O Castelo Montessales

O Castelo Montessales Susy Ramone




Resenhas - O Castelo Montessales


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Carol Mancini 09/11/2012

Um castelo, um fantasma, uma família.
O livro, tanto por sua sinopse da quarta capa, quanto no blog em questão, se apresenta como uma história libidinosa, cruel, soturna e mais, ele lhe prepara para o choque de um grande tabu em nossa sociedade que são os relacionamentos sexuais entre familiares, mais precisamente entre pais e filhos, ou entre irmãos. Diante essa propaganda, certo calafrio, incomodo e muita curiosidade (e receio) surgem no estomago feito um sopro gelado, uma chama fria que inquieta antes da leitura.
Abre-se o livro, e um pouco mais do terreno do castelo é situado através do prefácio de Alfer Medeiros, onde “um aquário com mais peixes do que seria aconselhável”, - seguindo as palavras dele – é nos oferecido com alguns flashes da vida destes personagens trancafiados por uma redoma sobrenatural e misteriosa, nas mãos de um carrasco espectral e indomável.
Mas não, eu não digo isto deste livro.
Esta história é sobre outra cousa. Ela fala sobre a adversidade, sobre a solidão entre iguais, sobre o amor, mas principalmente sobre a coragem, sobre a esperança, sobre o dialogo e sobre família. A crueldade aqui, entre os seus, entre os humanos, é vinda pelas mãos desespero, e não pela maldade pura ou pela arrogância. Aqui, entre as paredes do castelo perdido em algum lugar de antigas terras (provavelmente portuguesas), o tempo que corre acelerado, é também o tempo do sofrimento, do abuso, da falta de sorte, de uma maldição, mas também é onde se cuida dos seus, na mais completa adversidade. Sim, as necessidades básicas como alimento e eletricidade são supridas por esse ser mesquinho e sádico, mas tudo o mais é plantado por eles, e para os seus, a educação, a leitura, o cuidar de que exista o mínimo de conforto no caos desse fechado universo, trancado por segredos e promessas de séculos atrás.
O romance é dividido em três partes (além dos capítulos), onde primeiro conhecemos essa atual geração, que vive no hoje sobre os ataques deste fantasma que tem como único intuito o abusar das mulheres, e que busca um modo de esclarecer tudo que há, através de uma conversa à muito adiada; o segundo é a revelação de um passado, onde a magia, que é o conhecimento das forças da natureza, é abolida durante a inquisição, em Portugal, e onde todo o mal teve início; e no terceiro, temos novamente a geração do hoje lutando por sua sobrevivência em meio a mais revelações e sofrimento e morte.
No primeiro momento, tantos nomes e diferentes personagens/narradores nos deixam um tanto confusos, mas é preciso se desapegar desta primeira lacuna e se concentrar no que interessa de fato, a história que essas narrações nos trazem. A escrita da Susy Ramone é rápida, veloz. Ella não nos prepara para o que virá, não há rodeios ou firulas, é direto ao ponto, um soco no estomago. Já no segundo momento da trama, a presença de um personagem/narrador fixo facilita o envolvimento com os acontecimentos, e o que parecia ser uma trama apenas de fantasma, ganha novos ares. Surge o segundo elemento fantástico, a bruxaria, que é tanto o conhecimento da energia, quanto do universo. Quando chegamos à terceira parte, o livro ganha ação e velocidade, tudo ocorre muito rápido na urgência de se garantir a sobrevivência. Aqui, nascem mais erros das atitudes destes personagens, alguns definitivos e inesquecíveis, daqueles que ficam marcados a fogo na alma dos que os cometem, assim como vêm as perdas dos muito queridas e o fortalecimento dos seus laços, e também o restabelecimento da confiança que só a verdade compartilhada e o fim dos segredos é capaz de plantar. Florescem aqui, o bem, e do outro lado, o mal ganha mais ferocidade e audácia, não tendo nada a perder.
Na prática, toda a libidinagem do drama, apesar de ser dita, não é descrita (não na grande maioria dos casos), o que choca aqui, então, é muito mais o conceito e as palavras veladas, do que a cena. Isso torna a leitura apta para o mais retrogrado e conservador leitor, por isso digo que, apesar de toda a tortura, crueldade, sangue e sexualidade frívola da história, o TEXTO não é erótico ou sádico, o que é muito bom. Pois aqui, o que vale é o conceito, é o que o livro nos passa em suas entrelinhas.
O Castelo Montessales é diferente de tudo que já li, pois ele, conforme ganha páginas, entra no diferente e no imaginável. A leitura é prazerosa e muito rápida. Ao fim, tive a sensação de que não havia lido um livro, mas visto um filme com peso, de ambientação soturna, que me entreteve e me tirou do meu lugar comum. Uma história que vai muito além da sinopse.
Apesar de todos os pontos positivos no livro, ele precisa de ajustes. Primeiramente uma nova revisão com separações mais claras entre a narração de cada personagem, pois com a alternância entre narrador, narrador/personagem, narrador, somada a escrita veloz e direta, já seria um bom exercício de compreensão de um efeito que eu, particularmente, gosto, porém, do modo que está, saímos da necessidade de adaptação da leitura para um esforço que nos afasta da história. Isto também se soma a diagramação que poderia abusar um pouco mais dessas trocas ajudando a esclarecê-las e contribuir para o valor físico do livro. A capa, apesar do tom enigmático, não nos liga ao que é o universo Montessales, deixando faltarum certo “que” que se assemelhe a história. O livro, de 165 páginas, precisa ter fisicamente uma aura mais próxima do que a autora nos propõe com seu romance. São pequenos ajustes que, não são o elemento principal, mas colaborariam e muito para o todo que se apresenta.
Encerro, dizendo que fui surpreendida todo o tempo pelo que lia. Que a escrita da Susy Ramone é gostosa, fruída, tangível. Um livro que me ganhou no decorrer de cada página por ser nada daquilo que eu esperava. Um surpresa e tanto de elementos fantásticos e sobre como eles se apresentam e podem ser entrelaçados para contar uma história que vai muito além de violência e temor. Uma história que nos confere à esperança, como uma flor que nasce em meio ao caos da poluição, que é o mal, e o concreto, que é a dor.

