Ulisses

Ulisses James Joyce




Resenhas - Ulisses


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Quelemem 15/09/2011

Certa vez...
... ouvi falar de um livro e da dificuldade de lê-lo. Aceitei isso como um desafio. Li - pensei, sofri, senti, amei, busquei, perdi, fui. No fim, olhei para o mundo e para o ser humano, e os vi mais vastos e nítidos.
Rafael 07/09/2012minha estante
Curiosidade sobre o autor:
http://super.abril.com.br/blogs/superlistas/6-escritores-consagrados-que-nao-enxergavam-direito/?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_super




Jpg 31/03/2011

Quero ler de novo o livro antes de fazer uma resenha decente. Mas meus dedos coçam e minha mente não se conforma em esperar. Por isso só vou deixar uma nota à quem interessar.

Não posso dizer que sou um literato nem tenho nenhum tipo de formação em literatura e, com certeza, a tradução de Antonio Houaiss não é muito tragável, mas considero essa obra como uma "peneira modernista" - um filtro - que separa os amantes da linguagem e da escrita, dos simples amantes de historinhas. E é exatamente por isso que muitas pessoas não gostam dele, que o consideram ruim; e normalmente esses leitores são os mesmos que acreditam em vampiros que brilham, ou em algum tipo de mago da auto-ajuda.
Renan 25/07/2011minha estante
pô! depois dessa deu vontade de ler!!!!


Mika 26/11/2011minha estante
gostei principalmente das últimas referências, apesar de ter lido e gostar no tempo que li desses vampiros, também sei admirar obras de verdade.


Mah 23/07/2012minha estante
Leio muito historinhas assim, Me dizem que não tenho idade p/ estas leituras... Mas quer saber?! Cou ler e ponto! kkkkk


Mah 23/07/2012minha estante
Leio muito historinhas assim, Me dizem que não tenho idade p/ estas leituras... Mas quer saber?! Cou ler e ponto! kkkkk


Márcia 31/07/2012minha estante
Também não tenho nenhuma formação em literatura, o que tenho é muita Paixão! Já tentei ler Ulysses 2 vezes mas com tradução do Antonio Houaiss, agora ganhei de presente com a tradução Caetano W. Calindo,sempre tive muita vontade de ler esse livro, sinto que agora vou conseguir.


Regina 04/10/2017minha estante
Deve ser a quarta vez que recomeço a leitura... Desta feita tenho esperança de chegar mais longe, porque também faço acompanhar a leitura da bússola do tradutor, Caetano W. Galindo - "Uma Visita Guiada ao Ulysses de James Joyce", e, de quebra, me delicio com as observações de Noga Sklar em "O Gozo de Ulysses". Torna-se mais longo o percurso, mas não me perco tanto com tais cicerones... Talvez eu morra tentando... Ou, quem sabe, venha fazer uma resenha antes de partir para o céu dos livros, sonhado por Borges. Foi Borges, eu acho, que sonhou um paraíso povoado de livros...




Luiz C. Amorim 12/03/2010

O LIVRO ILEGÍVEL
Por Luiz Carlos Amorim (escritor e editor http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br - Http://luizcarlosamorim.blogspot.com )

Li recentemente Sambaqui, romance de Urda Alice Klueger, livro que recomendo, e depois acabei de ler 1808, livro do jornalista Laurentino Gomes, que tem o curioso subtítulo Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil. O livro é resultado de dez anos de pesquisa investigativa e resgata um pouco da história da corte portuguesa no Brasil, da verdadeira história, não aquilo que lemos nos livros didáticos, superficiais e vagos. Vale a pena ler o livro com suas 414 páginas, para saber como e porque a família real portuguesa fugiu para o Brasil e como foi o reinado de D. João VI, um rei gordo e comilão, ainda que bonachão, que tinha medo de tomar decisões, mas que se manteve no poder. E as transformações que o Brasil sofreu com a invasão dos portugueses, que culminaram com a nossa independência. É curioso, interessante e divertido. O autor conseguiu fazer com que uma narrativa histórica tomasse ares de romance, com um tom leve e agradável.
Antes de ler esses dois bons livros, já tinha começado a ler Ulysses, de James Joyce, mas como o livro havia se revelado hermético desde o início eu havia conseguido ler as primeiras cento e cinqüenta páginas, com muito custo resolvi me dar uma folga. Como prometi a mim mesmo que iria ler aquele livro até o fim, tentei retomar a leitura.
Tenho o livro há anos, mas como ele tem oitocentos e cinqüenta e duas páginas, só há pouco tempo resolvi lê-lo, porque afinal de contas, ele é um clássico. E me decepcionei. Já li outros tantos clássicos da literatura universal, como Germinal, de Zola, O Sol Também se Levanta, de Hemingway, As Vinhas da Ira, de Steinbeck, A Idade da Razão, de Sastre, A Peste, de Camus, O Precesso, de Kafka, e outros, mas nenhum foi tão difícil, tão ruim como Ulysses.
Depois de umas quantas páginas, ao perceber que não havia uma história, apenas um amontoado de trechos de conversas sem muito sentido e um emaranhado de descrições e narrativas enfadonhas feitas por narradores diferentes, sem linearidade, que mudam de repente e não se sabe quem está contando a história (história?), além de invenção de palavras, palavras valise, erros de composição, ausência de pontuação em muitos trechos, repetição à exaustão do termo no que, que poderia ser substituído por então, ao mesmo tempo e tantas outras expressões e muito uso de citações em línguas diferentes, resolvi pesquisar para saber o que diziam da obra.
Fiquei sabendo que o livro carrega, desde que foi publicado a primeira vez, a fama de não ter sido lido até o fim por ninguém. Antonio Houaiss tinha uma nova versão revisada da tradução de Ulysses, antes de morrer, sinal de que para ele fora muito difícil o trabalho de verter para o português um texto onde proliferam aglutinações de palavras (valises) e uso de outros idiomas, mais de vinte deles, além do inglês. Soube que há, ainda, outras traduções para o português, mas desconfio que parte da má qualidade do texto se deve às tentativas de verter tão complicado livro para a nossa língua. Como traduzir um texto tão grande, coalhado de palavras aglutinadas, outras inventadas, além de citações em outras línguas, sem cometer equívocos? Sem contar que o vocabulário era o do começo do século passado. Era uma obra diferente, difícil, sem qualquer possibilidade de prender o leitor, que revolucionou os meios literários da época justamente por quebrar todos os padrões literários então vigentes.
Fui ler a apresentação do romance no volume que tenho, publicado em 1983, para tentar descobrir porque ele é tido como um clássico literário. Lá encontrei que A ação de Ulysses transcorre em Dublin num único dia, 16 de julho de 1904. A divisão ternária, em perfeita simetria, evoca as significações cabalísticas do três. Estudos de lingüística, com auxílio de computador, dão Ulysses como a obra de estrutura matematicamente mais perfeita de toda a literatura. (Então por isso é um clássico? Como nós, leitores comuns, pobres mortais, poderíamos saber disso? E o que interessa isso para o leitor? Mas tem mais.)
A linguagem utilizada por Joyce, que vai do poema à ópera, do sermão à farsa, contém não apenas termos usuais da prosa clássica a mais grosseira gíria (de 1921?) mas também elementos criados pelo escritor com base em seus conhecimentos de latim, grego, sânscrito e mais dezenas de outros idiomas.
Apesar disso, acho mesmo que Ulysses é um clássico e continua sendo publicado porque Joyce pretendeu fazer um paralelo com a Odisséia de Homero, segundo consta da mesma apresentação, cuja parte transcrevi acima. As personagens centrais de Ulysses teriam correspondência com os protagonistas da epopéia grega.
Não pude comprovar isso, pois o texto é desinteressante, disperso, cansativo, o tipo da leitura que não desperta curiosidade nenhuma, não faz com que se tenha vontade de continuar lendo. A gente lê um parágrafo e quando começa o seguinte já esqueceu totalmente o que havia no anterior. O romance (?) não prende o leitor e estou fadado a não contrariar a fama do livro de não haver quem o tenha lido até o final. Tento ler mais, mas o progresso é lento e a esperança de que o texto melhore se revela vã. Serei mais um a engrossar as fileiras dos que não conseguiram terminar a leitura do calhamaço entupido de estilos e de pretensões diversos. Por falar nisso, o autor confessa que imita, neste livro, estilos de dezenas de grandes escritores da sua época e de antes dele.
Então leio mais algumas páginas e leio O Caçador de Pipas, A Menina que Roubava Livros e Crime e Castigo para compensar. Talvez ainda volte a ler mais algumas páginas de Ulysses. Nada me atrai para lá, mas quem sabe?

