O Caderno de Maya

O Caderno de Maya Isabel Allende




Resenhas - O Caderno de Maya


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Lauri 13/02/2019

Decepção .
O caderno de Maya foi minha decepção com a autora do meu livro favorito da vida , A casa do Espíritos .
No livro O caderno de Maya , vamos acompanhar a vida de Maya desde o seu nascimento até sua adolescência e toda sua família ao redor .
Sua infância tão simples e cheia de amor é marcada e bagunçada devido a uma perda irreparável , tudo vira de cabeça para baixo , trazendo extremas consequências .
A autora Isabel Allende nos conta essa história bem traçada e bem estruturada , sempre mesclando os acontecimentos políticos e nos mostra o Chile com sua cultura e estrutura política de uma forma muito simples , porém em alguns momentos o livro de arrasta e com informações desnecessárias para a história , me fez deixar interessada mas logo havia uma queda de acontecimentos , por muitas vezes difícil de pegar o livro novamente .
Por fim , pretendo ler outro livro da autora , pois acredito tanto nela que este livro não é para mim , mas sua escrita é incrível .
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Michel 13/12/2018

Excelente
História muito interessante e bem costurada. A Isabel Allende realmente sabe escrever e envolver o leitor. O livro prende a atenção do início ao fim, mais do que A Casa dos Espíritos, que eu parei na metade para ler O Caderno de Maya, que agora junta-se aos meus favoritos.
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Maria.Jose 28/06/2018

Mais um livro que deixa uma sensação de saudade quando se acaba de ler
Por meio da história de uma garota, vai se passando pela geografia, costumes e história de dois lugares ou mundos diferentes
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ritita 01/12/2016

FUI ATROPELADAAA!
O MELHOR DE 2016! . Não, não pode ser ficção! Mentira sua Isabel!
Leio quase tudo da autora, mas desta vez ela se superou, tô catatônica, pasmada, totalmente esgotada com esta história.
Diz a Isabel que a inspiração para escrever este livro veio do problema com drogas enfrentado pelos três filhos de seu marido. O mais velho enfrentou problemas com heroína durante anos, entrando e saindo de diversas clínicas de reabilitação. A filha do meio morreu de overdose, tendo até se prostituído. Me engana não, menina, e o restante?
A história começa com Maya, uma adolescente de 19 anos, chegando em Chiloé, uma ilha no Chile, onde se refugia, intercalando presente e passado.
Maya foi deixada com os avós paternos pela mãe, o pai aviador, ausente até sua adolescência, estes avós, nada convencionais, Nini e Popo, criaram-na com todos os mimos e proteção, a ponto de dormir na cama deles até 12 anos de idade; depois a moleca envolve-se com duas “amigas” e, sem conhecer a vida, envolve-se com drogas, “minha Nini” coloca a menina numa clínica de reabilitação, de onde ela foge para Las Vegas e, sem um tostão, é “adotada” por um traficante, passando ao uso de todas as drogas possíveis e imagináveis, tornando-se tóxico dependente - Heroína, anfetaminas, álcool, maconha, etc, etc.
Pensam que é só isto? Enganam-se totalmente. Todos, todos os personagens do livro, Nini, Popo, Manuel, Blanca, etc, etc, são espetacularmente bem construídos e a história da revolução no Chile como pano de fundo, sempre. E o amor na vida de Maya? As descobertas sobre o passado da família? Ah! E a ilha Chiloé que Maya vai recuperar-se de tudo que sofreu em Las Vegas? Se for para ir ao Chile e não for lá eu brigo.
Nada falta no livro, drogas/álcool, máfia, prostituições, violências domésticas, preconceitos de raças, violação, incesto, gravidez na infância, perseguições, campo de concentração, assassinato em massa.
Trechinhos:
No Chile as classes sociais dividem o povo, como as castas na Índia ou a raça nos Estados Unidos (…) as “chilotas” (da ilha de Chiloé) são gordas,baixas, com traços indígenas, desgastadas pelo trabalho e as penas”.
“Creio que o meu aspecto foi um secreto alívio para minha mãe, porque eu não apresentava evidência dos gens latino- americanos do meu pai e num aperto poderia passar por escandinava”
Li em ebook e já foi para lista dos físicos, claro que vou querer reler. Nota? Impossível dar nota num "fuoriserie!.
Samara 29/12/2017minha estante
Amo isabel Allende, minha escritora preferida




