O Prisioneiro do Céu

O Prisioneiro do Céu Zafón




Resenhas - O Prisioneiro do Céu


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Cissa 29/05/2012

Formidável

Comprei o livro O Prisioneiro do Céu no sábado dia 26/05/2012 na Livraria Cultura. Estava "quentinho" ainda, recém saído da Editora Suma de Letras e o devorei em dois dias.

Quando li A Sombra do Vento, achei que Zafón havia escrito o romance perfeito e que não precisaria de nenhum segundo volume. Quando saiu O Jogo do Anjo, confesso que li mas esperava mais pois comparando com o anterior ele falhava em algum ponto que eu não conseguia identificar.

Depois de dois anos, eis que chega ao Brasil o terceiro volume da série e para surpresa minha, me encantei com ele. Vi uma costura perfeita entre os romances anteriores e ele. Agora sim, não ficaram pontas soltas e nem obscurecidas para mim.

O estilo de Zafón é inconfundível e único. Um perfeito contador de histórias que consegue a cada capítulo prender a atenção do leitor a ponto de não se conseguir parar até chegar o final e quando chega fica aquele gosto de "quero mais" ou "que pena, acabou".

O romance nos conta sobre Firmín, Daniel, a Livraria Sempere e o Cemitério dos Livros Esquecidos. Nos revela histórias que deveriam ficar escondidas e outras que necessitavam ser reveladas. Constrói um período difícil e sofrido de uma Espanha em guerra civil sob o comando de autoridades cruéis e intolerantes. Mas também fala de esperança, coragem, luta e amizade.

Se Zafón quiser, pode criar mais uma história envolvendo os personagens carismáticos desta trilogia e com toda certeza será tão bem-vindo e recebido com entusiasmo pelos seus fãs, dentre os quais me incluo.

Deveriam existir mais escritores apaixonados como Zafón. O mundo ficaria mais instruído, mais colorido, sonhador e feliz.

Parabéns Carlos Ruiz Zafón.


Mateus 31/08/2012

Considero o autor Carlos Ruiz Zafón um dos meus favoritos da atualidade, e é sempre um enorme prazer acompanhar suas histórias através da Barcelona das décadas passadas. Ele possui uma narrativa única e uma maneira bela e sem igual de criar personagens e acontecimentos, o que fez com que todos os seus livros que li se tornassem uma das melhores leituras da minha vida.

O Prisioneiro do Céu é exatamente a ligação que estava faltando entre A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo. Mesclando personagens e histórias das duas obras, temos de volta a livraria Sempere e Filhos, Daniel, Fermín, David, dentre vários outros personagens marcantes dos quais já nos tornamos íntimos em outras épocas e outros lugares, apresentando sempre o Cemitério dos Livros Esquecidos como local marcante.

A história acompanha a vida de Daniel e Fermín, tendo o primeiro se casado há poucos anos com Bea, e o segundo com os preparativos prontos para o casamento com Bernarda. No momento em que um estranho de ar sinistro surge na livraria Sempere, acompanhado de grandes segredos do passado de Fermín, a história parece pronta a focar apenas nesse personagem. Mas não é o que acontece. Os segredos de Fermín não dizem respeito apenas a ele, mas também ao passado e futuro de Daniel, que serão melhor abordados em uma obra futura. Pois como é relatado no livro, a história de Daniel está apenas começando.

A linguagem de O Prisioneiro do Céu segue o estilo típico do autor, com palavras belas e poéticas, embora suas outras obras tenham alcançado esses pontos mais a fundo. O que me incomodou durante a narrativa foi o fato dos capítulos do livro se mostrarem extremamente pequenos (com quatro, três ou até duas míseras páginas), acompanhados de muitos espaços em branco, algo bem diferente da grandiosidade dos capítulos de A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo. Mas não foi algo que atrapalhou a leitura, apenas tornou-a mais simples e singela, assim como foi o caso de Marina.

