Crime e Castigo

Crime e Castigo Fiódor Dostoiévski




Resenhas - Crime e Castigo


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Tarcísio 06/07/2010

Alguns dizem que a inveja é a arma dos incompetentes. Outros, mais populares, diriam que a inveja é uma m#$%@ mesmo. Independente da opção escolhida tenho que confessar que esse pecado capital tomou conta de mim durante o contato que tive com Crime e Castigo. Eu adoraria ser capaz de começar com um papel em branco e finalizar com uma obra de mais de setecentas páginas cheias da mais pura e deliciosa literatura.

Ítalo Calvino escreveu que a única razão que se pode apresentar para ler os clássicos da literatura é que lê-los é melhor do que não lê-los. Obviamente que existem clássicos que podem agradar e outros que não, dependendo do gosto do leitor. Crime e Castigo representou praticamente minha primeira incursão por essa riqueza. E eu não poderia ter começado melhor.

A impressão que se tem ao ler a obra de Dostoiévski é que ele tinha muita coisa a dizer sobre comportamento humano e resolveu fazê-lo por meio de um livro. Temas como inveja, maldade, riqueza, pobreza, loucura e vaidade (entre outros) são discutidos e analisados de forma preciosa.

Crime e Castigo é de leitura agradável, não muito simples, exige concentração, principalmente nos diálogos. Não prende o leitor da primeira à última página, titubeia em alguns pontos, tornando-se até um pouco cansativo. Páginas à frente, entretanto, o leitor volta a sentir aquela gostosa sensação de estar aprendendo e ao mesmo tempo tendo uma leitura prazerosa. Indispensável àqueles que realmente amam a boa literatura.
Rafael Moss 10/07/2010minha estante
Bom comentário sobre o livro.

Pra mim o único defeito nessa versão é a tradução do francês.

A versão da Editora 34, traduzida do russo, é muito mais rica que essa da Abril.


Wallas Felippe 05/08/2010minha estante
Concordo com o Rafael Moss; a Versão traduzida do Russo é muito mais rica do que essa de Abril.


Vincent Law 12/06/2011minha estante
Aprender na leitura é sempre bom.

Taí uma ótima leitura para conhecer algo construtivo. Um livro que não pode se descartado, no entanto podemos dizer que é mais para gosto do leitor querer lê-lo e e obter alguma coisa, do que ler outra coisa por apenas diversão e não incluir nada para a vida.

O Conde de Monte Cristo é uma ótima leitura com estes dois ingredientes!


Anna 19/08/2011minha estante
Voce fala muito bem, depois dessa resenha acho que vou me apressar mais pra conseguir o livro.!
Thank's


Poliana Calazans 13/11/2011minha estante
"Alguns dizem que a inveja é a arma dos incompetentes. Outros, mais populares, diriam que a inveja é uma m#$%@ mesmo. Independente da opção escolhida tenho que confessar que esse pecado capital tomou conta de mim durante o contato que tive com Crime e Castigo. Eu adoraria ser capaz de começar com um papel em branco e finalizar com uma obra de mais de setecentas páginas cheias da mais pura e deliciosa literatura." Obrigada por traduzir o meu pensamento em poucas palavras...


douglasroma 12/03/2012minha estante
É inegável a qualidade desta obra, mas, realmente, os diálogos são bastante cansativos.
Às vezes eu perdia a meada do enredo por não saber por que ele estava falando sobre aquilo.
Voltei a me concentrar ao final e me senti mais feliz ao entrar no epílogo...
Temos de ter coragem de enfrentar tal literatura.


João Souto 22/01/2013minha estante
os diálogos compõe uma sensacional trama psicológica que desenrola-se até o fim da leitura. São longos porque precisam ser para explocar a alma de cada personagem, seus conflitos, mistérios e revelar um pouco de suas intenções. Foi como ler um debate transcrito, onde pessoas reais participaram e cada uma tinha uma razão, um propósito ao falar o que falou. É sensacional explorar esse outro lado, oculto, de um personagem fictício mas incrivelmente real.


Ricardo Rocha 04/08/2014minha estante
Acho que é uma resenha muito boa mas imagino que quando vc diz "tinha muita coisa a dizer sobre comportamento humano e resolveu fazê-lo por meio de um livro". Ele estava cheio de dívidas, sozinho, faminto, não vejo como tivesse qualquer coisa a dizer sobre qualquer coisa, não como vontade. Ele tinha contas e escrever era sua subsistência, e num desmaio de fome veio a idéia do livro. De resto é tudo o que vc disse e mais algumas coisas.


thiago.castro.1612 20/12/2014minha estante
Baita livro! Chega a ser abusurdo de tao bom. A demencia, a morbidez e o pessismo do personagem chegam ser contagiantes.um verdadeiro soco no estomago, como kafka dizia que um livro tinha que ser. Um exemplo singular, dessa arte de contar uma historia e ao mesmo tempo, um manisfesto cru e pungente, sobre as fantasias e os desejos mais sordidos que habitam o amago de todo o ser humano. Eu li em seis dias, quando tinha desessete anos.recomendo.


Cleide 30/04/2015minha estante
Parabéns pela descrição. Estou ainda no ínício...página 100. Confesso que no início me perdi em alguns aspectos, porém já estou me familiarizando e gostando do enredo.


Helio 27/12/2015minha estante
Comprei ontem o ebook da Amazon (única opção: Ed Centaur), estava escrito "português", daí descubro q é português de Portugal, horrível, detesto. Alguém poderia recomendar qual é a melhor versão em Pt-Br? Obrigado.


