O Nome da Rosa

O Nome da Rosa Umberto Eco




Resenhas - O Nome da Rosa


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Fabio Shiva 28/08/2010

Umberto Eco é o Sócrates de nossos dias!
Diante dele, todo interlocutor é prontamente convertido em pupilo, pela força de sua verve, pelo brilhantismo de suas ideias, pela mente colossal de um verdadeiro gênio da raça!

Ele consegue criar histórias deliciosamente envolventes, instigantes da primeira à última página, arrebatadoras a ponto de fazer prender a respiração ao virar cada página em suspense!

Eco mostra como pode ser excitante a aventura intelectual! Não há nada de chato ou cansativo em sua inteligência exuberante!

“O Nome da Rosa” é talvez sua obra mais conhecida, com uma maravilhosa adaptação cinematográfica trazendo Sean Connery em um dos melhores papéis de sua carreira, como William de Baskerville.

Além de autor mundialmente famoso de Best-sellers, Umberto Eco é também um conceituado pensador, um filósofo da comunicação. Seus livros sobre semiologia (“Viagem na Irrealidade Cotidiana”) e teoria da comunicação (“A Obra Aberta”) são largamente utilizados nas faculdades. Isso para não falar do clássico dos clássicos, livro ao qual muitos estudantes de final de curso serão eternamente gratos: “Como Fazer Uma Tese”. Recomendadíssimo para quem prepara uma monografia.

Essa explicação foi só para mostrar como “O Nome da Rosa” é mesmo genial. Eco é sobretudo um mestre dos Símbolos! O Robert Langdon de “O Código da Vinci” de Dan Brown bem que pode ter sido inspirado nele.

Um símbolo é algo que fala de outra coisa. Pois bem, esse romance é como uma magnífica galeria de símbolos, onde tudo faz referência a alguma outra coisa. A experiência chega a ser inebriante!

A história acontece em plena idade média, mais precisamente em um mosteiro onde está para acontecer um importante debate religioso e onde começam a ocorrer embaraçosas mortes, em circunstâncias estranhíssimas. Para investigar o mistério, o monge franciscano William de Baskerville providencialmente aparece, para incômodo de alguns. Para auxiliá-lo, e também para se tornar, muitos e muitos anos depois, o narrador dessa inesquecível aventura, o noviço Adso.

Pois bem, já de cara temos:

* A ambientação da história na idade média faz referência aos romances históricos, tais como o “Ivanhoé” de Sir Walter Scott.

* O “molho” da história, no entanto, é uma típica trama de mistério: quem está assassinando os monges? Uma nova referência, desta vez aos romances policiais!

* Isso é reforçado por várias outras referências, a começar pelo personagem principal. William de Baskerville lembra muitas vezes Sherlock Holmes e o seu próprio nome é uma referência a uma de suas aventuras mais famosas, “O Cão dos Basvervilles”.

* O noviço Adso também segue adoravelmente o papel de “amigo narrador e menos inteligente que o herói detetive”. O seu nome também é uma brincadeira de Eco, pois Adso não passa de uma corruptela de Watson, o fiel companheiro de Holmes.

Por aí dá para começar a sacar como é a mente de Eco. Esse jogo de símbolos segue ad infinutum. Não há fundo. Você pode continuar mergulhando, sempre haverá um simbolismo novo brilhando adiante.

Um livro maravilhoso!

(199.. / 20...)

Evelyn Ruani 14/10/2010minha estante
Sem comentários!
Sou bibliotecária, e esse livro é especial pra mim! MARAVILHOSO!
Bjos


Bruno T. 14/10/2010minha estante
Ótima resenha ! Parabéns, Fábio.
Abçs, Bruno T.


Edna 08/09/2013minha estante
ESSE LIVRO É SENSACIONAL, FIQUEI ABISMADA QUANDO LI, FOI MAIS ESTIMULADA POR GOSTAR DE HISTÓRIAS AMBIENTADAS NA ERA MEDIEVAL. ESSE CARA É GÊNIO, O FILME TAMBÉM É MARAVILHOSO.


Yuri 20/05/2017minha estante
Resenha sensacional que resume toda a alma dessa obra-prima. Me senti deliciado e prestigiado com essa obra genialmente orquestrada!


Dan 24/04/2019minha estante
Sócrates de nosso tempos? que exagero ein, cidadão.
que viajem astral..




Polly | @blogmadrugadaliteraria 28/02/2020

O Nome da Rosa: quando a teologia e a filosofia são mais interessantes do que o mistério de um assassino em série (#099)
O Nome da Rosa entrou na minha lista de leitura por causa do Desafio Rory Gilmore (sim, aquela famigerada lista de 300 livros, que provavelmente eu nunca vou terminar de ler). Vez ou outra, eu vou lá e escolho um título aleatoriamente e ela até que me tem trazido boas leituras. Não posso dizer que O Nome da Rosa tenha me conquistado. Ele está longe de ser um daqueles livros que me prenderam e me marcaram, mas ele tem, sim, bastante coisas interessantes.

O Nome da Rosa se passa na Idade Média, para ser mais exata, no ano de 1327, em um mosteiro franciscano na Itália. Pelos olhos de Adson de Melk, pupilo do sábio Frei Guilherme de Baskerville, acompanhamos o desenrolar da investigação de um misterioso assassinato (que logo se tornará um série de mortes) no mosteiro. Bem no estilo Sherlock Holmes, vemos Guilherme decifrar os motivos e as interligações entre os assassinatos, chegando a um final, no mínimo, muito inesperado.

