A Volta do Parafuso

A Volta do Parafuso Henry James




Resenhas - A Volta do Parafuso


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Claire Scorzi 18/02/2009

A melhor história de fantasmas
Muito se discute se os fantasmas mencionados em A volta do parafuso existem ou se são imaginação da governanta que narra a maior parte da história. Pessoalmente, não creio que ela tenha imaginado como resultado de "repressão sexual" (teoria de Edmund Wilson, numa época em que tornou-se 'perspicaz' explicar tudo com base em sexo, especialmente se a heroína da novela é solteira); acho que os fantasmas são reais, e o que ela narra digno de crédito.
Porém o mais impressionante nessa obra tão debatida é a arte fina de Henry James, que consegue pôr nossos cabelos em pé sem mostrar nada - nossa imaginação preenche as lacunas deixadas pelo escritor. Qualquer coisa imaginada é muito mais apavorante; e James apenas sugere em seu texto - deixando o resto por nossa conta.
Goldenlion85 18/12/2009minha estante
Esse livro é sem dúvida, um peça preciosa, li e meus questionamentos aumentaram

muito..., esse livro deixa muitas questões abertas no ar,

a minha será que a protagonista realmente gostava de seu preceptor?

é muita coisa pra analizar, sua resenha é ótima!!!




naniedias 23/06/2012

A Volta do Parafuso, de Henry James
Uma nova governanta é contratada para cuidar dos dois sobrinhos de um atarefado senhor: Miles, de dez anos, e Flora, de oito.
A governanta vai para Bly - a residência onde moram as crianças.
Exceto pelo estranho pedido do tio dos garotos - que requisitara não ser incomodado sob hipótese alguma - tudo poderia ir muito bem. Afinal de contas, as crianças eram extremamente amáveis.
Só que as coisas começam a ficar estranhas. O diretor da escola onde Miles estudou manda uma carta onde afirma que o menino não seria novamente aceito na instituição - mas não explica os motivos.
E a governanta está certa de ter visto dois ex-funcionários - ambos mortos. E ainda mais certa ela está de que estão os dois atrás das crianças.

O que eu achei do livro:
Eu adoro um bom clássico. Eu adoro um bom livro de terror. O que esperar então da mistura dos dois? Um clássico de terror? Eu achei que seria bárbaro.
Só que não foi bem assim.
Não sei o quanto se perdeu na tradução, mas a escrita de Henry James é bastante enfadonha e a história parece ser arrastada - isso em um livro que não tem 150 páginas.
Esperava um terror psicológico daqueles que nos fazem ler o livro andando pela casa, de tanto nervoso do que pode acontecer. Infelizmente, entretanto, isso não ocorreu. Henry James não conseguiu despertar essa ansiedade em mim, ou me dar medo. Com a leitura se arrastando, eu demorei mais do que o normal para terminar esse pequeno livro - e não gostei do final com o qual me deparei. Em vários momentos, achei que a leitura iria melhorar até o final, esperei momentos de maior tensão ou até mesmo algum acontecimento para me deixar com medo. Muitos dos livros de terror que já li, alguns psicológicos, outros com monstros ou psicopatas, me deixaram tão aterrorizada que eu não consegui dormir com a luz apagada de noite. Isso para mim é o que um bom livro de terror deve fazer.
A história é narrada em primeira pessoa pela governanta (ao mesmo na maior parte do tempo. Há uma introdução logo no início, que eu achei um tanto quanto desnecessária, que também é narrada em primeira pessoa, porém por um personagem masculino) e isso nos coloca diretamente nos pensamentos da protagonista. Além disso, essa é uma história de fantasmas - mas como estamos ouvindo o relato direto da mulher, como saber realmente se os fantasmas existem ou são apenas delírios da mente da narradora? Essas reflexões são a parte mais interessante do livro - que acabam fazendo com que o leitor tenha que tirar suas próprias conclusões enquanto vai lendo os relatos da governanta. Se essa parte tivesse sido um pouco mais explorada, ao invés do autor querer deixar tantas coisas misteriosas (fazendo com que a narrativa não fluísse), acho que eu teria gostado mais da história.
O livro é bem curtinho, mas a leitura não é rápida. Apesar do sucesso dessa história, não consegui ser cativada nem pela narrativa, nem pelo enredo de A Volta do Parafuso. Uma pena.
A Volta do Parafuso é um clássico de terror psicológico. Mas não é para todos.

