Vulgo Grace

Vulgo Grace Margaret Atwood




Resenhas - Vulgo Grace


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San... 14/01/2013

Um livro bastante interessante. Descortina costumes de época com minúcias de detalhes, principalmente pela narrativa de Grace. Embora o pano de fundo seja o duplo assassinato de seu empregador e da governanta do local onde a protagonista e principal narradora trabalhava, e pelo qual foi condenada à prisão perpétua, há no livro uma gama bastante diversa de informações interessantes, dentre as quais os tratamentos mentais utilizados na época, as relações amorosas e a elaboração de colchas (sim, colchas) que me deixou bastante curiosa e obrigou-me a pesquisar o assunto, o que me levou à descoberta de uma gama bastante variada e linda de colchas finamente bordadas, trabalhosas e com precinhos nada convidativos...
Condenada de forma um tanto inconclusiva, Grace teve sua pena capital comutada para prisão perpétua, por força da pressão exercida pelas personalidades importantes da época, que acreditavam em sua inocência, enquanto o empregado, supostamente cúmplice e amante dela, James McDermott, é condenado e enforcado em 1843.
Embora a história seja verídica, a autora preencheu as muitas lacunas existentes com ficção, utilizando-se do que julgou ser mais plausível, de forma que é justo afirmar que o livro não se trata de um documentário fiél do ocorrido. Necessário ressaltar que a verdade sobre os fatos nunca foi realmente esclarecida, dadas as muitas versões apesentadas na época pelos acusados, ficando a cargo do leitor encontrar motivos para a condenação ou para a absolvição de Grace.
Dada a longa extensão da narrativa e à minúcia de detalhes ofertados, pude "enxergar" os personagens e os locais apresentados, o que fez da leitura algo prazeroso.
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otxjunior 25/12/2012

Vulgo Grace, Margaret Atwood
"Assassina ou cúmplice?"; "Demônio feminino ou vítima frágil e involuntária?" são questões que podem ser encontradas na contra-capa da edição da Rocco de Vulgo Grace, Margaret Atwood. Apesar disso, em nenhum trecho do livro, a autora tem a intenção de fornecer respostas, como, naturalmente, espera-se de uma ficção de mistério.
Inspirado na história real de Grace Marks, condenada por homicídio em 1843, Margaret Atwood desenvolve a narrativa em duas perspectivas distintas: A de Grace Marks e a de Simon Jordan, um médico especialista em doenças neurais convocado por um comitê que luta pela libertação de Grace a fim de descobrir a verdade por meio de entrevistas e técnicas da até então moderna Psicanálise.
Os momentos de destaque do livro pertencem a narradora Grace. É com vitalidade que Atwood desenvolve a personagem e estabelece seu caráter ambíguo e sedutor. E paralelamente aborda o papel da mulher em uma sociedade machista, tema caro à autora. Por outro lado, o personagem do médico nunca convence e sua trajetória é bastante irregular. Porém o que mais me desaponta é a quantidade de perguntas sem respostas, como estas que abriram o texto. Entendo que houve a preocupação de não ferir os elementos reais da história, mas, se tratando de ficção, é frustrante não obter a interpretação do caso pela autora ao final, principalmente quando se passa por cansativas primeiras duzentas páginas.
Luh 21/07/2015minha estante
Também fiquei decepcionada. Demorei bastante para lê-lo e só terminei porque queria saber se ela realmente tinha assassinado e fiquei sem resposta. :/




Angell 24/06/2018

Misteriosa... Ambígua... Louca? Não, louca ela não era...
Cheguei à conclusão se que ler "Vulgo Grace uma vez só não é suficiente. É um enredo cheio de nuances, e a curiosidade pra conhecer o final pode ter feito me escapar alguns detalhes importantes.
Coitado do dr. Jordan...
E gostei da forma como a autora contou o final da história... Criativa e interessante!
Mas fico por aqui. #SemSpoiler
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hanny.saraiva 03/04/2018

Uma colcha de retalhos, um fio que agarra no pescoço e nos leva para onde deseja ir
Envolvente, sem respostas prontas, a narrativa de Margaret Atwood me aprisionou no universo de Grace Marks e no fim do livro já não me importava se ela era assassina ou não. Achei o final um pouco rápido demais, mas a forma como a autora descreve o ambiente social e psicológico da personagem é fascinante, como se nos envolvesse numa teia de aranha. Quando percebemos já não somos mais capazes de nos livrar do fio e enfim chegamos ao fim da história sem saber como ela nos amarrou de forma tão sutil.
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Gilberto 05/01/2018

Vulgo Grace – Margaret Atwood
Não é um fato raro que autores decidam escrever seus livros baseados em algum acontecimento real. Nisso, há dois caminhos mais simples pelos quais o escritor pode optar por seguir: o primeiro é quando o fato é tão bom que pouca coisa na narrativa precisará ser inventada para preencher lacunas ou tornar aquilo mais interessante. Já o segundo caminho seria quando o fato narrado possui partes obscuras e o escritor buscará preenchê-las com possíveis respostas, através da ficção. O livro que estou resenhando, no entanto, é da exímia escritora Margaret Atwood, então é obvio que não dá para esperar que em Vulgo Grace ela fosse seguir algum dos caminhos simples.

