Objetos Cortantes

Objetos Cortantes Gillian Flynn




Resenhas - Na Própria Carne


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Marcio Quara 29/03/2015

Poderia ter sido excelente, mas foi apenas mediano
Já aviso de antemão que a minha opinião (sem spoilers) não irá agradar a todos. Não leia este livro com a esperança de encontrar a mesma qualidade observada em Garota Exemplar. Esta obra, que foi a primeira publicada pela autora, está bem aquém do esperado e acho, sinceramente, que o endeusamento do livro é injusto e está ocorrendo em virtude do sucesso de Garota Exemplar, que é inegavelmente ótimo.

Este é apenas o segundo livro da autora que leio, mas gostaria de falar duas coisas. A primeira é que, ao comparar as duas obras supracitadas, é possível constatar uma evolução gigantesca na qualidade da escrita da autora e no grau de desenvolvimento dos personagens. Enquanto Garota Exemplar possui uma trama sem pontas soltas e uma narrativa viciante, inteligente e com personagens tridimensionais, Objetos Cortantes apresenta totalmente o contrário. A narrativa pode até ser ágil, mas as informações presentes no livro estão tão fragmentadas que foi possível perceber duas falhas graves: desenvolvimento excessivo de informações irrelevantes para a trama e ausência de explicações cruciais para o enredo. Além disso, senti que os personagens foram mal explorados e superficiais.

A segunda observação é que a Gillian gosta de chocar o leitor. Isso é muito nítido em todas as suas obras. Não que isso seja algo negativo, mas acredito que deva ser feito de maneira inteligente, caso contrário fica fora do contexto e o acontecimento acaba perdendo a relevância. Foi justamente isso que aconteceu nesta obra, algumas informações foram muito incômodas e polêmicas, mas, ao final da leitura, pouco ou nada acrescentaram à trama.

Conclusão:
Posso ter parecido muito duro na minha crítica, mas o livro é bom. Só fiquei um pouco decepcionado, pois a trama tinha tudo para ser genial, mas foi mal desenvolvida e acabou sendo apenas mediana. De qualquer modo, acho que a leitura é válida e espero ansiosamente pelo próximo lançamento da autora.
Patsy 29/03/2015minha estante
amei a resenha e a critica! está entre minhas próximas leituras, até mesmo porque ganhei aquele super box lindo, mas eu já imaginava que não seria tão bom por ser o primeiro, vou dar um desconto, ir sem grandes expectativas e quem sabe eu vou gostar um pouco mais.

Escreva mais resenhas meu amigo, ficou ótima!!! Parabéns!


Marcio Quara 01/04/2015minha estante
Leia sim e espero que goste. Eu me chateei um pouco pois as expectativas estavam altas, mas o livro é bom.


Renato 22/04/2015minha estante
Descreveu perfeitamente o livro!


Luisa 28/05/2015minha estante
A única resenha que condiz com o que eu achei do livro. Mediano e perturbador. Realmente com muitas informações desnecessárias e outras cruciais foram deixadas de lado. Terminei o livro bastante decepcionada.
Parabéns pela ótima resenha!


Haida 06/07/2015minha estante
Exatamente o que achei do livro!


Maíra 07/01/2016minha estante
Também achei a mesma coisa do livro :) Ótima resenha!!!


Sabrina 10/07/2016minha estante
Eu não poderia descrever melhor! Concordo com cada linha, mas não achei o livro bom.

Na verdade, única coisa que acrescento: me incomodou a construção das personagens femininas, relações incômodas dos homens e mulheres (bem machistas e abusivas) e perpetuação de um padrão de beleza que me gerou pouca empatia (quase deu nojo como todo mundo nesse livro era loiro ou tinha o olho claro, que chatice).


Ulli 23/07/2016minha estante
Achei a opinião perfeita. Foi exatamente o que senti quando li. Não sei se é por que li Garota Exemplar antes e me APAIXONEI. Acho que tive muitas expectativas e acabei muito decepcionada. Não que não valha a pena ler, vale. Mas... Não acho que seja maravilhoso ou perfeito, foi apenas legal...


