Danação

Danação Marcus Achiles




Resenhas - Danação


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Deghety 20/04/2019

Danação
Eu tenho um pé atrás com literatura contemporânea, principalmente nacional que eu acredito ser mais influenciada pelo populismo e mercado. Mas a sinopse desse livro me chamou a atenção e eu resolvi "dar uma chance", e acertei em cheio.
Que livro bom, além da fantasia envolvendo uma criatura do folclore brasileiro ( a mula sem cabeça ) ainda possui um pano de fundo histórico, envolvendo índios e negros (escravidão); o Brasil colonial do século XVIII.
Os personagens não são construídos da forma mais convencional , conforme suas ações, o autor, por meio de reflexões e/ou memórias dos mesmos, vai nos clareando as razões de serem como são.
Os diálogos entre os personagens são sempre ardilosos, especialmente entre Dom Diogo, o protagonista, e o Diabo. Até a forma como o Coisa Ruim se manifesta é sinistra.
Por várias vezes alguns trechos chegam a arrepiar quando são confrontadas atitudes que envolvam as angústias, a honra e as fraquezas dos homens, expondo o mal da raça.
Dom Diogo e Catarina, os dois principais personagens da história, têm suas almas perturbadas e sombrias, deformadas pelo pecado; e a forma como são descritos acaba acentuando ainda mais fragilidade do ser humano. Dois outros personagens dignos de destaque são os escravos de Diogo, João e seu filhinho Inácio, que vivem à sombra de dilemas , em especial referente ao protagonista, paralelando servidão e fidelidade e gratidão e mágoa.
Marcus Achiles me surpreendeu com uma história fantástica e atraente, um livro que te chama e te aprisiona a cada capítulo.
Recomendo .
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marcos 07/02/2019

Meu livro preferido em 2018
Minha leitura de Danação foi voraz: eu estava de férias em Minas Gerais (na cidade do meu pai, Prados, fundada por volta de 1704, quando dois irmãos bandeirantes, Manoel e Félix Mendes do Prado, chegaram à cidade com uma comitiva de Taubaté). Então, foi uma verdadeira viagem a leitura da obra. Como gosto da época colonial, o livro me transportou para 1734. Uma grande obra, com todo o direito de ser chamada de fantástica!
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Anderson 01/03/2018

MELHOR QUE STEPHEN KING!
Eu há vários meses estava procurando um romance de suspense terror que me prendesse atenção e não tinha achado nada de interessante...até conhecer essa obra-prima. terror, fantástico, folclores brasileiro e o melhor, muitos aspectos históricos do Brasil colonial do séc. XVIII. vamos dar valor aos autores brasileiros, muitas vezes são melhores que esse medalhões gringos. O ruim sabe o que é? O autor só escreveu esse livro :(
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Bruno 17/11/2015

HISTÓRIA E FANTASIA EM SOLO BRASILEIRO!
Muito bem redigido e fluido, "Danação" superou em muito minhas expectativas.

Sua narrativa se passa no Brasil Colônia, mais precisamente em Taubaté, no ano de 1734.

Os protagonistas, Catarina e Diogo Durão de Meneses, guardam cada qual uma maldição e o enredo se desenvolve tendo como norte o inevitável confronto entre esta dupla e a explicação para as origens dos seus respectivos fardos.

O detalhismo de Marcus Achiles apegado à sua capacidade magistral de mesclar história real e ficção surpreendem.

A influência política e religiosa, o cotidiano da sociedade da época, o jogo de interesses, o preconceito, bem como papel de cada peça neste tabuleiro servem de plano de fundo para o autor abusar das crenças populares e criar uma trama que prende o leitor até a última página do livro, sedento pelo seu desfecho.

A relação senhor-escravo também é digna de nota: não raro espanto, indignação e frustração extrapolam as rédeas do papel. Cenário que em muito explica o surgimento da triste segregação "velada" que vivemos nos dias atuais.

Recomendado! Prestigiem a literatura nacional.
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Cia do Leitor 03/03/2014

Danação - Um romance fantástico
“Um homem em conflito com o seu próprio demônio.”

Fui arremessada para o passado, exatamente o ano de 1734, época do Brasil colonial, da coroa real, escravidão, descoberta de um país rico por sua natureza, suas pedras e seus habitantes. Fiquei encantada com a tamanha qualidade da obra, a perfeição e capricho nos detalhes da época, o sotaque, os costumes, as diferenças sociais gritantes e a crueldade descomunal entre brancos, negros e índios.