Achei a observação do autor no começo do livro um tanto ilusória. Zafón diz que as obras da série do Cemitério dos Livros Esquecidos podem ser lidas em qualquer ordem e separadamente, mas não considero adequada a leitura de O Prisioneiro do Céu antes dos outros. Fazer tal coisa será como pegar uma história pela metade, o que não irá tornar a leitura muito satisfatória. Melhor ler antes as surpreendentes e admiráveis obras anteriores, para depois passar para este livro e esperar o desfecho desse ciclo que ainda promete uma conclusão digna da genialidade do autor.


Jow 18/06/2012

O descortinar da verdade.


“Nothing will be forever gone
Memories will stay and find their way
What goes around will come around
Don't deny your fears
So let them go and fade into light
Give up the fight here” Chasing the Dragon - Epica

Memória é uma evocação do passado, é a capacidade humana para reter e guardar o tempo que se foi, salvando-o da perda total, do esquecimento. A memória possibilita que guardemos o tempo que se foi, mas também permite que projetemos o futuro, já que sem ela não poderíamos ter consciência do tempo, muito menos da nossa identidade, e daquilo que construímos para ser o nosso “Eu.”

O ''Eu" é mais do que a lembrança, ele é a consciência superficial e profunda do que somos, pois, quando nós pensamos, reunimos lembranças do passado e projeções para o futuro, de forma que somos sempre o que passou e o que ainda virá.

A memoria é a garantia de nossa própria identidade e podemos dizer "Eu" reunindo tudo o que fomos e fazemos; É lá que guardamos as nossas vivências, repousando tudo o que a nossa mente foi entregue, que o esquecimento ainda não absorveu, nem sepultou. O grande poder da memória assusta como já dizia Santo Agostinho. Temos medo de esquecer o que de mal vivemos, mas igualmente temos medo de não lembrar a felicidade vivida. Somos essa misteriosa mistura de passado, presente e futuro. E é nessa máxima, que o genial Carlos Ruiz Zafón constrói o seu mais novo livro.

“O Prisioneiro do Céu” é a continuação do aclamado "A Sombra do Vento", mas me enganei ao pensar que outro dos seus livros, "O Jogo do Anjo", não possuiria uma influência tão direta neste volume quanto o seu antecessor - ele possui, e muita. É como se a narrativa dos dois tomassem caminhos separados, porém paralelos, culminando nos acontecimentos relatados neste livro.

Grande parte da leitura consiste em uma retrospectiva ao passado para que possamos conhecer aspectos importantes que não haviam sido abordados nos livros anteriores, mas que são de suma importância para nos fazer entender tudo o que está por vir. Conhecemos mais a fundo o passado do grande Fermín Romero de Torres, para finalmente tomar conhecimento sobre tudo o que aconteceu com ele durante os seus dias mais obscuros.

Nesta viagem ao passado, iremos mergulhar no dia a dia de uma prisão maldita, localizada num castelo acima da cidade onde aqueles que eram contrários ao regime militar espanhol eram relegados ao esquecimento para uma morte certa. As coisas assim funcionavam, até um grupo peculiar encontrar-se encarcerado ao mesmo tempo naquele lugar de misérias e mudar para sempre o rumo da história de cada um dos envolvidos. Na luz dos diálogos entre os prisioneiros, a trama criada por Zafón começa a tomar forma e os segredos escondidos na mente de Fermím darão ao leitor revelações surpreendentes e trarão a tona respostas avassaladoras para as pontas soltas presentes nos dois volumes predecessores.

Só um autor com extremo domínio de escrita conseguiria passear por tantas épocas distintas no tempo, e separá-las de forma tão inteligente em diferentes livros de uma série, que não importa a ordem lida, será igualmente entendida em todas elas. Cada uma dessas histórias quando reunidas contarão apenas uma só: a de personagens inesquecíveis, mergulhados em uma vida de mistérios e segredos familiares; o relato único de pessoas que se defrontaram com uma vida de escolhas e tiveram que carregar para sempre o peso das mesmas, cujas marcas assombrariam e mudariam o rumo das gerações seguintes.

