Mansfield Park

Mansfield Park Jane Austen




Resenhas - Mansfield Park


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Deh Oli 20/02/2020

Irreproxavel
Acredito que esse seja um dos livros da autora que mais requer atenção durante a leitura para se entender tudo o que acontece, mas nem por isso deixa de ser prazeroso!
Consigo ver em Fanny Price a heroína que ela é por seu caráter e convicção em fazer o certo, mesmo sofrendo tanto do começo ao fim da história...
Recomendo para mentes sensíveis!
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Gigi 08/10/2020

Sobre explorar os bosques misteriosos de Mansfield Park (e da vida): uma resenha sobre o meu livro menos favorito de Jane Austen
Eu nunca gostei muito do romance Mansfield Park. Quando reli o livro pela segunda vez, para o nosso projeto de leitura coletiva Na trilha da Jane, decidi encontrar respostas para essa pergunta que não saía da minha cabeça: “O que Mansfield tem de diferente dos outros livros da Jane Austen que tanto me incomoda”?

Na história, a protagonista Fanny Price aos nove anos é adotada por seus tios ricos e passa a viver com a família Bertram – o casal e os seus quatro filhos – em Mansfield Park. A heroína não tem nenhuma atributo excepcional ou personalidade forte, como Emma Woodhouse, de Emma, ou Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito. Fanny passa a vida à serviço da tia, Lady Bertram, sente-se inferior aos primos e também é constantemente atormentada por Mrs. Norris. É quieta, tímida, sofre em segredo por causa de seu amor pelo primo Edmund.

Eu sempre detestei Fanny Price por ser tão passiva frente aos acontecimentos e por sofrer calada com as injustiças que lhe faziam.

Mas ao reler a obra, passei a me questionar: Será que eu não gosto da Fanny porque invejo seu autocontrole? Por sua forma de analisar com clareza as situações e interesses humanos? Ou por fazer algo que está cada vez mais raro nos dias de hoje – doar-se e pensar nos outros em primeiro lugar? Na verdade, ser forte não significa que precisamos dizer frases espirituosas. Podemos demonstrar coragem nos pequenos atos, ao nos manter firmes em nossos ideais e convicções, como quando Fanny rejeita o Mr. Crawford.

Acho que o que me incomoda mesmo em Mansfield Park é que Jane Austen nos trouxe uma protagonista que sofre os dilemas de uma vida comum: não é rica, está aprendendo a lidar com as máscaras e interesses da sociedade, gosta da quietude e de caminhar em meio à natureza, está apaixonada por um homem que gosta de outra mulher, tem dificuldades de se expressar em público. Quando nos identificamos com personagens, muitas vezes buscamos aquelas que têm qualidades que admiramos, que ressaltam nossos pontos fortes. Mas com Fanny, Austen faz exatamente o contrário: escancara as fragilidades do que é ser humano, mostra-nos as alegrias e as dores de sentir em demasia, relembra-nos que não temos controle sobre as ações dos outros. Não é fácil encarar na protagonista as nossas próprias vulnerabilidades. É como se estivéssemos nos encarando nus em frente a um espelho.

Percebi que Fanny é uma gigante em sua timidez, pois na história temos acesso à confusão de seus sentimentos conflitantes, à firmeza de seu caráter, à complexidade do que é ser humano. Eu ainda não gosto muito de Mansfield Park. Enfim, não é fácil assumir as próprias fragilidades, como nos mostrou Fanny. É preciso de uma boa dose de coragem. Essa obra é um tanto mais sombria que as outras de Austen, mas não deixa de ser um romance magistral. Explora na linguagem irônica da escritora os dramas humanos e nos ensina sobre rejeições, jogos de interesses, amor e tudo o mais que envolve o sentir em toda a sua intensidade.

site: http://longedaquiaquimesmo.com/sobre-explorar-os-bosques-misteriosos-de-mansfield-park-e-da-vida-uma-resenha-sobre-o-meu-livro-menos-favorito-de-jane-austen/
Marina Cosette 08/10/2020minha estante
Uau! Que percepção legal ?


Gigi 08/10/2020minha estante
Obrigada, Marina! Fico feliz que gostou da resenha.