LMG 21/10/2011minha estante
Ainda bem que ninguém aqui é profissional.


Dave 17/01/2012minha estante
Não li o livro ainda, mas tenho de expressar minha opinião pelo que li sobre o livro desde que o descobri. Acredito que o nosso resenhista não tenha compreendido a grande riqueza deste livro. Pelo que percebi ele(o resenhista) gosta de livros que contenham um enredo, uma narrativa. Acontece que o que Joyce (e todos daquela época, isto é, início do século) queria era mandar a narrativa convencional (perdão pela baixaria) pra PQP. Ele queria mostrar o lado simples e rotineio, muitas vezes sujo e libidinoso, do homem moderno, que em nada se assemelha com o Ulisses de Homero, guerreiro, forte e digno.


LMG 26/02/2012minha estante
\/ Eh... Por aí, mas a comparação é mais com a estrutura da Odisseia do que com o herói em si. Da uma olhada no texto original do Homero e no esquema de Linati.


Luiz C. Amorim 26/02/2012minha estante
Meu caro Dave, você precisa ler o livro primeiro, para depois dar opinião. Aceito a sua opinião, desde que você tenha lido o livro. Todo. E eu falo, na resenha, mais da maneira de escrever, na misturança de estilos que ele faz, que não são nada simples nem rotineiros. Não falo da história em si.Lanço um desafio: leia o livro. Mas leia todo. Abraço do Amorim


Geovane 27/07/2012minha estante
Luiz, parabéns pela sua resenha sincera e corajosa!

Estou na segunda tentativa de ler o livro, acho que talvez consiga passar das primeiras 200 páginas dessa vez. Isso simplesmente porque minha determinação agora é maior, não porque a leitura seja de alguma forma prazerosa.

Pretendo compartilhar minha experiência depois de avançar mais um pouco, veremos como será.

abs


Renata 21/01/2013minha estante
Não li o livro e nem tenho a pretensão de fazê-lo. Pelo menos não por enquanto. No entanto, gostei muito da sua resenha e devo dizer que estou ainda mais convencida de que não me trará qualquer prazer aceitar o desafio de realizar esta leitura. Digo isso porque tentei ler Virginia Woolf (ao que me consta sofreu grande influência de Joyce em seu estilo)e tive as mesmas impressões e sensações no que diz respeito ao estilo fragmentado. Enfadonho é a palavra que melhor descreve. Abraço.


Flávia 06/10/2014minha estante
Oi Amorin! Tenho o livro e tb a leve impressão de que dentro em breve estarei endossando a sua resenha!! Acho que todo leitor deve tentar ler Ulisses e fazer como vc: falar mal (ou bem?, vá saber!) com propriedade. Abs e boas leituras!


Igor Almeida 19/03/2017minha estante
Eu li o livro até o fim e concordo com você, demorei mais de um ano e nesse entremeio li vários outros livros. Tem partes interessantes, mas mesmo essas partes são difíceis de ler. Eu só conseguia ler com atenção 10 a 15 páginas por vez e o ambiente ao redor precisava estar bem silencioso.
Várias cenas fazem referência a Dublin, aos Irlandeses e a cultura vigente, inclusive tem um capítulo inteiro que é simplesmente uma discussão de amigos sobre as obras de Shakespeare, que eu não li, e por isso também achei enfadonho. Acredito que o livro era tragável em inglês para contemporâneos dele e que compartilhavam sua cultura, mas para a gente não.
Particularmente achei os capítulos finais mais interessantes, principalmente o último. Os primeiros também são relativamente bons de ler. Mas o meio é muito maçante.
Só aconselho a leitura a quem queira se desafiar, de conseguir ler um livro extremamente lento e longo etc. mas pela história não, tem outros livros que discutem os desafios do cotidiano melhor.




jota 24/08/2020

Avaliação do livro: 5,0/5,0 (obra-prima da literatura universal); avaliação da leitura: 3,0/5,0 (difícil, densa, complexa etc.)
Vale a pena ler Ulysses? Depende. Vale pela experiência da leitura, por saciar a curiosidade de se ter em mãos um livro sem igual na história da literatura universal. Mas aproveitar completamente seu texto, como fizemos com, por exemplo, Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski ou José e Seus Irmãos, de Thomas Mann, obras também bastante volumosas, é outra história. No início, a Nota do Tradutor, Caetano Galindo, até que deixa o leitor um tanto animado diante das dificuldades que virão, sabendo ainda que para auxiliá-lo pode contar com outro volume, escrito pelo próprio Galindo, Sim, eu Digo Sim: Uma Visita Guiada ao Ulysses de James Joyce, o único que temos em português até o momento. Mas depois, ao ler a longa e erudita Introdução do professor irlandês Declan Kiberd nosso entusiasmo (pelo menos o meu) arrefece um tanto e ficamos com aquela sensação de que Ulysses será uma leitura não exatamente prazerosa, mas bastante árdua (o que já sabíamos há tempos, convenhamos). É hora de prosseguir ou desistir, ficar com outras obras de Joyce, menos difíceis, como os contos de Dublinenses ou o romance Retrato do Artista Quando Jovem. Mas prosseguimos...

A história narrada em Ulysses é a de um dia, uma quinta-feira, 16 de junho de 1904, na vida de Leopold Bloom. Um irlandês comum, “filho, pai, amante, amigo, trabalhador e cidadão”, ao mesmo tempo um dos personagens mais conhecidos e estudados da literatura universal. Um homem comum: assim também é como Anthony Burgess, o autor de Laranja Mecânica, vê Ulysses e os demais personagens criados por James Joyce (1882-1941), cuja obra ele analisou em Homem Comum Enfim (Companhia das Letras, 1994). Um homem comum que tem, no entanto, seu dia contado através de uma narrativa mutante, complexa, incomum. Extremamente incomum não apenas para a época em que o livro foi escrito (entre 1914 e 1921) mas ainda em nossos dias. Tanto que desde que foi lançado em 1922 inúmeros estudos sobre ele têm sido publicados mundo afora.

