São Bernardo

São Bernardo Graciliano Ramos




Resenhas - São Bernardo


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Mateus 25/08/2011

Grande parte dos alunos das escolas brasileiras não gostam de ler e não sentem nenhuma atração pelos livros. Na verdade não grande parte, mas a maioria. E por que isso ocorre? A resposta está nos livros nacionais que os professores os obrigam a ler. O que era pra ser um estímulo à leitura, acaba se tornando um empecilho para os jovens.

Felizmente consegui perder meu preconceito por livros brasileiros há algum tempo atrás, após ler livros nacionais que acabei gostando bastante. Com São Bernardo, porém, me voltou o desânimo em relação a tais livros. Uma leitura nem um pouco atrativa, extremamente egocêntrica e de história vazia. Aí está um ótimo exemplo de porque os jovens não gostam de ler. Sendo obrigados a ler algo assim, é impossível pegar gosto pela leitura.

São Bernardo é narrado por Paulo Honório, um homem que carrega a angústia no coração e resolve contar sua história. Vai desde sua juventude pobre, passando pela conquista da fazenda São Bernardo, até chegar à grande fazendeiro, tudo isso marcado por grandes dificuldades. Uma história direta e nada mais. Sua importância histórica é indiscutível, pois foi uma das obras mais importantes do modernismo. Mas de resto não tem nada a acrescentar.

O que há de pior em São Bernardo são os personagens secundários quase sem característica alguma. Como é Paulo Honório quem conta a história, tudo no livro gira apenas em torno de suas opiniões e pensamentos. Sua personalidade sem dúvida é fascinante, e duvido que exista nos livros brasileiros alguém igual. Mas os outros personagens, que surgem no desenrolar do livro como peças quase imóveis do cenário, deveriam ganhar mais espaço, pois só assim a leitura se tornaria interessante. Ou não.

E quanto a sua história, tudo parece conspirar para que seja extremamente monótona e fácil de abandonar. Li cada página pensando em parar, e apenas cheguei ao fim porque precisava terminar um trabalho sobre ele. Mas é claro que o livro tem toda uma filosofia por trás de sua narrativa, pois se não não seria um clássico. Porém li, entendi e posso dizer que não gostei. Graciliano Ramos jamais.
Ariadne 29/08/2011minha estante
Querido, Modernismo é meio barra mesmo... Mas confesso que um representante do Romantismo em Portugal me deixou traumatizada... Fuja de "Amor de Perdição"... rsrs


Mateus 01/09/2011minha estante
Se nem os livros Modernistas brasileiros eu aguento, imagina os portugueses? Pode deixar que fico longe deles. Hehe' ;)


Bruna Britti 11/09/2011minha estante
Acho que estímulo a leitura é deixar cada um ler o que quiser, o que infelizmente isso está longe de acontecer nas escolas. Por isso os brasileiros logo cedo pegam o desgosto pela leitura. Existem livros maravilhosos de escritores brasileiros da atualidade que, infelizmente, não ganham tanto destaque porque estamos sempre valorizando apenas os clássicos. Enfim, tive a mesma sensação que vc. Li porque precisei, pra fazer uma prova da faculdade, mas minha vontade foi parar a cada página, rsrs.


Milena Karla - Mika 23/03/2012minha estante
Também estou tendo que fazer um trabalho sobre Graciliano Ramos. Uma chatice devo admitir. Até hoje não li nenhum livro brasileiro que realmente me fascinou.


Mateus 18/04/2012minha estante
Como a Bruna disse, existem livros brasileiros incríveis de autores atuais, como Laurentino Gomes, Jô Soares, dentre outros, que seriam escolhas muito melhores para os alunos do que Graciliano Ramos e seus companheiros do século passado. É uma pena que apenas esses clássicos insuportáveis e massantes ganhem espaço nas escolas do país, tento tantos outros bons autores para mostrar.


Ana 02/06/2012minha estante
Não acho que a leitura de autores nacionais de outrora seja negativa. Certamente que o prestígio é merecido; São Bernardo é uma obra consagrada e merece respeito. Pode não ter sido, a meu ver, absolutamente fascinante, mas também não creio que seja motivo para desânimo. Graciliano Ramos não merece o preconceito que recebeu entre a juventude. Obviamente que deve se levar em consideração a época em que o livro foi escrito - os aspectos, já hoje não considerados inovadores, na época de publicação tiveram sua importância, até hoje reconhecida. A literatura do século passado tem seu valor. Uma pena que nem todos o reconheçam.