Confesso que não embarquei muito na investigação, acho que o Umberto Eco deu um ritmo bastante lento ao que normalmente pede um thriller e acredito que essa tenha sido a intenção mesmo. O Nome da Rosa parece ter sido escrito com o intuito de promover discussões teológicas e filosóficas e, para mim, esta é a melhor faceta do livro. Descontando as intermináveis passagens em latim, as longas conversas teológicas entre Guilherme e Adson, e entre Guilherme e o ranziza Jorge de Burgos são extremamente interessantes (pelo menos para mim que sou super interessada pelos assuntos). E dá para virar fãzinha do Guilherme, que ô senhorzinho inteligente!

Outro aspecto interessantíssimo é a colocação histórica do autor. Ele descreve o tempo em que vivem os personagens com maestria e acredito que dê para aprender um pouco sobre Idade Média, ao menos o suficiente para interessar o leitor a descobrir um pouco mais sobre essa época.

Enfim, O Nome da Rosa, apesar de ser lento para um thriller, é um livro bastante interessante e vale a pena dedicar um tempo a sua leitura. E se você gostar de história e discussões teológicas e filósicas, então... Fica a dica!
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Marcos Bassini 12/01/2009

O nome do livro
Maior que o mistério que já se prenuncia no nome do livro é o de saber como alguém conseguiu fazer um livro policial com tanta erudição e acuidade histórica sem se descuidar por um só segundo do estilo.
CrisBauer 15/01/2009minha estante
Esse é um talento que eu queria ter.


Ketlyn 22/01/2009minha estante
concordo plenamente, o livro é fantástico e apesar de ser longo consegue manter o leitor atento do início ao fim. Quanto ao mistério e as significações eram de se esperar de um dos pais da semiótica :D


Claire Scorzi 26/11/2009minha estante
concordo!




Adriana.Santos 19/03/2020

Foi difícil... No começo!
Adiei a leitura o máximo que pude, simplesmente por medo. A época, o local e trechos em latim, me afastaram, com certeza. Porém, decidi que deste ano não passava... E não passou!

Importante salientar, que em vários momentos eu quis abandonar, mas me mantive firme, lendo um pouquinho sempre que tinha oportunidade. E foi a melhor coisa que fiz!

Sem dúvida, é um dos livros que tenho orgulho de ter lido. Tenho orgulho de ter me desafiado.
Em alguns momentos até dei risada.

Super recomendo a leitura, mas já adianto que no começo é difícil e até incompreensível, mas se der uma chance, vai se surpreender com a escrita e a inteligência de Umberto Eco.
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Renata CCS 23/08/2013

“Pode-se pecar por excesso de loquacidade e por excesso de reticência (...)” U.Eco

Umberto Eco nos apresenta em O NOME DA ROSA uma jornada fictícia rumo à Era Medieval na Europa. Em um dos inúmeros mosteiros que se disseminaram nesta época por toda a Itália, uma série de crimes abala o recanto sagrado e um frade franciscano, Guilherme William de Baskerville, e é assessorado por seu discípulo, o noviço Adso de Melk. O livro conta a história de Adso já em sua velhice, narrando os sete dias em que viveu trancado em um mosteiro do século XIV. Durante esses dias uma série de assassinatos leva Adso e seu mentor a investigarem o mosteiro, recheado de personagens misteriosos e suspeitos, e os acontecimentos entre os seus corredores escuros e a majestosa biblioteca, cheia de livros grandiosos e raros. São nos livros que está o grande mistério que permeia o lugar: o proibido aos olhos da maioria se torna motivo de suspeitas, intrigas, desentendimentos e assassinatos.

Logo de início já percebemos como Umberto Eco escreve: de forma um tanto complexa, extremamente descritiva e erudita. Talvez espante os leitores mais casuais logo ali – confesso que quase me espantou – mas a insistência valeu a pena, embora confesse que outras obras de Eco não estão em minha lista de futuras aquisições.

O texto é difícil, mas é também o ponto forte do livro: é escrito de forma a parecer com um escrito do século XIV, e consegue exercer totalmente esta função. A história é instigante, porém tem um ritmo entediante. Mescla romance policial moderno com um texto erudito. Eco parece ter vivido na Itália na época dos acontecimentos narrados, pois sua narrativa é riquíssima, detalhada ao extremo. Mas não vou avaliar um livro pelo brilhantismo do autor, mas sim pela minha sensação ao término da leitura. É indiscutível que seu conhecimento e pesquisa histórica foram incríveis para construir uma obra desse porte. Para mim é um livro para fãs e conhecedores de história: estes vão apreciar mais a trama e a erudição do autor, mas o livro realmente não me prendeu.

Destacaria como um ponto negativo - ao menos na minha edição - as dezenas de citações em latim que não são traduzidas em notas de rodapé. Confesso ter ficado frustrada ter que pular partes tão grandes (citações de livros, músicas, poemas, máximas filosóficas) mesmo que não tenham feito muita diferença para o bom entendimento da história.