Celi Gomes 16/06/2020

Perseverem que melhora
O início é promissor e a leitura é gostosa até que se perde em meio a cansativas conversas sobre reformas e teatros, mas então quando isso tudo passa a história volta a ser gostosa e vc se vê ansiosa com as probabilidades, com o que pode acontecer e torce para personagens que te cativaram durante a leitura. O último capítulo me deixou um pouco decepcionada, pois se tornou um resumo do desfecho, preferia que tivesse mantido a mesma forma do restante do livro.
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Laura Neves 05/04/2020

Previsível e ao mesmo tempo intrigante.
O romance de Jane Austen conta a história de Fanny Price, uma jovem de uma família de poucas posses criada desde os 10 anos de idade por seus tios ricos em Mansfield Park.
Uma escrita irônica, cercada de críticas à sociedade patriarcal do século XIX, mas que aborda temas que fazem parte dos dias atuais.
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Fernanda 19/07/2020

Fanny Price não é uma heroína convencional, apesar de ser considerada extremamente submissa, ela mostra sua força exatamente no fato de conseguir abnegar-se de seus desejos em favor de preservar o bem estar e os valores e virtudes dos demais. A escrita da Jane é maravilhosa, nos prendendo completamente a história e a edição da Penguin Companhia é excelente, esse tornou-se facilmente um dos meus livros favoritos da autora juntamente com Emma.
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Giovanna 29/07/2020

"E embora por vezes tivesse sofrido muito, embora seus motivos com frequência tivessem sido mal interpretados, seus sentimentos, desconsiderados e sua inteligência, subestimada, embora ela tivesse conhecido as dores da tirania, da zombaria e do abandono, quase sempre seus dissabores levaram a algo consolador."

"Fanny sabia muito bem o que queria, porém não sabia avaliar a maneira como expressava sua vontade. Não percebia até que ponto sua irremediável gentileza escondia sua firme determinação. Com sua timidez, sua gratidão, sua doçura, imprimia uma conotação de renúncia a toda manifestação de indiferença; parecia infligir a si mesma tanto sofrimento quanto a ele."
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Aline.Sacramento 22/06/2020

Amei
Não sei como vou viver agora que acabei, queria mais. Jane Austen rainha como sempre.
Carlos 22/06/2020minha estante
Já leu "Orgulho e Preconceito"?


Aline.Sacramento 22/06/2020minha estante
Já sim. Gosto muito, foi o que li primeiro dela.




Eveline 25/05/2013

Mansfield Park de Jane Austen
Os livros de Jane Austen, são magníficos e Mansfield Park não fica atrás.
Austen conta a história de Fanny Price, que é levada da casa dos pais aos dez anos para morar com os tios ricos na mansão Mansfield Park. É nessa casa que conhecemos Tom, Edmund, Maria e Julia, primos de Fanny. Esses recebem a melhor educação, as melhores roupas, passeios e estímulos enquanto Fanny é relegada a ficar com as "boas sobras" e passa a ser uma espécie de dama de companhia para sua querida Tia, Lady Bertram. Mas não pense que Fanny se sente humilhada em comparação com os primos, muito pelo contrário, ela é grata por tudo que os tios e primos fazem por ela, especialmente é grata por Edmund, pois ele é muito gentil com ela.
Fanny é uma garota tímida, meiga, recatada, mas com a ajuda do primo Edmund se torna uma mulher muito inteligente. Observadora como é, julga conhecer bem o caráter das pessoas, isso vai lhe ajudar muito num futuro próximo.
Mora próximo a Mansfield Park, a não tão querida tia, Mrs. Norris, uma senhora cheia de si mesma, econômica e que gosta de falar sobre suas muitas qualidades e cuidados com a família do cunhado, Sir Thomas. Ela vai atormentar só um pouco a vida de Fanny. Digo só um pouco por que ao decorrer da leitura vamos perceber que não precisa de muito para atormentar Fanny, mas também vamos conhecer como ela é dona do seu próprio destino, senhora dos seus sentimentos e um caráter acima da média.
A complexidade da personalidade de Fanny é tanta que no início do livro tive vontade de chacoalhar ela, mas depois Fanny me deixou de boca aberta por ser tão inflexível em suas decisões. Em muitos momentos, eu pensei que ela fosse de ferro por aguentar tanta coisa sem esperança de dias melhores.
O livro é muito bom e trás outros personagens muito interessantes como Miss Crawford e Henry Crawford. Aliás, Henry Crawford merece um pouco mais de atenção da minha parte por ser um personagem muito surpreendente, pois podemos encontrar muitos Mrs. Crawfords hoje. Como Jane Austen pode conhecer tão bem a alma humana em pleno século XIX só faz a minha admiração por ela aumentar.
Poderia escrever muito mais sobre este volume fantástico, mas prefiro recomendar a sua leitura.
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Ziza 23/01/2017

Uma protagonista quase invisível
Eu achei "Mansfield Park" extremamente enfadonho. Sério mesmo! Pra que já leu "Orgulho e Preconceito" ou "Persuasão", estranha demais o andamento letárgico e praticamente sem atividade da narrativa. As coisas só começam a acontecer da metade do livro em diante e isso depois de muita mas muita enrolação.

