Mansfield Park

Mansfield Park Jane Austen




Resenhas - Mansfield Park


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Gigi 08/10/2020

Sobre explorar os bosques misteriosos de Mansfield Park (e da vida): uma resenha sobre o meu livro menos favorito de Jane Austen
Eu nunca gostei muito do romance Mansfield Park. Quando reli o livro pela segunda vez, para o nosso projeto de leitura coletiva Na trilha da Jane, decidi encontrar respostas para essa pergunta que não saía da minha cabeça: “O que Mansfield tem de diferente dos outros livros da Jane Austen que tanto me incomoda”?

Na história, a protagonista Fanny Price aos nove anos é adotada por seus tios ricos e passa a viver com a família Bertram – o casal e os seus quatro filhos – em Mansfield Park. A heroína não tem nenhuma atributo excepcional ou personalidade forte, como Emma Woodhouse, de Emma, ou Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito. Fanny passa a vida à serviço da tia, Lady Bertram, sente-se inferior aos primos e também é constantemente atormentada por Mrs. Norris. É quieta, tímida, sofre em segredo por causa de seu amor pelo primo Edmund.

Eu sempre detestei Fanny Price por ser tão passiva frente aos acontecimentos e por sofrer calada com as injustiças que lhe faziam.

Mas ao reler a obra, passei a me questionar: Será que eu não gosto da Fanny porque invejo seu autocontrole? Por sua forma de analisar com clareza as situações e interesses humanos? Ou por fazer algo que está cada vez mais raro nos dias de hoje – doar-se e pensar nos outros em primeiro lugar? Na verdade, ser forte não significa que precisamos dizer frases espirituosas. Podemos demonstrar coragem nos pequenos atos, ao nos manter firmes em nossos ideais e convicções, como quando Fanny rejeita o Mr. Crawford.

Acho que o que me incomoda mesmo em Mansfield Park é que Jane Austen nos trouxe uma protagonista que sofre os dilemas de uma vida comum: não é rica, está aprendendo a lidar com as máscaras e interesses da sociedade, gosta da quietude e de caminhar em meio à natureza, está apaixonada por um homem que gosta de outra mulher, tem dificuldades de se expressar em público. Quando nos identificamos com personagens, muitas vezes buscamos aquelas que têm qualidades que admiramos, que ressaltam nossos pontos fortes. Mas com Fanny, Austen faz exatamente o contrário: escancara as fragilidades do que é ser humano, mostra-nos as alegrias e as dores de sentir em demasia, relembra-nos que não temos controle sobre as ações dos outros. Não é fácil encarar na protagonista as nossas próprias vulnerabilidades. É como se estivéssemos nos encarando nus em frente a um espelho.

Percebi que Fanny é uma gigante em sua timidez, pois na história temos acesso à confusão de seus sentimentos conflitantes, à firmeza de seu caráter, à complexidade do que é ser humano. Eu ainda não gosto muito de Mansfield Park. Enfim, não é fácil assumir as próprias fragilidades, como nos mostrou Fanny. É preciso de uma boa dose de coragem. Essa obra é um tanto mais sombria que as outras de Austen, mas não deixa de ser um romance magistral. Explora na linguagem irônica da escritora os dramas humanos e nos ensina sobre rejeições, jogos de interesses, amor e tudo o mais que envolve o sentir em toda a sua intensidade.

site: http://longedaquiaquimesmo.com/sobre-explorar-os-bosques-misteriosos-de-mansfield-park-e-da-vida-uma-resenha-sobre-o-meu-livro-menos-favorito-de-jane-austen/
Marina Cosette 08/10/2020minha estante
Uau! Que percepção legal ?


Gigi 08/10/2020minha estante
Obrigada, Marina! Fico feliz que gostou da resenha.




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Patricia.Pereira 19/08/2020

O mal está mais no fundo; na absoluta ignorância desses sentimentos, de cuja existência ela sequer desconfia; numa perversão mental que a fez achar natural tratar o assunto dessa forma. (por Edmund, p. 555)
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Giovanna 29/07/2020

"E embora por vezes tivesse sofrido muito, embora seus motivos com frequência tivessem sido mal interpretados, seus sentimentos, desconsiderados e sua inteligência, subestimada, embora ela tivesse conhecido as dores da tirania, da zombaria e do abandono, quase sempre seus dissabores levaram a algo consolador."

"Fanny sabia muito bem o que queria, porém não sabia avaliar a maneira como expressava sua vontade. Não percebia até que ponto sua irremediável gentileza escondia sua firme determinação. Com sua timidez, sua gratidão, sua doçura, imprimia uma conotação de renúncia a toda manifestação de indiferença; parecia infligir a si mesma tanto sofrimento quanto a ele."
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Fernanda 19/07/2020

Fanny Price não é uma heroína convencional, apesar de ser considerada extremamente submissa, ela mostra sua força exatamente no fato de conseguir abnegar-se de seus desejos em favor de preservar o bem estar e os valores e virtudes dos demais. A escrita da Jane é maravilhosa, nos prendendo completamente a história e a edição da Penguin Companhia é excelente, esse tornou-se facilmente um dos meus livros favoritos da autora juntamente com Emma.
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Aline.Sacramento 22/06/2020

Amei
Não sei como vou viver agora que acabei, queria mais. Jane Austen rainha como sempre.
Carlos 22/06/2020minha estante
Já leu "Orgulho e Preconceito"?


