Insubmissas lágrimas de mulheres

Insubmissas lágrimas de mulheres Conceição Evaristo




Resenhas - Insubmissas Lágrimas de mulheres


31 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3


Adonai 26/05/2020

As letras vivas de Conceição
Conceição Evaristo é maravilhosa, isso já sabemos, e aqui nesse livro o adjetivo não muda. E sobre o seu escrever, só se acrescenta: escrita viva, parece sair das páginas, doce e amarga ao mesmo tempo e costurada com a complexidade, assim como nossa vida é.

São contos de mulheres que vivem em nosso cotidiano. Parece até que estamos dentro das páginas e conseguimos identificar sobre quem ela está escrevendo, além de marcar cada letra com dor, desejo, experiência e poesia.

A complexidade me deixa escapante, sinto que não consigo expressar o que li, pois nada parece alcançar a potência do livro. Um livro necessário.
comentários(0)comente



Rodrigo | @muitacoisaescrita 06/02/2020

Perfeição!
A começar pela arte da capa - que é tão importante quanto a obra em si - e pelo título do livro, podemos ter alguma noção das histórias encontradas no livro. Na arte, vemos uma mulher de turbante, com nariz e lábios grandes - uma mulher negra, aparentemente. Ela está chorando, e suas lágrimas regam as flores espinhosas que brotam das veias e artérias de seu coração. Percebemos, também, algumas flores murchas, mortas, porém outras bastante vivas. As lágrimas desta mulher negra tornou-a insubmissa, a transformou. Temos, ainda, um autoabraço, representando, nesse sentido, que o único refúgio desta mulher era ela mesma. "E, depois, elas mesmas, a partir de seus corpos mulheres, concebem a sua própria ressurreição e persistem vivendo" (p. 95).
.
No livro, temos 13 contos. Cada um deles leva o nome da personagem principal, de uma mulher (que tornou-se) insubmissa. Em alguns contos, a primeira e terceira pessoa do discurso se confundem. As vozes - ou melhor, lágrimas - das personagens é confundida com a da autora, no ato icônico de Conceição Evaristo nomeado de escrevivência; ela conta histórias verdadeiras ao mesmo tempo que as inventa e compartilha suas dores e alegrias: "Da voz outra, faço a minha, as histórias também" (p. 7). Até mesmo as "falas" das personagens são confundidas, algumas vezes, com a narração da autora. Aspas não são utilizadas.
.
As obras de Conceição, por mais difícil que seja resumí-las, tocam em pontos em comum, como a ancestralidade e a maternidade, por exemplo, tão presentes aqui e em outros livros de Evaristo. Vale ressaltar, sempre, a sua escrita poética, tão linda e dolorosa, nos emociona e destrói nossos corações, arrancando lágrimas. São contos fortes, histórias fortes, de mulheres insubmissas.
comentários(0)comente



Gabrielle Hensel 24/10/2020

"Estas histórias não são totalmente minhas, mas quase que me pertencem"
O que falar de Conceição? Foi o primeiro livro que li dela, e já me considero fã. Como ela faz pra escrever histórias tão sofridas e reais com tamanha leveza e elegância? Conceição é uma gênia.

A cada conto, eu ficava me perguntando o quão blindada eu estaria para querer devorar o livro sem pausa, mesmo com tanto sofrimento contado em cada linha. Mas esse é o efeito da Conceição. Sua habilidade com as palavras, a forma com que ela faz as heroínas das suas histórias parecerem tão vivas dentro de nós, faz com que não seja só um apanhado de contos tristes e de sofrimento, mas também, de ressurreição de cada personagem.

O modo com que cada mulher dá a volta por cima e lida brilhantemente com suas mazelas dá o nome do livro: suas lágrimas são verdadeiramente insubmissas, não são lágrimas de resignação, mas lágrimas de insurreição.

Cada conto irá te tocar de uma maneira diferente, e irá depender das suas próprias histórias. No meu caso, alguns eu tive que reler, um eu levei para a terapia, outros lembrei de amigas e tive que enviar para elas.

E, mais importante ainda, Conceição traz histórias de mulheres negras. Mulheres negras que não sofrem só com o racismo, mas mulheres negras que são, além de tudo, mulheres. Mulheres que sofrem com o machismo, com a violência de seus homens, com a violência e abandono familiar, mas também mulheres que amam, que são amadas, mulheres ricas, mulheres pobres, que trabalham, estudam, que são bonitas, que são rainhas.

É importante demais enxergar a imagem dessas mulheres por detrás das histórias. Fica aqui, dentre outras tantas dicas, meu apelo: leiam esse livro!