Em 1846, Grace Marks era uma jovem de apenas dezesseis anos, quando foi acusada, juntamente com James McDermott, de assassinar Thomas Kinnear, o patrão de ambos, e Nancy Montgomery, governanta da casa e também amante de Kinnear. Grace e James são presos, porém, ao contrário do seu parceiro, Grace consegue escapar da forca. Quando o livro começa, já se passaram alguns anos que Grace está presa e existe uma comissão local lutando para provar sua inocência, já que uma grande parcela da população acredita que ela é inocente. Por isso, tal comissão acaba contratando o Dr. Simon Jordan, um médico especializado na mente humana.

Atwood escolheu narrar a maior parte do livro usando Grace como narradora, apesar de em vários momentos termos diante de nós outras vozes narrativas por meio de várias cartas que nos contam subtramas do livro. A escolha da autora é ousada, porém necessária, afinal a história de Grace sempre foi contada por terceiros e não por ela própria, ou seja, sabemos da história dessa mulher através da ótica de terceiros e da fama que ela tem, mas nunca por meio da boca dela. O próprio título escolhido por Atwood deixa claro isso, afinal, se pensarmos na palavra vulgo, cujo significado é alguém que é popularmente conhecido pelos outros, quer dizer também que boa parte daquilo que se sabe da personagem, tanto o seu lado ficcional quanto o lado real, é uma figura que foi interpretada por meio de uma ótica coletiva.

Não é raro me deparar com opiniões de muitos que leram o livro, onde as pessoas o consideram ou maior do que devia, ou com descrições muitas vezes longas e desnecessárias. Eu, ao contrário, acredito que serviram certinho ao propósito do livro, pois esta não é uma obra somente para retratar um crime cometido, e sim buscar respostas sobre quem é Grace Marks: uma fria e dissimulada assassina ou uma vítima? Dessa forma, é justamente para tentar chegar mais próxima de respostas que Atwood acaba indo à raiz da vida de Grace, narrando desde a vida dela com sua família na Irlanda, até a sua chegada no Canadá, onde ela sofreu constantes abusos psicológicos por parte tanto do pai quanto de alguns patrões, dando uma clara visão das condições de vida das mulheres no século dezenove no Canadá.

É interessante o leitor ficar atento às cartas escritas por outros personagens, para que haja uma compreensão acerca do clima que toma conta da cidade, e que, por conseguinte, envolve os seus personagens, em especial no complexo emaranhado de relações no qual o Dr. Jordan está se envolvendo, não só as relativas ao caso de Grace, mas com problemas, seja com jovens apaixonadas por ele, membros da sociedade que querem desfrutar da sua companhia, ou até mesmo com a senhoria da pensão onde ele vive na cidade.

Como a própria Margaret Atwood ressaltou várias vezes, o que ela escreve é ficção especulativa, então é claro que não dá para esperar nesse livro respostas definitivas para quem foi Grace. Na verdade, como astuta que é, Atwood percebeu logo de cara que criar uma resposta para tal questão acabaria simplesmente tirando todo o charme da história em si, afinal qual é a graça de um mistério quando totalmente explicado? Isso esgotaria todo o charme da história de Grace, assim como seria uma facilitação ao leitor que busca apenas respostas, ao invés de buscar pensar sobre o caso em si. Porém, a falta de respostas não altera em nada o valor do livro, pois com uma escrita firme e capaz de evocar os mínimos detalhes, Atwood consegue criar uma obra realmente muito boa, que consegue prender o leitor da primeira à última página, sendo tão fascinante a personagem central quanto a escrita de Atwood.

site: https://lerateaexaustao.wordpress.com/2018/01/05/vulgo-grace-margaret-atwood/
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Gramatura Alta 25/02/2018

VULGO GRACE me chamou atenção logo de cara por ser mais um livro da Margaret Atwood, que me ganhou fácil com o seu outro romance, O CONTO DA AIA. Minha vontade de ler aumentou ainda mais ao descobrir que teria uma adaptação em forma de minissérie e me ganhou totalmente ao descobrir que um jovem médico estudioso de doenças mentais entrevistaria a Grace para entender sua história.

Achei que ficaria gamada logo nas primeiras páginas, mas isso não aconteceu. O livro é uma ficção baseada em uma história real e nele temos contato com Grace Marks, que, com apenas 16 anos, foi acusada, junto com James McDermott, de assassinar seu patrão, Thomas Kinner, e a governanta da casa e amante de de Thomas, Nancy Montgomery. Os dois foram descobertos e presos alguns dias depois, enquanto fugiam para os Estados Unidos. Foram condenados à morte, mas desde o início as opiniões sobre a participação de Grace ficaram divididas. Isso porque ela era uma garota bonita e também muito jovem e, graças ao seu advogado e de um grupo de cavalheiros que fizeram petições a seu favor, usando como argumento a fraqueza dos sexo feminino e sua suporta estupidez, sua sentença foi mudada para prisão perpétua.