Aline.Sacramento 22/06/2020minha estante
Já sim. Gosto muito, foi o que li primeiro dela.




Celi Gomes 16/06/2020

Perseverem que melhora
O início é promissor e a leitura é gostosa até que se perde em meio a cansativas conversas sobre reformas e teatros, mas então quando isso tudo passa a história volta a ser gostosa e vc se vê ansiosa com as probabilidades, com o que pode acontecer e torce para personagens que te cativaram durante a leitura. O último capítulo me deixou um pouco decepcionada, pois se tornou um resumo do desfecho, preferia que tivesse mantido a mesma forma do restante do livro.
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Laura Neves 05/04/2020

Previsível e ao mesmo tempo intrigante.
O romance de Jane Austen conta a história de Fanny Price, uma jovem de uma família de poucas posses criada desde os 10 anos de idade por seus tios ricos em Mansfield Park.
Uma escrita irônica, cercada de críticas à sociedade patriarcal do século XIX, mas que aborda temas que fazem parte dos dias atuais.
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Deh Oli 20/02/2020

Irreproxavel
Acredito que esse seja um dos livros da autora que mais requer atenção durante a leitura para se entender tudo o que acontece, mas nem por isso deixa de ser prazeroso!
Consigo ver em Fanny Price a heroína que ela é por seu caráter e convicção em fazer o certo, mesmo sofrendo tanto do começo ao fim da história...
Recomendo para mentes sensíveis!
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Thayna 29/10/2019

Que jornada foi essa leitura!
Eu comecei esse livro de uma forma bem despretensiosa e não esperava terminar gostando tanto dessa história e de Fanny Price. O início desse livro é lento, exige paciência, para absorver os detalhes, Jane Austen faz questão de nos apresentar nos mínimos detalhes, as motivações, as inseguranças e a contextualização da época, para que assim entendamos os porquês algumas atitudes dos personagens e algumas passagens ao longo da história.

Esse foi o segundo livro que li da autora, como minha primeira leitura foi Orgulho e Preconceito, eu esperava (erro meu, confesso) encontrar alguma semelhança seja de escrita ou nos personagens com Mansfiled Park, mas esse livro é totalmente diferente, Fanny Price é uma personagem interessante, ao longo do livro passamos por vários sentimentos em relação a protagonista, de início podemos acha-la sem muitos atrativos, mas conforme a história flui, vemos seu desenvolvimento, e a autora nos dá essa oportunidade (e sensação) de ver como a personagem vai amadurecendo ao longo da história. Fanny é tímida, insegura... mas seu maior atrativo é sua lealdade, sua fidelidade para com aqueles que ama e com suas crenças, ela não se deixa ser contrariada, ainda que tenha receios em explicar o que pensa, ela é fiel ao que acredita e sempre busca entender ambos os lados, ainda que tais ideias não estejam de acordo com o que ela crê, em um resumo geral, Fanny Price acabou se tornando uma das minhas personagens favoritas.

Mansfield Park foi uma leitura interessante, Jane Austen, nos entrega personagens interessantes, muito bem construídos, cada um com seu jeito único e opiniões pessoais. A história aborda muito a importância de se ter um bom casamento, a autora debata de uma forma interessante essa questão ao longo da história, a forma que ela explana como se davam as relações familiares na época, como o cenário na época também influenciava muito na construções das relações é instigante. Mansfield Par, rende risadas, temos uma narrativa que ás vezes cai para a ironia e deboche e depois passa a ser mais explicativa e reflexiva, e a forma que ela faz a transição entre um termo e outro é maravilhosa de se ler.

No geral, Mansfield Park nos entrega uma personagem romântica e cativante, acompanhar seu amadurecimento ao longo da história foi algo incrível. Minha única ressalva em relação a esse livro é o último capitulo ele se torna corrido, fora de sintonia com tudo o que nos é apresentado, na minha opinião, até a narrativa é diferente, a autora fala às pressas o rumo de cada personagem. Recomendo a leitura, para quem já leu algum outro livro da autora, mas acho que para escolher esse livro para “conhecer” Jane Austen não é uma boas indicação, ele é extenso, lento e exige paciência e um pouco de “familiaridade” com a narrativa da autora.
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Lara 01/08/2019

angistiante
mais um que leio da autora e achei sensacional. A forma como ela constrói os personagens é tão profunda e instiga a ler mais. Também gostei de como ela desenvolve a protagonista, que é fiel a si mesma e em nenhum momento, apesar de aparentemente ser frágil e maleável, deixa de seguir suas próprias convicções. Só não dei as 5 estrelas por ter achado o final muito rápido. Em uns breves parágrafos tudo se resolveu e faltou aquele gostinho do romance se consolidando. Mas é muito bom e entrou pro meu top 3 da autora ;)
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Su 18/11/2018

