Crime e Castigo

Crime e Castigo Fiódor Dostoiévski




Resenhas - Crime e Castigo


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Pipoca Nerd 28/09/2019

Resenha: Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski
O Livro Crime e Castigo é um clássico russo que foi publicado em 1866 e é leitura obrigatória para acadêmicos de Direito, pois envolve vários aspectos de Direito Penal.

O personagem principal do romance é o jovem estudante Rodion Românovitch Raskólnikov que comete um terrível assassinato.

Raskólnikov planeja e executa o assassinato de uma velha usurária para roubar-lhe. Ocorre que a irmã da agiota retorna para casa enquanto Raskólnikov ainda estava no local do assassinato, e por isso ele acaba matando, também, Lizavieta.

Após o assassinato, Raskólnikov inicia uma saga de conflitos interiores, aliada à culpa e redenção que o perseguem. O jovem estudante encontra sua salvação quando conhece Sônia, que é uma prostituta que vive marginalizada pela sociedade russa.

Será que um assassino se sente culpado?

Será que um assassino considera seu feito um ato indigno ou uma glória?

Será que algumas pessoas merecem morrer? E isso seria um favor para a sociedade?

Será que existe um lado sombrio em todas as pessoas?

Ficou curioso para saber o que o personagem pensa sobre tudo isso? Então essa é uma leitura muito interessante.

O livro é um clássico e, por isso mesmo, não é uma leitura fácil. A escrita é muito rebuscada e pelo fato da história acontecer na Rússia, há o empecilho dos nomes de pessoas e lugares. Com o passar da leitura, você se familiarizará com os nomes russos.

Personagens principais

Rodion Românovitch Raskólnikov: Jovem estudante de direito, adepto da Teoria da Superioridade.

Pulquéria Alexandrovna Raskólnikov: Mãe de Raskólnikov

Avdótia Romanovna Raskólnikov (Dúnia): Irmã de Raskólnikov.

Alena Ivanovna: Velha usurária assassinada por Raskólnikov

Lizavieta Ivanovna: Irmã da velha usurária, também assassinada

Sófia Siemionovna Marmêladov: prostituta

O livro também é muito descritivo e algumas pessoas reclamam que isso torna o livro entediante. Quem está acostumado a ler apenas leitura infanto-juvenil americana vai estranhar muito, mas lembre-se que é um livro clássico, e vale a pena superar as dificuldades e avançar com a leitura, pois a grandiosidade da obra é imensurável.

site: http://pipocanerd.com/livros/
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Paulinha.Araujo 22/09/2019

Dostoievski narra à história de Rodión Románovitch Raskólnikov, um ex-estudante que, em um crime premeditado, assassina uma agiota em São Petersburgo. A situação fica ainda mais delicada quando a irmã do alvo do ex-estudante chega ao apartamento, o ?obrigando? a cometer um segundo assassínio.
Durante as 650 páginas desse livro, você acompanha a angustia de um criminoso totalmente perdido dentro de si, de modo que o caminho de Ródión se torna cada vez mais tormentoso.
Depois de muitos dias em pleno delírio, acaba por conhecer, por acaso, uma moça chamada Sônia, que tem sobrevivido vendendo o próprio corpo para ajudar à madrasta e seus irmãos. Convencido de que Sônia vivia uma vida tão miserável como a sua ? acabando por cometer um grande pecado para alcançar seu lugar ao sol ? decide, pela primeira vez, confessar o seu ?delito?. Vale ressaltar que o ex-estudante não se arrepende do crime. Para ele, livrou muitos pobres das mãos asquerosas da agiota e, com isso, usaria o que roubou para equilibrar sua vida e não depender da mãe e da irmã. Simples assim. Os fins justificam os meios.
O que passa a ser interessante é que nem ao menos o jovem usa o que roubou. Ele fica em um estado de completo torpor. Perambulando pela cidade, sem destino, e envolto dos seus próprios pensamentos dentro do pequeno quarto onde morava. Em um dado momento deixa claro que não se acha ?fraco? por ter cometido um crime, e sim por não suporta-lo. Considera-se um ?vilão? por isso, não por ter matado duas mulheres a machadadas.
Além da historia principal, Dostoievski conta a vida de muitos outros personagens, o que nos faz refletir em como a estrutura social influi na nossa tomada de decisão.
Será que Raskolnikov se arrepende? Se redimiu de alguma forma? ?
É... um clássico
Victor 29/10/2019minha estante
Começando a ler o livro, e já vejo que ele vale a pena.