A história narrada por Atwood se passa anos depois da sentença de Grace e possui como ponto chave a vinda do Dr. Simon Jordan, que começa a fazer sessões com a garota para que possa fazer um parecer sobre a sua saúde mental, isso a pedido de um grupo de pessoas que acreditam na inocência de Grace e lutam para que ela consiga o perdão e seja solta. É que Grace alega, desde seu julgamento, que não possui nenhuma lembrança dos assassinatos e, devido a época, a garota se tornou uma grande incógnita para as pessoas, já que elas não conseguiam entender a ambiguidade dela: como podia uma garota tão bonita e casta ser a mente de um crime? Seria ela apenas uma vítima das ameaças de McDermott?

E é exatamente essa dúvida que percorre o livro inteiro. Como um telefone sem fio, junto com o desespero da imprensa de contar o maior "bafáfá" da época, várias versões dos acontecimentos foram divulgados, a maior era a mais sensacionalista (coisa que acontece até hoje). A própria Grace deu três relatos diferentes e, depois de tanta coisa sendo dita sobre ela, ela mesma já não sabia o que era real e o que era falso.

"Penso em tudo que foi escrito a meu respeito - que sou um demônio desumano, uma vítima inocente de um canalha, forçada contra a minha vontade e com a própria vida em risco, que eu era ignorante demais para saber como agir e que me enforcar seria um crime judiciário, que eu gosto de animais, que sou muito bonita, com uma pele radiante, que tenho olhos azuis, que tenho olhos verdes, que meus cabelos são ruivos e também que são castanhos, que sou alta e também de estatura mediana, que me visto com propriedade e decência, que para isso roubei de uma mulher morta, que sou ligeira e esperta em meu trabalho, que tenho má índole e um temperamento genioso, que tenho a aparência de uma pessoa acima da minha humilde condição social, que sou uma pessoa dócil, de natureza afável, de quem nunca ninguém se queixou, que sou astuta e insidiosa, que sou fraca da cabeça, quase uma retardada. E eu me pergunto: como posso ser todas essas coisas distintas ao mesmo tempo?"

Diferente de O CONTO DA AIA, em que a autora discute e mostra uma sociedade em um futuro próximo, onde mulheres perdem todos os seus direitos civis e sua liberdade, em VULGO GRACE, o que nos é mostrado é uma sociedade no passado e real, onde exatamente a mesma coisa acontecia. As mulheres não tinham total controle sobre o que faziam com suas vidas e seus corpos e eram rodeadas de assédios e abusos, o que, sinceramente, não mudou tanto quanto deveria desde o século XIX.

Particularmente, independente de Grace ter ou não planejado e/ou executado os crimes, eu acredito que todos os infortúnios da vida dela não são exatamente sua culpa. Quase nenhum, na verdade. Como ela mesma diz em um momento do livro: "...a culpa vem para você não das coisas que você faz, mas das coisas que os outros fizeram com você."

Desde muito jovem, ela teve que passar por momentos terríveis com seu pai violento e abusador e ver sua mãe sofrendo com isso e ela mesma depois da morte da mesma. No seu primeiro trabalho, ela teve que ver sua melhor amiga, Mary Whitney, ser abusada e deixada de lado quando ficou grávida, e logo depois veio Nancy, que apesar de estar de acordo em ser amante de Kinnear, era uma relação baseada no poder que ele tinha com ela, sendo seu patrão. A Grace mesma era assediada por ele.

Acredito que o seu fim aconteceu simplesmente porque cada pequena coisa que aconteceu em sua vida, a afetou de modo que quando a oportunidade de se vingar de toda a raiva contida dentro dela veio, ela simplesmente a agarrou. Ou não, pode ser que depois de tantos traumas, ela não tinha mais como lutar com isso e acabou sendo mesmo uma vítima de McDermott. A verdade, infelizmente, nunca nos será dita.

A história de Grace é um enigma até hoje e a autora não tem nenhuma intenção de criar respostas que tanto queremos. Claro, ela preencheu lacunas que apareciam em registros oficiais e se sentiu livre para inventar. Gosto de ver o livro de Atwood como uma reconstrução da vida de Grace, levando em consideração o que seria mais plausível de ter acontecido. É até meio difícil lembrar que o que você está lendo é ficção. A autora consegue construir uma narrativa tão verossímil que assusta.

site: http://www.gettub.com.br/2018/02/vulgo-grace.html
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Ianna 21/02/2018

Intrigante do começo até a última página! No fim, o que menos importa é se Grace é culpada ou inocente (e descubra se puder 😏). Guardadas as proporções, a relação dos canadenses com Grace é como a nossa relação com Capitu, com a diferença que Margaret Atwood se baseou numa história real, que chocou o país. Recomendo demais!!!

