A Volta do Parafuso

A Volta do Parafuso Henry James




Resenhas - A Volta do Parafuso


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Ingrid - @ingridysses 02/01/2019

O dia em que conheci a escrita de Henry James
Acredita que mesmo suando nesse calorão do dia 31/12, várias vezes fiquei arrepiada? É um livro que dá até pena de não ter amigos para conversar pessoalmente sobre ele, pois renderia várias interpretações.
Li numa versão bilíngue que tem inglês e português na mesma página, e achei bem bacana porque assim pude comparar as duas línguas de vez em quando. Amei a narrativa!

Ah, não sei ao certo qual era a edição porque já passei o livro adiante, mas pretendo comprar novamente para reler.

site: Se quiser me seguir: https://www.instagram.com/ingridysses/
Thiago 02/01/2019minha estante
Vai assistir o filme?


Ingrid - @ingridysses 02/01/2019minha estante
Vou sim, assim que eu achar haha



Thiago 02/01/2019minha estante
Tem uma versão brasileira, que por sinal, também está muito boa.


Ingrid - @ingridysses 02/01/2019minha estante
Muito obrigada! Vou assistir agora mesmo. Que abertura fantástica!


Thiago 02/01/2019minha estante
A versão brasileira, que eu falei, também tem no youtube. Eles traduziram inclusive a cantilena, pelo menos é o que eu ouvi numa crítica na época. https://www.youtube.com/watch?v=cN0dZc99EQM


Alcione 02/01/2019minha estante
Thiago,essa adaptação seria Os inocentes???


Alcione 02/01/2019minha estante
Ingrid, parabéns. Linda resenha. Vou começar já.


Ingrid - @ingridysses 02/01/2019minha estante
Sim, Alcione. Eu assisti as duas versões (que o Thiago comentou). Subestimei a brasileira, mas no fim acabei gostando das duas!


Thiago 02/01/2019minha estante
Alcione, sim, esse mesmo.
Ingrid, eu achei genial a ideia deles colocarem numa fazenda de café, em plena década de 30, quando o governo mandou queimar toda a safra, para que o preço pudesse subir novamente. O Walter Lima Jr. fez um bom filme, não digo que seja excepcional, mas manteve uma constante, e a locação é muito boa, tem uma ótima fotografia, e os atores, estão bem, principalmente a Virginia Cavendish que está exuberante, e o Domingos Montagner, acaba tendo uma ótima participação, apesar de muito breve.


Ingrid - @ingridysses 02/01/2019minha estante
Sim, Thiago. Não entendo muito dessas coisas, mas acho que a adaptação brasileira poderia ter mais tempo, pois o enredo parece meio confuso. Se fosse uma minissérie, acho que ficaria bem mais atrativo.


Thiago 02/01/2019minha estante
Para ser sincero, eu gosto muito do tom dúbio que ele tem, não sei se foi bem isso que você se referiu como confuso. Mas nota-se que tem muita coisa nas "entrelinhas", que não veem a tona, são apenas levemente mencionadas, como por exemplo; o fato da Laura ter perdido a mãe a pouco, e dela ficar desconfortável na presença de homens, o Walter, disse que fez isso propositalmente.


Ingrid - @ingridysses 02/01/2019minha estante
Entendo, disso eu gostei. Mas vou assistir novamente num dia mais frio, pode ser que não prestei tanta atenção por causa do calor insuportável haha


Thiago 02/01/2019minha estante
Eu nem sei como você teve paciência para assistir em tão pouco tempo dois filmes similares kkkkkkkkk


