O forte

O forte Bernard Cornwell




Resenhas - O Forte


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Guilherme 26/07/2020

Bernard Cornwell contando uma batalha entre britânicos e americanos. Estes já haviam declarado a independência, mas os primeiros não aceitariam até após muitas décadas. E se você já conhece Cornwell, sabe que ele gosta mesmo é de contar histórias nas quais sua terra natal da um pé na bunda de seja lá quem for, e é isso que ele faz aqui. Com um Forte construído às pressas, e sendo assediados por atacantes mais numerosos e bem armados do que eles, ingleses e escoceses prevalecem. As alianças são incertas, a coragem não está presente em todos, e a brevidade da vida, tudo isso e muito mais é exposto nas páginas do livro. Eu já sabia o final, mas é impossível estragar as descrições minuciosas: do nascer do sol às tripas espalhadas no convés.
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Josimar.Nunes 22/07/2020

O livro narra a expedição de Penobscot no ano de 1779, em que os revolucionários vão tentar expulsar os ingleses do Forte George.
A história se passa no período da guerra de independência americana.
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Neto 01/08/2018

Não é bom
Quem conheceu a escrita de Bernard pelas suas outras séries, no meu caso pela saga de Uthred, acredito que ficará decepcionado com este livro.
Novamente é uma narrativa romantizada histórica, porém aqui os personagens, ao meu ver, não possuem o carisma necessário para fazer-nos leitores vorazes.
Tanto é assim que demorei mais de um mês para terminar.
A história, por si só, também não é atrativa. Não há reviravoltas, nem momentos de tensão ou expectativa.
Por fim, não há um final propriamente dito, nem mesmo com reticências.
Não recomendo a leitura.
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Cristiano 21/05/2016

Resumo da minha experiência de leitura
Spoiler genérico, nada específico. A história do livro, obviamente, estava mais comprometida com os fatos do embate que ocorreu de verdade do que com a criatividade do autor. Até aí tudo certo. Mas para as minhas expectativas a história segui um caminho muito diferente do que eu imaginava. Sempre ficava esperando uma coisa e acontecia outra. Mesmo quando a história acabou, eu achei que ainda teria mais. Expectativas não satisfeitas. Mas entendo, foi daquela forma que os fatos ocorreram.

Contudo, fiquei muito curioso por ler a nota histórica, apresentada no término do livro. Dá uma boa explicação sobre os fatos e os pequenos desvios que o autor tomou na sua narrativa.

Gostei, só não foi como eu esperava.
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João Vitor Gallo 09/10/2015

O Forte é um dos “livros avulsos” do britânico Bernard Cornwell, bem mais conhecido pelas suas séries mais longas como “As crônicas de Arthur”, “A busca do Graal” e “As crônicas saxônicas”, muito amadas e, até não exagerando, idolatradas aqui no Brasil. Mas nesse livro, assim como nos livros da série “As aventuras de Sharpe”, troca-se o arco, os machados e as espadas pelos canhões, rifles e mosquetes, embora vejamos novamente os ingleses como os protagonistas, porém desta vez em batalhas contra os americanos.

A história se passa em 1779, três anos após a independência dos Estados Unidos, e uma pequena força inglesa se estabelece no vilarejo de Majabigwaduce (livros do Cornwell sem nomes complicados não são livros do Cornwell), situado na península de Penobscot, em Massachusetts. Os britânicos, contando com o apoio de alguns poucos leais à Coroa nessa empreitada que visava estabelecer uma província britânica que viria a se chamar Nova Irlanda, constroem um forte no vilarejo e o nomeiam de “Forte George”. Os americanos por sua vez, cientes da presença dos invasores, mandam uma grande expedição para expulsar o resto dos casacas-vermelhas de seu território de uma vez por todas, porém o que parecia ser uma tarefa fácil se mostra mais complicada que deveria ser e acaba vindo a se tornar o pior desastre naval dos Estados Unidos antes de Pearl Harbor.

Em uma resenha de um livro que fala de batalhas espera-se que se comente sobre elas, mas só pelo nome do autor estampado na capa do livro você já sabe que pode ficar tranquilo quanto a esse ponto e esperar lutas viscerais, cruas e realistas, nisso o Bernard Cornwell é mestre, e ele não decepciona em “O Forte”. Destaco as cenas das batalhas navais, muito bem feitas e que te prendem facilmente. As lutas envolvendo os canhões, em terra e nos navios, também são excelentes. Pontos positivos também para a ambientação, não posso deixar de mencionar isso, é fácil imaginar os cenários na descrição detalhada do Cornwell.

