Contos Completos

Contos Completos Flannery O'Connor
Flannery O'Connor




Resenhas - Contos Completos


8 encontrados | exibindo 1 a 8


Rogério 07/09/2014

Expoente da ficção norte-americana e sua evolução na arte do conto
Autora ainda pouco conhecida no Brasil, Flannery O'Connor (1925-1964) viveu no Sul dos Estados Unidos, e da observação do seu cotidiano extraiu os materiais de uma poderosa ficção. Seus contos impressionam por uma narração direta, descrições cruas, personagens em meio a tensões sociais, religiosas e raciais. como "Um homem bom é difícil de encontrar, "O refugiado de guerra", "Gente boa da roça", entre outros, nos colocam frente a alguns dos episódios mais estranhos da literatura. A autora dizia que seus personagens eram inspirados em pessoas que povoavam seu ambiente e seu tempo, e ela os retrata com humor nervoso, irônico, todos colhendo frutos de decisões estúpidas, construtores das próprias tragédias. São marcantes os proprietários rurais decadentes, os pais e filhos em conflito de expectativas, as senhoras que colecionam notícias apavorantes, os fanáticos religiosos, os interioranos racistas e temerosos do progresso. A versão para o português preserva a curiosa construção de F. O'Connor, e, oportunamente, testemunhamos o desenvolvimento da sua arte com a disposição dos contos em ordem cronológica. Leitura indispensável para tempos de desastres das ações e omissões dos homens.
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Jonathan 13/11/2014

Faz quase um ano que li esta espetacular obra e os contos continuam vivos na minha imaginação, volta e meia lembro de algum. Decidi comprar o livro de tão bom que é, leiam que não irão se arrepender de forma alguma.
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debora.barcala 05/09/2015

Excelente
Flannery O'Connor é um nome fundamental da literatura americana. Os contos são impactantes e a grande vantagem dessa edição é que os contos são organizados em ordem cronológica, possibilitando observar a evolução do estilo da autora. A edição da Cosac Naify é belíssima, com tradução ótima de Leonardo Fróes e um posfácio muito bom de Cristóvão Tezza. Recomendo.
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monique.gerke 06/09/2018

1ª leitura: Abril/2015

******
Esse livro é um soco no estômago. Melhor contista que já li. E cada releitura é uma experiência nova, com percepções diferentes de um ano atras. A review abaixo, do Garth Twa, sintetiza perfeitamente, sobre o que escreveu Flannery O'Connor.
"À maneira do perfume doce da magnólia, ideias voláteis sobre classe e cor, abismos geracionais e convicções religiosas permeiam essas histórias que vêm de um tempo em que preconceitos e convenções ultrapassadas ainda regiam o Sul dos Estados Unidos. Trata-se de um mundo maniqueísta, repleto de situações grotescas e erupções de crueldade. Personagens ascendem e convergem mediante direitos civis e revelações religiosas. Com a ascensão vem o conhecimento, mas com a convergência vem a colisão - com ideias velhas, com equívocas de autoimagem, com a luz bruta da verdade. Essas são histórias de perigosas epifanias. O encontro com a graça pode não ser tão agradável assim. Por vezes, para encontrar Deus é preciso receber uma bala no peito, levar uma surra de vassoura ou ter o coração perfurado pelos chifres de um boi."
(...)
"Flannery O'Connor é cáustica e brutal. Pune não só os ignorantes mas também os bem-intencionados, que não têm a força necessária para agir. Sua genialidade está em escrever histórias profundamente morais, mas permitindo ao leitor escolher entre o certo e o errado." GT
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Fendrich 19/10/2018

Foi realmente uma escritora e tanto, a Flannery O’Connor. As tramas de seus contos são bem originais e às vezes ela cria um núcleo tão complexo que a gente fica pensando se não seria melhor utilizá-lo em um romance (não vai aí, naturalmente, nenhum demérito ao conto, gênero de que gosto cada vez mais).

Saltam à vista dois temas renitentes, que perpassam grande quantidade de contos, ainda que não constituam, necessariamente, o tema principal das histórias: o racismo e Deus. Cada escritor tem os seus “assuntos principais”, aqueles que vai expressar das mais diferentes maneiras ao longo da sua trajetória, e o preconceito contra os negros e as contradições da ideia do Deus cristão são dois dos favoritos da O’Connor. Isso se explica pelo aspecto geográfico, pois as histórias se passam justamente no sul dos Estados Unidos quando, mais do que nunca, o racismo e o fundamentalismo faziam parte da ordem do dia. O bom é que, em nenhum momento, ela chega a ser uma moralista.

O racismo, sobretudo, impressiona. Ele nunca é nem será uma coisa boa, mas ele se torna ainda mais monstruoso quando O’Connor retrata a sociedade daquela época e daquela região. E o conto que, para mim, melhor lida com o tema do racismo é “Tudo o que sobe converge”. Aqueles momentos com o filho e da mãe dentro do ônibus e a maneira como interagem com os passageiros negros são épicos, assim com o monumental desfecho do conto.

