Maus

Maus Art Spiegelman




Resenhas - Maus


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Adriana F. 30/08/2010

Ratos por todos os lados
A História, todos já conhecemos. Quantos livros e filmes já foram feitos sobre o Holocausto? Quantos documentários sobre a Segunda Guerra Mundial já foram vistos, discutidos, aclamados? De fato, o tema não é novidade.

Mas de todas as releituras que já tive a oportunidade de conhecer, nenhuma é tão intensa, tão profunda, tão triste e tão dolorosa quanto Maus. Ler o relato de um filho sobre a vida miseravelmente sofrida de seu pai e ainda assim não usar eufemismos para esconder seus defeitos foi de uma sensibilidade extraordinária, a despeito de, a princípio, parecer frieza. Impossível ler sem chorar, mesmo que sem derramar lágrimas.

Vladek é um judeu polonês com um talento formidável para os negócios. Graças a essa característica (que muitos consideram inerente aos judeus), sua passagem pelos campos de concentração foi menos torturante que de muitos. A fome que passou foi levemente mais amena. As surras que levou foram levemente menos brutais. E suas esperança e determinação de sair vivo de Auschwitz eram absurdamente maiores que de qualquer outro.

Além de cuidar de si mesmo tentando sobreviver dia após dia, Vladek tentava cuidar da sobrevivência de sua esposa Anja, também presa nos campos. E também cuidava de outros parentes, amigos ou apenas conhecidos menos fortes, adoentados, desafortunados, desamparados. Caridade? Talvez. Oportunidade de fazer negócios num futuro ainda que sombrio? Certamente.

Art Spiegelman narra como seu pai sobreviveu à Guerra e ainda conta como o velho judeu continuou sendo uma pessoa mesquinha, sovina, oportunista e racista. Sim, como disse no começo, o autor não usa eufemismos e nem santifica seu pobre pai. Ainda assim, era um senhor carente, atormentado, precavido, amoroso.

A grande sacada de Maus está, no meu ponto de vista, no fato de que todos são ratos. Todos são vilões, todos são vítimas. Nazistas, judeus, poloneses que só queriam que aquilo terminasse, todos eram ratos acuados, desesperados pela sobrevivência, apegados em migalhas de esperança. Enquanto o maior de todos eles estava a salvo dos mísseis, em perigo ante seus próprios fantasmas.

Terminada a Guerra, resta a pergunta: o Holocausto também terminou? Judeus que sofreram atrocidades por conta da raça são racistas, alemães que viram a queda de sua nação ainda se consideram superiores, americanos que foram tidos como os heróis da liberdade são os maiores escravocratas dos tempos atuais. Judeus, negros, homossexuais, deficientes físicos e mentais e toda e qualquer diferença AINDA HOJE são perseguidos, julgados, condenados, mandados para os fornos.

Vivemos o holocausto diariamente e não nos damos conta. Acho que isso fica muito visível no relato do autor, pois se nem os judeus, como protagonistas de sua própria desgraça desde os primórdios, aprenderam a ser mais generosos, mais humanos e menos separatistas, que dirá daqueles que assistiram tudo do sofá de suas casas?

Sendo assim, passado e presente fundem-se neste livro que sangra história.

Erika 23/11/2009minha estante
Uau! Que resenha fantástica! Cheia de verdade e significado.

Parabéns!


Júlia 25/11/2009minha estante
Vi este link da comu do skoob e adorei sua resenha! Ta aí não pensava em ler este livro justamente por ter cansado do tema holocausto. Mas a sua resenha me deixou curiosa para lê-lo! Parabéns.


Mad Jr 13/12/2009minha estante
Bem, eu disse que leria uma resenha sua pra tomar coragem e postar minhas resenhas. Foi ao contrário: sua resenha está perfeita... eu não teria cabeça pra resenhar nada parecido. Está fantasticamente bem escrito... parabéns!!!


Leka Moraes 08/01/2010minha estante
Essa é uma das resenhas mais bem escritas sobre Maus, definitivamente.


DaniBC 13/02/2010minha estante
Parabéns pela resenha. Sem sombra de dúvida é a melhor resenha sobre Maus. Achei fantástica a forma com que você descreveu o holocausto do dia-a-dia.


SasoriGui 24/08/2011minha estante
Boa resenha , mas o final achei muito apelativo e vago.


Maya 06/03/2012minha estante
Como eu chorei ao ler esse livro...


Vilmar 14/11/2012minha estante
Só eu achei engraçado ela estar usando a foto de um gato no perfil e fazendo uma resenha de maus?


