Niketche

Niketche Paulina Chiziane




Resenhas - Niketche


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Jacqueline 15/07/2017

Um outro olhar sobre o feminino
Paulina Chiziane é uma autora importante para se compreender a situação das mulheres em Moçambique. Em Nicketche vemos uma perspectiva do feminino diferente do que estamos acostumadas no Ocidente. É uma leitura pra sair do senso comum, para compreender gênero e raça, para aprender um pouco sobre um pedaço da Africa.
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Mari 16/04/2021

Presente da lista obrigatória
Eu não consigo dizer o quanto esse livro é rico. Ele mostra para o leitor uma cultura que normalmente é pouco conhecida, visto que a maior parte do que conhecemos é pro lado Europeu, do colonizador mas nunca do colonizado.
Embora nós pertençamos a uma cultura na qual a mulher também é inferiorizada, sofre com a desigualdade e com o machismo em diversas esferas, o livro apresenta uma outra que em diversas partes do livro Rami diz que seu desejo era não ter nascido mulher. Foi muito importante ver essas mulheres crescendo nos negócios e encontrando novos amores, mesmo sabendo que a cultura irá perdurar, que mais mulheres irão sofrer o que nos é apresentado no livro. Relatos de familiares piores do que a narrativa do livro. E, em uma parte, Rami cita que mesmo sabendo de tudo se vê reproduzindo a cultura e passando para frente com seus filhos. O livro recebe o nome da poligamia e realmente apresenta a raiz, as visões desse costume, dessa espécie de estrutura de poder. Entretanto, ele aborda muito mais que isso.
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Nathalie.Murcia 28/06/2020

Retrato de uma uma sociedade polígama
Retrata os meandros da poligamia na sociedade moçambicana machista, bem como os costumes, tais como o lobolo, escolas do "amor", ritos de iniciação, além das diferenças na criação das mulheres do Norte e do Sul do país. Rami e é protagonista e a esposa principal de um marido polígamo que tem mais quatro mulheres.

O livro é muitíssimo interessante, e até choca em virtude de algumas práticas expostas, tais como a "kutchinga", ritual no qual a viúva é "purificada", através da prática de relações sexuais desprotegidas com um irmão ou primo do defunto.

Essa prática costumeira, atualmente, está proibida, e foi uma conquista da Associação Dos Médicos Tradicionais de Moçambique (AMETRAMO), devido a ter contribuído com a disseminação da SIDA no país, além de constituir uma afronta a dignidade sexual das mulheres.

Recomendo a leitura!

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site: http://.instagram.com/nathaliemurcia/?hl=pt-br
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isabelfilardo 26/03/2021

O despertar da força da mulher
Ser mulher. Ser mulher em Moçambique. Que alegria conhecer Rami, a esposa de um polígamo. Ela desperta. Ela se movimenta e com ela movimenta a vida das mulheres à sua volta. É tão bonito quando mulheres se unem! Esse livro li por indicação de Mia Couto. Não tenho mais o que dizer. Recomendo!
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Kyckling 07/04/2021

tem algumas ressalvas mas sim, esse livro merece dms 5 estrelas.

Algumas partes eu fiquei meio peridas, por serem muito poéticas (?).

mas o livro traz reflexões e momentos tão duros, de acolhimento e dores dos personagens, sem contar com o tanto que fala da cultura.
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Luciana - @minhaestantemagica 25/07/2018

Uma moela de galinha vale mais...
Confesso que tive um mix de sentimentos lendo essa história. É um choque de culturas imenso. Por mais que o Brasil seja um país muito machista, não se compara à Moçambique apresentada por Paulina. A poligamia é permitida no país onde a população é dividida entre os antigos costumes e os ensinamentos cristãos. Ah, vale lembrar que só os homens podem ser polígamos. A história gira em torno do casal Rami, a narradora, e Tony, casados perante as leis da Igreja Católica. Desconfiada que o marido a trai, Rami sai em busca da amante para tirar satisfação. Ao encontrá-la, descobre que ela não é a única: Tony possui mais 3 amantes e tem filhos com todas, chegando a incrível soma de 17 herdeiros. Rami fica arrasada mas consegue juntar todas as rivais e pressionar o marido para oficializar o regime de poligamia, onde todas as mulheres teriam mais segurança e partilhariam o "marido" de forma igualitária, através de rodízio. As mulheres acabam se tornando parceiras e todas têm bastante respeito por Rami. O livro nos proporciona uma viagem cultural por várias regiões de Moçambique, onde os costumes divergem bastante. Eu, como mulher, sofri junto com Rami as humilhações a que foi exposta por amar um homem que não conseguia ser de uma só. Da mesma forma que ela, também fiquei revoltada em saber que uma moela de galinha vale mais que a vida de uma mulher. E ao lado dela, sorri ao perceber a sororidade que nasceu entre aquelas mulheres. Rami achava que o espelho era seu único amigo e confidente, porém, acho que ela encontrará uma amiga em cada mulher que ler esse livro!
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amenduado 28/01/2021