Os personagens são bem trabalhados e o autor inglês não puxa sardinha para o lado dos seus compatriotas, tanto os americanos quanto os ingleses não são taxados em momento algum como bonzinhos e malvados, são dois lados que lutam pelos seus interesses. Do lado yankee o general Peleg Wadsworth, o major John Welch, e aquele que o talvez seja o mais conhecido, o tenente-coronel Paul Revere são os destaques, já no lado dos britânicos destacam-se o general escocês Francis McLean e pelo tenente John Moore.

Confesso que eu larguei o livro por algum tempo e fui ler outros mais leves antes de voltar para terminar a história. Esse é um problema que tenho com o Cornwell, acho o estilo da escrita dele meio arrastado no início dos livros, mas depois engrena e o livro transcorre maravilhosamente bem, e vale a pena aguentar essa preparação toda especialmente pelas cenas de luta, não é à toa que comecei achando o livro chato e terminei gostando dele.

Os trechos de documentos verídicos entre os capítulos dão ao leitor a oportunidade de conhecer melhor os envolvidos e as situações vividas, dão também mais credibilidade a aquela história, pois é tão bem descrita, e tão interessante que é fácil imaginar que é só uma obra ficção, e não algo inspirado em fatos reais. Falando nisso, devo também comentar sobre as notas históricas, que são comuns a esse tipo de livros, mas que mesmo assim são sempre fascinantes, especialmente porque você acaba se apegando a história e aos personagens e quer saber o que é verdade e o que é ficção.

É interessante ver como a desorganização e indisciplina, a falta de um comando mais forte e definido, as desavenças, os egos e vaidades dos que estavam em posição de liderança, como esses fatores colocam tudo a perder, mesmo as batalhas tidas como fáceis, esse ponto é muito bem explorado na história. A História geralmente é ingrata com uns e generosa com outros, homens cheios de defeitos são transformados em heroicos e nobres, e muitos dos heróis ficam esquecidos pelo tempo, e esse livro mostra bem esse tipo de coisa, principalmente com o caso do Paul Revere, que deve muito de sua fama a Henry Longfellow, neto de Wadsworth. As palavras do Cornwell que enceram o livro na nota histórica definem bem isso “[…] a história é uma musa caprichosa e a fama é a sua filha injusta.”.



site: https://focoderesistencia.wordpress.com/2015/10/09/o-forte-bernard-cornwell/
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Tauan 24/09/2015

Cornwell se consagrou escrevendo sobre a história da Inglaterra na forma de aventuras. Por sua obra está traçado um panorama de toda a história inglesa: em Stonehenge, ele conta como se organizavam os povos que viviam na ilha há milênios; nas Crônicas de Artur, ele revisita o mito arturiano e dá uma interpretação diferente, pautada em pesquisas históricas e paleontológicas, levando-nos ao século V; as Crônicas Saxônicas se passam cerca de trezentos anos depois e conta sobre a unificação da Inglaterra; em A Busca do Graal, somo levados à Guerra dos Cem Anos e também em Azincourt mas em um período posterior do conflito; O Forte se situa no meio da guerra de independência dos Estados Unidos, e narra o episódio em que o Ingleses retomam uma parte do território rebelde; As Aventuras de Sharpe nos levam às Guerras Napoleônicas e O Condenado a um período posterior, no século XIX. Além desses, há ainda uma série que acaba de ser traduzida no Brasil sobre a Guerra de Secessão, que eu deixei de fora por no ser da história britânica e por não ter começado a ler ainda.
O ponto é que O Forte é o primeiro, que eu leio, que tem relação com a história americana. Devo, também, ter sido o único a fazer um relação desse livro com A Letra Escarlate, de Nathaniel Hawtorne, provavelmente apenas porque essa história também se passa em Massachusetts, mas em uma época anterior à guerra de independência.
A história começa com uma pequena esquadra britânica desembarcando em uma pequena península no território rebelde. O objetivo e iniciar uma ofensiva e reaver o controle da colônia. Imediatamente, o comandante da operação, general McLean, ordena a construção do Forte George, um rústico esboço de fortaleza que será a única chance de vitória da expedição.
Paralelamente aos preparos dos britânicos para defender a terra ocupada, acompanhamos os esforços de retaliação dos americanos, que organizam uma contraoperação que parece superar os britânicos em número e em obstinação.
Como de costume, as descrições de confrontos são a alma do livro. O autor consegue a proeza de tornar um banho de sangue elegante e animado. Os fãs se interessarão em comparar as batalhas com armas de fogo com os clássicos conflitos de espada e escudo (ou arco longo) das Crônicas Saxônicas ou da Busca do Graal.
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Ulisses 31/01/2015

