O Amor nos Tempos de Cólera

O Amor nos Tempos de Cólera Gabriel García Márquez




Resenhas - O Amor nos Tempos do Cólera


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Arsenio Meira 06/10/2013

Quem merece amor

A minha crença pessoal e ferrenha de que a arte literária, por ter uma relação estreitíssima com a subjetividade tanto do artista quanto do leitor, somente consegue firmar a ponte do entendimento no momento certo para que ambos os pólos dessa relação miraculosa possam compreendê-la. Ou, colocando as coisas de outro modo, tudo — mas principalmente a arte — tem seu momento certo e preciso para operar magia.

Quando comecei a ler "Cem Anos de Solidão" pela primeira vez (há mais de treze anos), posso afirmar que já reconhecia a boa literatura, mas minha compreensão do texto não passava dessa secura analítica, e por isso (lembro bem) resolvi deixá-lo de lado temporariamente e esperar uma outra oportunidade, que não tardou em acontecer. Mas não vou falar de "Cem Anos de Solidão", claro. O intróito serviu como gancho para explicar por que, antes mesmo de terminá-lo, já tinha comprado "O Amor nos Tempos do Cólera."

Agora que o reli, lembrei que foi a primeira frase do livro que me fisgou, fez sua leitura uma obrigação sentimental — “Era inevitável: o cheiro das amêndoas amargas lhe lembrava sempre o destino dos amores contrariados”. Foi um baque de olhos arregalados e depois alguns passos resolutos ao caixa da livraria. O livro é uma longa e intensa poesia em forma (quase não disfarçada) de prosa. Não é simplesmente uma estória de amor mal resolvido, ou de tantas formas de amor quanto possíveis e reconhecíveis. É uma verdadeira epopeia sobre as relações humanas, lindas, brutas e delicadas, enaltecedoras e humilhantes.

Florentino Ariza, mais que um homem determinado a passar décadas medindo os passos para conquistar Fermina Daza, contra todos os percalços que a vida ou a sua própria amada impunham contra ele, é, no fundo, todos nós.

Quem nunca escreveu cartas de amor que nunca acabaram sendo enviadas? Quem nunca procurou em outras camas o calor que sonhava encontrar na única impossível? Quem nunca sentiu o aperto de ser frio e obstinadamente ignorado justamente pela pessoa por quem vertemos nosso encantamento? Quem nunca chorou de desilusão?

Florentino Ariza se apaixonou por Fermina Daza (a quem nunca havia sequer tocado) ainda na adolescência, e o namorico à distância dos dois, recriminado com pavor pelo pai dela, durou anos de persistentes cartas e mensagens de devoção.

Quando Fermina Daza, tempos depois, dá-se conta de que o amor que julgava sentir era inventado, e se alimentava de ilusão imaginada, repele energicamente seu pretendente, que, a partir de então, teve que esperar por exatamente cinqüenta e um anos, nove meses e quatro dias para propô-la em casamento. Na primeira noite após o enterro de seu marido.

Mais que uma dor de cotovelo prolongada, a espera de Florentino Ariza é o fio condutor de sua vida, e a estória é tão poderosa principalmente porque nunca, em todos aqueles anos e ainda depois de outros, ele fraquejou. Acordava e dormia todos os dias com a convicção inabalável de que teria Fermina Daza junto a si. Não, mais do que isso: sua mocidade, vida adulta e boa parte de sua velhice foram somente uma preparação, estóica, comovente e profundamente apaixonada, para o dia em que Fermina finalmente o aceitasse.

É a partir daí que García Márquez, gênio latino-americano da literatura fantástica, desenovela seu texto fluido, carinhoso, e nos confia as amarguras e delícias do amor. Aquele surgido da admiração, da amizade, da necessidade, das dores, da força do sexo, da solidão. O amor que é um convite ao mundo pessoal de cada um de nós. O livro é uma homenagem ao que há de mais humano e nobre, numa narrativa que nunca se permite descambar para a tristeza sentimentalista ou tormentosa; é sempre sensível e tocante, mas sobretudo leve.

Quem nunca se apaixonou, que atire a primeira pedra. "O Amor nos Tempos do Cólera" é o amor de sonho que parece faltar no árido tempo presente, em que já não se tem mais a certeza de que os olhos falam (e fazem poesia), em que o medo do amor condena à solidão e ao esquecimento.

Aos apaixonados, aos que querem se apaixonar, ao que não correspondem às paixões que lhes são devotadas: recorram às lições de humanidade do professor García Márquez e procurem reconhecer que sempre haverá um Florentino Ariza, calado e esperançoso, reluzindo no olhar de quem merece amor.
Renata CCS 07/10/2013minha estante
"'O Amor nos Tempos do Cólera' é o amor de sonho que parece faltar no árido tempo presente, em que já não se tem mais a certeza de que os olhos falam (e fazem poesia), em que o medo do amor condena à solidão e ao esquecimento." Lindo e perfeito!


Arsenio Meira 07/10/2013minha estante
Renata, obrigado pela generosidade do seu comentário e elogio. Não é à toa que o Garcia Marquez é antológico. Abraços


Gina.Castello 26/05/2017minha estante
Resenha perfeita....cheia de poesia!


Thiago 21/07/2017minha estante
Saudoso Arsênio! Sempre uma emoção qdo encontro resenhas desta alma iluminada que nos deixou cedo demais.