Mayra 30/07/2016minha estante
Descreveu perfeitamente a minha opinião.
O livro só começa a empolgar bem para o final, a narrativa não é das melhores, não há evolução dos personagens e a explica dos acontecimentos no final foi tão surreal que não da para acreditar.
Mas onprimejro livro da autora que li, também foi garota exemplar, no caso gone girl. Não sei dizer se a grande diferença foi na tradução ou se na evolução da autora em si.


Luana Ludmila 29/09/2016minha estante
Ótima resenha, Márcio. Parabéns pela sinceridade, confesso que eu também não estou tão empolgada como estava antes de começá-lo (ainda lendo). Não é tão alucinado e empolgante como foi garota exemplar, mas tem lá seus créditos. Não gostei da personagem, chata e pouco explorada, assim como a mãe e filha menor. Além dos fatores da beleza como dito aqui pela Sabrina, acho que ela recriou esse cenário de pessoas perfeitas sei lá onde. No entanto, tem alguns pontos bons como o jogo de palavras cortadas, o detetive clichê e as meninas más. Do mais estou finalizando ainda, a leitura é válida, não deixem de ler. :)


Marcelo Caniato 21/11/2016minha estante
Tive essa mesma sensação lendo O Adulto. Parece que ela fica muito preocupada em surpreender e chocar o leitor, e acaba pecando nessa parte.


Jessika.Costa 26/07/2018minha estante
Digo que o mesmo aconteceu comigo, nesse livro eu esperava mais e acabei por achar mediando...




Angel 18/10/2012

Sem descrições. Só acho que deveria ter continuação em mais mil livros e se transformar na melhor saga do mundo. Caindo de amores mesmo.
Helen 18/09/2015minha estante
Vi seu comentário e já pensei que uma personagem do livro poderia ser a protagonista de várias estórias incríveis!





Rwan 02/05/2014

Na própria mente
Não tem como não amar esse livro. Realmente, ele é formidável. Mais uma vez Gillian Flynn se superando. Primeiramente conheci a autora pelo seu famoso livro Garota Exemplar (quem não leu ainda corra e adquira já o seu)que é sem sombra de dúvida fantástico. Procurando mais sobre ela descobri a existência de Na própria carne, e fiquei louco pra ler. Amei a ideia da personagem se repórter, ter que voltar pra terra natal para cobrir uma história de assassinato de duas garotinhas e reviver seus demônios, isso sem contar o fato dela cortar/fatiar/escrever palavras na pele. O livro é contado por Camille, do seu ponto de vista e sem dúvida é um belo ponto de vista. Desde o primeiro instante o livro te prende. Afirmo que demorei pra ler porque queria passar mais tempo lendo, mas é praticamente impossível parar de ler. Tanto que escrevo essa resenha instantes após o fim da minha leitura, isso mesmo, li a madrugada toda. Eu me recuso a falar mais sobre a história, qualquer resumo rápido pode ser um spoiler. Garanto que o final não deixou a desejar, realmente não sabia quem era o assassino. Me surpreendeu e gostei da surpresa. Meu conselho: passe na livraria mais próxima e compre agora esse livro. Ele é fantástico e sinto que palavras não serão suficientes pra descrever a magnitude do livro. Agora reitero que até uma lista de compras de Gillian Flynn eu lerei. Boa leitura!
Jacy Barbosa 06/01/2016minha estante
Realmente não tem como parar de ler, li em 2 dias.
Eu tinha vários palpites sobre o assassino, mas confesso que não imaginei que seria esse o assassino.




Marcella.Martha 30/07/2015

Perturbador e maravilhoso
Num mundo onde escrever bons personagens femininos e boas histórias que girem ao redor de personagens femininos, ainda é, incrivelmente, em pleno 2015, uma tarefa de nível quase olímpico, a Gillian Flynn vem merecendo receber uns aplausos pela sua contribuição.

Eu só li dois livros da Gillian Flynn até agora, é bem verdade – Garota Exemplar e, agora, Objetos Cortantes. Mas foi o suficiente para que eu queira ler absolutamente todos os livros que ela já tenha escrito antes ou que venha a escrever no futuro. A escrita é muito boa, a narrativa te prende de forma que você não consegue parar de virar página. Mas esse não é nem o grande mérito das histórias dela, na minha singela opinião. A cereja no bolo aqui são os personagens. Ou, melhor dizendo, as personagens.