Laininha 26/08/2016

O melhor livro do mundo!
Não tem nem o que dizer sobre esse livro li ele a 4 anos atrás e até hoje não consigo me esquecer de Maya Vidal.
Simplesmente o melhor livro que eu ja li na minha vida!
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Sangelo 22/03/2016

Um livro que todos deveriam ler.
O caderno de Maya é um daqueles livros que todos deveriam ler, ele conta a história de Maya Vidal, uma jovem que nos conta como foi a sua vida no ano anterior ao qual a trama se passa e como ela reconstruiu tudo depois no tempo atual da trama. Ela começa sua história falando de seus antepassados e sua relação com a história do Chile, como eles se conheceram e a importância do amor de seus avós em sua vida. Tal importância é tão grande que a história toda se desenvolve a partir da narração de Maya contando sua chegada à Chiloé, uma pequena cidade do interior do Chile, e ela só vai parar ali graças as suas escolhas mal feitas depois da morte de seu avô. Lá ela conhece alguns personagens que a ajudaram em sua jornada. Manuel Arias, que possui um relação mais íntima do que se pensa com a família de Maya, Blanca que é apaixonada por ele e Juanito Corrales o garotinho que devolve um pouco da infância e inocência perdidas por Maya na sua adolescência. Durante toda a história vamos descobrindo através de lembranças escritas em um caderno como Maya acabou se envolvendo com as drogas, o tráfico, falsificação de dinheiro e uma investigação policial. Neste romance que é também uma lição de vida, aprendemos como escolhas mal feitas podem destruir uma vida, como a ditadura ao longo da história de qualquer país que já a sofreu pode deixar as suas marcas e traumas e como o amor que nutrimos pelos nossos familiares pode nos salvar das desgraças da vida.
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Mauro.Costa 12/02/2016

Minha bruxa favorita
Como não amar as coisas que a Isabel Allende escreve? Como não se render aos encantos e à magia das tramas sempre vigorosas dessa bruxa, essa alquimista das histórias de amor do mundo real com pitadas espirituais? Estava com saudade das suas personagens, dos seus alter-egos, Isabel! Estou de volta à ficção com vontade!
RafaBritto 12/02/2016minha estante
Entrou pra lista ;)




Beta 03/01/2016

Tocante
no início o livro é um pouco lento...porém aos poucos vamos nos envolvendo na história de Maya...há momentos mt densos contados de maneira leve...adorei...um livro que faz pensar!
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Bella 09/12/2014

Renascimento
O livro narra a história da adolescente Maya, uma pessoa cheia de defeitos e problemas que se vê envolvida com a vida das drogas e tem que sumir por uns tempos a pedido da sua vó para se manter sã e salva, tanto fisicamente quanto psicologicamente, de pessoas que estão perseguindo-a. A narrativa é feita por ela mesma, contando como foi seu passado e presente e como será seu futuro daquele dia em diante. Envolvente!
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Lu 08/12/2014

Na fuga me encontrei
Excelente narrativa. Isabel Allende consegue prender a atenção do leitor através de uma narrativa clara, leve, ainda que trate de aspectos conflituosos de uma adolescente na busca de si mesma. Essa busca inicia com uma fuga não só geograficmaente falando mas de um sofrimento de uma grande perda. Nessa obra Isabel passeia pelas Américas do Norte e do Sul retratando alguns aspectos históricos-políticos-sociais. E e explora a bela geografia do seu amado Chile.
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LER ETERNO PRAZER 06/09/2014