Wall-e 26/12/2009

Minha estréia de Garcia Marquez
Foi minha primeira leitura de Garcia Marquez. Confesso que ao iniciar a leitura estranhei o estilo meio poético e muito descritivo. Folheando o livro o que me mais me chamou atenção foi a falta de diálogo entre os personagens.

Mas foi só vencer a barreira inicial e fui me deixando envolver pela obra e pela maneira como a estória ia sendo contada. O interessante é que justamente a falta de diálogo permite que o autor detalhe em toda as formas o sentir de cada personagem. Embarcamos numa viagem de paixões platônicas, paixões efêmeras, amores impossíveis, amores arranjados, amores carnais, traições, perdões e quase tudo que envolve um relacionamento entre homem e mulher.

A paixão platônica entre Fermina Daza e Florentino Ariza se passa no século XIX mas não podia ser mais 'atual'. Sim porque eles se conhecem apenas 'virtualmente'(e de vista) e usam a tecnologia inovadora da época (telégrafo) para dar vazão a seus sentimentos... até o dia do tão esperado encontro! Parece algo que você conhece?

Ok, mas isso é apenas o início de tudo. O autor nos conduz com maestria ao longo de toda uma vida desses vários personagens. Confesso que no final cheguei a sentir uma certa nostalgia, como se tivesse sido eu quem tivesse envelhecido e não os personagens.

É uma leitura para os românticos de carteirinha. Não espere uma estória movimentada e de ação ou suspense porque o que você vai encontrar aqui é intenso, mas envolve apenas o coração.

Uma ótima leitura!
Erika Valentim 01/01/2012minha estante
Já comecei a ler 2 vezes e parei. Mas depois que li sua resenha vou recomeçar.


Márcia 04/01/2012minha estante
Tô começando a ler hoje e seu comentário me animou bastante.Já li" cem anos de solidão " e achei bem mais difícil de ler devido ao enorme nº de personagens.


Leãozinho 06/03/2013minha estante
Estou começando a ler


Matheus 20/03/2013minha estante
Cara, brincou né? "Para os românticos de carteirinha"? O estilo dele inclusive tende mais para o jornalístico realista (que alguns chamam de 'Realismo Fantástico')! Garcia fala que os sintomas do amor são parecidos com o do cólera! - caganeira, portanto. Isto que é o genial: a estória tem partes tão grotescas que ninguém leria se outro autor escrevesse mas, a prosa de Garcia é tão foda que ele, e só ele, consegue contar de um jeito 'light' tudo isso!


Renata CCS 26/06/2013minha estante
Interessante a sua referência sobre a falta de diálogos no livro. Realmente, a narrativa de García Márquez por si só já é o grande atrativo do livro. Seu bom humor, sua crítica ácida, sua poesia e a delicadeza na forma que aborda o tema amor nos prendem a atenção e nos fazem apaixonar pelos personagens.
Uma bela resenha!


Bibi 03/05/2014minha estante
É um livro que descreve o amor com uma perspectiva realista, e isso é genial. Achei esse fato bem semelhante a Jorge Amado, mais alguém acha?


flávia 23/09/2015minha estante
é uma leitura para não romanticos tb, colega. O amor é descrito com tanta verdade que até os mais céticos em relação ao amor podem se apaixonar (eu).




Renata CCS 11/07/2013

Separados por cinqüenta e três anos, sete meses e onze dias.

"Com o decorrer dos anos ambos chegaram, por caminhos diferentes, à conclusão sábia de que não era possível viverem juntos de outra maneira, nem amarem-se de outra maneira: nada neste mundo era mais difícil do que o amor."

O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA é um incrível e irresistível romance que trata do amor, da velhice e da morte. Ambientado no Caribe, século XIX, na época em que o cólera era uma ameaça invisível, Florentino Ariza conhece Fermina Daza quando tem ainda seus 19 anos e ela 15, compartilham de um noivado às escondidas que durou 3 anos de correspondências cheias de juras de amor. Ele, um simples empregado dos correios, sem atrativos físicos, sem dinheiro, jurou seu amor eterno, mesmo depois que ela, moça rica, bonita e de temperamento forte, num encontro após a volta de uma viagem que foi obrigada pelo pai a fazer para se separar de Florentino, percebe que estivera enganada, que aquele homem que via, depois de tantas cartas trocadas, nada tinha do que sonhava em um pretendente. E mesmo quando ela casa-se com o médico Juvenal Urbino, o amor de Florentino Ariza persiste e espera 53 anos, 7 meses e 11 dias - quando seu rival morre - para ter novamente seu grande amor. E é sobre os percalços do caminho, de mais de meio século, desde a juventude até a velhice, que o livro discorre, passando pelo amor romântico e seus dramas e pelo amor cotidiano e suas banalidades.

A narrativa de Gabriel García Márquez por si só já é o grande atrativo do livro. Seu bom humor, sua crítica ácida, sua poesia e a delicadeza na forma que aborda o tema amor nos prendem a atenção e nos fazem apaixonar pelos personagens. É incrível como ele muda o foco da cena de um parágrafo a outro, transportando o personagem ao passado e logo de volta ao presente, em uma transição que o leitor não sente, tamanha a sensibilidade na abordagem dos temas. Conta a história de forma leve e arrebatadora, simples porém comovente, sem a menor pressa, nos divertindo e emocionando.

O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA sustenta-se sobre a plenitude dos amores eternos, o arrebatamento das paixões adolescentes, os tormentos juvenis e a possibilidade de encontrar o amor na serenidade da velhice. Amores que, em qualquer época, enfrentam comentários frívolos e preconceituosos.