A narrativa poética e dramática de Zafón adquire contornos eletrizantes rumo a um grand finale que tem tudo para ser épico. Difícil vai ser dizer adeus no próximo (e último) volume para alguns dos personagens mais marcantes que eu já conheci em toda a minha vida literária. Felizmente eles estarão sempre por perto, para qualquer leitor que queira se aventurar pelos corredores fantasmagóricos do maravilhoso Cemitério dos Livros Esquecidos.


Douglas 07/07/2012

Recomendo!!
Ao ler A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo, eu acreditava que as únicas coisas em comum eram a Livraria Sempere, O Cemitério dos Livros Esquecidos e Barcelona, durante a leitura de O Prisioneiro do Céu me deparei com alguns detalhes sutis que me fizeram pensar na genialidade de Zafón ao 'amarrar' tão bem esses três livros. Eu, particularmente, amo a maneira como o Zafón escreve. Ele é objetivo naquilo que ele faz e consegue colocar o suspense de uma forma que te deixa preso até o final na leitura. Alem de nos divertir nos diálogos entre os personagens por mais que tenha alguma coisa trágica esteja acontecendo. E sempre rola aquela ansiedade de saber que vai acontecer dali para frente e, às vezes, ele dá aquela reviravolta que você simplesmente não consegue acreditar que ele fez isso.Sou muito fã desse cara!!!

PS:O autor declarou que eles podem ser lidos em qualquer ordem, mas na minha humilde opinião, o leitor se deliciará com O Prisioneiro do Céu muito mais se já tiver lido os dois livros anteriores, se não os tiver lido, vai encontrar alguns spoilers sobre eles.


Renata CCS 24/01/2013

Suspense, romance, aventura e muito mais em uma única história
O PRISIONEIRO DO CÉU é o terceiro e penúltimo livro da série de “O Cemitério dos Livros Esquecidos”. Traz de volta os protagonistas dos dois primeiros livros: Daniel Sempère e Fermín Romero de Torres de “A Sombra do Vento” e David Martín e Isabella, de “O Jogo do Anjo”. Já se passou um ano do casamento de Daniel e Beatriz e eles agora tem um filho, o pequeno Julián (em homenagem a Julián Carax, personagem do primeiro livro). Porém O PRISIONEIRO DO CÉU foca o passado de Fermín nos anos em que ele esteve preso. Ele ainda trabalha na livraria Sempère e parece angustiado e todos imaginam ser é por causa dos preparativos de seu casamento com Bernarda. Para piorar as suas aflições, um homem misterioso entra na livraria, compra um dos livros mais caros, uma edição raríssima de “O morro dos ventos uivantes” e o deixa na loja com uma dedicatória: "Para Fermín Romero de Torres, que retornou de entre os mortos e tem a chave do futuro". Esta visita desencadeia o que se mostrará ser uma história de dor, traição, injustiça, morte, mas também de amor e amizade. Fermín vai contando a Daniel sobre o passado de sua mãe e do seu próprio, e fala de segredos que deveriam permanecer enterrados. Em um relato chocante, descobrimos o triste e passado de Fermín em um presídio durante a segunda Guerra, e é lá que também encontramos o escritor David Martin, que está preso na mesma cadeia. Destaque para a mudança do Daniel Sempère no decorrer do livro, que é bastante significativa: ele não é mais aquele herói juvenil de “A Sombra do Vento” e parece cada vez mais angustiado, inicialmente corroído pelo ciúme da esposa com o ex-noivo, depois pela ânsia de vingança pela morte da mãe. E novamente todas as respostas e enigmas nos levam ao famoso Cemitério dos Livros Esquecidos.
Este livro, diferentemente dos dois primeiros, não tem um perfil sobrenatural. Pareceu-me mais uma trama policial, bem elaborada, com um relato mais seco em comparação aos livros anteriores, e nos causa mais indignação e raiva. Terminei a leitura e fiquei com um gostinho de quero mais, pois a trama dá margem a uma nova continuação e, em comparação aos dois primeiros livros, é bem curtinho. É leitura obrigatória para quem acompanha a trama desde o primeiro livro!
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Marcia 06/08/2012

