Por favor, cuide da Mamãe

Por favor, cuide da Mamãe Kyung-Sook Shin




Resenhas - Por favor, cuide da Mamãe


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gleicepcouto 03/04/2012

Mamãe: uma mistura de amor, medo e coragem
www.murmuriospessoais.com

***


Por Favor, Cuide da Mamãe é o primeiro livro da coreana Kyung-sook Shin a ser lançado no Brasil (Editora Intrínseca). A autora, porém, já escreveu diversos romances e é muito conhecida na Coréia do Sul - tanto que ganhou diversos prêmios no país. Por Favor, Cuide da Mamãe fez com que a escritora expandisse seus horizontes de publicação, pois foi lançado em 23 países, vendendo cerca de 1,5 milhões de cópias ao redor do mundo.

No livro, Park So-nyo, uma senhora de 69 anos, se perdeu na estação de trem a caminho de Seul. Ela estava acompanhada de seu esposo e juntos iam visitar os filhos. Em um momento de falta de atenção, ela fica para trás e não pega o trem com o marido. Na verdade, Park tinha sofrido um derrame anos antes e que a deixara desorientada.

A partir deste incidente, ela nunca mais foi vista; e seus filhos começam a procurá-la, em uma busca que não somente revelará o paradeiro físico de sua mãe, mas o lugar que ela ocupou esses anos todos em suas vidas.

Falar sobre mãe é um assunto complicado, e ler sobre isso, mais ainda. Cada pessoa tem a sua própria história com diferenças aqui e ali, mas acredito que todas chegam a um ponto comum quando o assunto é mãe. E é isso que a autora nos mostra. Apesar de apresentar uma realidade cultural muito diferente da que vivenciamos, é impossível não se identificar com a história, e tampouco não se ver representada nela.

Shin tem uma narrativa simples, beirando o infantil. Os ensinamentos que ela compartilha conosco naquelas páginas, entretanto, são de gente grande. É preciso ter coragem para lê-los.

O livro é dividido em quatro capítulos e cada um é sob o ponto de vista de um personagem. Aos poucos, a autora vai mostrando a vida dessa familia e como realmente tudo levou àquele fim. É interessante a construção entrelaçada da narrativa, onde os capítulos se completam e lá final ainda há referências ao início, de forma que tudo se fecha perfeitamente.

Os personagens são bem construidos. Eles não te escondem nada: abrem sua vida para que possamos conhecê-los de verdade. Demonstram seus sentimentos, anseios e dúvidas - mas isso só com o leitor. Quando interagem entre si, percebemos como são resguardados e o quanto não há intimidade naquela família.

É curioso como, nos dois primeiros capítulos, seus filhos nos guiam sobre o que pensar de mamãe - que tem o nome revelado só no final. Nos dois últimos capítulos, porém, (e especialmente no último) temos um vislumbre de quem realmente foi essa mulher. Uma mãe de amor incondicional? Sim. Uma mulher perfeita e sem segredos? Óbvio que não. Ela é humana.

Temos a tendência de não aceitar os limites das mães, de acharmos que são seres supremos. Mas lá no fundo, as mães (a sua, a minha) são pessoas com seus próprios medos, que muitas vezes tem que suprimí-los para demonstrar confiança e liderança aos filhos.

Por Favor, Cuide da Mamãe é uma história sensível, de pessoas comuns, que lutaram para sobreviver e chegarem onde estão hoje. Abdicaram de muitas coisas, em prol de outras, e, após o desaparecimento de sua mãe, começam a pensar se tudo valeu a pena. Nesse momento trágico, eles param para refletir se tivessem agido de outra forma, se ela não estaria com eles ali agora. Também param para refletir sobre a últimas palavras que falaram com mamãe - eram realmente estas que queriam dizer?

Pense em sua última conversa com sua mãe. Se você, por qualquer motivo, não vê-la amanhã, são essas palavras que você quer que permaneçam em sua memória? Essa foi a pergunta que martelou em minha cabeça após ler esse livro. Espero que eu nunca esqueça de fazê-la a mim mesma, para sempre poder oferecer o que há de melhor em mim à minha mãe. Para que, quando o dia das últimas palavras a serem ditas chegar, eu não sinta arrependimento e saiba que, quando eu tinha medo, provavelmente, ela o sentia em dobro e mesmo assim me amparava.