História
Com o nome do livro O Forte, a capa com os soldados britânicos defendendo o forte e com Bernard Cornwell escrevendo-o, imaginei que a história seria algo similar à batalha de Helms Deep do Senhor dos Anéis. Algo épico com descrições de lutas dos americanos tentando invadir o forte para ganhar a guerra de independência. Não conhecia nada deste conflito específico e nem tinha ideia do que encontrar.
Não foi nada do que esperava.
Tive outra surpresa e uma aula de história sobre a história militar americana que nunca ouvi falar (por que será né kkk). É um pouco como o Laurentino Gomes faz em seu livros, Cornwell pegou os acontecimentos históricos e romantizou um pouco para fazer a liga dos fatos. O resultado final foi muito positivo pra mim por este motivo, são pessoas reais em conflitos reais.
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Tathy 07/01/2014

Covardia, indecisão, lentidão, incoerência e inabilidade... são essas palavras que definem a atuação dos norte-americanos na Expedição do Penobscot. Fico me perguntando, como conseguiram a independência Inglaterra.
O autor nos brinda com eventos reais e eventos imaginados, que poderiam ter realmente acontecido entre os personagens históricos. A maior parte dos personagens do livro são reais e grandes nomes da História, tanto inglesa quanto norte-americana.
Dentre os britânicos, destaco o general escocês Francis McLean, o jovem tenente John Moore e capitão Henry Mowat. Aliás, o sucesso britânico ocorreu sobretudo pela experiência dos comandantes, pela disciplina dos soldados e pela confiança mútua existente entre a Marinha Real e o Exército de Sua Majestade. Mowat e McLean confiavam um no outro e se apoiavam as decisões tomadas mutuamente. Diferentemente das tropas norte-americanas, onde havia indisciplina, confusão, deserções, falta de liderança e indecisão.
No lado americano, destaco o major John Welch, que estranhamente imaginei com o porte físico e o rosto de meu irmão, até sua personalidade é um pouco parecida. Além dele, devo citar o o heroico general Peleg Wadsworth, o indeciso Solomon Lovell, o arrogante e prepotente comodoro Dudley Saltonstall. Lovell e Saltonstall não concordavam em nada, estavam sempre "batendo de frente", desafiando-se e discutindo. No meio dessa desavença, Wadsworth, praticamente conduziu as negociações entre artilharia, comandada pelo estranho Paul Revere, marinha e exército.
É um livro que recomendo a todos os que gostam de histórias de guerras, aventuras, heroísmo, patriotismo e de História.
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Zé Pedro 24/04/2013

O Forte

Um Cornwell menor?
Ao falar de uma ocupação inglesa nos Estados Unidos pouco depois da independência americana, Bernard Cornwell nos traz esta estória, que se arrasta por quase 500 páginas. Neste ‘o forte’ não encontrei nada daqueles romances históricos eletrizantes que o autor nos costuma presentear. A estória transcorre de forma lenta, quase uma ‘batalha de itararé’. Só o que se salva no livro, em minha opinião, é o estilo do autor, sempre elegante e com um estilo agradável aos olhos do leitor. Não fosse isso, creio, não teria passado da página 50.
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Marcos 12/02/2013

Leia o Sharpe ou Starbuck antes
Não é o melhor livro do Cornwell - muitos personagens verídicos (talvez, muitos demais) e poucos combates (que é o forte do autor). A reconstituição histórica é bem feita, mas o episódio em si não é dos mais interessantes. A leitura é indicada apenas para quem quer algo ambientado na revolução americana ou já leu tudo do Cornwell (o que é difícil).
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Loopzig 11/09/2012