Em Ulysses não se encontra (quase) nada daquela escrita tradicional a que estamos acostumados, das histórias com começo, meio e fim tudo certinho, mas uma torre de Babel narrativa, uma montanha-russa de informações e dados com inúmeras alusões à literatura grega, à Bíblia, a Shakespeare e outras fontes, muitas fontes, diversas delas citadas em francês, italiano, alemão, gaélico, hebraico, latim etc. Predominam como formas de expressão dos personagens principais o fluxo de consciência, o monólogo interior, não há distinção precisa entre o que seja descrição, narrativa ou ação: é tudo junto e misturado. Portanto, ler Ulysses não é fácil, entendê-lo completamente (para mim) parece impossível. Mesmo assim, ou talvez por isso mesmo, muitos críticos elegeram o livro de Joyce como a obra literária mais importante do século XX. Por sua modernidade, por ser inovadora, revolucionária e plena de palavras (algumas inventadas, outras juntadas etc.), expressões e frases de duplo sentido, majoritariamente sexual, muitos palavrões cabeludos e um tanto de escatologia. Um exemplo apenas: o escritor (fictício) favorito da personagem Molly Bloom, é um tal Paul de Kock (“Nome bonito que ele tem.”, diz ela ao marido). Entendeu? Falando ainda em Molly, seu monólogo interior, a parte final de Ulysses, é a melhor de todo o livro, a afirmação da figura feminina, que até esse ponto não tinha papel central na história.

À altura do personagem-título de Joyce estariam, para alguns críticos, apenas os sete volumes de Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust (1871-1922), publicados entre 1913 e 1927. Em listas dos melhores livros de todos os tempos, não apenas do século passado, Joyce e Proust costumam perder para Miguel de Cervantes e seu Dom Quixote. Todavia, para o tradutor Ulysses talvez seja mesmo o maior de todos os romances publicados até hoje. Galindo não está falando do número de páginas, evidentemente, que é extenso, apenas deseja que os leitores não vejam em Ulysses somente um quebra-cabeças exemplar, mas um romance de fato. Porém, são tantas as charadas, as dificuldades de entender certas passagens (ou a maioria delas) que o leitor comum encontra em sua leitura, que o romance fica parecido, sim, com um grande jogo montado para divertimento do próprio Joyce e de algumas pessoas de seu círculo em Dublin, capazes de decifrar todos os enigmas que o livro apresenta ou a maioria deles. Claro que não é isso, mas...

Em Doutor Pasavento (Cosac Naify, 2009), Enrique Vila-Matas escreve que “A literatura consiste em dar à trama da vida uma lógica que ela não tem.” Parece uma frase bastante apropriada para quase todos os livros comuns que lemos, mas parece também que em Ulysses Joyce fez exatamente o contrário: o que havia de lógico (ou ilógico, contraditório, curioso etc.) na vida de Bloom, Molly ou Dedalus, pessoas comuns vivendo histórias comuns que poderiam acontecer com qualquer um, torna-se aqui um quebra-cabeças denso e complicado em que o leitor tem de se esforçar muito para juntar as peças e entender alguma coisa do que é contado. Não apenas o leitor, especialistas e críticos também. Senão não haveria tantos livros, teses e artigos tentando explicar um livro que parodia a Odisseia homérica, que “reconstrói” o clássico grego. É a história em cíclica repetição, como se fosse um ”eterno retorno” nietzschiano, mas com várias diferenças agora: Leopold Bloom aparece como um moderno Odisseu (em grego; Ulisses em latim), sua mulher Molly (Marion Tweedy, na verdade) seria Penélope e o amigo Stephen Dedalus (o alter ego de Joyce) pode ser visto como Telêmaco. E assim por diante com os demais personagens. Tudo mais ou menos assim, não exatamente semelhante conforme se passou com a narrativa homérica, transportada por Joyce para a Dublin do início do século XX.

Se Odisseu levou dez anos para voltar a Ítaca após a guerra de Troia (mesmo tempo que Galindo levou para traduzir o livro), Leopold Bloom gasta cerca de dezesseis horas perambulando por Dublin antes de voltar para o número 7 da Eccles Street, sua residência. Naquela quinta-feira, 16, Molly, a moderna Penélope, esperava não exatamente a volta do marido para casa, mas a visita do amante à tarde. Stephen Dedalus não sai à procura de Bloom como Telêmaco saiu à procura do pai, eles se encontram pela cidade. Ao contrário da história original, é Bloom (Poldy, para a mulher, diminutivo de Leopold) que busca encontrar no jovem escritor o filho que morreu logo após o nascimento. E se Molly Bloom, esposa, mãe e cantora lírica, também não é um modelo de fidelidade e virtudes, como foi Penélope, que ficou esperando o herói Odisseu tanto tempo, o marido tampouco tem algo de grande herói, é um homem comum como já foi dito (mas com alguns hábitos estranhos; segundo um acusador, Bloom guardava para contemplação um pedaço nojento de papel higiênico usado por uma prostituta). Ele é apenas um agenciador de anúncios em Dublin, filho de pai judeu e mãe católica: isso importava muito para alguém vivendo num mundo católico, o irlandês.

Joyce pretendia que Leopold Bloom, com todas as suas fraquezas e qualidades, representasse os múltiplos aspectos de cada ser humano, quer dizer, da humanidade. Por isso é que seu personagem não é um homem exatamente viril (tolerava as corneadas que Molly lhe dava, entre outras fraquezas), porque Joyce acreditava, conforme o professor Kiberd, que ele, Leopold, poderia ser o homem andrógino do futuro, com comportamento masculino e feminino perfeito. Mas enquanto isso não ocorre, Bloom, o andrógino imperfeito, inicia seu dia joycianamente. Perambula pela cidade, vai a diversos lugares, a um enterro, mais tarde a uma maternidade, depois a um prostíbulo, relembra ou imagina coisas, conversa com diversas pessoas, observa outras, caminha com Stephen Dedalus pelas ruas etc. Não quer voltar cedo para casa, daí que seu dia é uma verdadeira odisséia por Dublin. E a razão disso tudo, de não querer regressar cedo, é que ele espera que Molly esteja dormindo quando chegar. O motivo? A relação entre os dois não vai bem: Bloom sabe que a mulher, que é bela e admirada por muitos homens, o está traindo com seu empresário (dela, que é soprano, como foi dito antes). Nisso Molly é o oposto da fiel Penélope de Homero: é assim que Joyce nos apresenta a mulher de Bloom. E isso é um jogo, uma brincadeira do autor para com o leitor, entre tantas outras que o livro traz. Joyce faz isso com todos os seus personagens, apronta para o leitor brincadeiras, charadas, enigmas. Dessas coisas o livro está cheio e nem sempre (quase nunca, na verdade) é fácil decifrá-las sem ajuda.