O Prisioneiro do Céu - Carlos Ruíz Zafón
Assim que aquela estranha figura sai da livraria, Daniel Sempere o segue mas não consegue descobrir nada , a não ser saber que o estranho usa o nome do seu amigo Fermín Romero de Torres.
Fermín seu melhor amigo e companheiro de aventuras está de casamento marcado com Bernarda, porém Daniel nota que ele anda angustiado e abatido e fica aterrorizado quando Daniel lhe entrega o livro com aquela dedicatória incompreensível, pelo menos para Daniel.
"Para Fermín Romero de Torres, que retornou de entre os mortos e tem a chave do futuro."
Atrás daquele exemplar " O Conde de Monte Cristo"de Alexandre Dumas existe uma história triste e perversa e o conhecimento dos fatos leva Daniel ao passado de sua mãe Isabella que morrera quando ele era criança, supostamente de cólera .
Conforme Fermín vai narrando os fatos dessa história impactante , Daniel se encontra perplexo e com muito ódio, ele jamais será o mesmo.
Neste livro Zafón nos leva a relembrar "A Sombra do Vento" romance escrito por Julían Carax personagem que levou Daniel e Fermin a desvendar os mistérios que o envolviam.
Hoje Daniel se encontra casado com Bea e tem um filhinho que deu o nome de Julían e vive num apartamento em cima da "Livraria Sempre & Filho".
Nessa aventura voltamos ao "Cemitério dos Livros Esquecidos" e ao seu guardião Isaac, que vejam vocês pretende se aposentar e eu particularmente adorei seu sucessor! rs
E nos leva também a David Martín de " O Jogo do Anjo", personagem perturbado por uma ligação lúgubre com um ser que concede "favores" e em troca lhe pede que escreva um livro.
Para os que leram O Jogo do Anjo os relatos de O Prisioneiro nos leva a melhor compreensão do livro anterior.
No entanto os livros não sofrem a necessidade de ser lido em sequência .Talvez esse seja a exceção , pois ficaram personagens vagos como: Sofia a jovem prima de Daniel que veio se hospedar por um tempo com o sr Sempere a pedido de uma irmã de Isabella que Daniel nem tinha conhecimento. (Mistéeerio!)
E Armando o homem que ajudou Fermin depois de sua fuga, e... Melhor parar por aqui rs se não acabo contando o que não devia!
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Juliana.Costa 22/02/2020

Amei todos os livros dessa série barcelonense!
O autor é perfeito em desenrolar os mistérios e conectar as histórias de todas as obras. Prepare-se para imergir em livros dentro de livros e se afeiçoar por várias personagens queridas, como os Sempere, Fermin, Isabella, Alicia... tanto que dá até uma nostalgia quando se está chegando no fim do último - Labirinto dos Espíritos.
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Caroline 01/08/2014

Bem menos lapidado, mas ainda um diamante.
Não há como comentar sobre um livro de Zafón sem fazer comparações com A Sombra do Vento, sua obra-prima e um dos melhores livros que já tive o prazer de ler. É como se ali ele tivesse atingido o ápice e tudo o que escrevesse depois ficaria aquém. O Prisioneiro do Céu está, sim, bem aquém de A Sombra..., mas, ainda assim, é um livro fantástico.

É o terceiro livro da quadrilogia e, apesar de os livros poderem ser lidos fora de ordem, aconselho segui-la. Leva-nos de volta à Barcelona e às incríveis histórias que cercam os personagens da eterna livraria Sempère. Apresenta-nos o passado de Fermín e passamos a entender quem ele é e o que foi fazer ali. O Prisioneiro do Céu cria um elo ainda maior entre A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo e nos prepara, como se fosse um enorme prólogo, para o desfecho da história no próximo livro a ser lançado.

