Mrs. Dalloway

Mrs. Dalloway Virginia Woolf




Resenhas - Mrs. Dalloway


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Jonara 07/04/2010

Imagine que você é um beija-flor, batendo asas a 70, 80 batidas por segundo... indo de flor em flor para captar o nectar, aqui e ali, leve leve... tão leve que chega a irritar, mudando de posição tão rápido que mal se percebe o momento que se saiu de uma flor e se partiu para outra.
Isso é a escrita da Virgínia Woolf neste livro. Ela voa de um pensamento a outro, de um personagem a outro, leve, irritante e frenéticamente... é exaustivo acompanhar a linha de raciocínio que segue e segue e segue... 187 páginas de pensamentos de um único dia!
É poético, depressivo, luminoso ao mesmo tempo. Um dia na vida de Mrs. Dalloway, em que ela vai dar uma festa. Nada fora do comum, nada de especial, só as sensações, lembranças, as impressões das pessoas naquele dia.
Um livro bem interessante, é interessante também a quantidade de vezes que Virgínia Woolf se refere às ondas, ao mar, água, etc. Realmente, parece que ela sempre teve uma relação forte com o mar.
Fluxo de consciência é algo que me deixa profundamente incomodada. Não consigo acompanhar o pensamento deles, me perco nos meus e começo a achar que o autor é maluco, ou que eu estou começando a ficar maluca. Realmente me perturba ler qualquer coisa escrita desta forma. O que não significa que isso seja ruim.
Ananda Sampaio 26/07/2011minha estante
Olá, adorei sua maneira de explica Virginia Woolf.
Ela é tudo menos óbvia!tentei ler passeio ao farol e não consegui me deter na narrativa q é mt peculiar.Tive a ousadia de tentar ler Orlando e desisti.Mas, tenho paciência e sei que os grandes escritores exigem de nós uma certa paciência pq o que eles têm pra nos oferecer é grandioso demais p/ ser traduzida sem esforço, sensibilidade e dedicação!
;*


Claudinha____ 25/10/2012minha estante
Fantástica a sua descrição da narrativa, me senti exatamente assim!


Marco Maia 14/06/2013minha estante
Exatamente. A escrita é irritante, não há nexo, só divagações. Livro chato.


Edison Garreta 28/07/2013minha estante
Tive a mesma sensação!


Aerial 26/02/2014minha estante
É exatamente essa a minha sensação também, os livros da Virginia não são pra qualquer um, mas te faz refletir bastante e em certos momentos quando você lê o livro se perde nos seus próprios pensamentos.


Sueli 22/05/2014minha estante
A minha relação com esse livro é tão inconstante como o texto. Tem dias que leio e acho incrível, em outros não entendo nada... Por isso, prefiro achar que estou sempre em processo de leitura, já que sou tão errática como o texto, e, talvez, por isso mesmo eu não consiga classificá-lo...


Andreza 04/10/2014minha estante
Expressou bem o que eu senti! Amei a resenha!


Taysa 24/06/2015minha estante
Você descreveu perfeitamente como é ler este livro. O livro não tem capítulos, não tem uma delimitação do que é de um e o que é do outro. Não há delimitações. Consegui terminar depois de tentar duas vezes. Foi uma experiência difícil mas instigante.


Lenicio 20/04/2020minha estante
A autora tenta expressar o que se passa na cabeça dos personagens. Sugere um modo profundo de caracteriza-los, de apresenta-los, marcadamente subjetivo. O livro encerra fortes questões existenciais: a superficialidade das relações; a figura imponente do Estado; o papel da mulher (anfitriã); paixões mal resolvidas; casamento sem amor e por aí vai.


Lenicio 21/04/2020minha estante
O livro é muito bom. Leitura carregada, às vezes desgastante, mas repleta de boas reflexões. Autores assim, com estilo próprio, como a Virgínia, o Saramago, o Kafka, desafiam nossa paciência literária. O primeiro contato é impactante. No meu caso, li uma 30 páginas e fiquei esgotado. Resolvi ler algumas resenhas (inclusive a presente) para uma ambientação menos aflitiva. Deu certo. Fluiu bem depois disso.


