Habitante irreal

Habitante irreal Paulo Scott




Resenhas - Habitante Irreal


8 encontrados | exibindo 1 a 8


Dude 03/08/2020

Bons momentos
Livros tem bons momentos e pode interessar a muitos. Prefiro "O ano em que vivi de literatura"
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Camila Justino 06/05/2012

Seria mais prudente ler o romance novamente para fazer uma resenha mais detalhada.
Porém, reservo esse espaço para compartilhar o afeto que senti ao ler Habitante irreal.
Tento acompanhar a produção contemporânea atual e confesso que, ultimamente, quando começo a ler algumas dessas produções sou facilmente levada para longe da história. Logo nas primeira páginas é possível perceber “o que o autor quer dizer”, “o que o autor quer provocar”. Para um leitor de ficção, esse é o caminho mais infeliz, menos produtivo.
Acredito que os escritores caem ingenuamente na necessidade ( e na cilada) de experimentar com a linguagem e acabam produzindo palavras dependentes aos textos lidos anteriormente. É claro que todos os textos são formados por textos já lidos etc. Mas nem todos conseguem captar o ovo como Clarice Lispector ou dissecar a fragilidade dos segundos como Virginia Woolf. A literatura é experimentação com a linguagem, mas o leitor não quer perceber isso. O leitor percisa ser tomado, a leitura com conexões é bem vinda depois da leitura, não durante.
A experiência com Habitante Irreal foi única. Logo nas primeiras páginas fui capturada pelo narrador. Eu não enxergava o escritor por trás da leitura, o que mostra a sua sagacidade e sua entrega ao trabalho. Eu finalmente estava possúida por aquela história. A última vez que isso aconteceu, lendo literatura nacional, eu devia ter 16 anos. Foi quando li o Cortiço e Dom Casmurro.
O livro começa nos aprensentando a relação entre Paulo (um jovem envolvido no movimento estudantil mais pelas circunstâncias do cenário atual do país do que um engajamento por convicção) e uma índa que vive com sua familia na beira da estrada. Tudo indicava que a história me levaria para um romance que a tudo pode vencer. É a ingenuidade da leitora que começa a se apaixonar pelos personagens, um livro na mão e a vida não precisa mais ser como ela é.
Mas o destino ( as mão pesadas do escritor precisaram ser pesadas, a vida é assim ou não?) acabou levando os personagens para caminhos diferentes, duros demais. A partir desse momento foi só angústia, fui massacrada até o fim do livro.
Várias questões pessoais, minha implicância com o dia do índio na escola, a obrigação de resgatar a memória desse povo massacrado, ainda não pagamos a dívida, e decidimos caricaturar os índios? mas ele são assim? quem são os índios? e eu, sou uma branca? a irritação com feira dos índios, afinal eles vendem colares usando shorts nikes, e até a criação de uma Kari-oca no evento Rio+20?
Muitas outras questões dialogavam em silêncio com a narrativa, mas não havia muito tempo, a história precisava correr. Paulo Scott disse em seu blog: a ênfase na linguagem vai perdendo a força para uma narrativa que vai se focando mais na história em si.
A história toma proporções absurdas (doloras). Como leitora penso: mas precisava ser assim?
Terminei o livro e emprestei para meu irmão que tem 16 anos e está naquela fase de não saber o que fazer da vida. Não sei bem o motivo, mesmo com questões tão complexas, o livro possui uma primeira camada de narrativa ágil que dialoga com jovens. Habitante Irreal me lembrou muito a relação que tive com o Apanhador no Campo de Centeio.
Meu irmão devorou o livro e me mandou uma mensagem via facebook:
"Eu, até agora, não sei se adorei, ou odiei o livro. No mais, gostei muito! Poderia ter terminado em um dia só. Muito bom de ler. e achei tão diferente. com tantas coisas. não sei!"
Depois ele me confessou pessoalmente que era uma história que tinha tudo para dar certo. Precisava ser assim? Meu irmão se viu como Paulo, o protagonista, um jovem que podia ter feito tanto, um jovem com tanta coragem, mas que no fim das contas foi levado pela covardia.
Se ficamos tristes, decepcionados ou felizes pelos personagens é um bom sinal, a história aconteceu, o escritor elaborou a trama com cautela, depois saiu de fininho e nos deixou lá, espectadores solitários da vida. Somos afrontados pela coragem e covardia dos personagens, habitantes reais do mundo.
Habitante irreal é extramente honesto e comovente.
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Arsenio Meira 26/02/2013

Que todos possam ler e (quem sabe) sorver os efeitos de um romance denso e definitivo.
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jota 22/06/2015

Um índio descerá de uma estrela...
A ilustração da capa de Habitante Irreal (um índio sem a cabeça, do brinquedo da infância de muita gente, Forte Apache, sobre um fundo absolutamente branco) e o título (que fica bem claro na página final) chamam muito a atenção para o livro do gaúcho Paulo Scott. Já é marcante desde aí.

Habitante Irreal foi tido por vários críticos literários como o melhor lançamento brasileiro de 2011. E sobre o qual a extinta revista Bravo! escreveu: “Uma literatura brasileira contemporânea ágil e essencialmente urbana, repleta de referências ao universo pop; não abre mão do lirismo, mas não se entrega a um sentimentalismo fácil.” Esta é uma sinopse curta mas que de fato corresponde bastante ao que lemos no livro de PS.