Tati Diorio 10/01/2016minha estante
Oi Tarcisio, concordo totalmente com seu comentário sobre o livro. Inclusive sobre a leitura parecer cansativa às vezes. Para quem está lendo... não desista! Vale muuuuuito ir até o final.


Adriano 01/11/2016minha estante
Eu gostaria de ter escrito a tua resenha ! Muito consistente e ótima como chamariz para novos leitores. Meus parabéns !
Na primeira vez que tentei ler Crime e Castigo o universo do protagonista me causou tanta náusea que precisei parar a leitura antes que me instalasse num quarto escuro. Cinco anos depois, foi uma leitura extremamente agradável e envolvente.


regina.pacheco.188 02/05/2017minha estante
Concordo plenamente com a sua avaliação.
E estou de acordo também que a versão da Editora 34 é muito superior.


PHILOSOFODUTRA 25/08/2017minha estante
Dostoiévski, como nenhum outro escritor, é capaz de penetrar no âmago de seus personagens e revelar de maneira profunda e psicologicamente, os sentimentos humanos escondidos na alma, tais como, medo, angustia, pecado, culpa, raiva, ódio, inveja, amor, fé e esperança.
Nas Obras dele, os personagens estão ?nus e patentes? perante o narrador onisciente, e se sobrepõem à própria trama para dar lugar à análise do homem real de seu tempo.
O livro, Crime e Castigo, escrito em 1866, conta a trajetória angustiante e psicológica de um estudante marcada pelo pecado e pela culpa, mas redimido pelo amor de uma mulher, a prostituta Sônia.
Raskolnikov era um estudante universitário, pobre, intelectual, que residia num pequeno apartamento em São Petersburgo na Rússia, o qual movido por uma ideia fixa matou a machadadas uma velha usurária e sua sobrinha, sem nenhum motivo aparente.
Após o crime, inicia-se a trajetória de angústia e dor ocasionados pela culpa de seu pecado(crime) cometido, e por fim, o castigo, e a redenção na prisão na sibéria.
Dostoiévski neste romance nos apresenta também uma análise de como funciona a mentalidade revolucionária: Raskolnikov acreditava na tese segunda a qual alguns homens são extraordinários e podem perpetrar determinados delitos e crimes em nome de suas ideias. Por isso ele comete aquele crime torpe sem motivo aparente. O autor aproveita, ainda, para revelar essa maneira de pensar e agir presente em sua época, e também em todos os movimentos revolucionários da história, da revolução francesa à revolução bolivariana na Venezuela. Neste modo de pensar e agir, os crimes cometidos para a implantação dos ideais do novo mundo são sempre justificados e perdoados.
O autor, de certa forma, antecipa literariamente o que ocorreria no seu país em 1922 com a Revolução Russa ao Implantar o Comunismo. Hugo von Hofmannsthal, a respeito desse papel profético da Literatura, já dizia ?Nada está na realidade política de um país, que não esteja primeiro na sua Literatura.?
Freud não, mas Dostoiévski explica porque Dirceu, Jenuíno e Lula, assim como toda a turma dos petralhas, consideram-se até hoje, apesar das provas concretas que os condenam, presos e perseguidos políticos. Tudo o que eles fizeram não causou nenhum remorso ou culpa porque acreditam que o fizeram em nome da construção da nova ordem social, política e econômica.
Crime e Castigo é uma obra-prima da literatura universal, profunda e rica em desnudar os mecanismos psicológicos da alma humana, principalmente, o modo de agir dos tiranos e malfeitores da humanidade.


Alcionemaria 30/08/2020minha estante
Já que gostou de Dostoiévski, leia agora ?Os irmãos Karamazov?.


Douglas Marques 15/09/2020minha estante
Excelente resenha, Tarcisio. Vida longa ao mestre, senhor do gelo, Dostoiévski.


Miss 25/12/2020minha estante
Foi minha melhor leitura de 2020,confesso que no começo fiquei perdida ,porque a escrita é bem complicada ,na vdd essa Editora ,mais é um livro que vale a pena cada capítulo .


Marcia 29/01/2021minha estante
Um dos mais importantes clássicos da literatura mundial. Parabéns pela resenha!


Iara.Vianna 05/02/2021minha estante
Estou lendo e absorvendo o tipo de vida e ambientação, quase no meio. Estou indo.




Fabio Shiva 27/08/2010

Tive tanto medo de ler esse livro!
Adiei e adiei o início da leitura. Uma vez começada, cheguei ao absurdo de tentar aliviar a paulada alternando com um livro de terror clichê... Agora, depois de finalmente ter acabado de ler Crime e Castigo, só posso dizer que tinha também razão ao ter medo. Não se lê Dostoiévski impunemente!

Crime e Castigo é considerado um dos maiores clássicos da literatura mundial. Não é por acaso. Mas não espere o leitor uma sucessão de frases memoráveis e passagens eruditas, recheadas de primorosos e inofensivos pensamentos. Nada disso. Dostoiévski tornou-se grande à custa de futucar fundo na alma, de remexer nos abismos do espírito, de chafurdar no lamaçal das violentas emoções proibidas.

É isso que faz sua obra imortal: a universalidade da apaixonada contradição humana. Os dramas e sofrimentos que seus personagens enfrentam poderiam muito bem ser os nossos mesmos. Pela força de sua pena, nos sentimos irmanados com as mais abjetas criaturas e os mais condenáveis comportamentos.

Dostoiévski olhou no fundo da própria alma. Não é de se admirar que tenha conseguido revelar tanto da alma de seus leitores no mesmo processo.