FireboltVioleta 03/02/2015minha estante
Lembro de ter chorado horrores assim que terminei de ler. Nenhuma obra sobre o Holocausto vai mexer tanto com o leitor quanto Maus.


João 19/11/2016minha estante
Sangra história. Que delícia de expressão.




Ana Luiza Silva 06/07/2013

Maus - blog InsôniaNerd
Minha professora de Literatura o recomendou com o aviso de que se esperávamos uma história em quadrinhos fofa e cheia de alegria, nos decepcionaríamos com esta. Eu, como fanática por História e com certa fascinação pela Segunda Guerra Mundial, tinha que tirar a prova. Ela não poderia estar mais correta.

Maus é uma reunião de histórias da época da Segunda Guerra sob o ponto de vista de Vladek Spiegelman - pai do autor do livro, Art –, que conta de forma seca seu cotidiano durante o período; as fugas, as vezes em que passou fome com a família, os esconderijos, os subornos, e as prisões. Cada vez que Art visitava o pai, havia mais material para o livro, mais relatos e impressões sobre diferentes aspectos da guerra. E misturado às conversas, ainda conhecemos a relação entre pai e filho, onde, a cada nova visita, há algum tipo de discussão a respeito do comportamento de Vladek, doente e ranzinza na maior parte do tempo.

A mãe de Art, Anja, está presente em todos os momentos dessa história; a conhecemos antes, durante e depois da guerra, frágil, debilitada e nunca completamente recuperada. Assim como todos os sobreviventes desse conflito. Ela suicidou-se em 1968, quando Art tinha 20 anos e voltava da casa da namorada. Há no livro um trecho de sua revista, chamada “Prisoner on the Hell Planet - A Case History” (Prisioneiro no Planeta Inferno – História de um caso), que mostra essa parte de sua vida com traços melancólicos, sombrios. Mesmo morta há muito tempo, Vladek fala dela com cuidado, tentando não remexer muito nas lembranças daqueles dias horríveis da guerra, e, ainda sim, a endeusa, de certa forma. Suas palavras são carregadas de nostalgia e saudade da esposa.

Acho que não se encontram por aí nos dias de hoje “escritores-desenhistas” tão geniais quanto Art Spiegelman: o cara transformou os personagens do livro, da História, em animais! Judeus são ratos; alemães, gatos; poloneses, porcos; americanos, cachorros. Tudo isso personificando o papel de cada um na guerra. E quando um personagem judeu se disfarça de polonês, por exemplo, vemos o rato com uma máscara de porco. Genial!

O autor explicou a escolha para cada grupo;
Ratos – Judeus: eram vistos como “presas” pelos nazistas. A escolha também simbolizou a incapacidade dos alemães de dizimarem a “raça” por causa da enorme população na época..
Porcos – Poloneses: depois de críticas, Spiegelman explicou que a escolha teve base na “boa reputação” que os porcos têm com os americanos, graças aos programas de TV tradicionais (Miss Piggy, Pork Pig).
Gatos – Alemães: Conhecidos inimigos dos ratos. Temos a impressão de que, em relação ao rato, o gato pode parecer superior, mais inteligente e esperto. Essa era a visão que os nazistas tinham de si mesmos; raça superior e dominante sobre a mais fraca (judeus).
Sapos – Franceses: o autor queria dar um ar de sofisticação aos franceses, e em uma conversa com sua esposa nos quadrinhos – que, convertida, é desenhada como um rato – ele fala que coelhos seriam muito inocentes para os franceses, pois teriam sido anti-semitas.
Cachorros – Estadunidenses: Se os gatos perseguem os ratos, quem persegue esses felinos? Art desenhou os norte-americanos como cachorros por causa da clara antipatia americana para com os alemães durante a Segunda Guerra.

A guerra é retratada do ponto de vista de um sobrevivente maltratado e velho, que conta com a memória e força que lhe restam. A leitura é, de certa forma, fácil e rápida. Além de recheada de desenhos ilustrando cada trecho, não se utiliza uma linguagem “enfeitada” para contar uma parte da vida de alguém. É apenas a transcrição de conversas onde um pai conta ao filho sobre uma época de sua vida. Conhecemos o cotidiano dos judeus nos guetos, perseguidos pelos nazistas covardemente; as traições entre “amigos”; os tratos entre os fugitivos e os militares; as mortes. Tudo isso com traços simples mas carregados de significado.

O livro acabou de forma tão repentina que, juro, quando o fechei, senti um aperto no coração. A última página é a mais emocionante, na minha opinião. Sem querer dar spoiler, mas se você não gostou do Vladek durante a leitura, você terminará sentindo ao menos uma empatia por ele.

