulo Honório é o típico capitalista, fazendeiro, ambicioso e que faz tudo para conseguir o que deseja. Ele representa uma força que transcende limites e em função da qual vive: o sentimento de propriedade. Já as pessoas que o rodeiam são apenas frágeis, distantes e nada mais do que objetos, peças que devem estar a disposição do narrador.

Paulo Honório é muito esperto, isso é inquestionável. Ele molda as relações, os negócios e o diálogo de modo a favorecê-lo sempre, ou seja, ele não aceita as derrotas facilmente.
O próximo lhe interessa na medida em que está ligado aos seus negócios e interesses. Até as pessoas a quem desenvolve gratidão e amor são taxadas como objetos e suas relações são quantificadas.

Segundo alguns críticos, São Bernardo nos mostra como a escrita de Graciliano é enxuta, curta, direta e bruta. Essa característica é adotada pelo narrador quando se amesquinha até nas palavras que usa:
"É o processo que adoto: extraio dos acontecimentos algumas parcelas; o resto é bagaço."

Sobre a vida afetiva, percebemos que ela não é intensa e sempre permanece em segundo plano. Paulo não se vê um homem capaz de ser amado. Casa-se por conveniência e passa a descobrir na mulher, Madalena, tudo que ele não é: carinhoso, caridoso, humanitário. Esse conflito entre seres tão diferentes é explorado de forma magistral!

De modo geral, a leitura de São Bernardo é monótona por se tratar de uma confissão, porém nos faz pensar e repensar nossas atitudes em relação ao amor versus dinheiro.

Gostei demais da leitura desse livro e recomendo para aqueles que gostaram de Dom Casmurro (eles são parecidos no modo de contar a estória)!

site: http://geracaoleiturapontocom.blogspot.com.br/2013/11/resenha-sao-bernardo-graciliano-ramos.html
Gu 08/12/2013minha estante
Fiquei encantado com a narrativa do Graciliano nesse livro e como a trama foi construída!
Quero ler!
Abraço, meu amigo


Juraski 25/06/2016minha estante
Cara, graças ao teu comentário, vou reler...




Francelle 24/01/2017

Melhor maneira de conhecer Graciliano Ramos, com certeza.
Essa foi a primeira obra do Graciliano Ramos que eu li. Portanto, não conhecia nada sobre o estilo da escrita do autor, e só sabia, a respeito dele, que era o autor de Vidas Secas.
Mesmo que São Bernardo não tenha tanta fama quanto Vidas Secas, é um livro tão maravilhoso e escrito com tamanha qualidade, que já me motivou a ler mais do Graciliano.
A história de Paulo Honório e de sua obsessão em possuir tudo e todos ao seu redor nos é contada pelo próprio Paulo, em uma tentativa de se entreter ao escrever um livro sobre sua vida. Ele não tenta, a princípio, nos dar lições de moral. O que encanta na escrita é justamente isso: ele não é um personagem 100% mal e também não é nem um pouco santo, e nos transmite sua forma de pensar e justificativas para suas ações de forma direta, sem pedir desculpas. Conhecemos a fazenda de São Bernardo pelos olhos de seu dono e adorador, e conhecemos um pouquinho de cada personagem que cruza a vida de Paulo, pela ótica dele e sob a teia de seus preconceitos e sentimentos em relação às pessoas. A lição de moral nos é dada no desenrolar da narrativa e pelo rumo que a vida de Paulo Honório vai tomando.
Em certo momento, nos damos conta de que existem muitos Paulos espalhados por aí, preocupados apenas com cifras e posses, esquecendo-se da humanidade e da sensibilidade enquanto acumulando valores desenfreadamente. E podemos perceber, ainda, o quanto alguns temas bem atuais permeiam a história, tais como: as consequências do modo de vida capitalista quando este é levado ao extremo, o machismo (que observamos na relação de Paulo com Madalena) e a valorização do ter em detrimento do ser de cada um. Temas estes abordados com uma grande sensibilidade do autor (em contraste com a brutalidade de pensamentos do personagem principal).
Tive uma certa dificuldade em me acostumar com a escrita por causa de algumas palavras que não costumamos utilizar em pleno 2017, mas com a ajudinha de um dicionário, esse problema foi facilmente superado e a narrativa fluiu de forma tranquila na maior parte do tempo.

Aliás, recomendo demais essa edição da Record: o texto inicial é uma ótima introdução à obra de Graciliano, mesmo tendo menos de uma página; já o texto de apoio escrito por João Luiz Lafetá é esclarecedor e auxilia demais na compreensão do lado psicológico do personagem Paulo Honório, explicitando também a forma de escrita utilizada pelo autor no desenvolvimento de São Bernardo.
Marcos.Azeredo 13/02/2017minha estante
O escritor brasileiro que mais gosto. Seu estilo lembra um pouco Dostoiéviski, sendo sua escrita bem enxuta, seca, árida como é o sertão de suas vidas secas. São Bernardo é o romance de Graciliano Ramos que mais gosto. Não li Memórias do Cárcere, seu relato na prisão.