Não vejo a hora de mergulhar na escrita de Conceição mais uma vez. Obrigada por tanto!!
comentários(0)comente



Joana 07/04/2020

Mais do que contar/ ler histórias, nesse livro Conceição Evaristo nos provoca a exercitar a escuta. Sim! A narradora do livro, que é também uma personagem que passeia por todos os ?contos?, vai ao encontro de mulheres negras para que estas possam contar suas histórias. Isso já é bastante significativo quando se pensa no quanto a histórias dessas mulheres foi silenciada por tanto tempo.
Nesses encontros sinestésicos, conhecemos a história profunda e tocante de mulheres que enfrentaram dor, abandono, violências, abusos, mas que mais que tudo isso, tiveram uma vida de sonhos, desejos, perseverança e coragem sempre aflorados!
Não tenho nem como escolher a minha história preferida: todas me provocaram sensações muito diferentes! Recomendo muito a leitura!
Conceição Evaristo é simplesmente uma mestra na arte de escreviver: porque quando se conta uma história, muito se perde, mas muito se cria!
comentários(0)comente



Isabel 15/05/2020

Conceição Evaristo nos traz neste livro treze contos sobre treze mulheres diferentes mas com histórias e personalidades marcantes.
Mesmo sendo contos curtos, Conceição consegue desenvolver bem a personalidade de cada personagem; acho que isso é algo grandioso no livro.
A escrita de Conceição é muito bonita e fluida e ela consegue expressar temas pesados com uma delicadeza sem igual.
Existem trechos lindos no livro!
Recomendo a leitura!
comentários(0)comente



Maria.Medeiros 05/03/2020

Um livro difícil de ler em alguns momentos, mas extremamente necessário de ser lido. Entrar em contato com histórias reais de mulheres tão fortes, forçadas a serem fortes por terem nascidos mulheres e negras, é um presente. Conceição Evaristo nos mostra, com esse livro, a sua grandeza.
comentários(0)comente



Nay 07/08/2020

Força e delicadeza insubmissa
Um livro de contos que nos atingem profundamente a alma. Retrata a vida real, a existência feminina, vínculos, força e resiliência, sob delicadeza de palavras cruas que escorrem como lágrimas através da escrita de Evaristo.
Um dos livros mais lindos que já li.
comentários(0)comente



Cíntia T. 31/08/2020

Mulherismo brasileiro em atos catárticos
O que a autora cunha de "escrevivências" eu talvez possa chamar de atos de catarse.
Mesmo se tratando de histórias de mulheres negras, há muita diversidade nos contos e em alguns a gente se identifica em parte só por ser mulher, ou fora do padrão.
A essência das experiências tem um misto de força, superação e muita personalidade, que derruba abaixo qualquer vitimismo. Mesmo assim, é preciso estar preparada para gatilhos emocionais a respeito de abusos físicos e psicológicos, violência e racismo.
comentários(0)comente



Juliana.Leal 17/05/2020

Protagonizado por mulheres de histórias marcantes, a obra de Conceição faz um sobrevoo por 13 histórias intragáveis de realidades femininas que interseccionam gênero, raça e classe na composição da sociedade brasileira. Me chamou a atenção o fato de que a autora despersonifica nominalmente a maioria dos personagens de sexo masculino nos contos.
Há temáticas que se repetem, porém com distintas abordagens, como o abandono, a violência doméstica, a condição de subalternidade da mulher e suas lutas constantes pelo direto à existência.
comentários(0)comente



Matheus Gonçalves 16/07/2020

De aquecer o coração
É, sem dúvidas, uma das obras mais lindas que já li. Trata para além das tristezas que a vida traz. Trata das alegrias e a da esperança nas pequenas coisas.
comentários(0)comente



Nathalye 24/05/2020

Leia mulheres negras
Conceição Evaristo é muito incrível.
Uma escrita peculiar e intensa, em contos de mulheres que poderiam ser muito bem reais.
comentários(0)comente