Mais sobre este arrepiante livro no blog: montessales.blogspot.com.br

Essa e outras resenhas no blog: carolinamancini.blogspot.com
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"LU" 01/10/2012

Cuidado com o Anthony!!!
O que fazer para escapar de um espírito vingativo por um amor perdido, o qual busca durante gerações pela reencarnação de sua amada??

Assim é Anthony, um espírito controlador que aprisiona gerações em um castelo perdido literalmente no meio do nada, presos num tempo que passa de forma diferente para os demais.

Homens possuídos, mulheres abusadas, até onde essa obsessão pode ir em busca do espírito de Manoela Montessales??

O mistério do Castelo Montessales prende o leitor do começo ao fim!!

Parabéns, minha amiga Suzy Ramone!!
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Andreia 26/08/2012

O castelo de Montessales!
Para começar quero deixar claro que não sou nenhuma especialista em criticas e resenhas, sou apenas uma escritora e leitora assídua do fantástico e sobrenatural. Sempre estou de olho nos lançamentos sobre literatura fantástica e de alguns anos pra cá me interessei mais sobre as obras fantásticas brasileiras, mas não é tudo que vejo que me chama a atenção. Mas fico feliz e admirada que cada vez mais mulheres curtam escrever sobre o fantástico. Não desmerecendo os homens é claro!! temos uma vasta lista de autores talentosos.

O que me chamou a atenção para O castelo de Montessales, foi uma postagem da Susy Ramone no facebook que dizia assim :

“ Enquanto os vermes roerem sua carne, estarei me recompondo do imenso desprazer que você me causou. E quando estiver queimando nas chamas da fogueira eterna, eu estarei amando outras mulheres. Você não é insubstituível, sua bruxa maldita e falsa! ”

Quando eu li isso, pensei comigo “ meu! Eu quero esse livro!!!” fui no blog da autora para ler mais sobre o livro, e me deparei com algo instigante e bem polêmico que despertou minha curiosidade completamente. Então adquiri o livro com a própria Susy que foi uma fofa comigo, e amei a dedicatória linda que ela fez, foi super simpática e atenciosa.

Agora vamos ao livro! Gostei da capa, amei as ilustrações que antecedem cada capitulo, deixando aquele ar de suspense sobrenatural valorizando ainda mais o visual, pois o deixou tudo a ver com a trama.

Agora o conteúdo! Eu simplesmente o devorei com vontade!!! Logo no começo ele aguçou a minha curiosidade e fiquei louca pra saber o que vinha a seguir. Me deparei com uma estória muito instigante, cheia de mistérios e segredos daqueles que te deixam boquiaberta. Em nenhum momento fiquei entediada , muito pelo contrario, cada capitulo era uma surpresa. Fiquei tão submersa nessa leitura, que senti todas as emoções dos personagens do livro. Fiquei chocada, senti raiva, me emocionei , fiquei perplexa, e em algumas partes perplexa demais, e torci muito para alguns personagens se safarem. E quando cheguei no final achando que aconteceria algo previsivel, fui surpreendida novamente. Adorei o livro! Só que ficou algo no ar, bem no finalzinho. será que terá continuação??? Tomara que sim!!!!

O castelo de Montessales aborda um assunto bem polêmico, mas é de uma originalidade admirável. Pois para escrever uma estória fantástica com tanta originalidade dentro de um assunto tão polêmico, é necessário coragem e muita criatividade. E mais uma vez comprovei que as mulheres tem um feeling aguçado para escrever sobre o sobrenatural.