Livro mais que recomendado! Por mais que em determinados momentos a leitura possa parecer tediosa, não desistam dele, sério. A cada encontro de Art e Vladek, temos mais consciência sobre o que de fato foi a 2ª Guerra, do ponto de vista de uma pessoa que a todo custo tentava fugir daquilo, se proteger, proteger a família. Visualizamos em nossas próprias mentes o inferno que Vladek passou, enquanto o próprio nos conta sentado em uma poltrona, ou pedalando ao lado do filho. Essa é a beleza do livro; o contraste entre a leveza dos traços do artista com o peso dos relatos do pai.

site: http://insonianerd.com/leitura/livros/resenha-maus-art-spiegelman/
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Leo Oliveira 22/01/2009

Frio na espinha ou nó na garganta
Maus se forma do cruzamento de duas histórias. Uma é extraordinário testemunho de sobrevivência dos pais de Spiegelman durante a 2ª guerra, em meio a ambiente de terror e desafios constantes. A outra é complexa e dolorosa relação entre filho e pai, entremeada pelas angustias e neuroses do primeiro e pelos dramas e fantasmas carregados pelo segundo.
Impressionante a crueza e a forma implacável como o autor retrata o próprio pai. A densidade e espessura psicológica das personagens fazem juz às melhores obras da nossa literatura. Ratos, gatos, cães, porcos, sapos, cervos ... todos tragicamente humanos. Esse recurso estético amplia o caráter perturbador e dramático da história, ao mesmo tempo que dinamiza a leitura.
A brutalidade dos fatos machuca e incomoda. O humor, quando surge, é, invariavelmente, inteligente e corrosivo.
Maus eleva as HQs a um novo patamar. Com frio na espinha ou nó na garganta, Maus é uma obra-prima da qual não se consegue passar incolume.
haroeira 22/01/2009minha estante
ow, deve ser muto bom este livro. depois, vc me empresta?


haroeira 22/01/2009minha estante
ow, deve ser muto bom este livro. depois, vc me empresta?


Mary Beatrice 14/12/2011minha estante
Excelente resenha.estou lendo é impresionante




Bell 03/08/2009

Achei em uma biblioteca um daqueles livros que negam o acontecimento do holocausto, logo depois li Maus. Como negar tudo que os judeus passaram? Como provar que as memórias de um condenado ao campo são mentira? Quanta hipocrisia afirmar que essa chacina não ocorreu. Nesse livro vemos de perto uma das piores faces da guerra, quem verdadeiramente sofre quando um governo decide declarar guerra são as pessoas comuns. E os problemas não acabam quando a declaração de paz é assinada já que marcas, lembranças e perdas ficam para a vida toda.
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Phelipe Guilherme Maciel 06/03/2017

Cães são melhores que Gatos, que são melhores que Porcos, que são melhores que Ratos (...)
O tema do holocausto está bastante desgastado. Há bastante histórias sobre isso, para todos os gostos. Mas nenhuma destas narrativas é como MAUS. Art Spiegelman utilizou-se de seu talento -que seu pai odiava- para contar a história... De seu pai!
MAUS é sobre Vladek. E consequentemente, sobre a Guerra. E o Holocausto. Mas não espere ver detalhadamente os terrores que os nazistas fizeram contra os judeus, pois apesar de estar lá, o foco do artista foi contar a história de seu pai, os traumas de seu pai, e as consequências da guerra na sua vida. E claro, os reflexos disso na sua vida, e seus próprios traumas.
Um dos pontos principais do livro é a difícil relação entre Art e seu pai, graças as diferenças entre eles, agravadas pela impaciência do autor com os costumes e manias do sobrevivente. O relacionamento se torna mais complicado pelas ocasionais comparações feitas por Vladek entre Art e seu falecido irmão, Richieu, morto nas câmaras de gás.
Não é um quadrinho imparcial. Art demonstrou o nazismo e o holocausto pela ótica de seu pai e não poupou ao demonstrar que mesmo após ter sofrido tudo aquilo, o pai tinha um forte racismo contra negros, comum tanto aos judeus quanto à tantos outros brancos. Em determinado momento do livro, Art mostra que seu pai considerava que os Judeus estavam abaixo dos Brancos Cristãos numa escala social, e que os negros se encontravam abaixo dos ratos. (Comparação minha, não me contive.)
Vladek chegava a considerar normal que os negros fossem tratados como eram tratados, e achava que era uma injustiça o modo como os judeus eram tratados, por ser apenas uma questão religiosa a deles, enquanto no caso dos negros, eles estavam corretos, pois negros não eram confiáveis.