Ingrid - @ingridysses 02/01/2019minha estante
Nem eu kkkkk




Renata (@renatac.arruda) 21/10/2018

Clássico de Henry James que, apesar de ser uma novela de pouco mais de 100 páginas, foi incluída na coletânea "Contos de Horror do Século XIX", organizada por Alberto Manguel. A história, contada por uma narradora nada confiável, se torna mais sinistra à medida em que se desenrola e o seu brilhantismo está na ambiguidade: é impossível afirmar com certeza se as aparições vistas pela protagonista são fruto de um fenômeno sobrenatural ou da insanidade (inclusive acredita-se que Shirley Jackson tenha se inspirado nessa ambiguidade para escrever "A assombração da Casa da Colina"). O fato é que há pistas no texto que levam a crer que a personagem estava sofrendo de transtornos psicológicos, de forma que essa história é muito estudada à luz da psicanálise, por ter se antecipado a teorias formuladas por Freud. E eu tendo a concordar com este ponto de vista, embora o texto também ofereça argumentos para acreditar em uma influência maligna.

Embora a narrativa seja arrastada, funciona de forma impressionante, conseguindo a façanha de ser absolutamente terrível sob ambas as perspectivas.

Em: https://www.instagram.com/p/BpN1GaYHHe4/

site: https://www.instagram.com/p/BpN1GaYHHe4/
Ju 23/10/2018minha estante
Eu tremi nas bases com esse livro. Dizem que o filme mais antigo é muito bom, porque os fantasmas só aparecem de longe, deixa o maior clima.
O que você achou do final?


Renata (@renatac.arruda) 28/10/2018minha estante
Vou procurar o filme, me interessa ver essas adaptações. Olha, eu fiquei bem chocada com o final. Você não tem muito como saber se ela foi possuída ou se enlouqueceu, mas no meu ponto de vista, entendi que ela estava fora de si. Vi alguns traços de repressão sexual e projeção, mas, no fim das contas, interpretei aquilo tudo como um surto de esquizofrenia.


Ju 29/10/2018minha estante
Também acho que fica ambíguo entre fantasmas de verdade ou transtorno psicológico. Mas como você entendeu que o menino morreu? Porque eu não entendi.


Renata (@renatac.arruda) 30/10/2018minha estante
Me parece que ela o estrangulou durante o devaneio




Diego 05/10/2018

Com atmosfera toda psicológica, "Outra Volta do Parafuso" é puro prazer literário
Só a literatura bota você dentro da cabeça do personagem.

O cineasta, coitado, é pobre de recursos para lhe contar uma história. Ele se esforça ao máximo com imagens e sons. Mas o escritor, ah, o escritor... Que limite ele tem?

Henry James cria sua história toda na psiquê de sua personagem principal (a preceptora de duas lindas crianças que são assombradas por dois fantasmas). E você fica o livro inteiro literalmente dentro da cabeça da preceptora (de quem não sabemos o nome).

O horror descrito no livro é real ou todo da personalidade complicada da nossa heroína? Um típico enigma literário daqueles como Capitu traiu Bentinho ou não, sabe? Que por inúmeras gerações as pessoas ficarão debatendo, escrevendo teses e etc. Genial.

O final do romance, que é curtíssimo, é insólito. Inesperado e cruel. Nada mais perfeito para fechar com chave de ouro.

Por que o título do livre é este? Porque se uma criança numa história de fantasmas pode dar a volta no parafuso (fazer as coisas ficarem mais assustadoras), uma segunda criança seria a outra volta do parafuso. ;)


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leila.goncalves 12/07/2018

Enigmático
Eis a mais enigmática obra de Henry James, um assustador drama psicológico que paira entre a fantasia e a realidade.

"The Turn Of The Screw" é narrado através de uma carta escrita por uma jovem governanta, contratada para cuidar da educação de dois irmãos órfãos, Flora e Miles, sem jamais causar qualquer aborrecimento ao tio que vive distante e detém a guarda dos dois.

O cenário é uma mansão isolada na Inglaterra vitoriana, lugar ideal para uma história assombrada por fantasmas, onde somos desafiados a acreditar na veracidade de estranhos acontecimentos, relatados com extrema convicção.

