Justiça

Justiça Michael Sandel




Resenhas - Justiça


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Moitta 07/11/2011

O que é fazer a coisa certa?
Genial!!!
Um livro que está a altura do título, recomendo a TODOS, sem exceção.

Há 3 principais linhas filosóficas sobre o que é o certo.
O utilitarismo parte do pressuposto que devemos maximizar o prazer e evitar a dor, e o resto é como calcular isso. Não há diferença entre um tipo de prazer e outro.
A ideologia libertária diz que somos livres e portanto defende um Estado Mínimo, é contra leis paternalistas e etc.
Discute sobre o mercado e conceitos morais, se há limites morais para a atuação do mercado, se há bens ou serviços que nunca deveriam ser comercializados pela sua natureza. (órgãos humanos, vaga no exército..)

Para Immanuel Kant o que importa é o motivo, isso torna alguma ação moralmente correta ou não. Só podemos escapar dos ditames da natureza e das circunstâncias se agirmos com autonomia, segundo uma lei que impomos a nós mesmos. Tal lei não pode ser condicionada por nossas vontades e nosso desejos particulares. Liberdade e moralidade são interligadas. Não deveríamos tratar seres humanos como objetos ou meios para atingir um fim, e sim como um fim em sí, respeitando sua condição de ser racional.

John Rawls vem com a questão da equidade, que apenas será alcançada quando as decisões são tomadas sob um "véu de ignorância", o que impede a parcialidade. O seu talento não é seu, e é sorte a sociedade valorizar essas aptidões. A desigualdade de renda só é aceita a título de incentivo, desde que esses incentivos sejam necessários para melhorar a vida dos menos favorecidos. Nossa contribuição depende, pelo menos em parte, das aptidões cujos créditos não podemos reivindicar.

Ação afirmativa no caso de cotas - levar raça e etnia em consideração para 1)correção de distorções em testes padronizados; 2)compensação por erros do passado e 3) promoção da diversidade. A justiça pode ser dissociada do mérito moral?

Aristóteles - "quem merece o quê?". As discussões sobre justiça e direitos com frequência são discussões sobre o propósito, ou télos, de uma instituição social, o que, por sua vez, reflete noções conflitantes a respeito das virtudes que a instituição deveria valorizar e recompensar. "Só realizaremos plenamente nossa natureza como seres humanos se vivermos em uma pólis e participarmos da política." "A virtude moral resulta do hábito. (...) Tornamo-nos justos ao praticar ações justas, comedidos ao praticar ações comedidas e etc"
Talvez não seja possível determinar o que é justo sem discutir a natureza da vida boa. Para Aristóteles a finalidade da associação política é cultivar a virtude dos cidadãos, aprender a levar uma vida boa; permitir que as pessoas desenvolvam suas capacidades e virtudes para deliberar sobre o bem comum, desenvolver um julgamento prático, participar da autodeterminação do grupo, cuidar do destino da comunidade como um todo.
"A finalidade de uma pólis é uma vida boa, e as instituições da vida social são os meios de atingir essa finalidade."
Ele não respeita as pessoas como seres livres e independentes, capazes de escolher sozinhos os próprios objetivos.

Dilemas de lealdade trata do ser livre e responsável apenas pelo que consente e como alternativa à concepção voluntarista do indivíduo, MacIntyre desenvolve uma concepção narrativa. Vivemos nossa vida como uma jornada narrativa. Estamos atados por laços morais que não escolhemos e que não estão associados a um contrato social.

Para Kant e Rawls, o certo tem primazia sobre o bom. Os princípios de justiça que definem nossos direitos e deveres devem ser neutros no que tange à definição de vida boa. Para chegar a lei moral, argumenta Kant, devemos abstrair nossos interesses e objetivos contingentes. Para deliberar sobre justiça, sustenta Rawls, devemos deixar de lado nossos apegos e convicções particulares vendo através de um véu de ignorância, sem saber a quem nossas decisões afetam.
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Nathalia.Lima 27/08/2020

Reflexão necessária
Deste ano, foi o livro que mais me fez pensar, refletir, quebrar alguns conceitos. Posso dizer que foi uma imersão muito maravilhosa e necessária.
Justiça é um livro que o mundo deveria ler, principalmente nessa política de cancelamento que estamos vivenciando, onde está difícil dialogar com pessoas que têm pensamentos diferentes dos seus.
Pra quem tem interesse de conhecer mais sobre as diferentes teorias da filosofia política e sobre os conceitos de justiça e o que é a coisa certa a se fazer, esse é um excelente livro. A linguagem é fluida,
mesmo com o conteúdo sendo bastante denso.
Foi uma leitura que me fez começar a enxergar o mundo por novos prismas.
Adorei!!!!
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Barbara Hellen 21/09/2020

