A Luz do Túnel

A Luz do Túnel Jorge Amado




Resenhas - Subterrâneos da Liberdade (Vol. 3)


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Diana 04/02/2014

Amado Jorge
Excelente trilogia, mais uma vez sensacional a maneira como Jorge Amado cria seus romances em torno de tão real contexto social. Assim não foi diferente em Subterrâneos da Liberdade, que retratou a luta dos comunistas durante o Estado Novo, mas com uma ampla visão de diversos setores da sociedade na época tão bem descrita e detalhada, que eu me senti vivendo na década de 30/40.

Mesmo sabendo que Jorge era comunista e que o livro poderia ser tendencioso, ou seja, mesmo tentando não me deixar levar pela clara tentativa de empatia que o autor tentou criar para com os personagens, foi difícil resistir, rs! Ele escrevia de maneira tão apaixonadamente cativante sobre o comunismo, os comunistas, a luta da classe operária, que ao final da leitura minha vontade era me tornar uma companheira!!

Engraçado, pois ao estudar a Era Vargas no colégio eu tinha uma visão completamente diferente da que estou do governo dele nesse momento. No colégio eu aprendi que ele era querido pelo povo, criou diversas leis trabalhistas que melhoram a vida do trabalhador, que ele melhorou o setor industrial do país, gerou diversos empregos, etc, como se o governo dele tivesse sido maravilhoso, mesmo durante o Estado Novo. Agora, só consigo pensar que ele era uma marionete dos grandes empresários, que as leis que ele criou foram para abafar e calar a voz do povo e que trouxeram pouquíssimas vantagens para os trabalhadores. Bom, preciso estudar mais história para saber... rs
Mas o livro é muito bom, vale a leitura!
Lilly 05/07/2017minha estante
Na verdade Getúlio Vargas ele foi um presidente bem contraditório, ao mesmo tempo que teve seus acertos teve os seus erros. Mais ainda assim vejo ele como um dos melhores Presidentes que o Brasil já teve.




Israel 12/09/2010

Jorge e o comunismo
“A luz no túnel” é o terceiro e último livro da trilogia “Os subterrâneos da liberdade". É um livro de 1954, escrito durante o exílio do autor em Paris, mas é ambientado durante o Estado Novo de Getúlio Vargas principalmente em São Paulo, cerca de 10 ou 15 anos antes.

Durante e escrita do livro, a existência do partido comunista havia sido oficialmente cancelada pelo governo brasileiro e isso provocou em Jorge Amado uma revolta considerável. Esse sentimento é metaforizado no livro através das greves nas fábricas de Santo André, em uma multinacional tentando expulsar os caboclos de sua terra para a vinda de trabalho dos imigrantes japoneses e nas prisões e aberrações cometidas pela polícia do DOPS. Como estupros e tortura psicológica.

É interessante o fato do único comunista real (ou ao menos de nome revelado) no livro seja o de Luís Carlos Prestes, que aparece na narrativa sempre como um vulto inalcançável, preso, como um herói que se movimenta na trama apenas pelas suas idéias. Com isso o autor nos dá a máxima que “não se pode matar ideais.”

No auge da Segunda Guerra Mundial, Jorge Amado descreve no romance as preocupações e as divisões de opinião da burguesia sobre qual modelo econômico o Brasil iria seguir: O alemão ou o norte-americano, sempre mostrando argumentos fracos e mesquinhos por parte da elite brasileira.

Outro fato interessante é que o Delegado Barros tem a estereotipada presunção do paulista arrogante com relação aos seus colegas de profissão do Estado do Mato Grosso, sempre afirmando a incompetência dos mesmos.

Apesar do nome do livro, esse é o livro mais pessimista da trilogia. É como se Jorge tentasse doutrinar jovens comunistas (Como a própria inserção de um personagem operário português como exemplo direto) a pensar de forma positiva mesmo nos momentos mais difíceis para a luta partidária.
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