Rody 16/06/2020minha estante
Amo as observações dela. O olho esperto que capta inúmeras sensações e emoções. É por isso que sou apaixonado por Woolf. Ela me faz ver o sentido das coisas.


Anny 17/07/2020minha estante
Sensacional sua descrição. Estou na página 43 e já me sinto assim. Fico incomodada com a rapidez que ela muda de pensamento, quando acho que estou entendendo, ela muda... Ela é voraz !


Aleksandra UtriniC 26/07/2020minha estante
Eu amei o que você escreveu, tô terminando o livro, e me senti mil vezes perdida, você conseguiu colocar meus pensamentos inteiros em uma resenha só.


@dridemoraispapelmache 08/10/2020minha estante
Penoso




Book.ster por Pedro Pacifico 01/03/2020

Mrs. Dalloway, Virginia Woolf - Nota 9/10
Mais um clássico que estava querendo ler há um bom tempo e que, posso afirmar, superou as minhas expectativas! Em Mrs. Dalloway não é a história contada por Virgínia Woolf que torna o livro excelente, mas sim a forma com que a autora consegue transformar uma história extremamente simples em um livro genial. A narrativa se passa em um dia na vida de Clarissa Dalloway, uma aristocrata que prepara mais uma festa em sua residência, e tem como cenário a Londres da década de 20!! Mas diferente de tantos outros livros que estamos acostumados a ler, a autora conta a história a partir do pensamento de seus personagens. Virginia Woolf consegue jogar com o fluxo de consciência de uma forma impressionante... Ao longo de toda a narrativa o fluxo de pensamentos vai sendo passado de um personagem para o outro, tudo sem que o livro tenha nem mesmo um capítulo para dividir essa mistura de perspectivas. Não vou negar que em alguns momentos tive certa dificuldade em saber qual era o personagem que estava narrando a história naquele momento... Mas aos poucos o leitor vai se acostumando! É um romance sobre conflitos internos e questionamentos sociais, construído com extrema inteligência e sensibilidade da autora!

site: https://www.instagram.com/book.ster
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leila.goncalves 18/06/2020

As Horas
Quanto a Mrs. Dalloway:
Virginia Woolf (1882 - 1941) é uma das mais proeminentes figuras do Modernismo na literatura e este romance, lançado em 1925, é considerado sua obra-prima. Curiosamente, ele foi criado a partir de dois contos: um concluído, Mrs Dalloway In Bond Street, e outro inacabado, Prime Minister.

Outro aspecto interessante é que Mrs. Dalloway cobre um único dia, ou melhor, os preparativos de uma recepção que acontecerá à noite, na casa de uma socialite cinquentona chamada Clarissa. Sem dúvida, um dia agitado, pois enquanto ela cuida de cada detalhe para a ocasião, ela também recebe uma visita inesperada que lhe desperta antigas lembranças.

Enfim, um vida passada a limpo em aproximadamente 350 páginas que remetem em boa parte as preocupações da própria escritora, uma mulher atormentada que acabou cometendo o suicídio. Em linhas gerais, por intermédio do fluxo de consciência, Mrs. Woolf cria uma prosa labiríntica que no âmago carrega seus problemas mais íntimas. Aliás, a protagonista assemelha-se em alguns aspectos a ela, isto é, afastada dos ideais de mocidade, Clarissa aparenta resignação a velhice que se avizinha e ao casamento por conveniência, assombrado pelo desejo homossexual.

?Mrs. Dalloway? apresenta um interessante retrato da sociedade britânica no entreguerras, inclusive, traz à pauta um tema delicado que ganhou bastante repercussão na época: o estresse pós-traumático. A vítima é o ex-combatente Septimus Smith e o objetivo da escritora era tecer uma severa crítica ao tratamento das doenças mentais, um assunto que ela vivenciara devido a seus próprios problemas psiquiátricos.

Provavelmente, ela sofria de distúrbio bipolar e o desenrolar do romance também traz um inesperado paralelismo entre Virginia e Septimus. Resumidamente, enquanto Clarissa e à luz, o porto seguro de Virginia, ele é a escuridão, as águas lodosas que a convidam para as profundezas da loucura.