Rosa Santana 01/04/2017minha estante
Tenho Paulo Honório como um excelente personagem, no plano técnico/ideológico, pensando na luta contra o capitalismo que empreendeu seu autor, GR! Ver o gigantesco dono da fazenda, dos trabalhadores, da mulher e do filho se desmoronar, penso, foi o sonho do seu criador.
Amo esse livro!
Amo Graciliano!
Amo Paulo Honório!
(Ótima sua resenha!)




Natalie 15/09/2017

É deveras difícil falar sobre um livro excelente. Quando ele nos toca a alma. Descrições do ambiente, não há. Do físico dos personagens, só remotamente. Mas em Graciliano isso não é defeito, é mérito. A densidade psicológica é a maior que já tive contato em obra escrita em língua portuguesa. Imergimos juntos com Paulo Honório na dor resultante da desconfiança.

O projeto de escrever um livro é calculado pelo narrador. Aliás, tudo na vida dele é fruto do muito pensar. As adversidades externas foram vencidas a todo custo, por meios lícitos ou não. No entanto, essa força para mudar o mundo o torna "inimigo' das outras pessoas, na medida em que passa a suspeitar de todos. Ascender a proprietário de terras quando veio do mais baixo nível foi um fato não superado pelo protagonista, que precisava reafirmar sua autoridade a todo o momento.

São Bernardo também trata de adultério, talvez apenas imaginado, de suicídio, este comprovado. Mais do que isso, da falta de comunicação, do orgulho. Da tristeza, solidão. A aridez aparente de Paulo Honório é quebrada pelo fantasma de Madalena e do que poderia ter sido e não foi. Ele escreve para si, na tentativa de entender ou, no mínimo, justificar o passado e a desesperança para o futuro.
Salomão N. 15/09/2017minha estante
Livro do Desassossego.


Cy 15/09/2017minha estante
Viva, Graciliano! *corações eternos*


pc 15/09/2017minha estante
A dócil? :(


Wagner 15/09/2017minha estante
Simplesmente brilhante, parabéns ancestral Natalie.


Andrade 15/09/2017minha estante
Resenha ótima!! Parabéns!


Wagner 16/09/2017minha estante
... simplesmente brilhante, parabéns!


Thiago 27/09/2017minha estante
Dividimos a mesma devoção a esse grande escritor.




Elaine 19/06/2013

Um homem de alma agreste
Esse talvez foi um dos livros mais sinceros que já li. Isto porque o protagonista e narrador, Paulo Honório, desfia sua vida de modo direto e duro, sem se ater a descrições minuciosas. São digressões de um homem forçado a escrever, para quem sabe entender-se.

Depois de tentar construir o livro com uma divisão de trabalho entre ele e seus amigos, o que não traz resultados satisfatórios, Paulo Honório ouve o pio de uma coruja e decide recomeçar a escrita, levado por uma força quase mística.

"Tenciono contar a minha história. Difícil. Talvez deixe de mencionar particularidades úteis, que me pareçam acessórias e dispensáveis.(...) De resto isto vai se arranjando sem nenhuma ordem, como se vê."

(pág. 11 e 12)

Assim, Paulo Honório nos conta sua vida. Ele teve uma infância e adolescência difícil, trabalhando no eito. Seu único desejo era se apossar da fazenda S. Bernardo, o que conseguiu à base de algumas trapaças. Até certa parte do livro, ele narra como conseguiu a fazenda, sua luta para cultivar as terras e as discussões políticas da época.

Os personagens secundários aparecem constantemente, mas não têm uma grande importância. A história gira em torno de Paulo Honório, de S. Bernardo e dos pensamentos do protagonista. E, como ele próprio explica, há fatos suprimidos, pois Paulo escreve o que acha interessante.

Na outra parte do livro, conhecemos mais a fundo sua rotina familiar. Paulo casa-se com Madalena, uma professora, com o intuito de formar uma família. Ela, uma mulher inteligente, logo vê as injustiças sofridas pelos empregados da fazenda. Quando Madalena tenta mudar a situação, seu marido não entende. Ele não aceita mudanças, seu meio sempre foi aquele: o patrão sempre pôde tudo. Sua rudeza foi causada pelo ambiente.

Tudo piora ainda mais quando Paulo Honório começa a desconfiar que Madalena o trai. A dúvida (imaginária) passa a atormentar a ambos e as pessoas que os rodeiam. Nesse período nasce seu filho, por quem ele não sente absolutamente nada.