Anienne 18/09/2019

Crime e Castigo
Impressionante, como esse livro consegue ter fôlego para nos deixar sem fôlego até o fim...

Não lembro de um capítulo leve!

Já no início, mergulhamos na atmosfera psicológica sombria de Raskólhnikov e, a partir daí, só vamos aprofundando, aprofundando, aprofundando...

Um jovem, na Rússia do século XIX, engolido pelo abismo das desigualdades sociais, pela pobreza e preconceito externo, comete um crime hediondo, estimulado por uma teoria egocêntrica, desenvolvida por si mesmo, para acobertar-se.

A partir daí, o castigo... Viagens a núcleos extremos de dores psicológicas e emocionais. E onde está o fio que separa a lucidez da loucura? Esse é, verdadeiramente, muito tênue. Com relação a essa questão, me senti na corda bamba e terminei o livro, sem conseguir definir e fazer uma opção coerente.

Muitas reflexões, tanto a nível de razão, como de sentimentos fazem parte dessa leitura. Para mim, muito mais sentidas que racionais. Confesso que esses passeios nas ruas, vielas e becos escuros do ser humano, tendo como pano de fundo, São Petersburgo daquela época, não é tão fácil se você, realmente, decidir encarar a escuridão do ser que, afinal, é idêntica à sua própria.

Fica a sensação de que nós, seres humanos, somos capazes de, absolutamente, TUDO!

Nós decidimos o que fazer, às vezes, em questão de segundos. O instinto, a moral, a ética, as questões sociais, as dores da vida e tantas outras coisas são os nossos conselheiros. A "quem" ou a "que" dar ouvidos para tocar a vida?

Mas por trás dessas decisões há um ser muito grande, que somos nós mesmos e que nos encontramos, em sua maioria, inconscientes. Dessa forma, nos colocamos na posição de vítimas do destino que nós mesmos criamos e temos, fatalmente, que arcar com as consequências.

Mais do que indico, urgentemente, esse livro.
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Stênio 14/09/2019

"Só o fato de ter vindo parar naquele mesmo lugar, como antes, lhe parecia estranho e singular, como se efetivamente imaginasse que teria agora o mesmo pensamento de então e se interessaria pelos mesmos temas e quadros que tinham provocado o seu interesse... há tão pouco tempo. Esteve quase a ponto de começar a rir, apesar de, ao mesmo tempo, sentir uma dor no peito! Parecia que todo o seu passado e todas aquelas ideias e enigmas pretéritos, e aqueles temas antigos, e aquelas antigas impressões, e todo aquele panorama, e ele mesmo, e tudo, tudo estava agora lá embaixo, a seus pés, não sabia a que profundidade... Parecia que tinha levantado voo, não sabia para onde, muito alto, e que tudo desaparecera diante dos seus olhos... Depois de ter feito um gesto involuntário com a mão, sentiu, de repente, que ainda segurava a moeda de vinte copeques. Abriu a mão, contemplou a pequena moeda com toda a atenção, balançou-a no ar e atirou-a na água; depois deu meia-volta e regressou para casa. Parecia que a sua pessoa tinha sido cortada de todos e de tudo, com uma faca."
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Jaine Jehniffer 09/09/2019

Leitura desafiadora
Logo no início do livro Raskónikov comete um assassinato. Ele mata a velha que lhe emprestara dinheiro a juros e representa o capitalismo que ele diz odiar, e no pacote, como "acidente", ele mata uma empregada. Só que Raskónikov não fica feliz nem se regozija pelo assassinato. Ele esconde todas as provas, entretanto, não consegue controlar sua intensa angústia psicológica, e é em torno disso que o livro gira.

Diversas são as reflexões possíveis após a leitura desse clássico. Primeiro: qual a origem do mal. Ele é inato ao ser humano ou adquirido? É herdado geneticamente ou temos a liberdade de escolhermos ser bons ou maus? Em algumas situações é permitido agir com maldade para a conquista de algum "bem"? E afinal de contas, o que é ser mau? Outro ponto levantado é o sentimento de culpa.