Este belíssimo romance, desafiador das convenções sociais, para mim se revelou um verdadeiro hino ao amor incondicional, total, eterno, persistente, e o mais marcante: amor que não tem idade.
Bruno 05/06/2013minha estante
Linda resenha, Renata.

Já coloquei na estante para ler em breve, provavelmente este será meu primeiro "Garcia Marquez" (vergonhosamente ainda não li nenhum mas sou morto de curiosidade).

Abraço!


Renata CCS 18/06/2013minha estante
Leia sim Bruno! Vc vai gostar muito! abraços.


Ladyce 02/07/2013minha estante
Boa resenha!


Mariana Cardoso 30/07/2013minha estante
Sua resenha dá vontade de ler - e, como não, amar!


Helder 05/09/2013minha estante
Este é um dos livros mais bonitos que já li. Romântico de verdade. Sem pieguices!


VICKY 17/09/2013minha estante
Eu me encantei com Florentino Ariza, ele é sim um rapaz inocente e apaixonado, e justamente isso traz um certo encantamento sobre sua vida.


Arsenio Meira 07/10/2013minha estante
É bacana demais compartilhar com os leitores as impressões de um livro que nos toca, Renata. E você o fez, com tal paixão e motivação que convenceriam até mesmo quem não gosta do velho Gabo. Abraços


Renata CCS 09/10/2013minha estante
Assim é o querido e único Gabo: às vezes realista, em seguida fantástico, outras vezes absurdo, e quase sempre tempera suas narrativas com estes 3 ingredientes, entre outros. Gênio!


Margot 17/03/2015minha estante
Ainda não li nada de Garcia Marquez, mas agorinha mesmo vou colocar "O amor nos tempos do cólera" e "Cem anos de solidão" na minha estante.
Bela resenha, parabéns!.
Abraço!




Carol 27/11/2009

O que é,o que é?
Vivi mais de 50 anos em um só livro.A viagem foi longa,cansativa e muitas vezes tediosa,mas com certeza valeu a pena.

Durante algum tempo,Florentino Ariza foi meu mundo.Acordava pensando nele,viajava de ônibus pensando nele,escrevia pensando nele e chorava pensando nele.Fazia tempo que não sofria tanto por causa do sofrimento de outra pessoa,foi algo tão intenso que me assustou.Como disse Hildebranda em uma passagem do livro,ele é todo amor.E exatamente por cada centímetro dele ser constituído da coisa que de diz ser a mais bela que há,não conseguia aceitar que ele passasse por algo ruim.Era algo que me parecia tão feio,tão errado,tão injusto!Quando Fermina o dispensou,senti vontade de estrangulá-la com qualquer força que houvesse em meu corpo.Afinal,quem raios era ela para fazer com que alguém sofresse daquela maneira?De qualquer maneira,segui o fluxo da história para ver no que dava.Foi bom até demais.

Com o passar dos anos na história,duvidei se o que movia a espera de Florentino era realmente amor.Não seria uma obsessão?Talvez o amor de Fermina tivesse sido a primeira amostra que ele teve do que é querer algo com todo o seu ser,e perder tudo de modo tão abrupto pode ter feito com que ele criasse forças para esperar a realização do que um dia tanto sonhou ter.Em outros momentos mais otimistas,confiei no sentimento de Florentino e torci com todo o meu coração para que ele pudesse ser feliz com a mulher que amava.E toda a leitura foi assim: momentos de confiança logo seguidos por vários de desconfiança,amor ao livro sempre acompanhado pelo desejo de que ele acabasse de uma vez.Foi um livro que deixou meus sentimentos confusos,meu coração sempre incerto em relação à sua tristeza ou felicidade.Todo o questionamento sobre o que era ou não amor,felicidade e fidelidade fez e ainda está fazendo minha cabeça dar voltas e mais voltas à procura de respostas.

Sobre alguns personagens em particular: fiquei feliz com o personagem de Juvenal Urbino.Estava esperando encontrar um personagem detestável pelo qual Fermina nunca tivesse sido apaixonada e que fosse o grande vilão da história de amor.É óbvio que havia me esquecido que Gabriel não me parece ser um autor muito chegado a obviedades literárias,mas gosta de colocar no papel todas as obviedades daquela vida pulsante que a gente vê todo dia.E Juvenal foi um personagem tão vivo,tão verdadeiro,tão qualquer pessoa que a gente conhece!Fiquei feliz,de verdade.Sobre Leona Cassiani:senti que sua importância era grande,mas apareceu pouco...talvez ela pudesse ter sido aquela parte feliz da vida do Florentino enquanto esperava Fermina,assim como Juvenal foi desta.Por último,a minha pequena América Vicuña...ah,com essa sofri mesmo,com tudo de alma que deve haver em mim.Senti ódio de Florentino pelo que fez à ela,atribuo toda a culpa deste mundo a ele.Ela era só uma menina,uma menininha!Será que não daria para entender que há certas coisas que o coração precisa amadurecer um pouco para viver?Se tudo o que houve tivesse ocorrido quando ela fosse mais velha e ainda assim tivesse terminado como ocorreu,ao menos eu conseguiria pensar que uma parte da vida dela teve paz.Do jeito que ocorreu,todo o viver da menina foi pontuado por desesperos fortes demais,daqueles que a maioria só tem quando adultos.Sofri demais por ela.