Objetos Cortantes é um livro sobre mulheres. Eu esperava um thriller psicológico aos moldes de Garota Exemplar, mas o que encontrei foi algo ainda mais forte, mais perturbador e mais doentio. Absolutamente todo mundo é problemático. Nada do que acontece nesta história é bonito ou doce. Nada. É natural do leitor avaliar os personagens de uma história em busca de alguém em quem se possa confiar – quem estará sempre falando a verdade, fazendo as melhores escolhas, oferecendo abrigo e segurança ao personagem principal. Em Objetos Cortantes, esse porto seguro simplesmente não existe. A começar por Camille Preaker, nossa narradora.

Camille é uma jornalista de Chicago que é enviada de volta para a sua cidade natal no Missouri pelo seu chefe para fazer matérias sobre os assassinatos de duas meninas que podem ou não estar interligados. O problema é que dizer que a relação de Camille com a sua família – e o restante da cidade, para falar a verdade - é péssima chega a ser um eufemismo. O retorno à cidade significa lidar com uma mãe que nunca a amou, com os fantasmas de uma adolescência problemática, com a morte da sua irmã mais nova, 20 anos antes, e com uma meia-irmã que ela mal conhece, mas que pode dizer de cara que coisa boa não é.

Em Objetos Cortantes, todas aquelas coisas repetidas à exaustão em quase todas as histórias sobre mulheres serem vítimas, inofensivas, donas de instintos maternos naturais caem por terra. Mulheres podem ser doentias, podem ser cruéis, podem ser frias – mulheres podem ser ótimas vilãs ou personagens principais daqueles menos confiáveis possível. Mulheres não precisam ser sempre fontes de conforto e segurança. Mulheres podem, SIM, controlar uma trama inteira sem necessidade nenhuma de um macho inserido no meio para criar um romance. E foi exatamente a construção destas personagens e desse mundo onde basicamente todos são mulheres altamente perturbadas que me deixou mais encantada – apesar de encantada não ser exatamente a palavra – com esse livro.

Acho que o final poderia ter sido um pouquinho melhor trabalhado. A impressão que eu tive foi de que a autora estava meio que desesperada para terminar logo e assim que a defesa abriu ela bateu pro gol. Mas não chegou a ser ruim; aliás, achei melhor que o final de Garota Exemplar.

De forma geral, Objetos Cortantes é uma leitura que te incomoda e te deixa meio boquiaberto, espantado mesmo com a doença das pessoas, não apenas as patológicas mas as sociais também – cidade pequena nos Estados Unidos, vocês podem imaginar como não funcionam as coisas. Mas, se você não está atrás de uma princesinha apaixonada e curte uma história mais dark e sem heróis e heroínas para salvar o dia, recomendo demais.
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Carla 01/03/2015

Chocante!
Eu estava lendo Battle Royale, quando ouvi meu amor ao meu lado dizendo: "Meu Deussss! Que Horror! Você precisa ler esse livro, tenho certeza que vai gostar." Pois bem, não deu outra... Peguei para ler.
Agora eu te digo em claro e bom tom... UMA HISTÓRIA CHOCANTE, narrada em uma pequena cidade dos Estados Unidos. Seus habitantes são totalmente problemáticos (usuários de drogas, remédios controlados, entre outros) e não bastassem os "fantasmas" que os atormentam, um serial killer está a solta.... Em meio a calaminade de mortes horrendas, uma jornalista criminalista (residente em Chicago) é enviada para sua cidade natal. Com a finalidade de cobrir os assassinatos, Camille se verá em uma teia de lembranças jamais esquecidas. E quem disse que os "fantasmas" não voltam a assombrar? Camille que o diga!
Gillian Flynn possui uma escrita simples e envolvente. AMEI!!! Mais um livro 5 estrelas... SUPER!
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Karoline 19/01/2015