Gostaria que esse livro fosse mais conhecido
Uma obra rica de detalhes sobre algumas províncias de Moçambique e que apesar da história ser ficção, nos ajuda a entender aspectos culturais e sociais desse país. O carinho pelas personagens cresce a cada capítulo e ler sobre poligamia me proporcionou momentos de muita reflexão, a escrita é muito boa e o desenvolvimento é instigador.
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ju.avilla 21/08/2020

O peso da narrativa feminina moçambicana
Paulina nos mostra o como a cultura de um povo recai mais pesadamente sobre as mulheres. Rami, personagem principal, transcende seu orgulho e seus princípios em nome do que ela chama de amor. No que parece ser um amor romântico no princípio, se transborda em sororidade. Fazendo uso até do humor, esse livro demonstra a distância emocional entre homens e mulheres no que se trata por relacionamento.
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Natalya 13/10/2020

Niketche...
História incrível, diferente de qualquer outra que já tenha lido. Uma cultura diferente às vezes assusta, certos atos são difíceis de "aceitar", porém é interessante ler com esse olhar crítico e entender que existe um mar de diferença entre a cultura do povo Moçambicano e a minha. Leitura prazerosa e cheia de coisas novas pra acrescentar.
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Rubia 01/11/2020

Vale a pena ler!
Uma mistura de sentimentos e curiosidade surgiu em mim, ao ler esse livro! Mergulhar numa cultura totalmente diferente da nossa, me fez refletir muito acerca de quem somos e como somos criados! Vale a pena ler.
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Manuel Gimo 20/11/2017

Paulina Chiziane, a Contadora de Histórias!
AUTORA: Paulina Chiziane
TÍTULO: Niketche: Uma História de Poligamia
EDIÇÃO: 1ª ed
LOCAL DA PUBLICAÇÃO: São Paulo
EDITORA: Companhia das Letras
ANO DA PUBLICAÇÃO: 2004
PÁGINAS: 336
FORMATO DO LIVRO: eBook (PDF)

SINOPSE:
Paulina Chiziane teve de percorrer um longo caminho até se firmar como escritora em Moçambique. Sua literatura está profundamente ligada às raízes da cultura local e aborda temas femininos num país em que a actividade literária é exercida quase em sua totalidade por homens.

Niketche conta a história de Tony, um alto funcionário da polícia, e sua mulher Rami, casados há vinte anos. Certo dia, Rami descobre que o marido é polígamo: tem outras quatro mulheres e vários filhos com cada uma. As esposas de Tony estão espalhadas pelo país: em Maputo, em Inhambane, na Zambézia, em Nampula, em Cabo Delgado. Numa decisão surpreendente, Rami decide ir atrás de cada uma dessas mulheres.

"Niketche", palavra que dá nome ao livro, é uma das danças do norte de Moçambique, extremo oposto de onde mora Rami. Ritual de amor e erotismo, a dança é desempenhada pelas meninas durante cerimônias de iniciação. O romance retrata a busca de Rami como uma incursão pelo desconhecido e uma tentativa de lidar com a diferença, simbolizada pelas amantes do marido.

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«— Estamos juntas nesta tragédia. Eu, tu, todas as mulheres. Só quero que compreendas a minha raiva. Sei que te agredi sem razão.Transferi sobre ti as minhas dores e mágoas, mesmo sabendo que a culpada não eras tu.
— Eu entendo — diz-me ela de cabeça baixa.
— Mas — pergunto — se não está aqui, onde está, então?
— Nos braços de uma terceira, talvez.
—Terceira?
— Sim, terceira.
— Será?
— Mais nova que nós as duas. Mais bela, dizem. Mais fresca que uma alface.
— Conheces?
— Conheço. Já andámos à pancadaria umas tantas vezes.
— Mas... Julieta, como podes andar à pancadaria por um marido que nem sequer é teu?
— E o que significa a palavra teu, quando se trata de um homem?» (p. 25)

Conheci a escrita de Paulina Chiziane, a primeira mulher moçambicana a publicar um livro, no drama de guerra "Ventos do Apocalipse" (1993). E desde então, quis loucamente ler outras obras da contadora de histórias (sim, contadora de histórias; e não romancista. Como ela mesmo afirma).