Honestamente, não quero que essa história tenha um final - tampouco consigo imaginar como seria. Não quero ter a sensação de que tudo acabou e de que já não paira mais sobre as vielas de Barcelona aquela névoa pesada que esconde os segredos mais obscuros e o passado de seus moradores. Quero continuar com a sensação de que o Cemitério dos Livros Esquecidos existe escondido por entre o fascínio da sedutora Barcelona, disponível apenas para os Daniéis Sempere que surgem de tempos em tempos. Não sei o que me aguarda, mas definitivamente não é algo que eu queira ouvir o fim.

Esse livro é o menos poético dos três e tive medo de me decepcionar quando iniciei a leitura. Estranhei os parágrafos e os capítulos curtíssimos e uma sucintez que nunca lhe foi característico. Não me parecia digno de Zafón e tive a impressão de que, movido pelo sucesso da série, ele o escreveu às pressas - provavelmente pressionado pela editora. Não me entendam mal, toda a magia própria de Zafón está ali, toda a rica trama e os intrigantes caminhos que se interligam em algum ponto estão ali, só que menos lapidados, porém, ainda um diamante.

Era o único livro do autor que eu ainda não tinha lido, pois o guardara propositadamente para não acabar com meu estoque-Zafón. Agora já era, o jeito é começar a reler, e é justamente isso que dá vontade de fazer quando terminamos uma leitura sua. Reler. Sempre. Embarcar naquela Barcelona inundada de mistérios, de ruas repletas de histórias, de pessoas cheias de segredos. Entrar na livraria Sempère, fazer companhia ao tão íntimo Daniel em suas aventuras, sorrir e se encantar com Fermín e suas artimanhas, sentir um cheiro difícil de descrever ao entrar nos labirintos daquele Cemitério enfeitiçado que pode até ter livros esquecidos, mas que jamais sairá da minha memória.


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Envenenadas 16/09/2012

O Prisioneiro do Céu
Quando a Math me ofereceu algumas opções de livros, me encantei com a capa de “O Prisioneiro do Céu” de Carlos Ruiz Zafón. Como eu gosto de coisas clássicas e de fotografias, me interessei pelo exemplar; afinal, a fotografia da capa é belíssima.

Confesso que julguei mesmo o livro pela capa e após começar a ler este livro, vi que se trata de um livro que forma um ciclo de romances, e que este é o terceiro volume do universo literário do Cemitério dos Livros Esquecidos. Os dois primeiros livros são ‘A Sombra do Vento’ e ‘O Jogo do Anjo’, todos do mesmo autor. Mesmo assim, a história é totalmente compreensível e fantasticamente interessante. A maneira como o autor conduz a trama e (re) apresenta os personagens é leve e precisa, e mesmo não se prendendo a detalhes desnecessários, consegue nos estimular a mergulhar na história e na psique dos personagens.

A história da família Sempere é contada com detalhes por Fermín ao seu amigo Daniel, o que traz à tona tristes lembranças e aterradoras revelações.

Tudo começa quando um estranho personagem surge diante da livraria de livros raros Sempere e Filhos, em busca de Fermín, amigo do dono e funcionário do local. Na ausência deste, o visitante lhe deixa um exemplar de “O Conde de Monte Cristo”, com uma dedicatória no mínimo suspeita – e que acaba deixando o destinatário com o cabelo em pé!

“Para Fermín Romero de Torres, que retornou de entre os mortos e tem a chave do futuro. 13”. – pág. 58



Três ou quatro tramas correm em paralelo, além das referências ao livro que deu origem a saga, A Sombra do Vento.

As revelações detalhadas do sofrimento vivido por Fermín durante sua detenção no Montjuic são dolorosas, embora reveladoras. Apesar do grande terror vivido por ele, vê-lo dando a volta por cima e encontrando uma solução ao melhor estilo Dumas para um dos seus problemas, é muito interessante.

“Louco é quem se acha sensato e pensa que não tem nada a ver com a categoria dos tolos”. – Fermín, em dialogo com Sebastião Salgado. – pág. 87

E os diálogos com Fermín são sempre interessantes; carregados de sarcasmo, ironia, poesia e introspecção.