Perturbador
Confesso que fiquei muito tempo empacada nesse livro. Diferente do que aconteceu com Garota Exemplar, passei mais de um mês para finalizá-lo. E acabei numa madrugada de domingo em que não conseguia parar de ler. Achei o desfecho levemente previsível, mas não por isso deixa de ser perturbador. Achei o tema pesado, pra quem tem estômago e que não se abala fácil com situações terríveis, com a morte cruel de menininhas.
Além disso, aborda a forma como a família de cada um nós forma nossos conceitos de vida e justiça, bem como nosso caráter. Aborda também o tema de abuso de mulheres e como uma sociedade pode ser tão machista quanto opressora em relação ao sexo feminino.
Jossi 26/03/2015minha estante
Acho que prefiro livros com menos violência e mais lições de vida (podem conter violência também, mas que não mostrem todo o ser humano como uma só coisa fria, má, pérfida e maldosa). Ainda não li, mas já li outros livros perturbadores com personagens serial killers e mesmo criaturas 'de além-dimensão', como demônios furiosos, bestas, espíritos, etc. Mas ando cansando desse tipo de narrativa pessimista, que só mostra o lado mau do mundo... E de acordo com sua resenha, é preciso ter estômago para ler esse livro... Vou ler, se me enojar demais, paro.




Renato 22/04/2015

Apesar da boa escrita e de bons personagens, a autora cometeu erros cruciais
Gillian Flynn conseguiu conquistar uma legião de fãs após o sucesso de Garota Exemplar, livro o qual eu coloco como um dos melhores que já li. No entanto, a grandiosidade dessa obra acaba colocando bastante peso nos outros livros da autora, mas era de se esperar que o seu primeiro livro (Objetos Cortantes) não se comparasse ao mais recente deles.

Logo no início percebemos a identidade de Flynn na escrita. Sem poupar palavras, através da narração em primeira pessoa acompanhamos a personagem "Camille" ir se revelando aos poucos para o leitor. As primeiras 50 páginas provocam certo tédio, mas a sua maioria é necessária para introduzir a repórter de volta a sua cidade natal - Wind Gap.

Uma característica que eu admiro demais na autora e que parece ser um padrão em seus livros é a justificativa psicológica para os atos dos principais personagens. Gillian não se contenta só em relevar um assassino, um vilão, um herói... ela precisa contar quais são as influências mentais de cada um, o que torna o enredo mais crível e prende o leitor. Esse é sem dúvida o ponto alto de "Objetos Cortantes", já que somos apresentados a alguns personagens complexos. No entanto, duas falhas graves foram cometidas em seu livro de estreia.

Eu não sei se é por pressão da editora em ter que completar certo número de páginas, mas achei diversos personagens desnecessários para a história, no sentido de você terminar de ler e nem lembrar o nome deles direito. Outra coisa: Flynn foi apresentando um bom desenvolvimento da história, mas arrastou o desfecho de maneira que temos a sensação de que as últimas 10 páginas foi o resumo de 30, no mínimo. O que deveria ter sido muito mais desenvolvido acabou ficando para trás. Uma pena, já que "a surpresa" da história não deve provocar alvoroço nenhum devido à falta de preparação para ela.

De fato, conforme foi apontado em outra resenha, o livro poderia ter sido incrível, mas foi mais ou menos. Se pensarmos que foi apenas a estreia da autora, muitos erros devem ser ignorados, pois a história tem potencial e personalidade própria, mas como obra isolada merece um 3,5/5, apesar de não ter como marcar essa nota aqui no skoob, rsrs.
Marcio Quara 22/04/2015minha estante
Concordo plenamente com você. A Flynn pecou em vários aspectos no enredo desse livro. Garota Exemplar é incrível, mas Objetos Cortantes é mediano. Espero ler mais um livro da autora para decidir se a escrita dela realmente amadureceu ou se ela teve apenas sorte com o seu livro mais recente. Espero que seja a primeira opção.