Entretanto, é impossível abordar qualquer ficção de escritora, sem mencionar o tempo. Em Miss Dalloway, o filósofo francês Paul Ricoeur afirma que há dos tempos: um reflexivo, feito de considerações e memórias, e outro real ou melhor ?monumental?, isto é, ?o dia vai sendo marcado pelas badaladas do Big Ben e por todos os relógios e sinos da cidade de Londres?, anunciando a aproximação do ?grand finale?: a festa.

Em linhas gerais, Mrs. Dalloway? é um romance que deve ser lido sem pressa e com atenção. Complexo, denso e até mesmo, algumas vezes, cansativo, também é tanto um clássico como uma ousadia literária que merece ser o sucesso e respeito que desfruta.

Nota: O primeiro nome escolhido para esse romance foi "The Hours" ou "As Horas", mas Mrs. Woolf acabou por rejeitá-lo. O escritor norte-americano Michael Cunningham ganhou o prêmio Pulitzer em 1999, com um romance assim intitulado e inspirado em "Mrs. Dalloway". Indico a leitura, assim como vale a pena assistir a adaptação para o cinema. O filme homônimo foi lançado em 2003 e, dirigido por Stephen Daldry, deu o Oscar de Melhor Atriz à Nicole Kidman.

Quanto à edição:

Foi a partir desta narrativa que a escritora rompeu com as convenções formais da literatura, começando a dar forma a uma estética pessoal que usaria em outras obras. Influenciada por Flaubert, Proust e Dostoiévski, Mrs. Woolf distingue-se não só pela escrita elegante, como pelo emprego de uma sintaxe e pontuação peculiares, exigindo da tradução respeito e atenção ao seu estilo. Qualquer tentativa para facilitar a leitura, pode descaracterizar o texto e a escolha de duas tradutoras conhecedoras do seu estilo ? Thaís Paiva e Stephanie Fernandes ? foi imprescindível para obter um bom resultado.

Como é peculiar à Antofágica, acompanha o romance, recheado de notas, cinco extras que ampliam o entendimento de texto:
* Mapa de um trecho de Londres onde transcorre a história.
* Apresentação por Mellory Ferraz
* Nota da Ilustradora: Sabrina Gevaerd
* Toda A Vida Em Um Só Dia por Ana Carolina Mesquita
* O Êxtase Das Pequenas Coisas por Carola Saavedra

Finalmente, comprei tanto o livro quanto o e-book Miss Dalloway e garanto que a qualidade da editoração e das ilustrações é a mesma, o resultado é irretocável, não há diferença e cabe ao leitor optar sobre qual é de sua preferência. Contudo, aqui cabe um aparte, não li o e-book no Kindle, mas no meu IPad por intermédio do Aplicativo Gratuito de Leitura da Amazon que possibilita visualizar as diferentes cores empregadas, em especial, os belos tona de rosa. ?
Renata CCS 14/07/2020minha estante
Sempre fiquei apreensiva diante das obras de Virginia Woolf, imaginando se eu teria dificuldades em absorver sua complexidade e intensidade. Sua resenha me deixou mais próxima de encarar essa leitura.




Evelyn Ruani 30/08/2020

Lindo!
Eu estou me apaixonando por Virgínia Woolf. A autora segue um estilo de escrita, familiar a mim por conta da paixão por Clarice Lispector, conhecido como fluxo de consciência, que é uma técnica literária em que se procura transcrever o complexo processo de pensamentos do personagem, mesclando o raciocínio lógico e as impressões pessoais momentâneas e captando os processos de associação de ideias. É preciso desacostumar da estrutura narrativa de começo, meio e fim e adentrar num universo mais árido, talvez, porém extremamente rico em reflexões e auto conhecimento. E eu adoro esse tipo de narrativa.