PS: Confesso que me senti um pouco burra (e, sim, essa é a palavra. Não há outra que poderia explicar a forma como me senti) por não ter conseguido apreciar da forma como gostaria essa obra.

Nota: 4
Dificuldade de Leitura: 8

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Luiza Rodrigues 20/01/2015minha estante
Adorei sua resenha! Confesso que o livro também me decepcionou um pouco... vendo as experiências de outros leitores, esperava não conseguir dormir direito haha porém mal cheguei a sentir arrepios. Fora isso gostei muito do livro :)


Fabio 19/02/2015minha estante
Também tive as mesmas impressões que as suas. O livro não fluiu para mim e o autor perdeu boas oportunidades de fazer suspense revelando os personagens obscuros fácil demais. Acho que a grande reviravolta é o que você citou da ambiguidade da situação, mas ainda assim não me senti envolvido o bastante para questionar a situação.




Alfer Medeiros 12/12/2010

Deveria ser mais curto...
O livro se arrasta demais, a protagonista é inexpressiva e as coisas acontecem muito devagar.
Tem ideias interessantes e um cenário propício a um bom terror psicológico do século XIX. Funcionaria melhor se fosse um conto ou, no máximo, uma noveleta. Como romance, ficou maçante.
Isso sem citar o clímax, curto e brusco.
Ainda prefiro Poe e Lovecraft.
nowmary 26/08/2011minha estante
Tive essa mesma impressão do livro.


Gláucia 01/03/2012minha estante
Não sei se você sabe mas existe um filme baseado nessa novela, Os Inocentes, com Debora Kerr.


Júliah 11/06/2012minha estante
Ele esta como um conto no livro Contos de horror do século XIX, confesso que tb achei muito chato! Mas nesse livro tem uns contos excelentes!


Victor Tanaka 14/06/2013minha estante
Devagar? Sério?
Eu acho que os acontecimentos se dão em um ritmo perfeito!




cristianepf 29/09/2012

Maravilhoso | http://meioliteral.blogspot.com.br/
A primeira coisa que você precisa saber sobre esse clássico é que trata-se de uma obra ambígua. A intenção do autor é justamente nos deixar em dúvida sobre os relatos. Por isso, não se preocupe em encontrar respostas certas ou erradas.

A grande dúvida será sobre em quem acreditar. Na preceptora que está contando a história, ou nas crianças que dizem não ver assombração nenhuma? Dessa maneira, os leitores irão se dividir em dois grupos: Alguns vão ver o livro como de suspense outros como psicológico e, como eu já disse, nenhum estará errado.

Durante a leitura, descobri dois filmes que foram inspirados no livro e procurei os dois para assistir. Gostei de ambos, mas a grande diferença entre eles o livro é que, ao contrário do livro, os filmes pendem mais para um lado ou para outro, tendo já a sua interpretação bem definida.

O primeiro se chama, Os Inocentes (1961), é um filme em preto e branco que realça a ideia dos fantasmas que perseguem as crianças e estes realmente escondem que mantém contato com eles, enquanto a preceptora tenta de todas as formas salvá-los. Trata-se de uma história paranormal.

No segundo filme, Lugares Escuros (2006), a história é trazida para a atualidade e a babá é claramente mostrada como perturbada e com passado problemático, onde a babá tenta proteger as crianças de um perigo que não existe. Trata-se, então de uma história com fundo psicológico.

Nos filmes também é interessante realçar que, algumas outras informações são acrescentadas que o livro simplesmente não cita, ou apresenta-as de forma evasiva.

No filme de 1961, a explicação da expulsão de Miles da escola fica a cargo da maldade que o menino assume, chegando a afirmar que maltratava animais algumas vezes. Já o filme de 2005, o distúrbio mental da professora é atribuído a abusos que ela sofreu na infância, inclusive é um mal que ela acredita que as crianças também sofreram.

Além dos filmes, o livro "A menina que não sabia ler" de John Harding também lembra muito "A outra volta do parafuso". O livro faz várias referências ao clássico, desde o cenário, a descrição das personagens, o nome dos mesmos e também conta com uma boa pitada de mistério que nos faz até chegar a pensar no início que se trata da mesma história, só que contada por uma das crianças. Depois o livro toma outro rumo, mas o final o autor tenta nos deixar em dúvida da mesma forma que Henry James.