Após reler Emma e me surpreender com a minha reavaliação da história, decidi reler Mansfield Park também, até porquê, esses eram os únicos livros da Jane que não tinham despertado em mim sentimentos bons pelas personagens principais.
Trinta anos atrás, Maria Ward tirou a sorte grande ao se tornar Lady Bertram. Com isso, suas irmãs passaram a circular em um meio muito mais abastado do que o que tinham acesso anteriormente. Naturalmente, esperava-se que elas fariam ótimos casamentos, tal qual sua irmã havia feito.
No entanto, isso não ocorreu. A mais velha das irmãs Ward casou-se com o reverendo Norris, amigo de Sir Bertram, e passou a viver em Mansfield. Já Frances, fez um casamento desastroso, ao se ligar a um tenente dos fuzileiros navais, sem dinheiro e sem instrução. Por ser detentor de um bom coração, Sir Bertram, realmente, queria ajudar ambas as irmãs de sua esposa, apesar disso, as relações entre Lady Bertram e Frances, agora Mrs. Price, foram cortadas.
Por onze anos, Lady Bertram e Mrs. Price não mantiveram qualquer tipo de comunicação. Em Mansfield Park, os Prices apenas eram citados quando Mrs. Norris comentava sobre o nascimento de mais um filho de Frances. Porém, essa situação mudou com a gestação do nono filho de Frances, seu marido não era mais capaz de trabalhar como militar, além disso, havia se tornado um alcoólatra, dessa forma, ela enviou uma carta para sua irmã pedindo auxílio. Com isso, Frances recebeu, por parte dos Bertam, dinheiro e bons conselhos. Mas, isso não foi o suficiente para Mrs. Norris, que sugeriu que se propusessem a criar a filha mais velha do casal. Dessa forma, Fanny Price, então com dez anos, foi morar em Mansfield Park.
Ao pensar que poderia mudar minha opinião sobre Fanny, me enganei. Continuo pensando que Fanny não possui todas as qualidades, aparentemente, louvadas por Jane Austen em sua narrativa. É verdade que ela cresceu em um lar onde foi continuamente negligenciada e rebaixada. Porém, o que parece timidez e submissão, ao longo do livro, foi visto por mim como um sentimento de superioridade exacerbado e um julgamento muito definitivo sobre a personalidade dos demais. Enfim, na minha opinião, o livro, em si, é maravilhoso, não poderia ser de outra forma sendo Jane Austen. No entanto, os personagens principais não me cativaram de forma alguma.

“A estrada corria por uma região aprazível, e Fanny, cujas cavalgadas jamais haviam sido muito extensas, logo se encontrou além da área que conhecia, feliz por observar tudo que era novo e admirar tudo que era belo. Não era muito solicitada a se juntar à conversa dos outros, nem desejava isso. Seus próprios pensamentos e reflexões habitualmente eram seus melhores companheiros, e observando a aparência da região, a situação das estradas, a diferença do solo, o estado da colheita, os chalés, o gado e as crianças, encontrava divertimento que só poderia ser aumentado se pudesse conversar com Edmund sobre o que sentia.”
José Frota 24/07/2019minha estante
Ainda estou lendo e realmente concordo contigo em relação a Fanny.




Priscila 09/08/2018

Entendendo Fanny Price
Este é um romance onde Jane Austen revelou com profundidade a personalidade de sua protagonista Fanny Price, dando oportunidade ao leitor de passar por vários sentimentos em relação a mesma, pois trata-se de uma personagem, à primeira vista, sem grandes atrativos.
É ao desenrolar da sua história que podemos passar da impaciência à compreensão de suas atitudes, da indiferença à admiração de seu caráter pois, mais do que qualquer outra personagem de Jane Austen, nos é revelado seus mais secretos pensamentos, sua vulnerabilidade e suas convicções.
Por se tratar de uma personagem sem carisma, a sua humanidade desvendada sem floreios traz ao leitor reflexões sobre várias questões relacionadas à submissão, desconfiança e atitudes preconceituosas, características desenvolvidas em consequência da posição que ela ocupa na família e da sua história de vida.
Como é discutido no prefácio de Kathryn Sutherland, Fanny Price é uma heroína romântica. De fato, a sua maneira de amar, os livros que lê e os seus ideais são bastante característicos do Romantismo e é interessante acompanhar a sua trajetória onde não se oculta a complexidade de suas emoções.
Os outros personagens são muito bem caracterizados e também podem despertar no leitor diversas reflexões, principalmente em relação às consequências de suas atitudes.
A trama da história é centrada nos problemas familiares típicos da fase em que o romance foi escrito, onde a Inglaterra estava envolvida em conflitos com outros países, trazendo para o leitor certo conhecimento das organizações familiares da época, o que também é muito interessante.
Bárbara M. 11/08/2018minha estante
Muito boa a resenha!! ???


Bárbara M. 11/08/2018minha estante
Muito boa a resenha!!




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