Mrs. Dalloway nos apresenta Clarissa Dalloway e narra um dia inteiro em sua vida. Isso mesmo, as quatrocentas páginas do livro contam a história de um único dia na vida de Clarissa, desde a manhã quando decide, ela mesma, ir comprar as flores para a festa que dará a noite, até o momento da tão esperada festa. E isso foi o que achei mais fantástico nesse livro. Pode parecer fútil a princípio, mas já nos primeiros passos da caminhada de Clarissa até a floricultura você percebe que não será apenas um dia comum. Acontece tanta vida dentro de um único dia, são tantos acontecimentos, pensamentos, reflexões, pessoas que vem e vão se cruzando pelas ruas de Londres que percorremos ao lado de Clarissa, sem sequer imaginar conhecer umas às outras e no entanto parecendo estar ligadas de alguma forma.

Nessa caminhada, conhecemos alguns personagens e seus pensamentos. Dentre eles Septmus Smith, um veterano da primeira guerra mundial que sofre com problemas psicológicos causados pela perda de um grande amigo e nos deparamos com uma mente conturbada, com pensamentos suicidas e alucinações. Ao seu lado sua esposa tenta, em vão, ajudá-lo, mas ele sente-se incompreendido e solitário em sua dor. Aos poucos percebemos que a narrativa do livro está dividida entre esses dois personagens principais: Clarissa e Septimus e que apesar de nunca se encontrarem ou nunca terem se conhecido, tem uma espécie de ligação, como os dois lados de uma moeda.

Outros personagens importantes também são apresentados nesse dia como Peter Walsh e Sally Seton, amigos da juventude e que são parte de suas memórias mais felizes, e até mesmo Richard, marido de Clarissa e sua filha Elizabeth. Vamos conhecendo um pouco de cada um desses personagens ao longo do dia e das memórias da protagonista e dos próprios personagens, nos presenteando com diversas visões de um mesmo momento/situação.

O livro traz poucos diálogos e é muito reflexivo, levantando questões e críticas sobre a condição e as relações humanas, o amor (todo tipo de amor), o papel da mulher, o tratamento de doenças psicológicas/psiquiátricas, traumas pós-guerra, além de retratar uma Londres do século XX, nos ambientando na cidade e construindo um retrato da sociedade da época. Afora tudo isso, essa edição da Antofágica tem como coordenadora editorial a Bárbata Pince (sou fã), traz apresentação da Mell Ferraz do Blog Literature-se (tb sou fã rs) e ilustrações lindíssimas da Sabrina Gevaerdy (que virei fã rs) que auxiliam na compreensão do texto e deixam a leitura ainda mais linda!

Para finalizar ressalto a beleza da narrativa de Virgínia e sua extrema importância na literatura. Com toda certeza, recomendo muitíssimo a leitura!
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Thaís | @analiseliteraria 05/10/2020

Mrs. Dalloway...
Virginia Woolf é aquela autora que pelo menos uma vez na vida você quis ler mas teve receio, ou até mesmo desistiu. Mrs. Dalloway foi publicado em 1925 e narra um único dia da vida de Clarissa Dalloway, uma senhora aristocrata que vive em Londres, no início do século XX. Usando o fluxo de consciência, que salta de personagem para personagem, Virginia escreveu esse livro magistralmente. Que escrita profunda! Marcante! Poética! ⁣
Acompanhamos Clarissa, uma "perfeita anfitriã", no dia em que dará uma festa. Mrs. Dalloway recebe a visita inesperada de Peter, um pretendente do passado. Muitos conflitos acontecem internamente em cada personagem, acompanhamos esse desenrolar dentro de suas próprias cabeças. Peter, ao meu ver, é o personagem mais blé, se acha um socialista, mas é mais conservador do que aparenta. Me incomoda como ele a todo momento tenta diminuir Clarissa. E o que é ele com aquela fixação com o canivete, Freud explica? Irritante. Passemos para Septimus, meu personagem favorito, um veterano de guerra que sofre de estresse pós-traumático. Que sensação acompanhar sua consciência, seus pensamentos são marcantes, através dele, respeitando o distanciamento histórico, temos o vislumbre de como a saúde e a doença eram qualificadas nesse contexto. Quanto sofrimento desse homem... ⁣
São vários os conflitos presentes na trama, alguns refletem a própria vida de Virginia, como o casamento por conveniência, a homossexualidade, o suicídio e etc. Clarissa e Septimus formam duas faces diferentes de Virginia Woolf, a luz e a sombra, respectivamente. Sem dúvidas, Mrs. Dalloway se tornou um dos meus livros favoritos. Quem não está acostumado com o fluxo de consciência pode sentir maior dificuldade para ler esse livro, mas leia, não desanime. Leia sem pressa, é um livro denso, mas fantástico. ⁣
Por fim, se você gosta ou é da área de psicologia, não deixe de ler esse livro, você terá um ótimo material de análise em mãos.

site: @analiseliteraria
Débora 07/10/2020minha estante
Adorei sua resenha!