Este trabalho é uma denuncia, e serve para deixar fresco na memória a lembrança do holocausto e para também condenar pensamentos racistas em geral, que podem culminar em outras eras de dor como foi a época da 2° Guerra Mundial.
Ewerton 06/03/2017minha estante
Coisa mais difícil conseguir esse livro


Phelipe Guilherme Maciel 06/03/2017minha estante
Ele é realmente difícil de conseguir nas rodas de desapego que frequentamos, porque não dá para desapegar disso. É um capolavoro. A Amazon está vendendo ele atualmente por um preço acessível de 35 reais, mas nas grandes livrarias ele continua com status de burguês, custando seus 65, 70 reais. A Edição definitiva vale muito a pena comprar.


Nicky 06/03/2017minha estante
Eu o li, achei fascinante a narrativa, apesar de o Holocausto ser bem maçante em termos de leitura, já que há diversos livros tratando do assunto.


Phelipe Guilherme Maciel 06/03/2017minha estante
É realmente fascinante, justamente por essa tratativa que ele deu ao tema: Focar no sobrevivente, e não no holocausto em si. É o charme especial de O Diário de Anne Frank também... Alguns escritos do Holocausto são particularmente bons por focar nas pessoas e não na dramaticidade daquele crime. Esse livro é um deles. Do mesmo modo, ele não romantiza o que aconteceu. É bem cru. Isso também é bom.


Luciano.Silva 13/03/2017minha estante
undefined


jcemelanda 14/04/2017minha estante
O meu comprei na Amazon


Phelipe Guilherme Maciel 16/04/2017minha estante
É um investimento e tanto :)


jcemelanda 01/05/2017minha estante
Tá em promoção na Amazon hoje, se alguém quiser aproveitar
https://www.amazon.com.br/Maus-Art-Spiegelman/dp/8535906282/ref=sr_1_22?s=books&ie=UTF8&qid=1493661064&sr=1-22




stellasays 10/10/2014

Simplesmente impressionante
Como li a edição completa, não tive nem tempo de assimilar tudo aos poucos. Foi um baque. Não tinha como parar de ler e não tinha como parar de pensar no que estava sendo dito. Em diversos momentos da história eu não conseguia respirar. Ainda agora, parece que falta o ar.

Bem, MAUS é uma graphic novel (ou romance gráfico) narrado por Vladek Spiegelman, um judeu polonês que sobreviveu ao horror do Holocausto. Ele conta para o seu filho, o autor do livro, sobre sua vida antes e durante todos esses acontecimentos. É triste, assustador, pungente. E, não só a questão que já sabemos hoje, mas toda a forma como é apresentada a história.
Primeiro, autor representa todos os personagens como animais (os judeus são ratos, os alemães gatos, os poloneses porcos, franceses sapos, e etc) e isso torna tudo ainda mais gráfico - até mesmo o fato de conseguirem diferenciar um judeu de qualquer outra pessoa na rua. Tem um momento em que o Vladek está no campo de concentração e tem um alemão lá, mas que para os alemães ele também seria judeu, então em um momento ele aparece como gato e em outro como rato. Além disso, pela arte ser toda em preto e branco, tem um ar jornalístico, como o das tirinhas que eu lia quando era criança. Me remeteu tanto ao passado, quando ia com meus avós comprar o jornal de manhã cedinho.
Falando em avós, a impaciência da geração mais nova com os mais velhos é outro ponto muito significativo do texto. Quando Vladek, já velho, começa a ficar neurótico (com razão) e seus defeitos ficam ainda mais evidentes, o filho por diversas vezes reprime e rejeita o pai. Isso me fez pensar tanto nas vezes que eu mesma não tive paciência com minha avó ou quando briguei com minha mãe. Hoje eu não consigo aguentar cinco minutos e já corro pra pedir desculpas. Depois de ter lido isso, acho que não vai dar nem pra esperar a raiva passar, no meio da conversa já vou pedir desculpa e dizer o quanto eu as amo independente de discordar do ponto de vista. Percebi que isso também acontece com o autor, ele sente uma culpa enorme, porque sabe tudo pelo que o pai passou e sabe também que ele nunca vai entender o que é sobreviver a algo assim. E eu nunca vou entender pelo simples fato de que não estive lá. Imagino que seja um horror tão grande, que marque uma pessoa para o resto da vida.
Todo mundo precisa ler. É isso.

site: http://custella.blogspot.com.br/2014/10/101014-maus-por-art-spiegelman.html
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leonardo 26/01/2010

Excelente!
Uma das melhores histórias sobre o holocausto, contada de maneira simples e realista.
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Juliana 08/06/2014