Raskónikov se sente tão imensamente culpado que se perde em meio ao ressentimento a ponto de perder a razão. Eu ousaria dizer que, o intenso remorso por ele sentido, é a única diferença entre ele e um psicopata. Dostoiévski registra de maneira intensa e convincente os pensamentos, aflições e arrependimentos dos personagens de forma a nos fazer estar dentro de sua narrativa e sentirmos simpatia ou asco pelos personagens descritos.

site: https://www.paginasetakes.com.br/l/crime-e-castigo-fiodor-dostoievski/
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Léo 06/07/2019

Descrição sucinta
Uma grande obra escrita por um grande escritor. Dostoiévski cria um personagem demasiado interessante: Raskólhnikov,um típico anti-herói. Inserido na capital Russa, São Petersburgo, local de uma desigualdade sócio-economica gritante, o Raskólhnikov decide cometer um crime bárbaro. E a partir deste crime discussões sobre a moral são demonstradas sobriamente, a partir de uma tese que será desenvolvida observando grandes personalidades históricas, como Napoleão (muito citado na obra).
Ademais, a obra possui uma angústia existencial grandiosa, além de trazer reflexões sobre a família, sobre Deus (relacionando com a moral), sobre o amor e o casamento.
Dostoiévski, nas palavras de Nietzsche, é o único psicológico que tem algo a ensinar.
Portanto, este livro é indispensável para uma reflexão densa sobre o caráter moral da existência humana.
Marcos.Azeredo 09/07/2019minha estante
O melhor livro que já li. Crime e Castigo é um mergulho profundo onde vc não é mais o mesmo depois de ler este livro espetacular.




IsrFernandes 05/07/2019

I. Raskolnikov

O problema de Raskolnikov não é sua miséria. É sua recusa a aceitar que o é, por considerar humilhante essa condição, o que fica claro quando considera que se saiu bem ao evitar um encontro com a dona do prédio onde mora e deve o aluguel.

A recusa à humilhação que a realidade impõe, resultado de sua própria omissão, é um resquício do orgulho. Num trecho, diz a um policial que, por ser estudante, não admite que se grite com ele. Sente prazer no confronto com a autoridade, elemento típico da mentalidade criminosa.

Esse orgulho é tamanho que os resultados materiais da miséria em si nem chegam a incomodá-lo. Acomoda-se facilmente à fome, aos trapos que veste e ao cubículo em que vive.

O temor de encontrar a senhoria trai sua ânsia por pairar acima das responsabilidades. Servindo-se do auto-engano para preservar sua auto-imagem, se convence de que o pior de tudo é ter que mentir. Assim, sua fuga ganha o verniz nobre de amor à verdade.

Seu estado de vagabundagem, ele mesmo reconhece, abre sua mente para reflexões fúteis que, por ocuparem a totalidade de suas preocupações, acabam assumindo suprema importância. Consequentemente, ele mesmo se torna uma pessoa fútil.

O chapéu lastimável que usa atrai a atenção de um popular. Como a coroa pesando na cabeça de um rei, a consciência do adereço faz Ródion pensar no quanto sua indiscrição pode ser um problema para a execução de seu plano: de sair impune do crime que pretende cometer.

No prédio onde mora Aliena Ivanovna, cuja morte ele considera tanto o primeiro passo para sua grandeza quanto um favor à humanidade, surge um sinal de sua ânsia perversa por isolamento: aprecia a escuridão de uma escadaria que o guarda de qualquer olhar.

No apartamento da usurária, chega a concluir que o esmero na higiene do local é sinal de maldade.

Vai a uma taberna por ter "sede de gente", como que guiado pela reação orgânica de sua alma ao isolamento que vive. Um desejo que, contudo, não sobrevive ao contato real com outro ser humano.

Outro sinal de seu orgulho é a ambição desmedida, como quando explica para a faxineira que parou de dar aulas a crianças pois seu interesse está numa grande soma de imediato, não numa modesta quantia ganha aos poucos.

Seu passado como professor revela ao mesmo tempo parte de sua humanidade e o fato de que a perdeu.

Esse cisma fica claro quando se emociona ao ter em mãos uma carta da mãe, mas, como que possuído, termina a carta alheio ao conteúdo. É revelado que sofreu queimaduras ao salvar duas crianças de um incêndio e que cuidou de um colega de universidade que adoeceu e do pai desse colega após sua morte.