Por Favor, Cuide da Mamãe (Omma rul Put'akhae)
Autora: Kyung-sook Shin
Editora: Intrínseca
Ano: 2012 (originalmente, 2008)
Páginas: 240
Valor: $20 a $30
Avaliação: Desconcertantemente belo e sensível

****
Nilda 09/09/2012minha estante
Gleice, me emocionei só em ler sua resenha. Este é um tema que com certeza fala a cada pessoa. Quantas vezes por está sempre acessível não damos o valor devido a "Mamãe". Parabéns pela sua resenha, me fez querer muito ler este livro.


Cecy 05/06/2013minha estante
Concordo com Nilda, também me emocionei com sua resenha. Ela só fez aumentar em mim a vontade de ler esse livro. Obrigada e parabéns!




Maiara.Alves 27/04/2020

Comovente
Park So-nyo, uma senhora de 69 anos sai com o marido da aldeia onde moram para visitar os filhos que agora vivem na capital, Seul .
Não é a primeira vez que fazem isto. Só que ela envelheceu, está doente e se perde do marido em uma das estações do metrô. E ele, tão acostumado a que a mulher siga os seus passos, só se dá conta do ocorrido depois que o trem parte.
A partir daí, o pai e os cinco filhos começam a buscar pela mãe desesperadamente.
E também começam a lembrar de tudo o que receberam dela. De tudo o que NÃO fizeram por ela a vida toda. De toda a atenção que nunca deram a ela. Dos problemas dela aos quais nunca prestaram atenção.
Achei o livro belíssimo, tocante, sem ser melodramático. Sem dúvida, uma dos leituras mais comoventes que fiz recentemente. Uma leitura que convida a refletir, se realmente damos aos nossos pais, e idosos da família, a atenção, amor e carinho que eles merecem e precisam.
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Felipe 17/06/2012

Não sei bem como começar, já que o livro me atingiu de tal forma, que me cessaram as palavras. Talvez eu devesse começar do começo (obvio), mas não! Quero ir direto ao ponto, se não derramarei mais litros de lágrimas em cima do teclado do computador.

Até o momento nunca havia lido um romance/drama coreano, e tão pouco sabia sobre a cultura do país, então resolvi me aventurar, mesmo não sabendo o que encontraria.

O livro em quesito escrita, não possui nenhuma estética elaborada ou coisa do tipo, assemelhando-se bastante à escrita de uma criança. Isso, claro. Não prejudica em nada a soma da obra, já que é através desta característica, que à autora ensina grandes lições de vida aos leitores de forma simples e profunda, fazendo a todo o momento refletir sobre a vida, sentimentos, pessoas queridas, etc.

Confesso que me emocionei com o livro desde suas primeiras paginas até o fim. Fica bem claro, que a autora se deu por completa a cada pagina escrita, transmitindo assim uma intensidade quase infinita de emoções. Detalhe a construção dos personagens, que foram cuidadosamente construídos de forma que venham a se tornar reais, não entendeu? Eu explico! São tão reais e conflitantes que a todo o momento você se pergunta se o livro é realmente uma obra de ficção.

“Por favor, cuide da mamãe” foi escrito com carinho, por isso toca no mais profundo dos sentimentos a cada pagina virada, e assim como eu, tenho certeza que você também será tocado!

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Thalesito 13/03/2020

Comecei a ler chorando, terminei a leitura destruído. Um triste retrato dos relacionamentos familiares modernos.
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Carla Brandão 05/04/2013

A história se passa na Coréia, os nomes e hábitos são típicos de lá. O conteúdo e o que ele desperta, porém, são universais. Cada capítulo do livro é narrado por um personagem: os filhos o marido e a própria Mamãe. E cada um tem algo a dizer sobre aquela mulher que durante anos empenhou-se para cuidar bem de todos, mas nem sempre teve seus esforços reconhecidos ou valorizados. A busca por Mamãe acontece pelas ruas da cidade, através de cartazes colados em postes, mas também na memória de cada um. Através de lembranças permeadas pela culpa, eles descobrem que a conheciam muito pouco. É a partir de seu desaparecimento que ela passa a existir para eles.