No começo achei uma história normal, contando as histórias da vida em um campo de concentração e de um judeu na grande guerra. Porém alguns detalhes me chamaram bastante atenção. Não sei se é o fato de nuca ter lido um HQ e este ter sido meu primeiro, mas achei super interessante o modo como ele usa a figura dos animais para intensificar sua narrativa. Uma parte que acho que isto fica perfeito é quando Vladeck e Anja estão procurando lugar para ficar a noite na cidade - já estando foragidos - e no texto vladeck diz que Anja parecia muito judia, que não conseguia esconder, mas ele passava desarpecebido. Neste momento os quadrinho mostram uma imagem dos dois com a máscara de porco - outro detalhe sensacional - porém anja fica com seu rabo de fora, ou seja, não consegue esconder suas origens.
Gostei muito mais do segundo livro do que o primeiro, achei muito único a forma de contar a história dos judeus junto com o processo criativo do próprio quadrinho.
Partes fantásticas:
I parte
Essa que relatei acima.
2 parte
Quando Art esta dicutindo com françoise no carro e em determinado momento ele diz "esta vendo?...na vida real você NUNCA ia me deixar falar tudo isso sem me interromper." - Achei um humor sensacional, na verdade, fiquei rindo por um tempinho.
E principalmente a final, quando o pai chama Art de Richeu. Por meio desse fim ficou claro aquela ideia passada pelo livro inteiro - Vladeck sobreviveuao holocausto e de certa forma muito bem se você compara a outras histórias de sobrevivendo, porém não sobreviveu emocionalmente. Mudou sua cabeça pra sempre e o condicionou a um padrão de modos dali em diante, o transformou numa pessoa extremamente dificil de se relacionar.

Fiquei querendo dar 4 estrelas até o final da 1 parte. Porém resolvi colocar 5 estrelas por achar que foi um jeito diferente de contar a história, que teve mais foco no presente do que na história em si, na minha opinião. Talvez eu esqueça fácil da história... Não sei ainda.
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Larissa 04/02/2014

“MAUS” foi um livro que eu comprei porque vi que uma amiga que admiro tinha (sou dessas). E ele ficou na minha estante muito tempo antes de ser lido.

Até que um dia, inspirada pela minha meta de não terminar 2013 com menos livros lidos que em 2012, eu resolvi começar pra valer a leitura. Normalmente é assim: eu ascendo a luz de cabeceira, deito, começo a ler e quando vejo já estou dormindo. A diferença é que com MAUS dormir não parecia ser uma opção. Até deixei o livro quando vi que já estava quase na metade e que já era meia noite, mas não tinha sono. Eu precisava continuar lendo!

“MAUS” é uma história tão comovente, apesar de em nenhum momento tentar ser (e ainda assim tive vontade de chorar em tantas partes). Talvez ninguém aguente mais histórias sobre o Holocausto, mas a de Vladek Spiegelman merece ser lida! A tradução que brinca com o sotaque polonês do personagem ainda se adaptando a uma nova língua é tão carismática que é impossível não gostar do cara, apesar de sua rabugice.

Aliás, acredito que isso seja um dos traços que tornam o livro tão espetacular. Art Spiegelman conta a história do seu pai de uma forma tão limpa e sincera. Em momento algum ele tenta colocar o pai como um santo ou um herói por ter sobrevivido aos campos de concentração, mas acima de tudo, mostra um ser humano comum. Que hora é mesquinho, oportunista e até racista, mas também um senhor muito amoroso, carente, atormentado e precavido.

O livro é todo em tirinhas, retratando os judeus como ratos e os nazistas como gatos (há também os poloneses como porcos e os americanos como cachorros). E conta a história de Vladek desde pouco antes de conhecer sua esposa, de tudo o que passaram antes da guerra e de como, durante o todo o tempo, ele sempre tentou mantê-la viva. Uma história de amor e sobrevivência realmente incrível, que foge dos clichês.

O livro alterna entre o presente e o passado, de acordo com o que a história é contada.

Não há muito que dizer, já que eu não tenho nenhuma experiência anterior com HQs (O máximo que já fiz foi ler revistinhas em quadrinhos do Donald, Mickey, Mônica e derivados quando criança), mas sem dúvidas “MAUS” me deu a oportunidade de abrir um novo caminho de leitura na minha vida. E eu pretendo aproveita-lo.

No fim, junto com algumas lágrimas, fica aquela sensação de que por mais filmes, documentários ou livros escritos sobre o Holocausto, nós, assim como Art Spielgeman, nunca vamos conseguir saber exatamente, ou entender, ou sentir o que é ter passado por Auschwitz. E como viver após ter sobrevivido.