Tivesse eu lido esse livro há alguns anos, e o impacto teria sido ainda mais tremendo. Tempos atrás li Os Irmãos Karamázov, que chacoalhou o edifício de minha personalidade até os alicerces. Dessa vez eu estava mais preparado, mais amadurecido pela caminhada, menos disposto a pagar com meu próprio sangue pelas revelações de Dostoiéviski.

Ainda assim, meus camaradas! Que pancada!

Pude ao menos admirar com uma certa frieza alguns dos inesgotáveis recursos literários utilizados pelo mestre russo. A maneira como ele alonga a ação, como induz o leitor a adivinhar o que vem em seguida e, mesmo assim, acompanhar indefeso cada parágrafo de agonia e suspense, só a genialidade desse pequeno truque já valeria para colocar Dost no panteão sagrado! Mas tem muito mais de onde veio esse...

Um recurso que achei particularmente engenhoso foi utilizado na apresentação do protagonista Raskólnikov. No início do livro o autor expõe cada pensamento e cada reação emocional de seu personagem até a minúcia. Logo em seguida, em uma cena de grande impacto emocional, Dost nos priva do acesso aos pensamentos e emoções de Raskólnikov. Somos apresentados apenas às suas reações externas, às suas palavras e atos. Porém com que habilidade o autor já nos havia transportado para dentro de seu personagem, tornando supérflua a descrição de seus sentimentos, pois nós mesmos já sentimos em nosso peito a sua aflição e agonia!

Pelo tema de sua história, Crime e Castigo não deixa de ser ainda um certo tipo muito especial de romance policial.

Uma obra grandiosa e inesquecível!

(20.03.09)

Evelyn Ruani 14/10/2010minha estante
Eu também adiei muito pra ler esse livro. Mas gostei de ter insistido, afinal é um classico.


Halley 29/03/2011minha estante
Agora fiquei com medo de ler....eu sou muito sensível aos livros....costumo ficar louca so de ler um romance qualquer....acho que não to preparada para ler uma obra como esta....


Luís 28/12/2011minha estante
Me convenceu a ler


Fabio Shiva 28/12/2011minha estante
Olá amigos, valeu pelos comentários!
Esse livro vale a pena ser lido! Leiam e tirem suas próprias conclusões ok!
beijos e abraços!


Cleide 30/04/2015minha estante
Adorei a narrativa! Descrição perfeita!


PHILOSOFODUTRA 28/08/2017minha estante
Dostoiévski, como nenhum outro escritor, é capaz de penetrar no âmago de seus personagens e revelar de maneira profunda e psicologicamente, os sentimentos humanos escondidos na alma, tais como, medo, angustia, pecado, culpa, raiva, ódio, inveja, amor, fé e esperança.
Nas Obras dele, os personagens estão ?nus e patentes? perante o narrador onisciente, e se sobrepõem à própria trama para dar lugar à análise do homem real de seu tempo.
O livro, Crime e Castigo, escrito em 1866, conta a trajetória angustiante e psicológica de um estudante marcada pelo pecado e pela culpa, mas redimido pelo amor de uma mulher, a prostituta Sônia.
Raskolnikov era um estudante universitário, pobre, intelectual, que residia num pequeno apartamento em São Petersburgo na Rússia, o qual movido por uma ideia fixa matou a machadadas uma velha usurária e sua sobrinha, sem nenhum motivo aparente.
Após o crime, inicia-se a trajetória de angústia e dor ocasionados pela culpa de seu pecado(crime) cometido, e por fim, o castigo, e a redenção na prisão na sibéria.
Dostoiévski neste romance nos apresenta também uma análise de como funciona a mentalidade revolucionária: Raskolnikov acreditava na tese segunda a qual alguns homens são extraordinários e podem perpetrar determinados delitos e crimes em nome de suas ideias. Por isso ele comete aquele crime torpe sem motivo aparente. O autor aproveita, ainda, para revelar essa maneira de pensar e agir presente em sua época, e também em todos os movimentos revolucionários da história, da revolução francesa à revolução bolivariana na Venezuela. Neste modo de pensar e agir, os crimes cometidos para a implantação dos ideais do novo mundo são sempre justificados e perdoados.
O autor, de certa forma, antecipa literariamente o que ocorreria no seu país em 1922 com a Revolução Russa ao Implantar o Comunismo. Hugo von Hofmannsthal, a respeito desse papel profético da Literatura, já dizia ?Nada está na realidade política de um país, que não esteja primeiro na sua Literatura.?
Freud não, mas Dostoiévski explica porque Dirceu, Jenuíno e Lula, assim como toda a turma dos petralhas, consideram-se até hoje, apesar das provas concretas que os condenam, presos e perseguidos políticos. Tudo o que eles fizeram não causou nenhum remorso ou culpa porque acreditam que o fizeram em nome da construção da nova ordem social, política e econômica.
Crime e Castigo é uma obra-prima da literatura universal, profunda e rica em desnudar os mecanismos psicológicos da alma humana, principalmente, o modo de agir dos tiranos e malfeitores da humanidade.