A maior herança que o livro me deixou foram reflexões acerca do que acredito que seja o amor e a felicidade.Fiquei com a cabeça embaralhada,os sentimentos em ebulição e vontade de entender mais do mundo.Meu Deus do céu,que raios é o amor?
Priscila 24/08/2011minha estante
Devo ler em breve, comprei e ainda estava na espera daquele sentimento que às vezes aparece: "Chega de Religião e Filosofia, agora estou precisando de um bom romance"

=D


Susi 22/09/2012minha estante
Você falou tudo que eu senti ao ler o livro. hehe


tay 26/09/2013minha estante
Exatamente.




Paty 11/04/2014

Gostaria de ter a minha memória apagada assim que terminei O Amor nos Tempos do Colera, pois assim poderia lê-lo com o mesmo deslumbramento pela segunda vez.
Arsenio Meira 11/04/2014minha estante
Reler é tão bom quanto ler! Eis um romance que merece releitura, mesmo com tantos livros à espera, e a inclemência do tempo.


Gio 22/03/2015minha estante
Verdade Paty... é o mesmo sentimento que tive! Sou apaixonada por Gabriel García Marquez




Manuella 10/10/2013

Amor obstinado
O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA, de Gabriel García Márquez, tradução de Antonio Callado. Editora: Record, 1985.

Primeiro livro de Márquez que leio, fiquei fã. O Nobel da Literatura de 1982 me encantou com várias habilidades literárias e despertou sensações deliciosas durante a leitura.

A trama, narrada em terceira pessoa, conta a história de um grande amor, que esperou mais de meio século para acontecer e foi baseada na história dos pais do autor. Passa-se no final do século XIX - e avança pelo novo século - numa cidade do Caribe.

Começamos a leitura conhecendo o casal já idoso Juvenal Urbino e Fermina Daza e sabemos que Florentino Ariza guardou-se para Fermina, prometendo-lhe amor eterno e esperando pacientemente (e ardentemente desejando) que seu amor da adolescência chegasse à viuvez. A história começa pelo final e segue desenrolando os acontecimentos que traçaram o destino de Florentino, sua amada Fermina e o honrado doutor Juvenal Urbino. Mas o autor não segue uma linha cronológica, vai apresentando os fatos ao leitor como se estivesse lembrando de pedaços dessa história. Assim, temos trechos dedicados a cada uma das personagens, seus pensamentos e sentimentos, suas razões para tomar decisões importantes.

Enquanto aguarda o momento em que terá sua amada de volta, Florentino passa pela cama de muitas mulheres, tem várias amantes, mas sempre discreto. Por nunca ter se casado é tido como estranho na cidade e motivo de muitas especulações sobre sua vida íntima. Veste-se sempre de maneira formal e alheio à moda da época. Ao mesmo tempo, desenvolve uma carreira com ascensão surpreendente na Companhia Fluvial local, chegando ao cargo máximo e fazendo fortuna.

As cenas mais quentes são descritas com uma beleza ímpar! Mesmo para quem não gosta de erotismo na leitura, não há como não se encantar com as palavras e a poesia que Gabo utiliza para iluminar algumas passagens sensuais.

O autor faz várias reflexões sobre o envelhecimento e a finitude, o amor maduro e os sonhos que não morrem – ou não deveriam morrer – dentro de nós. Através de Florentino mergulhamos no universo romântico e cheio de esperanças do amor não realizado, na obstinação para que um dia se torne verdade. Florentino, ao longo de meio século, faz várias reformas na sua casa para que um dia possa receber sua amada. Por esta razão, jamais recebeu uma mulher no seu quarto e na sua cama, santuário sagrado para seus sonhos de amor com Fermina.

Ao longo do livro questionamos: o que é o amor? Até onde podemos ir em nome do sentimento? Qual o momento de avançar ou recuar para insistir em realizar um sonho? Também acompanhamos a influência da sociedade na vida das pessoas, que se baseiam muito pelo ‘que vão pensar’. Atual, não?

De repente Florentino Ariza se dá conta do tempo passado, dos seus dias de velhice, nessa bela reflexão de Márquez: 'Para trás haviam ficado os anos da espera imóvel, das esperanças venturosas, mas no horizonte só se vislumbrava o pélago insondável das doenças imaginárias, as micções gota a gota nas madrugadas de insônia, a morte diária ao entardecer. Pensou que cada um dos instantes do dia, que antes tinham sido mais que seus aliados, seus cúmplices juramentados, começavam a conspirar do lado oposto.' (p. 320)

O autor colombiano usa longos capítulos e trechos muito descritivos, que para alguns pode parecer cansativo, mas recheado por pura poesia. Como gosto demais de saborear frases bem construídas, a releitura dos trechos que me encantavam foi se repetindo numerosas vezes, o que pareceu multiplicar por dois ou três as páginas do livro...

As últimas páginas são devoradas porque queremos saber o que vai acontecer com o casal... será? Fiz essa pergunta muitas vezes e fiquei feliz com o final, que fechou de maneira perfeita a história. Sem spoilers, posso dizer que, particularmente, gosto do final que um autor habilidoso dá à sua trama, consigo compreender sua razão, ainda que o final não seja o que eu espere. Com isso não digo que sim nem que não, apenas que gostei muito!

Foi uma leitura maravilhosa e um encontro especial com o grande autor. Pretendo ler ‘Cem Anos de Solidão’, o mais famoso de seus livros.
Renata CCS 21/10/2013minha estante
Tb fiquei encantada com esta leitura, Manuella. Gabo é demais, não é mesmo? Abraços.