Num primeiro momento pode parecer um enredo clichê (a velha de história de valorizar enquanto se possui) e apelativo, no sentido de querer que o leitor coloque Mamãe no lugar de vítima, de alguém que se anulou completamente em nome da família. Porém, o capítulo narrado por ela guarda algumas surpresas e nos ajuda a completar o perfil que os outros personagens fizeram dela.

Os personagens são muito bem construídos. A trama é basicamente criada pelas lembranças dos personagens que, de tão cheias de detalhes, até parecem reais. É um livro muito bonito e emocionante, que me fez ficar com nó na garganta em alguns momentos e até mesmo pensar sobre minha relação com a minha própria mãe (que sempre foi ótima, por sinal). Colocamos nossa mãe em uma determinada posição e às vezes esquecemos que por trás dessa denominação tão curta - Mãe - existe alguém cheio de histórias, sonhos, medos... Como nós.

http://www.blog-entre-aspas.blogspot.com.br/
Renata Céli 10/04/2013minha estante
Linda resenha! =)


Peppa 08/06/2013minha estante
Muito boa sua resenha!




Taciane 30/04/2020

Essa é uma história sobre pessoas e os laços que elas constroem durante a vida. O fim é encantador e me fez chorar.
Almir Gabriel 05/05/2020minha estante
tb chorei :'(




Vivi 27/08/2020

Emocionante
Esse livro vai te fazer repensar toda a sua relação com a sua mãe e como vc a trata. Emocionante!
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Wellington Ferreira 25/06/2013

Leitura obrigatória para todos os filhos
Creio que todo bom leitor gosta da sensação (e muitos até a buscam) de serem fisgados por um livro. De estar em uma livraria, e de repente, ter a sua atenção voltada e atraída para um livro que você nem sabia que existia…Daí você vai, dá uma folheada, lê a sinopse, pensa um pouco, faz umas contas e por fim…resolve comprá-lo. Depois de algum tempo ao terminar a leitura você se pega pensando: “Meu DEUS, que livro é esse, ainda bem que eu comprei.” Isso aconteceu comigo ao ler: “Por Favor, Cuide da Mamãe“, da autora sul coreana Kyung-Sook Shin.

Toda a história é baseada nas lembranças, reflexões e arrependimentos dos 5 filhos e marido de Park So-Nyo, uma dona de casa comum, moradora de uma pequena aldeia no interior da Coréia do Sul. No caminho de ida para uma visita a casa de um dos filhos, ela perde-se do marido na estação de metrô de Seul e nunca mais é vista.

Este fato desencadeia em toda a família um sentimento de remorso, arrependimento e culpa; culpa principalmente por terem sido omissos e não terem dado o devido valor e atenção que a mãe merecia enquanto estava junto deles.

O livro é narrado por várias vozes, que por alguns momentos intercalam-se. A autora de forma brilhante e muito habilidosa, teve a ideia de dar voz à consciência de cada um dos filhos e marido de Park So-Nyo, isso fez com que tivéssemos acesso ao passado, sonhos e vida de cada um. Através destes relatos pudemos conhecer um pouco de como era o relacionamento desta pobre mulher com cada um dos membros de sua família. A autora escancara também os traumas, feridas e cicatrizes de cada um por meio de desabafos, ora emocionados, ora repletos de mágoas e amarguras, fruto de ressentimentos entre eles em virtude de situações familiares mal resolvidas. Situação comum na maioria das casas.

Mesmo com o excesso de narradores (ainda existe um narrador oculto e onipresente, que observa o desenrolar dos fatos de um ângulo privilegiado, mas que, em nenhum momento é identificado) a trama fluí bem e isso não influência no seu entendimento, talvez, leitores menos experientes, sintam um pouco de dificuldade, porém, nada que atrapalhe na assimilação dos fatos e mensagem que autora se propõe a passar na obra.

“Por Favor, Cuide da Mamãe“, é mais que um livro; é uma história de encontros e desencontros, de descobertas e segredos, de perdas e ganhos, de passado e futuro e de lembranças e realidades; tudo isso intercalando-se e indo e vindo a todo momento.