O racismo, sobretudo, impressiona. Ele nunca é nem será uma coisa boa, mas ele se torna ainda mais monstruoso quando O’Connor retrata a sociedade daquela época e daquela região. E o conto que, para mim, melhor lida com o tema do racismo é “Tudo o que sobe deve convergir”. Aqueles momentos com o filho e a mãe dentro do ônibus e a maneira como interagem com os passageiros negros são épicos, assim com o monumental desfecho do conto.

Destaco ainda o conto "O barbeiro", que trata da impossibilidade de convencer alguém, racionalmente, a deixar de lado suas posições políticas preconceituosas. Sempre é um sentimento de desespero e de impotência, até chegar a parecer inutilidade mesmo: não vão mudar de ideia. O “liberal” da história tem lá os seus preconceitos também, mas ao menos não os vê como virtude. Acho que poucos contos conseguiram traduzir tão bem o que se passa nesse período eleitoral aqui no Brasil em 2018.

Há ainda o célebre "Um homem bom é difícil de encontrar". Que história incrível, muito bem conduzida e que pode ser analisada sob uma penca de prismas diferentes (a mim me agrada a discussão filosófica sobre Jesus).

Todos os contos estão em alto nível. Há um de apenas seis páginas que eu imagino não ter sido concluído por ela. O último conto do livro usa alguns recursos que já haviam aparecido no primeiro. Mas é, sem dúvida, uma das melhores contistas do século XX.

Esse livro está sendo vendido na Estante Virtual por MIL REAIS. Por sorte peguei emprestado da biblioteca. Espero que alguma editora reedite logo.
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Gláucia 16/06/2016

Contos Completos - Flannery O'Connor
A escritora viveu no sul dos EUA entre 1925 a 1964, católica fervorosa numa terra protestante, rural, puritana e marcada pelo preconceito racial. Essa edição da coleção mulheres modernistas traz todos os seus contos, num total de 31 publicados entre 1946 a 1971. Estão em ordem cronológica e os primeiros contos me deixaram com aquela cara de ponto de interrogação, imaginei que seria uma tarefa árdua chegar ao final. Mas os contos foram melhorando muito, alguns são extremamente impactantes e sei que não me esquecerei tão cedo de alguns.
Geralmente ambientados no sul dos EUA, tem como tema preconceito racial e questões ligadas a fé e à religião.
Destaques para: Um Homem Bom é Difícil de Encontrar; Um Último Encontro Com o Inimigo; O Rio; O Refugiado de Guerra; Uma Vista da Mata; Os Aleijados Entrarão Primeiro.
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Adriana Scarpin 08/03/2016

Mansfield e agora O'Connor transmutaram-se em contistas que efetivamente se tornam as mais deletáveis ao meu paladar, mas é em O'Connor com seu pessimismo trágico que pude encontrar a tecelagem de uma obra prima em cada conto, a forma que ela arremata as poucas dezenas de páginas dos mesmos é de uma perfeição narrativa e estética que só a proporcionalidade com a questão ética e religiosa explica tamanha grandiosidade na construção do texto.
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Lopes 01/02/2018

O gigante Sul ferido
Flannery O’Connor esteve diante de si e se revelava além daquela árida ideia sobre a escrita, a mulher e sobre as variantes históricas e sociais do Sul dos EUA, que ficavam inertes a cada passo falso da crítica contrária, julgando-a de racismo, desviando e cobrindo a real e poderosa força literária da autora ao emergir esse espaço, e seu principal aspecto, a segregação racial, aos olhos de todos, sem pedantismos, histerismos ou euforias, apenas com seu realismo tragicamente otimista. O’Connor perfura a matéria ao falar dela, porém entorpecendo a própria pelas diversas formas de leituras críticas de cada palavra, frase ou até mesmo entonação das vozes das personagens. Para O’Connor, o realismo é a única ferramenta possível para transcender o núcleo do problema social, prepara essa ferramenta a partir do ato religioso, preenchido pela fé católica e nuances entre Terra, Inferno e Céu. Lembramos, como bem disse João Pedro Vala, de Dante ao vermos o trajeto das personagens passar pelo inferno e céu, que se enquadram na magnitude da vida depois de concluída em sua vasta imensidão, finita e determinada, indo de encontro ao ato mais forte, a morte, mesmo em atos trágicos. É somente diante desse calvário que a autora propõe o olhar humano, otimista, que emudece o trágico, o real, e propõe a investigação das agruras e da violência cometidas contra o outro, aqui, neste Sul, o negro. São contos que adaptam a crueldade para uma compreensão maior, por isso o encadeamento de possíveis novos e antigos olhares, e essa é uma de suas maiores características geniais.
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