Milena Karla - Mika 15/06/2012minha estante
Concordo Mateus, sou louca para ler um Livro de Jô Soares. Soube que ele escreve muito bem. É realmente ruim ser obrigado a ler Livros tão chatos e monótonos.


Mateus 15/06/2012minha estante
Ana, eu reconheço o valor das obras do Graciliano Ramos, assim como falei em minha resenha. Já perdi meu preconceito com a literatura brasileira a um bom tempo, e comecei a ler São Bernardo com a mente totalmente limpa e sem pensar em pontos negativos. Mas como disse, não gostei nem um pouco. Isso parte da minha opinião sobre o livro, e não questionei em momento algum seu valor. Assim como eu disse, sei que foi uma obra importante para o modernismo, e uma das maiores obras do autor. Mas achei a história, o enredo e quase todos os personagens extremamente monótonos e cansativos. Seu valor cultural sem dúvida é inquestionável, mas não sou obrigado a gostar de um livro por este motivo.


Bruno Oliveira 08/01/2013minha estante
Acho esse debate muito legal porque vejo um problema real nele: as obras clássicas frequentemente são pesadas e difíceis de apreender sobretudo porque a educação geral das pessoas é medonha, por isso, são julgadas "chatas" ou qualquer bobagem assim, o que acaba fazendo com que as pessoas abandonem a leitura crendo que leitura se resume à isso. O ruim é que a escola é o espaço onde justamente o clássico deveria ser apresentado, onde as pessoas poderiam ser formadas com o que há de melhor na cultura de seu país, já que quando saírem não terão que ler esse tipo de obra e poderão ir, por exemplo, para literatura de massa que vocês citaram, Jô Soares, Paulo Coelho e qualquer coisa do tipo.

O ideal seria melhorar a educação das pessoas ao ponto que um clássico se torne uma coisa incrível independentemente de se gostar, achar chato ou qualquer avaliação subjetiva do tipo. Porém, dadas as condições brasileiras acho que isso não virá tão cedo. Particularmente, eu gostaria que quando jovem me tivessem apresentado outros clássicos os quais me motivariam mais a ler para que hoje, com mais cultura, eu pudesse voltar aqueles de difícil digestão, como Lima Barreto, São Bernardo e livros do tipo.


Caroline 09/05/2013minha estante
Mateus, penso exatamente da mesma forma que você. Brasileiro não gosta de ler porque é obrigado a ler livros chatíssimos e rebuscados quando ainda não tem maturidade pra isso. Lembro de ter sido obrigada a ler livros como Vidas Secas, São Bernardo, entre outros, quando muito nova na escola e aquilo vira sinônimo de obrigação das mais insuportáveis. Está na hora disso mudar, os clássicos nacionais devem ser inseridos no nosso dia a dia aos poucos, misturados com livros divertidos, de autores contemporâneos, livros de fantasia... Enfim, esperamos que isso mude, não é?! :)


Sergio 11/08/2013minha estante
Se vc pensa isso desse livro então se vc leu algum do Jose de Alencar vc queimou ele na primeira pagina né? Pq o cara tem o tedio e a monotonia em cada ponto, e no caso do dom casmurro , por exemplo q tem uma tematica parecida vc tentou o suicidio


Sergio 11/08/2013minha estante
Na escola me pediram pra ler um livro pra fazer trabalho pela primeira vez em 1986, tava na terceira serie, a professora pediu Vinda Com a Neve, é livro infantil, próprio pra alguem q tem 9 anos, depois ela foi pedindo os do Pedro Bloch, tudo livro infantil, como eu já lia quadrinhos foi tranquilo, agora na 8 serie a professora pediu pra ler Senhora, eu desejei q ela queimasse no inferno, e hj com 36 anos se vc falar em José de Alencar perto de mim vc esta tentando fazer um inimigo