Não é um vilão simples, que passa o tempo todo tramando e fazendo o mal; ao contrário, sua sordidez é oposta a gestos grandiosos. Na alma de Raskolnikov, o mal e o bem não estão separados por uma linha nítida. Alternam-se, às vezes interligados, coexistindo numa mistura difícil de desfazer.

II. Crime

Ao abrir mão de suas responsabilidades, Raskolnikov torna-se um ente passivo; sem agir, se enfraquece; fraco, busca a todo custo se impor, não em atividades edificantes, mas num crime sórdido que o elevará, segundo suas próprias teorias, ao patamar de grandes homens da História.

É irônico que o ateísmo de Raskolnikov, aludido pela mãe em carta, dê espaço a toda sorte de superstição. Atribui um sentido quase divino a coincidências que sua mente associa à teoria e ao plano.

Tem influência decisiva a conversa que ouve numa taberna. Um estudante, como ele, defende que a vida de Aliena, a penhorista, nada vale, não faria falta a ninguém e livraria de suas práticas usurárias uma multidão de infelizes.

Ao saber que Lisavieta, irmã de Aliena, não estará em casa em certa hora do dia seguinte, crê que recebeu sinal verde do destino para levar a cabo seu plano — equívoco que mais tarde fará muita diferença.

Talvez o grande facilitador da tragédia seja a descrença de Raskolnikov na própria capacidade de matar. Sem encarar a própria maldade, como quem duvida do diabo, acaba cedendo à tentação.

Apesar da brutalidade, o crime não é fruto de uma paixão ou impulso, mas resultado de uma teoria ambiciosa.

A culpa monstruosa que o crime impõe à alma, obviamente, faz o jovem oscilar entre o medo paranóico de ser descoberto e um desejo recalcado de ser punido.

O tal crime não o torna um homem extraordinário, fazendo ruir a teoria que orgulhosamente expôs em artigo.

A única coisa extraordinária nele é a maneira como experimenta um alheamento que o desconecta de outras pessoas.

III. Idéias

O juiz de instrução Porfiri nota que ao perpetrar aquele crime na juventude, permitindo a destruição de sua teoria doentia de imediato, Raskolnikov pode ter impedido que ele próprio matasse centenas de milhões no futuro.

Dostoiévski profetiza que as idéias de Raskolnikov vão guiar os atos dos homens que transformarão seu país no século seguinte.

Coincidência ou não, Ródion inclui em sua teoria a idéia de que a História resultada do atrito entre o reformador social violador e o preservador da ordem vigente, noção idêntica à de Marx.

Lujin é um homem que se adapta às idéias modernas por força de movimento inercial combinado ao interesse próprio. Defende vagamente a ciência e os avanços econômicos, eco de uma mentalidade individualista que muito combina com um homem que se aproveita da miséria alheia para encenar benevolência.

Sua caridade é baseada integralmente na expectativa de escravizar a pessoa beneficiada, que ele escolhe cuidadosamente entre os que necessitam de ajuda imediata.

O próprio Raskolnikov observa que essa lógica utilitarista, levada às últimas consequências, transforma as pessoas em objetos e abre espaço para assassinatos justificáveis — como o que ele mesmo comete.

Dostoiévski critica a idéia de que o criminoso é um produto de imperfeições sociais e vítima do crime como protesto contra a sociedade.

Aponta que os socialistas alegam isso com o fim de que se entregue a organização social nas mãos deles. Assim, podem moldar uma nova sociedade a partir de suas idéias.

Critica também o temor que ideólogos têm dos mistérios da alma humana. Imprevisível e naturalmente rebelde a toda tentativa de encaixá-la a ideais pré-concebidos, é o obstáculo maior ao avanço dessas idéias.

A própria teoria de Ródion evoca a noção da existência de uma aristocracia em que só seus membros podem ser chamados de indivíduos, justamente por se destacarem, enquanto os outros nada mais são que células idênticas de um grande organismo.

O que ele faz nada mais é justificaticar a posteriori a importância que ele mesmo se atribui.

Sempre se valendo do abstrato para se proteger da gravidade das coisas reais, Raskolnikov declara que o que ele matou foi uma idéia, não uma pessoa.

Essa idéia do crime legítimo vai preenchendo sua alma até se tornar sua religião.

Outras facetas do pensamento revolucionário vão surgindo dos diálogos entre personagens. Liebeziatnikov, jovem de certa forma ostracizado como Raskolnikov, se diz defensor de certa causa feminina, mas espanca uma mulher. E, na tentativa de recrutar Sonia para uma comuna a pretexto de "educá-la", contribui para corrompê-la.