Estranhas visões perturbam a protagonista e são elas que permitem distintas possibilidades interpretativas: fantasmas, loucura ou uma brincadeira das crianças... Enfim, a imaginação é o ponto fundamental na construção de uma trama que não pode ser racionalmente compreendida e a cada página, aponta para o trágico rumo que ela pode enveredar.

Henry James é um mestre na escrita. Oculta fatos, arma ciladas, enveredando por labirintos que desviam o foco da ação, arrastando o leitor para um clima de tensão e desconforto. Suas personagens são dúbias, magnificamente construídas, dividindo opiniões.

Um clássico, muito bem traduzido, cujo desfecho não é tão importante ou interessante quanto seu desenrolar. Cinco estrelas!

Nota: Seu título provém da expressão idiomática (another turn of screw) que significa aumentar a pressão, a dor ou o sofrimento.
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leila.goncalves 11/07/2018

Recomendado
A Outra Volta Do Parafuso"

Surto psicótico ou obsessão demoníaca? Cabe ao leitor decidir do que se trata essa novela, a mais enigmática de Henry James.

Publicada em 1898, a narrativa é apresentada através de uma carta escrita por uma jovem governanta, contratada para cuidar da educação de dois irmãos órfãos sem jamais causar qualquer aborrecimento ao tio que vive distante e possui a guarda de Flora e Miles.

O cenário é uma mansão isolada na Inglaterra vitoriana, lugar ideal para uma história assombrada por espíritos onde o maior desafio é acreditar na veracidade dos fatos que, contrariando o bom senso, são relatados com extrema veemência.

Estranhas visões perturbam a protagonista e são elas que permitem distintas possibilidades interpretativas: fantasmas, loucura ou uma brincadeira das crianças... Enfim, a imaginação é o ponto fundamental na construção de uma trama que não pode ser racionalmente compreendida e a cada página, aponta para o trágico rumo que ela pode enveredar.

Nesse conto, a imaginação é o ponto fundamental para a construção da trama que a cada nova página, aponta para um sombrio desfecho. Por sinal, o escritor é um mestre na escrita: oculta fatos, arma ciladas, enveredando por labirintos que desviam o foco da ação, arrastando o leitor para um clima de tensão e desconforto cercado por personagens marcantes que dividem opiniões.

"Daisy Miller"
Publicado originalmente em 1878, esse conto relata a corte de Winterbourne para Daisy Miller, dois norte-americanos em viagem à Europa. Contudo, o interesse do requintado viajante acaba comprometido pelo comportamento da bela jovem que, inocente e voluntariosa, adora festas e flertar com rapazes.

Desprezada pelos próprios compatriotas que reprovam sua conduta, a ascensão e queda de Daisy aponta para um triste desfecho com a chegada do inverno em Roma. Assim como uma flor delicada (daisy = margarida), a acolhida gelada e opressiva (winter = inverno, bourne = fronteira) que ela recebe, suga seu prazer pela vida.

Esse choque de culturas trata-se de um assunto conhecido por Henry James, a medida que ele foi um norte-americano em constantes idas e vindas para a Europa, chegando a naturalizar-se britânico no final da vida.

Sem dúvida, esse conto merece interesse, inclusive, o escritor volta ao tema, reformulando-o em "A Fera na Selva" (1903).

Sem dúvida , esse conto merece o interesse, especialmente, pelo caráter autobiográfico, porém, a cereja do bolo é "A Volta do Parafuso", considerada a melhor história curta do escritor.
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Emilia.Andrea 10/04/2018

“The turn of the scraw”, título fabuloso e instigante! Eis aquele momento em que mais uma volta ou mesmo, meia volta a mais pode espanar um parafuso e comprometer toda a engrenagem. Gosto das traduções da Editora Martin Claret, mas pretendo ler o texto original e imaginar a musicalidade do “received pronuntiation" que pode ser extraída das obras escritas no período vitoriano. Para aqueles que buscam a tensão de “A volta do parafuso” elevada a potência máxima, recomendo “A menina que não sabia ler”, de John Harding.
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Fernando.Pedroso 25/01/2018

O livro tem um bom tema e uma narrativa fluida, que faz o leitor buscar a próxima página, o próximo capítulo ansiosamente. Afinal, o que são as aparições que estão acontecendo e qual a sua relação com as crianças?