Van Vet 24/11/2014

Intenso e perturbador
Após ler Garota Exemplar - e gostado muito! - resolvi me aventurar em outro livro de Gillian Flynn. Minha experiência com Na Própria Carne foi bem diferente do seu outro livro, mas não de um modo negativo. Na verdade, muitas características da autora se mantém, como a sagacidade na narrativa, a incrível intuitividade das personagens e a seu jeito bruto de expor fatos espinhosos e terríveis. Entretanto, durante toda leitura, senti que o texto estava em fase de teste e exercício, em comparação com Garota Exemplar. Ao pesquisar confirmei que esse se tratava do romance de estreia da autora, o que torna tudo justo.
Agora, falando brevemente sobre a história: temos personagens caóticos, com sufocantes problemas psicológicos, muitas camadas para margem de interpretação ao redor do grande mistério do livro, e um suspense primoroso.
Não posso fazer outra coisa além de recomendar fervorosamente à todos que apreciam um bom thriller!
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Ana Paula Sinueh 21/04/2015

Quando a relação entre mãe e filha ultrapassa o limite da sanidade
Comecei a ler este livros às 10:30 da manhã e terminei às 20:15. Se isso não for um indicativo do magnetismo da história, não sei o que será!
A trama se passa entre uma jornalista com problemas de auto flagelação (não é mais novidade, está em todas as resenhas e inclusive na sinopse, se não me engano, então não chega a ser um spoiler) e sua família igualmente problemática que ela se vê obrigada a reencontrar quando é enviada a sua cidade natal para escrever uma matéria sobre assassinatos locais.
Não chega a ser tenso, ou angustiante, mas a autora soube muito bem brincar com o instinto especulativo de todos nós, fazendo de cada leitor um detetive em potencial.
E que final!
Me senti nas minhas primeiras histórias do Hercule Poirot, lá na minha infância, quando ainda me surpreendia com o desfecho da investigação. Acho que temos nossa Agatha Christie do século XXI...
Erik 21/04/2015minha estante
Ótima resenha! Me interessei. :D


Ana Paula Sinueh 21/04/2015minha estante
Obrigada, Erik. Comprei pelo Google Play, míseros R$ 17,00! Lá tem uma amostra grátis, dá pra 'tirar uma febre', heheh...


Alexandre.Matte 23/09/2016minha estante
Legal se interessar por um livro e encontrar uma resenha de quem eu sei que tem bom gosto!




Queria Estar Lendo 13/03/2019

Resenha: Objetos Cortantes
Objetos Cortantes é minha primeira leitura da autora Gillian Flynn, e que maneira de começar a acompanhar uma autora! O elogiado thriller, que inclusive ganhou adaptação em minissérie pela HBO, é de uma simplicidade cruel, e talvez por isso funcione tão bem.

Na história, acompanhamos a jornalista Camille; seu editor chefe pede que ela vá cobrir uma matéria em sua cidade natal, onde duas garotinhas foram mortas no que parece o nascimento do caso de um assassino em série. O problema é que voltar para Wind Gap traz mais do que um furo jornalístico para Camille. É reviver seu passado turbulento e sombrio e todas as relações perturbadoras que a tornaram a mulher quebrada que ela é - é revisitar sua casa e reencontrar sua mãe e todos os demônios que assombram a sua infância.

A genialidade da trama me fisgou na minissérie, e a adaptação não passou longe do que a obra oferece, seguindo um nível de fidelidade que me agradou e, inclusive, acrescentou detalhes para tornarem Objetos Cortantes mais tenso e sombrio do que já era no livro.

Com uma narrativa crua e rápida, Gillian apresenta Camille em meio à sua rotina tediosa e suficientemente confortável para logo em seguida jogá-la de volta à isolação da cidadezinha em que nasceu. Wind Gap é um reduto sulista com pouco mais de dois mil moradores, lugarzinho tranquilo que esconde os muitos olhares de julgamento e sussurros ofensivos que tem a oferecer realmente.

O modo como a autora desenvolve a protagonista e as personagens femininas ao seu redor é magistral. Já tinha ouvido elogios a esse detalhe na narrativa da Flynn, no fato de ela mostrar mulheres perturbadas sem medo de construí-las e desconstruí-las visceralmente - e comprovei isso através das três personagens que encabeçam essa história. Não só Camille, mas sua mãe, Adora, e sua meia-irmã, Amma.

"- Assim é Wind Gap. Todos conhecemos os segredos dos outros. E todos os usamos."