site: https://www.instagram.com/p/BeWpv4Rn_wd/?taken-by=iannamatos
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Jéssica Hannusch 18/03/2018

Incrível!
"A prisão, é um lugar onde você tem muito tempo para pensar, e ninguém para quem dizer seu pensamentos: assim você os conta para si mesma."
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Grace Marks, com apenas 16 anos, foi presa pelo duplo assassinato do seu empregador, Sr Kinnear, e da governanta, Nancy Montgomery. Juntamente com James McDermott, que é apontado como seu cúmplice, Grace é condenada à morte por enforcamento. No entanto, a jovem consegue escapar da forca, e apenas McDermott é morto.
Enquanto os anos passam e Grace permanece na prisão, do lado de fora existe uma comissão local que luta para provar que sua inocência.

Com a inquietação da população, o Dr. Simon Jordan, especialista na mente humana, é contatado para analisar o caso. Mas as coisas não serão fáceis para ele, já que Grace diz não ter nenhuma recordação do ocorrido.

Seria Grace realmente inocente ou apenas uma assassina esperta tentando persuadir a todos?
_
"A prisão mais forte dela é ela mesma quem constrói."
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Esse livro, assim como Margaret Atwood considera suas obras em geral, é uma ficção especulativa. Então, não leia com a intenção de ter respostas, porque o que realmente terá são diversas teorias. "Vulgo, Grace" é baseado em fatos reais, mais precisamente na história de uma das mais enigmáticas mulheres canadenses dos anos 1840. E em meio as diversas lacunas deste caso real que Margaret Atwood cria sua obra.

Um livro incrível com uma escrita que prende o leitor até a última página. E que mesmo depois de ter finalizado a leitura, você ainda se questionará se Grace é uma assassina dissimulada ou uma vítima.

Recomendo!
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"Porque neste mundo é preciso guardar os pedacinhos de gentileza onde você os encontra, pois eles não crescem em árvores."
Nadia 10/07/2018minha estante
Amei sua resenha, moça! Acabo de definir minha próxima leitura ?


Silvia 13/08/2019minha estante
Começando ler ele hj




Cheiro de Livro 01/11/2017

Vulgo Grace
Margaret Atwood é uma das mais respeitadas autoras canadenses, esse ano ela ganhou um status mais pop com a redescoberta de sua ótima distopia “Conto da Aia” sendo adaptada para a TV. Outro livro seu do final do século passado está sendo adaptado para o Netflix e com isso foi relançado por aqui e já começa a chamar atenção mais uma vez. “Vulgo Grace” (tradução de Geni Hirata) conta a vida de uma notória assassina canadense do século XIX, Grace Marks.

Grace Marks foi acusado de aos dezesseis anos ter matado a governanta da casa onde trabalhava, Nancy, e seu patrão, Sr. Kinnear com a ajuda de um outro empregado, Thomas. Atendo-me aos fatos históricos, Grace passou décadas na cadeia e acabou sendo perdoada. Não se desespere isso não é um spoiler, o que Atwood quer contar no livro é muito mais do que a saga de uma assassina e seu caminho para o perdão.

O livro começa já com Grace presa há alguns anos e a comissão que acredita em sua inocência contratando um médico, Simon Jordan, para escrever um parecer que ajude a conseguir a soltura da condenada. O que se segue é um relato de Grace, em primeira pessoa, sobre a sua vida desde a Irlanda até sua prisão. O crime e o que se segue importa pouco na narrativa, o que Atwood faz é mostrar as poucas opções de uma mulher com poucas posses em um sociedade machista e patriarcal. O relato de Grace é o mesmo de milhares de mulheres das camadas mais pobres da população no Canadá no final do século XIX. As mulheres que a cercam, sua mãe, Mary, suas patroas e mesmo Nancy, são um apanhado do que a sociedade tem a oferecer as mulheres. Estão lá as moças de família que aguardam um pretendente, as mulheres desgraçadas por homens que as enganam, as abandonadas pelo marido, as que vivem em pecado e são alijadas da vida em sociedade e as assassinas e o fascínio que elas provocam.

Paralelo ao relato de Grace seguimos a vida do Dr. Jordan, um médico com sonhos de abrir um manicômio e que não consegue encontrar meios materiais para tal. A sua passagem pela pequena cidade onde Grace está presa e o que consegue fazer de sua vida serve como contraste com a condição feminina da época e, que muitas vezes,, se parece com o que ocorre até os dias de hoje. Há coisas que nem dois séculos conseguem mudar nas diferenças entre homens e mulheres na sociedade, infelizmente.