Mizael 21/09/2013minha estante
Sinceramente não compartilho nem um pouquinho que seja de sua opinião. Primeiro, não acho nem um pouco chata e monótona a leitura de S. Bernardo nem muito menos Graciliano Ramos, ao que me parece é "chato e monótona' pra quem não entende o por que do livro ser feito dessa forma. Segundo, para Tuila Ziliotto, acho, sinceramente, que leituras como Graciliano divertem muito, e mais tem uma significação diferente a cada vez que leio. Não é à toa que tenho um cachorra chamada Baleia. Terceiro, me desculpe a sinceridade Matheus, você leu S. Bernardo obrigado, e diferindo do que você disse, VOCÊ NÃO ENTENDEU O LIVRO, vc o leu apenas pelo simples (des)prazer da obrigação, o que a meu ver, lhe bota uma venda nos olhos impedindo de ver o além-horizonte desse livro. Adoro esse livro, assim como Vidas Secas, sou fã de Graciliano e acredito que suas obras além de divertir bastante nos fazem pensar, são livros que não acabam quando acabam. Provocam, como li um dia desses, um êxtase literário, um ótimo indicador de um bom livro. PS. Nicholas Sparks é sim uma "literatura de papel higiênico".


Mateus 29/09/2013minha estante
Acho que o mais fascinante das pessoas é que cada uma possui uma opinião diferente, né Mizael? Achei bem legal tudo o que você disse em relação a São Bernardo, e é bem perceptível em suas palavras o quanto você gosta das obras do Graciliano Ramos. Mas minha opinião está expressa no que eu disse aí em cima, e nada mais. Achei chato mesmo, monótono e super cansativo, e ponto final. Ter lido obrigado para a escola pode ter contribuído para isso, mas já li outros livros na mesma situação, como Iracema e Memórias de um Sargento de Milícias, e que eu acabei gostando muito. Dizer que não entendi ou que não estava no momento certo para a leitura são só desculpas esfarrapadas para um livro que eu não gostei de verdade. Tenho um respeito enorme pelo Graciliano Ramos, e sei bem o quanto o autor contribuiu para enriquecer a literatura brasileira, mas infelizmente os livros dele não são do meu agrado e pronto. A Tuila disse certo aí embaixo, existem a "literatura de papel higiênico", que é a que todo mundo lê e é só para diversão (estilo Nicholas Sparks), e os livros clássicos, que são pra instruir, despertar nosso senso crítico. Com sinceridade, eu gosto muito de livros clássicos, mas se for pra ler algum, eu fico com os clássicos mundiais ou até mesmo com José de Alencar, que acho bem mais agradável e com uma narrativa mais bela do que o Graciliano. Pelo menos tenho a honra de ter lido e dado minha opinião, ao contrário de tanta gente que diz que odeia literatura brasileira mas não sabe quase nada a respeito. O importante é tentarmos diversificar nossas leituras, criar um senso crítico e respeitar a opinião de cada um como estamos fazendo.


Muan Murt 07/10/2013minha estante
E um livro não monótono para você é exatamente o que? Dragões cuspindo jetskis em anões assassinos de golfinhos? Ou as trapalhadas do "50 tons de cinza"? Ou as terríveis aventuras de "Eu Sou o Numero Quatro"? São Bernardo traz consigo dezenas de criticas sociais e analises possíveis que provavelmente você não captou. Impossível uma obra como essa ser considerada monótona. Sua opinião é superficial e não me instiga nem um pouco.


Arsenio Meira 14/01/2014minha estante
Olá Mateus,
Respeito sua opinião (é, aliás, a obrigação de todos respeitar o pensamento divergente); porém não concordo com sua análise. "São Bernardo", de fato, requer um pouco de maturidade, e essa maturidade pode ser trabalhada com o pessoal mais novo. É um romance pleno. Um joia rara. O fato de o Narrador centrar suas opiniões não justifica o vazio do enredo; Paulo Honório exteriorizou as suas reflexões; a partir delas, as denúncias sociais são explicitamente grafadas pelo gênio do escritor alagoano. Até mesmo Graciliano, que escreveu o romance em 1934 (!!) entendeu o absurdo que é, quando um ser humano tenta anular o outro. Naquela época a coisa mais comum entre as gentes, era subjugar a mulher. Quando o homem, fosse da cidade ou do campo, pisava nas mulheres, ficava tudo por isso mesmo. Fosse em São Paulo, no Rio ou no sertão de Pernambuco. Até nisso, é um livro pioneiro. Pouca gente no Braisl olhava para tal questão. Outro ponto: o livro foi escrito em plena ditadura Vargas, e mostra como a ambição é capaz de matar um ser humano. É um petardo contra o próprio Getúlio, que de político bonachão, passou a torturar, prender e matar quem estivesse pelo meio do caminho. A garotada precisa conhecer isso, e também, como nem tudo são cinzas, a face iluminada da personagem Madalena. E, por fim, Graciliano escrevia em dois parágrafos o que muita gente graúda por aí não consegue escrever em 5 páginas. E isso, definitivamente, não é para qualquer um. Mas o seu ponto de vista, assim como o de outros que concordaram, precisa ser preservado ao máximo, de modo que a minha discordância é meramente isso: uma questão, cujo meu ponto de vista é diferente do seu. E nada mais. Nem eu sou mais inteligente que você e vice-versa. O importante é o diálogo. Abraços.