Se eu já recomendava "A menina que não sabia ler" o livro que, sem que eu soubesse, é inspirado em "A outra volta do parafuso", agora recomendo os dois. Se você gosta do estilo, vai achar muito interessante e com certeza vai passar vários dias pensando e repensando as respostas para a história. Minhas únicas recomendações são que você leia o original em inglês ou consiga uma tradução muito boa, já que o livro é cheio de frases de duplo sentido que são essências para o bom entendimento e formulação da sua teoria (eu li a da L&PM e está muito boa) e que você mantenha a mente aberta. Sente e aproveite a viagem maravilhosa que é essa história.

Eu tentei evitar spoilers ao máximo, mas gostaria de falar mais sobre o livro com vocês, por isso criei dois tópicos ali no link de Debates do livro e convido a quem se interessar para participar.

Camis 13/07/2012minha estante
Já assisti Os inocentes muitas vezes, recentemente resolvi pesquisar sobre o diretor e só ai descobri que a história é baseada nesse livro. Vou começar a ler em breve, mas adorei sua resenha pelas indicações. Fiquei doida por "A menina que não sabia ler".


Erica H. 02/02/2016minha estante
Na edição da Penguin tem um posfácio bem interessante sobre se os fantasmas eram reais ou imaginação da governanta. Para tanto, o autor compara o texto com outras obras de Henry James reunidas em diferentes coletâneas. Outro livro inspirado nessa obra é "A casa assombrada" do John Boyne.


Augusto Isaac 01/09/2017minha estante
Não estou gostando. Acho que deve ser problema de tradução.




Bruna 22/07/2012

De maneira alguma leiam "A Volta do Parafuso" pela editora Clube do Livro. A tradução e a pontuação são ruins a ponto de a leitura ficar difícil e irritante, mesmo.

Recomendo a leitura na versão da editora Hedra! Muito, muito boa e intrigante.
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Weslley Machado 09/05/2015

A novela psicológica de Henry James
“A Volta do Parafuso” é um relato de uma moça cuja função é ser preceptora de uma casa assustadora. Por que assustadora? Bom, digamos que é pelo fato da casa se localizar em um local chamado Bly, uma local enorme, típico casarão clássico de histórias assustadoras. Essa moça (seu nome não é citado) recebe um convite para tomar conta de um casal de crianças órfãs, a entrevista é feita pelo tio das crianças, descrito como um homem bonito e cheio de encantos. Agora é importante citar que esse homem, tio das crianças, impõe uma condição muito estranha para que a moça possa ocupar o cargo de preceptora: ela não pode reclamar de nada, nunca deve entrar em contato com ele, precisa tomar conta de tudo sozinha. Mesmo com toda essa responsabilidade, a moça aceita o trabalho que lhe foi oferecido e se dirige para Bly para começar a prestar seus serviços.

Logo em sua chegada ela conhece a Senhora Grose, uma mulher que já trabalhava na casa. A senhora Grose será de extrema importância para a nova preceptora, é ela que vai explicar como funcionam as coisas em Bly e fará o possível para deixar a nova preceptora confortável. Depois temos o momento onde a preceptora conhece as crianças e fica impressionada com a beleza e inteligência de ambas, são crianças como ela nunca havia visto antes. É claro que isso não é o suficiente para trazer o tom assustador ao livro, portanto, coisas estranhas começam a acontecer.

Vou fazer comentários breves para tentar esclarecer o clima do livro, tudo que for dito a seguir é colocado ao leitor no começo do livro, sem spoilers, claro.

Nossa narradora descobre que anteriormente outra mulher tinha ocupado o cargo de preceptora, era ela responsável pela menina Flora. A Senhora Grose explica que recentemente essa mesma mulher tinha ido embora. Essa mulher morreu. Outra coisa que a nova preceptora vai tomar conhecimento é de um homem que anteriormente cuidava do menino Miles e de algumas coisas do seu patrão. Esse homem também morreu. É dessa forma que a história ganha o seu tom de assustador, a nova preceptora em alguns momentos começa a ver essas duas figuras que anteriormente haviam educado as crianças (educado de forma estranha) e começa a acreditar que eles ainda exercem alguma influência nas crianças. É trabalho da preceptora encontrar uma forma de cuidar das crianças, sempre seguindo a condição que foi estabelecida no começo: não comunicar de forma alguma o tio das crianças.