“Vulgo Grace” não foi uma leitura que fluiu com facilidade, teve um misto de atração e repulsa. Era uma dificuldade pega-lo para ler, me dava um quê de enfado. Uma vez ele aberto e a leitira começada não conseguia parar. Uma experiência estranha que só mesmo Margaret Atwood conseguiria me proporcionar.

site: http://cheirodelivro.com/vulgo-grace/
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Eloisa.Goronci 02/08/2019

Margaret se mostra muito prolixa no livro, se demorando muito em descrições ou em fatos que não contribuem tanto para o desenrolar da história, o que acaba cansando ao final de um livro de 510 páginas.
Porém, Grace é uma personagem extremamente envolvente e intrigante.
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Kamila 30/11/2017

Baseado numa história real, Atwood nos leva ao Canadá do século XIX, exatamente no ano de 1843, quando Grace Marks, uma empregada doméstica de 16 anos, é acusada de matar seu patrão, Thomas Kinnear, e a governanta (e amante) dele Nancy Montgomery, em cumplicidade com James McDermott, um suposto amante, que também trabalhava na casa. Com o furor sensacionalista de então, a mídia (tipo Datena e Sonia Abrão) deu seu veredicto, assim como o juiz, declarando Grace culpada e sentenciando-a à pena de morte.

Mas, alguns pauzinhos foram mexidos e a pena de Grace foi revertida para prisão perpétua. Justamente a parte que mais interessava a todos simplesmente sumiu. Todos queriam saber como foi o duplo homicídio, mas Grace alegou que tinha se esquecido de tudo. Porém, a mente de Grace era muito mais complexa do que se imaginava e os anos seguintes da jovem foram divididos entre a penitenciária e o manicômio, onde era subjugada de todas as formas possíveis.

Até que aparece o dr. Simon Jordan, um jovem norte-americano, bem-nascido, estudioso da mente humana, mas não um médico e sim um psicólogo. Após andanças por parte da Europa, ele se interessa pelo caso de Grace, único até então e resolve incluí-la em seus estudos. Ele também desejava abrir uma clínica psiquiátrica em sua cidade natal.

E com o dr. Jordan, vamos mergulhar na mente de Grace, em que ela contará sua vida desde o início, que começou lá no Norte da Irlanda, passando pelas casas aonde trabalhou como criada e até chegar na residência do sr. Kinnear, onde sua vida tomaria um rumo impensável. E não podemos nos esquecer de Mary Whitney, personagem muito importante da trama.

Até então, eu só conhecia Margaret Atwood por causa de O Conto da Aia (que desejo muito ler). Vulgo Grace me foi uma grata surpresa. Saber que isso realmente aconteceu dá um ar muito mais margem para discussão, apesar de o desfecho surpreender ao leitor – será que ela realmente matou o casal Kinnear-Montgomery?

Ao mesmo tempo que você ou ama ou odeia a jovem, podemos ver também como era o Canadá naquele tempo, totalmente diferente da nação que conhecemos hoje. O leitor atual dirá que era um país retrógrado, com ideias machistas e misóginas, onde as crianças são postas para trabalhar desde muito cedo e Grace, com apenas 16 anos, já é uma mulher com muita história pra contar. Graças às descrições impecáveis de Margaret, vemos com perfeição como era a moda e costumes naquela época – e, naquele tempo, era importante falar de moda porque era ela quem pontuava quem era da alta e da baixa classe.

Se o leitor de hoje for jovem, ele pode se incomodar um pouco com o português extremamente culto usado na tradução. Ora, está se contando uma história que aconteceu há mais de dois séculos, a linguagem também sofreu influência nesse tempo. Eu, particularmente, não me incomodei, mas como eu andei numa semana problemática (inferno astral?), admito que isso me deu um pouco de sono.

Vulgo Grace deve ser lido com atenção redobrada, pois temos dois pontos de vista que se alternam sempre, sem aviso prévio. A história de Grace é contada em primeira pessoa, por ela mesma, mostrando como é um ponto de vista de uma criada (nada muito diferente de hoje, mas com pré-conceitos bem mais estabelecidos), o modo como ela conta sua história é feita sem floreios, sempre indagando diversos conceitos (geralmente machista/misógino) da época (que, vejam só, ainda existem em pleno 2017, quase 18!).

Já o ponto de vista do dr. Jordan é contado em terceira pessoa, mas também mostrando os receios e pensamentos dele. Gente como a gente, ele acabará se encantando pela nossa protagonista. Vale ressaltar também que ele é uma pessoa muito boa para com Grace, um dos poucos que não fez chacota dela nem a via como um monstro enviado diretamente pelo demônio para atiçar a vida das vítimas. E nem a maltratou, o que, pra mim, foi crucial para gostar dele.

Por fim, recomendo a obra muito satisfeita com o que li sobre Margaret Atwood, uma autora que está na estrada há muito tempo, mas só agora está recebendo sua cota de mainstream, com obras que, mesmo sendo escritas anos atrás (Vulgo Grace foi escrito em 1991), têm questionamentos que estão com força total e se encaixam perfeitamente no contexto de 2017.