@cactosliterarios
Afinal, o que é fazer a coisa certa? Essa é a principal indagação que o livro Justiça, escrito por Michael J. Sandel, pretende responder. Para isso, Sandel mostra três abordagens filosóficas sobre a justiça: o utilitarismo, a ideologia libertária e a teoria de justiça de Aristóteles. Mas, não se assustem, pois Sandel consegue mastigar todos esses conceitos de forma que possamos entender a partir de situações da vida real. O que achei mais interessante é que o autor cumpre o papel de advogado do diabo, expondo os diversos lados de um mesmo dilema. Chegando a fazer com o que a gente questione nossa própria opinião.

Na verdade, é esse o principal objetivo desse livro: fazer com que a gente entenda a complexidade de determinar o que é certo ou errado. E também nos mostrar que a formação da nossa opinião é algo constante e o que acreditamos como moral sempre irá influenciar o que pensamos e até a forma como agimos. Como seres individuais, mas especialmente como sociedade.
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Raquel 04/07/2020

Bom e atentem-se para a parcialidade
Após cinco anos na minha estante, decidi retirar o plástico e ler esse livro. É bem escrito, o autor utiliza exemplos práticos para exemplificar os dilemas da justiça e explica claramente as teorias de diversos pensadores.

Logo no primeiro capítulo, Sandel mostra as diversas reações à lei contra preços abusivos que ocorreram após um furacão atingir certa região. De um lado havia a defesa do livre mercado, do outro pesava mais a questão social e moral. Qual estava certo? Nesse ponto, o autor já mostra que o objetivo do livro é convidar os leitores a submeter suas visões sobre justiça ao exame crítico, para compreender melhor o que pensam e por quê.

Então começa a inserção pelas teorias: utilitarista (Jeremy Bentham); ideologia libertária (Hayek, Friedman e Nozick); Kant; o princípio da diferença (Rawls); pensamento teleológivo (Aristóteles). Além de discorrer sobre ações afirmativas e os dilemas de lealdade (exemplo: governos que pedem desculpas por erros passados como a escravidão).

No último capítulo, há novamente a descrição das correntes que definem o que é justiça: maximizar a utilidade ou o bem-estar; respeitar a liberdade de escolha; cultivo da virtude e a preocupação com o bem comum. Então, o autor deixa claro que defende a terceira corrente e explica o motivo, além de dar sugestões de como alcançar uma sociedade justa através da política do bem comum.

Em suma, é um livro que ensina muito e vale a pena ser lido. Entretanto, em alguns momentos fiquei desconfortável com os posicionamentos do autor. Não por achar que ele estava errado, mas porque naquele momento o correto deveria ser apenas explicar a teoria de determinado autor e não fazer julgamentos (como quando Sandel contrapõe as opiniões de Friedman e Rawls e deixa clara sua preferência pelo último). Além do fato de ele ter mostrado apenas pontos positivos do Obama. Por essa parcialidade em momentos inapropriados, na minha opinião, o livro leva três estrelas.
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Levy 23/07/2020

Diversos contrastes
O autor aborda os mais diversos assuntos, desde situações individuais a conflitos entre grandes grupos com ideologias opostas, sempre fazendo o contraste entre as concepções díspares.
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Valério 05/01/2015

