Serena

Serena Ian McEwan




Resenhas - Serena


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Biblioteca Álvaro Guerra 14/12/2018

Serena é um romance sobre espiões. Não apenas porque a protagonista é
uma jovem matemática que se vê recrutada pelo Serviço de Segurança britânico,
mas também porque a ficção se revela um grande exercício de vigilância.

Livro disponível para empréstimo nas Bibliotecas Municipais de São Paulo. De graça!

site: http://bibliotecacircula.prefeitura.sp.gov.br/pesquisa/isbn/9788535921212
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Gabriel.Sacramento 24/05/2018

McEwan surpreende a cada leitura
O que mais gosto do estilo do Ian é o seu jeito de contar histórias simples sobre pessoas simples, mas ao mesmo tempo com uma demonstração de talento que torna a narrativa bem construída e complexa. "Serena" não foge a alguns clichês de histórias românticas, mas entrelaça-os com diálogos incríveis e o riquíssimo contexto da guerra fria em uma pegada de livro de espionagem. A personagem principal é simples, humana, seus erros são os erros dos leitores e seus acertos são comemorados por nós.

Além disso, o livro é sobre a paixão pela leitura e sobre a arte de escrever. Ah, e o final é brilhante! Fiquei um bom tempo depois para me recuperar desse final, que foi para uma direção totalmente diferente do que esperava.
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Marina 03/11/2017

Não curti muito esse livro, a história se arrasta, é bem entendiante, e a personagem-narradora não foi muito bem desenvolvida. Achei muito superficial, o escritor não conseguiu dar uma voz convincente a uma mulher jovem. Os relacionamentos dela também não são nada interessantes, você não consegue torcer ou odiar nenhum deles, simplesmente não te envolve.
E esse final... acredito que era para ser um plot twist, mas... nhé. Fraco.
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Rafael 05/08/2017

Uma aula de como escrever.
Não é por acaso que Ian McEwan foi chamado de melhor escritor vivo. É uma aula de excelência em escrita. A história é boa, um pouco arrastada. Mas a capacidade do escritor em desenvolver diálogos interessantes, situações sofisticadas e complexas a partir de coisas simples torna um livro maravilhoso. Quem é acostumado à blockbusters (livros de gosto massisso com objetivo único de vender em alta-escala) não vai gostar. É um trabalho minimalista, instigante, de gosto refinado.
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JefersonBarbosa 15/08/2016

O autor não é seu escravo.

Mais uma experiência encantadora com Ian McEwan. Foram 384 páginas nas quais sorri, fui enganado, fui magoado, fui retribuído e me emocionei. Uma obra muito legal que utiliza de um pano principal para abordar temas muito mais interessantes, não se prenda as aparências. Precisamos ser leitores melhores, e entender que o bom autor deve trabalhar com todos os sentimentos, criar personagens que funcionem na historia, te agradando ou não, sendo cativantes ou extremamente chatos. O autor não é seu escravo para criar a obra que você quer ler, é você que deve aprender a ser leitor do universo do outro. A qualidade de uma obra não pode ser medida por se encaixar ou não no seu gosto de leitura ou nas suas escolhas para a trama, o que você estará avaliando, sendo um leitor mesquinho, é, no máximo, a experiência de leitura e como a obra seria se você fosse o autor.
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Gilberto 08/09/2015

Serena – Ian McEwan
Eu não acho que a metáfora mais apropriada para quem escreve ou leia livros seja o fato de sermos espiões, justamente por um espião ser recrutado para obter informações e se necessário envolver-se em algum caso para ter papel determinante no seu fim. Ao contrário disso o leitor é um observador passivo e sem influência na trama, cabendo a ele gostar ou não e buscar compreender um livro e a partir daí julgar aquilo que leu.