Thaís | @analiseliteraria 08/10/2020minha estante
Ah, fico feliz por isso! :)




* Amanda * 10/07/2012

O livro todo se passa em um dia e se desenrola através de fluxos de consciência de vários personagens: Clarissa (a Mrs. Dalloway), Septimus, Lucrezia, Peter Walsh, Elizabeth, entre alguns outros. Há poucos acontecimentos e poucos diálogos. Não tem uma história central nem clímax. O livro fala sobre nada e, ao mesmo tempo, sobre tudo. Boa parte de tudo o que é falado no livro se refere ao passado dos personagens, o que permite que tenhamos uma visão bem panorâmica deles. Virginia Woolf é prolixa em sua escrita e faz uso constante de metáforas relacionadas à natureza, comparando sentimentos e sensações a flores e ao mar, por exemplo, o que não faz de Mrs. Dalloway uma leitura difícil. O que é complicado em alguns momentos, especialmente nas primeiras páginas, é assimilar o jeito que ela concatena suas ideias. Essa complexidade, pra mim, reflete a intensidade da introspecção de Virginia Woolf. Sua mente devia ser um turbilhão de ideias que, muitas vezes, poderia chegar até a atormentar, como pode acontecer com qualquer pessoa muito introspectiva.

Em seus diários, ela diz: Acho que vou inventar uma nova designação para meus livros, em lugar de romance. Um novo... de Virginia Woolf. Mas o quê? Elegia?. Mais precisamente, sobre o Mrs. Dalloway, sua proposta era: Os personagens serão um homem e uma mulher eles vão crescer nunca vão se encontrar nunca chegarão a se conhecer mas o tempo todo você sente que eles estão cada vez mais próximos um do outro. Toda a tensão estará nisso. O homem é Septimus e a mulher, Clarissa. Eu confesso que eu não percebi essa aproximação no decorrer do livro. Durante toda a leitura, eu esperei que houvesse um encontro entre Septimus ou Lucrezia com os outros personagens do livro, já que a história dos dois parecia se desenrolar de maneira completamente alheia e paralela à dos outros. Apesar de muito tardia, não me decepcionei com o modo que foi feita a sutil aproximação.

O que, pra mim, deixou muito a desejar foi a falta de um diálogo mais profundo entre Peter Walsh e Clarissa, já que durante todo o livro ele só é citado por sua relação mal resolvida com Clarissa e pelo sofrimento que ela causou a ele. Ele volta da Índia pra Londres, visita Clarissa e nada de mais acontece entre os dois além de uma avalanche de sentimentos. Não há um esclarecimento entre os dois. Sally, amiga de Clarissa, que reaparece depois de tanto tempo, é que ajuda Peter a entender melhor Clarissa, mas senti falta de uma conversa direta.

Enfim, é um livro interessante, é pra ser lido sem compromisso e, principalmente, sem pressa. Não é um livro feito pra agradar. Imita as coisas como na realidade poderiam ser: inacabadas.
César 02/03/2014minha estante
ESPLÊNDIDO!


pedrobbsi 12/03/2014minha estante
Excepcional resenha Amanda, como sempre você discorreu maravilhosamente sobre o livro,
Parabéns!




anoca 24/09/2020

tão bom que DÓI
Definitivamente é uma obra que exige releituras. Eu mesma tive que ler diversas partes muitas vezes pq a autora permeia o livro com fluxos de pensamentos que se arrastam nos eventos de um único dia porém ao mesmo tempo conhecemos a história dos personagens em ritmo frenético. Muito sendo apresentado e com uma sensibilidade assustadora. Ótimo primeiro contato c a Virginia, quero ler tudo que ela já escreveu.
Maria 24/09/2020minha estante
Preciso reler. Definitivamente.