Então é preciso ter em mente que sem algum (ou muito, depende) conhecimento prévio a leitura de Ulysses não irá muito longe, ficará extremamente difícil, complicada, aborrecida. Há gente que recomenda ler não apenas a Odisseia, de Homero, Hamlet, de Shakespeare, Dublinenses e Retrato do Artista Quando Jovem, do próprio Joyce, mas também uma introdução à literatura joyciana como o livro de Anthony Burgess, Homem Comum Enfim, ou o guia do próprio tradutor, Sim, eu Digo Sim, já citado. Foi o que usei: antes de ler cada episódio de Ulysses lia o capítulo correspondente no guia de Galindo. Ajudou um tanto, deu para entender o significado geral da obra e alguma outra coisa, mas o guia não traz explicação para tudo, como o próprio autor reconhece:

“Este livro não é um tratado acadêmico sobre o Ulysses. Ele também não é a chave de todos os enigmas nem a fonte de todos os dados. Foi inteiro pensado para o “leitor comum” e prefere partir do princípio de que o Ulysses — complexo, denso etc. — de certa forma ainda padece por causa dessas reputações. Elas são todas verdadeiras, reconheçamos, mas talvez tenham obscurecido outros méritos e outros atrativos. A ideia básica aqui é a de que todo leitor interessado em literatura de qualidade tem a capacidade e o direito de passar pela experiência profundamente transformadora que é a leitura do romance de Joyce. E não apenas os especialistas. E não somente os obcecados por charadas e estruturas.”

Para finalizar, falando em textos complexos, charadas, enigmas e quetais, há pouco me lembrei de um conto de David Foster Wallace (de quem Galindo traduziu Graça Infinita em 2014) do livro Breves Entrevistas com Homens Hediondos, Datum centurio, que me pareceu mais a descrição de um disco rígido, um DVD, uma listagem de um programa de computação, ou coisa parecida, não me recordo bem (li faz alguns anos), do que propriamente uma peça literária. Ainda que não longo, foi o texto de leitura mais desagradável do volume, o mais difícil de chegar ao final, o mais hediondo. Perto dele Ulysses até que é um tanto palatável, e além de tudo tem aqui e ali pitadas de humor, zombaria e diversas curiosidades e esquisitices que amenizam nossa leitura, sem o que ela poderia ser encarada como algo parecido com um pé no saco do leitor. Do leitor comum, eu.

Lido entre 31/07 e 24/08/2020.
Itin | @onlyforbooks_ 24/08/2020minha estante
To me preparando a alguns anos pra ler esse livro hahaha


jota 25/08/2020minha estante
É bom mesmo ir se preparando. Só fui até o fim na terceira tentativa...


André 28/08/2020minha estante
Maravilhosa resenha, um dia ainda lerei esse bonitão! hahah


jota 28/08/2020minha estante
Grato. Com muita paciência e alguma ajuda dá para ler sim! Já apreciar (entender) tudo é uma outra história. Mas vá em frente.


Paulo Sousa 31/08/2020minha estante
Estupenda análise, seu moço! E eu li Dublinenses e, sinceramente, posso viver sem o Joyce...hehehe...


jota 01/09/2020minha estante
Grato! Todos nós podemos se temos um Grande Sertão: Veredas.


Karamaru 01/09/2020minha estante
Adorei sua resenha e o critério utilizado para a avaliação do livro. Parabéns!


jota 01/09/2020minha estante
Grato!


Karamaru 02/09/2020minha estante
?




Andre 23/03/2013

A Odisseia Moderna
"Ee Gh: és gagá"

Confesso que ainda estou um pouco mortificado e confuso após ter lido "Ulysses", do autor irlandês James Joyce. Há quase três meses, embarquei numa verdadeira aventura, e mais do que tudo, num grande desafio de ler esta obra. Sempre ouvi falar que era um dos livros mais complexos de toda a história da literatura. Bem, depois de ter lido, acho que quem disse isso estava correto.

"Ulysses", escrito entre 1914-21, conta a história de um dia - 17 de Junho de 1904, uma quinta-feira - da vida de Leopold Bloom, o Ulisses da Odisseia moderno. Só que este é um homem comum, mas muito atormentado por dentro. Joyce nos mostra suas estadas por vários lugares, desde o seu desjejum. Começando por ir a um enterro de seu amigo, ele vai passando por diferentes lugares, de bibliotecas a tavernas, passando por bordeis e hospitais. Que fique claro que não entreguei nada, pois tais lugares estão presentes no roteiro do livro.

Entre as oito da manhã e as duas da madrugada, nos é apresentado, de forma surreal e divertida, todos os conflitos do aparentemente normal. Leopold Bloom. Temos a oportunidade de ver também um pouco da vida de Stephen Dedalus, um jovem estudioso com sérios problemas com os pais. Li em algum lugar que Bloom representaria um Joyce mais velho e responsável; já Dedalus, seria a versão mais nova de Joyce, em seus vinte anos, quando ainda era inconsequente e irresponsável.

Agora fica a pergunta: por que considero "Ulysses" uma das maiores, senão a maior obra-prima de todos os tempos da literatura? Primeiramente, a revolução que Joyce produziu com o seu livro no mundo da escrita. Seu texto, totalmente surreal e aparentemente sem um nexo principal, nunca tinha sido feito antes. Segundo, as várias e várias formas de linguagem que ele destila em seu livro, tais como: trocadilhos, neologismos e jogos de palavras. Terceiro, a quantidade de citações e referências históricas e literárias, tornando o livro sofisticado e ao mesmo tempo mais complicado ainda. Quarto, a descrição de certos aspectos fisiológicos do ser humano, o que levou o livro a ser proibido em alguns países. Ele, com seu linguajar despojado e não economizando palavrões, antecipa D.H. Lawrence e seu "Lady Chatterley" em alguns anos. Quinto, e o que mais me fascinou, foi o seu extraordinário tato para o humor. Em algumas partes, você simplesmente tem que gargalhar por um bom tempo. "Ulysses" foi o livro que mais me fez rir, com certeza.

Em meio a tantos adjetivos, alguns podem reclamar que a obra seja demasiada longa, truncada e complexa. Ainda mais a versão que li, traduzida por Houaiss, em 66. Tendo-se paciência, tempo e calma, a leitura deste livro torna-se agradabilíssima. E de quebra, tem-se a chance de se ler um dos livros mais revolucionários, engraçados e bem-escritos de todos os tempos. James Joyce e seu "Ulysses" foram um marco não só para o Modernismo em voga na época, mas para a história da literatura em geral. Fica parecendo que tudo o que era possível se fazer numa obra de arte, Joyce o conseguiu, quebrando todas as barreiras do possível para a literatura.
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Quero Morar Numa Livraria 28/03/2020

Ulysses, James Joyce
No poema épico de Homero, Odisseu é o herói que enfrenta uma série de desafios no retorno à Ítaca. Após 20 anos (dez na Guerra de Tróia), tem de entrar disfarçado em sua própria casa e matar os pretendentes de Penélope, a esposa que lhe aguarda. No texto experimental do irlandês James Joyce, Ulysses (nome latino de Odisseu) ganha vida na pele de Leopold Bloom, filho de um judeu húngaro.

Como na telemaquia homérica, os episódios iniciais de Ulysses acompanham as primeiras horas do dia de Stephen Dedalus. Alter ego de Joyce e velho conhecido do leitor desde ?O retrato do artista quando jovem?, o intelectual acaba de retornar de Paris para a despedida da mãe morimbunda.

Em cena com Leopold Bloom, acompanhamos aproximadamente 18 horas de suas idas e vindas pelas ruas de Dublin. O livro é dividido em 18 episódios com estilos diferentes, desde o romance convencional ao fluxo de consciência pesado e outras invencionices.