“Quem sabe se eu fosse decorar a vitrine só de cueca, alguma mulher ávida de literatura e de emoções fortes não entrava para comprar? Dizem os entendidos que o futuro da literatura está nas mãos das mulheres e Deus é testemunha de que está para nascer uma dona capaz de resistir ao charme rústico desse meu corpinho sarado”. – Fermín, sendo citado pelo Daniel em diálogo com seu pai.

“Um burrico, jegue ou asno, conhecido quadrúpede solípede que, com graça e altivez, pontua as paisagens dessa nossa Espanha, mas em miniatura, como os trenzinhos de brinquedos vendidos na Casa Palau”. – Fermín, esclarecendo a Daniel sobre os personagens de um presépio.

“Como se estivesse ouvindo mesmo de longe, Fermín parou no meio da pista de dança e ficou olhando para nós. Estendeu os braços para Rociíto e fez aquela cara triste, necessitado de carinho, que sempre tinha dado certo”. (...) – pág. 224

E Fermín é o personagem principal desta parte da história mágica do Cemitério.

O livro se divide em cinco partes e a história, desenvolvida em vários capítulos curtos, prendem o leitor com seu dinamismo e por ser bem amarrada. Os capítulos curtos, alguns com apenas uma página, cooperam para com que a leitura flua mais rápido; mas sem ser superficial ou simplória. Revela também histórias que deveriam ficar escondidas e outras que necessitavam ser reveladas. Constrói um período difícil e sofrido de uma Espanha em Guerra Civil sob o comando de autoridades cruéis e intolerantes. Mas também fala de esperança, coragem, luta e amizade.

Zafón completa o quebra-cabeça de um jeito surpreendente e que encerra (?) a série com chave de ouro.

A sinopse dá várias dicas sobre o livro e qualquer outra coisa que eu escreva aqui, revelará segredos da trama que só devem ser descobertos durante a leitura e o seu encontro com o Prisioneiro do Céu.

Sem dúvida, vale à pena se dedicar à leitura deste livro, e creio, de outros do mesmo autor.

Não sei vocês, mas já vou dar um jeito de providenciar os meus exemplares de A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo; na esperança de também ser convidado a visitar o Cemitério dos Livros Esquecidos.

Virei fã de Carlos Ruiz Zafón!

Boa leitura, Victor Assis
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Psychobooks 21/07/2012

Ao ler A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo, eu acreditava que as únicas coisas em comum eram a Livraria Sempere, O Cemitério dos Livros Esquecidos e Barcelona, durante a leitura de O Prisioneiro do Céu me deparei com alguns detalhes sutis que me fizeram pensar na genialidade de Zafón ao 'amarrar' tão bem esses três livros.

O autor declarou que eles podem ser lidos em qualquer ordem, mas na minha humilde opinião, o leitor se deliciará com O Prisioneiro do Céu muito mais se já tiver lido os dois livros anteriores, se não os tiver lido, vai encontrar alguns spoilers sobre eles.

Muitas vezes eu disse que para ler um livro do Zafón é preciso calma, nada de sair atropelando as frases, é preciso apreciar sua escrita peculiar e bela. Mas dessa vez, a narrativa está bem acelerada e o número de páginas faz com que o leitor chegue ao final da história após algumas horas. O autor usa diversos elementos em seus enredos: mistério, suspense, humor, sarcasmo, fatos históricos e uma boa dose de insinuação.

Grande parte da história desse livro acontece no passado, onde o Fermín Romero de Torres relembra os momentos mais sombrios de sua vida para que Daniel possa entender a confusão em que ele se encontra. E não pense que a narrativa ficou desgovernada, Zafón sabe como ninguém distinguir diferentes épocas no mesmo livro sem deixar o leitor perdido ou entediado com informações desnecessárias.

Conhecemos a rotina de uma prisão que causa arrepios até no mais destemido criminoso, ela fica em um castelo acima do nível da cidade. Um lugar lúgube, sem condições de higiêne, alimentação e onde o diretor mantém seus presos na linha. Quem entra ali só consegue sair depois de morto. Ali, um grupo de prisioneiros contam algumas histórias de sua vida, trazendo a vida a trama idealizada por Zafón, proporcionando aos leitores informações valiosas que conectam os livros anteriores a esse.