Estas comparações de que ler ficção é ser um tipo próximo ao espião surge da necessidade, por parte da editora, de criar uma ligação entre o leitor e o livro que se tem em mãos que trata justamente de espionagem e criação literária. Serena conta a história de Serena Frome, uma jovem de Cambridge, que acabou se formar em matemática, ela é uma leitora compulsiva, que acaba sendo recrutada para trabalhar no MI5 – o serviço secreto britânico- tendo como pano de fundo o começo dos anos de 1970, onde a Inglaterra se encontra em crise política e econômica e combatendo o terrorismo irlandês.

Serena que se vê envolvida no serviço secreto graças a seu amante, alguns anos mais velho que ela, acaba por ter misturada juntamente com seu trabalho alguns casos de amor, como é o caso da história mal resolvida entre ela e Max Greatorex, que a vigia de forma insistente, mesmo já tendo sido rechaçado por ela. Porém de todas a relações de amor que a personagem tem o mais emblemático será a sua ligação com Tom Haley. Eles se conhecem quando Serena, que é conhecida por ser uma leitora ávida, será recrutada para a operação tentação que se baseia no MI5 financiar de forma secreta jovens autores, para que estes autores influencie a cultura com seus livros. Só que ela acaba se envolvendo com Tom Haley de forma que ficam perdidamente apaixonados um pelo outro.

É neste jogo de vigiar quem que o autor brinca de forma magistral, Tom é vigiado por Serena, que por sua vez é vigiada por Max, que por sua vez é vigiado pelo MI5, que por sua vez é vigiado pelo leitor. Ao mesmo tempo em que a personagem deveria ser uma observadora que passa despercebida dentro da trama ela também é o núcleo que faz com que toda esta história deva ser observada de forma atenta. Enquanto Serena tenta influenciar a criação de Tom, ela é influenciada pela mão invisível do autor, e por ai vai a trama, mostrando que ninguém passa despercebido, e que muitas vezes o observador também é observado, criando um ciclo imenso.

Mas o que para mim determina que este livro é realmente bom, não é somente a capacidade do autor de criar este jogo narrativo impressionante, é justamente o contrário, o fato de que tudo isso está ao alcance que qualquer leitor de forma muito divertida e atrativa, tanto é que eu li uma média de 150 páginas na primeira sentada que dei com o livro em mãos. Ou seja o leitor tanto pode ter em mãos uma obra de arte, quanto um entretenimento de alto nível, sem que uma opção anule a outra, é este o grande triunfo de Ian McEwan ao longo das 382 páginas que compõe Serena.

site: https://lerateaexaustao.wordpress.com/2015/09/08/serena-ian-mcewan/
Nanci 08/09/2015minha estante
Surpreendente, né? Li com alguns leitores do Skoob e rendeu ótimas discussões.


Gilberto 08/09/2015minha estante
Sim, eu gostei muito, pq tinha acabado de ler um outro bem chato, e pq este é bem viciante.




Valério 02/01/2015

O fim justifica o meio?
A história, em si, não é tão interessante. Em alguns momentos parece se arrastar. Ficamos curiosos com seu desenrolar, mas nada que nos deixe desesperados para passar para a próxima página.
E o livro vai morno até o seu final.
Aí, o livro é justificado. Sim, você só saberá o quanto o livro é legal ao terminar de lê-lo.
Não quer dizer que por isso virou uma das grandes obras primas da literatura mundial. mas certamente aumento minha cotação de estrelas.
Portolese 27/02/2015minha estante
O fim não teve o mesmo efeito em mim, descobri o que viria porque é o que acontece com outro livro do autor (muito superior) anterior a esse, que vou evitar citar por motivo de spoiler, a obra é arrastada realmente, serena não tem gosto algum, os contos são as melhores partes da trama.