Bloom tem 38 anos, é casado com Molly e é pai de Milly e Rudy, um menino de 11 dias morto há 11 anos, como Hamnet, filho de William Shakespeare. A questão da descontinuidade masculina para Bloom é imensamente dolorosa e permeia toda a narrativa. Poldy, como é chamado pela esposa, prolonga o seu dia fora de casa, pois na tarde de 16 de junho de 1904 (data do primeiro encontro de Joyce com a esposa), Molly receberá seu amante.

Os personagens são mais complexos do que isso. Bloom não é apenas um marido traído, estranho em sua própria casa, estranho em seu próprio país. No encontro com Stephan Dedalus, Poldy assume, ainda que por poucas horas, a paternidade perdida.

Inesgotável em sua grandeza, Ulysses (publicado em 1922), é objeto de leituras e releituras em andamento por toda a vida. O livro mais discutido e o menos lido. Poucos caracteres me obrigam a ser simplista. E nada é simples quando falamos de Ulysses e seus personagens inesquecíveis. Com ele, acordamos inexperientes e terminamos o dia cansados, como Bloom.
Ane 29/03/2020minha estante
Que resenha! Passando para o leitores a densidade e intensidade do livro, mas deixando a vontade de ler fixada à memória.




Fábio 04/09/2012

Lero-lero lero-lero lero-lero

Menos que imaginara, mais que esperara. (JOYCE, p.734)

Ulisses de James Joyce dispensa apresentações, pode ser que não seja uns dos livros mais lidos, porém, com certeza, é uns dos livros mais comentados quando se trata de literatura mundial. A maior parte da história acontece nas ruas de Dublin ou na mente de algum personagem, o pensamento é um grande cenário, seja um simples olhar para o passado: analepse (flashback) ou uma alguma ponderação de algo que poderá acontecer: prolepse (flashforward), a obra não se arrefece. Estilo e história se amalgamam.

Destarte, muitas frases do texto está em anacoluto (quebra de frase), o leitor viaja junto com o pensamento do personagem, o fluxo de consciência, muito bem aplicado por Joyce, deixa-nos extasiados, uma vez que os limites tênues da consciência e da inconsciência se rompem a cada momento. Uma simples descrição do dia se torna algo especial, quimérico e excêntrico. As conversas entre os personagens são intercaladas com pensamentos, ademais não se pode deixar de ressaltar a exuberância desta obra no que tange a maneira de escrever, porquanto que cada capítulo muda-se de estilo, deixando assim mais singular este livro a cada página lida.

Com uma arquitetura insólita no estilo, nas palavras, a engenharia montada por Joyce com as palavras é digno de um grande inventor e gênio, usando as letras como matéria-prima, monta-se e se desmonta: palavras, frases, operações sintáticas, semânticas, em resumo, uma linguagem extasiante. Para mostrar o homem simples da modernidade, representado por Leopold Bloom.

Com esta nova roupagem, o autor transforma Bloom (homem andrógino) em todos os homens (e mulheres), criando uma epopeia, como se observa pelo título do livro. Este representa apenas um dia, 16 de junho de 1904 (se tornando, após alguns anos da publicação do livro, o famigerado Bloomsday), aproximando-se de Homero em Odisseia os dez anos de acontecimento, todavia em Ulisses acontece em apenas um único dia, isto é: o personagem se digladia, se apaixona, ele trai, ele é traído, pessoas nascem, pessoas morrem, enfim, quando mais nos aprofundamos das páginas, mais o senhor Bloom se torna universal, se torna você, seu amigo, seu irmão, um indivíduo que você já conheceu.

A polifonia estética do livro não o deixa ininteligível, impossível, pelo contrário é uma leitura agradável, ao primeiro momento complexa, mas ao decorrer do livro, e o livro permite isso, consegue-se perder o medo e torna-se uma leitura prazerosa, vale lembrar que este livro é de um humor ímpar. Um boato pertinente se diz que a mulher do Joyce o ouvia constantemente rindo sozinho enquanto escrevia. Todavia não se pode esquecer do tão comovente Ulisses é narrado, algumas partes, inclusive, muito melancólica.

suuublime. Biscoitando lemos e lemos. Pensarmuito precisa. Remelentas palavras invadem nosso vocabulário dia após dia e dia e também noite Páginas pesadas grande sabedoria difícil leitura mas quem disse que a vida é fácil e também difícil não pode ser pra quem tem vontade eu acordo cedo todo dia e leio e depois eu gosto de Joyce ele escreve bem talvez não tinha muita caneta no tempo dele gosto de caneta preta pois destaca mais na folha branca li e gostei desteamadoeodiado livro.


JOYCE, J. Ulisses. Tradução: Antônio Houaiss. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1966. 846 p.

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Gláucia 04/09/2012minha estante
Nossa, vou dar crtl-c crtl-v nessa resenha sempre que alguém quiser saber algo a respeito desse colosso de livro.
Uma questã: demora para a leitura deixar de parecer tão complexa e passar a ser totalmente inteligível?


Thiago 08/08/2013minha estante
Muito boa a sua resenha Fábio, parabéns! Pretendo em breve me aventurar nesse labirinto.




Bruno Pinto 05/12/2012

Um livro para ser estudado, não lido
Imagine que hoje, no Brasil, se escreva um livro que fale sobre a existência humana em geral (psicologia, história, política, ciência, arte, tudo misturado...) citando a todo momento a história do nosso país (colonização, cana, ouro, café, independência, república, ditadura...) mas sem dar explicações de que períodos foram estes. Imagine que daqui 100 anos um Irlandês pegue este livro e leia. Não fará nenhum sentido para ele. Da mesma forma Ulisses me foi totalmente obscuro.
Não que os temas não sejam relevantes, que a narrativa de um dia em 900 páginas não seja interessante, mas o fato que o livro só é compreensível a quem tenha conhecimento razoável da história da Irlanda e de mais alguns clássicos da literatura do fundo do porão.
Mesmo acompanhando as notas da tradutora (o que já é um saco) tinha horas que me perguntava "por que estou lendo isso?". Desisti. Cem páginas foram suficientes, obrigado, mas não é pra mim.
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Mateus com h 25/03/2020

Eu decidi ler Ulysses
Meu vigésimo quinto livro do ano.
Venho de Cortazar e Cervantes antes deste.

bom, olhei o livro na prateleira e senti que devia lê-lo. mas precisei de certo modo, "conhecer o inimigo". Não consegui sair desenfreado folheando as páginas, busquei informações de gente que se especializou na obra, assisti diversos videos, etc. respeitei ele aqui fechado por cerca de um mês. e mesmo assim não senti em nenhum instante estar preparado. fui no sentir e teimosia talvez.

o Ulysses é um livro pesado? é

deixou de suprir as expectativas? muito pelo contrário.

eu acho que esse livro é como
um caos
que não pede licença.
(to sendo cuidadoso pra não dar spoiler)
caos de ordem humana
cheio de coisas comuns
que podem (e devem)
e conseguem
tocar a alma
de quem se atreve
a ir além
do convencional

falando em atrevimento
(mas que porra de livro bom)
eu acho que pelo menos
uma vez na vida
(ainda mais agora onde lêem "sou foda" e saem do livro se achando)
vocês deveriam se atrever a ler
e mais do que isso
se atrever a mergulhar

porque 1100 páginas não é leitura esquecível

muito pelo contrário
ela crava
visceras
entranhas
sangue
tripas

para chegar ao coração
para não sermos mais os mesmos
Ulysses é um livro pra se contemplar lendo e se ler contemplando

não procure balões em cactos.