No passado, Camille perdeu a irmãzinha caçula pela condição frágil de saúde - e a ruptura que isso causou não só em seu psicológico, mas também na relação já conturbada com a mãe a acompanhou até os dias atuais. Agora, confrontar Adora mais uma vez faz muito para desestruturar e cutucar os pontos que Camille tem de vulnerabilidade.

Onde a protagonista é dúvida e anseios, Adora é um enigma. Centrada, resiliente, uma dama sulista em todo o seu ser, ela esconde crueldade nos olhares enviesados para as filhas. Uma mulher multifacetada interessante de acompanhar justamente porque fica difícil entender quem ela é, realmente. Um monstro de fato ou uma figura incompreendida? O quanto dos seus olhares afetam Camille ou a fazem buscar aprovação, o quanto das suas falas irritam Camille ou a fazem mesurar os próprios atos, tudo isso é devidamente encaixado na trama para mostrar a relação conturbada que existe entre as duas. Mãe e filha, sim, mas longe de ser uma família amorosa, longe de ser uma família.

Do outro lado, Amma é óbvia em suas duas caras. A menininha perfeita que ama e obedece Adora e a garota rebelde que foge de casa para participar de festas, para viver uma vida dúbia regada a prazeres que não deveriam fazer parte dela, não tão jovem. Não quando o esperado é que a inocência deveria prevalecer sobre sua mente.

Com Camille, Amma é tão indiferente quanto obsessiva. Se por um lado parece a irmã mais nova que idolatra, na cena seguinte parece o olhar raivoso que a quer distante. Junte isso aos problemas com a mãe e vai entender porque a relação familiar dessas três é tão sinistra e instigante de acompanhar.

"Sou um caso muito especial. Eu tenho determinação. Minha pele grita, vê? Está coberta de palavras - cozinha, cupcake, gato, cachos -, como se um garotinho com uma faca tivesse aprendido a escrever em minha pele."

E é com ela que Gillian molda a história; que nos apresenta Wind Gap realmente, o passado e o presente. Que fala sobre os crimes horrendos que as garotinhas da cidade sofreram e as mil possibilidades do porque eles aconteceram. Ela nos mostra personagens secundários igualmente cinzas, nomes que não dá para saber até que ponto se pode confiar. Homens amargurados, mulheres solitárias, garotas invejosas, crianças amedrontadas. É um leque que ajuda a construir toda a tensão da parte investigativa - e, quando a resposta se apresenta, é para chocar.

"Algumas vezes se você deixa as pessoas fazerem coisas a você, na verdade você está fazendo a elas."

Tendo assistido a série antes, deu para pegar os pontos e os momentos em que a revelação se torna óbvia; e preciso dizer que gostei mais de como a adaptação ministrou esse momento, entregando uma cena final muito mais chocante e assombrosa do que a do livro - não tira o mérito do original, claro, só acrescenta.

Objetos Cortantes é uma leitura carregada em sombras e personagens perturbadores; usa uma investigação como pano de fundo para falar sobre relações abusivas e obsessivas, sobre o que é amor e o que é doença, sobre o quanto o passado pode marcar sua mente até se tornar impossível fugir dele.

site: http://www.queriaestarlendo.com.br/2019/03/resenha-objetos-cortantes.html
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Simone de Cássia 05/05/2016

Livro difícil, todo mundo é doido, é noiado. E tem uma filosofia de perpetuar erros tipo: minha avó tratou mal a minha mãe que me tratou mal e por isso eu faço o mal... Como se estivéssemos todos fadados inexoravelmente a seguir um caminho, sem opção de escolha. Não gostei.
Jenny Puerta 05/05/2016minha estante
Leia o Lugares Escuros da mesma autora, acredito que vc vá gostar!


Claudia 05/05/2016minha estante
Não tinha pensado do seu ponto de vista, mas é vdd...


Simone de Cássia 05/05/2016minha estante
Então, Jenny, eu li o GAROTA EXEMPLAR e gostei, mas esse aqui desceu atravessado.., rs rs


Simone de Cássia 05/05/2016minha estante
Pois é, Cláudia, como dizia a minha avózinha : " o buraco é bem mais embaixo..." rs rs


Amanda 10/05/2016minha estante
Não aconselho Lugares escuros :p


Amanda 10/05/2016minha estante
Eu li a sinopse desse aí é achei que não ia rolar, aí vi Lugares escuros e achei que ia prestar... Não deu também.