Júlia da Mata 13/02/2014minha estante
Gostei bastante da sua resenha, mantendo a sua opinião sem se importar se as pessoas não concordam. Concordo contigo quando diz sobre os jovens brasileiros não lerem por conta da maneira que os professores nos obrigam a ler livros chatos. Até hoje, mesmo sendo uma leitora avida, sofro com isso, mas sobre o que diz sobre o livro, vou me abster até ter lido o livro e ter uma opinião própria.

Além disso, parabéns pela boa resenha.


Thiago Ernesto 07/03/2014minha estante
Mateus, devo discordar da sua análise. São Bernardo é escrito de acordo com a visão de Paulo Honório, de modo que a falta de descrição dos personagens seja uma marca de seu egocentrismo. Creio que este romance é ainda melhor que Vidas Secas também de Graciliano. Graciliano Ramos escreve com um pessimismo em relação aos humanos e é um mestre nas palavras. Na minha humilde opinião, logo após Machado, excluindo a genialidade de Guimarães Rosa com seu neologismo, é o escritor que mais bem domina nossa língua e sabe construir uma história. Graciliano sempre!


Ed Ribeiro 03/03/2015minha estante
São Bernardo é top! O que tu gosta de ler Mateus?


Ana 20/07/2015minha estante
Pouco atrativo para a juventude brasileira? Com certeza. Chato? Talvez. Agora, HISTÓRIA VAZIA? JAMAAAAAIS!!!


Rê Lamounier 23/11/2015minha estante
Engraçado que eu sempre fui uma leitora voraz, aprendi a ler pouco antes dos 4 anos, antes mesmo de ir para escola, de pura curiosidade - minha mãe era professora e eu ficava o tempo todo prestando atenção quando ela estava preparando aula.
E desde os 11 anos, quando li Memórias Póstumas de Brás Cubas com acompanhamento de uma tia que era professora de português, tenho profundo carinho pela literatura clássica brasileira.
Estou relendo S. Bernardo agora e me surgem novos questionamentos acerca da reitificação, da maneira genial como o livro é todo estruturado na divisão do trabalho, na maneira como foi escrito na língua coloquial sem que isso comprometesse a qualidade literária.
Tenho muita dificuldade em ler são esses livros escritos em massa, que até bastante gente gosta. Escritores como "Nicholas Sparks", "John Green", "Stephanie Meyer", "Dan Brown" não me descem com facilidade, principalmente quando tento ler um segundo livro deles e vejo que é praticamente igual na estrutura ao anterior.
Às vezes noto muita gente com dificuldade de sair da zona de conforto, taxam um livro como ruim ou enfadonho porque o mesmo possui palavras que não conhecem ou porque têm informações que precisam ser digeridas, analisadas, repensadas. Sempre gostei daquilo que me fazia procurar o dicionário, me gerava perguntas e até uma certa dificuldade, misturando lazer e conhecimento.
Não gosto de livros "Sessão da Tarde", mas claro, isso é uma questão pessoal.


mpin 27/08/2017minha estante
Verdade. A forma como literatura é ensinada no Brasil ainda é muuuuuuito canônica. Li esse livro na faculdade, também. Não me marcou pelos motivos que você cita. Hoje em dia a faculdade mudou bastante a forma de se ensinar literatura, mas essa abordagem canônica ainda resiste. Eu sou formado em Letras, mas só me reconciliei com a literatura depois de velho, escolhendo minhas próprias leituras, sem preconceitos. Vou da literatura mais pop à de mais alto nível. Mas os professores insistem em se refugiar apenas nos clássicos e se sentem inseguros de abordar com mais seriedade os aspectos técnicos que fazem uma história funcionar desse ou daquele jeito. Pena.