Edilson 27/10/2013minha estante
Bela resenha, Manu! Muito bem detalhada e fiel à obra. :)


Margot 17/03/2015minha estante
O livro está na minha estante, ainda não o li, mas após ler sua resenha, ele será o próximo.
Parece mesmo maravilhoso esse livro.
Abraços!




Luisa. 12/03/2017

Isso não é bem uma resenha
Desde que eu comecei a ler Proust, tenho lembrado das coisas mais inusitadas - e, em grande parte das vezes, repensado e entendido melhor todas elas. E acho que tenho olhado de outra maneira para a vida, para a literatura (a bela relação entre elas).
E hoje eu tive mais um desses estalos.
Eu estava fazendo café de manhã e, de algum lugar não muito longínquo, um cheiro de comida invadiu a cozinha. Lasanha. Eu tive certeza de que aquele cheiro só poderia ser de lasanha. E então, sem que eu quisesse ou esperasse, minha memória involuntária falou mais alto e a imagem do meu avô paterno veio à mente. Isso porque ele fazia a melhor lasanha do mundo aos domingos - não esquecendo, é claro, do molho verde que ele levava aos churrascos lá em casa.
Como disse, acho que ando propensa a essas coisas por estar lendo Proust. Não sou muito dada a pensar no meu avô. Aliás, sequer éramos pessoas muito próximas - eu, na minha adolescência, achava meu avô muito duro, rude até. Ou, se quiserem, não conseguia entendê-lo, entrar na sua cabeça, me colocar no seu lugar (a famosa empatia).
A seguir, nova surpresa: associações. Esses dias foi aniversário do Gabo, não foi? Meu avô adorava Gabriel García Márquez. Inclusive, foi ele, em 2008, me vendo sofrer por ter levado um belo de um pé na bunda, que veio, com os chinelos arrastando, depois de ter feito um cigarro ("o que faz mal é o papel"), e me emprestou O amor nos tempos do cólera. Foi esse livro o responsável por me ensinar algo que Alice Walker também me recordaria esses dias: nosso coração tem que ter sabedoria pra aceitar as coisas que a gente não pode mudar.
O amor nos tempos do cólera foi uma das minhas primeiras fixações literárias. A meu ver, poucos autores sabem contar uma boa história de amor. Mas Gabo, além de todas outras qualidades, sabe contar as melhores histórias de amor.
Gostei muito do livro e risquei ele inteiro. Resultado: não queria devolvê-lo. Meu avô, insistente, ligava lá em casa perguntando sobre o livro e eu mentia que ainda não tinha terminado, que ainda queria reler algumas passagens. Até que um dia ele apareceu na porta de casa pedindo o livro de volta. E lá se foi ele com o livro, me deixando com o coração apertado. Eu não entendi aquela atitude, assim como não compreendia meu avô quase que por inteiro.
O tempo passou. Meu avô se foi em 2013, apenas algumas semanas depois de eu ter entrado na faculdade. Depois que ele se foi, minha avó (talvez em um daqueles atos extremos, na tentativa de esquecer) me deu todos os livros guardados na biblioteca da sua casa. Florentino Ariza voltava pra mim, com todas minhas anotações, com seus sofrimentos e aquela cena inesquecível onde toca ainda uma vez a balada do sofrido amor - "com a inabalável decisão de não voltar nunca mais".
Foi só dois anos depois da morte do meu avô que eu comecei a ler Cem anos de solidão - o Gabo preferido de meu avô. A edição está bem surrada, a capa recolocada com um durex. Dentro, uma genealogia dos Buendía feita pela minha avó. "É sempre muito útil", ela diz. Enquanto eu lia as primeiras páginas de Cem anos de solidão, um emoção estranha tomou conta de mim. Chorei no começo, na execução de Aureliano, com as borboletas amarelas voando enquanto o casal se amava.
Só hoje, com esse cheiro de lasanha, é que eu entendi o porquê de ficar tão emotiva lendo Cem anos de solidão, ou ao ver o trailer do documentário sobre a vida de Gabo, ou há duas semanas atrás, quando meu pai, para puxar assunto, perguntou se eu já tinha lido Cem anos de solidão.
Só então eu entendi o meu avô.
Apesar de fechado, o olhar dele sempre foi brando. É uma das boas lembranças que eu guardo. E talvez ele, depois de sofrer na vida, depois de perder um filho, quisesse, na verdade, me ensinar uma lição. Talvez quisesse que eu lesse O amor nos tempos do cólera e me apegasse ao livro para, então, tirar ele de mim. Para que eu entendesse, como Florentino Ariza, que, às vezes, as coisas e as pessoas que a gente ama simplesmente vão embora. Que não adianta bater o pé. Resta tentar entender, tirar algo bom da experiência - por mais dolorosa que ela seja. Não estar mais com o livro, mas fazer de tudo para manter a lição dele viva dentro de você.
Depois de todos esses anos, tenho os dois livros aqui comigo, para eu ler quando quiser. E ambos sempre me ensinam coisas novas - mesmo que eu só passe os olhos pelas partes grifadas. Mas são, acima de tudo, o canal para eu entender aquela figura estranha do meu avô e o que ele poderia estar querendo me dizer, com os olhos, enquanto fazia algumas coisas que eu, na minha ingenuidade, considerava duras demais.
Incrível como a gente pode conhecer as pessoas lendo os livros preferidos delas.
André Fellipe Fernandes 17/08/2017minha estante
Que texto lindo e bem escrito!


Jéssyca 23/10/2017minha estante
Meu Deus... Lindo! ??


Helder 03/10/2018minha estante
Meu Deus! Que texto lindo.


vera 09/09/2019minha estante
Texto lindissimo! Parabens!