O autor pareceu-me mais um historiador, capaz de nos transportar ao período de nossos antepassados e nos convencer que esse livro, faz parte do arquivo histórico da cidade de Taubaté, que tudo nele aconteceu realmente.

E foi com essa convicção e nesse clima austero que conheci Diogo Durão de Meneses, um senhor de Engenho, vivendo seu próprio inferno após desgraçadamente fazer um pacto com o Diabo. Uma sucessão de acontecimentos “horrendos” seguiu-se a partir do consumado pacto. Diogo era agora um amaldiçoado, todos que cruzavam seu caminho sentiam o peso de sua maldição e alguns, médiuns ou feiticeiros, podiam sentir a presença e ver um ser indesejado e assustador, que Diogo o nomeou de Criança de Dentes pretos. Por onde fosse, a criança sempre estaria com ele.

Diogo perambulou por quatro anos para fugir de sua consciência, tendo em sua forçada companhia, seus escravos João e o filho Inácio, em uma missão da qual nem mesmo ele saberia explicar. Seguia apenas seu extinto e vagavam por todas as terras em busca de... Saberás ao ler.

“Diogo vagava, sentindo-se indigno de permanecer entre os vivos e ao mesmo tempo amaldiçoando-se por não estar ainda morto.” - Pág. 27

Em sua jornada repleta de perigos, os três forasteiros vão parar na cidade de Taubaté, uma terra desolada e habitada por um povo pobre de finanças e valores. Tirando as crianças e animais, podemos contar meia dúzia de boas almas. O descaso, a barbárie, promiscuidade, cobiça, fazia morada na pequena vila e pra completar, o povo vivia um verdadeiro pandemônio. Seis mortes misteriosas, seis cadáveres carbonizados, sem vestígios de seus agressores, sem explicação para o mal acometido todas as madrugadas de sexta-feira.

Diogo resolve pernoitar por alguns dias na cidade que todos querem fugir. Sua presença ali tem um propósito do qual ele mesmo desconhece, mas, sua curiosidade pela natureza de tantas mortes o faz enfrentar mais um inimigo que o espreita e cobiça por sua morte.

“Um pacto quebrado, uma maldição lançada. Um desafio, viver sem fraquejar, seguir em frente sem fé e alternativas.”

Um amaldiçoado pode salvar uma cidade igualmente amaldiçoada?

Impressões:

Eu diria pra você, caro leitor, que após ler esta obra fiquei sem palavras. Sim, fiquei estarrecida, entusiasmada, boquiaberta e não encontrava as tais palavraa pra falar do livro, até sentar-me diante do computador, onde desembestei a digitar. Mas, somente uma palavra irá resumir o livro: FANTÁSTICO. (em todos os sentidos da palavra)

Fantástico pela história, pelo enredo, pelos personagens bem construídos e contagiantes, pela capa, linda capa, pelo capricho, pelo desenrolar, pelo sangue que circula em nossas veias e se faz presente em cada página, pelo resgate da época, por M motivos.

Um livro repleto de antagonistas, de arrancar os cabelos, no entanto, há bons samaritanos em meio de alguns milhares de almas perdidas, você irá se surpreender ao descobrir cada uma delas. Pude fazer comparações com Sodoma, Taubaté era uma terra de ninguém, entregue as mãos dos tiranos e soberbos, clamando por ajuda e chorando suas perdas. Não muito diferente dos dias de hoje, onde em algumas terras vivemos a violência nas ruas e nos lares. A pedofilia e a crueldade com o próximo já existia desde outrora, como mencionado no livro.

O inicio do livro até achamos que será um pouco arrastado, mas, você se engana quando o “bicho”pega. ^_^

O autor foi aos poucos forjando o caráter de nosso protagonista, Diogo apresenta com o passar do tempo mudanças de comportamento. Sua convivência com seus escravos torna-se respeitosa, passa a existir uma cumplicidade e afinidade sem que eles percebam. O resultado é brilhante, vibrei com isso.

Com uma linguagem típica interiorana da época, o vocabulário rico, me fez procurar o meu bom e velho amigo, Sr. Dicionário, para me inteirar e aprender com palavras da época. Adorei fazer o uso dele, confesso, desconhecia existência de algumas palavras e valeu cada consulta, foi um aprendizado.