Os temas centrais dos livros da Chiziane são as mulheres moçambicanas, africanas, numa sociedade cada vez mais machista. E falando em machismo, este é o tema deste "Niketche: Uma História de Poligamia".

Na nossa África, ter muitas mulheres não é só uma prática herdada dos nossos antepassados, é também uma demonstração de ser Homem com todas as letras maiúsculas. E a mulher, é o ser submisso, o faz-tudo do homem, o que não tem voz, o que não sabe o que quer, o que serve para ter prazer, o que serve para cuidar do lar.

Em Niketche, conhecemos Rosa Maria, conhecida mais como Rami, mulher moçambicana, casada, dona de casa e mãe de cinco filhos. Porém, infeliz. Motivo? Seu marido, António Tomás, ou Tony, comandante de polícia, já há muito deixara de ser aquele homem da época do namoro. Já há muito que não lhe olha como a via antes. Já há muito que não exerce os deveres de um marido e pai de família de um lar. O homem anda fora. "Tem outros ways", como se diz na linguagem popular.

A verdade é que na nossa sociedade a mulher cresce já com ideias estereotipadas, digamos assim. Ela cresce sendo dito para depender do homem em qualquer circunstância. Que o homem é o centro do universo. Que ela está abaixo de qualquer homem. A personagem Rami simboliza essa mulher submissa, o uso da primeira pessoa permite-nos vivenciar os dilemas enfrentados pela personagem.

«Mas onde anda o meu Tony que não vejo desde sexta-feira? Onde anda esse homem que me deixa os filhos e a casa e não dá um sinal de vida? Um marido em casa é segurança, e protecção. Na presença de um marido, os ladrões se afastam. Os homens respeitam. As vizinhas não entram de qualquer maneira para pedir sal, açúcar, muito menos para cortar na casaca da outra vizinha. Na presença de um marido, um lar é mais lar; tem conforto e prestígio.» (p. 11)

E a decisão da Rami em conhecer as mulheres do Tony, a Julieta (ou a Ju), a Luísa (ou a Lu), a Saly e a Mauá, faz andar o drama. Realmente ficamos do lado da narradora, mas também vamos indo conhecendo histórias dessas outras mulheres. Começando pela Julieta, a casa 2 até a Mauá, a casa 5. Há que destacar aqui a luta travada entre estas mulheres nos primeiros encontros. Ou mesmo dos dilemas das outras mulheres. É duma verossimilhança incrível. Pontos para Chiziane.

"Niketche" não é só uma história de poligamia mas também de amor.

«Eu não desisto desta luta. Ao meu Tony eu irei perseguir até aos confins da eternidade. Vou persegui-lo até à morada do tempo. Um dia hei-de reencontrá-lo, eu juro. Hei-de apanhá-lo nem que esse seja o último acto.» (p. 69)

A reunião das cinco mulheres (excluo aqui as outras mulheres que vão aparecendo no desenrolar da trama por simples razão de que as cinco são as protagonistas), mulheres de etnias diferentes, traz uma colisão entre as culturas, costumes, tradição de cada uma. Situação que não foge da realidade no contexto do nosso país multicultural e multirracial, Moçambique.

«As culturas são fronteiras invisíveis construindo a fortaleza do mundo.» (p. 37)

A escrita de Chiziane é rápida e concisa. Ela escreve com convicção, dando um bom peso a narrativa. É maravilhoso de se ler. Conhecemos a angústia da personagem-narradora logo no início, e acompanhamos a sua trajectória atrás do marido. E consequentemente, nos importamos com ela. E a história de Niketche não é só um realismo fictício de uma boa contadora de histórias, é uma descrição da verdade, é o que acontece na nossa sociedade. Um bom exemplo disso é a própria busca incessante de Rami; as lutas que as mulheres travam entre si; a conselheira sentimental de Rami, o fruto dos Ritos de Iniciação; a indiferença do jovem polícia diante da informação de que o seu comandante tem duas mulheres; o curandeiro que se oferece para engarrafar o Tony; a tia Maria, que teve um casamento prematuro encomendado pelos pais; a mãe de Tony que só quer netos, se vêm de uma única mulher ou várias, não importa.

A incrível reunião das 5 mulheres ao longo do desenvolvimento da história é incrível. Personifica o que mais assusta os homens: a independência económica das mulheres. É o que leva as cinco mulheres libertar-se do sistema da poligamia.

E falando no desenvolvimento da história, o lobolo colectivo é a parte mais intrigante. E é aí onde vamos conhecer mais o Tony, o polígamo do século vinte e um. Este é um típico machão africano preservador da antiga tradição dos antepassados. Nas suas próprias palavras, um galo com a cabeça no alto com dotes "para grandes cantos." ( p. 167). É um eterno namorador, que periga o progresso do feminismo.