Rodrigo 01/11/2012

Favorito
Tão lindo. Tão simples e tão subjetivamente universal. É algo que de tão profundo parece inato a todos nós. São descrições de sentimentos, de amores que de tão verdadeiros parecem nossos. Amores diversos e ao mesmo tempo únicos. Um livro espetacular que arranca lágrimas e faz o leitor parar e deglutir em diversos trechos, tamanha a perfeição literária.
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Evelyn Ruani 14/06/2010

Uma viagem romântica por 50 anos de vida! Confesso que tive mais prazer na leitura desse romance do que em "Cem anos de solidão", muito embora também seja um clássico de Marquez. Gostei muito do jeito que ele conduziu a história. Me apaixonei pelos 3 personagens e fiquei dividida entre Juvenal e Florentino em diversos momentos, mas sei que me inclinei mais para o Juvenal, cujo amor achei mais brando, mais ameno, mais comum ao nosso dia a dia. Aquele tipo de amor que se vai aprendendo com os dias, com as brigas, com a convivência. O amor de Florentino era mais parnasiano, mais poético, mais surreal. Com certeza o livro todo nos faz pensar, refletir em como o amor não é tudo na vida, embora sem amor nada valha a pena. Uma ótima leitura!
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kassya 24/07/2009

A culpa em seu pior estagio... sentimento demais.. sofrimento demais.. forte!
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Anica 07/11/2009

O amor nos tempos do cólera
Então que uns tempos atrás eu resolvi ver a adaptação para o cinema do romance de Gabriel García Marquez, O amor nos tempos do cólera. Eu até cheguei a comentar que através do que assisti, achei que alguns temas bastante parecidos com um outro livro do mesmo autor que li ainda esse ano, Memória de minhas putas tristes. Estava tudo ali, o amor, a velhice, a solidão. A questão é que agora ao terminar de ler o livro, me dou conta que mais uma vez a adaptação acabou deixando de lado alguns detalhes que combinados tornam-se extremamente relevantes para a compreensão das ações das personagens.

O enredo desse livro publicado na metade da década de 80 já é bem conhecido daqueles que gostam de literatura: ainda moço Florentino se apaixona por Firmina, que inicialmente o corresponde mas então corta relações com um frio “Não, por favor, me esqueça!”. Logo depois ela casa-se com um médico famoso na região, o doutor Juvenal Urbino. E surpreendentemente, Florentino continua apaixonado pela mulher por mais de 50 anos, como que a esperando.

Um dos pontos que diferencia o livro do filme fica por conta da narração, que é justamente um dos destaques da obra. O amor nos tempos do cólera poderia ser mais um romance, mas o modo como Marquez cuida das linhas da vida de cada uma das três personagens principais (Florentino, Firmina e Urbino) é impecável, quando poderia ser um desastre. O trio é fundamental para a história, não há “mocinho” e em alguns momentos é até difícil torcer para que Firmina largue o marido para ficar com Florentino, por causa das características que o autor vai imprimindo a cada uma das personagens ao mudar o foco da narração de um para outro.

Marquez também lida magistralmente com o tempo, saltando do presente para o passado com uma fluidez atípica para obras que seguem esse rumo. O que quero dizer é: em alguns livros essa decisão pelo tempo costuma complicar a narrativa, fazendo que um leitor de primeira viagem se “canse” e logo abandone a leitura. O amor nos tempos do cólera é à prova de abandono, sem necessariamente ser simplista.

É realmente um livro fantástico, daqueles que valem a pena serem lidos. Na realidade, eu acho que compensa assistir a versão para o cinema que é até interessante, e Javier Barden dá conta da questão de transformar Florentino no que Firmina dizia ser “uma sombra”. Mas é uma daquelas situações na qual o livro é infinitamente superior, exatamente pelo que falei no começo: a combinação dos detalhes.
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Carol 27/11/2009minha estante
Essa questão de o Juvenal não ser vilão me agradou muito,achei genial!Isso fez tudo ficar mais humano,então ficou mais fácil de acreditar que uma história assim realmente pudesse acontecer.



Tenho que ver o filme logo! (:




Andreia Santana 15/10/2011

O amor nos tempos do cólera: o livro e o filme
O amor nos tempos do cólera é um dos meus livros favoritos de toda a bibliografia de Gabriel Garcia Marques. Embora escolher o melhor romance da vasta produção de GGM seja muito difícil, esse é um dos que mais gosto, ao lado de Crônica de uma morta anunciada e do clássico Cem anos de solidão.

A primeira conclusão a que cheguei quando li o livro, alguns anos atrás, era de que detestava Florentino Ariza. Acho que sentia por ele a mesma repulsa que Fermina Daza. Um amor tão servil, uma devoção tão obssessiva não são motivo de orgulho para uma mulher independente! Lógico que, nenhuma quer ser desprezada, mas ser amada como “deusa coroada” é um fardo. Ninguém é perfeito, todos tem bons e maus momentos. Mas o amor servil de Florentino na sua juventude era irritante. Quando alguém se humilha tanto por amor e ainda por cima sem esperar nada em troca, não parece humano. Não me parecia na ocasião. E Florentino, com suas cartas, sua paixão recolhida, sua falta de coragem de conquistar Fermina e sua lista de mulheres a quem levava para cama enquanto esperava o marido da sua amada morrer, me enojava. Ele era grudento demais, socorro!