O melhor disso tudo foi à inclusão do nosso folclore, um mito foi desenterrado e nos é apresentado da melhor forma possível, diante de toda a criatividade do autor. Eu delirei!

O Livro vai ficando eletrizante, com o passar dos capítulos e o seu desfecho é fantástico! Merecedor de uma continuação... Bem, tudo indica que teremos uma. (Saltitante de felicidade)

Os malditos errinhos de revisão, sim tiveram alguns, me incomodaram um pouco, porque a qualidade dessa obra merece um livro sem falhas, sem erros pra torná-lo único, uma relíquia para os leitores apreciadores de romance histórico, principalmente do nosso Brasil. Perdoados? Claro! Na próxima edição, por favor, revisem com mais zelo.

Está mais que indicado, super-indicado.

site: http://ciadoleitor.blogspot.com.br/2014/03/resenha-danacao-de-marcus-achiles.html
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Thyeri 04/09/2013

Há 4 anos Diogo está andando pelas cercanias paulistas acompanhado de seu escravo João, o filho do negro, Inácio, e a criança dos dentes pretos, uma figura que assombra Diogo desde o dia em que ele fez um pacto com o Diabo.

Diogo é neto de um grande senhor de engenho, estudou para seguir os passos do avô, mas seu conhecimento não estava sendo o suficiente para salvar a propriedade do avô da falência. Andando pela cidade, Diogo encontra Ailã, um mendigo que todos os cidadão apontam como alguém perigoso, que mexe com o obscuro. Ele ensina o jovem rapaz à como encontrar o Diabo para poder solucionar seus problemas. Desde o fatídico encontro de Diogo com o tinhoso, ele resolve abandonar tudo e seguir perambulando.

Em seu caminho, sempre seguido pela criança de dentes pretos (ele nunca teve coragem de olhar a criatura nos olhos), Diogo se depara com as coisas que haviam naquele Brasil de 1700: índios de diferentes tipos (muitos sendo catequizados), jagunços, capitães do mato, políticos corruptos, escravos, mula sem cabeça. Sim, você não entendeu errado, uma mula sem cabeça. Esta se torna a maior missão de Diogo nesses 4 anos de andanças.

Ele encontra, na vila de Taubaté, pessoas tão danadas quanto ele. E a maior delas está infligindo pânico à população da vila, pois a cada sexta-feira de madrugada a mula sai pela mata fazendo suas vítimas.

Achei a história de Danação muito interessante por usar de nosso folclore e tratar de temáticas como o preconceito e questões mais existenciais como as virtudes humanas retratadas nos pecados praticados por certas figuras que Diogo encontra pelo caminho. O desenvolvimento da relação que Diogo têm com seus escravos foram pontos do livro que gostei bastante, pois a partir do que eles vão passando, o tipo de tratamento foi mudando com o tempo, e a forma com que o autor fez isso me agradou muito. E não poderia deixar de comentar sobre a relação entre Diogo e a criança de dentes pretos. Eram as passagens que as folhas voavam na minha mão, pois eram muito interessantes. O diálogo entre os dois, as alfinetadas que o Diabo dava em relação às ações do jovem... Bem, gostei.

A única ressalva que faço é sobre a fala dos personagens, já que o autor utiliza a linguagem da época. O problema que vi com isso foi só porque a leitura acabou demorando um pouco mais, por não estar acostumado com tal linguagem. Mas não posso negar que ela dá um ar mais original para a obra, por aproximar mais à época que está sendo retratada.

Uma leitura diferente, para quem quiser conhecer mais dos costumes da época e um pouco de nosso folclore. E de como um homem, cuja alma a criança de dentes pretos está atrás, vê a vida e se relaciona com ela.

site: www.restaurantedamente.com
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Saleitura 28/06/2013

Sabe aqueles livros que quando você termina de ler, a leitura é tão intensa que você precisa de um tempo para assimilar tudo o que leu, e fica com gosto de quero mais, esperando que a obra tenha continuação. Pois bem, Danação é assim.

O primeiro aspecto que devo salientar é a excelente reconstituição histórica do período, o autor consegue fazer com que o leitor se sinta inserido na sociedade colonial brasileira do século XVIII. Percebemos o seu cuidado em detalhes como alimentação, vestuário, expressões e talvez o mais importante, a mentalidade vigente e os conflitos da época.