Maria 24/09/2020minha estante
Que tal "Passeio ao farol"? Ainda não li, mas é considerado uma verdadeira obra-prima :P Bora?


anoca 26/09/2020minha estante
Mariaaa, vamos ler sim, quando vc pretendia começar?


Maria 26/09/2020minha estante
Estou lendo outros livros, mas não me incomodaria em iniciar Passeio ao Farol.


anoca 26/09/2020minha estante
Infelizmente eu só consigo daqui 1 mês mais ou menos :( mas caso queira começar antes, vou amar acompanhar teus históricos de leitura




Talita 01/09/2020

Um bom livro, escrito em um ritmo corrido e de forma despretensiosa que nos faz refletir sobre vários assuntos.
A autora trás assuntos problemáticos de forma muito sutil e natural e isso é maravilhoso de se ver.
Sinto-me frustrada por não conseguir amar esta obra, sinto-me injusta com Virgínia, mas vou tentar um releitura em livro físico.
Este livro foi lido como a primeira leitura coletiva (em um grande número de pessoas kkk) que fiz na vida. Agora, vou aguardar a discussão das meninas que é sempre enriquecedora :)
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Jana 12/07/2020

Mrs. Dalloway
Achei uma leitura suuper poética, muito bonita. A história em si achei arrastada, mas é comum nesse tipo de literatura. Foi meu primeiro contato com a autora, com certeza lerei mais obras dela.
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Felipe Soares 26/01/2011

Uma leitura para a vida toda
Contém spoilers.


Mrs. Dalloway, publicado em 1925, representa um dos grandes marcos não só da literatura inglesa como também mundial, daí a razão para a frase “Mrs. Dalloway disse que ela própria iria comprar as flores”, que dá início à obra, ter se tornado bastante conhecida. Ainda que não seja a principal obra da consagrada escritora Virginia Woolf, ela é, sem dúvida, um de seus melhores trabalhos. Através de suas páginas, é possível perceber que Virginia se desnuda como ser humano por meio dos seus personagens, pois além de vivenciarem dramas semelhantes, todos parecem reter alguma característica em comum com ela.

A história se passa numa quarta feira do meio de Junho durante o ano de 1923 e retrata alguns momentos na vida de várias pessoas. A Mrs. Dalloway do título, Clarissa, é só uma delas, a que mais aparece durante a narrativa e com quem se inicia a história, mas que coexiste com outros personagens de igual importância e complexidade, tais como: Peter Walsh, Richard Dalloway, Sally Seton, Hugh Whitbread, Septimus Smith, Lucrezia Smith, Elizabeth Dalloway, Dóris Kilman, Lady Bruton. A viagem pela mente e pela vida desses seres tão diferentes se dá sempre entrecortada pela passagem do tempo, pelo barulho do relógio, pelo chamado do Big Ben, está aí a razão para o primeiro título a ser considerado para o livro ter sido As Horas.

Clarissa Dalloway cresceu rodeada por sua família em Bourton, lugar em que conheceu aqueles que lhe acompanhariam para o resto de sua vida. Sally Seton, sua melhor amiga naquela época, era uma jovem à frente do seu tempo e por quem Clarissa, desde quando a viu pela primeira vez, nunca conseguiu definir bem seus sentimentos, desde então o mundo de Clarissa virou de cabeça para baixo por causa das idéias e atitudes de sua amiga. Peter Walsh e Richard Dalloway, os homens da vida de Clarissa, representam a escolha de vida que ela teve que fazer, uma existência desordenada e aventureira ao lado de um homem com manias e que a faz se sentir inferior, como Peter, ou uma vida regrada e socialmente impecável para a qual foi criada com o gentleman que é Richard? Sua opção pelo segundo causou profundo entristecimento em Peter, o qual sempre nutriu um grande amor por ela, e que, após essa grande decepção, encontrou muito tempo depois na Índia alguém que ele pensou tê-lo feito esquecer Clarissa, mas, ao contrário do que imaginava, logo descobriu que nunca deixara de amá-la, inverso do ocorrido com a própria Clarissa na visão de Sally Do casamento com Richard, nasce Elizabeth Dalloway, uma garota de aparência e maneiras estranhas e que se mostra no meio de uma difícil relação entre sua mãe e sua tutora, Doris Kilman, já que ambas não se gostam e disputam Elizabeth entre si. Clarissa Dalloway se transformou justamente naquilo que Peter Walsh previra que ela se transformaria: numa perfeita anfitriã. É fútil, possui poucos conhecimentos e só se satisfaz quando elogiam as festas que ela costuma dar, tais como aquela para qual se prepara durante todo o livro.