Mas Gabriel é sábio, ele conduz os leitores, principalmente as leitoras, para uma armadilha: no final, todas gostariam de ter tido um Florentino Ariza em suas vidas. E nos pegamos apaixonadas por ele. Na velhice, Ariza é tão digno, já não parece tão apagado, sem sombra, sem alma.

No Cinema - Assisti ao filme baseado no romance de GGM recentemente. E pretendo reler o livro. Talvez agora, mais madura, quando li a primeira vez era muito nova, já não sinta tanta repulsa por um amor devotado e alucinado como o de Ariza. Com a idade vem a compreensão de que o amor tem formas e formas de manifestar-se. E Ariza, ao permitir que Fermina vivesse toda uma vida que era só dela, para finalmente, mais de 50 anos depois, viver o que restava da vida ao lado dele, foi generoso. A generosidade é uma prova de amor que comove depois que a gente abandona a impetuosidade da juventude.

No ano de lançamento do filme, 2007, não fui ao cinema assistir. Também não li as críticas. É uma das minhas birras pessoais. Quando se cria expectativa demais sobre alguma coisa, eu ignoro. Só mais tarde, depois que a poeira baixa, me permito contemplar e tirar minhas próprias conclusões. O amor nos tempos do cólera foi mais que badalado, Fernanda Montenegro vivia a mãe de Florentino, que por sua vez foi interpretado pelo novo latin lover Javier Bardem. Gosto do Bardem de Mar adentro, Lunes al sol, e No country for old man (Onde os fracos não tem vez). Acredito que ele podia riscar algumas coisas do currículo como o padre herege de A sombra de Goya.

O filme tem uma fotografia belíssima, os cenários são deslumbrantes. O diretor tentou ser o mais fiel possível à história – tarefa inglória, porque deve ser muito complicado roteirizar a narrativa de GGM -, mas cometeu a heresia de não filmar na língua de Cervantes, a mesma em que escreve Gabriel. Um filme baseado em romance de um escritor colombiano e gravado em inglês, ainda por cima com sotaque portenho?! Fiquei frustrada. O inglês não combina com a passionalidade da história. Assim como os modos de dândi do doutor Urbino, o marido de Fermina, também não.

Estamos na Colômbia, na América Latina selvagem e miserável, assolada pela cólera e pela pobreza, explorada por algumas poucas companhias inglesas ou americanas, mas a população habla espanhol! Os romances de GGM tem essa força, esse arrebatamento típico, mas o filme passa ao largo. Javier Bardem, que é um ator competente, até faz um bom Florentino Ariza, mas na minha imaginação, o personagem é menor, mais delicado, quase incorpóreo, enquanto Bardem é um homem enorme, com um rosto muito marcante para passar despercebido.

Fermina Daza, em certo momento, define Ariza como a sombra de um homem. Dificil pensar em Javier Bardem como a sombra de um homem. Já Benjamim Bratt, que vive o marido de Fermina, no romance é um homem forte, rico, bem-sucedido, viril e é essa força dele, em contraste ao perambular incerto de Ariza pela vida, que conquistam a mocinha. Sendo que no cinema, a atriz que faz Fermina Daza é delicada demais para viver uma das mulheres fortes criadas por GGM.

O filme não é de todo ruim, tem momentos muito bons. Mas o livro é infinitamente superior, é a magia latina de Gabriel.
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Lúcia Ramos 07/09/2009

Brilhante.
Como não se apaixonar pela obstinação ou teimosia ou transparência ou força ou fragilidade ou insegurança ou felicidade ou dor das personagens? Impossível! Fui lendo e me apaixonando até chegar ao fim e constatar que sim: o livro é brilhante.
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Carol 27/11/2009minha estante
Não sei como se chama aquilo que é mais do que brilhante,mas este livro é.




Rafa 01/09/2014

O amor com os sintomas do cólera
Uma tipica história de amor contada por Gabriel Gárcia Marquez, acostumados a viver em uma sociedade capitalista com as idas e vindas de amores passageiros, Gabriel Garcia Marquez nos surpreende com uma história de amor de uma vida inteira

Personagens principais: Fermina Daza, Juvenal Urbino, Florentino Ariza.

Florentino Ariza estava sempre se relacionando com diversas mulheres, mas seu coração estava o tempo todo com Ferminza Daza. Convencido que perdera a mulher da sua vida para um jovem médico, de boa fama,decidi também ser um homem rico de boa fama mas não para si, sempre pensando no dia que conquistará o coração de Fermina Paza.

Caracterizado por ser uma pessoa feia e de bom coração, é sempre caracterizado por ser um cara que tudo que se escreve tem uma realidade de poemas de amor, pelo simples fato de viver pensando no seu amor por Fermina Daza.

Fermina Daza casa-se com Juvenal Urbino, tem filhos mas Florentino Ariza continua sempre presente em todos os lugares que frequenta, principalmente por viverem em uma cidade com poucos habitantes.

Gabriel Garcia Marquez nos relata a história de amor unilateral(até certo tempo) que dura uma vida inteira.

Trechos - " Lembrou a ele que os fracos não entram jamais no reino do amor, que é um reino impiedoso e mesquinho, e que as mulheres só se entregam aos homens de ânimo resoluto, porque lhes infundem a segurança pela qual tanto anseiam para enfrentar a vida.” p.86

" – Responda a ele que sim – disse.– Ainda que você esteja morrendo de medo, ainda que depois se arrependa, porque seja como for você se arrependerá a vida inteira se disser a ele que não.” p.94
Keylla 07/09/2014minha estante
Gostei da resenha. Muito bem comentada!