"feche os olhos, tome ar, é hora do mergulho..."
doc leão 17/05/2020minha estante
Você descreveu com exatidão o que é a experiência ou a Odisseia ao ler Ulisses


Raphael 19/05/2020minha estante
Ótima resenha!


Mateus com h 12/09/2020minha estante
Obrigado povo!




Fabio Shiva 27/09/2012

só para loucos
1) Hoje é um dia especial: terminei de ler “Ulisses”!!! Viva viva!!! Que dizer desse livro que eu achei chatíssimo até a metade (por volta da página 400), para então começar a gostar mais e mais e terminar achando uma obra linda, genial e muuuito louca???
2) Para escapar de fazer uma resenha interminável, me proponho o desafio de escrever somente dezoito tópicos, um para cada capítulo do livro, cada qual correspondendo a um episódio da “Odisseia” de Homero (Ulisses é o nome latino para Odisseu, originado na palavra grega para “guardar ressentimento”).
3) Nessa obra Joyce se propõe a atingir o mais alto anseio da literatura, que é expressar no romance a totalidade da vida. Mas a complexidade cada vez maior da vida moderna (início do século XX) só pode ser retratada de fato caso o romance se reinvente, extrapole os limites, transcenda as barreiras. E é bem isso o que “Ulisses” faz.
4) A história toda acontece em um único dia, que traz Leopold Bloom (Ulisses) em suas peregrinações pela cidade de Dublin. Stephen Dedalus, o jovem artista, é Telêmaco, e Molly Bloom, a esposa adúltera, é Penélope.
5) Cada um dos dezoito capítulos é escrito em um estilo único e totalmente diferente dos demais. São quase dezoito obras diferentes aglutinadas no mesmo livro.
6) Coisa surpreendente: “Ulisses” tem algumas partes muito engraçadas! Rachei o bico de dar risada em várias cenas, com destaque para o invento da obramaravilha, uma espécie de apito (que deve ser introduzido pela ponta redonda) para descongestionar os gases intestinais de cavalheiros e damas constipados. A suprema invenção do século XX!
7) Outra constatação surpreendente: a obra é realmente revolucionária e genial, mas creio que alcançou tamanha repercussão mesmo foi pelo tanto de putaria: como tem sacanagem nesse Ulisses! Não causa surpresa o livro ter ficado proibido durante 11 anos nos Estados Unidos.
8) E aí é que está a fórmula explosiva: uma linguagem inovadora, uma estrutura intelectualmente desafiadora e, de quebra, a transgressão dos valores morais vigentes, nas muitas referências explícitas e até grosseiras ao sexo.
9) O que leva à reflexão: a literatura parece ter perdido a capacidade de chocar. Não dá para imaginar um livro hoje sendo proibido por ofender “a moral e os bons costumes”. Vitória da liberdade de expressão ou sinal de decadência da civilização? Você decide.
10) O que leva ao questionamento: por que hoje em dia não temos escritores como James Joyce? Corajosos, inventivos, audaciosamente indo onde a literatura jamais esteve? Os escritores do século XX parecem muito mais “avançados” que os atuais. Será que tudo já foi inventado e nada mais resta por inovar? O futuro dirá.
11) Dizem que por conta de suas invenções linguísticas “Ulisses” é mais fácil de ler no original que traduzido. A edição que li foi com a tradução pioneira de Antonio Houaiss. Bem, só posso dizer que não concebo o texto em inglês sendo mais difícil de ler que essa tradução abençoada do Houaiss!!! Parece que o tradutor quis dar conta de todas as possibilidades semânticas, e o resultado foi que o texto em português ficou bem mais erudito e intelectualizado que o original (é o que comentam pela internet). Sorte de quem for ler o livro agora, que já estão disponíveis duas outras traduções em português, e mais focadas na linguagem cotidiana.
12) Uma das partes que mais gostei é o capítulo que corresponde ao palácio de Circe, quando Bloom e o jovem Dedalus visitam um bordel pra lá de animado. O estilo da narrativa é o de uma peça de teatro onde o autor e todos os personagens ingeriram doses maciças de LSD. Lisergia pura!
13) Outro trecho marcante é o capítulo final, com o monólogo da senhora Bloom. São 50 páginas sem uma única vírgula ou ponto, na mais contundente expressão literária do “fluxo de consciência”, com a representação do fluir incessante dos pensamentos do personagem. Podemos dizer que Saramago, em comparação, foi até bem conservador ao inventar o seu estilo próprio de escrever... E Joyce, de brinde, ainda criou uma das mais marcantes figuras femininas da literatura: Molly Bloom.
14) Tudo considerado, apesar de “Ulisses” ser considerada uma obra de estrutura matematicamente perfeita, penso que o livro seria mais gostoso de ler se tivesse a metade das páginas, ou mesmo um terço.
15) Mais fácil de ler, sim, mas não necessariamente melhor. Entendo a proposta do livro, que exige tantas páginas de elucubrações sem fim. No mundo atual, que prioriza a velocidade e multiplicidade de informações, é provável que cada vez menos pessoas se interessem em ler “Ulisses”.
16) Desde o capítulo do bordel, uma ideia louca ficou martelando minha mente: imagine como seria esse livro transformado em filme! Impensável! Impossível! Ainda assim, creio que o David Lynch estivesse à altura da tarefa.
17) Comecei a ler “Ulisses” pela primeira vez há mais de dez anos, e acabei desistindo por volta da página 100. Mas fucei o “Roteiro-chave” que vem no final do livro, e hoje percebo o tamanho dessa influência em minha própria criação literária. Essa estrutura foi um eco distante na composição das letras da ópera-rock VIDA (gravada pela banda Imago Mortis), e teve uma força maior, ainda que mais distante ainda, na estrutura de meu romance “O Sincronicídio”. Que bom perceber isso hoje!
18) Não é fácil ler “Ulisses”, mas o esforço vale a pena – dependendo da motivação do leitor. Para mim, foi como galgar um Everest literário: veni vidi vici!!!


***///***

diário de bordo

Resolvi fazer essa resenha aos poucos, ao longo do caminho, como um diário de bordo. Pois a viagem é longa e cheia de aventuras.

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Para quem nunca leu e nem pretende ler o “Ulisses” de James Joyce, separo esse trecho para dar um gostinho da leitura. É justamente o parágrafo que acabo de ler agora:

“Inelutável modalidade do visível: pelo menos isso se não mais, pensado através dos meus olhos. Assinaturas de todas as coisas estou aqui para ler, marissêmen e maribodelha, a maré montante, estas botinas carcomidas. Verdemuco, azulargênteo, carcoma: signos coloridos. Limites do diáfano. Mas ele acrescenta: nos corpos. Então ele se compenetrava deles corpos antes deles coloridos. Como? Batendo com sua cachola contra eles, com os diabos. Devagar. Calvo ele era e milionário, maestro di color che sanno. Limite do diáfano em. Por quê em? Diáfano, adiáfano. Se se pode pôr os cinco dedos através, é porque é uma grade, se não uma porta. Fecha os olhos e vê.”