Maleno Maia 06/12/2017minha estante
Devido a sua resenha negativa vou correr para ler avidamente, pois eu adoro clássicos brasileiros. Já li muitos e todas as escolas literárias. Nunca tive problemas com clássicos; aliás, sempre me instigaram e dou graças a Deus que a escola me os ofereceu (eu não via como obrigação) e assim aumentei minha paixão por eles. Meu gosto pelos livros nacionais foi por conta da escola. Como sou grato a ela.


Jeze 13/12/2018minha estante
Discordo de sua opinião.


Caio 25/12/2018minha estante
Discordo. Para mim a literatura brasileira é ótima, no meu caso, sempre tive dificuldade em Machade de Assis mas APRENDI a ler e agora entendo a sua mensagem. O problema tbm é que as pessoas só querem ler coisas fáceis, simples de acordo com ela sabe, dificil as pessoas pegar um livro dificil pq tem preguiça ou nao tem vontade de aprender algo mais dificil e novo. Eça de Queirós outro exemplo de leitura realista detalhista, alguns não gostam pela linguagem, estilo mas adoro e já li 3 livros dele. Eu gosto e prefiro livros dificeis e que tenha muitas citações.


Caio 25/12/2018minha estante
Graciliano é um grande representante e gosto muito li tres livros dele (Vidas Secas terminando), Caetes e São Bernardo e falo para vc: Vlw mt a pena.


Elomar 27/05/2019minha estante
É por causa de pessoas como essa que as embalagens de xampu vem com manual de uso, pois se não elas são capazes de ingerir o conteúdo do frasco.


Laura 16/07/2019minha estante
eu gosto muito da literatura brasileira mas graciliano ramos é um caso a parte, um absurdo de chato...


Ednaldo 03/10/2020minha estante
Cada um tem seu próprio mundo na cabeça, por isso há muitas visões. Já li São Bernardo há muitos anos atrás, e para mim foi emocionante, vivi ao lado de Paulo Honório sentimentos fortes que só quem pode sentir é quem desenvolve uma sensibilidade de sentir a dor do outro. Talvez não seja a leitura desses clássicos que seja chata ou monótona, os mundos de hoje parecem serem muito pequenos para abraçar a profundidade de um universo tão rico e vasto, menos chato...


Anderson 27/10/2020minha estante
Que discussão incrivel nos comentarios, haha. Acho que depende bastante do modo em que o conhecimento da literatura é apresentado, pois foi justamente na escola através de um seminário dessa obra que eu me apaixonei por Graciliano Ramos, modernismo melhor movimento literário junto com o realismo




Bruna 25/04/2011

Enxuto, cru e brutal. É o que resume São Bernardo, um romance rápido e forte, rígido.

Paulo Honório escreve sobre sua vida de maneira seca, quase que indiferente, sem se prender a detalhes e descrições. Entretanto, em alguns momentos, ele nos surpreende com digressões e desequilíbrios. Nem dá pra dizer qual das duas posturas do narrador é a melhor.

E o final, bem... é espetacular.

Leiam.
Pedro Luiz Viegas 08/05/2011minha estante
Fiquei com vontade de reler.




Pedro.Gondim 06/08/2020

Política e o Campo
"Cinquenta anos! Quantas horas inúteis! Consumir-se uma pessoa a vida inteira sem saber pra quê! Comer e dormir como um porco! Como um porco! Levantar-se cedo todas as manhãs e sair correndo, procurando comida! E depois guardar a comida para os filhos, para os netos, para muitas gerações. Que estupidez! Que porcaria! Não é bom vir o diabo e levar tudo?" (p. 229)
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Lara 24/09/2011

S. Bernardo - Graciliano Ramos
Escassez de adjetivos, profusão de verbos e sujeitos. Característica marcante de Graciliano Ramos, o relato direto constitui a narrativa de Paulo Honório, dono da fazenda S. Bernardo. Terminei de ler o livro sensibilizada com Honório, na minha visão e interpretação, as atitudes que ele tomou com as pessoas ao seu redor e para alcançar suas metas foram reflexo de ter sido uma vítima da vida.
Sartre dizia que não importa o que a vida fez de você mas o que você fez do que a vida fez de você. As ações de Honório a partir das circunstancias às quais a vida lhe submeteu só o deixaram mais embrutecido e acabaram, no final, desgostando ele próprio.
Madalena, a mulher com quem se casa, na minha opnião, é a voz de Graciliano falado mais alto, é o fator humanizador. Ela se revolta contra as atitudes dele para com seus empregados e acaba por imprimir na alma bruta de Honório certo sentimento. Os personagens secundários também são muito interessantes, Padilha, que perde S. Bernardo, o fiel Casimiro Lopes, tubarão a ladrar e até mesmo as corujas da torre da igreja. Eu gostei muito do livro e recomendo.
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Joao 13/06/2020