O segundo aspecto é sobre a trama em si, os personagens são bem construídos e bem trabalhados ao longo da história, protagonistas, antagonistas e personagens auxiliares. As motivações são bem explicadas, e os desfechos para o desenrolar da trama são gratificantes. O personagem principal é um perfeito exemplo. Diogo Durão de Menezes, um senhor de escravos que vaga pelo sertão, acompanhado de dois escravos, pai e filho, João e Inácio, em uma cruzada pessoal em busca de redenção por um crime do passado. Um personagem que produz no leitor uma gama de emoções, em um momento você o odeia, no outro você passa a torcer por ele e desejar o melhor para a sua empreitada.

E esta, o leva a cidade de Taubaté, que está sendo assolada por mortes misteriosas, causadas por um ente sobrenatural, e o caminho de Diogo é drasticamente modificado pelo embate.

O folclore brasileiro é abordado de um prisma não tanto usual, que me agradou em cheio, depois de ler Danação, o termo “histórias para assustar as criancinhas” tem um novo significado.

O estilo da escrita de Marcus Achilles é excelente, e o clima do livro, remeteu-me a outra saga que sou fã, a Torre Negra de Stephen King, apesar da trama dos livros serem completamente diferentes.

Outro ponto que tenho que destacar é o teor pesado da trama, temas polêmicos são abordados, violência tanto física como sexual, com adultos e menores, e outros de aspectos religiosos, inclusive com questionamentos, que poderão causar um mal-estar a leitores mais sensíveis. Mas destaco que os temas polêmicos não são utilizados de forma gratuita e estão bem inseridos na trama.

O único porém do livro é o tamanho da fonte utilizada e o espaçamento, muito pequeno, ficamos com a impressão de que o livro seria muito maior, mas teve que se encaixar nas 409 páginas por questões que nos são alheias. Com um outro tipo de fonte e espaçamento ultrapassaria facilmente 800 páginas.

Concluindo, o final do livro é espetacular, e deixa o leitor com aquela sensação boa de justiça. Além de um final que insinua uma possível continuação.
Torço muito que isto aconteça, tanto pelo autor quanto pela história.

Leitura e resenha por Marcelo Daltro

Postado no Blog Saleta de Leitura


site: http://saletadeleitura.blogspot.com.br/2013/06/resenha-do-livro-danacao-um-romance.html
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Marcelo 22/02/2013

UMA VISÃO ASSUSTADORA DO NOSSO FOLCLORE
Sempre gostei de romances históricos, principalmente os passados no Brasil-Colônia.

O que mais me chamou a atenção em DANAÇÃO foi a fidelidade ao linguajar, a crueza e os relacionamentos complexos que se justificavam pela cultura da época. A abordagem voltada para o folclore brasileiro foi sem dúvida o mais interessante na trama.

Com uma prosa excelente, o autor me fez realmente acreditar que tudo aquilo possivelmente aconteceu. E confesso, fiquei bem incomodado com a caracterização do antagonista (a criança dos dentes pretos). É assustador como esse personagem é mostrado na trama e realmente cumpre a sua função de nos deixar apreensivos quanto ao destino dos protagonistas.

Depois de DANAÇÃO fui a caça de outros livros que tratem o nosso folclore de forma adulta e com o devido respeito. Naõ achei muitos, mas me animei bastante ao descobrir que um filão se abre para a literatura nacional de fantasia, com abordagens, temas e ambientes que nos são familiares.

DANAÇÃO é um excelente livro. Espero que o autor continue a explorar aquele universo extraordinário que criou.
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Matos 05/02/2013