Maya
Maya Vidal,jovem,19 anos,menina-mulher! O que dizer desta jovem? Ela é irresponsável, inconsequente ou uma vítima de abandono do pai e da mãe ou uma pessoa frágil que não conseguiu suporta uma grande perda?
Bom então vamos entrar um pouco na trajetória dessa jovem par ver se entendermos um pouco melhor tudo que aconteceu com ela.Depois disso vocês tiram suas conclusões!
Maya nasceu em Berkeley, Califórnia. Filhe de Marta Otter e Andreas Vidal.Poucos tempo após seu nascimento seus pais se separam, sua mãe abandona seu pai, á seu pai, um piloto de avião, sem ter tempo para ela, a deixa para ser criada pelo sues avós. A partir de então Maya e criada por sua avó - Nidia Vidal - e por Paul Ditson II seu segundo marido que trata Maya como sua neta. Maya tem a infância muito feliz, com muita atenção,carinho e amor por seus avós,principalmente por Paul Ditson II,que Maya chama de "Popo".Ele é o mais carinhos,amigo e compreensivo com Maya, trata-lhe com muito carinho e cumplicidade, são tempo felizes que Maya desfruto junto com seus avós. Mas a felicidade logo a abandona, quando seu Popo cai doente e descobre que tem câncer e os médicos lhe dão poucos anos de vida. Maya então passa pela sua grande perda, seu "Popo" morre e ela cai numa tristeza profunda. Pra completar sua avó cai em uma depressão se afastando e se isolando de tudo. Maya então se ver agora realmente abandonada, seu pai não tem tempo para ela, sua avó Nini esta num estado de transe como se estivesse fora do mundo para completar não tem mais seu "Popo". Tem inicio então a fase negra de Maya, se sentindo abandonada ela começa a se entregar as amizades não muito saudáveis, passa usar alcool e drogas, começa a ter um comportamento mais agressivo.Passa até a roubar coisa de casa para sustentar as baladas e uso de alcool e drogas. Sua então desperta de sua apatia e sai da depressão, descobrindo como anda vivendo sua neta,resolvi interna-la em uma clinica de recuperação,mesmo contra a vontade de Maya assim foi feito,Maya é internada. Tudo parece ir tranquilo, a internação parece que esta dando resultado, mas os planos de Maya e de fugir da clinica por aceita essa atitude da avó. Um belo dia Maya consegue fugir. Pega carona com um caminhoneiro na beira da estrada quando fugia. Essa carona seria um tormento para Maya pois esse caminheiro lhe estrupa de todas as formas. Mesmo assim ela consegui chegar em Las Vegas. Chegando em Las Vegas, Maya conhece Brandon Leeman u traficante de drogas e irmão de um grande falsificador. maya começa a trabalhar para esse traficante, passando droga para seus clientes, cliente caros que frequentam grandes hoteis,zona nobre de Las Vegas. Maya conquista a confiança de Leeman e este lhe conta todos os seus planos, lhe mostra seu esconderijo onde ele esconde todo o dinheiro falsificado que seu irmão lhe repassa para que ele vá colocando em circulação aos poucos. Sem contar que Maya também fica sabendo tudo sobre as placas que são usadas para a falsificação. Mas nesse mundo e sempre rodeado de ganancia traição e os dois homens principais de Leeman planeja mata-lo para ficar com o domínio de tudo.E assim acontece, Leeman é assassinado por seu dois homens de confiança, ai ele passam a procurar por Maya. Maya é avisada por um amigo e foge rapidamente. Nessa sua fuga Maya se vive sua pior fase se transforma em uma garota de rua cometendo furtos para sustentar o vício, sem teto,sem roupas vira uma mendiga, suja e mal cheirosa. Se vicia a todo tipo de drogas da maconha ao crack.Os dois capangas de Leeman ainda a encontram e tentam de todo jeito arrancar de Maya tudo que ela sabe. Eles a maltratam, mas com a ajuda de seu amiga Fredy consegui fugir novamente. Fraca , ferida e com muita fome( Sofrendo muito com a falta das drogas). Fredy a leva para a casa de Olympia,uma enfermeira que ele havia conhecido quando era paciente do hospital onde ela trabalhava. Olympia cuida de Maya sem fazer perguntas, trata seus ferimento, tem paciência com suas crises de abstinência e a alimenta. Quando ver que Maya esta bem melhor,pede para entrar em contato com sua família. Maya lhe da o numero de sua avó. Sua avó vem pega-la com seu pai. Resolvem mandar Maya para uma lugar distante para que se esconda e se recupere de tudo. Sua vó então lhe leva para uma ilha no Chile, mais precisamente na ilha de Chiloé. Nessa ilha Maya ira mora na casa de Manuel Arias um velho amigo de avó. Manuel é homem simples, tranquilo mais cheio de mistérios e histórias, um passado que irá se confrontar com o de sua avó e nos dará um desfecho inesperado para a história de Maya.
Nessa obra Isabel Allende, com sua personagem Maya,que é quem nara toda a história nos transporta para por sentimentos e lugares, os sentimento contados por Maya são os mais profundos do ser humano. Abandono,amizade,companheirismo,caráter,a falta de caráter, solidão, luta por uma vida melhor,a força de vontade par vencer suas fraquezas. Tudo neste livro é forte e nos conquista de tal forma que quase não conseguimos parar de ler. Allende também nos mostra um pouco do seu país ao nos mostra um pouco da suas tradições de como foi avida politica e social do Chile após o golpe de 1973.Um ótimo livro,nele você ira ver a importância que tem você esta sempre próximo de seus filhos.
Para finalizar, é uma obra que com certeza você ira ler e reler sem cansar. Recomendo.
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Fimbrethil Call 05/05/2014