Mais resenhas em: http://literaturapessoal.wordpress.com/

site: https://literaturapessoal.wordpress.com
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ReiFi 24/10/2011

MAUS - Art Spiegelman
O universo das histórias em quadrinhos está dividido em antes e depois de MAUS. Responsável pelo primeiro Prêmio Pulitzer para uma HQ, o filho de um sobrevivente dos campos de concentração foi fundo ao representar a crueza inominável de Auschwitz.

Maus – rato em alemão – é a narrativa memorialista em quadrinhos dos fatos ocorridos com Vladek Spiegelman – pai de Art Spiegelman, artista conhecido por suas incursões no universo da vanguarda dos quadrinhos. A narrativa aborda o período anterior à II Guerra Mundial, passando pelos campos de concentração. O livro descreve o próprio processo de criação de MAUS, do ambiente em que as conversas se deram, do complicado relacionamento entre pai e filho, das mudanças na vida pessoal do autor durante a produção da revista.

A característica dessa obra foi de quebrar com a linguagem do quadrinho hiper-real e se aproximar de um caráter mais documental: toda em preto e branco, enquadramentos muitas vezes simples, pouco espetaculares, trabalho minucioso com a memória e a metalinguagem. Sua narrativa é centralizada na relação entre texto, imagem e como esta relação constrói a noção de espaço e tempo, passando para o leitor a idéia do real.

Como numa fábula, na qual animais representam comportamentos e características humanas, em MAUS os personagens são caracterizando de forma minimalista – os nazistas como gatos, os judeus como ratos, poloneses como porcos, franceses como sapos e americanos como cachorros – o autor consegue, através de um trabalho psicológico dado aos seus personagens e descrevendo apenas simples fatos do cotidiano, apresentar profundas memórias sobre algo que nos parece tão distante, mas ainda dói em muitos, e deixa cicatrizes: o Holocausto.

O Holocausto judeu – considerado por muitos como o acontecimento mais degradante e desumano que figurou na II Grande Guerra – causa dúvidas, indignação e produz controvérsias entre os estudiosos. De um lado, cada vez mais, e com maior evidência, os chamados revisionistas procuram pôr em dúvida a veracidade, as proporções, a intensidade e as conseqüências do horror do Holocausto, procurando suscitar a desconfiança inclusive quanto aos relatos dos sobreviventes.

Considerando todas as interrogações e suas respostas, o que realmente chegamos a conhecer e saber sobre o Holocausto, para ultrapassar as versões oficias que os livros de história nos apresentam?

Este trabalhado, tão bem recebido pela crítica, nos possibilita uma nova interpretação do holocausto. A leitura dessa obra é imprescindível, já que nos deparamos com uma corrente histórica que nega o holocausto, seu legado, suas testemunhas e a memória dos seus sobreviventes.

De acordo com Jacques Le Goff (1994, p. 447), é neste processo de memória – construção e manutenção – que os indivíduos acabam por moldar sua própria identidade, individual e coletiva. E no caso das vítimas do anti-semitismo – seja dos horrores do holocausto ou até formas mais recentes deste mal – este processo é de suma importância, inclusive para a própria existência dos personagens envoltos neste processo. Nessa perspectiva que percebemos como MAUS, se configura como importante elemento de suporte na manutenção da memória. Memória não apenas pessoal, mas coletiva.

Em MAUS espera-se dos leitores uma participação ativa na criação da história, por isso o minimalismo, aqui os personagens são figuras banais, comuns, inexpressivas, nunca famosos heróis, detetives ou ricos fabulosos. MAUS no pouco nos diz muito, proporcionando em muitos inquietações, dúvidas, anseios, angústias e lágrimas, mas quem sabe um sorriso, por saber que os que morreram não foram esquecidos e aqueles que resistiram ao terror tem muito o que contar e ensinar.

Como fim desse humilde ensaio eu deixo uma pergunta. Caso MAUS fosse uma fábula, qual seria sua moral?

Para saber mais acesse:
http://catalisecritica.wordpress.com/2009/07/18/maus-%e2%80%93-a-memoria-do-holocausto-nas-historias-em-quadrinhos/

Ou ainda: http://catalisecritica.wordpress.com/2010/12/30/maus-do-silencio-ao-holocausto-jose-reinaldo-do-nascimento-filho/
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Raphaela Rezende 13/08/2018

Esse foi o presente de dia dos pais aqui em casa. Como ele ganhou no sábado (criança é um bicho ansioso e entusiasmado) e já o leu, eu li no domingo a tarde. Que leitura impactante para um dia dos pais!