Book.ster por Pedro Pacifico 01/03/2020

Crime e castigo, Fiódor Dostoiévski - Nota 8,5/10
Acho que muitos vão ficar indignados com a minha nota, pensando o que eu deveria ter dado um 10. De fato, não há como negar que a obra é um clássico e MUITO bem escrita. No entanto, achei a leitura muito arrastada em grande parte do livro, com diálogos enfadonhos e que fugiam do enredo da história. Por outro lado, a obra teve vários pontos altos... Dentre eles o que mais me intrigou foram as cenas do assassinato e do interrogatório do protagonista! Além disso, a obra é altamente psicológica, com uma exposição impecável dos anseios vividos por Raskólnikov. O protagonista defende uma teoria muito interessante: Por que algumas personalidades, como Napoleão, se tornaram grandes nomes da história, mesmo tendo cometidos diversos crimes? O que os diferencia dos demais cidadãos? Ou seja, Apesar das críticas, recomendo a leitura, mas já aviso que não foi fácil e demandou certo tempo!

site: https://www.instagram.com/book.ster
Mariana.Abreu 13/04/2020minha estante
Estou indo para minha segunda tentativa. Tentei ano passado e fui até 40% do livro e desisti. Rs


Yasmim do @acervo4patas 08/08/2020minha estante
Tentei 3x e não consegui manter o foco. É muito difícil ser fisgado com tanto realismo, sufoca a gente. Ainda vou tentar, mas por hora, tenho muitos outros pra conhecer.


celle 20/12/2020minha estante
Essa resenha me deu um spoiler q me deixou indignada kakaka




Victor Dantas 02/10/2020

Crime ou Crimes?
2020 definitivamente está sendo um bom ano de leituras, e, com direito a vários clássicos!

Recentemente, em setembro, tive a oportunidade de participar uma leitura conjunta de Crime Castigo (F. Dostoiévski), que por sinal é um clássico da literatura universal e da literatura russa. Sim, foi um desafio, mas que desafio lindo hein?

Uma breve sinopse:

A trama tem como protagonista o Raskólnikov, um estudante universitário que vive na antiga São Petersburgo, que na época era capital do Império Russo. Ambicioso, orgulhoso, sonhador, esses talvez seja os adjetivos que mais fazem jus a personalidade do Raskólnikov.

Como você deve imaginar pelo nome do título da obra, o enredo tem como base um crime cometido, no qual tem como autor o nosso protagonista, e o castigo que esse crime vai proporcionar ao mesmo.

Considerado “O maior thriller psicológico de todos os tempos”, Crime e Castigo retrata o a natureza humana na sua forma mais crua, tendo como pano de fundo a pobreza, a miséria, a desigualdade social que nos coloca em meio a situações caóticas, sombrias e provoca gatilhos para ações até então injustificáveis.

Considerações pessoais:

a) Escrita e narrativa

O meu maior receio com a obra antes de começar era a escrita, não só por ser de um autor russo, mas por ser um clássico, no entanto, eu fui surpreendido positivamente.
A meu ver, a escrita do Dostoiévski é acessível para qualquer leitor que já tenha tido alguma experiência com clássicos escritos em 1800/1900. O que diferencia, é a narrativa, aspecto que é o principal forte dessa obra.

Dostoiévski tem uma narrativa descritiva que pode acabar não agradando a todo mundo, mas que para mim agradou e muito.
O autor se preocupa em desenvolver o enredo conservando os detalhes mais minuciosos possíveis, seja na construção dos personagens, dos diálogos ou da ambientação.
É tudo muito bem pensado, e bem encaixado, mas, que ele vai entregando aos poucos.

Na obra, existe narrador tanto na primeira pessoa quanto na terceira, mas, o que mais prevalece é o narrador em primeira pessoa, e aqui tem um fato importante que preciso destacar.

Existe muito fluxo de pensamento dos personagens, o autor as vezes escreve 2 ou 3 páginas de pensamentos e monólogos. Confesso que isso me atrapalhou no começo, mas, com o andamento da história, eu já estava me deliciando com tais monólogos.

E, talvez esse seja o aspecto chave da obra, pois, é a partir desses fluxos de consciência e monólogos que o autor sustenta todo o desenvolvimento psicológico.

O recurso é utilizado para apresentar o personagem em sua essência ao leitor, afinal, como disse acima, o autor se preocupa com os mínimos detalhes, e para mim, isso faz total diferença numa obra. Aprofundamento. Camadas.

Aliás, o que não falta nessa obra é camadas, Dostoiévski, utiliza isso não só para conduzir o enredo, mas para inserir os conflitos e as reviravoltas que vai aparecendo ao longo da história, afinal, o livro é dividido em 6 partes.

b) Os personagens

O nosso protagonista é o Raskólnikov, um estudante universitário de direito, que carrega consigo ambições para ascender na elite russa. Se fosse para defini-lo em uma palavra, seria: complexo.

É o personagem com mais camadas na história, e que a cada página, a cada parte, vai mostrando cada uma delas para nós. Seus dilemas internos denuncia uma sociedade hierárquica, desigual e que vive de aparências.

Além dele, temos outros personagens secundários que sustentam a obra e que fazem uma diferença e tanto no enredo: Razumíkhin, Dúnia, Sônia, Katierina, Lújin, Svidrigáilov.

É um núcleo de personagem espetacular, com personalidades particulares, que proporcionam diálogos interessantes, reviravoltas e até mesmo risadas.

Cabe destacar outro aspecto importante: as condições socioeconômicas da maioria dos personagens são bem básicas. Não há nenhum personagem na história rico de fato, com altos cargos.
São pessoas da base, o povão. Gente pobre.

c) Ambientação

Império Russo: São Petersburgo, 1800. Esse é o cenário e o tempo no qual a obra se passa. Somos levados pelas ruas da antiga capital russa, que foi planejada e construída segundo os interesses do tsar Pedro, o Grande.

Uma cidade que na época foi construída sem os devidos cuidados de planejamento urbano, e que foi palco de manifestação de inúmeros problemas urbanos: desigualdade, ausência de saneamento, favelização e criminalidade.