No entanto, a falta de desenvolvimento e a inconstância das personagens são muito cansativas. Isso é notado, inclusive, na personagem principal, cujos sentimentos e ações mudam de acordo com as circunstâncias.

A conclusão também não empolga: a maioria das pontas abertas no decorrer da história não são fechadas no final.

Como trata-se de uma história curta, pode ser interessante para o leitor que busca uma leitura rápida ou para ententretenimento ou, ainda, para quem quer conhecer a escrita/narrativa do autor.
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Rafa P. 19/01/2018

A volta do parafuso
Eu gostei em partes do livro, principalmente da proposta, pois adoro uma boa história de casa assombrada e fantasmas. O livro se inicia de forma muito promissora e infelizmente vai perdendo energia com o avançar das páginas, tornando-se a história em diversos momentos arrastada e cansativa.
Já com relação a escrita de James Henry, sensacional... muito interessante e bem narrada. Vocabulário muito rico.
O final do livro é aberto, e cabe ao leitor interpretar os acontecimento e chegar a uma conclusão. Eu gosto muito de história ambíguas e esse foi um ponto positivo.
É um livro que necessita de releituras para um melhor aproveitamento da história... isso se vc tiver paciência, kkk.
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Mauricio (Vespeiro) 29/11/2017

Um clássico que merece ser lido no original.
É bom deixar claro logo de início que “A Volta do Parafuso” e “A Outra Volta do Parafuso” são títulos diferentes para traduções distintas de um mesmo livro, de Henry James, chamado “The Turn of The Screw”, originalmente escrito em 1898. Quando publicado no Brasil, algumas editoras optaram pela tradução literal do título original (sem o “Outra”) e outras preferiram fazer uma adaptação ao antigo dito popular americano que diz que quando uma situação tende a piorar, ela dará “outra volta no parafuso”, ou seja, em tradução livre, ficará mais “apertada”. E isso responde à repetida indagação acerca da razão do título do livro.

No Brasil foram publicadas várias traduções. Li duas: “A Volta do Parafuso” (Editora BestBolso), edição de 2015, tradução de João Gaspar Simões (pelo que pesquisei, feita em 1965) e “A Outra Volta do Parafuso (Editora Penguin Companhia)”, edição de 2011, tradução de Paulo Henriques Britto. Comparando apenas as que conheço, afirmo que esta segunda tem uma qualidade infinitamente melhor. Tão melhor que a nota final alterou sensivelmente, inclusive mudando a obra de categoria (de 3 para 4 estrelas). A edição da Penguin traz uma tradução muito mais rica, estudada, cuidadosa, com excelentes notas de rodapé e ainda nos brinda com um posfácio riquíssimo e elucidativo escrito pelo professor de literatura de Yale, David Bromwich.

Trata-se de um clássico da literatura mundial. Conta a história da filha de um pároco interiorano que inicia sua carreira como professora na cidade grande (Londres). Convidada a atuar como tutora de dois órfãos em Essex, numa bucólica propriedade um pouco mais afastada da cidade, ela se defronta com dois fantasmas de antigos funcionários. Imaginando que as crianças estão em risco, decide enfrentar o mal que habita aquela casa e procura desvendar o mistério no qual se envolveu.