Renata CCS 29/03/2014

“Gostar de um livro depende também da possibilidade de encontrar-se nele.” (Serena)

"Não há nada em que paire tanta sedução e maldição como num segredo." (Soren Kierkegaard)


Já faz um tempinho que eu estava curiosa para ler alguma coisa de Ian McEwan. Confesso que SERENA me conquistou logo na sinopse, principalmente por causa das palavrinhas mágicas “serviço secreto”. Sempre gostei de filmes de conspiração, tramas complicadas e agentes duplos, logo, uma premissa como essa não me passou despercebida. E o cenário em que a narrativa se passa - a década de 70 na Inglaterra, ou seja, em plena Guerra Fria - é propício para uma boa história.

Nesta história acompanhamos Serena Frome (pronuncia-se Frum, ela faz questão de esclarecer) nos contando suas memórias, suas experiências literárias e amorosas, e em como estas últimas estão intimamente ligadas. Serena é uma jovem inglesa apaixonada por literatura. Durante sua juventude colecionou algumas aventuras amorosas e, entre elas, estava Tony Canning. Com muita inteligência, cultura e um encantador chalé utilizado de refúgio amoroso nos finais de semana, ele conseguiu conquistá-la a ponto de mudar sua vida para sempre. Sem que ela desconfiasse, Tony a preparava para entrar no MI5, o Serviço Secreto Britânico. E depois de sofrer uma grande decepção amorosa com Tony, Serena vê seu ingresso no Serviço como uma espécie de recomeço. Mas, se no início pensava que seu trabalho seria estimulante, a decepção veio quando tornou-se uma espécie de secretária arquivista.

A reviravolta em sua vida começa apenas quando ela é selecionada para fazer parte do projeto Tentação que, apesar do nome sugestivo, a coisa é aparentemente simples: ela deve convencer Tom Haley, um jovem e promissor escritor a aceitar a ajuda financeira de uma instituição para poder dedicar-se inteiramente aos livros. Isso porque o Serviço acha que seria muito conveniente ter uma forma velada de propaganda, como outros estados produzem, e sem que o autor perceba que é isso que ele está fazendo. Tom Haley não pode saber que o dinheiro que recebe vem do MI5 e nem pode desconfiar que ele foi escolhido a dedo para o papel. Só que no meio do caminho - entre a leitura dos contos e o primeiro contato com Tom - Serena já estava apaixonada (mesmo que ainda não pudesse ter certeza). E mais uma vez o amor é responsável por todas as reviravoltas de sua vida.

Este pequeno resumo que fiz não é nada digno no livro de Ian McEwan, mas sinto como se qualquer coisa que eu diga possa estragar as surpresas da história. O que posso dizer é que SERENA é uma novela de leitura fácil na aparência, mas que, na realidade, é muito mais do que isto. McEwan chama o leitor para jogar, em uma espécie de brincadeira que parece só ter as regras esclarecidas na conclusão.
Serena é uma protagonista com quem simpatizei facilmente, não só por sua paixão pelos livros, mas porque ela fica próxima do leitor comum, pois tem os mesmos anseios e medos. Um deles é o amor. Ela é humana e por isso nos conquista tão facilmente!

Um fator bastante explorado – e que mais me conquistou - é a importância da literatura. Diria até que é o elemento chave, aquela peça fundamental que dá importância a toda a história. Ela está presente em tudo: no amor que a protagonista sente pelas palavras, nas missões secretas e, de forma ainda mais evidente, na própria escrita do autor. Além disso, a política também é um elemento bastante presente em toda a escrita. Dá para perceber a preocupação que o autor teve em situar os leitores no momento histórico e apresentar o panorama geral, sempre de forma diluída, inserida no contexto.

Criar uma ficção envolve uma espionagem real, pois é preciso pesquisar sobre a veracidade daquilo que se está narrando. Em SERENA, o autor mostra não ter o menor pudor em usar seu talento para manipular o leitor.

Vocês deviam ler Ian McEwan! Desvendar os mistérios dessa história, meus queridos, depende de vocês!

PS: obrigada querida Nanci pelo lindo presente!