Meio livro
O autor, Michael J. Sandel, faz uma boa descrição da evolução do conceito de justiça.
De forma brilhante, passa por vários filósofos, expondo seu modo de pensar e conduzindo o leitor a refletir cuidadosamente.
Com exemplos práticos, questiona qual seria o nosso comportamento em dadas situações hipotéticas e claramente expõe os conflitos morais a que somos expostos o tempo todo.
A leitura me empolgou e certamente era um livro fantástico.
Um dos melhores que eu havia lido.
Até a página 190, infelizmente.
A partir daí, o autor, certo de que já conquistou a atenção, a confiança e a admiração do leitor, começa a falar o que pensa (e não apenas apresentar o pensamento de famosos filósofos).
E começa o show de horrores. O autor se contradiz fortemente em vários trechos.
Chega à inacreditável conclusão de que, se sou inteligente, não o sou por esforço meu. Portanto, não mereço ter nada que seja decorrente de minha inteligência. E, portanto, devo renunciar aos frutos de minha inteligência (!!!)
Segundo o autor, "não podemos reivindicar os créditos de nossas aptidões naturais" (Página 198)
Vejam a pérola escrita pelo autor, na página 219, quando aborda a questão das cotas raciais em universidades:
"E, embora a realização de tais propósitos viole de certa forma os direitos dos perdedores (os que ficaram de fora para ceder lugar aos que entraram por cotas), os candidatos preteridos não podem alegar que foram tratados de forma injusta Nesta frase, o autor assume que quem ficou de fora teve seus direitos violados. Mas logo após, na mesma frase, afirma que não foram tratados de forma injusta.. Como é possível afirmar que alguém que teve seus direitos violados não tenha sido tratado de forma injusta?
O autor faz um embaralhado contraditório para justificar suas crenças de esquerda.
Após defender as cotas, em outro capítulo, citando Aristóteles, afirma que a justiça discrimina de acordo com mérito, com a excelência relevante, e que "seria injusto basear a discriminação em qualquer outro fator" (Página 234)
Ora, ele não havia acabado de afirmar que a cor da pele (que nada tem a ver com a justiça) deve ser um fator a se levar em conta?
As contradições são sutis e, se você não é um leitor muito atento e com forte base filosófica, terminará de ler o livro defendendo ideias de esquerda sob uma lógica aparente (mas que acredito ter mostrado que não há lógica. Pelo contrário, há fortes contradições nas ideias do autor).
O meu livro está todo marcado e anotado. Poderia escrever outro livro mostrando toda a incoerência do autor após a página 190.
O que não cabe aqui.
Mas citarei apenas mais uma contradição, na página 267.
Novamente citando Aristóteles, afirma que a política deve cultivar o bom caráter e formar bons cidadãos.
Para, a seguir, contrariando este pensamento, dizer que Estados que tentam promover a virtude são estados que praticam "apedrejamento por adultério, uso obrigatório de burcas, julgamento de feiticeiras".
Mas eis que o próprio autor, na página 323, se contradiz DE NOVO...: "Para muitos, falar de virtude em política faz lembrar os conservadores religiosos ensinando às pessoas como elas deveriam viver. Mas essa não é a única maneira pela qual as concepções da virtude e do bem comum podem informar a política."
Exatamente o oposto do que defendia antes. E fica claro o porquê da mudança constante de opinião do autor: Vai de acordo com o tema que ele quer te convencer. Em alguns casos, a política deve se basear na virtude, como cotas raciais. Em outras, esqueçam a virtude, e sejamos racionais, como aborto. Contraditório como só a esquerda pode ser.

Por fim, finalizo com uma frase do autor emblemática, no mínimo, extraída da página 272 e que resume este péssimo livro sensacional até a página 190 e horroroso a partir daí:
"Não acredito que a liberdade de escolha - mesmo a liberdade de escolha em condições justas - seja uma base adequada para uma sociedade justa"
Bela 03/06/2019minha estante
Nossa, nem parece que lemos o mesmo livro !! Na minha perspectiva, em alguns capítulos o autor dava a sua opinião e em outros adequava o pensamento do filósofo a uma situação do cotidiano, como se fosse pra exemplificar os conceitos dos filósofos. Tanto é que a virtude de Aristóteles é completamente diferente da virtude de Kant, por exemplo, e isso fica bem claro no decorrer do livro. O mais interessante é que o que você viu como "contradição", EU vi como "diversas perspectivas", justamente com o intuito de fomentar debates até porque o livro é a transcrição de um curso.


Raquel 04/07/2020minha estante
Achei que era só eu que não tinha entendido a lógica do autor em alguns momentos, mas você deixou claro a contradição dele. Fiquei intrigada quando li o capítulo do Aristóteles e pareceu que Sandel era contrário, mas nas últimas páginas do livro defende a visão da política mais voltada ao ideal do Aristóteles de que o governo deve cultivar as virtudes dos cidadãos.

Apesar de ter achado o livro muito bom, fiquei incomodada em alguns momentos com a parcialidade do autor.

Gostei bastante da sua resenha!