P.S.: já assisti à série da Netflix e recomendo, muito bem feita, tudo bem ambientado e fiel ao livro, até mesmo as falas são idênticas. Isso se deve, talvez, pela supervisão de Margaret, que acompanhou de perto a produção. Na série, Grace é interpretada magistralmente pela atriz Sarah Gadon (A Nona Vida de Louis Drax; A Jovem Rainha).

site: http://resenhaeoutrascoisas.blogspot.com.br/2017/11/resenha-vulgo-grace.html
Bruna 10/12/2017minha estante
Adorei sua resenha




stellinha 30/11/2019

Muito interessante o enlace de ficção e realidade!
"Gostei bastante da proposta de usar ficção com alguns dados reais. Uma famosa"assassina" Grace Marks com problemas mentais. Interessante a descrição dos avanços da ciência e seus usos na época do que se tinha para tratar doentes mentais. Fui pesquisar sobre a ida de irlandeses para o Canadá, que possuía uma divisão diferente da atual. Apesar de ser sobre dois crimes e ficar muito famoso o caso à época não houve uma solução, e uma resposta definitiva da culpa de Grace, mas mesmo assim ficou presa quase 30 anos. Senti falta de um maior dinamismo nos acontecimentos. Achei uma história normal apesar de com pontos reais. Vou assistir agora à série e ler uns artigos sobre o assunto
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DaniBooks 05/05/2019

Vulgo Grace
Vulgo Grace é mais uma narrativa brilhante de Margaret Atwood. A partir da história real de Grace Marks, a autora cria uma obra de ficção fantástica.
Grace, uma jovem de 16 anos, é condenada, juntamente com James McDermott, pelo assassinato de seu patrão, Thomas Kinnear, e da governanta, Nancy Montgomery.
Porém, o advogado de Grace consegue comutar a pena de morte para prisão perpétua. McDermott não teve a mesma sorte e foi condenado à forca. Grace conseguiu se livrar da pena de morte porque muitos a viam como apenas uma criança, influenciável e algo beirando a idiotia.
Várias médicos estudiosos da psiquê humana procuraram Grace para ?estudá-la?, inclusive Simon Jordan. Ele deseja provar que nossa protagonista tem problemas mentais, já que ela alega não se lembrar do que aconteceu no momento exato das mortes.
A partir daí, ela começa a narrar toda a sua vida para o médico, desde a infância na Irlanda. Tudo o que temos é ponto de vista da própria protagonista. Atwood cria , de forma magistral, uma personagem ambígua, com muitas caras. Você não sabe se a circunspecção de Grace é frieza ou produto das circunstâncias, se o que ela diz é verdade ou não. A verdadeira face de Grace Marks permanece desconhecida mesmo após o final do livro. Cabe ao leitor tirar suas conclusões.
Uma obra extremamente bem escrita, que nos traz trechos de notícias de jornais da época sobre os crimes (a história se passa no século XIX), dos depoimentos de Grace e McDermott e de obras literárias que trataram dos assassinatos. Inclusive, através da narrativa da personagem, temos um panorama dos costumes do século XIX, desde vestimentas a hábitos cotidianos.
Mais uma criação dessa maravilhosa escritora inglesa que nos brinda com uma escrita única e sagaz.
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Ana Luiza 02/01/2018

Crítico e emocionante
A HISTÓRIA
Aos dezesseis anos, Grace Marks foi condenada a prisão perpétua, por pouco escapando da forca, por ter participado do assassinato de seu patrão e a governanta da casa em que trabalhava. Seu cúmplice, o faz-tudo da propriedade, antes de ser condenado a morte, a culpou por tudo. Disse que Grace o seduziu, o invetivou a cometer os assassinatos. Os jornais e o público acompanharam o caso de perto. Alguns diziam que Grace é uma mulher fria, calculista e ambiciosa, outros que é uma tola louca, cuja alma foi corrompida. Poucos afirmavam que ela era a verdadeira vítima, uma jovem arrastada contra a sua vontade para uma trama de inveja, paixão, medo e morte.

Há oito anos na cadeia, Grace é uma prisioneira exemplar. Por isso, foi concedido a ela o privilégio de trabalhar na casa do diretor da prisão. Lá, mais do que uma criada, ela é objeto de curiosidade dos amigos da esposa do diretor, uma mulher influente que defende que Grace é inocente, mas que a teme na mesma medida que os demais. Grace já está acostumada com os olhares, com as coisas que falam que ela disse, mas que nunca saíram de sua boca. A mulher prefere passar despercebida, quer deixar o passado para trás. Mas, o passado ainda não está pronto para deixá-la ir, nem o resto do mundo. Grace afirma que não se lembra do que aconteceu, que o dia do assassinato é um borrão na sua mente, buracos na sua memória. Entretanto, o doutor Simon Jordan acredita que essas lembranças perdidas podem ser recuperadas.