O autor explora e utiliza esses fatos nas descrições das moradias claustrofóbicas (cortiços), onde os personagens da história vivem, nos esforços e trabalhos precários que os personagens realizam para ter o que comer, o que vestir, onde dormir.

Descreve também os pontos turísticos da cidade, avenidas, praças, e o leitor consegue visualizar os lugares facilmente pelas descrições contidas na história.
Na edição que li (Todavia), existe dois mapas de Petersburgo que serve como guia para gente durante a leitura, para acompanharmos melhor os passos dos personagens.

Enfim, é uma experiência de leitura e viagem juntas.

d) O Crime e o Castigo: Reflexões

Apesar da história ser sobre um crime específico, a obra dá abertura para outros crimes que são inseridos na história implicitamente.

Por exemplo, o crime da desigualdade social, que fere e violenta os mais vulneráveis, a base, que fica subjugada pelo sistema hierárquico que prevalece na nossa sociedade desde a antiguidade. Esse mesmo crime, que dá privilégios ao opressor e instala limites ao oprimido.
O autor faz inúmeras críticas sociais nesse sentido, mas por entrelinhas (diálogos, descrições).

Em relação ao crime que é cometido pelo nosso protagonista, apesar de ser injustificável, (pois, a vítima é um inocente), ainda assim conseguimos encontrar condicionantes externos, raízes, que estão na sociedade. Logo, para mim, existe uma possibilidade de uma crítica tridimensional sobre o crime.

E por fim, sobre o castigo que é concedido ao protagonista, o autor também dá abertura para uma discussão a respeito de dois castigos, e deixa para nós leitores o dever de identificá-los e interpretá-los.

Sobre o desfecho: precisão e coerência.

Mais que uma leitura 5 estrelas. Um favorito.
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Jow 20/07/2011

Um jogo de xadrez psicológico.
“O Homem respira regras. O problema é que quando essas regras entram em colapso na mente, este homem vê-se perdido e sozinho. Sua lógica não tem lógica, seu mundo virou um caos.” Jacques Le Goff

Eis que me deparo com a marca de mais um gênio da literatura. Dostoiéviski sabe entreter, chatear e se redimir de uma forma inigualável, para assim, nos mostrar o seu personagem mais complexo, um legítimo Freudiano pessimista, que buscou nos ares da filosofia Hegelianista explicar um mundo, que vive tentando fundar valores e moral. Mas, que vive na mais podre desilusão e ineficácia. Se temos um ótimo personagem, temos um brilhante livro: Este é “Crime e Castigo”

Ex-estudante de direito, Raskólnikov desenvolve uma teoria que divide as pessoas em dois tipos, ordinárias e extraordinárias. Ordinárias são as ovelhas do rebanho, não necessariamente os estúpidos, mas os incapazes de realizar mudanças. Extraordinários são os pastores, os que ditam os rumos e alteram as regras. Pessoas extraordinárias muitas vezes se vêem forçadas a cometer um crime para alcançar seus objetivos, e não hesitam em fazê-lo - e não se pode culpá-las: apenas quebrando as leis antigas é possível instituir as novas.

A ambição de Raskólnikov o faz julgar-se uma pessoa extraordinária, mas ele é um ex-estudante miserável que só se sustenta em São Petersburgo graças aos rublos que a mãe vez por outra lhe envia. Para voltar à faculdade e iniciar sua ascensão (social, intelectual, cultural), Raskólnikov decide matar um determinado personagem, e roubar seu dinheiro. O motivo do crime, porém, é um pouco menos direto e mais confuso: ele quer provar para si mesmo sua capacidade de infringir a lei se necessário; quer provar para si mesmo que é extraordinário. Tanto é assim que Raskólnikov deixa para trás a maior parte do dinheiro da sua vítima e sequer se preocupa em verificar quanto roubou.

Raskólnikov tem alguns traços de gênio incompreendido: lamenta sua pobreza, o estado do quarto em que habita e de suas roupas, mas parou de dar aulas e não aceita a proposta de seu amigo Razumíkhin para trabalhar numa tradução. A mistura de pobreza e ambição faz com que ele distorça a sua própria teoria: ele não é uma pessoa extraordinária quebrando uma lei para atingir seu objetivo, é uma pessoa cometendo um crime para se considerar extraordinária.

A tragédia pessoal de Raskólnikov é não fazer jus à sua própria idéia de gênio: após o assassinato ele tem febre, delira, desmaia, pensa em se matar, volta à cena do crime, desperta suspeitas na polícia e no juiz de instrução Porfiri Pietróvitch. A tragédia maior retratada pelo livro é a incapacidade de Raskólnikov de superar sua teoria, seu desgosto e seu ressentimento e perceber que cometeu um crime hediondo e mesquinho na sua simplicidade, e merecer o castigo que lhe virá.

Dostoiévski faz a parte mais difícil ao pegar um personagem estranho, misantropo, arrogante e egoísta como Raskólnikov e transformá-lo num protagonista cativante, por quem o leitor torce mesmo enquanto ele faz as maiores grosserias e prova só pensar em si mesmo. A partir daí bastava cumprir a promessa do título. Mas, assim como em “Os Irmãos Karamazov” Dostoiévski não se contenta em deixar as coisas do modo que a sociedade quer julgar. Ele é um escritor da realidade, pessimista por natureza, e que mesmo quando você espera um final sacramentando e sem reviravoltas, ele consegue te frustrar de um jeito genial, que só um mestre da literatura pode fazer.