Fanny Price, a protagonista do livro, é quase invisível. Ela praticamente some nos primeiros capítulos e você fica perdido entre tantos personagens e nomes que se repetem e tantas ações que não fazem sentido na vida da protagonista. Fanny é o tipo de personagem que é tão certinha que chega a enjoar! Por conta de sua extrema introspecção e timidez, é feita de "gato e sapato" por suas "adoráveis" tias e primas. O único episódio que me chamou atenção foi o fato dela se mostrar fiel à sua intuição em não confiar no sentimento de uma figura que, ao final da história, se revelou um tremendo crápula! Ponto para Fanny!

Mas tirando isso...

Mansfield Park não é um romance romântico e sim um romance de costumes e são esses costumes que são mostrados, retratados e criticados o tempo todo pela autora. Se você não vestir a sua "capinha do século XIX", não vai aproveitar nem um pouco a leitura.

UM AVISO IMPORTANTE: Caso você nunca tenha lido nada de Jane Austen, pelo amor da vaca preta, não comece por este livro. Vais achar que ela é chata, mas, ela não é não! Juro! :)
Natalie 23/01/2017minha estante
Às vezes acho que sou o único ser humano que não gosta de Jane Austen.


Ziza 23/01/2017minha estante
kkkkkk


Ziza 23/01/2017minha estante
Este foi o primeiro livro dela que não gostei. Achei a personagem sem brilho e a história chata. Mas continuo gostando da Jane... rsrsrs


Dan 24/01/2017minha estante
''Mansfield'' Park é um tiro no olho! Chato mesmo. Muito diferente de ''Orgulho e Preconceito'' que é maravilhoso de se ler.


Dan 24/01/2017minha estante
Natalie, acho Jane Austen talentosa, mas não a considero o Shakespeare de saias como Carpeux ou Henry James acham. Virginia Woolf era muito mais genial, apesar de alguns deslizes em certas obras. Prefiro Virginia a Austen.


José Frota 24/07/2019minha estante
Estou tentando terminar este livro, mas tá difícil.




Thaís 28/07/2012

Jane Austen, ótima como sempre
Livro muito bom pra quem quer se entreter e ser levado para um local totalmente diferente.
Um leitor atento consegue se utilizar da alta descritibilidade, tanto do caráter dos personagens quanto dos cenários, para criar uma imagem das reações e das paisagens de cada cena.
Desenvolvimento surpreendente, prende a atenção de qualquer pessoa que goste de um enredo bem escrito.
A única coisa que deixa a desejar é o quão rápido ela dá um desfecho para cada um dos participantes dessa história. Parece que depois de todas as aflições passadas por Fanny (personagem mais nobre que já encontrei), Jane Austen quis dar o seu merecido final feliz o mais rápido possível, deixando algumas lacunas.
Mas não posso reclamar muito, pois foi um dos melhores romances que já li.
Monique 05/05/2013minha estante
Concordo com sua crítica ao desfecho.




Ana Nena Lena 14/06/2013

O livro demonstra que mesmo com uma educação elevada, refinamento e distinção,se o caráter do indivíduo não for inclinado a buscar o que é de moral e bons costumes acabam por desmoronar tudo o que foi construído por boas impressões e aparências, prevalecendo de fato a natureza egoísta e vaidosa. E pessoas com essa natureza acabam por prejudicar e causar sofrimentos as pessoas que a rodeiam e para si próprio. Mas também aponta que mesmo que o temperamento fosse inclinado para o que é correto as vezes nos surpreendemos tendo sentimentos como egoísmo, inveja e cobiça. Também aponta que atitudes também são influenciadas por dos sentimentos variados que acabam comprometendo o discernimento, e assim tendo um julgamento distorcido da realidade, cada um enxergando a verdade a sua maneira.
Ju 16/05/2017minha estante
Melhor resenha!