A história do Holocausto é conhecida, mas ainda assim é sempre importante que se ouça falar dela, para que não seja esquecida. Em Maus, um quadrinista, filho de um judeu polonês que sobreviveu ao holocausto pede que seu pai conte sua história para que ele a escreva. E seu pai vai relatando em meio à vida cotidiana, por isso vamos conhecendo as características do pai e do filho. Os quadrinhos usam figuras antropozoomórficas para os personagens: judeus poloneses são ratos, alemães são gatos, franceses são sapos, americanos são cães. Vladek (o pai) relata como ele e sua esposa Anja (até certo ponto o restante da família também) vivenciaram todo o processo de ocupação nazista, fugindo, perdendo familiares e amigos pelo caminho e passando por campos de concentração. Fome, horror, tortura, morte e sofrimento. O pai era uma pessoa muito inventiva e usava o dinheiro da família da esposa para fazer diversos arranjos para conseguir mantê-los vivos. Tudo é narrado com a maior crueza possível, ainda que os personagens se emocionem muito ao longo da história.
Em paralelo vemos a história de pai e filho: o pai cheio de neuroses, uma pessoa muito difícil de lidar, preconceituoso, estereótipo de judeu bom nos negócios e pão duro. O filho nasceu após a guerra, mas cresceu sabendo da história dos pais, do suicídio da mãe e morte do irmão. Com ele vemos toda a dificuldade que é ser filho de quem passou por tantos horrores, pois nada que ele vive vai ser ruim o suficiente. Portanto, nenhuma reclamação ou falta de esforço é tolerada pelo pai, este que sempre cobra perfeição ou mostra que é (era, pois no momento da história está idoso) capaz de fazer melhor do que o filho. Menos desenhar.
De sua mãe, sabemos pouco dos horrores que passou. De seu irmão, nascido antes da guerra e morto durante, sobra a foto na parede.
A guerra acabou, mas o pai continua vivendo com as sombras compridas do passado: seu apego excessivo, sua preocupação em não gastar dinheiro, a perda de tantos, os problemas de saúde.
Apesar das várias características do pai terem contribuído para que ele e a esposa pudessem ter saído vivos, eles não sobreviveram por esse motivo. Em uma passagem do livro é dito "É. A vida sempre toma partido da vida, e as vítimas levam a culpa. Mas não foram os melhores que sobreviveram ou morreram. Foi aleatório!".

É um livro excelente. Há crueza e sensibilidade ao narrar todos os horrores. Deveria fazer parte das leituras nas escolas.
Salomão N. 13/08/2018minha estante
Eu dei esse livro para o meu pai no dia dos pais do ano passado.


Salomão N. 13/08/2018minha estante
Eu dei essa HQ para o meu pai no dia dos pais do ano passado.


Raphaela Rezende 13/08/2018minha estante
Ele gostou do presente?


Salomão N. 14/08/2018minha estante
Gostou muito.




Bruno Leandro 13/07/2011

Realmente, a história de um sobrevivente.
Todos já ouvimos falar do Nazismo, embora, pelo menos para a minha geração, ele não passe de uma palavra. Já vimos vários filmes, livros, menções em séries e a grande maioria da humanidade sente por essa tragédia, embora seja apenas um sentimento vazio, já que pouco ou nada conhecemos sobre o assunto.
Em “Maus”, nós entramos um pouco mais no que aconteceu a um sobrevivente do Nazismo. E não pensem que é fácil ter simpatia pelo protagonista, que é pai do autor desta história contada em quadrinhos. Ele é o autêntico estereótipo de judeu: ranzinza, reclamão, mão-de-vaca... Porém, ao ler sobre sua história e ver tudo pelo que ele passou, suas privações e também os perigos, os momentos em que sobreviveu por astúcia e os em que sobreviveu por pura sorte, isso acaba explicando um pouco de seu amargor.
Impossível não se emocionar com a história, que, por ser em quadrinhos, pode tomar certas liberdades estéticas que não veríamos em um livro. Aqui cada nação é representada por um animal: os judeus são ratos, perseguidos pelos alemães, que são gatos. Há também os porcos poloneses, os cachorros americanos e até mesmo um sapo francês. Outra liberdade tomada é em mostrar o que aconteceu de forma mais crua, em alguns casos, já que os quadrinhos são em preto e branco e o sangue não pode escorrer deles.
Uma história triste, mas verdadeira, que nos possibilita entender o passado e evitar que os erros da época se repitam novamente. Afinal, o que dá o direito a um ser humano de se achar superior ao outro, seja em virtude de sua nacionalidade, sexo, etnia, sexualidade ou qualquer outra característica? Nada, e espero que qualquer um que leia esta história chegue à mesma reflexão.
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Caio 20/11/2014

Ratos supervalorizados
Um relato intimista dissecado em quadrinhos que ostenta um Pulitzer, e a fama da melhor graphic novel até então publicada e traduzida para o português. Apesar de toda a aclamação, Maus não agrada como pode parecer à primeira vista.