A escrita de Henry James é simples, os diálogos são prazerosos e as descrições fazem o leitor entender bem o local onde tudo acontece. Confesso que em alguns momentos (lá para a metade) fiquei desanimado com a narrativa do livro, pois algumas situações demoram muito para ser esclarecidas. Mesmo assim foi o tipo de leitura que não me arrependo de ter feito, a história volta a ganhar ritmo quando vai se aproximando do final fazendo o interesse do leitor crescer novamente. Vale a pena conhecer esse clássico do terror psicológico.
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Blog MDL 03/11/2014

Numa mansão no interior da Inglaterra, uma governanta é encarregada de cuidar de duas crianças órfãs. O tutor das crianças, seu tio, deixa tudo sobre o controle da sua mais nova empregada, com uma única regra máxima: não o perturbar em hipótese alguma.

As crianças se comportam bem. Todavia, existe um desconforto crescente vindo da governanta em relação às crianças e à propriedade. Ainda mais depois que um homem misterioso aparece nos arredores procurando por algo desconhecido e que acaba deixando aflita a jovem moça. No desespero de cuidar e proteger as crianças, ela acaba descobrindo que as coisas são bem diferentes daquilo que imaginava até então e a partir disso precisa travar uma luta cercada pela tragédia e por um final imprevisível.

Apesar de ser uma história curta, em A Volta do Parafuso Henry James abrange todas as características linguísticas da época em que escreveu o conto através de uma escrita fluida e que certamente irá envolver até mesmo aqueles que sentem certo receio de ler algum clássico. Um dos motivos para a leitura ser tão fascinante, está centrado na maneira que ele transformou uma história com características de puro entretenimento em algo mais que até os dias de hoje desperta questionamentos entre os leitores comuns e estudiosos da literatura.

Muito disso se deve aos personagens marcantes e intuitivos de sua obra. Já que com uma das protagonistas mais dúbias que eu já acompanhei, James conseguiu não só tornar a governanta disposta a fazer tudo que fosse possível ser feito para proteger as crianças do mal que ela acredita assombrar a velha mansão, como também, fazer isso de uma maneira que deixa o leitor incerto no que concerne a sanidade da personagem.

Tanto que a dúvida de que ela está imaginando tudo e a crença na existência de fantasmas que representam um perigo real para as crianças, persegue o leitor implacavelmente. Principalmente, porque se torna evidente que a preocupação dela, está se transformando em uma obsessão (que pode ser ainda mais perigosa do que o dito mal que ela teme). No entanto, esses são apenas alguns dos pontos fortes que posso dizer a respeito dessa história que, a bem da verdade, pode ser definida como um grande conto, com desdobramentos imprevisíveis e um final extremamente inquietante.

site: http://www.mundodoslivros.com/2014/10/resenha-especial-volta-do-parafuso-por.html
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Kah Cruz 11/06/2009

Tô até agora tentando entender pq comecei a ler esse livro... e tentando entender o que eu li... é mto confuso!!
Rodrigo 19/05/2012minha estante
o terror do livro é vc não conseguir entender nada, muito confuso, só terminei de ler pra não dizer que gastei dinheiro atoa




Daniel Pedrosa 16/11/2011

Psicologia Pura
Após ler este romance, ficou claro para mim o conflito psicológico vivido pela personagem de Henry James. Uma mulher obcecada pela responsabilidade atribuida e que foi capaz de colocar de "cabeça pra baixo" uma casa onde vivem duas crianças. Um texto rebuscado e as vezes confuso denota do modelo adotado em primeira pessoa, visto apartir de alguém também confuso e amedrontado. De fato não se trata de um texto que me agrade, mas no que diz respeito a falar sobre sentimento e demonstratar o envolvimento entre personagens em uma estória, esta narrativa é rica e perspicaz. Aconselho a leitura para quem gosta de ler textos com frases complicadas e personagens também complicados.
Rodrigo 07/05/2012minha estante
devia ter lido seu comentario antes, o texto é bem complicado, fico confuso a maior parte do tempo e não sei se sou eu ou a intenção do autor era essa.