O brilhante texto de Henry James convida o leitor a entender, segundo suas próprias convicções (e nada mais que isso), se as visões da tutora são sobrenaturais ou frutos de uma possível insanidade. O autor sabe criar com maestria um angustiante clima de suspense. Ele habilita o leitor a pensar no pior, sem entregar jamais em quê consistiria este medo e qual seu limite. Há mais de 100 anos este livro vem sendo discutido, gerando interpretações diversas e ao mesmo tempo excludentes. Não há uma conclusão; e é justamente aí que reside a genialidade do texto ambíguo de James. A estrutura narrativa me lembrou “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad. Em “A Volta do Parafuso”, o narrador principal está reproduzindo uma história que foi contada entre amigos por um segundo narrador e este, por sua vez, está lendo uma carta (esta, sim, o conteúdo do livro) escrita por aquela que seria a terceira narradora (e personagem principal da história).

Um provocante exercício é ler a história duas vezes (o livro é curto), na primeira aceitando a condição sobrenatural das aparições, na segunda já considerando desde o começo o desequilíbrio psicológico da tutora. Fiquei com a segunda hipótese e você?

Curiosidades: Foram feitas mais de 20 adaptações para o cinema. Algumas são reproduções literais, outras contam histórias baseadas na essência do original. A mais famosa chama-se “Os Inocentes” (1961), dirigido por Jack Clayton, com Deborah Kerr (hall da fama da Academia) no papel principal. Interessante é que no texto original, a tutora (ou preceptora, ou governanta, dependendo da tradução) não recebe nome, enquanto que em alguns filmes decidiu-se batizar a personagem (cada um com um nome diferente). Nesta adaptação, por exemplo, chama-se Miss Giddens. Apesar deste ser o mais conhecido, o primeiro filme (na verdade um episódio de uma série de suspense chamada “Startime”) veio dois anos antes, em 1959, trazendo o título original “A Volta do Parafuso”, dirigido por John Frankenheimer (de “Sob o Domínio do Mal” e “Sete Dias de Maio”) e estrelado por Ingrid Bergman (de “Casablanca”). Na ampla lista de adaptações inclui-se até uma nacional (e, talvez, a mais recente). “Através da Sombra” é de 2015 e foi dirigido por Walter Lima Jr. (de “Ele, o Boto”), com Virginia Cavendish no papel da tutora (que se chama Laura) e Domingos Montagner, num de seus últimos papéis.

Nota do livro:
A Volta do Parafuso (Editora BestBolso) - Edição de 2015 - Tradução de João Gaspar Simões = 6,88 (3 estrelas).
A Outra Volta do Parafuso (Editora Penguin Companhia) - Edição de 2011 - Tradução de Paulo Henriques Britto = 7,73 (4 estrelas).
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Mauricio (Vespeiro) 29/11/2017

Um clássico que merece ser lido no original.
É bom deixar claro logo de início que “A Volta do Parafuso” e “A Outra Volta do Parafuso” são títulos diferentes para traduções distintas de um mesmo livro, de Henry James, chamado “The Turn of The Screw”, originalmente escrito em 1898. Quando publicado no Brasil, algumas editoras optaram pela tradução literal do título original (sem o “Outra”) e outras preferiram fazer uma adaptação ao antigo dito popular americano que diz que quando uma situação tende a piorar, ela dará “outra volta no parafuso”, ou seja, em tradução livre, ficará mais “apertada”. E isso responde à repetida indagação acerca da razão do título do livro.

No Brasil foram publicadas várias traduções. Li duas: “A Volta do Parafuso” (Editora BestBolso), edição de 2015, tradução de João Gaspar Simões (pelo que pesquisei, feita em 1965) e “A Outra Volta do Parafuso (Editora Penguin Companhia)”, edição de 2011, tradução de Paulo Henriques Britto. Comparando apenas as que conheço, afirmo que esta segunda tem uma qualidade infinitamente melhor. Tão melhor que a nota final alterou sensivelmente, inclusive mudando a obra de categoria (de 3 para 4 estrelas). A edição da Penguin traz uma tradução muito mais rica, estudada, cuidadosa, com excelentes notas de rodapé e ainda nos brinda com um posfácio riquíssimo e elucidativo escrito pelo professor de literatura de Yale, David Bromwich.