Paulo Honório afasta todos e termina sozinho, o pio da coruja a acompanhá-lo. O retrato que traça de si é triste. A ironia é que ele, que sempre achou os livros desnecessários, escreve para poder acabar com a solidão dos 50 anos. E quando revê sua existência e todos os seus erros, percebe que só restou um vazio.

"O que estou é velho. (...) Cinquenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado é que endureci, calejei, e não é um arranhão que penetra esta casca espessa e vem ferir cá dentro a sensibilidade embotada."

(pág. 216)

Arsenio Meira 02/05/2014minha estante
Perfeito Elaine. A compreensão do romance do mestre Graciliano, que se vivo fosse, exultaria (mesmo que de modo contido), com a percepção tão aguda e sensível de uma jovem e sagaz leitora.
Parabéns!




Lilith 09/07/2009

Aprendi a gostar de Graciliano Ramos através desse livro.
Narrado em primeira pessoa, é curto direto e bruto.
Paulo Honório, homem dotado de vontade férrea da ambição de se tornar fazendeiro, depois de atingir seu objetivo, propõe-se a escrever um livro, contando sua vida, de guia de cego a senhor da Fazenda São Bernardo.
Muito bom.
comentários(0)comente



Juni 06/09/2010

Ganância, amor à terra e ciúmes...
Todos esse sentimentos levaram Paulo Honório a ficar como ficou.
Cuidado, pode conter algum spoiler nessa minha resenhinha.

------
Um homem que fez de tudo para conseguir ter o que teve e no final das contas terminar praticamente como começou, não era esperado.
Paulo Honório usou de todos os artifícios para conseguir as terras de S. Bernardo, se tornar influente e ainda se casar com uma mulher que desejava para mãe de seus filhos. E não bastante, também usou muitos artifícios para terminar por ficar apenas com as terras de S. Bernardo. Perdendo toda a sua influência conquistada ao longo de anos e até participar do suicídio de sua Madalena.

Eu li S. Bernardo por estar na lista do vestibular da UESPI, e comecei por ele por ter gostado muito de Vidas Secas e saber que Graciliano Ramos escreve para nós, o público em geral, e não apenas para os "imortais".
Confesso que não pude evitar de achar certas, e muitas, semelhanças entre Paulo Honório e Bentinho, de Dom Casmurro.
O ciúmes e as dúvidas de ambos protagonistas são deveras iguais, em meu ponto de vista. Bentinho plantou a dúvida em nossas cabeças e até hoje não sabemos se a mulher de olhos de ressaca era mesmo adúltera. Já Paulo Honório tinha dúvidas infundadas e era realmente tomado pela loucura do ciúmes. Eu não creio que Madalena o traía.


Bom, eu tinha que dizer o que achei da obra e mesmo sendo péssimas em resenhas eu tinha que fazê-la.
comentários(0)comente

Bruna 26/09/2010minha estante
Você não é péssima em resenhas não. :)




Dalva Sales 18/08/2012

Paulo Honório; sem família, quase sem memórias de infância, trabalhou desde novo em serviços pesados por pouco dinheiro, aprendeu a ler na prisão, e se põe a escrever para recordar a vida. São Bernardo é um Romance que fala sobre o homem do nordeste, das transformações da vida que pesada que lhe pesara na velhice. Fala da escrita, do conhecimento, da revolução, da ignorância e consciência, dos ciumes, das neuras... do arrependimento ocultado pelas barreiras grossas da pele calejada, da impossibilidade de refazer o passado.


Em nota particular sobre o livro comento que foi por obrigação que comecei a lê-lo e é com a mão da vergonha que cubro o passado e digo. O livro é muito bom, e Graciliano Ramos é um dos maiores escritores modernistas deste país. Super indicado.

=*
Gabriel George 19/09/2012minha estante
Sei como se sente. Me arrependi até o último fio de cabelo de criticar a literatura brasileira antes de ler "S. Bernardo", o qual li "por obrigação", pois haveria uma prova sobre o livro onde eu estudo. (:




Fabio Michelete 22/09/2011

Lógica da Experiência vs Livros
Me chamou a atenção o choque entre os aprendizados rudes e crus que a vida trouxe à personagem principal (Paulo Honório), e a arrogância (talvez apenas suposta por ele) das pessoas que trouxe para seu convívio e que tinham mais estudo do que ele.

Ao fugir de seu mundo prático, em que a sobrevivência é garantida pela garra e pelo trabalho - mesmo pela violência ao garantir posições - a personagem principal sofre por não ter elementos para transitar neste mundo novo, de palavras empoladas, politicas, letras. Assim, faz afundar seus relacionamentos em ciúmes e dúvidas, vitimando a esposa,a família e empregados mais estudados.