“a culpa vem para você não das coisas que você fez, mas das coisas que os outros fizeram com você.” pág. 416

Simon viajou pela Europa estudando a mente humana, em especial a dos loucos e doentes, pois deseja, no futuro, abrir o seu próprio manicômio. Mas, Simon não está certo de que Grace é louca ou doente. Os relatos sobre ela são contraditórios, e ele resolve tirar sua própria opinião, simplesmente pedindo a ela que conte a sua história. Grace sabe que não deve confiar nos outros, especialmente os ricos e os médicos, como o dr. Jordan, mas falar com ele tem efeitos estranhos sobre ela. Logo Grace está narrando o início da sua vida, a morte da mãe, a travessia sombria da Irlanda para o Canadá. Seu pai abusivo, seu primeiro emprego, sua melhor amiga, a rotina de criada - tudo é relatado em mínimos detalhes para o doutor. Detalhes demais até. Simon acredita que Grace está evitando chegar ao dia do assassinato, e Grace se pergunta se o médico está apenas a testando, se sequer acredita nela. Contudo, os momentos entre eles são íntimos e intensos demais para abrir mão deles. E nem Grace nem Simon terminarão essa história do mesmo jeito em que começaram.

“BASEADO EM FATOS REAIS”: O LIVRO, EXPECTATIVAS E A LEITURA
Desde que vi e me apaixonei pela série “The Handmaid’s Tale”, baseado no livro O Conto da Aia de Margaret Atwood, fiquei bastante ansiosa para devorar todas as obras da consagrada autora canadense. E resolvi começar por Vulgo Grace, que também virou uma mini-série, mas a qual eu ainda não tinha visto. Com as expectativas muito altas, peguei Vulgo Grace com curiosidade e animação. Logo de cara fui cativada pelos trechos de poemas e documentos reais da época em que o livro se passa, que servem tanto para nos ambientar ao Canadá do século 19, como nos lembrar de que essa é uma história real.

Grace Marks existiu, foi acusada e condenada por assassinato, passou anos na prisão e alguns em um manicômio, e, por fim, foi libertada quando adulta, ganhou um novo nome e desapareceu dos holofotes e manchetes. Apesar de haver um considerável registro histórico sobre ela, Grace permanece até hoje um mistério. Os relatos sobre ela, desde suas confissões e entrevistas, até poemas que escreveram sobre o seu caso, se contradizem. A mulher foi retratada de muitas formas, desde louca abobalhada até sedutora fatal, mas nunca houve um veredicto que não pudesse ser contestado: até hoje não se encontraram provas de que Grace Marks realmente ajudou a cometer os assassinatos ou se possuía algum distúrbio mental.

E Margaret Atwood se aproveita disso para construir a sua obra. Baseado no que há de real, ela cria uma trama fictícia: a de um jovem doutor investigando a mente de Grace, que narra toda a sua vida em mínimos detalhes. O mais fascinante de Vulgo Grace, preciso dizer, é que é impossível apontar onde começa e onde termina a ficção. A autora foi tão dedicada em sua pesquisa que, de fato, todo o livro parecesse real, incluindo detalhes sobre a vida íntima de Grace que jamais poderíamos saber se realmente aconteceu dessa ou de outra maneira.

“porque esta é uma penitenciária e espera-se que você se arrependa enquanto estiver aqui, e é melhor que você o faça, quer tenha ou não alguma coisa da qual se arrepender.” pág. 37

Apesar de bem construída, a trama, admito, é lenta. A narrativa se alterna entre a primeira e a terceira pessoa. Alguns capítulos são narrados por Grace, e assim conhecemos sua rotina na prisão, sua visão das conversas com o Simon, seus pensamentos, medos, segredos e expectativas para o futuro. Outros capítulos do livro, em terceira pessoa, acompanham o doutor Simon Jordan, a rotina da pensão onde mora, seus anseios e conflitos pessoais, as cartas para a mãe e amigos, etc. Em ambas as perspectivas, Atwood demonstra um estilo narrativo minucioso, a autora não deixa escapar qualquer detalhe do cenário e da aparência dos personagens, assim como os costumes da época. Lugares, objetos, pessoas, gestos, pensamentos e intenções são descritos detalhadamente, o que, por um lado, deixa a história mais rica e vívida, faz com que o leitor se sinta dentro dela. Por outro, a escrita tão detalhista tornou a leitura lenta e cansativa.

(...)

CONCLUSÕES FINAIS – VALE A PENA LER VULGO GRACE?

Em primeiro plano, Vulgo Grace reacende o interesse em uma das personalidades femininas mais enigmáticas da história do crime e do Canadá. O livro nos desafia a entrar na mente de Grace Marks e tentar a entender uma mulher que, ainda adolescente, foi perseguida, acusada e presa por ter, supostamente, participado de um duplo, sangrento e calculista assassinato. Amplamente amparado por documentos reais sobre o caso, a ficção ocupa parte pequena da história e entra com o protagonista masculino do livro, um jovem médico que quer entender a mente de Grace através da sua narrativa sobre a sua história.