Enxergando na miséria um problema com solução definitiva, menospreza a caridade por ser insuficiente. Reputa a fidelidade matrimonial como algo ilegítimo e defende relações extra-conjugais como um protesto justo contra essa ilegitimidade.

IV. Svidrigailov

Tentado pela promessa de divindade, Raskolnikov coloca a sede de conhecimento acima da realidade de sua vida. Enfim, comete o pecado original.

Já Svidrigailov, o homem que assediou sua irmã e a quem é imputada responsabilidade pela morte da esposa, está completamente entregue à devassidão.

Em oposição à racionalização do protagonista, cai em desgraça por sua submissão aos instintos carnais.

Todos os seus gestos de caridade são compensações diretas do estrago que a depravação causou em sua alma.

Escravo de uma obsessão por seduzir mulheres sem amá-las, deixa essa pulsão destrutiva chegar ao ápice quando envenena secretamente a esposa, já arruinada pelo matrimônio com um homem abertamente infiel.

Ele mesmo observa que enquanto era acusado de prodigalidade por Dúnia, o irmão dela provavelmente estava sozinho com suas idéias, tramando o crime que o tornaria grande.

Se Raskolnikov representa a rebeldia, o homem tentando usurpar o papel divino, sendo um reformador, um revolucionário, um transgressor, enfim, realizando a imitação do diabo, Svidrigailov é a prevalência da carne, dos prazeres sensuais vividos de maneira irrestrita, até a depravação e consequente perdição da alma.

Dominado pelos instintos carnais, sua opção é sempre pela conformidade. Numa última tentativa de seduzir Dúnia, oferece a ela ajuda para possibilitar a fuga de Raskolnikov.

Como precisa evitar a todo custo o confronto com a responsabilidade, torna-se cínico. Como o prazer, perseguido obstinadamente, exige doses cada vez mais potentes, ele passa à pedofilia.

Sendo até o fim uma manifestação maligna opostacàquela que se apossa do protagonista, Svidrigailov só desperta para sua miséria quando finalmente emprega a razão para um exame definitivo da própria vida.

Ao notar que nunca foi acometido nem mesmo de vontades baixas como o desejo de vingança ou o ódio simples, reconhece o quanto seu caráter é flácido e comete um suicídio que apenas confirma a mortificação em vida.

V. Sonia

Mesmo quando sua consciência dá sinais de vida, tudo que Ródion consegue fazer é insinuar o crime.

Mas, como a mesma consciência que clama pela confissão também dá noção do horror do crime, ele se vê incapaz de admiti-lo voluntariamente.

É como se a alma tivesse um mecanismo próprio que, em contato com o espírito, trabalha para salvar o indivíduo à revelia de sua vontade.

O horror acanha também as almas sãs. As insinuações de Ródion despertam suspeitas, mas seus interlocutores nunca têm coragem de explicitar de quê suspeitam.

Só é acolhido por Sonia.

É ela, plenamente ciente de sua miséria, servindo ao próximo mesmo ao preço da suprema humilhação, que vai resgatar Raskolnikov do inferno em que a soberba o meteu.

É ao se prostituir para sustentar a família, paradoxalmente, que revela sua santidade.

No primeiro encontro, Raskolnikov mostra seu lado diabólico. Tenta Sonia com as várias tragédias possíveis em sua família, a morte de Catierina Ivanovna, seu adoecimento e o conseqüente abandono das crianças.

Reconhecendo sua impotência, ela responde com uma fé inabalável na vontade de Deus.

No eixo bem-mal, ela é o tempo todo o inverso de Raskolnikov.

Sonia tira sua força não de um senso de auto-dignidade, obviamente impossível naquela situação, mas da disposição ao sofrimento que dignifica e fortalece de fato.

Essa força não só impede que ela se perverta no ofício mas, ao contrário, faz com que se purifique ainda mais.

Desconcertado diante da santidade, Raskolnikov, sempre tentando submeter tudo à razão, chega a cogitar que Sonia enlouqueceu — hipótese que lhe agrada porque reforça suas idéias.

Sonia se compromete a acompanhar Raskolnikov antes mesmo de saber do crime. Por meses, nada recebe em troca, e chega até a ser maltratada ao visitá-lo no campo de trabalhos forçados, o que não abala sua devoção. Por fim, sua espera paciente é recompensada.