Resenha publicada originalmente em 14/03/2014.
Nanci 14/03/2014minha estante
Renata:

Eu que agradeço pela deliciosa experiência de ler Serena e discuti-lo não só com você, mas com o grupo, que você gentilmente organizou.

Ian McEwan não escreve na superfície; ao contrário, explora várias camadas narrativas. Conhecer a opinião de vocês me possibilitou mergulhar em detalhes e elementos, aos quais talvez não tivesse valorizado sozinha.

Beijo, da Nanci.


Ren@t@ 14/03/2014minha estante
Adorei a sua resenha e também gostei demais de participar do grupo de discussão sobre a obra. Espero podermos compartilhar impressões novamente!


Helder 15/03/2014minha estante
Há tempos tenho este livro na minha fila de compras e acabei ganhando o arquivo em Epub de um amigo. Fiquei muito curioso com sua resenha e vou ver se passo ele na frente dos outros. Já li McEwan e acho que entendo o que vc fala. Leia Reparação. É um livraço. Literatura quase classica. Tudo bem pensado e escrito, e somente no final ele vem nos passar uma rasteira.


Pedrinho 18/03/2014minha estante
Compartilho de sua opinião Renata. Boa resenha!
Gostei de participar do grupo de discussão sobre o livro. Obrigado pelo convite!


Clara K 19/03/2014minha estante
Serena é um livro para ser digerido, e não engolido. Terminei o livro com a sensação de que perdi algo pelo caminho... Após o desfecho surpreendente, dá vontade de recomeçar a leitura, com outros olhos.


Arsenio Meira 21/03/2014minha estante
E o arremate do romance é impagável. Assim como esse traço que vc deixou aos que ainda não lera, o Serena, e certamente o farão, após ler suas palavras!
Abraços


Renata CCS 28/03/2014minha estante
Obrigada aos amigos skoobers pelos gentis comentários. Ian McEwan foi uma leitura que muito me agradou. Só me resta ir para a próxima!
Grande abraço.




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Fer Kaczynski 19/01/2014

Um romance sobre espiões
A obra mais recente escrita por Ian McEwan, autor do famoso livro Reparação.


O livro conta a história de Serena, uma jovem filha de um bispo anglicano, que vive em Londres nos anos 70, em meio à romance, literatura e guerra fria.


Estudou Matemática em Cambridge e foi recrutada para trabalhar no MI5, serviço secreto inglês. Leitora voraz e dinâmica, ela é selecionada, por conta disso, para participar de um projeto na Guerra Fria: combater as idéias comunistas, o MI5 quer secretamente financiar autores talentosos que escrevam em favor do capitalismo. Em meio a alguns romances tempestuosos, Serena envolve-se com o escritor que a selecionou, Thomas Haley, e se vê no desafio de manter viva uma mentira justamente para aquele que ela julga ser seu grande amor.

Leia mais em:

site: http://dailyofbooks.blogspot.com.br/2014/01/serena-ian-mcewan.html
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Luigi 15/10/2013

Como a grande maioria da obras, Serena é um livro com pontos altos e baixos (com muito mais pontos baixos), porém com um final incrível. A personagem principal quando entra em seus devaneios extensos acaba trazendo um certo tédio, deixando a leitura um pouco cansativa, e dificilmente proporciona momentos empolgantes do desenrolar do livro, muita das situações acontecem por acontecer e não agregam ao desenvolvimento dos personagens ou do enredo de fato, que por sinal, deixa de ser cativante quando você percebe que de espionagem não há praticamente nada.
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Jeniffer Geraldine 23/08/2013

Dica de leitura – Serena
Quando li a sinopse de Serena, do Ian McEwan, me empolguei com o fato da personagem principal ser uma espiã. Gosto demais de histórias com detetives, espiões, muito suspense e se isso tudo vier com um pouco de romance é fato que terá minha atenção.