Dostoiévski não foi iniciado na arte do “Final Feliz”, mas nesse livro, qualquer fim que não seja inegavelmente trágico é alegre.
Luh Costa 20/07/2011minha estante
Estou lendo esse livro. No início achei um pouco maçante, cansativo mas depois a história começou a fluir, me deixando curiosa. É um livro forte, tenso.
Resenha magnifica!
Você está cada vez melhor na arte de resenhar, rsrs. Meus parabéns!Continue assim.
Abraço
De sua fã.


Alan Ventura 21/07/2011minha estante
ótima resenha, tenho certeza que apesar de ser um livro denso, muitas pessoas decidiram lê-lo após verem tua resenha. Parabéns.


Gláucia 08/08/2011minha estante
Difícil resenhar esse livro, vc o fez com maestria, parabéns!


Maya 06/03/2012minha estante
Estou no início do livro,e já estou anciosa para saber qual será o final dessa trajetória instigante de Raskólnikov.


PHILOSOFODUTRA 28/08/2017minha estante
Dostoiévski, como nenhum outro escritor, é capaz de penetrar no âmago de seus personagens e revelar de maneira profunda e psicologicamente, os sentimentos humanos escondidos na alma, tais como, medo, angustia, pecado, culpa, raiva, ódio, inveja, amor, fé e esperança.
Nas Obras dele, os personagens estão ?nus e patentes? perante o narrador onisciente, e se sobrepõem à própria trama para dar lugar à análise do homem real de seu tempo.
O livro, Crime e Castigo, escrito em 1866, conta a trajetória angustiante e psicológica de um estudante marcada pelo pecado e pela culpa, mas redimido pelo amor de uma mulher, a prostituta Sônia.
Raskolnikov era um estudante universitário, pobre, intelectual, que residia num pequeno apartamento em São Petersburgo na Rússia, o qual movido por uma ideia fixa matou a machadadas uma velha usurária e sua sobrinha, sem nenhum motivo aparente.
Após o crime, inicia-se a trajetória de angústia e dor ocasionados pela culpa de seu pecado(crime) cometido, e por fim, o castigo, e a redenção na prisão na sibéria.
Dostoiévski neste romance nos apresenta também uma análise de como funciona a mentalidade revolucionária: Raskolnikov acreditava na tese segunda a qual alguns homens são extraordinários e podem perpetrar determinados delitos e crimes em nome de suas ideias. Por isso ele comete aquele crime torpe sem motivo aparente. O autor aproveita, ainda, para revelar essa maneira de pensar e agir presente em sua época, e também em todos os movimentos revolucionários da história, da revolução francesa à revolução bolivariana na Venezuela. Neste modo de pensar e agir, os crimes cometidos para a implantação dos ideais do novo mundo são sempre justificados e perdoados.
O autor, de certa forma, antecipa literariamente o que ocorreria no seu país em 1922 com a Revolução Russa ao Implantar o Comunismo. Hugo von Hofmannsthal, a respeito desse papel profético da Literatura, já dizia ?Nada está na realidade política de um país, que não esteja primeiro na sua Literatura.?
Freud não, mas Dostoiévski explica porque Dirceu, Jenuíno e Lula, assim como toda a turma dos petralhas, consideram-se até hoje, apesar das provas concretas que os condenam, presos e perseguidos políticos. Tudo o que eles fizeram não causou nenhum remorso ou culpa porque acreditam que o fizeram em nome da construção da nova ordem social, política e econômica.
Crime e Castigo é uma obra-prima da literatura universal, profunda e rica em desnudar os mecanismos psicológicos da alma humana, principalmente, o modo de agir dos tiranos e malfeitores da humanidade.




Ju 27/12/2020

Atemporal e essencial
É, sem dúvidas, o livro no topo de minha lista de preferidos. Quem já leu, vai entender os motivos. Certamente foi um que, por ignorância minha, julguei que seria apenas um clássico batido, tinha mais propaganda do que qualidade - ledo engano.
A história é sobre Ródion Raskolnikov, um ex-aluno de Direito, que por falta de dinheiro teve de abandonar os estudos. Sua mãe enviava-lhe dinheiro, mas Raskolnikov sabia que ela e sua irmã também não estavam em condições tão abundantes. Conforme seu desespero crescia, teve uma ideia - ideia criminosa, que o assombrou ao longo da trama. Ele atravessa a fome, a culpa, as próprias lembranças. Aqui, é importante destacar o trabalho sensacional do autor, Fyodor Dostoievski, que como fez em tantos de seus livros, abordou o psicológico do protagonista de forma ímpar, tratou da natureza primitiva do homem com uma sutileza incrível.
A história é bem detalhada, digna de um autor russo, o que pode ser difícil para quem não conhece ainda os trabalhos dele (sugiro começar por "Noites Brancas" antes de partir para esta leitura mais densa). De todo modo, é extremamente recomendado a todos.
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Aline. 28/01/2021

Essa é uma daquelas histórias que quando acabam, deixam um vazio inexplicável no ar...
Acompanhar a trajetória de Rodia Raskólnikov desde o momento da decisão do assassinato -com as justificativas que eram coerentes à sua visão do mundo - bem como adentrar em sua mente, e por que não dizer também no seu corpo físico (Dostoievski fez isso muito bem), gerou em mim um sentimento de compaixão por ele.
No fim se percebe que Rodia é apenas mais um jovem, com muita energia de vida, com possibilidades intelectuais de conquistar um espaço digno no mundo, mas que foi atingido pela pobreza, atacado muito novo pela depressão e isolamento social. É preciso ter muito cuidado com uma mente vazia. Raskólnikov não teve esse cuidado.
É interessante observar como o remorso faz adoecer o corpo e a mente. Mas também em como o amor pode transformar uma vida que perdeu o seu sentido inerente.
É uma história sobre decisões, consequências, aceitação e transformação.