:(
É de longe o livro mais chato do Bernard.
Não temos um personagem principal, apenas um local o que deixa a narração muito chata. Em alguns momentos pulei vários parágrafos que não ia fazer a menor diferença para a história. Pouca emoção e muita ladainha e encheção de linguiça.
A única parte legal e a desconstrução do mito do herói de Paul Rivere.
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Jim do Pango 11/08/2012

Novas de Majabigwaduce
"A História é uma musa caprichosa e a fama é sua filha injusta." (Bernard Cornwell)

Acabo de regressar de Castine que fica dentro do Condado de Hancock no glorioso estado do Maine, por sua vez localizado na região da Nova Inglaterra, no extremo nordeste dos Estados Unidos. O passeio foi curto, mas muito interessante: notei que um desavisado qualquer, subindo pela Wadsworth Cove Road, a partir da Angra de Wadsworth (Wadsworth Cove),poderia ignorar que ao passar pelas duas curvas fechadas, primeiro à esquerda,depois à direita, na verdade estaria contornando a face oeste do Forte George e, assim, se aproximando mais da fortificação do que os rebeldes jamais puderam fazer em 1799.

Seguindo pela Wadsworth Cove Road, deixando para trás o forte que há mais de 200 anos foi extraído da terra daquelas plagas pelo valoroso General McLean e batizado em homenagem a um monarca louco, virei à direita passando rapidamente pela perpendicular Battle Av. e novamente à esquerda para desembocar na Pleasant Street e seguir em direção à CastineHarbor singrando um dos orgulhos da região, a Maine Maritime Academy. À direita deparei-me com o Ritchie Field, o campo de football da academia e lembrei-me que, hoje em dia, olhando-se a região de cima, é muito mais fácil e natural localizar esse campo do que o velho forte, que só aparece após um meticuloso esquadrinhamento.

Por apego à precisão é preciso confessar que sequer levantei da cadeira. Hoje em dia serviços do Google como o Street View, Maps e o Earth possibilitam a qualquer um com acesso à internet semelhante experiência, que não deixa de ser assombrosa e fascinante. Contudo, este escrito é para relatar outra viagem: a real, a aventura na Baia de Penobscot, quando Castine ainda era conhecida pelo singelo nome de Majabigwaduce (Bagaduce, para os íntimos), quando ainda não havia o estado do Maine e toda aquela região pertencia a Massachusetts. Essa viagem foi-me proporcionada lendo as quase quinhentas páginas na edição brasileira de O Forte, de Bernard Cornwell. Sim, foi sem dúvida a aventura literária que inspirou a aludida exploração virtual daquelas paragens da Nova Inglaterra e muitas outras pesquisas.


Em 1799, quando se passa o romance de Cornwell, os malditos ingleses se instalaram na península de Majabigwaduce e os malditos rebeldes americanos reuniram a maior frota naval da Revolução Americana para chutar os traseiros reais dos casacas vermelhas do território americano. O resultado foi desastroso para os yankees e figurou como o maior fracasso da Marinha estadunidense até os japoneses proporcionarem um ainda maior, em Pearl Harbor, em dezembro de 1941. Em uma entrevista concedida nos Estados Unidos, objetivando a promoção do livro, o próprio Cornwell não escondeu nada e, portanto, considerei bastante curioso o fato da sinopse que acompanha a edição brasileira tentar fazer um suspense sobre o desfecho da Expedição de Penobscot (The Expedition to the Penobscot). Ora, trata-se de um livro de Cornwell e não de um filme de Tarantino. Lembro bem de ter vibrado em Bastardos Inglorius, quando Tarantino, em sua pequena vingança, fez o Füher morrer metralhado em um teatro francês, mas quando se trata de Bernard Cornwell o que você pode esperar é um grande apego aos fatos e registros tais como constam nas páginas da historiografia.

É de se ver que O Forte possui grandes personagens. Pelo lado americano, merecem destaque Peleg Wadsworth, Paul Revere e o valoroso Major Welch of the marines. Por outro lado, os casacas vermelhas bem se fazem representar por John Moore e pelo general escocês Francis McLean. Um fato interessante é que Cornwell, diplomático, transita pelos dois lados da história, o americano e o inglês, sem eleger mocinhos e bandidos. Essa ausência de partidarismo do autor, um inglês que vive os EUA, acrescenta credibilidade à obra, sem despertar ou acirrar velhas rivalidades. Fato raro nos livros de Cornwell, useiro e vezeiro em narrar suas histórias do ponto de vista inglês, sem esconder seus ressentimentos contra os franceses (os sapos, os bastardos comedores de lesma), por exemplo. Em O Forte, são os desgraçados dos americanos lutando contra os malditos ingleses e, enquanto o foco é transferido de um grupo ao outro, durante a leitura, me surpreendi aderindo à causa da liberdade dos rebeldes, contra os malditos súditos do rei lunático da pérfida Albion, mas Cornwell manteve-se equânime. Estimo que alguém que não conhecesse Cornwell, poderia supor que ele é um autor suíço, tamanha é a sua neutralidade.