O livro é muito complexo, detalhista e, certas vezes, cansativo. E não é para mim. Então, que os fãs mais ferrenhos do autor não se ofendam, mas minha nota não podia ser diferente.
[email protected] 22/08/2013minha estante
Eu também fiquei frustrada pela falta de tradução dos trechos em latim.


sonia 28/10/2013minha estante
Renata, eu li uma edição portuguesa, onde os trechos estavam traduzidos, mas cheia de erros gramaticais, um horror.
Como eu aprecio filosofia, e o livro afinal trata-se de uma obra perdida de Aristóteles, deu-me o que pensar, o assunto riso, felicidade, alegria e controle ... ou perda de controle. O riso é mais poderoso que uma arma para desafiar um governo, no dizer do filósofo.
Realmente, sem entender os trechos em latim, fica difícil.


Lorena Alhadeff 27/07/2014minha estante
Este livro está sendo um desafio para mim. Os excessos na erudição das palavras e detalhes (as descrições as vezes se repetem) e os trechos em latim (que eu teimosamente tento entender usando o tradutor Google rsrsrs) deixam o livro um pouco monótono, apesar de ter todas as ferramentas para instigar nossa curiosidade. Vou até o fim, mas, sinceramente, as vezes a leitura torna-se um pouco cansativa.


Munyque 08/07/2015minha estante
Caros, encontrei um blog onde o bondoso autor compartilha suas traduções dos diversos trechos em latim do livro.
O link a seguir refere-se à primeira parte do livro (é possível encontrar as outras navegando pelo site):
http://caminhodecanoa.blogspot.com.br/2013/04/o-primeiro-dia-pag-21-videmus-nunc-per.html
:)


Daniel 02/03/2016minha estante
O que eu acho mais intrigante é como um livro tão hermético tenha virado um best seller...
Se bem que isso foi nos anos 80, outros tempos




Claire Scorzi 03/02/2009

Um romance histórico. Um romance policial. Uma homenagem - aos livros, ao ato da leitura, a Sherlock Holmes, a Jorge Luis Borges (Embora esta última homenagem soe um tanto ambígua). Eco escreve um romance que é maior do que a soma de suas características, acabando inclassificável - e maravilhoso.

Pode ser lido pela trama de mistério; pelas citações literárias (Sherlock Holmes, a Bíblia, Aristóteles, outros textos antigos); pelo amor a livros antigos; pelo desenho fascinante das personagens; pela erudição do autor. Qualquer motivo é válido.
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Marcos Ferraz 01/04/2020

Uma parábola da história da humanidade.
Eu nunca tinha lido o livro, nem assistido ao filme. E gostei muito. Um dos melhores que li recentemente.

Trata-se de uma trama passada no ano de 1327, ou seja, na Baixa Idade Média (século XI ao XV), período marcado pela desintegração do feudalismo e formação do capitalismo na Europa Ocidental. Ocorrem, nesse período, transformações na esfera econômica (crescimento do comércio monetário), social (projeção da burguesia e sua aliança com o rei), política (formação das monarquias nacionais representadas pelos reis absolutistas) e até religiosas, que culminarão com o cisma do ocidente, através do protestantismo iniciado por Martinho Lutero na Alemanha (1517).

Destaca-se também o movimento renascentista que surgiu em Florença no século XIV e se propagou pela Itália e Europa, entre os séculos XV e XVI. O renascimento, enquanto movimento cultural, resgatou da antiguidade greco-romana os valores antropocêntricos e racionais, que adaptados ao período, entraram em choque com o teocentrismo e dogmatismo medievais sustentados pela Igreja.

E o livro traz justamente este contexto de enfrentamento entre a racionalidade (re)nascente e o obscurantismo convenientemente mantido pelo poder dominante, incluído especialmente o poder da Igreja. Sobre este pano de fundo, o monge franciscano Guilherme de Baskerville representa o intelectual renascentista que, com uma postura humanista e racional, consegue desvendar a verdade por trás dos crimes cometidos em um mosteiro beneditino ao qual acabara de chegar com seu escriba e jovem discípulo Adso de Melk, que é quem narra toda a história num manuscrito ao final de sua vida.

O livro traz os elementos formadores da cultura e do pensamento modernos, no período da transição da Idade Média para a Modernidade.

Apesar de poder ser lido normalmente como um romance policial, dada a investigação das misteriosas mortes dos monges, o livro tem, na verdade, uma camada subjacente bem mais densa, com caráter filosófico, quase metafísico, já que nele também se busca a verdade, a explicação, a solução do mistério, a partir de um novo método de investigação. E Guilherme de Baskerville, o frade fransciscano detetive, é também o filósofo, que investiga, examina, interroga, duvida, questiona e, por fim, com seu método empírico e analítico, desvenda o mistério, ainda que para isso seja pago um alto preço.

A obra traz muito do pensamento de Santo Agostinho (354-430), um dos últimos filósofos antigos e o primeiro dos medievais, que fará a mediação da filosofia grega e do pensamento do início do cristianismo com a cultura ocidental, dando origem à filosofia medieval, a partir da interpretação de Platão e o neoplatonismo do cristianismo. As teses de Agostinho nos ajudarão a entender o que se passa na biblioteca secreta daquele mosteiro beneditino, na qual estavam guardados, em grande número, códigos preciosos: parte importante da sabedoria grega e latina que os monges conservaram através dos séculos.

O acesso à biblioteca é restrito, porque há ali um saber que é ainda estritamente pagão (especialmente os textos de Aristóteles), e que pode ameaçar a doutrina cristã. Como diz ao final Jorge de Burgos, o velho bibliotecário, acerca da obra Poética, de Aristóteles – trazido à abadia por meio de obras dos árabes que dominaram a península ibérica e grande parte da Europa –, a comédia pode fazer com que as pessoas percam o temor a Deus e, portanto, faz desmoronar todo esse mundo.