Parabéns Susy Ramone!!!

http://andreiapontes.com.br/literatura-fantastica-brasileira-o-castelo-de-montessales-de-susy-ramone/
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Parreira 03/08/2012

O Castelo Montessales
Claustrofóbico. Esse adjetivo bem que poderia definir com propriedade o universo criado por Suzy Ramone em seu livro. Mas não só: no desenrolar das histórias de cada um dos personagens descobre-se que a claustrofobia é apenas um entre os diversos horrores que se encerram entre as paredes do referido Castelo.
Dos tempos da Inquisição aos dias atuais, o que temo
s diante de nós é uma história de amor que fugiu ao controle, um grupo de vítimas inocentes (e outras nem tanto) que desconhece o passado da mesma forma que teme e tenta transformar o presente num lugar dignamente habitável.
O CASTELO MONTESSALES é, sem dúvida, um lugar no qual você não gostaria de viver. Mas a escrita hipnótica de Suzy Ramone nos convida a entrar e, mais ainda, explorar seus quartos, segredos, e sentir que por trás da intensa perversão sexual existe um plano que não tem o menor respeito por aquilo ao que nos acostumamos a chamar de tempo.
Aventure-se. O CASTELO MONTESSALES está de portas abertas. Só não espere retornar da mesma maneira que entrou.
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Cristiano Rosa 01/07/2012

Diário CT: O Castelo Montessales
Eu sempre gostei de histórias passadas em castelos. Talvez porque cresci lendo o que acontecia em Hogwarts, e o encanto daquele lugar antigo e muito bem construído desde sempre me chamou a atenção de uma forma inexplicável. O Castelo Montessales, lançado recentemente pela Editora Literata, foi uma leitura iniciada sem saber ao certo o que me aguardava.

A obra narra a saga de várias mulheres que moram num castelo e que são fecundadas pelos homens que também lá moram; porém estes o fazem possuídos por um espírito que vive no lugar. A história é complexa, precisa-se verdadeiramente das árvores genealógicas das três gerações que estão nas três primeiras páginas da obra para uma total compreensão.

A maneira com que a trama vai sendo desamarrada envolve e prende o leitor. Os depoimentos de cada mulher sobre o que acontecera consigo mexe com os sentimentos de qualquer um. Os temas apresentados na obra são relevantes: brigas, abandonos, estupros, possessões, aparições, incestos, abortos, suicídios e reencarnações.

Sim, são assuntos pesados que foram cuidadosamente colocados na história para instigar aquele que a ler. Nesse castelo, o tempo corre diferente, pois há uma prisão temporal lá. Não há contato com ninguém de fora daquele local, e os livros são a única fonte de conhecimento e sabedoria que podem ter.

Para resumir brevemente a narrativa, Berenice se muda para um castelo com uma governanta, um jardineiro e um piloto de helicóptero. Lá, Antony, um espírito, possui o corpo dos homens para procriar com as mulheres. E faz isso com as filhas e com as filhas de suas filhas respectivamente. Alguns rapazes também são gerados e possuídos para a procriação da família.

Aos poucos, tudo o que acontece lá vai sendo contado a todos e revelações importantes que podem mudar o destino de todos os moradores são feitas. Mais espíritos aparecem e, ao mesmo tempo que o quebra-cabeça começa a se encaixar para a compreensão de todos, coisas misteriosas assombram e deixam todos em situação de risco e sem saber o que fazer.

A obra se utiliza muito de flashbacks para narrar o que aconteceu anteriormente ao momento atual da história, que mistura aventura, drama, suspense, erotismo e terror. O cotidiano das mulheres é o foco, tendo os personagens masculinos mais como coadjuvantes naquela trama intensa.

Por vezes, a leitura precisava de uma pausa para uma olhada nas primeiras páginas para a conferência de qual geração era a personagem atuante naquele momento, nada que atrapalhasse o ato de ler, apenas exigia um pouco a pesquisa para prosseguir. Alguns deslizes na revisão e formatação do texto incomodaram um pouco, mas sem maiores problemas para um leitor menos atento.

O livro é dividido em onze capítulos não numerados, apenas titulados, ao longo das 166 páginas. Foi um exemplar realmente prazeroso de se ler, e afirmo que a obra se transformaria em um ótimo filme de horror se adaptada ao formato cinematográfico. Fico feliz em poder dizer que a narrativa me surpreendeu e foi muito além das minhas expectativas. A autora está de parabéns!

Fonte: http://www.blogcriandotestralios.com/?p=17088
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Guss 25/06/2012

Ninguém é tão ruim quanto possa parecer
Ao contrario do que aparenta, não se trata de uma história com fantasmas e assassinatos. Mas de uma história de manipulação e intrigas, de pessoas que nem ao menos souberam que forma que usadas e jogadas. É a forma pelo qual um ser, guiado por um desconhecido propósito, se traveste da bondade para que todos a seus redor sejam capazes das coisas mais horrendas possíveis.

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