Nana 17/08/2015minha estante
tb achei a linguagem um pouco rebuscada, mas qdo fui ver na edição bilíngue eu vi que a tradução é que era horrível!! então ficou muito confuso, não sabia quem estava pirando mais: a protagonista ou eu... rs




Tatiane Buendía Mantovani 11/05/2015

Levei uma eternidade para ler as míseras 160 páginas.
E não entendi nada do final.
Me recomendaram como se o filme Os outros tivesse sido baseado nele, e talvez eu não tenha gostado porque parti da premissa errada.
Não gostei.
sol 21/06/2015minha estante
na verdade tem um filme sobre ele, antigo, chamado "Inocentes"


Keith 23/07/2015minha estante
Exatamente o mesmo comigo, parti da premissa (porque assim me foi indicado) de Os outros. E né, quebrei a cara, rs.




Suelany 05/11/2015

Sem suspense
O autor perdeu mto tempo descrevendo os achismos da personagem principal e pouco tempo desenvolvendo o objeto de estudo dela. Sem relações profundas entre eles, o final é diferente e ousado mas não esclarece a dúvida principal que ficou no ar: o q aconteceu com os fantasmas, e a garotinha da história?
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Blog Cinco Garotas Exemplares 11/04/2016

Resenhar este livro não é tarefa fácil. Não por conta das impressões pessoais que cada resenhista carrega. Ou da forma que cada um interpreta as entrelinhas que o autor colocou no texto. A verdade é que Henry James brincou com uma história simples e corriqueira de sua realidade e a transformou em um conto de terror sinistro e dúbio.
Inicialmente, vemos um grupo de pessoas reunidos em uma sala, conversando animosamente entre si, até que alguém sugere que se conte uma história de terror. Douglas, que fica encarregado de narrar, começa a construir a atmosfera ao dizer que o momento não é o propício, uma vez que possui o manuscrito assombroso e precisa dele para contar melhor os fatos. Fatos que causarão grande pavor.

A partir daí, A Volta do Parafuso começa a ser contada. É uma narrativa simples, de uma jovem inglesa, filha de um pároco, contratada para ser preceptora de duas crianças em uma casa de campo, em Bly, interior da Inglaterra. O nome da moça não é citado na obra. É notável como esta senhorita fica deslumbrada com o trabalho e a oportunidade de lecionar essas duas crianças.

Recordo todo o início como uma sucessão de altos e baixos, como uma pequena gangorra de emoções desencontradas. Depois do entusiasmo com que atendi ao apelo dele na cidade, tive sob todos os aspectos alguns dias muito difíceis vi-me novamente cheia de dúvidas, chegando a ter certeza de que fizera a coisa errada. (APreceptora)

Ao chegar à mansão interiorana, a protagonista e narradora da história encontra com a Sra. Grose, governanta da casa, que será seu braço direito durante toda a estadia, e a pequena Flora, uma de suas pupilas e pela qual fica extremamente encantada. O proprietário da casa e tio das crianças fez um único pedido a nova preceptora: que resolvesse todos os assuntos referentes às crianças sem incomodá-lo.

Nos dias seguintes, especialmente com a chegada de Miles, seu outro pupilo, a clima de um lugar diferente e de muitos cômodos fechados se instaura. E o descoberta das mortes de um ex-funcionário da mansão e da última preceptora da criança mexe com nossa protagonista, que começa a vê-los na mansão e ao seu redor.

Era como se, enquanto eu assimilava o que pude assimilar , a morte se tivesse precipitado por tudo ao seu redor. Ainda escuto, enquanto escrevo, o profundo silêncio que calou os sons noturnos. (A Preceptora)

Neste ponto, o conto começa a se desenvolver, conjuntamente com nossas dúvidas e receios. Isto ocorre, porque apesar de linguagem ser simples (quem tiver a oportunidade de ler esta versão bilíngue, verá que o texto original também levou em conta a simplicidade na escrita inglesa), o autor nos traz muita ambiguidade. E a narração da nova preceptora nos confunde e nos aprisiona durante toda história.

Talvez seja aí que Henry James tenha pecado, visto que, por ser um conto de literatura clássica, se torna cansativo aguardar alguns desdobramentos da ação no livro. Além disso, o repetitivo deslumbramento da protagonista com tudo relacionado às crianças é um exagero a parte. Mas observando o conto em seu conjunto, também é um acerto do autor.