Mas não era só uma questão a respeito do sentido filosófico do riso. O saber técnico-científico do mundo europeu era nesta época extremamente restrito e a contribuição dos árabes será fundamental para este desenvolvimento pelos conhecimentos de que dispunham de matemática, de ciências (física, química, astronomia, medicina) e de filosofia. O pensamento agora (Aristotélico) será marcado pelo empirismo e materialismo. Um enfrentamento da mistificação então reinante na cultura e na sociedade europeia de então.

Há também importantes e acaloradas discussões acerca da riqueza material da Igreja, onde surge um enfrentamento das ideias franciscanas a respeito da pobreza de Cristo e de seus seguidores, chegando a haver movimentos para frustrar a realização de um conclave que decidiria se a Igreja deveria doar parte de suas riquezas. Instala-se até mesmo um Tribunal de Inquisição para julgar e condenar adeptos de tais ideias, consideradas heréticas à época.

O nome da rosa é um livro escrito numa linguagem da época, cheio de citações teológicas, muitas delas referidas em latim. É também uma crítica do poder e do esvaziamento dos valores pela demagogia e pela hipocrisia, pela perversão dos costumes, os conflitos no seio dos movimentos heréticos, a luta contra a mistificação e o poder.

Uma parábola ao mesmo tempo sangrenta e patética da história da humanidade.
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Coruja 22/05/2015

A primeira vez que tentei ler O Nome da Rosa, eu tinha uns dez para doze anos e terminei largando o livro de lado, traumatizada e complexada pela quantidade de vocabulário que não conseguia compreender. Isso me gerou uma bizarra aversão a Umberto Eco, que terminei por reencontrar pouco menos de dez anos depois, na faculdade... e aí foi amor à segunda vista.

Desde que me vi às voltas com Superinterpretação e Interpretação, Eco se tornou uma das paixões da minha vida e fui lendo tudo o que ele já publicou, fosse ficção ou não-ficção. Mas ainda relutava a voltar a esse volume; a lembrança daquela primeira leitura deixava-me bastante temerosa a tentar uma releitura para então descobrir que continuava sem entender lhufas.

Depois de muito enrolar, afinal tirei o volume da estante e a primeira coisa que atentei foi para uma nota que dizia que a nova edição publicada tinha sido revisada pelo autor para tornar o romance mais compreensível. Minha primeira reação foi “ok, então eu não fui a única a ficar viajando no livro!”. Minha segunda reação foi pensar “estamos então nivelando por baixo? Sacrificaram o livro para torná-lo mais palatável ao leigo?”.

Enfim... comecei a ler. Achei que ia ler um capítulo e parar, depois ler um capítulo e parar, depois mais um e parar para assim conseguir digerir o que tinha lido. A verdade é que li mais da metade do livro num dia só, sem querer largá-lo sequer para ir almoçar e no dia seguinte amanheci já com o nariz enfiado na história, terminando a segunda metade.

Cheguei à conclusão que transformei O Nome da Rosa da minha memória num bicho-papão. E, hilariantemente, tendo reencontrado o livro pelo menos uma década mais madura, ele agora se tornou um favorito.

Eco é um professor de semiótica, um estudioso da linguagem e, como tal, sua obra está recheada de referências linguísticas e vocabulário da época em que suas histórias se passam. Considerando que o centro da ação em O Nome da Rosa é um mosteiro medieval, isso significa que há frases e por vezes até parágrafos inteiros em latim.

Creio que a edição revisada traduz essas latinizações mais extensas, porque hoje em dia quase ninguém fora do curso de letras estuda algo de latim. Vejam bem, nem tudo é traduzido, mas o que continua em latim (e outros vernáculos) é compreensível pelo contexto – e, mesmo que não seja, é algo que serve mais para estabelecer o clima da história que para entender o que está acontecendo na narrativa.

Feitas todas essas considerações, vamos falar da história propriamente dita. O Nome da Rosa é narrado pelo monge Adso de Melk, que relembra eventos que ocorreram décadas antes, quando era ainda um noviço, e acabou por se envolver numa trama que misturava sexo, assassinatos, dogmas religiosos, e uma biblioteca labiríntica que serve de cobiça para muitos.

Adso é aprendiz sob as ordens do frei Guilherme de Baskerville, que deixou o serviço junto à Santa Inquisição para procurar verdade e conhecimento, tornando-se uma espécie de lógico silogista, discípulo de Roger Bacon e William de Occam.

Guilherme e Adso chegam à Abadia que serve de cenário para a história – e que é também a maior biblioteca da cristandade, reputada por seus inúmeros raros tomos e construída como um labirinto – para participarem de um debate entre facções clericais e são imediatamente surpreendidos com a descoberta do cadáver de um monge – e desse momento em diante os corpos começarão a se empilhar, seguindo um roteiro bíblico para disposição das mortes.

Guilherme é claramente uma versão medieval de Sherlock Holmes: britânico; fiel à lógica dedutiva através da observação; seguido por um companheiro cujas tentativas por vezes desastradas de acompanhar seus saltos de raciocínio emulam o próprio leitor e, claro, um sobrenome diretamente tirado dos romances de Conan Doyle são todos pistas bastante óbvias. Seu interesse nas investigações em torno dos assassinatos é menos pelas paixões humanas e mais pelo grande prêmio que todos parecem cobiçar: um livro misterioso com potencial para modificar dogmas doutrinários de seus pares.