A maravilha da literatura nacional
Obra maravilhosa! A leitura de Graciliano Ramos pode ser espinhosa mas é sempre muito prazerosa. Aqui em fase inicial de carreira, a sua escrita e linguajar não estão tão carregados ainda, porém os temas e perspectivas já são os que irão se tornar comum em sua maravilhosa estrada na literatura.
Questões sociais, sentimentos, embrutecimento e o puro materialismo histórico estão aqui. É um prato cheio porém acredito que para apreciar essa obra em sua plenitude seria necessária certa bagagem histórica, de conceitos e cultural.
Leitura maravilhosa e mais uma jóia da nossa literatura.
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Ana 29/09/2011

A despeito do que eu imaginava, tratar do nordeste não necessariamente implica no uso exacerbado do tema seca e de suas consequências. Nesse livro, vemos não um solo seco, mas sim uma vida seca. E enquanto no livro do mesmo autor, "Vidas Secas", o foco está no explorado, em "São Bernardo" está no explorador. E nesse caso, trata-se de Paulo Honório, homem deveras bruto, que no começo da vida desejava as terras do Sr. Mendonça e, quando obteve estas - por meios justos ou não -, começou sua vida de patrão. E por conseguinte sua escória.

Tive, em alguns momentos, a impressão de que Paulo ostentava a vida simples de seus empregados (principalmente Casimiro Lopes, sujeito chucro e desprendido), e de que a todo tempo tratava de seus acontecimentos com desdém e não expunha suas condições emocionais como de fato elas eram. Nesse âmbito é que achei a narrativa em 1ª pessoa de suma importância, agravando o temperamento da personagem.

E no final, Paulo Honório externa suas angústias de forma única, despejando tudo aquilo que não havia dito antes. Isso me causou grande empatia.

Tirando as partes maçantes (como os momentos políticos, por exemplo), achei a narrativa excelente.

Observação inútil: Fiz um paralelo entre Honório e Julius (do seriado "Todo mundo odeia o Chris")... Tornou a conduta sovina mais descontraída!
Bruno Oliveira 09/01/2013minha estante
Essa coisa dele não expressar muita consciência, muito sentimento no correr do livro é atormentador. Minha mãe detesta o Graciliano, ela diz que nele os personagens são de plástico, não são gente, haha.


Rosa Santana 24/03/2017minha estante
Acho Paulo Honório um dos grandes personagens dá literatura. Nele, a inconsciência capitalista do ter, acumular, comprar está sempre em primeiro lugar!
Mas o final é, na verdade, a materialização da ideologia do seu criador, GR, um comunista assumido, inclusive preso na ditadura Vargas: O personagem central, aquele que conta sua própria história, se desmorona e vai perdendo tudo o que acumulara com tamanho sacrifício, a propriedade: inclusive a esposa, até então vista apenas como um dos seus "bens"!
Amo Graciliano! Amo Paulo Honório e Sinhá Vitória!




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Henrique Fendrich 23/07/2020minha estante
Esse é bão mesmo.


23/07/2020minha estante
Um dos livros da minha vida. Depois de Angústia, este é meu Graciliano favorito.


Maria 23/07/2020minha estante
Não li Angústia. Ainda. Partiu colocar na lista. :-P




Luciano Otaciano 28/07/2020

Livro excelente!
Olá caros leitores e caríssimas leitoras, preparados para mais uma resenha literária. Venham comigo descobrir minhas impressões à respeito da obra.