Silvana Barbosa 21/02/2015minha estante
Li "cem anos de solidão" muito tempo atrás e é um dos meus livros favoritos , mas não li mais nada do autor....Mas agora acho que vou procurar este também .


Rafa 30/03/2015minha estante
Leia Silvana, vai adorar!


Nil 19/04/2015minha estante
Eu li Cem anos de solidão e O amor nos tempos do cólera e ambos são magníficos! Mas O amor é o meu preferido, acho que por ser uma história de amor. Bela resenha!




Fernanda 26/09/2014

"Florentino Ariza não deixara de pensar nela um único estante desde que Fermina Daza o rechaçou sem apelação depois de uns amores longos e contrariados, e haviam transcorrido a partir de então cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias."

"O amor nos tempos do cólera" é um livro grandioso. Saindo de mim, pode até soar exagerado mas... não.
O autor, Gabriel García Márquez, ou Gabo para os íntimos (eu), foi vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1982 e isso não foi aleatório, amigos.
O livro em questão foi lançado em 1985 e conhecemos a história de amor e solidão de Florentino Ariza pela singular Fermina Daza; um amor obstinado que espera mais de meio século para se tornar possível.
Um amor de cartas, corações partidos, lágrimas e serenatas que despertou em mim algo indescritível.
Mais que uma história de amor, o livro narra as histórias dos amores que surgiram por causa de um amor infeliz; alguns fatos tão fugazes, outros tão intempestivos... essa linha atemporal que o autor nos joga mexe com os sentidos e, sobretudo, com os sentimentos.

A narrativa é em terceira pessoa e várias perspectivas nos são apresentadas, o que é interessante pois conhecemos os personagens intimamente e nos deparamos com os ~erros~ das perspectivas de outros personagens.
O melhor exemplo é Fermina Daza. Ela é idealizada por Florentino Ariza; sua "deusa coroada" sem erros, nem mácula. Porém, ao leitor é apresentado uma Fermina humana, palpável.
A passagem do tempo do livro nos inspira muito também. A maturidade faz bem à Florentino Ariza. Sua percepção de mundo com relação aos amores amplia os horizontes e o deixa mais compreensível e tolerável.

"O coração tem mais quartos que uma pensão de putas...", de fato, Florentino. De fato.

Gabriel García Márquez é conhecido como o percursor do Realismo Fantástico. Ele inclui elementos de lendas e os torna possíveis em seus histórias. Em "O amor nos tempos do cólera" o imaginário dos personagens é cheio de superstição, mas claro que também há os que sempre tem uma resposta racional para os questionamentos. Na verdade, temos os dois extremos bem representados no livro.
É fabuloso como os personagens, e seus sentimentos, são reais. Florentino Ariza inicia um tolo passional. Ele se apaixonou por Fermina Daza desde a primeira vez que a viu, e a partir dessa primeira troca de olhares sua vida seria vivida em função dela.
Fermina Daza também se deixa encantar pelos arrombos das paixões juvenis, mas ao contrário de Florentino Ariza, sua ilusão passou.

"... ao contrário daquela vez não sentiu agora a comoção do amor e sim o abismo do desencanto. Num instante teve a revelação completa da magnitude do próprio engano, e perguntou a si mesma, aterrada, como tinha podido incubar durante tanto tempo e com tanta ferocidade semelhante quimera no coração."

Fermina Daza segue em frente. Casa com Juvenal Urbino e vive os altos e baixos do casamento. Enquanto Florentino Ariza vira o comedor oficial da cidade; um comedor muito discreto, porém.
Dentre personagens tão diferentes vemos fragmentos de pessoas muito reais.
Sempre digo que eventualmente me dou licença poética para amar personagens que eu jamais me relacionaria na vida real. E Florentino Ariza se enquadra, com certeza. Inicialmente, seu romantismo exacerbado é... irritante? Bem, claro que depende do ponto de vista do leitor e sou bem Fermina Daza nesse aspecto. (RÁ!)
Fragilidade, fúria, sinceridade, frieza... a percepção honesta dos personagens está aberta na narrativa, mas a humanidade escancarada de Fermina Daza em particular me encanta. Eu faria tudo que ela fez.

Sobre o desespero amoroso de Florentino Ariza: pode parecer meio doentio (ok, é completamente doentio), mas por que é tão bonito e aceitável? O universo que Gabriel García Márquez criou inspira aceitação.
Não pensem que a história é água com açúcar ou coisa parecida. A prosa de Gabo é apaixonante sim, mas também (deliciosamente) dolorosa e com forte cunho realista. O autor nos presenteia uma história crua sobre personagens que sentem demais. É incrível a distância que o narrador mantém de seus relatos e é incrível a maneira que ele expõem o amor e a dor de maneiras tão ARGH!

"Mas o exame revelou que não tinha febre, nem dor em nenhuma parte, e a única coisa que sentia de concreto era uma necessidade urgente de morrer. Bastou ao médico um interrogatório insidioso, primeiro a ele e depois à mãe para comprovar uma vez mais que os sintomas de amor são os mesmos do cólera."
"O amor nos tempos do cólera" tem um enredo fantástico (adjetivo) e a prosa poética de Gabo acrescenta um ar de fascinação. É meio difícil de explicar a sensação mas, acreditem, é maravilhosa.

Este foi o primeiro livro que li do autor e fiquei em êxtase e... juro, ainda não passou.

site: http://nemtecontoblogg.blogspot.com.br/2014/04/o-amor-nos-tempos-do-colera-gabriel.html
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