Trata-se de um clássico da literatura mundial. Conta a história da filha de um pároco interiorano que inicia sua carreira como professora na cidade grande (Londres). Convidada a atuar como tutora de dois órfãos em Essex, numa bucólica propriedade um pouco mais afastada da cidade, ela se defronta com dois fantasmas de antigos funcionários. Imaginando que as crianças estão em risco, decide enfrentar o mal que habita aquela casa e procura desvendar o mistério no qual se envolveu.

O brilhante texto de Henry James convida o leitor a entender, segundo suas próprias convicções (e nada mais que isso), se as visões da tutora são sobrenaturais ou frutos de uma possível insanidade. O autor sabe criar com maestria um angustiante clima de suspense. Ele habilita o leitor a pensar no pior, sem entregar jamais em quê consistiria este medo e qual seu limite. Há mais de 100 anos este livro vem sendo discutido, gerando interpretações diversas e ao mesmo tempo excludentes. Não há uma conclusão; e é justamente aí que reside a genialidade do texto ambíguo de James. A estrutura narrativa me lembrou “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad. Em “A Volta do Parafuso”, o narrador principal está reproduzindo uma história que foi contada entre amigos por um segundo narrador e este, por sua vez, está lendo uma carta (esta, sim, o conteúdo do livro) escrita por aquela que seria a terceira narradora (e personagem principal da história).

Um provocante exercício é ler a história duas vezes (o livro é curto), na primeira aceitando a condição sobrenatural das aparições, na segunda já considerando desde o começo o desequilíbrio psicológico da tutora. Fiquei com a segunda hipótese e você?

Curiosidades: Foram feitas mais de 20 adaptações para o cinema. Algumas são reproduções literais, outras contam histórias baseadas na essência do original. A mais famosa chama-se “Os Inocentes” (1961), dirigido por Jack Clayton, com Deborah Kerr (hall da fama da Academia) no papel principal. Interessante é que no texto original, a tutora (ou preceptora, ou governanta, dependendo da tradução) não recebe nome, enquanto que em alguns filmes decidiu-se batizar a personagem (cada um com um nome diferente). Nesta adaptação, por exemplo, chama-se Miss Giddens. Apesar deste ser o mais conhecido, o primeiro filme (na verdade um episódio de uma série de suspense chamada “Startime”) veio dois anos antes, em 1959, trazendo o título original “A Volta do Parafuso”, dirigido por John Frankenheimer (de “Sob o Domínio do Mal” e “Sete Dias de Maio”) e estrelado por Ingrid Bergman (de “Casablanca”). Na ampla lista de adaptações inclui-se até uma nacional (e, talvez, a mais recente). “Através da Sombra” é de 2015 e foi dirigido por Walter Lima Jr. (de “Ele, o Boto”), com Virginia Cavendish no papel da tutora (que se chama Laura) e Domingos Montagner, num de seus últimos papéis.

Nota do livro:
A Volta do Parafuso (Editora BestBolso) - Edição de 2015 - Tradução de João Gaspar Simões = 6,88 (3 estrelas).
A Outra Volta do Parafuso (Editora Penguin Companhia) - Edição de 2011 - Tradução de Paulo Henriques Britto = 7,73 (4 estrelas).
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Bê. 12/11/2017