Um romance da nação.
Um romance desenvolvido no período do Brasil colônia, Danação de Marcus Achiles tem uma história intrigante mesclando preconceitos, religião, crimes sexuais e o folclore brasileiro. O livro lançado pela editora Baraúna nos convida a mergulhar na história do paulista dom Diogo, uma personagem que renegou sua religião em troca de ouro, na tentativa de reverter à ingrata visita da falência em suas terras. O preço teve um alto custo, sua alma que a partir deste trato amargava uma grande perda, seu filho. Na fuga de suas lembranças embrenha na mata aparentemente sem rumo, com dois de seus escravos um homem e uma criança. Um conflito com índios em seu percurso rumo à vila de Taubaté o deixou na beira da morte. João seu escravo o salvou, em nome da gratidão por ter protegido Inácio seu filho da morte que os cercavam, quando poderia deixa-lo morrer e fugir na procura dum quilombo em busca sua liberdade. A partir daí inicia-se uma transformação no relacionamento dono/escravo, mas sempre deixando bem claro a posição que cada ocupava. O “justiceiro” chegando a Taubaté depara com o resultado de um pecado, o amor proibido entre um padre e uma viúva, que gerou mortes misteriosas toda madrugada de sexta feira, da qual as autoridades locais culpavam os índios e os caçavam nas matas. Os inocentes pagavam com as suas vidas, por crimes cometidos por um ser que desafiava o imaginário de qualquer homem sensato. Diante de tais acontecimentos, Diogo descobriria a missão que fora incumbido de realizar em Taubaté. Acompanhado também pelo diabo, personificado como uma “criança de dentes pretos”, que deliciava com as matanças, injustiças, travava com paulista questionamentos sobre a bondade do Senhor, em que o apontava como grande “carrasco da humanidade”, alegando ser apenas o “coletor” das almas ambiciosas. Nesta narrativa percebemos realmente a batalha interna entre o “bem e o mal” da personagem principal e que se estende para os ambientes em que decorre o romance, questionando a fé e a razão. Outro ponto muito interessante é o resgate da cultura brasileira que o autor retrata, mesclando fantasia com sentimentos e pecados verdadeiramente humanos. As injustiças cometidas e a brutalidade nas ricas descrições das mortes provocam uma indignação no leitor que é saciado com a “justiça”, já encaminhando para o final de uma história ricamente costurada no mais autêntico tecido nacional.

http://dmatosdemaria.blogspot.com.br/
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Rafael 24/12/2012

Realmente fantástico
Mais uma excelente leitura finalizada. Dessa vez foi um livro chamado "Danação - Um Romance Fantástico"do Autor Marcus Achiles.

A história se passa no século 18 na região de Taubaté. Um Senhor de Engenho chamado Diogo Durão de Meneses é o personagem principal do livro. Infelizmente ele toma determinadas decisões que o levam a percorrer um caminho tenebroso e cheio de aventuras. Diogo conta com o apoio de 2 escravos que o ajudam muito no decorrer da saga. O que mais me surpreendeu foi a riqueza de detalhes que o autor utiliza para descrever todo o enredo. Quase me levou a acreditar que ele viveu nessa época.

O livro conseguiu me prender do início ao fim pois existem muitas situações de tensão no decorrer do livro. Resumindo, o livro aborda muito da nossa cultura do período Brasil colônia e muito do nosso folclore. Considero um resgate à nossa cultura em um momento em que nos habituamos a ler sobre dragões, elfos e períodos medievais.
Recomendo à todos e até a próxima leitura.
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26/07/2012