Esse foi o primeiro livro que li do Ian McEwan. Me surpreendi com o final, mas confesso que demorei de engatar a leitura. Comecei no início do ano e só agora peguei novamente para ler e fluiu legal. Não espere muito suspense sobre algum caso sensacional de espionagem tipo James Bond ou grandes mistérios tipo Agatha Christie. A proposta é outra e muito interessante.

Serena, apesar de ser apaixonada por Literatura, vai estudar Matemática para tentar ser algo diferente do que sua mãe é, uma simples dona de casa. Serena é do tipo comum, conclui a faculdade sem grande louvor e gosta de ler livros que não são considerados clássicos.

Ao se apaixonar por um cara mais velho, que a apresentou à literatura clássica, política e economia, Serena vê sua vida mudar após ser abandonada pelo seu mestre amante. E é aí que sua aventura como espiã começa. Serena é convidada para trabalhar no MI5, o Serviço Secreto Britânico, com o objetivo de convencer escritores a fazer parte de uma fundação que deseja fomentar a produção literária. Os escritores receberiam uma boa grana simplesmente para produzir literatura. Serena, então, encontra a chance que sempre desejou, trabalhar com o que mais ama: Literatura.

O alvo da missão de Serena é o escritor e professor universitário, Tom H. Healy, que já possui alguns contos publicados e bem aceitos na mídia. A forma como Serena descreve Tom, me fez criar uma imagem de um homem frágil e feio e eu jamais imaginaria que ela fosse se apaixonar por ele, mas foi exatamente isso que aconteceu.

Algo interessante na obra do Ian é que é um livro, também, sobre literatura. Encontramos muitas referências e em alguns momentos trechos dos contos do Tom.

Serena fez da sua missão do MI5 a vida que ela sempre sonhou. Tom se transformou no seu grande amor e ela trabalhava com o que gostava. Tudo perfeito, não é?! Sim e não. Afinal, Serena vivia uma mentira. Ela era uma espiã do MI5 e isso Tom não sabia.

Será que Serena sustentará para sempre essa vida dupla? Será que um dia ela terá coragem de abandonar tudo que sempre sonhou para falar a verdade para Tom? E Tom, será que ele imagina que vive uma mentira? Mas, como dizem por aí, mentira tem perna curta.

site: http://subindonotelhado.com.br/dica-de-leitura-serena.html
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Karol 13/06/2013

Lições de Ian McEwan
Foi na edição 2012, da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), que "Serena" foi lançado. Na ocasião, seu autor, Ian McEwan, participaria da mesa “Pelos olhos dos outros”. Ao lado da também escritora Jennifer Egan, ele protagonizou um diálogo extremamente interessante sobre processos criativos e a manipulação do leitor. Era um recado do que eu, uma leitora de primeira viagem dos romances de McEwan, devia esperar. Um aviso. Neguei-o e fui manipulada.

Pela sinopse "Serena" parece um daqueles romances policiais recheados de ação e reviravoltas. Não é. Ao menos o tipo de ação que se espera desse genêro "Serena" não tem. Já as reviravoltas, bem, isso esse romance tem. Apesar de me sentir decepcionada e enganada, prossegui minha leitura. Foi somente depois da centésima página que lembrei-me da dica, dada na FLIP 2012. Todo aquele contexto da Guerra Fria, o MI5 e a vida de Serena - a próposito uma personagem um tanto desinteressante e passiva - são pretextos utilizados por McEwan para falar sobre a escrita e o escritor, o leitor e a sua atividade de leitura. Era a ilustração do que eu ouvi na Flip 2012. Cheguei ao último capítulo de "Serena" e a sensação que ficou é que, em algum lugar, Ian McEwan estava rindo de minha ingenuidade.