A tradução é de Antonio Houaiss.

Estou na página 42. Faltam só 811.

(22.02.11)

Comecei a ler esse livro há mais de um ano. Até o mês passado, devagar e quase nunca fui chegando até a página 50 e poucos. Agora em menos de um mês li umas duzentas páginas!

Primeiro ponto: demorei mais para ler não pela leitura em si, mas por minha disposição interna. Sempre colocava outra leitura na frente. Mas o fato do livro ser grande e pesado soma-se ao desafio intelectual proporcionado pelo texto, enfim, não resta dúvida de que ninguém mentiu ao afirmar que essa não era uma leitura fácil.

Mas em meados de junho resolvi tomar vergonha na cara e ler o Ulisses de verdade. O tempo todo é uma leitura tensa e intensa. A ideia do fluxo da consciência, de registrar na minúcia cada pensamento dos personagens, de forma fragmentária como são os pensamentos... dificilmente alguém poderá mergulhar tão fundo de novo. Embora Virginia Woolf com sua Mrs Dalloway tenha ao menos a vantagem de ter usado muito menos papel.

Joyce é magistral e exasperador. Fui conferir agora: estou exatamente na página 273.

Uma coisa dá para dizer: é uma leitura muito pessoal. Então vou falar de mim.

Entendo agora um pouco melhor o porquê do estudioso Edwin Muir ter chamado o Ulisses de um fracasso genial, e também entendo mais a admiração de Anthony Burgess (autor de Laranja Mecânica entre outros igualmente bons e totalmente diferentes).

Em algumas partes consegui surfar melhor na onda de Joyce, especialmente ao acompanhar as divagações, suspeitas, julgamentos, repressões e hábitos secretos do senhor Bloom. Uma experiência muito interessante, realmente.

Mas tem outros momentos, camaradas! que dá vontade de atirar o livro pela janela. A imagem mais próxima que encontro para descrever essa sensação é ficar o tempo todo tentando enxergar por cima do ombro dos outros algo que só se mostra de relance, é uma maçaroca de informação tão doida que até faz sentido agora que estou escrevendo essa resenha parcial, mas que na hora de ler foi penoso...

Por isso é que eu mesmo me espanto comigo ao pensar que ainda desejo ardentemente ler Retrato do Artista Quando Jovem, que tenho na versão original, depois que terminar Ulisses!

Adiante!

(12/07/12)

Aproveito para convidar você a conhecer o meu livro, O SINCRONICÍDIO:

Booktrailler:
http://youtu.be/Umq25bFP1HI

Blog:
http://sincronicidio.blogspot.com/

Venha conhecer também a comunidade Resenhas Literárias, um espaço agradável para troca de ideias e experiências sobre livros:
.
http://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com.br/
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http://www.facebook.com/groups/210356992365271/
*
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=36063717
*
Joao 20/03/2011minha estante
Colocando uma parte do monólogo do Stephen (uma das partes mais complexas, pra mim), você assusta até quem já leu o livro...hehehe.


Fabio Shiva 20/03/2011minha estante
rarara! Valeu pelas palavras amigo João! Na verdade eu mesmo fiquei assustado rarara!!! Espero prosseguir com a leitura e selecionar trechos mais inspiradores!!!


Marta 16/06/2012minha estante
Fabio, já venceu o Ulisses?


Fabio Shiva 16/06/2012minha estante
Marta valeu pela lembrança hem!!!
Ainda estou na página 60 e pouco!
Na verdade relendo até aqui, comecei a ler mais de 10 anos atrás e parei, agora volto a ler em ritmo de tartaruga baiana na hora da sesta rararara!
Mas estou gostando da leitura, sério!
A parte do Stephen preparando o rim frito é muito vívida! E antes disso, uma insólita masturbação na praia! "Antes da queda, Adão trepava mas não gozava." Vou voltar a ler hoje mesmo! Valeu!!!


Celsol 05/08/2012minha estante
Shiva, nome de mestre hindu, estou na página 100 do Ulisses, depois do enterro no Jornal...Preciso aprender como é que se publica uma resenha neste site aqui, estou tateando e não encontro. Mestre Shiva, me revele o segredo!O máximo que consegui foi comentar a resenha alheia...Gracias, Celsol.


Fabio Shiva 05/08/2012minha estante
Olá caro Celsol! Que alegria encontrar aqui outro aventureiro do Ulisses! Vamos lá, amigo, para postar resenhas é bem simples, mas primeiro você precisa adicionar o livro à sua estante, escolhendo uma das opções (lido, lendo, relendo etc), depois que adicionar o livro, tem um ícone que é "ver o livro em minha estante", daí aparece a capa do livro à esquerda e à direita tem o link para fazer a resenha, ok! Qualquer dúvida é só falar!!! abração


Janaína 01/08/2017minha estante
Já li 80% do livro e acredito que estou trilhando um caminho parecido com o seu. No início achei bem cansativo e confuso, mas de repente as coisas começam a fazer sentido e você entende o porquê da obra ser tão exaltada em todo o mundo. Que livro fantástico!


Fabio Shiva 02/08/2017minha estante
Oi Janaína! Valeu por seu comentário, tive a oportunidade de lembrar um pouco dessa fabulosa obra! E também de perceber que o tempo passou e ainda não li o Retrato de um Artista quando jovem... vamos a ele!!!


Regina 04/10/2017minha estante
Fabio Shiva, resenha estimulante para quem resolve, de uma vez por todas, empreender a viagem atrás do Ulysses.Desta feita leio a tradução do Caetano Galindo. E sigo decidida, que já estou atrasada. Agradeço e vou guardar suas conclusões. Espero um dia trazer as minhas, se não conclusões, pelo menos indagações...




Etiene ~ @antologiapessoal 06/06/2020

Ulysses | James Joyce | Modernismo
Ulysses. Essa foi a primeira palavra que digitei para começar esse texto. Claro, é o título, não é mesmo? Então o cursor ficou piscando e me encarando por um bom tempo até que eu encontrasse do que mais falar. E encontrei tanto! Seja nas temáticas que aborda, seja na escrita inventiva do autor, ele não tem fundo. Ulysses é inesgotável! Antecipo: aqui você não encontrará descrição de cenas ou resumo da história. A impressão que me marcou de verdade é a impressão que quero deixar para vocês da obra: é um livro e precisa ser encarado dessa forma. Um objeto-livro que está aqui para ser usado. Mas acontece que, infelizmente, ele é apenas conhecido. Conhecido por muitos e lido por poucos.

Se sabe que James Joyce usou a Odisseia de Homero como uma espécie de molde para também a jornada de Leopold Bloom de volta para sua casa. Para mim foi absolutamente tranquilo avançar nas páginas estando livre desse pré-requisito - salvo uma pesquisa aqui e acolá, é claro. Se você quer ler a Odisseia antes, ótimo. Mas não a use como um impedimento. Ela não é. Seria também uma dolorosa e insuportável quebra de ritmo buscar um significado obscuro sobre as metáfora escritas, algumas até usadas pelo próprio autor como provocações aos leitores que buscarão por todas e cada uma delas. (?Querido leitor, dedique sua vida à minha obra, mas saiba que algumas coisas nessa vida simplesmente não possuem explicação lógica. Um abraço. JJ.?). E sabe de mais uma coisa? O autor levou sete anos para escrever esse livro e eu não poderia querer lê-lo em uma semana! No fim das contas demorei quatro meses. Estamos diante de um livro sobre um dia, mas que fica conosco a vida toda.