Desde a escola, eu não era muito fã de história nacional. Eu adorava, claro, saber mais sobre a história de outros países, mas sempre torcia o nariz para a nossa história. Por outro lado, sempre gostei do nosso folclore, histórias sobre Saci, Mula Sem Cabeça, Iara, Curupira... tinha livros infantis e, até hoje, tenho um chamado "Um Saci no Meu Quintal", que reúne diferentes estórias sobre esses seres tão conhecidos pelo povo brasileiro.
Unindo essas duas características, Danação retrata o Brasil colônia de tal forma que foi impossível não ficar fascinada. As descrições são riquíssimas e muito precisas e me transportaram até os cenários de seus 57 capítulos. Além desses detalhes, a escolha de enredo também foi inesperada e muito bem trabalhada. Uma peça do folclore brasileiro assombrará a comarca de Taubaté, da capitania de Itanhaém, levando todos os seus moradores a questionar a eficiência da guarda e de seus vereadores.
Paralelo a isso, acompanhamos a viagem de Dom Diogo Durão de Meneses e seus dois escravos, João e Inácio, pelas capitanias e os caminhos sinuosos enfrentados há quatro anos. Fugindo de um terrível passado e tendo seus passos acompanhados de perto por ninguém menos que o Diabo, Diogo há muito deseja a própria morte, algo não muito fácil de obter.
Enquanto nas manhãs de sexta-feira, corpos são descobertos carbonizados nos arredores de Taubaté, a população recorre à Igreja e às palavras do vigário para procurar algum tipo de consolo acerca do que ameaça a todos, sem distinção de raça, classe social, sexo ou idade. A principal suspeita é da ação de índios que ainda ocupam alguns trechos da terra já colonizada e, com exceção daqueles já catequizados, ainda resistem ao domínio dos homens brancos e da imposição da religião católica sobre suas crenças.
Somos guiados pelo dia a dia de uma civilização que está apenas começando em terras novas, o regime escravista ainda é forte e os engenhos de açúcar acabaram de perder sua prosperidade. As condições de higiene, precárias, e as moradas sem nenhuma infraestrutura assusta no começo, mas depois somos capazes de imaginar e pensar no quanto a vida era difícil naqueles tempos, sem tantos avanços com os quais vivemos hoje em dia.
Uma verdadeira aula de história, com a diferença de ser muito mais interessante e emocionante do que aquelas que tive na escola e, claro, adquirindo um tom sobrenatural que eu adoro! Desde o princípio, sabemos que Diogo possui uma maldição, mas ele não é o único a sofrer com a própria danação. Conforme ele for se aproximando de seu destino final, Taubaté, vamos descobrindo quem poderá estar à sua altura, ou até pior, para um confronto entre homens malditos.
Testemunhamos a ignorância de um povo, precariamente letrado através de ensinamentos filtrados pela Igreja, vivendo em terras desconhecidas, tentando sobreviver perante as rígidas regras da Coroa que, determinando impostos, pouco resta aos próprios moradores. Na época, o ouro e as pedras preciosas estavam alcançando seu auge em exploração e muitos escravos ajudavam na renda de seus patrões, como escravos de ganho. Alguns conseguiam alforria, outros estavam fugindo para os quilombos.
Embora poucos índios restassem, qualquer tipo de maldição lhes era atribuída e os confrontos, cada vez mais sangrentos. As milícias contra o Rei também surgiam, reunindo-se secretamente; algumas, inclusive, formadas por jovens letrados no exterior que retornavam à colônia, para o seio de suas famílias.
A história de diversos personagens se ligam e em uma bem entremeada história, onde se percebe que o autor fez sua lição de casa, a leitura destaca-se e garante os olhares atentos do leitor até sua última página.


Leia o post original em: http://onlythestrong-survive.blogspot.com.br/2012/07/resenha-danacao-marcus-achiles.html
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Priscilla 13/07/2012

Esse ano certamente será de literatura nacional. Um ano que descobri ótimos autores do nosso país. Entre eles está o Marcus Achiles, autor de Danação.

Devorei as páginas de Danação. A história, de suspense, meu gênero favorito, tem o poder de lhe transportar para um Brasil colonial, onde os detalhes do dia-a-dia dos escravos, donos de fazenda e comerciantes são riquíssimos. Detalhes que sozinhos parecem sem sentido, mas com a história e narrativa do Marcus, torna tudo mais interessante.

O protagonista de Danação é Diogo. O conhecemos como um andarilho, viajando sem rumo pelo sertão acompanhado de seu escravo João e o filho deste, Inácio. Há outro membro dessa tropa, mas ele só é visível para Diogo.

A criança de dentes pretos. Ou, se você preferir, o Diabo.

Ele é o motivo da peregrinação de Diogo. Acontece que em um momento de desespero, vendo sua família indo à falência, ele procura fazer um pacto para receber uma das maiores minas das Geraes. Só que, além da alma, Diogo acaba perdendo algo que considera mais importante: seu filho. Considerando a mina suja com o sangue de seu filho, Tiago, ele decide não usufruí-la e o Diabo o segue para lhe lembrar que embora ele escolheu descartar a sua parte do pacto, ele não descartou a dele.

As partes em que a criança dos dentes pretos está presente são as melhores do livro. Como as pessoas reagem quando ela está por perto, podendo vê-la ou não, dá aquele ar de suspense que me agrada bastante.

Diogo durante a sua caminhada, recebe um sinal que considera de Tiago, que o leva a Taubaté. A vila no momento está sendo evitada. Durante cinco semanas, corpos foram encontrados carbonizados toda sexta-feira. Diogo acaba tendo que enfrentar o autor dos assassinatos, que não são os bugres como pensam todos na vila, mas alguém tão amaldiçoado como ele.

Fogo. Sexta-feira. Se você conhecer o nosso folclore, sabe de quem estou falando.

O que eu gostei no livro, o que me prendeu e me transformou em uma fã é que os assassinatos de Taubaté não são totalmente o foco da história. Tudo é interessante. Diogo com sua sina, a vida do seu escravo João, os costumes, crendices e é claro, a presença do nosso folclore.