Estamos acompanhados temos os outros, de fato, eu concordei.
Mas, embora tenhamos os outros, ele retornou, ainda com as mãos nos bolsos e plantado à minha frente, eles não contam muito, não é mesmo?
Procurava ser ágil e brilhante, mas me sentia apagada. Depende do que você chama de muito!
Sim, com toda condescendência tudo depende! (A Preceptora e Miles)

Ambíguo? Sim, meus caros. Não há como fugir. Esta é uma das sensações ao se ler este livro. Com uma narrativa imprecisa, só nos resta pensar ao analisar se os fatos são verossímeis ou ilusórios, vítimas ou não de uma boa contadora de história ou de uma mente perturbada pela sua criação supostamente rígida.

Sobre o livro da Editora Landmark que li, a diagramação é muito boa, simples e de agradável leitura. A tradução é de Francisco Carlos Lopes e revisão de Francisco de Freitas, que fizeram um bom trabalho com um texto de significado tão dúplice. Mas um adendo: cuidado com esta versão da Editora Landmark! O texto inicial chamado de Eficácia do Parafuso (com subtítulos: Sinistra e Peçonhenta e O Principal Suspeito, de Francisco Lopes), que conta aspectos importantes sobre a obra, deveria ser lido posteriormente à leitura do conto. Isso porque, ao meu ver, trouxe uma visão bem detalhista sobre o que o autor poderia ter dito, influenciando assim a conclusão do leitor.

E eu tenho quase certeza que ao terminar este conto, Henry James encostou-se a sua cadeira, juntou as páginas escritas e sorriu.

site: https://cincogarotasexemplares.com.br/2015/10/12/resenha-a-volta-do-parafuso-henry-james/
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Maria R. 30/07/2009

Excelente
Não dá pra parar de ler. Se tiverem oportunidade, assistam ao filme baseado nesse livro "Os Inocentes" com Alan Bates e Deborah Kerr. O filme tb é maravilhoso.
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Daniela Tiemi 09/07/2009

Terrivelmente ambíguo e enigmático!
"A volta do parafuso", publicado em 1898, conta a história de uma jovem que é contratada para se tornar preceptora de duas crianças órfãs, Miles e Flora, cujo o tio solteiro, bonito e mundano é responsável. O tio exige da recém-contratada que se mude para Bly e fique por lá com as crianças sem aborrecê-lo, em hipótese alguma, com problemas.
A preceptora logo se vê encantada com a doçura das crianças, até que começa a ter visões dos antigos funcionários já mortos, o Sr. Quint e a sua antecessora Srta. Jessel. Logo ela começa a desconfiar do poder dessas aparições no comportamento das crianças.
Há no livro muitos mistérios não explicados, muitas perguntas sem resposta: O que exatamente fez o pequeno Miles para ser expulso da escola? O que havia entre o Sr. Quint e a Srta. Jessel tanto enquanto eram vivos quanto depois de mortos, o que realmente eles queriam? Como a Srta. Jessel morreu? E, a questão principal, a que gera diversas discussões: Seria tudo imaginação da solitária preceptora ou há veracidade na história narrada por ela?
Em clima de terror e suspense - que por sinal perdura até mesmo, ou principalmente, após o término do livro - Henry James nos deixa uma obra-prima em histórias de fantasmas.
Oscar Wilde definiu esta obra de James como: "um pequeno conto maravilhoso, terrível e venenoso".
Sem dúvida, um livro terrivelmente ambíguo e enigmático, com lacunas que podem ser preenchidas ao bel-prazer do leitor.

Sobre Daisy Miller: é uma pequena novela que conta a história de uma jovem americana, Annie P. Miller - a quem todos conhecem por Daisy - que viaja pela Europa acompanhada da mãe e do irmão mais novo. Em Vevey, na Suiça, ela conhece o compatriota Winterbourne que está a visitar a tia. Winterbourne mora há muitos anos na Europa e segue as regras impostas da sociedade, já Daisy muito espontânea é malvista pelas suas atitudes consideradas inadequadas para uma jovem. Winterbourne tenta a principio criar desculpas para as atitudes de Daisy já que está encantado com a beleza da jovem. A situação chega ao extremo e o final me pegou de surpresa! Gostei bastante da história apesar de seguir uma linha diferente de "A volta do parafuso".

Henry James nasceu em Nova York em 15 de abril de 1843 e morreu em Londres em 28 de fevereiro de 1916 devido a um derrame. Naturalizou-se britânico ao fim de sua vida.
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