É o grito de socorro de uma família em meio ao desespero. Eles se dão conta, apenas quando a mãe some, que ela é a pessoa mais importante de suas vidas, e que dariam qualquer coisa para poderem ter a chance de dizer isso, pelo menos uma última vez, olhando nos olhos dela…

A leitura deste livro vai liberar em você um turbilhão de sensações, lembranças e emoções; além disso vai fazer explodir no seu peito o sentimento mais puro, limpo, genuíno e sincero que existe no mundo: o amor entre filhos e mãe, e principalmente entre mãe e filhos.

Leitura mais que obrigatória e recomendada para todos os filhos.

E aí amigo leitor, ficou com vontade de ler este livro, ou você já leu?

Deixe um comentário e compartilhe sua opinião conosco.

Um abraço e boas leituras!!!
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Wania Cris 04/04/2020

Onde está Mamãe?
Depararam-se com o desaparecimento de Mamãe, mas só então perceberam que Mamãe havia sumido muito tempo antes...

Um livro repleto de emoções, de confrontos sentimentais. A estória é comovente, profundo, mas o relato em segunda pessoa não me caiu bem, tornando-a repetitiva, apática, distante. Uma outra a abordagem a tornaria bem mais apreciável.
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Debieco 20/04/2012

Emoção das palavras não ditas
Ler e escrever faz parte, pelo menos do meu, processo de auto-análise. Confesso que esse livro chamou minha atenção pela capa caprichada e pelo preço baratinho em relação a outros livros (R$ 25), aí vi a orelha, a autora coreana e pensei, nunca li um livro coreano... tomei um susto, pois o livro é lindo, lírico, fala das relações difíceis dentro da família e os pontos de vista de vários personagens, não só de uma filha ou de uma mãe, de todos. É daqueles livros que dá vontade de escrever também.
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Cláudia 25/04/2012

Por favor, cuide da mamãe é o primeiro romance da autora sul-coreana Kyung-Sook Shin lançado no Brasil.
A narração começa com o sumiço da Mamãe, Park So-nyo de 69 anos. Ela e o marido estavam na estação de Seul, chegando à cidade para visitar os filhos [já adultos] quando Park fica para trás e some. O acontecimento afeta profundamente os membros da família, eles começam a pensar em momentos decisivos de suas vidas e na importância da mãe/esposa, assim aos poucos é montado o quebra cabeça que forma a história dessa família.

A narração é dividida em 5 partes, cada uma com um narrador distinto, além disso, tem um diferencial que cria certa estranheza, é o fato de algumas dessas partes serem em 3ª pessoa e outras em 2ª – o que não me lembro de já ter visto antes. Não acho que isso dificultou ou atrapalhou a leitura, logo sabia quem estava narrando, mas acho que influenciou na maneira como a trama é conduzida, tive a sensação que as partes em 2ª pessoa tinham um tom acusatório. Ou talvez a autora tenha conseguindo expressar tão bem a culpa que os familiares sentiam que cheguei a sentir também.

A Mamãe teve uma vida muito difícil, por ser mulher e de família pobre, não teve oportunidade de estudar e acabou em um casamento arranjando com um rapaz instável. Digo isso, por que o marido não cumpria suas obrigações, não que ache obrigatória a posição de provedor, mas nem para companheiro ele servia – ela não podia contar com sua ajuda. O jovem tinha um espírito inquieto, aventureiro, ele sumia frequentemente em sua moto, deixando a jovem esposa com a responsabilidade de educar e sustentar os 5 filhos. Ele chegou a ficar meses fora enquanto a Mamãe trabalhava nas plantações para alimentar os filhos e mantê-los na escola.

Os narradores vão contando alguns momentos inesquecíveis e assim o leitor vai conhecendo aos poucos essa mulher. A família tem uma dinâmica bem disfuncional, às vezes parecem distantes, perdidos, dependentes, cheios de amor (ou de ódio), acho que cada leitor pode se identificar com pelo menos um aspecto ou acontecimento. Logo se nota as (muitas) mágoas entres eles, por um ser o filho favorito, ou não ter seguido a carreira desejada, a distância que eles mesmos criaram, a forma egoísta como os filhos tratam os pais [agora já idosos e com saúde debilitada], como um culpa o outro pelo enfraquecimento das relações. O Pai, é um enigma, muito ausente e quieto, porém com uma visão bem interessante e profunda sobre os filhos e a esposa, gostei da sua participação.