A notícia que esse não será o único livro – veja na entrevista – me deixou ainda mais feliz.

Se você sempre pensou que o nosso folclore daria um ótimo livro de suspense, esse livro é Danação. Mais um exemplo de ótima literatura nacional.
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Thiago Tavares 21/06/2012

O folclore brasileiro nas páginas de um livro
No Brasil colonial, período do auge da crendice folclórica e no qual nosso país não passava de uma extensão maltratada de Portugal, é que esta obra se desdobra. A iniciar por um prólogo já tomado de boa dose de ação, os leitores são convidados a conhecer as páginas que relatam anos sombrios onde superstição e realidade misturavam-se com extrema facilidade. É através de Catarina, mulher viúva ainda detentora dos resquícios de uma beleza desgastada na dura tarefa de administrar sua humilde roça, ao lado de Rosário, sua única escrava, que Achiles nos concede o primeiro contato de sua ficção. Aparentemente uma existência feminina comum, mas que guarda um grande segredo consigo. Algo que se mantém oculto, sob uma espécie de hibernação, durante os sofridos dias da semana, mas que se inflama e se mostra com toda sua força fulgente nas madrugadas de sextas-feiras.

Corpos tisnados pelo fruto de uma união condenada são encontrados a cada nova manhã de sábado, gerando o caos e o medo nos habitantes de Taubaté que desconhecem o rosto do responsável direto por tamanha atrocidade. Um mistério que Gregório – altivo e experiente mestre de campo – necessita solucionar para alcançar uma almejada promoção e evitar a instalação do pandemônio na vila. Seus suspeitos pelos assassinatos são os bugres – em sua teoria, selvagens em protesto pela invasão dos lusitanos às suas terras – todavia, mesmo após perseguidos e sob severo suplício, nenhum índio sequer assume a autoria dos crimes que aterroriza a vila. Diante da dificuldade para solucionar o caso o militar se depara com sua autoridade e competência contestadas pela Casa de Câmara e pelo próprio povo que, como ratos acuados, desaparecem das ruas após o toque de recolher. Uma gente assustada que ignora a punição Divina lançada sobre um padre – atormentado pelo remorso – e sua concubina, castigada com uma terrível maldição. A perturbadora realidade, no entanto, é descoberta pelo forasteiro Diogo Durão de Meneses, o protagonista da trama, que acompanhado de dois escravos – João e Inácio – chega a Taubaté acreditando haver sido orientado até o local pelo espírito de Tiago, seu filho, morto acidentalmente pelas suas próprias mãos há quatro anos. Lembranças dolorosas que o envolvem em um misto de amargor e arrependimentos pela sinistra escolha que lhe acarretou não somente a separação da única prole, mas também da alma. Um pacto que jamais deveria haver firmado e que o torna uma criatura tão amaldiçoada quanto a que está destinado a encontrar nas imediações da vila de Taubaté.

É no mar deste embate entre duas almas em danação que todo o enredo termina por desaguar. São 57 capítulos que, divididos de maneira sucinta, foram cuidadosamente lapidados pelo autor que se preocupou com detalhes minuciosos, concedendo-nos a oportunidade de mergulhar em tradições, hábitos, crenças e diálogos recheados de um linguajar típico de uma época antiga. Uma obra sagazmente montada ora apresentando detalhes sobre uma personagem, ora sobre outra, permitindo uma leitura onde os pormenores da vida de cada um deles seja revelado sem que as informações se tornem um fardo para o leitor.

Julgo ainda importante mencionar que Danação é um romance de cunho fantástico que nos remete a reflexão através dos diversos trechos nos quais evidencia-se a facilidade do homem de ser corrompido seja pelo poder, riqueza ou mesmo pelos prazeres da carne. Um jovem padre atormentado pela luxúria, escravos e senhor notadamente a estreitar laços de amizade e o próprio Diabo a acompanhar Diogo (protagonista) transvestido da imagem da criatura que o jovem mais amou na vida, são alguns dos elementos que fazem deste livro uma ótima recomendação de leitura.

Vale ressaltar por fim que Danação é o primeiro volume de um projeto onde o autor pretende conduzir Diogo numa jornada pelo interior de uma colônia repleta de criaturas folclóricas. Uma informação que deixou-me com grande expectativa e que certamente deixará aqueles que, assim como eu, se atreveram a conhecer as páginas deste primeiro romance de Marcus Achiles.
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