E no fim do dia, a questão de 1 milhão de meticais é: dizemos "Viva à Poligamia" em nome da preservação da cultura ou "Não à Poligamia" em nome da emancipação da mulher?

«O mundo acha que as mulheres são interesseiras. E os homens não são? Todo o homem exige da mulher um atributo fundamental: beleza. As mulheres exigem dos homens outro atributo: dinheiro. Qual é a diferença? Só os homens podem exigir e as mulheres não?» (p. 67)

OUTRAS CITAÇÕES:

«Mulher é terra. Sem semear, sem regar, nada produz.» (Provérbio zambeziano)

«Mas os passos dos homens são rasto de caracol, não se escondem.» (p. 12)

«O ser humano nasce e morre de mãos vazias. Tudo o que julgamos ter, é-nos emprestado pela vida durante pouco tempo.» (p. 25)

«Deus meu, o amor deste mundo não é matemática. Não tem fórmulas estáticas, nem mágicas. O amor é caprichoso como o tempo. Num dia frio. Noutro quente, noutro ainda, chuva e vento. No amor, a solução de um dia não serve para outro dia.» (p. 31)

«Se o amor tivesse preço, garanto-te que cada um de nós comprava em quantidade, para usar e para guardar no celeiro. No amor não existe vergonha. [...] O amor não tem preço.» (p. 34)

«Ninguém nasce mulher, torna-se mulher.» (p. 35)

«A voz popular diz que a mulher do vizinho é sempre melhor que a minha.» (p. 37)

«Tudo na vida é mortal, tudo se apaga.» (p. 42)

«Não há mulheres feias no mundo, disse a conselheira — o amor é cego. Existem, sim, mulheres diferentes.» (p. 43)

«A vida é uma eterna partilha.» (p. 70)

«[...] quando as mulheres se entendem, os homens não abusam.» (p. 103)

«A vida é uma eterna mudança, um dia quente, outro dia frio.» (p. 105)

«E o que é o amor senão um acordo de interesses?» (p. 121)

«O amor é assim. Um dia te ergue à altivez das catedrais, noutro dia derruba-te ao mais profundo do chão, fazendo-te chafurdar como um verme nas águas fétidas dos pântanos.» (p. 129)

«[...] a vida é feita de tentativas, falha aqui, acerta ali [...].» (p. 175)

«Na morte todos se reúnem e choram, mas em vida o homem combate só.» ( p. 199)

«O casamento é isto mesmo. Aceitar apagar a tua vela, para usar a tocha do companheiro, que decidirá a quantidade de luz que te deve ser fornecida, as horas, os momentos.» (p. 245)

«A cultura não é eterna, mas esforçamo-nos por continuar a linha da tradição.» (p. 311)

«A sabedoria popular diz que toda a mulher bela é feiticeira. Se não é feiticeira é volúvel. Se não é volúvel é preguiçosa, mentirosa, inútil.» (p. 317)

AVALIAÇÃO: 9.8/10

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Review by: Manuel Gimo

site: https://m.facebook.com/manueltchatche.rmt
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Philippe Aquino 08/12/2020

Um bom livro
História potente, personagens incríveis e tema mais que relevante. Contudo, a grande quantidade de metáforas e analogias me cansou um pouco. A narrativa chega até a ficar repetitiva.
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Delirium Nerd 29/01/2018

O que acontece quando as mulheres se unem
Niketche – Uma história de poligamia, quarto livro da escritora Paulina Chiziane, é narrado em primeira pessoa por Rami e representa não apenas um mergulho na vida dessa personagem, mas principalmente um panorama complexo sobre a difícil situação feminina na sociedade moçambicana. A orelha do livro, editado pela Companhia das Letras, apresenta a narrativa da seguinte forma:

Antes de prosseguirmos, é fundamental fazermos uma inversão importante: Niketche não conta a história de Tony, mas sim a de Rami. É a sua voz e as suas palavras que constroem a narrativa, apresentam-nos todas situações e as personagens e é através de sua mediação que conhecemos o marido infiel e as outras mulheres: Julieta, Lu, Saly e Mauá.

Leia a resenha completa no link abaixo:

site: http://deliriumnerd.com/2017/10/16/niketche-paulina-chiziane-resenha/
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Daniele.Guimaraes 08/03/2021

Niketche
Livro interessante, mostra aspectos culturais de Moçambique na perspectiva de uma mulher. O livro apesar de chocar em alguns momentos, tem uma visão até bem humorada das mazelas de Rami.
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