O Nome da Rosa é, em realidade, um livro bastante sui generis. Ele começa como um romance policial, avança para um tratado de filosofia sobre fé e razão e a própria natureza da religião, tem lances de folhetim melodramático repleto de amores ilícitos e é, em sua totalidade, um estudo magnífico da cultura medieval.

Como entretenimento, funciona MUITO bem e somos pegos pelos mistérios que se concentram em torno da labiríntica biblioteca; como reflexão filosófica, é uma obra-prima sobre significado, interpretação e linguagem.

Como praticamente todos os livros do Eco, O Nome da Rosa permite vários níveis de percepção, sempre com uma sutileza impressionante. Por isso, é o tipo de volume para o qual você acaba retornando, e em cada releitura, descobre algo de novo.

Estou ridiculamente feliz de ter me livrado de meus preconceitos de infância e gostaria mais uma vez de agradecer ao meu antigo professor de hermenêutica: você pode não ter aparecido mais que duas vezes para dar aula em um inteiro semestre, mas pelo menos você me deu um motivo para me obrigar a ler Eco. Estou em dívida eterna com você.

site: http://owlsroof.blogspot.com.br/2015/05/para-ler-o-nome-da-rosa.html
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Kazu 19/04/2020

Indubitavelmente, trata-se de um clássico!
Já havia tentado ler ?O Nome da Rosa? na adolescência, logo após a sua publicação, mas abandonei o livro. Na época achei o texto rebuscado demais, cheios de termos em latim, muito difícil de ler. Quarenta anos depois, resolvi retomar a leitura, e valeu pena a espera. A idade ajuda, e essa edição especial da editora Record é um espetáculo à parte. O enredo é mais do que conhecido, tendo sido passado para os cinemas e algumas séries de tv. Um monge franciscano, Guilherme de Baskerville, é convocado para investigar o assassinato de um monge dentro de uma abadia na Itália medieval. A história é narrada por seu discípulo e escriba, um noviço beneditino, Adso de Melk. Umberto Eco desfila toda sua erudição sobre a Idade Média, o que pode tornar a leitura para algumas pessoas um pouco enfadonha. Eco narra com detalhes impressionantes os costumes da época, as construções, e principalmente, a filosofia religiosa e as intrigas políticas entre a realeza e a Igreja católica medieval, bem como, os conflitos dentro da própria Igreja entre seus grupos religiosos. O principal cenário do enredo se passa na biblioteca da abadia, outro motivo para Umberto Eco apresentar todo seu conhecimento. O livro em si é excelente, mas não podemos deixar de fazer menção ao lindíssimo projeto gráfico do livro. Ele vem em capa dura, com uma gravura em tema medieval muito bonita. O papel off-white não é muito fino e também não chega a ser muito branco, com tipografia Minion Pro e espaçamento entre as linhas suficientes para tornar a leitura muito agradável. A tradução é de Aurora Fornoni Bernardini e Homero Freitas de Andrade. Porém, em 2012, Umberto Eco revisou o texto original e esta revisão não consta das edições anteriores. Assim, essa edição de luxo vem com revisão da tradução feita por Ivone Benedetti, bem como, acompanhada de um glossário das expressões em latim, o que ajuda a compreender várias passagens do livro. Já escrevi em outras resenhas, alguns livros precisam da época certa para serem lidos e merecem sempre uma segunda chance. Foi o caso de ?O Nome da Rosa?. Trata-se de um clássico. Recomendo a leitura.
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Evelyn Ruani 12/10/2011

Um dos meus livros favoritos e acho que nem preciso dizer porque: tem como ponto crucial da história uma biblioteca! A partir daí o livro e seu autor já haviam me conquistado. Mas não é só por isso que é um bom livro.

A historia gira em torno da investigações de uma série de assassinatos misteriosos cometidos dentro de uma abadia medieval. Com estilo meio Sherlock Holmes, o frade franciscano Guilherme e seu assessor Adso são os detetives responsáveis por descobrir a verdade por trás das paredes sacras da Abadia e apesar da resistência dos religiosos do local, seguem a fundo em sua busca até que desvendam que as causas dos assassinatos está ligada diretamente a uma biblioteca que mantém em segredo obras apócrifas não aceitas em consenso pela igreja cristã da Idade Média.

Para entender melhor, é necessário explicitar que o ano é 1327, alta Idade Média, onde se retoma o pensamento de Santo Agostinho que estabelece que os cristãos podem e devem tomar da filosofia grega pagã tudo aquilo que for importante e útil. Esse elo entre o cristianismo e a filosofia e ciêcia dos antigos é que faz com que a Biblioteca do Mosteiro seja tão secreta, pois guarda entre suas paredes um saber que ainda é estritamente pagão (especialmente os textos de Aristóteles) e que ainda não foram devidamente interpretados no contexto do cristianimso e, portanto, pode ameaçá-lo.

A fala do velho bibliotecário, Jorge de Burgos, em relação aos textos de Aristóteles, nos mostra bem essa visão de ameaça: "a comédia pode fazer com que as pessoas percam o temor a Deus e, portanto, faz desmoronar todo esse mundo".