Apesar de algumas personagens femininas de calibre, Maína, Rener, Luísa e Catarina, são os protagonistas masculinos, Paulo e Donato, que dominam a história aqui contada. Ou histórias, pois a de Henrique, personagem secundário (ele é o pai adotivo de Donato), também é marcante em vários momentos.

Até mais ou menos umas setenta páginas lidas – a obra tem 262 no todo - você fica completamente envolvido pela trama armada por PS. E algumas páginas depois já não quer mais parar de ler: é quando a ação se desloca do Rio Grande do Sul para a Inglaterra, quer dizer, Londres. Então você é transportado junto com ela. Até o final.

Especialmente na primeira parte, passada toda no Brasil, a escrita de PS me lembrou muito a de outro escritor gaúcho, Daniel Galera, do ótimo Barba Ensopada de Sangue. Galera, aliás, de algum modo participou de Habitante Irreal: seu nome está lá nos Agradecimentos no final do livro. Parece que é da região sul que tem vindo os melhores livros brasileiros que li ultimamente – além de Barba... acrescento O Filho Eterno, do paranaense Cristóvão Tezza, inesquecível.

De volta a PS: apesar do “irreal” do título, parece que em alguns momentos alguma coisa - ou muita coisa, não sei - da vida do autor está presente na obra. Especialmente quando ele trata de certas questões nacionais que vêm desde 1989, ano em que a ação é iniciada. E assim será da mesma forma com a narrativa dos vinte anos seguintes, “(...) proporcionando um retrato atordoante da geração que vem ocupando o poder no país”, conforme se lê na apresentação da editora Alfaguara.

Como escrevi antes, o livro prende a atenção o tempo todo e termina mais ou menos correspondendo às expectativas que construímos durante a leitura: estamos diante de um belo romance político - ou politizado. E de volta à capa, somente de longe ela poderia lembrar alguma brincadeira relacionada com o Forte Apache, cuja simbologia está presente sempre que Donato está em cena ou quando são feitas menções à problemática indígena nacional. Sempre um problemão.

A profunda decepção de Paulo com o PT e o Brasil não tem contornos apenas ficcionais, vai além: é igualmente a decepção dos que acreditaram em Lula e outros “notáveis” do partido. Que hoje constitui não exatamente uma organização política mas, como assinalou um ministro do STJ, decididamente criminosa. Muitos caras-pálidas já desembarcaram da estrela vermelha há tempos. Mas ainda há neste país quem aprecie um objeto abjeto, de lata enferrujada...

Lido entre 20 e 22/06/2015.
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Antonio 15/11/2015

Desilusão
Em Habitante irreal, de Paulo Scott, duas personagens de mundos distantes têm um encontro improvável no final da década de 80 do século passado: o jovem Paulo, um rapaz urbano desiludido com a política e insatisfeito em seu trabalho e a adolescente Maína, uma pobre indígena tomando chuva à espera do nada.

A partir desse encontro, a vida dos dois assume rotas inesperadas e os caminhos tortuosos que eles passam a percorrer nos mostram angústias, anseios e incongruências da geração que hoje é motor da sociedade.

No entanto, embora a coragem demonstrada pelo autor ao criticar de maneira veemente parte da turma que atualmente manda nos destinos do país pudesse fazer de o Habitante Irreal um livro importante, as inverossimilhanças que pipocam ao longo da história e a fragilidade dos motes criados para a ação das personagens o transformam em um livro fraco.

Assim como a personagem Paulo esperava mais do PT, de sua história também esperava-se mais.

Trecho do livro:

“O escritor espanhol Camilo José Cela, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura deste ano, disse ter pena dos escritores que se submetem aos políticos e declarou que usará o dinheiro do prêmio concedido pela Academia Sueca pra pagar suas dívidas.” (p. 107)



site: leioedoupitaco.blogspot.com.br
David Atenas 09/01/2017minha estante
Essa mudança a partir de certo ponto da história me estressou demais. Só posso creditar isso à incompetência do autor.




David Atenas 09/01/2017

Desperdício ou Incompetência?
Fica a pergunta a Paulo Scott, mais um destes autores "indies" nacionais, que matou o próprio livro dando um giro de 180o na história.
A trajetória do recém-ex-militante petista Paulo e da índia Maína poderia ser ótima, e era boa até certo momento, antes de ser negligenciada. Tal fato me aborreceu tanto que cheguei a bolar uma versão minha em livro, que no meu caso, seria um recém-saído destes movimentos pró-impeachment; a intenção era fazer o que Paulo Scott não fez neste "Habitante Irreal": uma BOA história, do começo ao fim, sem desperdiçar os itens que teria em mãos.
Muito ruim.

site: datenas.wordpress.com
@mi.chxl 03/06/2017minha estante
Curioso é que não tem nem um livro no teu perfil que tu gostou.


David Atenas 15/07/2017minha estante
Tem sim, Michel. Dá uma melhor lida nas resenhas.




Aninha 22/11/2020

Irreal e incomum
Se você está buscando uma história comum e uma escrita banal, esse não é o livro mais indicado.
Scott entrelaça os personagens, as épocas e tempos, desnudando as dores da alma nos seus personagens.
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