Um dos grandes desafios de Cornwell ao pisar nesse reduto intocável da História da Revolução Americana, “sacred territory” em suas próprias palavras, foi trazer à tona uma história que os americanos fizeram questão de esquecer. Afinal, porque perderiam tempo falando do insucesso da Expedição de Penobscot quando havia tanto a se falar sobre Bunker Hill e Saragota, por exemplo? Ainda assim, Cornwell narrou a tragédia e fez questão de revelar um comportamento humano, demasiado humano, de um dos maiores heróis patriotas, Paul Revere.

Pelo visto, Revere não deve sua fama e sua belíssima estátua equestre em Boston ao seu desempenho em Majabigwaduce em 1799. Por uma grande ironia do destino o status de Revere se deve ao neto de um dos homens que, talvez, mais tivesse motivos para censurá-lo, o general Peleg Wadsworth.O seu neto, Henry Wadsworth Longfellow, guindou Revere ao olimpo dos grandes heróis patriotas ao dar à luz o célebre poema Paul Revere’s Ride, cujos primeiros versos soam assim:

Listen, my children, and you shall hear Of the midnight ride of Paul Revere, On the eighteenth of April in Seventy-five; Hardly a man is now alive Whore members that famous day and year.

Prestem atenção, meus filhos, e vocês ouvirão contar sobre a cavalgada à meia-noite de Paul Revere, no dia dezoito de abril de mil setecentos e setenta e cinco. Dificilmente existe alguém, ainda vivo, que se lembre deste famoso dia e ano.


Naturalmente, não é de hoje que os grandes escritores insculpem indelevelmente os ídolos no imaginário popular. Afinal, o que seria de Aquiles sem Homero? De Alexandre sem Calístenes, de Napoleão sem Victor Hugo, sem Byron, sem Tolstói? Em todo caso a narrativa de Cornwell desconstrói a lenda forjada por Longfellow até mesmo em relação à cavalgada noturna do herói, de Boston a Lexington, pois não deixa de relatar que Revere sequer levou a cabo sua aventura revolucionária, por certo que foi capturado pelos ingleses e logo depois liberado incólume, conquanto destituído de seu cavalo. Na seção de respostas aos leitores de seu site oficial, com a diligência e a simpatia de estilo, ao ser questionado sobre o novo perfil de Paul Revere, que pintou em O Forte, Bernard Cornwell afirmou que tudo que foi dito sobre o patriota no livro tem pelo menos duas fontes. Ele sintetiza:

He was a fervent patriot, a great metal-worker, a successful businessman, a loving father, but he was also quarrelsome, resentful of orders,and definitely not cut out for a soldier's life!

Em tradução livre:

Ele era um patriota fervoroso, um grande metalúrgico, um empresário de sucesso, um pai amoroso, mas também era brigão, se ressentia das ordens recebidas, e definitivamente não foi talhado para a vida de um soldado!

É possível, inclusive, encontrar-se uma ligação entre todos esses eventos e o Brasil, tênue, é verdade, mas fruto da pesquisa e do interesse que o livro despertou: Longfellow, o neto do general Peleg Wadsworth, autor da ode aos feitos de Paul Revere, era um dileto amigo de D. Pedro II, cognominado o Magnânimo, conforme atestado pelo Volume 4, Número 2 da Longfellow House Bulletin que relata a longa correspondência trocada entre o Imperador da Casa de Bragança e o Poeta no século XIX.


Nada obstante, Cornwell especializou-se em fazer poesia de outra maneira: sua métrica é rasgada no papel em tintas rubras de sangue. Em O Forte as descrições das refregas e escaramuças são intensas e dramáticas. Tanto que quando cheguei à tradicional Nota Histórica e soube do número estimado de baixas do evento, considerei que foram muito poucas, dado as descrições sangrentas e vívidas do livro. Os canhonaços, salvas de metralha, saraivadas de mosquetes e as baionetas sangrentas pintadas por Cornwell fizera-me imaginar um número muito maior de mortes de ambos os lados.