Evidentemente não se nega o valor de um retrato fiel e em certos pontos até chocante, daquilo que foi a maior tragédia humana contada e recontada na literatura e no cinema, porém, Maus peca em razão das excessivas tentativas do autor em criar um cenário de pessoalidade tão extrema, que acaba perdendo o foco da narrativa e divaga sobre sua relação pessoal com seu pai, um judeu sobrevivente, suprimindo parte do interesse que levou o leitor a escolher Maus.

Certo é que um tema tão revolvido como o holocausto já havia sido discutido e retratado em todos os gêneros e subgêneros possíveis, e até Maus infelizmente ainda não havia sido contado sob o ponto de vista de um cartunista – ao menos não para o público em geral e com alcance tão estendido como ocorreu após sua publicação, – e de fato esse detalhe é um ponto que pesa positivamente à obra, entretanto, ressalvadas as milhares de opiniões em contrário, Maus resulta em uma graphic novel que tem mais fama do que merece.

Os traços do autor, sombrios e condizentes ao horror do que retrata, compensam em alguma medida a narrativa fraca e nada flexível de Maus, mas a conclusão é somente mediana, considerando o conjunto. Talvez se o livro não tivesse a fama que tem, o leitor esperaria menos, e consequentemente se agradaria com um resultado não supervalorizado, como ocorre.

Mas não só pontos negativos Maus é escrito e desenhado: a genial ideia do autor em retratar os judeus como ratos, e alemães nazistas como gatos, explicita um sentimento inequívoco na história de sofrimento que é contada, e traz ao livro a imaginação fértil de um autor que parece ter muito para contar.

Mas, no que se refere, novamente, ao tema central, Maus definitiva desagrada nas passagens em que a vida retratada cede para o foco na tumultuosa relação entre pai e filho, personagem e autor. Mas é claro que cabe a cada um decidir se o livro merece a fama que tem.

Um resultado não esperado, para um obra supervalorizada, mas apenas mediana.
Henrique 13/01/2015minha estante
Primeiro: Acredito que você não gostou da obra.
Segundo: Respeito sua opinião a respeito disso.
Terceiro: Acho importante entender os vários aspectos de uma obra antes de criticá-la.
Quarto: Nunca rebato as resenhas de alguém, mas eu realmente gostaria de te explicar algumas coisas.
Enfim, vamos lá.
Ao retratar a relação com o pai ele quis claramente mostrar os efeitos que a guerra causou nas pessoas, principalmente em Vladek. Tem partes em que isso fica claro até demais, quando ele diz: "Depois de Hitler, não consigo jogar nada fora" remetendo diretamente ao fato de ter passado tanta fome durante a guerra. O livro se propõe a conta a história de um sobrevivente e é isso que o Art faz, mostrando que a guerra causou efeitos profundos no pai dele. A história não acaba no fim da guerra, ela claramente continua até os últimos dias de Vladek, é basicamente a história dele com a guerra. Pode notar também que sempre que há uma sequência sobre a relação de pai e filho temos algo que remete a guerra. Como os gritos e choros de Vladek enquanto dorme, por exemplo.
Discordo também sobre 'narrativa fraca', já li muitos quadrinhos e já estudei muito sobre eles pra ter uma certeza férrea que esse livro tem uma das melhores narrativas. A conclusão só parece ser mediana porque você sabe o que vi acontecer no final. Art conseguiu fazer um bom final, sem deixar pontas soltas.
Diferente de você, não acho que a obra seja supervalorizada, pelo contrário, acredito que ela deveria ser ainda mais valorizada do que já é. Art conseguiu mostrar os traumas do pai e o horror do holocausto. E se ainda não ficou claro, a trama central do livro é a história de Vladek e a história dele não se passa apenas na guerra.




Giulia 24/04/2010

incrivel omo art spiegelman consegue traduzir tão bem a história de seu pai para os leitores de quadrinhos! o enorme conhecimento obtido acerca da 2ª guerra é apenas uma das muitas vantagens de se ler este livro.
Menezes 03/10/2010minha estante
é provavelmente um dos melhores quadrinhos de todos os tempos. Está no meu top!




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