VI. Redenção

Sonia contribui para redimir Raskolnikov quando revela que Lisavieta era justa e a única pessoa que era boa com ela.

Quando pensa no crime, Raskolnikov se concentra em Aliena, pois é sua condição de usurária a que ele se apega para justificar o crime. Convenientemente, se esquece de Lisavieta, que mata sem planejar e cuja inocência acaba com sua pretensão de não ser um criminoso.

Esse segundo assassinato o perturba pois é um lapso em sua razão, um efeito do imprevisível, da falta de controle que ele tanto abomina.

O crime que não premedita, cometido por impulso, é aquele que simboliza a falibilidade de sua razão.

Diante da resistência ao castigo, resquício do desprezo pela sociedade e por suas leis, Sonia argumenta não em favor da legalidade, mas da necessidade que a alma tem de aceitar o sofrimento. A expansão pelo orgulho e a quebra dos limites morais que a mente oferece precisam ter como remédio limites e privações concretas e humilhantes que forcem Raskolnikov a despertar da anestesia e perceber sua vida como ela é de fato.

Mas Dostoiévski não dá ao protagonista uma redenção fácil, do tipo que vem de imediato após uma catarse.

Entende que, se o pecado foi um processo, sua expiação também o será.

Mesmo prestes a se entregar, sabendo que essa é a alternativa menos pior, Raskolnikov ainda insiste na desumanização de Aliena. Já no campo de trabalhos forçados, continua isolado e se ressente ao ter seu poder constrangido por coisas que considera tão reles quanto trabalho e disciplina.

O sentido da instrução de Sonia para que beije o solo na rua e confesse em voz alta é a humilhação pública como antídoto contra o orgulho que a solidão contribuiu para nutrir.

Da mesma forma que não vem suavemente, a redenção também não ocorre sem efeitos colaterais.

Pulkhéria Aleksandrovna, a mãe, temendo o choque que a verdade pode lhe causar, se apega à crença de que o filho foi iniciar carreira de sucesso em lugar distante. Numa ironia terrível, fica obcecada pelo tal artigo em que ele expõe a teoria dos homens extraordinários.

No final, privado da presença de Sonia quando esta adoece, Raskolnikov descobre finalmente que a ama. Como diz Dostoiévski, a dialética dá lugar à vida.

site: https://medium.com/@israelfernandes/resenha-crime-e-castigo-de-fi%C3%B3dor-dostoi%C3%A9vski-ae029c5d8cc4
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Calebe.Ferraz 03/07/2019

Crime e Castigo - Um mergulho as profundezas Dostoiévskianas
Um livro de valor ineroxável para a cultura literária de todo o mundo, dotado e permeado de complexidade e suspense. Dostoiévski lhe prende durante todo o livro, embora realmente como dito em outras resenhas a história se intensifica em termos de entretenimento após o capítulo IV. Dessa forma concluo, com a seguinte pergunta "Você quer continuar nas superfícies ou se aprofundar nas profundezas Dostoiévskianas?"
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Wenders0n 30/06/2019

Uma obra prima sobre a mente Humana!
O livro conta a história do jovem Raskólnikov de 23. Como já sabemos pelo titulo, Raskólnikov irá cometer um crime. O Crime ocorre nas primeiras 100 páginas, dessa edição, e o restante do livro se trado do Castigo. Esse castigo é psicológico, e no decorrer de 300 entramos na mente do nosso protagonista e reviramos todos os seus pensamentos e motivos: é errado cometer matar alguém ruim q só fazia mal as pessoas? É correto deixar uma pessoa assim viver?
Entre esses pensamentos e até "justificativas" o nosso personagem se firma e não sente nenhum tipo de culpa. É muito estranho torcer pra que tudo der certo na vida de um personagem assim, mas isso acontece no decorrer da história. Mais um livro sensacional do Dostoiévsk! Por isso é meu autor favorito.
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Annie Bitencourt 22/06/2019

Boa leitura
Me surpreendi positivamente com a leitura de Crime e Castigo. Imaginava um livro chato e cheio de palavras complicadas, mas essa edição da Todavia achei incrível. Com várias notas explicativas dos termos usados, de algumas expressões, de trechos em francês e etc.
Com certeza vou ler mais coisa do Dostoiévski.
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Gabi 13/06/2019