Considerada como uma das criadoras do chamado fluxo de consciência, técnica que se caracteriza pela representação dos pensamentos dos personagens assim como eles são na realidade, desordenados, ilógicos e ininterruptos, Virginia Woolf se utiliza exaustivamente de tal recurso durante toda a obra, o que só acrescenta mais realismo à sua criação.

Apesar de ser resultado do seu tempo, da Londres do período entre guerras Mrs. Dalloway é uma leitura atemporal, que, ao perpassar os mais variados temas, tais como o feminismo, o homossexualismo, as doenças mentais e problemas de ordem existencial promove uma profunda reflexão em cada um daqueles que se propõem a encarar tão complexa leitura, mas não por isso menos recompensadora, que é Mrs. Dalloway.

Marco Maia 14/06/2013minha estante
Sua resenha é ótima e fluxo de consciência é muito chato. Talvez a influência dela na sociedade tenha lhe concedido um lugar entre os escritores, mas esse livro é muito chato, sem nexo.




Renato Medeiros 25/09/2010

A história da crise dos indivíduos

Clarissa Dalloway está organizando uma festa, está muito animada, alegre...parece ser feliz, mas por dentro está passando por uma crise existencial, ela não consegue entender o sentido da vida, porém ama tudo isso que a cerca, de uma forma inexplicável. Sente que falta algo, sente que a vida deve ser mais do que o papel que ela desempenha na sociedade, mesmo assim continua vivendo de acordo com as regras, tentando ser uma boa mãe e uma boa esposa.

O enredo se passa em um único dia e enfoca não só aspectos do cotidiano de Clarissa, como também os das pessoas que fazem parte dele, o interessante é que todos, de uma certa forma, se sentem como Clarissa...todos tem suas dúvidas, seus questionamentos em relação à vida...Todos estão passando por crises existenciais...A autora escreveu, na verdade, a história da crise de uma sociedade inteira, reunida em um só lugar, na festa de Clarissa, onde ela era a anfitriã.

A senhora Dalloway demonstra de várias maneiras a sua visão de realidade, porém, Septimus Warren Smith - personagem paralelo da história - expõe a realidade através da visão de um louco. Mas afinal, qual seria a verdadeira realidade? O fato é que há algo em comum entre Clarissa e Septimus, os dois têm a mesma sensibilidade, os dois não compreendem o mundo em que vivem, mas no fundo sabem o por quê...

A leitura desse livro requer muita atenção e sensibilidade, ele tem algo de misterioso, enigmático e nos faz pensar: por que algumas pessoas valorizam coisas tão grandiosas e que não valem tanto, enquanto outras observam pequenos detalhes e enxergam neles o sentido de tudo?
sonia 19/10/2014minha estante
Ela deixou de se casar com um homem que admirava para prender-se a um casamento convencional - isso não é parecer ser feliz. É uma dor contínua, sufocante. Em uma sociedade em que todos tem de colocar as máscaras, só resta mesmo muita neurose.

http://soniareginarocharodrigues.blogspot.com.br/


Ju 08/12/2017minha estante
Melhor resenha!




Juliana Esgalha @juesgalha 26/06/2020

"O mundo ergueu seu chicote; onde descerá?"
Eu vou dizer uma coisa pra vocês e veja bem, não é em tom de gabação nenhuma, mas ler Virginia Woolf não é para os fracos. Essa é a obra dela de maior sucesso e comecei a ler despretensiosamente todo dia um pouquinho durante o meu almoço que é quando tudo está mais calmo no meu trabalho. Não é um livro fluído. É uma leitura não linear, difícil, cheia de camadas e nem se quer é dividido por capítulos.