Há livros que você gosta e há outros que você levará para a vida toda. Para mim, São Bernardo está neste grupo. Minha primeira leitura da obra foi há alguns anos e, desde então, cada releitura torna o livro ainda mais magistral para mim. O motivo? Explicarei cada detalhe a seguir.
Nessa obra, acompanharemos a vida de Paulo Honório. Ele, a princípio, era uma criança pobre vinda de um lugar simples. Porém, com o tempo, entende bem a estrutura capitalista e, com uma dose de audácia e inteligência, cresce na vida de maneira quase assustadora. Ele chega ao topo; tão alto que se torna quase inalcançável.
Ao conquistar tudo que queria, Honório ainda quer mais. Contudo, não há mais para ser ganho. Aliás, ele começa a perceber que quando chegamos muito alto, mais alto do que todos, ficamos sós. Paulo, em primeira pessoa, narra a sua vida, a sua trajetória, de garoto pobre ao topo da cadeia alimentar.
Nessa obra, acompanhamos a coisificação de Paulo. Ao passar das páginas, na proporção que ele ganha sucesso e dinheiro, mais próximo de uma coisa ele se torna. Duro, áspero, rude... Essas são apenas algumas características que o acompanham em sua trajetória. A cada pessoa que ele manipula ou explora para angariar capital, seu caráter se corrompe um pouco mais.
Paulo se deixa tornar tão próximo de uma coisa que já não consegue ver-se mais sendo amado. Porém, ainda assim casa-se. Um casamento de conveniência, vale ressaltar; mas a união é selada. O seu contraste com sua esposa o destrói ainda mais, o deixa ainda mais duro e angustiado, pois ela é tudo o que ele nunca será. Desta forma, ele se torna ainda mais áspero, principalmente com ela.
A aspereza de Paulo é tão grande que se reflete na escrita da obra. Como o livro é narrado em primeira pessoa, acompanhamos também na escrita o tornar-se objeto, o endurecimento. Isso resulta em uma prosa seca, direta, sem muitos adjetivos e metáforas. Entretanto, ao mesmo tempo, a prosa é rica. Não pelas palavras, mas pelo caráter altamente psicológico. Em cada palavra vemos as nuances mais profundas de Paulo, deixando todo o escrito um escarro de sua alma.
Desta maneira, diante dos aspectos mencionados, considero São Bernardo uma obra que merece ser lida. Você encontrará certa dose romance, muita crítica social e uma escrita inteligente. Sem falar que Graciliano é um dos grandes autores que o Brasil já teve. Leve esse livro para casa, ele é essencial para a sua formação crítica como leitor.  Recomendadíssimo! Em resumo, São Bernardo é uma leitura obrigatória, inclusive para leitores jovens. Finalizo por aqui, espero que tenham gostado da resenha e até a próxima!
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Amandinha 30/07/2020

Incrível!
Senti um carinho enorme por esse livro (mesmo com a personalidade deplorável do Paulo Honório), gostei de ver todo o processo de escrita dele enquanto analisava as escolhas que havia feito em todos os anos em S. Bernardo.
Para mim é um Brás Cubas misturado com Dom Casmurro.
O Graciliano conseguiu transpor os sentimentos e angústias de Paulo de uma maneira espetacular, senti raiva de Madalena e de Padilha, e uma certa ternura por Casimiro.
Se conhecesse Paulo Honório na vida real, com certeza teria uma impressão completamente diferente dele. Mas vendo ele tão transparente compartilhando essas memórias, uma parte de mim começou a gostar dele.
Recomendo mesmo o livros, aqui em casa já estou fazendo todo o mundo ler!
Um dos melhores clássicos da literatura brasileira!
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CAMBARÃ 29/09/2020

Inesperado
Esse escritor sempre me surpreende com sua prosa impecável.
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sabrinabsgloria 29/08/2020

Vida no sertão
"A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste." (Cap. 19).
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José Amorim 24/09/2020minha estante
Incrível sua resenha.




Denise Ximenes 13/10/2020

Irrepreensível
Pra quem acha que o Velho Graça é maravilhoso porque escreveu Vidas Secas, quero dizer que sim, é verdade. Mas para além do drama vivido por Fabiano e sua família (com a inesquecível Baleia), digo que São Bernardo, narrado em primeira pessoa, é uma obra ainda mais encantadora...

Paulo Honório percorre o mesmo caminho dos personagens da fazenda (em Revolução dos Bichos, de G. Orwell). Ele passa de reles empregado a dono de uma propriedade importante, no interior de Alagoas. E, ao se ver senhor de sua vida, ele começa a reproduzir os mesmos comportamentos autoritários aos quais era submetido, no passado.