O Nome da Rosa é uma crítica ao poder e perda dos valores pela demagogia. Uma luta patética e sangrenta que impedia que o conhecimento fosse acessível por medo de perder o domínio. A Biblioteca em si foi construída sob a forma de um labirinto que mesmo que alguém conseguisse entrar, no final era morto. Apenas alguns do alto grau da igreja tinham acesso. A informação representava dominação e poder e por isso se deixava a maioria na ignorancia.

A narrativa de Eco, apesar de ter escrito o livro na linguagem da época e ser cheio de citações filosóficas, algumas inclusive em latim, é maravilhosa e impossível de largar. Posso com certeza estar sendo suspeita ao dizer isso, pois o tema muito me agrada, mas vale a pena a leitura.

Super recomendo!
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Vanessa.Benko 03/03/2020

Sobre imagens e significados
Li este livro para um trabalho de faculdade e ficou difícil fazer uma resenha "resumida" dele... mas vamos lá!

Mesmo que haja pontos em comum com outros leitores, cada pessoa tem um sentimento perante a “imagem” que o livro adquiriu para si. Para mim, realmente o termo imagem é o adequado neste caso, pois pode ser definida como “uma seleção da realidade associada à uma seleção de elementos representativos e uma estruturação interna que organiza os referidos elementos. Assim, cada indivíduo cria uma estrutura da imagem de acordo com aquilo que sente, que imagina. Estas imagens também podem mudar de acordo com o tempo, com nossas reflexões, debates e até mesmo de acordo com nosso humor.
Toda leitura é suscetível de possuir as diversas imagens de acordo com as interpretações do leitor; até mesmo leituras diferentes do que o autor objetiva criar. Mas no caso desta obra, conforme nos envolvemos na leitura, nas descrições, nas curiosidades, percebemos a construção de um verdadeiro labirinto, fazendo com que o leitor prenda o máximo sua atenção nos fatos ocorridos, nos símbolos. No meio de tantas verdades a serem desvendadas, portanto, o que percebemos da imagem que o autor cria da biblioteca, descrita como o verdadeiro labirinto? Ou ainda mais, qual o significado do acesso ao acervo ser proibido? A biblioteca é descrita como um labirinto inacessível, no qual apenas o bibliotecário e seu assistente tinham acesso. Sua arquitetura dificultava a localização dos volumes, possuindo salas e estantes distribuídas aparentemente sem lógica. Era uma maneira nunca vista antes de se organizar os livros, tornando-se uma forma mais forte de proibir o acesso de outros monges. Então, além de ser proibido adentrar na biblioteca, sua organização era confusa a ponto de alguém até mesmo se perder lá dentro, caso ousasse entrar. Não era possível encontrar rapidamente algum livro que estava procurando, mesmo esta biblioteca contendo um dos maiores acervos da época.
Está presente aqui o conceito de silenciamento, como uma idéia de censura de certos sentidos. Há coisas não devem ser ditas, escritas ou lidas por determinadas pessoas. A curiosidade é tida como algo insensato e um erro, que poderia significar, após a interpretação de textos, um questionamento das doutrinas da Igreja. Na época na qual se passa a historia, havia expressa vontade da Igreja em esconder certas verdades dos ditos ‘leigos’, de forma a garantir sua superioridade e vontade. Houve a instauração da Inquisição, para punir os hereges que foram contra a Igreja, já que esta não aceitava que pessoas comuns atribuíssem significados diferentes aos seus sobre os fundamentos do catolicismo e da Bíblia. A leitura de livros tidos como ‘pagãos’ poderia disseminar idéias contrarias às pregadas pela Igreja e poderia suscitar dúvidas sobre seus meios e fins. Esta imagem da Igreja não é diretamente contestada, mas significa através de fatos; além dos livros estarem proibidos, ainda há outros fatos, como a o julgamento errôneo feito pela Inquisição.
Outro aspecto relevante sobre a produção do texto e imagem, Adso cria a narração de forma bem interativa, como se até mesmo tivesse algum relacionamento com o leitor. Expõe suas idéias, ironiza e até pressupõe o que o leitor entende dos fatos (ou pelo menos o que o leitor deveria entender), como percebemos neste trecho: “Embora o meu mestre dissesse estas coisas com tom quase distraído, o meu leitor terá compreendido como aquelas palavras perturbavam o pobre despenseiro” (ECO, pág. 220). Ou ainda, demonstra vagamente o que acontecerá nas próximas paginas, e de que forma o leitor deve “ler” os acontecimentos e expressões: “Quem ele foi e o que fazia, meu bom leitor, poderás talvez deduzi-lo melhor das ações que operou nos dias que passamos na abadia. Não te prometi um desenho completo, mas sim um elenco de fatos (isso sim admiráveis e terríveis)” (ECO, pág. 12).
Para mim particularmente, a melhor descrição de Guilherme encontra-se nesta passagem, logo no começo do livro: “Assim era o meu mestre. Não só sabia ler no grande livro da natureza, mas também do modo como os monges liam os livros da Escritura e pensavam através deles” (ECO, pág. 16). Acredito que podemos acrescentar muito ao nosso conhecimento próprio se conseguirmos ler da forma que outros lêem. Podemos pensar da seguinte forma: quando estamos angustiados com algo, certamente é um alivio quando alguém conversa conosco e entende perfeitamente a forma como nos sentimos a até dizem as exatas palavras que queremos ouvir. Mas será que pensamos no quão maravilhoso pode ser quando nos colocamos no lugar da pessoa que ‘decifra’ e entende outrem? Ou pensamos no quanto nosso conhecimento cresce a medida que aprendemos com as imagens de outros? Signos, sinais... imagens. Como disse Guilherme: “Nunca duvidei da verdade dos signos, Adso, são a única coisa de que o homem dispõe para se orientar no mundo” (ECO, pág. 400).
leticiaagostinho 04/03/2020minha estante
Esse livro foi indicação de faculdade mas não senti vontade de ler até ver sua resenha!