Em Mrs Dalloway, Virginia usou algo muito comum em suas obras que se chama Fluxo de Consciência – uma técnica literária que se descreve o pensamento de um personagem com o seu respectivo fluxo de consciência, ou seja, são todos os pensamentos e sentimentos complexos de um personagem com impressões pessoais do autor e isso nem de longe é uma leitura fácil. Ao menos pra mim não foi, porém eu diria que foi desafiador ler essa obra.

Mas é um bom livro. A história se passa na época da Primeira Guerra Mundial, a protagonista é Clarissa Dalloway – uma mulher rica, um tanto quanto frívola e narcisista que é casada com Richard Dalloway sendo que este trabalha para o governo. Há uma porção de outros personagens na história e que para mim, inclusive, foram muito mais cativantes e até mais complexos em termos de personalidade e pensamentos do que a própria protagonista em si: como Septimus Smith – um personagem traumatizado pela guerra abordando inclusive alguns temas de transtornos mentais no livro ou Peter Walsh que é apaixonado por Clarissa e cheio de questões existenciais, por exemplo.

Historicamente falando, Mrs Dalloway é um livro muito importante no mundo literário, sobretudo pelos temas abordados como patriarcado, algumas sutis críticas sociais entreguerras e os papéis das mulheres na sociedade. Gostei do livro, mas vou confessar que me conectei muito mais com Virginia Woolf em Um Teto Todo Seu do quem com Mrs. Dalloway, tanto que pra quem pretende começar a ler suas obras, eu aconselho a começar por algo mais fácil por assim dizer e recomendaria “Um Teto Todo Seu” primeiro.

site: https://shejulis.com/livro-mrs-dalloway/
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Léo 05/03/2020

É provável que você não saiba o que está se passando depois de algumas páginas lida; que, perdida(o), queira abandonar o livro (saiba que essa foi minha segunda tentativa). Mas ele vale a pena, vale muito a pena! O que ele fez foi me remeter às minhas experiências de leitor em formação, do frescor de cada nova palavra, do deter-se em certas frases. Pois Virginia impõe que seja lido sem pressa; e foi quando eu desacelerei que a mágica aconteceu. Então pude notar uma leve ironia percorrendo o texto, que às vezes salta na nossa frente; embora possamos não notar, quando inúmeros comentadores, diante do tanto a ser dito sobre o livro, preferem subscrever que "ele é difícil" (fui vítima desse veneno). Que desserviço. Essa obra espantosa é capaz de nos pôr a repensar a Literatura tanto quanto a maneira como lemos - ansiosa, sedenta. Deixo aqui uma lacuna ao não fazer a comparação com outros livros que se utilizam da técnica do "fluxo de consciência"; é que não os li. Não posso dizer ainda o quanto se ganha abrir Mr. Dalloway já conhecendo Proust, Joyce, Faulkner etc - fique essa ressalva. Mas posso, pelo menos, recomendar a edição da Cosac Naify (com tradução de Claudio A. Marcondes, agora publicada pela Companhia das Letras), que conta com um brilhante texto auxiliar, por Alan Pauls; texto que casa muito bem com a obra em si.
Vitória Letícia 06/04/2020minha estante
Melhor resenha!!! Estou querendo ler esse livro há um tempo e fiquei meio assustada com a quantidade de comentários estranhos sobre ele..


Léo 09/06/2020minha estante
Fico feliz por ter ajudado., Vitória.




gabiberries 24/05/2020

Pensamentos...
Este não foi um livro fácil de ler, mas foi bastante interessante. O fluxo de consciência é intenso e ininterrupto, o que fez com que eu não conseguisse parar de ler, mergulhando de pensamento em pensamento... ou seja, bem fiel à vida real rs.
Achei inovador para a época e ousado, considerando este formato tão complexo. A história em si não tem muito brilho, apesar de trazer sim alguns pontos ?tabu? e interessantes a tona de maneira quase natural.
Experiência única.
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