Um grupo de amigos está reunido em volta da lareira de uma antiga casa contando histórias sobre assombrações. Uma dessas histórias envolvia uma aparição se dirigindo a uma criança. Não muito impressionado, um dos integrantes do grupo, Douglas, sugere ter uma história ainda mais aterradora a contar, envolvendo não só uma, mas duas crianças. Todos na sala se mostram muito interessados de imediato, porém Douglas esclarece que não será possível apresentar a história no exato momento, pois a mesma se encontra de forma escrita e teria que pedir ao seu criado que buscasse o manuscrito em seu apartamento em Londres. Tal história, assegurava Douglas, teria sido escrita há alguns anos por uma mulher que teria sido preceptora de sua irmã e teria confiado a ele o documento antes de morrer. Quando o manuscrito começa a ser lido, a narrativa passa do narrador desconhecido para a personagem central da trama que nos conta toda sua experiência naquela casa desde o dia de sua chegada.
A mulher, filha de um pastor de aldeia, viaja a Londres para atender pessoalmente a um classificado e estava um pouco nervosa porque essa seria sua primeira experiência como preceptora. O anunciante era um homem solteiro, alegre e muito atraente aos olhos dela. Havia se tornado guardião de duas crianças órfãs que eram seus sobrinhos. Apesar de querer se eximir da responsabilidade de criar os dois, desejava o melhor para eles mandando-os para uma agradável e segura casa de campo chamada Bly, com o melhor pessoal que pudera contratar. A caminho da nova moradia, a preceptora sente algo como um mau pressentimento, entretanto se mantém firme sabendo que esta é uma grande oportunidade de mudar de vida. Ela, juntamente com outra governanta, a Sra. Grose, ficariam encarregadas de cuidar das crianças e dos afazeres domésticos. A única exigência de seu patrão era que não o importunasse com nada referente às crianças, que resolvesse tudo sozinha. Não demora muito para que ela caia na graça da menina Flora e posteriormente do menino Miles. Crianças surpreendentemente impecáveis em todos os sentidos. Tudo vai bem até receber uma carta do colégio indicando que Miles teria sido expulso da escola. Sem questionar o motivo da expulsão, a vida segue normalmente já que ela não acredita que o menino tenha feito algo de tão ruim assim. No entanto, esse incidente marca o início do problema. Dias depois, ela tem seu primeiro encontro com um espírito dentro da casa e em outra ocasião, com o segundo. Intrigada mas determinada a proteger seus pupilos daquelas aberrações a qualquer custo, ela dá início às investigações.


Como essa novela foi publicada originalmente em 1898, encontraremos aqui uma escrita refinada e de leitura lenta, mas nunca cansativa.
O autor começa ambientando muito bem seus personagens e o cenário principal. Os sentimentos da preceptora pelas crianças é o elemento mais explorado ao longo de toda a trama. Após o surgimento do problema e durante sua investigação, os diálogos se mostram bem confusos e ambíguos, aumentando o clima de suspense. Os pontos não são bem amarrados e isso fica a cargo do leitor fazer, coletando detalhes importantes nas entrelinhas e juntando-os. O que achei curioso foi o fato do autor não revelar o nome de sua protagonista em nenhum momento.
Por se tratar de uma narrativa em primeira pessoa, o leitor se encontrará dentro da cabeça da personagem acompanhando a destruição do seu emocional e de sua sanidade mental ao tentar desvendar os mistérios de Bly. Para aqueles que desejam um encerramento bem definido irá se decepcionar. Segundo o próprio autor, esta obra é apenas "um perfeito exemplo do exercício da imaginação".
Cismada com o título do livro, descobri pesquisando na internet que seu significado seria algo equivalente a "exercer pressão sobre uma situação ruim a ponto que piore", como um parafuso espanado por ter sido muito apertado! Sendo assim, podemos concluir que o título é uma metáfora ao que acontece com a preceptora na história.

Uma coisa que me incomodou um pouco nessa edição foi a questão das folhas serem brancas e finas, quase transparentes e do espaçamento e tamanho da fonte (muito pequena), mas ok, nada muito fora do esperado para uma edição de bolso.
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Biahhy 02/11/2017

Um dos melhores clássicos com fantasmas.
É ja começamos o mês com o término de uma leitura sensacional,que ao mesmo tempo que eu queria concluir e descobrir o que iria acontecer, eu não queria terminar de ler. Esse livro me impactou de uma maneira que eu não imaginei ser possível,por diversos motivos não apenas por ser de fantasmas e inclusive um dos melhores do gênero, tanto pelo final que foi avassalador, a escrita do Henry James que é simplória e incrível e eu pensava que seria mais difícil de ler.