Fermín é um personagem fantástico! Sempre me surpreendo com sua sagacidade e rio muito com seu humor, até nos piores momentos ele consegue fazer uma piada para aliviar o clima pesado. Aos poucos, este vai se revelando o verdadeiro personagem central da série.

Ao final da leitura, fica muito claro que este é apenas uma preparação para o próximo (e último) livro da série do Cemitério dos Livros Esquecidos. Aqui não há as reviravoltas e obscuridades presentes nos livros anteriores, mas nem por isso, deixa de ser uma leitura excelente. Eu o vejo como a peça que une A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo, antes duas histórias paralelas, que agora se convergem para começar uma nova aventura.

Visite: www.psychobooks.com.br
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Dirce 25/07/2013

Aceitam um conselho? Não leiam o meu comentário - indigesto.
Torna-se praticamente impossível aos leitores que se tornaram admiradores de Zafón, depois de lerem "A Sombra dos Ventos",não se renderem ao apelo de o "O Prisioneiro do Céu": o livro faz parte da trilogia do Cemitério dos Livros dos Esquecidos. Um apelo semelhante àquele que quando, mortos de fomes, passamos frente a um restaurante e lemos: "Comida Caseira". Só que a "Comida Caseira" estava mais para um "Fast food".Diante de uma narrativa ágil e agradável eu "devorei" o livro, entretanto, mais uma vez Zafón me desapontou, pois achei o enredo, se comprado ao do A Sombra do Vento, muito fraco e o místico Cemitério dos Livros Esquecidos só aparece no final do romance, e a ele são dedicadas poucas páginas.
Na realidade , em O Prisioneiro do céu, Zafón, embora se utilize de um exemplar valioso da obra de O Conde de Monte Cristo para dar início a narrativa, ao contrário dos dois romances anteriores ( A Sombra do Vento e O Jogo dos Anjos) que giram em torno dos livros, livros que decidem destinos, se preocupou mais em desvendar identidades como a do Sancho Pança- ops,foi mal- a do Firmin,o grande amigo do Daniel Sempere - nosso velho conhecido de "A Sombra do Vento"- que por meio das revelações de Firmin, se inteira de fatos que intersectam a vida da sua mãe (Isabella)com a vida do aloprado David Martin.
Nos instantes finais do romance, o surgimento de uma nova personagem – Sofia- ou será que é nova somente para mim em decorrência de possível esquecimento?)e de alguns pontos obscuros e intrigantes me deram a certeza de um : A seguir cenas.
Como já deu para perceber no início deste meu comentário, a leitura deste livro me levou a compará-la o tempo todo com uma refeição. Dessa comparação me restou a certeza que a melhor leitura é aquela que saboreamos cada palavra, cada frase, cada página sem ansiar pelo final,assim como a melhor refeição não é aquela que engolimos rapidamente, e sim aquela que saboreamos, degustamos cada bocado. A leitura de O Prisioneiro do Céu só fez ratificar,para mim,o ditado: "quem tem pressa come cru e quente", não é Zafon?


Diio 30/07/2012

Após a leitura de um livro como “A Sombra do Vento” e de torna-lo um de seus favoritos, é normal que você crie altas expectativas quanto a continuação direta da história. E isso pode ser bom, sim, mas também pode ser bastante ruim. O que acabou por acontecer na minha experiência com “O Priosineiro do Céu”.

O livro me parece algo entre um tapa-buracos do livro anterior e um preparador para o livro que está por vir. É interessante? Sim. Mas decepciona como obra individual.

É impossível não ficar absorvido pela história, mas aqui ao invés do usual, eu arrisco dizer que só do início ao meio. Zafón parece escrever um final às pressas, com cenas fugidias e irreais, com soluções fáceis demais. Todo aquele desfecho dramático e voraz a que fomos acostumados é empurrado para o próximo livro, como se víssemos um ponto final caindo a nossa frente sem mais nem menos.