Tamanha era a brutalidade com os seus e as duras consequências de seu comportamento indiferente, que o protagonista, enfim, reconhece sua personalidade difícil, perde as pessoas mais importantes de sua vida e o final merece mil estrelas...
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Adriano 05/12/2013

Quando você chega no topo, não encontra nada lá em cima!
São Bernardo narra a vida e ascensão social de Paulo Honório, que foi guia de cego na infância e tornou-se um latifundiário de Alagoas. Depois de alcançar seu objetivo, ele se propõe a escrever um livro, procurando uma justificativa para o desmoronamento da sua vida, do seu fracassado casamento e da distância que separa ele e seu filho.

A confissão do narrador faz com que percebamos que para alcançar sua ascensão ele destrói seu caráter e perde a sua humanidade, tornando-se áspero, mesquinho e rude, fruto da corrente científica do Determinismo.
"Princípio segundo o qual tudo no universo, até mesmo a vontade humana, está submetido a leis necessárias e imutáveis, de tal forma que o comportamento humano está totalmente predeterminado pela natureza, e o sentimento de liberdade não passa de uma ilusão subjetiva". Fonte: Infoescola.
Paulo Honório é o típico capitalista, fazendeiro, ambicioso e que faz tudo para conseguir o que deseja. Ele representa uma força que transcende limites e em função da qual vive: o sentimento de propriedade. Já as pessoas que o rodeiam são apenas frágeis, distantes e nada mais do que objetos, peças que devem estar a disposição do narrador.

Paulo Honório é muito esperto, isso é inquestionável. Ele molda as relações, os negócios e o diálogo de modo a favorecê-lo sempre, ou seja, ele não aceita as derrotas facilmente.
O próximo lhe interessa na medida em que está ligado aos seus negócios e interesses. Até as pessoas a quem desenvolve gratidão e amor são taxadas como objetos e suas relações são quantificadas.

Segundo alguns críticos, São Bernardo nos mostra como a escrita de Graciliano é enxuta, curta, direta e bruta. Essa característica é adotada pelo narrador quando se amesquinha até nas palavras que usa:
"É o processo que adoto: extraio dos acontecimentos algumas parcelas; o resto é bagaço."

Sobre a vida afetiva, percebemos que ela não é intensa e sempre permanece em segundo plano. Paulo não se vê um homem capaz de ser amado. Casa-se por conveniência e passa a descobrir na mulher, Madalena, tudo que ele não é: carinhoso, caridoso, humanitário. Esse conflito entre seres tão diferentes é explorado de forma magistral!

De modo geral, a leitura de São Bernardo é monótona por se tratar de uma confissão, porém nos faz pensar e repensar nossas atitudes em relação ao amor versus dinheiro.

Gostei demais da leitura desse livro e recomendo para aqueles que gostaram de Dom Casmurro (eles são parecidos no modo de contar a estória)!

site: http://geracaoleiturapontocom.blogspot.com.br/2013/11/resenha-sao-bernardo-graciliano-ramos.html
Gu 08/12/2013minha estante
Fiquei encantado com a narrativa do Graciliano nesse livro e como a trama foi construída!
Quero ler!
Abraço, meu amigo


Juraski 25/06/2016minha estante
Cara, graças ao teu comentário, vou reler...




leão 04/08/2020

Qual sentido da vida
Este livro que me surpreendeu, apesar muitas pessoas não terem visão positiva do livro no meu caso foi bem diferente.
Foi leitura fluida e rápida um livro fácil compreensão e com final nos leva refletir sobre nossas escolhas no decorrer da vida, e também em como podemos influenciar positivamente ou negativamente na vida de alguém, isto ficou bem claro no personagem Paulo Honório seguiu caminhos pareciam certos , buscou ascensão e dinheiro esqueceu do principal amar e perdoar.
São Bernardo e um livro narrado em primeira pessoa e Paulo Honório relatando a sua vida sua prisão em como se tornou fazendeiro e os meios como conseguiu isto e seu casamento com Madalena.
Paulo Honório e um homem bruto, rústico sistemático e ciumento, foi visionário porém objetificou seus amigos, sua esposa e seu filho que na sua narração não lhe fora dado nem o nome , enfim Honório consegue tudo e perde tudo que material mas grande perda creio eu seja dor na consciência de não ter amado Madalena , não ter cuidado seu filho ter perdido seus amigos.
São Bernardo e uma obra madura de Graciliano : a análise interior do ser humano como reflexo da realidade exterior
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