Por fim, devo consignar que me foi impossível não pensar em Sharpe. Naquele mesmo ano, 1799, como cediço, o recruta Richard Sharpe estava servindo na Índia, cerrando fileiras sob o comando de Arthur Welesley na expedição encetada para derrubar o Sultão Tipu. Conforme se vê em O Forte, outro grande guerreiro também iniciava sua carreira em 1799, o então jovem tenente John Moore quea cabou por se tornar um grande personagem na versão romanceada de Bernard Cornwell. Imagino que Sharpe teria gostado muito de conhecer Moore, um oficial capaz de disparar um mosquete cinco vezes em menos de um minuto, mas a verdade é que Moore morreu na Batalha de Corunha em janeiro de 1809, na mesma época em que o então tenente Richard Sharpe, liderando um destacamento de fuzileiros, foi separado com seus homens do exército britânico e, cercado pelos franceses, foi obrigado a fugir e aceitar a ajuda do oficial da cavalaria espanhola, major Blas Vivar. Com isso Sharpe e Morre jamais se encontraram, o que considero uma grande pena. Mesmo assim, o ar respirado em O Forte é o mesmo dos livros de Sharpe, a mesma fumaça, o mesmo cheiro de ovo podre da pólvora que dispara muitos mosquetes e mesmo cantarolar das antigas canções da soldadesca:

Here's adieu to all judges and juries!

Justice and Old Bailey, too;

For they bound me to King George's Army

So Adueu to Olde England Adieu…

A diversidade das pesquisas que os temas propostos em O Forte inspiram é mais do que suficiente para considerá-lo um dos melhores livros de Cornwell que li. Porém, assim como o Sharpe em Trafalgar, talvez algum editor devesse pensar em uma edição, senão ilustrada, ao menos acompanhada de um glossário para termos náuticos. Por mais que seja possível acompanhar pela intuição e pelo contexto, além, é claro, de recorrer ao imprescindível Google, foi difícil não ficar perdido quando, à fls. 415, a “giba foi içada e recuada para colocar o Warren contra o vento, e então, enquanto a bujarrona e a vela de estai do masteréu do velacho eram içadas e firmadas, os joanetes inflaram com o vento fraco [...]”

Faço, ainda, um derradeiro registro acerca da tradução. Em que pese, infelizmente, jamais tenha lido qualquer livro de Cornwell no idioma original, nessa leitura de O Forte, senti que havia algo de impróprio nos diálogos ao ver os personagens usando o pronome “você”ao se dirigirem aos outros do mesmo grau na hierarquia militar. Confesso que esse detalhe, que deve estar presente em outras traduções, jamais havia me despertado a atenção. Talvez recentes leituras de romances de Machado de Assis e, sobretudo, de Memórias de um Sargento de Milícias de Manuel Antônio de Almeida, tenha-me levado a imaginar que nos séculos XVIII e XIX os personagens deveriam utilizar, no mínimo, a segunda pessoa, de maneira que um oficial, se dirigindo a outro de igual estatura talvez devesse utilizar o “tu” e dirigindo-se a um superior o “vós”. Leiko Gotoda fez algo parecido em sua tradução de Musashi de Eiji Yoshikawa, conforme ela própria explica em elegante nota no início da referida obra. Pensando nos livros que estão por vir, é o nosso humílimo registro imaginando, quem sabe, estimular a reflexão da equipe da Editora Record e do tradutor Alves Calado.

Por fim e voltando a falar em O Forte, há uma questão para a qual nem mesmo o Google pôde me ajudar a encontrar uma resposta: o que diabos significa Majabigwaduce?

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Adrya_Daewen 25/06/2012

Um tanto parado...
Na verdade só comprei o livro porque era do Cornwell. Eh interessante, mas se torna um tanto cansativo, ainda mais quando não se entende as manobras e o vocabulário nautico. Tive que apelar para os dicionários várias vezes. Como em O Condenado, fiquei com a sensação de que o Cornwell eh muito melhor em aventuras épicas sobre a História Inglesa. Recomendo a leitura aos fãs do autor como eu, mas prefiro o estilo dele em As crônicas saxônicas ou Rei Arthur.
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