Pensei muito antes de escrever essa resenha. Por que eu, uma mera mortal, teria culhões para dar um parecer sobre essa obra tão grandiosa? Sinceramente, é um livro espetacular. Você se vê dentro da cabeça de um assassino e, por incrível que pareça, torce por ele o livro todo. O desespero que Rodion passa a viver depois de ter cometido o crime nos faz pensar: E se fosse comigo? Eu seria diferente dele numa situação como essa? O que eu faria?
Sensacional.
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EltonLM 28/05/2019

Desespero dostoiévskiano
O desespero, a alucinação, a sensação de loucura são tão presentes nesse livro, que por vezes tinha a sensação que o livro iria me devorar, que as palavras saltariam da página e que eu seria teletransportado para a Rússia do século XIX. Dostoiévski simplesmente fantástico. Romance intenso, profundo e perturbador.

site: bibliothequeopinatio.wordpress.com
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Vanessa 22/05/2019

Empatia pelo anti-herói
Como torcer por um assassino que é desagradável, que não demonstra remorso e que não apresenta argumentos sólidos para justificar o delito?! O autor consegue esse feito. Raskolnikóv é um personagem complexo. MUITO complexo. Por vezes, eremita, misantropo, e em outras, filantropo ao extremo, ao ponto de arriscar a vida ou de dar todas as suas parcas economias aos outros. O personagem principal não chega a ser moralmente abalado por seus crimes, desta feita, o que lhe causa febres e vertigens, é o fato de ver-se como um ser inferior, já que não é capaz de sustentar a mentira( como faria Napoleão, seu grande ídolo, sem a menor hesitação) entregando-se por meio de sua forma despropositada de agir. Luz e sombra, paganismo e cristianismo, ceticismo e religiosidade, bem e mal, tudo coexiste e tudo contempla a noção do seu contrário neste livro, pois até os personagens mais odiosos, fazem algum bem ao longo da trama. Rubem Alves estava certo ao dizer: "Nós não vemos o que vemos, nós vemos o que somos. Só vêem as belezas do mundo, aqueles que têm belezas dentro de si." Rodia não via beleza, o mundo exterior lhe era feio, as pessoas lhe eram pesadas, o clima era sempre insuportável, o quarto em que morava era inóspito.
O mais penoso na trama era o conflito psicológico que Raskolnikóv travava consigo mesmo. Era a mente a sua verdadeira prisão. Os diálogos entre o juiz e Raskolnikóv são brilhantes, e em minha opinião, são a melhor parte do livro. A psicologia do juiz para desvendar o crime é brilhante. Ele não se apoia apenas em fatos, já que não há provas materiais suficientes para embasar o crime, mas em aspectos psicológicos do bandido. O amor é capaz de promover um processo de cura e redenção de uma forma muito verdadeira nesse livro, sem com isso, incorrer em um romance piegas. As variações psicológicas são inerentes a todos os personagens, várias facetas e nuances são apresentadas, e talvez seja nesse ponto que o livro consiga prender o leitor e haja certa identificação, pois cada um carrega dentro de si, múltiplas personalidades que variam de forma situacional. Acho que esse livro é essencial para quem trabalha na área jurídica,tendo em vista que ensina minucias da natureza humana e idiossincrasias que são deixadas de lado na faculdade. A mesma mente que aprisiona este anti-herói, fora capaz de libertá-lo. É um livro que prende a atenção e que sempre tem um elemento novo e surpreendente. Recomendo.
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Carolzinha 18/05/2019

Crime e Castigo - o desafio de se interpretar o que um ser humano pensa, sente e faz
E depois de pouco mais de um mês, enfim, concluo a leitura de Crime e Castigo.
O romance, publicado em 1866, narra a história de Ródion Ramânovitch Raskólnikov, um ex-estudante de direito que comete um assassinato, insentivado pelos percauços de sua conjuntura social.
Nunca li personagens tão ricos, tão complexos psicologicamente. Os diálogos são capazes de causar profundas reflexões sobre culpa, poder, vulnerabilidade social e o papel que cada um atua no contexto que é inserido.
É leitura obrigatória para todo amante da literatura!
Minha crítica vai para a prolixidade de alguns diálogos, que deixam a leitura, por vezes, entediante - detalhe que me impede de o classificar como um livro perfeito.
Rosine 19/05/2019minha estante
Valeu.




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