Policial com ficção histórica.
Muito bom, empolgante mesmo esse livro que mistura o intimismo e a ficção histórica de Isabel Allende com suspense e policial. Realmente ótimo.
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Fernanda 25/04/2014

Fazia algum tempo que não lia um livro tão bom, daqueles que quando a gente encosta a cabeça no travesseiro fica tentando rememorar a estória, que dá vontade de dormir agarradinho e torce pra não acabar nunca mais.

O Caderno de Maya foi uma leitura singular, talvez seja pelo momento escolhido ou por outros “enes” motivos. Fato é que me deliciei com cada vírgula, cada palavra. Allende tem um modo tão terno de escrever, que serviu como um agasalho para o coração.

Fiquei encantada pelos personagens, cada um à sua maneira. Pode parecer estranho, mas não costumo me afeiçoar por muitas figuras em uma determinada obra, mas este livro em especial tantos foram os personagens que ganharam o meu amor que seria dificílimo apontar o predileto.

Confesso que essa foi a primeira obra que li da escritora peruana e me bateu uma sensação de arrependimento de não tê-la descoberto antes.
Arsenio Meira 25/04/2014minha estante
Oi Fernanda,
Confesso que jamais reparei nesse romance, mas sua resenha - tão bem escrita e espontânea, um misto de emoção e carinho pela obra - despertou-me o interesse pelo livro. O tema é barra, mas toda a literatura, em seu esplendor, valeu-se mais dos espinhos... Bela resenha. Um abraço
Arsenio


Fernanda 01/05/2014minha estante
Obrigada Arsenio, espero que aproveite a leitura tanto quanto eu! Beijos


Renata CCS 09/09/2014minha estante
Adoro Isabel Allende, mas este ainda não li. Agora fiquei com vontade dessa obra!


Fernanda 10/09/2014minha estante
Recomendo muito a leitura Renata, este livro me tocou bastante. Já não vejo a hora de devorar outras obras da Isabel Allende rs. Beijos.


Dirce 21/03/2015minha estante
Fernanda, caso não tenha lido, fica uma sugestão: A Casa dos Espíritos. Imperdível.


Fernanda 06/05/2015minha estante
Oi Dirce, ainda não li este. Mas já está anotado, obrigada pela dica!


Aline 26/02/2019minha estante
Olá, Fernada. Sou uma grande fã da Isabel Allende e sinceramente esse não foi um dos meus livros favoritos dela, ainda que, conforme vc escreveu, a leitura seja deliciosa. Recomendo "A Casa dos Espíritos" (clássico absoluto) e "Inês da Minha Alma", livro que guardo no coração.




Tassi 08/01/2014

Resenha de "O caderno de Maya"
A história de Maya Vidal me surpreendeu e me ensinou diversas coisas. Uma menina amada e mimada pelos avós, criada numa enorme casa mágica e colorida, com um futuro inteiro para construir. Porém, sua vida mudou drasticamente quando seu Popo amado, seu melhor amigo, morreu e ela resolveu esconder a dor.
O resultado não poderia ser outro. Quando escondemos um sofrimento dentro de nós, ele vai criando raízes, nos fazendo procurar outras maneiras de fugir. Maya encontrou refúgio nas drogas. E pouco a pouco, a menina que dava orgulho a seu Popo e a sua Nini foi mudando, enquanto ela afundava cada vez mais nesse mundo que, se você não for esperto e largar enquanto há tempo, não há outro caminho a não ser o fundo do poço.
Maya foi afundando cada vez mais, até parar na Cidade do Pecado, e se envolver com traficantes, mafiosos e falsificadores de dinheiro. Seu mundo caiu, e a máfia, o FBI e outros estavam à sua procura, enquanto ela se virava nas ruas, jurada de morte.
Entretanto, há uma chance para Maya na pequena Ilha de Chiloé, no Chile. Lugar que ela denomina como "Cu do mundo", mas que acaba a surpreendendo. Em Chiloé, Maya não se sente sozinha. Acaba criando uma amizade com Manuel Arias (que tem um passado cruel) e Blanca.
O Caderno de Maya nos mostra a realidade das ruas, e do mundo das drogas, incrivelmente atraente para muitos jovens, mas na verdade é um buraco. Além disso, com a história de Manuel Arias, e a família Chilena de Maya, descobrimos coisas sobre o Chile que não sabemos. Coisas boas, como a cultura e a paisagem, mas coisas tristes e cruéis, como o momento do Golpe Militar, muito similar à época da ditadura aqui no Brasil. Ficamos horrorizados com as histórias de tormentas que o povo chileno passou, mas aprendemos que as coisas melhoram, pioram e melhoram, num ciclo viciante. Mas o mais importante é nunca desistir.
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Mel 28/10/2013

Maya me bateu
Sempre vi muita gente com Isabel Allende nas mãos, mas nunca dei bolas. De uns tempos pra cá, minha predileção por autores latinos me levou até ela. Meu contato havia sido muito pequeno e evasivo, através de uma adaptação literária para as telonas, cujo filme com a divina Meryl Streep dispensa apresentações. Um dia me joguei sem pensar nas promoções de uma livraria, que cometeu a blasfêmia de vender vários dos seus títulos por 50% de desconto – bom pra mim, ruim para quem escreveu – e foi assim que “O Caderno de Maya” veio parar nas minhas mãos.

Não sou parâmetro no quesito “tempo de leitura”, porque as adversidades “cotidiano-proletárias” me distraem e desviam a minha atenção das páginas de um livro. Durante a semana, no transporte público, meu herói é aquele que depois de tudo o que passa ainda consegue se mover segurando um livro nas mãos. Sou incapaz disso. Só que foi impossível não largar dele, Dona Allende, a senhora conseguiu ganhar do facebook e de todo o resto e é por isso que agora eu tiro meu chapéu e me reverencio. Você É uma diva.