?O amor regenerava-os, o coração de um encerrava uma fonte de vida inesgotável para o coração do outro.?
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Fábio 29/07/2011

Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. - São João 11:25

Crime e Castigo é considerada a magnum opus de Fiódor Dostoiévski, expoente romancista da literatura russa, e um dos mais inovadores de todos os tempos. Nesta obra ele explora a autodestruição, a humilhação e o assassinato, além de analisar estados patológicos que levam ao suicídio, à loucura e ao homicídio.

Raskólnikov é um monomaníaco, personagem principal do romance, tem seu nome derivado da palavra raskolnik que significa "cisma" tendo como característica a idéia fixa, a preocupação, a desconfiança. Universitário de classe baixa, a família vê no estudante a maneira de escapar da pobreza, investindo o pouco dinheiro que resta nos seus estudos, custeando sua moradia em São Petersburgo, uma vez que família mora no interior.

Não só este personagem tem nome derivado dando a característica principal de seu caráter, como vários outros, o que torna a obra mais rica, no decorrer da história Raskólnikov cria uma teoria hedionda em que alguns seres humanos não passam de parasitas insignificantes, uma vez que a morte destes não terá prejuízo a ninguém, ou melhor, será um favor alguém matar esses germes patológicos da sociedade.

Dostoiévski usa toda sua habilidade de narração que nos prende do começo ao fim, transportando o leitor para os delírios febris de Raskólnikov nas ruas de São Petersburgo. Assassinato, diligência e estratagemas da polícia, perseguição, amores arrebatadores, arrependimentos marcam esta obra perdurável.


[fabio9430@gmail.com]
Li 03/06/2012minha estante
O que percebo é que quem lê esse livro tem um quê de especial, que transborda nas palavras sobre essa tão nobre e necessária leitura, é uma prova de fogo da qual ninguém sai o mesmo.


Fábio 04/06/2012minha estante
Muito bem observado




Guilherme.Monteiro 28/07/2020

Ações e consequências, sempre andam juntas...
Não tem como não se questionar durante a leitura desse livro, a cada acontecimento gera um debate diferente e por vezes complexos que não se tem respostas definitivas, e é aí a grande genialidade dessa obra prima. Dostoiévski é fantástico em sua escrita, a narrativa é fluída e sempre trás momentos incríveis, mesmo sendo uma história bem simples que gira em torno de um crime brutal. E a grande proeza do autor é nos mergulhar em um estudo complexo de personagem e em seus dilemas morais constantes e questionadores, o que vai tornando a trama cada vez mais interessante e intrigante ao decorrer do livro, e é um estudo de personagem extraordinário, pois as situações e indagações do protagonista poderia acontecer com qualquer um, independente se for um crime ou não, a noção do certo e o errado que o autor propõe é uma grande análise das fases de tormento de um homem e sua jornada em busca de redenção, mesmo que talvez isso não seja possível.
Primeiro Dostoiévski que leio e já me apaixonei pelo autor, não é atoa que esse livro é considerado uma das principais obras literárias do mundo.
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Vieira.Lima 13/01/2021

Crime e Castigo - Recomendo
O livro, um clássico, é um livro de época. Ou seja, algumas passagens causam estranheza, mas nada que dificulte a leitura. Sobre a escrita do autor, até hoje, foi quem melhor descreveu a psique dos personagens. Todas a complexidade de pensamentos, as diferenças entre eles, e entre suas ideias e ações são descritas de maneira genial. Não à toa, um clássico. Mesmo longo, o enredo não se perde e as reviravoltas são ótimas. Indico.
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mat 17/12/2020

"Perfect Splendid"
Esse livro é um romance policial,  mas é diferente, não há um grande mistério, o Crime, que é o assassinato de duas senhoras por meio de machadadas ocorre nas primeiras 100 páginas e o assassino é o protagonisa, Rodion Raskolnikov, e o resto do romance se trata do "Castigo" pelo seu crime, que vai acontecer através do remorso e da consciência, e o que torna o livro tão incrível é a atmosfera pesada dos diálogos e acontecimentos que ocorrem após o crime, a sensação que causa é um estado febril e de sufocamento, ainda mais presente pelas descrições do forte verão de São Petersburgo e pela ambientação que é soturna,  nebulosa e angustiante.

Dostoievski é um dos grandes escritores russos, com obras que englobam principalmente as questões humanas, Crime e Castigo é seu livro mais famoso e digo: Não é tão difícil como dizem, foi meu segundo livro dele e uma ótima experiência.

Como sugestão deixo o filme "O Operário" de 2004, protagonizado pelo Christian Bale como indicação, esse filme é inspirado pelo romance e retrata a condição do personagem Trevor e ambientação parecidas com a que Dostoievski criou.
Pedro 17/12/2020minha estante
Fiquei intrigado a ler


mat 17/12/2020minha estante
Vale muito a pena, tem muita psicologia no livro




Layla 04/02/2021

Por ser considerado um dos maiores clássicos da literatura mundial, eu imaginava que era um livro de difícil leitura, para a minha surpresa, não é, pelo contrário, uma leitura bem fluída, tanto pela escrita quanto pela própria história, não conseguia mais parar de ler, mesmo se tratando de um tema denso. A história é muito envolvente, os personagens são bem construídos, você consegue sentir a tensão , a aflição e a perturbação que o personagem sente. É um livro muito bom, não tenha medo por se tratar de um grande clássico.
rodrigo 04/02/2021minha estante
Concordo!! Esse livro é muito bom!! ??