Antonia Sousa 23/02/2016

Mansfield Park
A história de Fanny Price começa quando ela ainda era uma jovem senhorita de oito anos. Sua mãe tinha duas irmãs, uma que fez um casamento viável com um clérigo Sra Norris e outra que fez o melhor casamento possível com Sir Thomas Bertran, Lady Bertran. Das três irmãs a mãe de Fanny foi a que fez o casamento menos favorável, e a quantidade de filhos que começou a chegar ao longo dos anos foi desesperadora. Suas irmãs se compadeceram de sua situação, encontrando resolver ou amenizar levaram a pequena Fanny para morar na mansão dos Bertran, Mansfield Park. Fanny não sabia o que a esperava na mansão. Encontrou suas duas tias totalmente a versas a sua existência, um tio autoritário e sisudo, e quatro primos, Tom Bertran, Edmund Bertran e Maria e Julia Bertran. As mocinhas tinham quase a mesma idade de Fanny, enquanto seus primos já eram adolescentes. Fanny teve uma infância e adolescência difícil e solitária se não fosse pelo auxílio de seu querido primo Edmund. Cada um na mansão tinha uma personalidade, enquanto a Sra Norris fazia questão de cuidar de Mansfield como se fosse a senhora da casa, Lady Bertran vivia para não viver, apenas ficava sentada em sua poltrona, recebendo as regalias e cuidados de sua pequena Fanny. Sir Thomas era um homem de negócios que por muitas vezes se ausentava da mansão por longa data para tratar de assuntos de trabalho. Sua fonte de renda e motivo do seu status eram seus negócios com negros escravos nas Antígua. Já Tom Bertran o varão dos quatro filhos de Sir Thomas e Lady Bertran era um bom vivant, enquanto seu irmão mais novo Edmund via seu futuro em um púlpito pois queria também ser pastor. As irmãs Maria e Julia eram frívolas e mimadas, lindas e esperavam apenas fazer um bom casamento como de costume.
Tudo parecia em paz e confortável. Fanny cresce em estatura e beleza. Seu temperamento é dócil e tudo que faz não é sem a consulta prévia de seu querido primo Edmund. A sua maneira de pensar e agir gira em torno dessa forte amizade, e das coisas que ele a diz. Até que certo dia depois da Sra Norris ficar viúva e o condado ter que receber um novo clérigo para a paróquia, Mansfield Park sofrerá uma reviravolta. A chegada dos novos moradores foi uma enorme novidade, e já não bastasse isso para as noites em Mansfield serem mais animadas, eis que surgem dois personagens impactantes e conflitantes. Henry e Mary Crawford. Irmãos recém chegados de Londres, ambos solteiros. Ela linda e inteligente, ele como a própria autora descreve, não muito bonito mas devidamente interessante para as moças solteiras. A chegada desses dois visitantes causa uma reviravolta no comportamento e nos sentimentos dos moradores de Mansfield Park. A partir daí vemos situações de ciúme, dúvida, desconforto e raiva gerados a partir da presença de Henry e Harry. O desfecho da história é sensacional e nos mostra como podemos nos enganar com os nossos pensamentos e comportamento, mas nunca com os nossos sentimentos. Que podemos sim tentar fazer a cabeça entender o coração mas nunca vise e versa. O final de Fanny Price é belíssimo e o interessante desta personagem de Jane é que ela começa como uma mocinha ingênua e influenciável, e ao longo da narrativa se mostra uma mulher forte, que admite suas fraquezas, dúvidas e sentimentos. A leitura de Mansfield Park é envolvente porque você entra nas angústias da personagem principal, nas dúvidas sobre os seus sentimentos e a vontade que dá é de entrar no livro e tentar resolver tudo as pressas. Mas ninguém melhor que a Jane para poder dar o melhor desfecho possível.

site: www.instagram.com/cirandadelivros
Gabriela.Rodrigues 06/01/2017minha estante
Que lindo! Deu vontade de ler!


Celso 15/07/2017minha estante
Melhor resenha até agora




Marcia 15/03/2016

Mansfield Park não teve a mesma força que Emma ou Orgulho e Preconceito para mim. E atribuo boa parte disso à Fanny, que não é uma protagonista tão marcante como Lizzie ou Emma. Confesso que esse foi o grande desânimo nessa minha jornada com esse livro, pois Fanny foi quase uma mera observadora de tudo, passiva diante dos acontecimentos do livro.

Também me frustrei bastante com a história e, em especial, com o último capítulo, que foi tão corrido que nem deu gosto de ler. Parecia que nem ela mesma estava mais com paciência com a história.
Elania 04/04/2016minha estante
Achei isso também e não se dedicou aos protagonistas quando se descobriram um ao outro.




Lorena 06/03/2017

Um clássico que divide opiniões há mais de dois séculos
O terceiro romance de Jane Austen publicado originalmente em 1814, conta a história da jovem Fanny Price. Por causa da falta de recursos dos pais, e à pedido da mãe, vai morar com os tios Bertram em Mansfield Park. Foi um grande sofrimento para ela se separar dos irmãos, principalmente do seu irmão mais velho William, e no início só conseguia chorar e se sentir completamente deslocada.