"Todo bom romancista é um manipulador. Você vai conduzindo o leitor pela mão. A questão é: com que objetivo? Se for para oferecer uma surpresa fantástica ao final, é aceitável. Desejável. Surpresas são maravilhosas. Eu as adoro”, disse Jennifer Egan naquele debate na Flip. Devo concordar com ela, eu também. É por isso que não consigo me decidir se gosto ou se odeio "Serena".
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Nina Galdina 12/04/2013

Sereníssima
Serena Frome (a pronúncia é Frum, como ela faz questão de frisar), é a jovem de vinte e três anos que toda jovem de vinte anos gostaria de ser (ou ter sido). Portadora de uma beleza que provocaria inveja aos reles mortais (e desperta olhares masculinos), ela começa a narrativa do livro que leva o seu nome (Serena, Ian McEwan, Companhia das Letras, 382 páginas) apresentando-se sem delongas, numa forma abrupta e até egocêntrica. A Serena que narra a história já é uma senhora idosa que retoma quarenta anos antes para tratar do divisor de águas da sua vida, ou o que ela se tornou que fez com que sua rotina mudasse completamente. É um daqueles causos do tipo “minha vida nunca mais foi a mesma depois de”.

(...)

Serena não deseja perder tempo com sua infância, de modo que basta ao leitor saber que fora criada por um bispo anglicano e uma dona-de-casa com pretensões timidamente feministas. A garota também tem uma irmã que, ao longo dos anos, revelou-se uma rebelde da geração hippie, de modo que Serena não é a ovelha negra dessa família tipicamente inglesa.
Serena está na idade das decisões que implicarão no futuro de sua carreira e, apesar de ser apaixonada por literatura, assumindo-se voraz diante de autores como George Orwell (é aí que o leitor se identifica com a personagem), a mesma também é muito boa com números e, sob o argumento materno de que “muitas garotas cursam Letras, você pode fazer diferente, você pode fazer Matemática”, ela decide cursar em Cambridge a disciplina que, na década de 70, poucos esperam que uma mulher chegue a escolher.
Mas Serena não é feliz nessa decisão, tanto que percebe que Cambridge possui um nível altíssimo diante de seus conhecimentos em Matemática: a garota passa sem louvor ou méritos, mas descobriu pequenas diversões na universidade, tais como namorar muito, poder fazer parte de uma revista onde seu senso crítico literário passou a ser comentado em todo o campus – o equivalente a, hoje em dia, formar opinião através de um blog na internet. E ela tem um caso com um homem mais velho, Tony Canning: casado, inteligente e que parece estar treinando a garota para que a mesma faça parte do MI5 (sem que ela saiba muita coisa a respeito). À partir desse ponto, preciso deixar claro que a história narrada por Serena se passa no período em que a Guerra Fria está acontecendo, e atentados do IRA eram comuns na Londres que ela vivia.
Após o rompimento entre Serena e Tony, a garota fará parte do MI5 e não é uma história no estilo James Bond que começa. Apesar do perigo que isso implicaria, sua mãe (e o leitor) ficariam bastante felizes em saber que Serena é uma 007, mas ela começa apenas como uma reles secretária, com funções mínimas e até mesmo inofensivas – porém com uma identidade secreta que, na prática, não serve para muita coisa.
Mas logo a literatura da garota fala mais alto e ela é contratada para uma missão que depende do quão persuasiva deverá ser. Serena precisa convencer um jovem e desconhecido escritor a aceitar a bolsa de uma fundação, que promete responsabilizar-se pela divulgação de suas obras (a realidade é que o MI5 pretende lançar uma pessoa que, através de sua opinião, influencie as massas – porém eles não desejam interferir diretamente na escrita desse indivíduo). Parece o sonho de todo e qualquer autor estreante: apenas escrever incessantemente e não se preocupar com o dia de amanhã nesse mundo cão que pouco dá valor à literatura. Mas Tom Haley é o sortudo da vez e, não obstante, será seduzido por Serena, de modo que ambos viverão um romance repleto de fatos a esconder e intrigas produzidas pelo superior de Serena, que também é apaixonado por ela.

Leia a resenha completa em: http://sobrefatalismos.wordpress.com/2013/01/24/serenissima/
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