Nem posso imaginar o quão devastador e perturbador deve ser escrever um anúncio de desaparecimento, e a forma como a autora colocou a ideia toda do desaparecimento foi tão realista, a discussão sobre o anúncio em si - ser formal demais, infantil demais, ... é claro, nenhum texto poderia parecer bom e respeitoso o suficiente.
A força do texto me surpreendeu, sabia que não seria um romance com uma linha de tempo exata e uma progressão obvia até um final/desfecho surpreendente, é uma trama construída aos poucos, que traz assuntos difíceis e tenta preparar o leitor para o final, só que esse, não é tão importante, pelo menos eu não achei. O caminho até lá já vale a obra toda, é tão rico, aborda vários assuntos – carreira, educação, amor, família, riqueza, pobreza,... - nem tem como comentar tudo. Uma leitura de valor, consegui ver algumas situações por outro ponto de vista, como se diz... abriu os olhos.

É um livro para o público adulto pelos temas, mas não tem conteúdo impróprio, então pode agradar pessoas de qualquer idade. Achei original e acessível o estilo da autora. É um livro sobre sentimentos, e as consequências de seus atos/escolhas, o que soa como clichê, felizmente não é o caso, ela conseguiu desenvolver a trama de maneira singular, recomendo.

| http://www.concentrofoba.com.br |
Marina 18/06/2012minha estante
excelente resenha! :)




Patricia 11/11/2012

Resumindo o livro em uma palavra: emocionante. Então preparem-se para chorar.
Um livro com uma estória simples e curta mas extremamente forte. Ao ler esse livro no ônibus eu tive de vontade de dar meia volta e ir correndo para casa abraçar a minha mãe e nunca mais soltá-la.
Ele nos ensina a valorizar o que realmente importa, quem realmente importa. E a valorizar o sacríficio e amor que só uma mãe é capaz de nos dar.
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Jacqueline 04/04/2012

Publicado originalmente em www.mybooklit.blogspot.com
Kyung - Sook Shin é autora de diversos romances, e uma das escritoras mais lidas e aclamadas da Coréia do Sul. Recebeu vários prêmios, entre eles o francês Prix de I'Inaperçu e o Man Asian Literary Prize, sendo a primeira mulher a receber este. Por favor, Cuide da Mamãe, seu primeiro livro lançado no Brasil, foi publicado em 23 países e já vendeu 1,5 milhão de cópias.

Park So-nyo, de 69 anos, viveu praticamente a vida inteira em prol dos filhos. Após sofrer um derrame, sem ao menos se dar conta de seu estado crítico de saúde, ela perde-se do marido assim que as portas do metrô se fecham, quando sai do interior da Coréia do Sul para visitar os filhos já crescidos em Seul. Ninguém nunca mais a vê.

A família inteira lidera as buscas pela "Mamãe", como é chamada durante todo livro, através de folhetos distribuídos na estação de metrô e em outros lugares onde seus filhos moraram algum dia. Enquanto tentam encontrá-la, pai e filhos descobrem uma mulher que eles nunca conheceram, através das tristes lembranças do passado.

"Quando ela a repreendia , quase sempre você a chamada de Mamãe. A palavra "Mamãe" é familiar e esconde um apelo: por favor, tome conta de mim. Por favor, pare de gritar comigo e faça um afago na minha cabeça; por favor, fique do meu lado, tenha eu razão ou não. Você nunca deixou de chamá-la de Mamãe. Mesmo agora que ela desapareceu." (pág. 24)

O livro é narrado a partir do ponto de vista de dois filhos de "Mamãe" e seu esposo; e traz relatos repletos de tristeza, remorso e culpa de uma família que só pensava em Park como "Mamãe".
A responsável por nos apresentar à história é Chi-Hon, sua filha mais velha, que era escritora e nunca sequer pensou em ler seu livro para a mãe. O segundo capítulo é narrado pelo primogênito, Hyong-Chol, que recebeu uma educação e atenção superior a dos irmãos. O penúltimo, pelo seu esposo, que muitas vezes ia embora de casa e a deixava sozinha na tarefa de cuidar e alimentar os filhos. Finalmente, no último, conhecemos a visão de Park sobre os acontecimentos narrados anteriormente.
A narrativa de Kyung é carregada de um sentimentalismo comovente. Os personagens, em suas reflexões acerca da "Mamãe" desaparecida, nos apontam suas próprias falhas e defeitos, tomados pelo arrependimento de não terem conhecido totalmente a mulher que eles julgavam conhecer.