A falta de proximidade com as primas também não ajudou muito. Maria e Julia Bertram não eram o melhor exemplo de compaixão. O primo Tom Bertram era do tipo boêmio por ser o herdeiro de Mansfield, porém gentil, mas a princípio não manteve muito contato com Fanny. Edmund, o segundo filho, percebendo a aflição de sua prima, decidiu conversar e ajudá-la a se adaptar. Assim, ele e Fanny criaram uma ligação familiar muito forte e ao longo dos anos se tornaram muito amigos e confidentes.

Conforme crescia, Fanny não se mostrava muito excepcional nos estudos, mas possuía um julgamento justo e boas opiniões, estas muitas vezes discutidas com o primo Edmund. Perto de Mansfield Park morava tia Norris, irmã de Lady Bertram e da mãe de Fanny. Tia Norris gostava de dar palpites em tudo, e neste personagem em especial, Jane Austen utilizou - e muito! - a sua famosa ironia literária. Em qualquer momento oportuno, ela não deixava de inferiorizar Fanny e a colocá-la “em seu lugar” na sociedade e na família. Além disso, persuadia o casal Bertram com muita facilidade e sempre se mostrava disponível para qualquer evento. Já Lady Bertram, aceitava tudo o que tia Norris falava, não tinha muito ânimo para mudança. Ela era do estilo indulgente, utilizava da gratidão e boa vontade de Fanny em seu benefício próprio e se importava mais com o cachorro do que com as filhas.

Assim vivia a família em Mansfield Park, porém, Sir Thomas Bertram acaba viajando para a Antígua à trabalho. Maria flerta com um pretendente adequado para seus interesses, afinal, ela não era do tipo que se casaria por amor e sim com o que fosse mais conveniente. Com a morte do marido de tia Norris, muda-se para a vizinhança a família Grant, e os irmãos de Mrs Grant, Henry e Mary Crawford vem para visitá-los por algum tempo.

Ao conhecer Henry Crawford, Julia e Maria ficam encantadas com seus galanteios, demonstrando mais uma vez a falta de um caráter bem construído e bom senso. Edmund rapidamente se enfeitiçou pelos encantos mundanos e modernos de Mary Crawford. Fanny observou a tudo isso sem emitir opinião. A partir deste ponto, a história começa a dar reviravoltas. Fanny confirma sua paixão por Edmund ao ser deixada de lado por causa de Mary. Sofria, mas não falava nada. Ouvia as aflições de Edmund com muito respeito, apesar do sentimento que nutria por ele.

Enquanto os personagens se envolvem, o caráter e o respeito são a todo momento colocados à prova. Henry primeiramente flertou com Julia, e sem notar causou ciúmes em Maria. Mas, como era um rapaz de galanteios e possuía prazer em partir corações, um tempo depois viu em Maria um vislumbre mais interessante, mesmo sabendo que ela estava praticamente noiva. Mary Crawford, por sua vez, estava mais interessada em Tom Bertram por ser o herdeiro. Mas não demorou muito tempo para ambos perceberem que não existia uma atração e interesse verdadeiros. Ela, então, cedeu às atenções de Edmund. Porém, ao descobrir que ele visava uma vida simples como pároco, sentiu seu interesse abalado. Vários acontecimentos precederam a volta de Sir Thomas à Mansfield Park. A partir daí, a narrativa engrena para Fanny sair de sua zona de conforto, ser observada pelo leitor e buscar o seu destino.

A timidez e a resiliência com que Fanny Price se mostra durante a história é bem diferente das outras protagonistas de Jane Austen, por isso este livro divide muito as opiniões dos leitores e fãs da autora. De qualquer forma, se a protagonista se mostrasse altiva em um ambiente como Mansfield Park, não teria um bom resultado, visto que qualquer comentário inapropriado seria considerado como falsa gratidão e provavelmente seria ainda mais excluída do círculo familiar em que vivia.

Os personagens são bem construídos, cada um com seu jeito único e opiniões pessoais. Mais ousadia e sinceridade? Ou mais bom senso e caráter? A luta contra os verdadeiros sentimentos e o julgamento está sempre presente na pequena bolha de Mansfield Park. Cada um que lê possui interpretações diferentes de uma história tão fictícia e tão realista. Um romance profundo, que há duzentos anos abre discussões e traz o enredo à tona como se tivesse sido escrito ontem. Definitivamente, um clássico que merece ser lido e discutido por vários séculos.

site: https://www.vavel.com/br/literatura/761007-resenha-mansfield-park-de-jane-austen.html
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