Tenho visto algo semelhante quando comparo as experiências de vida de pessoas realmente boas com as quais tenho sorte de conviver - e a arrogância daqueles que defendem posições políticas - em especial de esquerda, sem nunca ter conhecido nada além de sua vida de condomínio fechado e escolas particulares.
Bruno Oliveira 08/01/2013minha estante
Interessante, pois eu passei pelo mesmo percurso que você em termos de pensamento, mas lembrei do pessoal mais conservador.

Fiquei pensando no Paulo Honório e como encontro pessoas que pensam como ele de algum modo, sendo antiintelectuais, valorizando imensamente suas próprias biografias e se vendo como alguém apartado dos outros por ter conseguido mais dinheiro e inteligência na vida.


Fabio Michelete 08/01/2013minha estante
É mesmo Bruno. Pra qualquer lado dá pra exagerar, e é meio inevitável a gente tentar defender nossas fortalezas. É sempre a ação do ser humano buscando espaço entre seus pares.




Ícone 08/08/2013

[2º RESENHA] São Bernardo - Graciliano Ramos
Afinal, o que torna um livro clássico?
Uma das maiores regras para definir um clássico é ele ser atemporal, importante historicamente, ter linguagem não usada mais e pelo visto ser meio arrastado e ás vezes CHATO de ler. Foram essas as impressões que Graciliano me deu ao ler S. Bernardo.

As palavras diferentes de qualquer livro atual foi a primeira coisa que senti pesar um pouco a leitura, mas nada impossível de continuar. Aos poucos me acostumei.

Paulo Honório, personagem principal e narrador do livro, quer escrever a história de sua vida. No começo pede ajuda a uns colegas, mas depois de ler o que eles escreveram decide fazer sozinho, já que seus colegas usaram, segundo ele, uma linguagem formal de mais. O início apresentando sua infância e juventude é rápido, mas já começamos a ter uma visão mais suja do personagem, que não é bonzinho nem nada. E isso piora ao decorrer do livro, o que foi bom, porque ter sempre o principal bonzinho é bad.

Gostei do jeito manipulador e rude do personagem, mostrado nas partes em que ele compra as terras de São Bernardo, usando golpes sujos e até assassinato para expandir a terra. O cara não mede esforços e só vê as pessoas como objeto para que seu trabalho seja bem sucedido. Mas parou por ai. A metade do livro começa a ficar lenta e arrastada, envolvendo política e ficando chata.

Ele conhece Madalena, uma professora muito boazinha. Convence ela de casar-se com ele e vivem suas vidas. Só que começa o conflito do "ter" (Paulo Honório) e do "ser" (Madalena). Sua esposa se importa com as pessoas, é caridosa e boa, já Paulo não. É rude e antiético com seus funcionários, o que leva os dois a discutirem muito, fora que surge ciúmes da parte dele quando vê sua esposa se importando com outros. E nem tendo um filho com ela ajuda nas discussões. Para piorar, ele não gosta da criança.

O motivo trágico do porquê Paulo decide escrever sua história é contado no final do livro, o que pra mim foi uma reviravolta. Não esperava por isso. Curti o final.

Se não fosse pelo lado político, lento e por ter personagens secundários quase rasos, daria mais estrelas. Deixando claro que reconheço a importância que esse clássico tem na literatura brasileira, mas não é toda essa maravilha que falam por ai.
comentários(0)comente



Cy 08/09/2018

Que livrão da P****!
Eu li em algum lugar que 'Vidas Secas' fala sobre as misérias do homem que sai (ou tenta sair) do sertão, enquanto 'S. Bernardo' é sobre as misérias de quem fica. Achei uma observação perfeita.

Pra ser bem sincera, não sei bem o que dizer depois de uma leitura dessas... Só achei que era minha obrigação moral obrigar todo mundo a ler. rsss. O livro traz tudo o que eu mais amo no autor (embora eu só tivesse lido Vidas Secas - umas 20 vezes - até hoje). Críticas sociais, a escrita árida do Graciliano, mas ao mesmo tempo extremamente bela e poética, personagens gente da gente... e, sobretudo, a solidão da alma humana.

Livrão!
comentários(0)comente



Liliane França 08/07/2019

O tom bruto que sempre me interessou na escrita de Graciliano Ramos não se ausenta nessa obra. Paulo Honório é um homem prático, direto, objetivo, controlador e que pouco explora seu lado humano, não há tempo para futilidades da alma. Conquista a fazenda São Bernardo, convence Madalena a casar-se com ele.O que vem depois das vitórias são acidentes de percurso, servem para mostrar ao grande homem de negócios que a vida não segue um plano predeterminado e ele não tem controle total sobre os rumos de seus empreendimentos. Bom livro.
comentários(0)comente



108 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |