Incidente em Antares

Incidente em Antares Erico Verissimo




Resenhas - Incidente Em Antares


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Marlon Teske 16/10/2010

Não morram sem ler...
Este foi um dos raros casos em que eu procurei um livro motivado apenas por uma vaga lembrança de uma... novela da globo (!). Na verdade, a mini-série Incidente em Antares, que foi exibida na televisão em horário nobre na época em que eu era apenas um moleque, e lembro de ter ficado positivamente impressionado com ela.

O tempo passou e acabei relembrando da história e indo em busca do livro. E acabei sentindo aquela pontada de pena de mim mesmo por ter demorado tantos anos para ficar curioso a tal ponto. Incidente em Antares é sem dúvida alguma um conto memorável de um humor ácido sobre o modo de vida, o quadro político nacional e o pensamento regionalista gaúcho.

Conforme as palavras do próprio Verissimo: Neste romance as personagens e localidades imaginárias aparecem disfarçadas sob nomes fictícios, ao passo que as pessoas e os lugares que na realidade existem ou existiram, são designados pelos seus nomes verdadeiros.Dividido em dois livros, onde num o autor conta os pormenores da história de Antares ao ponto de torná-la mais verossímil do que muitas cidades que conheço, enquanto noutro é narrado o incidente que dá nome ao livro.

Apesar do "Livro I" ser um pouco mais difícil de ser vencido,ele é igualmente recomendado (no tomo que tinha em mãos, um prestativo leitor deixou um aviso à lápis, sugerindo que todo o texto fosse pulado diretamente até o Livro II). O texto é carregado de um humor sarcástico que talvez seja melhor apreciado com uma "visão sulista do mundo".

Já no livro II, onde é narrado o incidente em si, a história se torna universal. Devido a uma greve geral motivada pelas condições precárias dos trabalhadores das industrias, toda a cidade de Antares literalmente pára. Inclusive os coveiros são coagidos pelos grevistas a não realizarem mais nenhum sepultamento. Por isso, sete esquifes contendo todo o tipo de cidadão antarense são abandonados nos portões do cemitério, aguardando o fim da paralisação.

O caso é que os mortos não estão dispostos a permanecerem insepultos, e regressam à uma paródia de vida, marchando pela cidade exigindo seu imediato sepultamento. Como estão livres dos ditames do mundo dos vivos, usam o que sabe como meio de coação para conquistarem seu direito ao túmulo, jogando na cara da burguesia local todos os seus podres e pecados.

Conforme o tórrido dia passa, o calor faz com que os corpos apodreçam em praça pública, empesteando o ar e as mentes da população que se vê envolta de moscados, urubus, ratos e toda a sorte de criaturas que são, no fim das contas, avatares de tudo o que a sociedade produz de pior e que oculta, de todas as formas, sob as máscaras que ostentam.

Não morram antes de ler esse livro =D
Lido em Março/08
Lyeti 24/03/2009minha estante
Muito interessante a sua explicação para o que o texto retrata: a sociedade. Como em toda a obra de Érico Veríssimo, apesar de ser um autor erradamente conhecido como sulista, as pessoas são confrontadas contra elas mesmas, para assim se reconhecerem.


Aribra 08/04/2009minha estante


Eu li este livro bem jovem e fui reler depois da série da globo, lembrava apenas que a primeira parte era chata, porém na releitura achei melhor e talvez por saber o que acontecia na segunda parte, esta já foi um pouco sem graça.



É um grande livro, realmente! Gostei de sua resenha!


Ka Castoldi 05/10/2009minha estante
Concordo que Érico Veríssimo tenha uma visão sulista do mundo. Sou gaúcha, e sei por experiência própria, que com raríssimas exceções, temos uma maneira de pensar e viver muito peculiar. O confronto das pessoas com elas mesmas, na minha opinião, é algo que apenas complementa o estilo de Veríssimo escrever.

Enfim... xD

Armageddon, a cada resenha tua que leio, me torno mais fã =D


Luiza 15/02/2011minha estante
Excelente resenha, eu ja li, então eu não vou morrer sem ler.
Sou fanzona, desde a adolescencia de Èrico,
vivo recomendando pra minha filha ler.
Muito bom, muito bom, muito bom.


Babi 22/03/2011minha estante
CONCORDO > Incidente em Antares é sem dúvida alguma um conto memorável de um humor ácido sobre o modo de vida, o quadro político nacional e o pensamento regionalista gaúcho.

adorei a resenha!




Isabella.Lubrano 07/08/2015

“NUM PAÍS TOTALITÁRIO ESTE LIVRO SERIA PROIBIDO”
Imagine uma faixa vermelha com esta frase aqui em cima estampando a capa de um livro.

Imagine agora que o livro em questão foi publicado em 1971, durante o governo do general Médici, que ficou conhecido como o auge, os “Anos de Chumbo” da ditadura militar brasileira.... Pode ser que o governo tenha caído na provocação da editora, pode ser que a censura tenha feito vista grossa, pode até ser que eles não tenham entendido nada.

Mas o fato é que o livro “Incidente em Antares”, o mais político e mais satírico do escritor gaúcho Erico Verissimo, miraculosamente conseguiu driblar a censura oficial da época e foi um sucesso de vendas naquele ano de 71.

O livro pertence ao que se costuma chamar de literatura fantástica, porque o evento central da história é um incidente completamente sobrenatural.

Na pequena e pacata cidade de Antares, no interior do Rio Grande do Sul, os trabalhadores estão em greve e os coveiros do cemitério municipal se recusam a enterrar 7 cidadãos que faleceram naquele dia.

Indignados, os sete defuntos se levantam dos seus caixões e, mesmo quando começam a apodrecer a olhos vistos, cheirando mal e tudo, eles voltam pra cidade pra reivindicar o direito de serem enterrados com dignidade.

E aí começa uma lavação de roupa suja entre os vivos e os mortos. E tanta coisa podre é revelada na vida pública e privada dos cidadãos de Antares, que o apodrecimento dos mortos não chega nem aos pés tanta sujeira.

Nessa grande obra da literatura brasileira, Erico Verissimo fala da hipocrisia, da violência e do autoritarismo que sempre estiveram presentes na história do nosso país.

Uma obra que furou a barreira da censura e que ainda ainda hoje, mais de 40 anos depois, continua atual e necessária para todos o brasileiros.

Ficou curioso? Veja a resenha completa no meu canal, através do link aqui embaixo:

site: https://www.youtube.com/watch?v=XEZQYOt0hmE
Cleuzita 24/03/2017minha estante
Pena que a frase título da sua resenha saiu desconfigurada.




Jayme 31/01/2014

Diante de uma greve dos coveiros de Antares, seus mortos em uma determinada época ficam insepultos. Os defuntos, impacientes com sua condição retornam ao convívio dos vivos e podem, agora, livres de qualquer amarra social e despreocupados com a manutenção de suas aparências expressar seus pensamentos livremente.

Saga familiar, realismo fantástico e crítica social combinam-se em Incidente em Antares para expressar as agruras e frustrações de Verissimo com a sociedade brasileira impingida pela desigualdade, amordaçada pela Ditadura Militar, alienada pela Copa de 70 e jogada às trevas pela sua elite hipócrita e conservadora.

Um fato que me conquistou logo de primeira foram os diálogos recheados de ironias e sarcasmo, principalmente quando os personagens estavam se referindo a alguma característica da sociedade brasileira. Verissimo brinca com a tragédia brasileira e humana no decorrer de todo o livro.

O que temos aqui é uma obra muito importante, uma voz a favor da liberdade. E é quase impossível não se arrepiar ao ler as últimas linhas do livro.
Paty 16/07/2014minha estante
Meu predileto de EV.




Ka Castoldi 30/04/2009

Passei excelentes momentos com esse livro! Érico veríssimo é sempre genial em seus livros. E "Incidente em Antares" é a exuberancia de todos os ingredientes que existem em suas obras: comédia, politicidade(?), tragédia, e aquele inegável amor ao solo gaúcho. Eterno e inigualável.
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André Vedder 03/02/2010

Muitos reclamam da primeira parte do livro, mas eu, ao contrário gostei...a história é bem narrada, e acabamos até se inteirando mais sobre a época de Getúlio Vargas...pra mim o livro fluiu muito bem do ínicio ao fim.
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Daniel 18/06/2012

Uma história que assume muito bem o papel de criticar a podridão da elite que comandava o poder político na primeira metade do século passado. Uma metáfora que continua atual.
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Guilherme Pedro 04/01/2017

A podridão pertence aos vivos
Antares nunca seria a mesma. Em plena sexta-feira 13, sete defuntos se levantam de seus caixões e caminham para a praça principal da cidade para impregnar os antarenses com sua podridão cadavérica. O motivo? Uma greve geral leva os coveiros a impedir o sepultamento dos defuntos. Os mortos exigem seu sepultamento imediato, que lhes é negado. A única maneira de conseguirem o descanso eterno é, além de soltar de seus corpos as emanações podres sobre a comunidade, lançar aos antigos vizinhos algo mais podre que o odor de morte: a verdade que cada um escondia sobre sua vida particular.
Pessoas, esse livro é maravilhoso. Como foi um escape de Erico Verissimo para criticar a falta de liberdade brasileira, o livro conta em sua parte um, "Antares", todo o desenvolver sócio econômico dessa cidade fictícia, à luz de eventos históricos que ocorreram na liderança da nação, de início no Rio de Janeiro, posteriormente em Brasília. Não deixem de ler a parte um, pois é o pano de fundo ideal para a parte dois: "O incidente".
Será que os mortos conseguirão o que tanto desejam? Como ficará a população mediante tal experiência demasiada macabra? Leiam, e vejam por si mesmos!
Marcelle Reis 08/01/2017minha estante
Muito boa sua resenha!


Guilherme Pedro 08/01/2017minha estante
Obrigado Marcelle! :-)


Gus Borges 20/06/2018minha estante
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Francieli 22/01/2013

Só reforçou meu aprecio pelas obras do Érico Veríssimo. Mesmo gostando muito do autor, fazia alguns anos que eu não lia nada dele, mas hoje, com um olhar um pouco mais maduro com relação à literatura, não posso deixar de afirmar que o Veríssimo é um autor completo, à frente do seu tempo. Não teve um livro, inclusive “Incidentes em Antares”, que por algum momento eu pensasse em desistir de ler, muito pelo contrário, a história te prende, e você não vê a hora de chegar ao final para descobrir o que vai acontecer.
Bem, em “Incidente em Antares” tem zumbis, tem história política nacional e rio-grandense, tem poema do Quintana, tem uma passagem em que um personagem apresenta opinião, “não muito simpática”, sobre o próprio Érico Veríssimo. É um livro muito bom.
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Mu 20/02/2010

Sem dúvida um ótimo livro!
Adoro autores(principalmente os clássicos e consagrados) que nos transmitem sua cultura sem nos fazer quebrar a cabeça com palavras absurdas, situações chatas e excesso de eruditismo, mas Erico Verissimo realmente me surpreendeu. Eu achei que seria uma leitura chata e dificil, mas eu me prendi a história do início ao fim!
Mesmo na primeira parte do livro, que é uma ótima aula de história política do Brasil, eu me empenhei na leitura e nunca ia imaginar o que me aguardava na segunfda parte do livro.
Uma mistura de romance político e fantástico! Recomendo a todos!^^
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Rafael 16/08/2009

Uma leitura que põe você, leitor, à prova!!!
Este livro chegou até minhas mãos há muitos anos. Era leitura obrigatória no vestibular na Universidade Federal de minha cidade, e minha prima, que nunca gostou muito de ler, me deu de presente. Passavam poucos meses, desde que a TV GLOBO apresentara a minisérie com o mesmo nome. E eu esperei o momento propício e dei inicio à leitura que mudaria o meu gosto literário para sempre.
Quem não tem fôlego, dificilmente chega à 50ª página deste livro de Érico Veríssimo. A narrativa é lenta, tudo acontece em primeira marcha e a história custa muito a começar (se não me engano, mais de 100 páginas se passam até que tudo comece, de fato, a acontecer) e somente os curiosos (o meu caso) seguem com a leitura.
Não me arrependi. Uma história diferente, maravilhosa e altamente criativa. Ainda reli o livro mais uma vez, alguns anos atrás.
Vale a pena mesmo!
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guibre 24/10/2009

"Apesar dos pesares..."
Como enfatizado por outros leitores anteriormente, se trata de um livro que não proporciona satisfação imediata, até mesmo pela minuciosa narrativa elaborada pelo autor, que acarreta na grande extensão da obra.
Na minha avaliação, o livro I é tão interessante (ou até mais) que o livro II, pois no primeiro encontram-se contextualizações em relação a a contecimentos históricos no Rio Grande do Sul e no Brasil, inclusive com raciocínios argumentativos críticos de considerável profundidade (como quando aborda-se a questão da forma de construção da história).

Érico Veríssimo faz corajosas abordagens (considerando-se o ano de edição da obra, 1971) sobre o procedimento das autoridades, fazendo especial menção a corrupção e autoritarismo que se fazem presentes.
Por mais que a denominação da obra diga respeito especialmente ao acontecimento inverossímil que é o tema principal do livro II, mesmo neste não deixam de existir comentários políticos significativos (em especial em relação a denominada "Operação Borracha").
Mesmo o irreal é muito bem trabalhado, gerando situações humorísticas que prendem a atenção a leitura, inclusive revelando vícios e hipocrisias e uma sociedade que tem por sustentáculo as aparências, apresentando situações que podem ser facilmente identificáveis ainda hoje.
Trata-se de uma leitura recomendável aos que detém paciência e disposição para perceber a importância de determinados detalhes que podem parecer supérfluos.
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Bia 26/02/2011

Esse livro eu tive que ler para fazer o vestibular, geralmente esse tipo de livro euacho chato, mas esse nao, eu gostei.
Ele é dividido em 2 parte: A primeira parte do livro é histórica, onde narra a história da cidade de Anteras fazendo referências à vários acontecimentos históricos. já o segundo é alegórico, pois narra o incidente e através de metáforas fala do regime militar, situação em que estava o país naquele período que o autor escreveu o livro.
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Jane Lara 16/01/2009

Fantástico!

Veríssimo é deemais!
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Coruja 21/04/2016

Fim de semana passado rolou debate do Clube do Livro de Bolso sobre Incidente em Antares, do Érico Veríssimo, e, para um livro que foi escrito 45 anos atrás, a essência da história continua surpreendentemente atual.

Dividido em duas partes, o livro começa com uma ampla contextualização histórica da cidade de Antares, que aqui serve como microcosmo para o Brasil. Veríssimo utiliza-se aqui de transcrição de relatos, diários e artigos de jornal para emprestar verossimilhança à narrativa, misturando ficção e História.

A segunda parte, quando ocorre o incidente propriamente anunciado no título, é característica do realismo fantástico latino-americano: no mesmo dia em que é deflagrada uma greve civil dos operários de Antares - incluindo aí os coveiros - sete antarenses morrem e têm negado seu sepultamento enquanto não se resolver a questão.

Sem poderem ser enterrados, os sete mortos retornam ao convívio dos vivos para reclamar seu justo descanso e expôr, sem quaisquer pudores, a hipocrisia e podridão de toda a sociedade.

A história se passa às vésperas do golpe de 64 e não há meio termos na forma como as convulsões sociais da época estão apresentadas. Antares é dominada por uma elite conservadora, machista, preocupada com a manutenção de seus privilégios contra as nascentes idéias políticas surgidas entre a classe social operária.

Isso é mostrado na corrupção generalizada dos políticos e mandatários da cidade; no descaso e desprezo por qualquer justiça social - e acho que nada é mais doído nessa história que a morte de Erotildes no hospital -; na tortura como instrumento de manutenção da ordem e segurança social.

O final desce amargo pela garganta - com a operação borracha para esquecer o dia em que os mortos se levantaram e apontaram os dedos para o que temos de pior em nossa sociedade; com o golpe militar e a perseguição aos poucos personagens pelos quais tínhamos alguma simpatia - em especial o padre Pedro Paulo, dos poucos a levantar a voz para defender e lembrar os humildes e esquecidos, os deixados à margem da própria humanidade.

Considerando que o livro foi publicado em 71, e as implicações claras ao regime militar, corrupção e falta de liberdade, é surpreendente que o livro tenha passado pela censura.

Irônico e repleto de espírito crítico, Incidente em Antares é um livro que deveria ser mais lido, mais estudado, mais comentado. Talvez assim evitássemos viver a cometer os mesmos erros...

site: http://owlsroof.blogspot.com.br/2016/04/clube-do-livro-incidente-em-antares.html
Stefani 21/04/2016minha estante
Esse livro é um dos melhores livros nacionais q eu li, tem de tudo, politica, critica social, e uma narrativa super envolvente e fantastica. Amo a segunda parte da historia!




Caio 07/04/2014

Baile de máscaras
Exemplo caricato da política brasileira entre as décadas de 1920 a 1960, Incidente em Antares é um retrato do coronelismo que ainda influencia o modelo de governo nacional e as decisões dos representantes do povo. Um livro que carrega o nome de Érico Veríssimo e sua habilidade de imergir a história em literatura, trazendo tanto Getúlio Vargas quanto JK a pequena cidadezinha fictícia do Rio Grande do Sul.

A (i)moralidade é discutida em cada diálogo e retratada especialmente na figura das personagens que vivem envoltas em corrupção política e cotidiana, adultério, mandonismo e tantos outros valores que levam o ser humano ao lado mais sujo da convivência.

A aceitação da sujeira imoral que permeia a vida dos cidadãos de Antares entra em contraste com a repugnância com que rechaçam sete corpos mortos, que apenas exigem o direito improrrogável de serem enterrados como cristãos: não se importam com a corrupção política ou familiar - tortura, pedofilia e adultério - mas se incomodam desmedidamente com o cheiro putrefato que exalam seus mortos. Em outras palavras, seria como se a sujeira moral invisível, desde que discreta, e por mais repugnante que seja, não constrangesse, mas assistir a moscas e urubus destroçando os corpos de seus antigos conterrâneos fosse insuportável.

Em certas passagens é possível observar Antares como a Ilhéus de Gabriela, Cravo e Canela, mas estilizada e com um modelo de vida um tanto menos otimista, apesar de contar com os mesmo coronéis teimosos e mandatórios. É possível até mesmo encontrar uma ponte entre o coronel Tibério Vacariano de Antares, e o coronel Ramiro Bastos, de Ilhéus.

A premissa, a despeito de sua originalidade, lembra a excelente série Les Revenants, em que os mortos também retornam para embaralhar a vida às escuras que até então seus familiares viviam. É notável que nas duas obras – literária e televisiva – o retorno de pessoas que supostamente fariam falta, chega como um horrível e indesejado transtorno, escancarando as verdades que em vida foram escondidas a força, mas após a morte acabaram não fazendo sentido algum, senão causar o arrependimento de não se ter vivido de maneira diferente. Como se a verdade necessitasse ser escancarada por aqueles que já se foram para que liberte-se a vida de quem ainda pode desfrutar dela.

O “baile de máscaras” que uma das personagens de Érico Veríssimo em certo momento se refere, simboliza como os mortos veem a vida daqueles que insistem em vivê-la de maneira errada: um grande baile de máscaras onde cada um se esconde de todos, e todos escolhem não ver a verdade da vida de cada um.

Não deixa a desejar, mas também não exige uma leitura obrigatória para quem tem uma estante inteira de Érico Veríssimo para ler, fato que não retira o valor de uma leitura mais aprofundada nos impasses dos antarenses.
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