Kaiã 04/02/2021minha estante
ansioso para começar, todo dia to olhando e criando coragem haha


Natália 05/02/2021minha estante
Legal sua resenha! Me encorajou.




Snow 15/01/2021

Dostoiévski, né?
Apaixonante. Vontade de comer o livro de tão impressionante kk. Meu primeiro contato com o autor, vulgo definição de gênio.
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Taci 15/07/2013

Antes de tudo, gostaria de dizer que nunca, em toda minha vida como leitora, fui tão mentalmente sugada por um livro como o fui por Crime e Castigo. Mesmo agora, depois do término da leitura, anda me sinto mentalmente cansada por ter mergulhado tão intensamente na montanha-russa sentimental que é Raskólnikov. Fiódor Dostoiévski alcançou outro nível com Crime e Castigo. A loucura de Raskólnikov, que foi não menos do que brilhantemente narrada, eleva ainda mais a literatura russa, já consagrada por seus autores sempre sensacionais em retratar os sentimentos humanos mais reais, mais crus, mesmo que sejam personagens fictícios.

Crime e Castigo não é um livro fácil de ser lido, muito menos de uma leitura constante. Dostoiévski criou uma obra densa, visceral, que em diversos momentos parece mais um furacão. Raskólnikov por si assemelha-se mais a um trem desgovernado que às vezes freia subitamente, para recomeçar o percurso rumo a lugar nenhum ainda mais descontrolado. Duvido muito que alguém não saia de Crime e Castigo com a base de si mesmo um pouco (ou muito) abalada; que Dostoiévski não balance as estruturas do leitor seja ele quem for. Sente-se uma grande angústia não só por Ródia, como por todos aqueles personagens que, em menor ou maior grau, tem uma parte da sua alma desnudada e esmiuçada por Dostoiévski.

Mas vamos aos fatos: Rodion Românovitch Raskólnikov, o protagonista transtornado desta história, talvez por dinheiro ou talvez como uma forma de provar a si mesmo de que é um homem superior aos demais, resolve-se por matar uma velha usurária. Velha essa que, segundo o próprio Raskólnikov, não passava de um piolho e que sua morte foi mais um bem do que um crime. Entretanto, a irmã da velha aparece na hora errada, no lugar errado e acaba por presenciar o crime, o que leva Rodion a cometer o segundo assassinato: acaba por matar também a irmã da velha usurária. Esse então foi o crime. A partir de então, vem o castigo. Imposto de si, para si pelo próprio Raslkólnikov! E não pense que é por arrependimento que ele se perde num frenesi durante toda a história, mas sim pelo fato de não conseguir continuar com sua vida como se nada houvesse acontecido; de não ser um dos homens extraordinários, tal qual Napoleão Bonaparte [frequentemente citado por Raskólnikov como um homem que não se importaria com ninharias (como matar uma velha usurária) para atingir os seus objetivos].

E mesmo assim Ródia sofre, e como sofre! E nos leva a sofrer junto com ele, a se angustiar junto com ele. Nós os seguimos pelas ruas e becos e tabernas e cubículos de São Petersburgo sempre, e cada vez mais, com o coração apertado. Sem nos atrevermos a adivinhar o próximo passo, o que virá a seguir... A leitura de Crime e Castigo me durou mais de um mês, um tempo relativamente longo para um livro de pouco mais de 500 páginas, e mesmo assim me teria custado muito mais graças ao enorme esgotamento que ele me causou, não fosse a minha vontade por acabar com o sofrimento; o de Ródia e, por tabela, o meu.

O livro é permeado de diálogos não menos que sensacionais. A sequência do diálogo entre Porfiri e Ródia, durante seu primeiro encontro, no qual discutem o artigo de Raskólnikov (artigo esse no qual Ródia divide os homens em ordinários e extraordinários. Os primeiros são apenas os seguidores da ordem, não tem o viço para serem mais do que a massa mediana da população; já os segundos, são a nata, àqueles a quem a lei não importa, porque eles fazem sua própria lei, não necessitam seguir aquilo que desprezam, pois são superiores a tudo isso), é absurdo, no melhor sentido que a palavra pode empregar, é afiado como uma adaga. E uso apenas esse diálogo como um exemplo, até porque o que não falta a Crime e Castigo são essas discussões longas que tem o poder de fazer o leitor não desviar os olhos das palavras nem no virar das páginas.

Crime e Castigo é esmagador. Tem a força de uma machadada desferida por um homem que considera a si mesmo como extraordinário. E o é. Porque quanto mais conhecemos o íntimo e as lutas ferrenhas no interior de Raskólnikov não conseguimos não perceber, apesar de tudo, sua retidão, seu senso de justiça, seja ele distorcido ou não. Eu fui, estou e continuarei sendo constantemente sendo esmagada pela força de Dostoiévski, independentemente do incômodo que sua história causa, o final é extremamente significativo, sendo até muito bonito depois de todo o sofrimento sentido. É muito difícil não levar Crime e Castigo consigo depois de ter sido esmagada por Fiódor Dostoiévski.

site: http://vivalivros.blogspot.com.br/
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Rafaela 28/09/2020

Dar outra nota (se não a nota máxima) nem entrou em questão.
A nota é máxima. A recomendação também. É fácil de ler, mas também complexo. Em suma, leiam!!!

Dostoiévski fica com a gente eternamente e de formas diferentes.
Alícia 28/09/2020minha estante
super com vontade de ler esse ??


Rafaela 29/09/2020minha estante
Pois leia, Alicia! É incrível! Me fale depois o que achou!


Alícia 29/09/2020minha estante
Digo sim, Rafa!!


Rafaela 29/09/2020minha estante
:)




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