Seria, então, absurdo ouvir que um livro de mil páginas narra o tempo de somente um dia. No entanto, a saga dos personagens joyceanos é sobretudo mental. Afinal, quantos pensamentos passam por nossas cabeças ao longo de um único dia? Para onde viajamos? Com quem esbarramos? De quem nos despedimos? Sob essa perspectiva não me parece absurdo de modo algum que o escritor tenha tanto o que narrar durante um único dia.

Ao longo da minha leitura, ouvi repetidas vezes dizerem que seria um livro difícil, até mesmo impossível de ser concluído. Mas, escutem, ele foi escrito sobre o irlandês para o irlandês, sobre nós para nós! Óbvio que necessita de dedicação e de atenção. É uma obra experimental em suas formas linguísticas, o autor cria palavras, escreve os sons, quer trazer a língua falada pro texto escrito e é genial em sua tarefa. A ambientação da obra é extremamente difícil, especialmente por estarmos acostumados, enquanto leitores, que um escritor entregue cenas esmiuçadas em vários detalhes. Mas aqui você precisará de coragem para avançar na cena e só depois se encontrar nela. Para perceber onde e com quem estava eu precisei seguir em frente.

O modo moderno de encarar as relações emocionais, de encarar a nós mesmos e nossos questionamentos, é veloz e efêmero, é mastigado e compartimentalizado. É assim. E, talvez, muitos de nós não estejamos dispostos a dedicar tempo a livros como este porque, em primeiro lugar, não somos capazes de dedicar tempo nem mesmo para compreender o nós. Ulysses trata das falsas relações sociais que acontecem no trabalho; de amores fora do casamento; trata da paternidade de forma muito ramificada através de Bloom e Dedalus, individualmente e entre os dois; escacara o leque de desejos sexuais que, pasmem!, as mulheres possuem - na contramão do que historicamente foram ensinadas a sentir e ser dentro da sociedade. Então, se digo que não entendi Ulysses arrisco, lamentavelmente, não ter entendido nada também sobre mim e meu mundo.

Não foi o melhor livro que já li, mas foi um dos livros que, definitivamente, mudou a minha vida. Amadurecer enquanto leitora nesse processo foi a maior recompensa de Ulysses. Foi cansativo, houve muitas páginas confusas e que precisaram (e precisam!) de releitura, mas apenas agora, depois de semanas finalizado, consigo me sentir na exclusiva e confortável posição de quem o leu.

.

"Ulysses te dá de volta exatamente o esforço que você deposita nele." - Declan Kibers.
Andreas Chamorro 19/06/2020minha estante
Que texto!


Etiene ~ @antologiapessoal 19/06/2020minha estante
resultado de: Que livro!




Didi 08/09/2011

A história é simples até demais. O modo como o livro foi escrito, não - e é aí que mora toda a magia e genialidade da obra.

Talvez a maior dificuldade que a maioria encontrou no livro foi a diversidade técnica utilizada por Joyce (vide o roteiro), uma vez que um capítulo é escrito/contado usando uma técnica totalmente diferente do anterior e do próximo. Fluxo de consciência, neologismos, referências das mais diversas, frases e palavras em outros idiomas e extenso vocabulário ficam em segundo plano. É um livro recheado de literatura, quase uma aula.

É um desses livros que eu leria novamente e novamente e novamente, que tomaria nuances diferentes a cada nova leitura. Abriu minha mente duma forma que eu não esperava - ah sim, sofri, senti e vivi o livro também...
Janaína 15/07/2017minha estante
Penso como você. Estou quase na metade do livro e estou encantada com a genialidade da obra.




Moises Celestino 13/08/2020

Revisão deste clássico...
Concordo integralmente que "Ulysses", como entretenimento literário é mesmo difícil de compreender e de ser lido até o fim. Confesso que já pensei também em abandonar a leitura, mas decidi ir até o final da mesma. Trata-se de paródia de altíssima complexidade, meticulosa e meramente figurativa. O autor simplesmente elaborou uma obra desafiadora adaptando a Odisseia de Homero, condensando a viagem aventurosa de Odisseu pelo mundo helênico no regresso da Guerra de Troia à ilha de que era rei, Ítaca, e onde havia ficado a sua esposa, a rainha Penélope. Cheguei á seguinte conclusão de que James Joyce criou um livro revolucionário no estilo e na concepção. Mas, só quero deixar bem claro aos amigos e amigas do Skoob que (ainda não leram o romance na íntegra) este "Ulysses", na minha modesta opinião, não é um livro adequado para quem se queira iniciar na literatura.
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gean 12/04/2011

Se puder, leia o original...
Tradução é missão difícil até para os grandes... Segue um pequeno exemplo que não tem o objetivo de julgar o trabalho do tradutor (o grande Antônio Houaiss), mas mostrar como as coisas podem ficar compicadas, mesmo em pequenos detalhes.

O personagem Leopold Bloom recebe na rua um folheto e, ao botar nele os olhos, tem a breve impressão de ver seu nome (Bloom).

Tradução:

Bloo-san... Eu? Não.
Sangue do Anho.

Original:

Bloo... Me? No.
Blood of the Lamb.

Embora tenha abandonado a leitura desta tradução (pelo menos a leitura "normal"), estou utilizando-a como referência para dirimir dúvidas relativas ao texto original.

Mas o texto possui outras dificuldades... Assim, comprei uma edição da Penguin com notas explicativas (Ulysses: annotated student edition). Além do mais, interrompi sua leitura para ler antes Dublinners e A portrait of the artist as a young man. Providenciei também um livro de referência (McKENNA, Bernard. James Joyce's Ulysses: a reference guide. Greenwood, 2002.).

Alguém poderia dizer: "Putz! Assim não é leitura... É estudo!"
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|Cinara|@cinarasrv 05/06/2020

"Caminhamos por nós mesmos, encontrando ladrões, fantasmas, gigantes, velhos, rapazes, esposas, viúvas , bonscunhados . Mas sempre encontrando a nós mesmos."

Minha nossa James Joyce, imagino você rindo muito dos seus leitores :O
Neste livro você encontra frases que faz você querer chorar de tão lindas e outras tipo :
"Com a mitra adornada e com báculo instalado em seu trono, viúvo de uma sé enviuvada, com omofórion ereto, retaguarda coagulada."

Ulysses, me fez rir, me emocionou, me deu ódio, foi uma bagunça na minha cabeça que só quem leu consegue entender, Ulysses te ataca de todos os lados...
Do nada você começa a ler sobre a troposfera e a estratosfera e depois segue a vida... hahaha ;)


Sentirei saudades do Bloom, e eu gosto sim do Stephen não tenho a mesma visão que a maioria tem dele :) Gostei de estar dentro da cabeça do Stephen !

Meu capítulo favorito foi o último o Penélope, o fluxo de consciência da Molly e o que mais odiei de bagunça foi o Gado ao sol.


Que ousadia Senhor Joyce, uma afronta! Hahaha
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