Toni 18/02/2019

A resenha de um livro de contos, via de regra, nos impõe a busca por alguma unidade, certo fio condutor que elucide cada conto sem, contudo, arrancar-lhe a independência de uma forma que se quer total e insubmissa, ainda que breve. Em se tratando desta coletânea da C. Evaristo, a tarefa de eleger um risco narrativo predominante não é difícil: está expresso no título, no índice e na nota da autora que apresenta os contos: treze nomes de mulheres, negras e de variados grupos sociais, designam treze histórias de vidas ouvidas em peregrinação e contadas posteriormente pela escritora que não esconde sua arte, ciente de que “entre o acontecimento e a narração do fato, alguma coisa se perde e por isso se acrescenta”.
.
A partir dessa mistura de realidade e invenção, Evaristo leva adiante seu 'projeto' (na falta de palavra melhor) de ‘escrevivência’, uma poética que torna impossível desvencilhar a palavra do corpo, da voz, da cor da pele, do gênero. Numa troca de mensagens com o perfil @_aleituras_ — que também leu o livro recentemente —, a Alexandra me perguntou se eu tinha achado algum conto mais marcante e até hoje não consegui lhe responder. Isso porque, nas mãos da Conceição, a agulha da escrevivência percorre o tecido da *dororidade* com a destreza de quem faz cada história uma história de renascimento. (*termo cunhado pela Vilma Piedade para dar conta do sofrimento de mulheres negras, duplamente vítimas do racismo e do machismo*). Difícil, pois, escolher.
.
Com as narrativas de ‘Insubmissas’, Evaristo transforma o prazer da escuta na arte de construir uma memória pessoal com a ajuda de experiências alheias. O resultado são histórias cujas protagonistas “a partir de seus corpos mulheres, concebem a sua própria ressurreição e persistem vivendo”.
comentários(0)comente



Jugirassol 20/08/2020

Segundo livro que leio de Conceição Evaristo. E, ao finalizar esse, posso afirmar que o que mais me encanta na escritora é a sua elegância com as palavras. Ela faz isso com uma maestria única. Tanto é que quando se começa a ler Conceição Evaristo não dá vontade de parar.
comentários(0)comente



Alice Fortunato 04/07/2020

Sobre exercitar a escuta
“Gosto de ouvir, mas não sei se sou hábil conselheira. Ouço muito. Da voz outra, faço a minha, as histórias também. E no quase gozo da escuta, seco os olhos. Não os meus, mas de quem conta.” [Conceição Evaristo]

Insubmissas lágrimas de Mulheres consiste num projeto literário composto de contos protagonizados por mulheres negras. São relatos subjetivos e dolorosos que a sensibilidade de Conceição conseguiu transformar em palavras. As questões por ele abordadas transitam, dentre outras, por racismo, sexismo, violência doméstica e familiar, abandono. Impossível não se sentir tocado pelas histórias dessas mulheres.
É um livro que não trata apenas de dor, mas de resiliência. Pois, em que pese as amargas experiências e após passarem por vários processos de dor, essas mulheres resistem e se reinventam.
Sua narrativa é a materialização do que a autora chama de “escrevivência”, uma vez que a própria constrói uma memória pessoal com o auxílio de experiências contadas por outras. Também uma mistura do real e do imaginário, “Entre o acontecimento e a narração do fato, alguma coisa se perde e por isso se acrescenta”. (p.7)

Recomendo a leitura, e mais, entendo-a como necessária!
Aliás indico tudo que Conceição Evaristo escreve. Por sua escrita viva, poética e ao mesmo tempo crítica. Porque, como ela mesma já disse, seus escritos nascem de dentro, de uma descendência que já experimentou posições de subalternidade própria ou coletiva.
comentários(0)comente



Leituras do Sam 18/04/2017

Corpos/histórias
Que responsabilidade a minha em escrever a primeira resenha deste livro aqui, mas é também um prazer poder dizer sem dúvida alguma que ele deve ser lido, comentado e estudado.
O título desse texto foi tirado do próprio livro e expressa bem a força da narrativa de Conceição Evaristo que narra histórias de mulheres que de tão reais nos deixa na duvida de se foram realmente inventadas (será que foram mesmo?).
Cada conto tem início com o encontro da narradora com essas mulheres que contaram suas histórias; a narradora então precisa primeiro se transformar em ouvinte ao mesmo tempo que nós leitores somos levados a nos transformar também em ouvintes. Este movimento cria o pacto, o laço o acordo entre a mulher contadora de suas vivências e o leitor/ouvinte e a afeição a essas personagens é inevitável.
São vidas, corpos e experiências sofridas que para usar as palavras dá própria autora "quem tem um corpo não negro, não mulher, jamais experimenta".
Mas engana-se quem pensar que é um livro triste, pois apesar das insubmissas lágrimas derramadas por estas mulheres "elas mesmas, a partir de seus corpos mulheres, concebem a sua própria ressurreição e persistem vivendo", esta delicadeza/força está já na arte da capa linda desta obra necessária.

@leiturasdosamm
comentários(0)comente



31 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3