De certa forma, me parece propaganda enganosa.

Me resta esperar o próximo livro e permitir que Zafón me faça me apaixonar pela sua prosa outra vez. Por favor.


Raffafust 31/07/2012

Me encantando com Zafón
Sabem aqueles autores que você sempre tem muita vontade de ler, você cogita ler um livro deles mas sempre acaba lendo vários outros sem explicação? Minha história com Zafón era assim até a Suma mandar esse livro para o blog. E nossa...como perdi tempo lendo autores ruins e deixando esse mestre de lado.
Não li os livros anteriores e achei que me perderia na história mas mesmo tendo somente esse volume eu curti cada linha escrita, a história é mágica, daquelas que te envolve do início ao fim e o livro não fica monótomo porque as surpresas se completam.
Para começar o protagonista Daniel Sempere trabalha com o pai em uma livraria juntamente com um grande amigo : Fermín.
O que parecia um dia sem muitos clientes vira um dia agitado após a entrada no local de um homem estranho que supostamente quer comprar um dos livros mais caros da loja mas mal quer saber o preço e ainda deixa um bilhete misterioso começa a mexer com a curiosidade do Daniel.
A partir daí quanto mais Daniel investiga mais conhece o passado de Fermín e de seus pais e é com declarações do melhor amigo que ele vai descobrir que a vida dele não foi tão fácil quanto imaginava pois esteve preso na época da ditadura da Espanha.
Passado em dois tempos: no presente que é o ano de 1957 e no passado que inicia em 1939, o livro relata momentos da prisão de Fermín e dos dias pós prisão juntando os personagens em uma história que o que tem de intrigante tem de interessante.
Impossível não ficar curioso em saber o quer dizer o tal bilhete deixado elo homem misterioso para Fermin na livraria na qual trabalha.
Até mesmo a esposa de Daniel , Bernarda, parece esconder algum segredo que quando é desvendado fecha ainda mais com chave de ouro esse livro extremamente bem escrito.
Se para mim que comecei lendo pelo final e mesmo assim achei fantástico foi maravilhoso acompanhar a amizade e as revelações de Daniel e Fermín, acredito que para quem tenha lido " A sombra do vento" e " Jogo do Anjo" seja ainda mais agradável a leitura deste volume.
Zafón ganhou uma fã, impossível não se render a maestria de seu talento ao narrar essa história com final surpreendente.


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Helen 29/03/2016

Zafón sendo Zafón
Dois anos após os acontecidos em A Sombra do Vento, Fermin e Daniel estão de volta, para colocarem alguns pingos nos is.

Em o Prisioneiro do Céu muitos mistérios são revelados, paradeiros informados e revelações vem a tona.

Mesmo dizendo-se que a série pode ser lida em qualquer ordem sugiro, que não, que sigam a ordem e que assim possam ter uma cronologia mais exata dos fatos e claro pra não perder o clima de mistério e suspense da obra, que com toda certeza fazem a diferença.

Zafón entrelaçou os três livros de forma magistral, agora tudo faz ainda mais sentido, como não amar o autor que com tamanha facilidade e talento nos arrebata a cada momento com cada nova descoberta?

Estou me sentindo órfã após o término do terceiro livro, preciso de Fermin Romero de Torres, preciso da preciosidade desse livro novamente, por conta de alguns fatos não terem sido revelados acredito que haja um quarto livro para encerrar a história de fato, estou torcendo muito.

Definitivamente leiam, se aventurem pelo Cemitério dos Livros Esquecidos, viajem pela Livraria Sempere e Filhos, se encantem com Fermin Romero de Torres, se amedrontem com Andreas Corelli, amem e se dediquem como Daniel Sempere, apaixonem-se por Isabella e apesar de tudo sonhem como David que apesar dos pesares é um grande sonhador!

Com esse livro podemos ter a certeza que viajar sem sair do lugar é possível, que sentir independe de realidade, que a ficção pode nos transportar de uma maneira linda e pode nos jogar em um turbilhão de emoções.

E sem mais delongas, viva a genialidade de Zafón!


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