Sempre quando vou ler um livro ou autor mais clássico por assim dizer fico com esse receio, mas o incrível e que sempre acabo me surpreendendo cada vez mais e adoro isso.

Neste livro temos um grupo de amigos reunidos no primeiro capítulo e um deles Douglas diz ter ouvido e que conhece a mais terrível história de fantasmas e assombração e a partir daí começa a conta essa história tenebrosa, misteriosa e incrível.

Uma professora vai até a propriedade de Bly para tomar de conta de duas crianças Flora e Miles que são órfãs e só tem o tio que inclusive e tutor delas mas distante, e agora está jovem em que nenhum momento e revelado o nome dela tem esse dever de cuidar das crianças e ser governanta da casa. Mas ao chegar na propriedade ela logo percebe que duas aparições,atribuídas a antigos criados já mortos, assombram a casa e as próprias crianças sem mesmo elas nem saberem.

site: https://biahhysilva.wordpress.com/2017/11/05/a-outra-volta-do-parafuso-henry-james/
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Augusto Isaac 09/10/2017

Decepção.
Li a versão da Martin Claret.
O comecinho interessante e o bom final não apagam a má impressão que o desenvolvimento traz, extremamente lento e desinteressante. A visão controversa da governanta excede o suspense, enchendo a paciência do leitor.
A falas do menino de 10 anos no final são tão artificialmente adultas quanto as de algumas novelas da rede Globo, impossível de absorver.
Apesar de ter algumas qualidades e boas sacadas, elas constituem a minoria do livro, não entendo como esse livro pode ser considerado um clássico.
Lydia P. 14/01/2020minha estante
Tô na metade e rezando pra conseguir terminar logo, achei exatamente isso que vc disse, lento e desinteressante, meu Deus, decepcionada. .




Andréa 08/11/2016

A outra volta do parafuso
Já faz algum tempo que adquiri o livro, mas somente agora tomei coragem de ler. Apesar de ser um livro curtinho, a leitura acabou sendo um pouco lenta. Não há muita ação que motive a vontade de ler mais rápido para ver o que vai acontecer.

O autor consegue prender a atenção do leitor desde as primeiras páginas. Confesso que acredito na versão da governanta, pois é impossível que alguém consiga descrever, com tanta precisão, pessoas que nunca viu e que tais descrições correspondam com as de pessoas que moraram naquela casa e que já faleceram.

Toda a historia é narrada a partir do ponto de vista da governanta, uma jovem filha de um pároco, que é contratada para cuidar de duas crianças órfãs, Miles e Flora, numa casa nos arredores de Londres. O contratante, tio das crianças, pede para que ela não o procure para resolver nada em relação às crianças.

A princípio, ela fica encantada pelas crianças, torna-se bastante próxima da caseira, a senhora Grose. Até que em certo momento ela começa a ver as aparições de um ex-empregado, que segundo a senhora Grose, era bastante “folgado”, e da ex-governanta. Ambos tiveram um relacionamento amoroso. A partir de então, toda uma trama de suspense começa a ser desenvolvida. O conteúdo é ambíguo, numa hora você acredita nas visões da governanta, mas como os demais personagens demonstram não compartilhar das mesmas, fica aquela dúvida! O final da historia me surpreendeu bastante. Aconselho que cada um leia e tire as suas próprias conclusões!
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Maitê 03/11/2016

Bom misterio
O que eu mais gosto desse livro é a sua narrativa, somos inseridos nesse mundo sem nem saber o nome de sua "heroína" e ficamos envolvidos nesse mistério. Até o ponto de só nos últimos capítulos começarmos a questionar esses acontecimentos.
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