Maya Vidal se apresenta no começo da história, dizendo que está se refugiando em Chiloé, o “cú do mundo” – e que a sua avó (sua Nini), excêntrica, enérgica e lunática (me apaixonei desde o princípio por esta avó) lhe deu um caderno sugerindo a Maya que escrevesse suas memórias, como eu e você fazemos ou fazíamos tantas vezes. Maya não levou isso muito à sério no começo, mas como depois chocou-se com uma tremenda falta de sacanagem em forma de tédio ali onde se foi achar, se viu obrigada a se refugiar nas páginas do caderno presenteado pela avó. E é a este caderno que você terá acesso, permeando por dois fios condutores: o passado e o presente.

Nas duas narrativas, Maya relembra o passado desde quando seus avós se conheceram e como e por que motivo foi criada por eles, até que um fato dramático – o primeiro que desencadeou uma fileira infindável de outros na vida de Maya – a conduziu a o verdadeiro inferno degradante e decadente por onde ela se enfiou na sequência. Entre minutos de lucidez e de resignação ao que estava se tornando dia após dia pelo andar da carruagem, ela se dividia entre saudade, nostalgia, lançando-se a todo o tipo de vícios, todo o tipo de drogas , breves momentos de abstinência e muitos de autodegradação. Chegou ao ponto de se sentir indigna de pedir ajuda, de fazer um simples telefonema e dizer: “Oi, Nini, estou aqui, por favor venha me buscar”. Como a esta altura vocês já devem imaginar, Maya sofreu todo o tipo de violência física e psicológica e quando os outros não faziam isto com ela, ela própria se fazia ou escolhia submeter-se a. Então entende-se porque a autora declarou na contra-capa que Maya a tinha feito sofrer mais do que qualquer outra de suas personagens. Em alguns momentos ela lhe teria dado uns tapas e em outros a envolvido em um abraço, para protegê-la do mundo e de seu coração IMPRUDENTE. Esta imprudência acabou por levá-la a dar uma volta no inferno, no esgoto, no meio de traficantes e bandidos de quilate federal. Afetuou -se a um garoto de 12 anos, há muito tempo já condenado pelo vício sem retorno e que acaba salvando sua vida por mais de uma vez, até que ela caia nas mãos de um grupo de religiosas tão tementes a Deus quanto coerentes e que colocam suas próprias vidas em risco para abrigar uma garota de 19 anos suja até o pescoço. Abrigam-na, protegem-na, deixam-na chiliquenta na cama no meio de mil crises abstinentes até que se consiga uma condição menos degradante possível e que se possa avisar uma avó sem correr o risco de lhe causar um susto mortal.

Essa avó some com essa neta. E é assim que se entende por que ela foi parar num “cú de mundo que se transformou, dia após dia, no olho da galáxia” e de onde ela aprendeu a olhar através da calmaria e do silêncio, para dentro de si mesma e ser verdadeiramente e simplesmente a Maya: uma garota de quase 20 anos que não tem nenhuma pretensão de deletar o seu passado, mas antes aprender a conviver com ele e vislumbrar um futuro de amor, afeto e a liberdade que tanto merece.

Maya me deu sucessivos socos no estômago (inclusive ali, no meio do metrô). Tanto ela quanto a majestosa escrita da Dona Allende te fazem se jogar de cabeça no livro de pouco mais de 400 páginas e se perder (ou se encontrar) em uma leitura deliciosa, colocando-se em contato em primeira pessoa com uma personagem rica porque humana, verdadeira, latente, visceral. Quando você se percebe apegado à ela, percebe também como vale a pena ser exatamente quem você é, e como é, a que usar máscaras perfeitas e lindas. Não é de perfeição que o mundo precisa, nem é beleza que a gente busca. A gente busca o amor. E a gente também se perde muito fácil por causa dele.

site: http://losliteratos.com/2013/10/27/resenha-o-caderno-de-maya-isabel-allende/
Teresa 21/04/2016minha estante
A melhor das resenhas.




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