Jean Bernard 12/07/2020

Leitura ?obrigatória?
Hoje vivemos em uma sociedade completamente maluca. Usam-se da política para definir quem merece o título de bom e mal. Mas vemos que tais discussões são frágeis. Mas por que? Porque faltam bases retóricas e filosóficas sobre quase tudo que é discutido. Esse livro é luz. Ilumina o pensamento político de forma agradável e palatável a todos.
Progressistas, conservadores, liberais e revolucionários, todos deveriam ler esse livro. Mais do que um desejo, uma esperança. Precisamos de bases para melhorar nosso debate. Então, fica a dica.
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Juliana 15/07/2020

Livro muito bom. Aborda o tema da justiça trazendo argumentos filosóficos. Ao mesmo tempo que nos faz quebrar a cabeça, abre todo um horizonte que os diálogos - principalmente, com quem pensa de maneira diferente de nós - requerem.
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Amanda Hryniewicz 02/06/2020

Gostaria de ter lido esse livro antes! É um grande resumo sobre as principais teorias sobre justiça e filosofia política, o que teria me ajudado muito para fazer redações, escrever trabalhos etc.
Justiça é um ótimo livro para dar um norte, caso você não saiba muito (ou nada) sobre filosofia política, além de ajudar a entender suas próprias opiniões e as opiniões das outras pessoas sobre assuntos polêmicos que envolvem a moral.
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Jéssica 09/07/2020

Reflexões
O autor explica várias teorias ligadas à noção de justiça, de forma muito clara, simples e didática, utilizando exemplos para fazer o leitor refletir sobre seus próprios conceitos.
Assim, por mais que seja técnico, é bem acessível a todos, sem ser necessário prévio conhecimento jurídico. É um bom primeiro contato com a matéria.
Em tempos em que a polarização ofusca o debate político, este livro mostra-se muito atual, apesar de já ter mais de dez anos, e necessário. Recomendo!
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Paulo, o Vitor 28/06/2020

O que é fazer a coisa certa ?
Terminei, 1 semana lendo e a cada dia novas inspirações, reflexões e ideias acerca de relações sociais de justiça e moral na vida privada e pública, o que é fazer a coisa certa ? Simples, fácil, direto cheio de exemplos. Perfeito.
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Mariana 04/08/2020

Filosofia política
Livro do professor da Universidade de Harvard Michael J. Sandel.

Em linhas gerais, o autor explora o conceito de justiça de uma maneira muito didática, sob óticas distintas, como o utilitarismo, a filosofia libertária e as ideias relacionadas à moralidade, com excelentes explicações sobre as teses de economistas e filósofos como John Stuart Mill, Immanuel Kant e Aristóteles.

Livro didático e fácil de ler, interessante para quem quer aprender um pouco sobre filosofia política.
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Poli 05/09/2020

Justiça: Qual o certo a se que fazer?
Segundo o próprio autor Michael Sandel nos agradecimentos finais do livro: "Por quase três décadas, tive o privilégio de ensinar filosofia política a universitários de Harvard e durante vários desses anos dei aulas sobre uma matéria chamada "Justiça". O curso expõe os alunos a algumas das maiores obras filosóficas escritas sobre justiça e também aborda controvérsias legais e políticas contemporâneas que levantam questões filosóficas."
Justiça é um livro interessante e gostoso de ler, no qual o autor confronta ideologias de grandes pensadores - como Aristóteles, Jeremy Bentham, John Stuart Mill, Immanuel Kant, John Rawls - de uma forma fluída e propondo reflexões sobre dilemas éticos e morais, como o dilema do bonde, sacrifícios, o valor da vida humana, liberdade, consentimento, serviço militar obrigatório ou voluntário, barriga de aluguel, comércio de órgãos, distribuição de renda, meritocracia, política de cotas, casamento homossexual, entre outros.
Recomendo como uma leitura instigante e essencial para quem gosta de aprender continuamente e, principalmente, repensar os próprios conceitos. A leitura nos tira da zona de conforto, destruindo respostas prontas e rasas ao expor pontos de vista opostos e nos levar à reflexão.
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Ludmilla 12/07/2020

Muito interessante. Nos propõe várias reflexões importantes e necessárias sobre o conceito de justiça.
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Lorena 26/09/2020

Uma bela introdução aos grandes mestres da filosofia
Esse não é um livro sobre a história da justiça ou da filosofia. Ele é um ponto de início para entender sobre esse assunto tão complexo e que é alvo de debate desde os filósofos da idade antiga. Michael Sandel é muito didático e por vezes prolixo, o que não é uma crítica, já que os escritos filosóficos de Kant, Rawls, Mill, Bentham não são fáceis de compreender.
Além disso, o livro é cercado de exemplos e situações para explicar os conceitos, entretanto ele vai além da exemplificação, e realmente os insere para explicar sobre o utilitarismo, o libertarianismo e a os outras correntes. Apesar de ser um livro do direito, eu recomendo a todos que queiram um vislumbre dos principais filósofos do tema.
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