Vanessa.Benko 04/03/2020minha estante
Fico extremamente contente que te motivei! Depois que você ler, te mostro meu artigo inteiro sobre ele!




Conça 28/03/2020

Minhas impressões, opniões e sentimentos
5 estrelas!!!!!!!
Um livro profundo, polêmico, histórico e surpreendente!

Descobri o livro através de um grupo de leitura coletiva e fiquei encantada com a edição da editora Record, capa deslumbrante e o melhor de tudo, um livro completo desde nota da revisão até o pós escrito a ?O nome da Rosa?. Inclusive título que chamou bastante minha atenção.

Primeiro livro que li de Umberto Eco, que além de escritor, é também filósofo e linguista e possui diversas obras consagradas na área de semiótica, comunicação de massa e estética medieval. (Quero poder ler outras obras desse escritor extraordinário).

O livro incialmente define como um romance policial e me causou uma primeira impressão de profunda incerteza se seria da minha capacidade de conhecimento acompanhar esse leitura. Assim, resolvi ser desafiada.

O enredo de O Nome da Rosa se passa em uma época medieval, mais precisamente dentro de um monastério, que eram muitos durante este tempo e estavam espalhados por toda a Europa. O autor é bastante detalhista, e nos apresenta com detalhes a região onde está o monastério e como ele se parece.
Porém, algo de estranho está acontecendo neste lugar e abalando a calma e a tranquilidade que sempre estiveram presentes. Ainda nos primeiros momentos do livro descobrimos que uma série de crimes vem assustando quem vive por ali. Logo em seguida, sabemos também que um frade franciscano, juntamente com seu fiel discípulo, resolve investigar.

Quem vai nos conduzindo na narrativa é Adson, o fiel discípulo de Frei Guilherme. Durante toda a leitura fui sendo conduzida de forma bem aprofundada os mistérios entorno da religião e da política na disputa do poder. A religião andando em mão contrária, negava e obstruía a sociedade o direito ao conhecimento e evolução da humanidade, punindo severamente aqueles que buscavam a sua verdade até entre o bem e o mal.

Os personagens bem evoluídos e construídos vão dando a grandeza da obra de forma minuciosa, dando pistas de ensinamentos e passagens dignas de questionamentos. O que mais me impressionou foram as discussões filosóficas e o deslindar do poder da sapiência, deixando muitas vezes de lado o mistério que envolvia o romance e mais ainda quando somos surpreendidos com as revelações finais.

O resultado dessa leitura confirma minha opinião formada quanto a esses dois assuntos: religião e política, assuntos que motiva muitos embates e desordens na nossa sociedade em tempos atuais.
O maior sentimento que tenho dessa obra é de amor ao conhecimento, que eu nunca me sinta saciada de buscar cada vez mais e sempre.

Recomendo a obra para todos leitores em geral, especialmente e principalmente para pessoas com culturas religiosas que precisam sair de dentro dessa muralhas em busca de mais esclarecimento para entender e compreender fora da caixinha o que é verdade e mentira.
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Alessandra @euamolivrosnovos 11/06/2020

Em meados do século XIV, um mistério espantoso assombra um mosteiro franciscano na Itália. Adso e seu sapientíssimo mestre Guilherme precisam investigar uma morte que aparenta envolver muito mais do que um simples acaso.

Suspeita-se que muitos monges locais estejam cometendo heresias e desvirtuando os ensinamentos cristãos. Outro ponto é que o Abade, embora tenha solicitado ajuda, proíbe terminantemente o acesso à biblioteca, portadora de muitos segredos.

Um jogo de interesses perigoso polariza importantes nomes da Igreja e de fora do clero. Ambos têm encontro marcado na abadia para discutir seus pontos de vista em meio a tantas outras confusões.

Este era um livro que eu era louca para conhecer e não poderia ter tido uma experiência melhor. O autor escreve com maestria e é de fato um grande professor ao longo das páginas. O leitor é arrastado para inúmeras argumentações memoráveis, tanto relacionadas à teologia como à forma de governar e enxergar o mundo a seu redor.

Adso é um monge iniciante, ainda jovem, com muitas dúvidas e despreparado para o que encontra nos demais companheiros de hábito. Já Guilherme, figura importante, mesmo com tanta experiência como inquisidor ainda assim se surpreende com as barbaridades que se sucedem nos dias passados como hóspede do local.

Uma história repleta de passagens marcantes e belas que, com certeza, tem razão em ter conquistado seu posto de grande obra. Apesar da quantidade de páginas, não se deixe assustar, é uma leitura fluida e gostosa, em que se vence os capítulos com muita facilidade.