Jenny Puerta 10/05/2016minha estante
Caramba, sério?! Gostei mais de "Lugares Escuros" do que de "Garota Exemplar", inclusive, até arrisquei assistir ao filme depois da leitura.
A Charlize Theron interpreta muito bem o papel da protagonista, embora a personagem seja "um pé no saco" em diversas passagens...rs


Claudia 10/05/2016minha estante
Achei os filmes bem melhores!....


Simone de Cássia 10/05/2016minha estante
Pois eu não leio mais nada dessa autora... sou enjoadinha, depois que tomo birra ....rs rs




Karoline 16/04/2015

Perturbador
Confesso que fiquei muito tempo empacada nesse livro. Diferente do que aconteceu com Garota Exemplar, da mesma autora, passei mais de um mês para finalizá-lo. E acabei numa madrugada de domingo em que não conseguia parar de ler. Achei o desfecho levemente previsível, mas não por isso deixa de ser perturbador. Achei também o tema pesado, pra quem tem estômago e que não se abala fácil com situações terríveis, como a morte cruel de menininhas.
Além disso, aborda a forma como a família de cada um nós forma nossos conceitos de vida e justiça, bem como nosso caráter. Aborda também o tema de abuso de mulheres e como uma sociedade pode ser tão machista quanto opressora em relação ao sexo feminino.
PRiX 18/04/2015minha estante
Karoline, achei o mesmo que você.
Fui ler esse livro pq já tinha lido "Garota Exemplar" e gostado muito. Mas confesso que não estava preparada para algo tão pesado e psicologicamente perturbador. Não recomendo a leitura, a não ser que a pessoa goste muito de desconforto.




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Camila B. Monteiro 03/05/2014minha estante
Fiquei preocupada com esse livro tb porque li Garota Exemplar e não gostei. Mas estou curiosa... Acho que darei uma chance só para não julgá-la por apenas um livro! Penso igual vc! Gosto de viajar com a leitura, menos sordidez seria bom!


Crica 03/05/2014minha estante
Tb li esse outro e gostei menos ainda dele. Acho que nos livros dela todos os personagens são perturbados, sei que na vida real existem pessoas assim aos montes mas tb existem pessoas boas que vivem tentando agir de forma correta. Tenho outro livro dela para ler (lugares escuros) e tb não desisti dessa autora ainda.


Matheus 10/01/2015minha estante
Esse é o aspecto que mais admiro na autora. Ela monta os personagens de forma original, traçando seu perfil psicológico ao longo da trama e nos fazendo mergulhar nos inúmeros aspectos que não fazem desses personagens nem bons nem ruins.


Júlia. 25/03/2015minha estante
Seu comentário é perfeito. E é uma das coisas que eu mais gosto na autora.




Olivia 27/01/2016

Que livro!
Terminei em cerca de 8h, não consegui parar de ler nem por um segundo depois de ter começado.

As únicas reclamações que eu faria (na verdade nem reclamações, observações) é que não chega a ser surpreendente. Eu ja sabia disso, depois de ler algumas resenhas reclamando ,e também da correria no final, mas achei muito bem fechado, e sobre a correria, eu acredito que tenha sido proposital, pra chocar o leitor com uma reviravolta no final, e acho que foi muito acertada, exatamente para o livro na se tornar tão previsível
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Thomás 01/04/2016

Sensacional
Após ler Garota Exemplar e adorar, me senti na obrigação de ler Objetos Cortantes. Que livro maravilhoso! É pequeno, bastante dinâmico e adulto. Desde que a personagem principal, Camila, chega em sua cidade natal (logo no começo mesmo, não tem muita enrolação) você já percebe que está junto nessa viagem. O livro é muito bem escrito, e um dos poucos que me prendeu de tal forma, que não consegui largar até terminar. Fiquei sem ar em diversas situações, e até meio triste quando acabou. Recomendado a todos! Boa leitura.
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