Aos poucos, o passado de Park é elucidado ao leitor, trazendo a nossa mente questionamentos a respeito da nossa relação com nossas mães. Será que valorizamos o sacrifício feito por nossas mães? Até que ponto conhecemos a mulher a quem chamamos carinhosamente de "Mamãe"?

O livro me fez questionar não só a relação com minha mãe, mas também o modo como eu desejo que seja minha relação com meu filho. Uma história tocante, que me fez repensar sobre as diversas vezes em que eu julguei saber o sacrifício que minha mãe teve ao decidir ser mãe. A história me fez enxergar minha mãe, não só como minha "mãe", mas também como a mulher que abdicou de uma vida de trabalho, para criar os filhos e não deixá-los a mercê de outra pessoa.
Terminei minha leitura com lágrimas nos olhos e uma vontade absurda de extravasar o amor que eu sinto pela minha mãe em palavras e em gestos. Minha maior vontade foi dar um abraço bem apertado na minha mãe, e dizer as palavras que ela dizia ao me embalar em seu colo: Eu amo você.
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Marcos Faria 02/11/2012

O maior triunfo de Kyung-Sook Shin em “Por favor, cuide da mamãe” (Intrínseca, 2012) é a imersão que consegue provocar no leitor. Especialmente na primeira parte, com a sua incomum narrativa na segunda pessoa (você vai, você faz, você lembra): a identificação com a personagem que busca a mãe perdida no metrô de Seul é imediata. A mudança de ponto de vista quebra um pouco essa intimidade conquistada, mas transforma a busca pela velhinha numa busca por memórias, e o romance numa desesperada tentativa de estabelecer o quanto podemos conhecer do outro, portanto o próprio status das relações pessoais. No epílogo, o ponto de vista volta para a personagem da filha, e a autora consegue sustentar a emoção no limite das lágrimas.

(Publicado originalmente no Almanaque: http://almanaque.wordpress.com/2012/11/02/meninos-eu-li-28/)
Claudia Furtado 26/05/2013minha estante
Acabei de ler o livro Marcos, e a sua resenha resume exatamente o que senti e percebi nesta leitura. Posso ficar na cola da sua?


Marcos Faria 26/05/2013minha estante
Claro, Claudia.
:-)




Marina 22/07/2020

"Antes de perdermos nossas mães, já havíamos nos esquecido delas."




O Que Achei...


Essa foi a narrativa mais diferente que eu já li. O livro já começa com a mãe perdida e os filhos tentando arrumar um modo de espalhar a notícia e saber se alguém viu para onde ela foi.

Acho que acompanhamos a perspectiva de cada filho, ou quase todos, não me lembro bem, vemos também a perspectiva do marido e da própria mãe, onde ela conta um pouco de seu passado.

O que achei mais intrigante na narrativa, foi que não é narrado em 1º nem em 3º pessoa, é usada a 2° pessoa. Você acaba inserido na história como se estivesse na pele do personagem.

É um livro para refletirmos sobre como tratamos aqueles que estão próximos de nós e não nos damos conta que não demonstramos o quanto eles importam para nós porque pensamos que ainda temos tempo, mas quando os perdemos percebemos o quanto fazem falta.

Teve vários momentos em que fiquei com muita raiva dos filhos e marido, porque a mãe fazia de tudo por todos eles, e não era nem um pouco valorizada, nem uma ligação eles faziam para saber como ela estava, não se importavam se ela estava bem de saúde ou não. O marido também não está nas melhores condições quanto à saúde, nenhum dos dois deveriam ficar sozinhos do jeito que eram deixados pelos filhos.

É aquela velha lição de moral: Dê valor ao que você tem, porque quando você perder não terá como trazer de volta.




"Por favor, cuide da mamãe."

Mais resenhas minhas no meu blog: Books In Baker Street

site: https://booksinbakerstreet.blogspot.com/2020/07/resenha-por-favor-cuide-da-mamae.html
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