O único ponto negativo da edição que possuo é a quantidade de frases em latim sem tradução alguma que, embora não prejudiquem o entendimento da narrativa, com certeza mereciam notas de rodapé para complementar a experiência de leitura.

site: https://www.instagram.com/euamolivrosnovos
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Adriana Pereira Silva 25/01/2020

Conhecimento é poder?
Conhecimento é poder?
O escritor italiano Umberto Eco nasceu e viveu de 1932 (Milão, Itália) a 2016. Foi também professor na Universidade de Bolonha, na Itália, de várias disciplinas, entre elas, Linguística, Filosofia, Histórica e Semiótica.
O nome da rosa foi seu primeiro romance, quando combinou essas disciplinas com histórias de detetive.
Esta obra tem uma ambientação medieval e eclesiástica, muitas passagens em latim, sua história aborda muitas disputas eclesiásticas, com diálogos sobre teologia, filosofia, história e linguística, além de ter um título misterioso.
A história se passa em novembro de 1327 e se inicia com a chegada do frei Guilherme de Baskerville, monge franciscano medieval britânico, e seu jovem assistente alemão, Adso de Melk a uma grande abadia, localizada num local afastado ao norte da Itália, famosa por abrigar uma das mais famosas bibliotecas da cristandade.
Nessa época, em plena Idade Média, conhecida como injustamente como a “Idade das Trevas”, havia muitos cientistas produzindo novos conhecimentos, como entre os árabes do Oriente Médio (matemática, biologia, medicina, astronomia, dentre outras).
Mas na Europa, esses conhecimentos não podiam circular livremente, pois eram monopólio da Igreja Católica, que deteve bibliotecas com livros de todo o mundo, onde ficavam escondidos dentro de abadias e monastérios, sendo inacessível inclusive aos monges que ai moravam, que não tinham autorização de entrar onde estavam esses livros.
No entanto, haviam os monges copistas, responsáveis por copiar à mão, traduzir e ilustrar os livros, mas somente aqueles em que o bibliotecário-chefe lhes dava autorização. E essas bibliotecas recebiam muitos monges copistas que vinham de vários locais do mundo, trocando livros por cópias de onde estavam visitando.
E assim, frei Guilherme chega a abadia com a missão de investigar a morte de um monge e intermediar uma grande reunião entre os grandes representantes da Igreja Católica, a fim de facilitar o encontro que haveria para o concilio da igreja que estava havendo nessa época. Nesse concílio, como também no encontro da abadia, discutiam-se questões da fé, da igreja, e em especial, nessa obra, sobre o riso, que faz com que a pessoa não tenha medo, o que é ligado à religião.
“O riso liberta o aldeão do medo do diabo [...]. Quando ri, enquanto o vinho borbulha em sua garganta, o aldeão sente-se senhor, porque inverteu as relações de poder [...]. por alguns instantes, o riso faz o aldeão esquecer o medo. Mas a lei se impõe por meio do medo, cujo nome verdadeiro é temor a Deus. [...] Para o aldeão que ri [...] a morte não lhe importa: mas depois, acabada a licenciosidade, a liturgia impôs de novo, de acordo com o desígnio divino o medo da morte. [...] o que seremos nós, criaturas pecadoras, sem o medo, talvez o mais benéfico e afetuoso dos dons divinos?”
Uma série de assassinatos começa a ocorrer quando lá chega e acaba por concluir que as mortes tem haver com os mistérios que se escondem na biblioteca. Fato que fica evidente para eles ao constatar que o abade e o bibliotecário tentam controlar e manter em segredo o conteúdo de muitos livros que estão escondidos num labirinto de câmaras. “Seria essa uma medida para proteger os monges de heresias proibidas ou esta seria apenas uma prova de que conhecimento significa poder”, propagação ou não do conhecimento.
Assim, baseando-se nessa premissa, começam suas investigações, com grandes acontecimentos, mistérios e descobertas.
Apesar da resistência de alguns religiosos do local, desvenda as causas dos crimes, ligadas à manutenção de uma biblioteca que mantém em segredo obras apócrifas, obras que não seriam aceitas em consenso pela igreja cristã da Idade Média, como é a obra risonha criada por Umberto Eco e atribuída romanescamente a Aristóteles. A aventura de Guilherme é quase quixotesca.
Uma obra maravilhosa, em que Umberto Eco homenageia, por meio de Adso, o detetive Watson, e por meio do frei Jorge, que tinha sido bibliotecário e era cego, a Jorge Luiz Borges, também bibliotecário na Argentina. Além disso, Umberto Eco faz um trabalho primoroso com a reconstrução da época, que nos leva a viver a Idade Média sem lá estar.
Interessante também é desvendar o porquê do título da obra, fato que pode ser analisado na última frase do livro, em latim. O título terá uma compreensão para cada um de acordo com a experiência que se teve durante a leitura.

 SPOILER:
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Na pág. 541, traduz-se: “a rosa original permanece apenas em seu nome, nos apegamos apenas a nomes vazios”.
A palavra “rosa” nos remete à imagem da rosa, mesmo que ela não exista mais. Jorge, que era cego e protegia a biblioteca, morreu. A biblioteca pegou fogo. Adso conta a história em sua velhice, rememorando o que viveu, e nada nem ninguém não existem mais. Assim, o que sobrou: o nome vazio carregado de símbolos, ou seja, o nome da rosa, que é uma expressão usada na Idade Média para denotar o infinito poder das palavras.

*Minha nota foi 4,5 pela edição, que tem glossário de palavras em latim, mas não de todas as frases, deixando muitas sem tradução. Já que foi feito o glossário, deveria incluir todas, completo.

(informações baseadas nas resenhas de
Isabella Lubrano e Tatiana Feltrin,
que muito enriqueceram minhas
considerações e reflexões acerca do livro)
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