Entretanto, em segundo plano, Vulgo Grace é mais que um romance histórico intrigante. A obra é uma crítica a sociedade patriarcal e machista do século 19, cuja visão concebida sobre as mulheres infelizmente, perpétua até hoje. Vulgo Grace aponta as injustiças e desigualdades sociais daquela época, e o modo cruel com o que certa parcela população era tratada. Loucos e mulheres, ainda mais mulheres loucas, eram objetos de fascínio, medo e admiração, mas não mais que objetos. E na obsessão dos outros personagens por Grace e sobre o que ela realmente era (louca, tola, frígida, sedutora, ambiciosa, subversiva, manipulável, manipuladora, assassina ou vítima?), a autora ainda destaca a desumanização das mulheres, transformadas em entretenimento, em sujeito científico, em símbolo de justiça ou de injustiça, de imoralidade ou de exemplo a ser seguido, em tudo menos o que é: um ser humano com ideias, opiniões, desejos e vontades próprias.

Vulgo Grace é, portanto, uma obra crítica, ainda bastante atual, que merece ser lida. A trama é extensa e carregada de detalhes minuciosos que, ao mesmo tempo em ambienta bem a história, nos fazendo sentir dentro dela, torna a leitura cansativa. Mas mesmo não conseguindo ler mais que um ou dois capítulos por dia, Vulgo Grace foi uma viagem fascinante ao Canadá do século 19 e a mente de Grace Marks. Com uma tensão e mistérios do início ao fim, assim como protagonistas humanos, complexos e instigantes, a obra é fascinante e viciante. Mesmo agora, dias após a leitura, não consigo parar de pensar em Vulgo Grace, coisa que vou tentar compensar vendo a mini-série baseada no livro. Eu amei a obra, que me deixou bastante curiosa e ansiosa para devorar mais obras da Margaret Atwood. Quem curte romances históricos e tramas sobre assassinatos, loucura e mulheres enigmáticas, definitivamente precisa ler Vulgo Grace o mais rápido possível.

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site: http://www.mademoisellelovesbooks.com/2018/01/resenha-vulgo-grace-margaret-atwood.html
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Amanda 24/02/2018

Culpada até que se prove o contrário.
Era assim em 1843, quando Grace Marks foi acusada e condenada pela morte de seu patrão Thomas Kinnear e suposta participação no assassinato da governanta Nancy Montgomery. Uma época em que o devido processo legal era jogado pela janela, as provas eram escassas e constantemente adulteradas e os acusados não tinham voz, especialmente se fossem pobres.
Principalmente se fossem mulheres pobres.

Inocente ou culpada? Esse é o questionamento que permeia toda a trama, que é contada em primeira pessoa pela própria Grace em forma de memórias, alternando entre o que Grace diz que aconteceu e o presente, em que ela se encontra presa, anos após sua sentença ser proferida.

Grace Marks foi uma empregada irlandesa, imigrante no Canadá, e realmente existiu. Muito do que Atwood conta é o que se sabe sobre a vida da personagem histórica e a trama é construída entre os gargalos de informação impossíveis de se recuperar. A autora reconstrói a vida de Grace e delineia seu dia a dia como prisioneira, sempre respeitando a base histórica.

As condições as quais Grace é submetida são pavorosas. Tratada como uma femme fatale que teria seduzido seu patrão e então o assassinado, a personagem é temida, invejada, odiada e cria-se um enorme mito em torno do que pode ter acontecido. Ela é tratada como uma meretriz, uma mulher sem pudores, lasciva, fácil, simplesmente por ter sido acusada de um crime.

No entanto, o próprio sistema machista e patriarcal ao qual Grace estava submetida foi a sua salvação. Seu dito parceiro de crime, James McDermott, foi condenado à pena capital, enquanto ela, apelando para os ideais femininos de pureza e castidade, diligência, responsabilidade e dons domésticos, foi poupada e condenada à prisão perpétua. Grace usou sabiamente o sistema contra ele mesmo.

Atwood pega uma mulher - uma menina, diga-se de passagem - que não foi ouvida pela história, fragilizada e desacreditada, e lhe dá a oportunidade, ainda que ficcional, de contar a sua versão. Possibilita finalmente que ela se defenda. E então nos tornamos confidentes de Grace, pois é a nós que ela se dirige em seus momentos solitários, é a nós que ela conta seus pensamentos mais reclusos.

Seu outro amigo, por assim dizer, é o doutor Simon Jordan, um psiquiatra interessado em entender a mente de Grace, que passa a se encontrar diariamente com ela para tentar extrair suas memórias. O livro alterna entre o discurso esclarecido e direto da protagonista e as cartas que o dr. Jordan escreve, bem como excertos de sua rotina. Esses capítulos são mais chatos e eu não consegui sentir nenhuma simpatia pelo médico.

Já Grace ilumina todos os momentos em que está presente. Complexa, altiva, cheia de personalidade, embora contida e educada como cabia a uma dama na época, Grace questiona, escarnece, ri e chora. É tão autêntica que parece mesmo travar um diálogo conosco. Assim como em O Conto da Aia, novamente Atwood busca quebrar a quarta parede e interagir com o leitor.

A narrativa é um pouco arrastada, principalmente por causa do dr. Jordan, mas o livro se mantém interessante até o final já que queremos saber como a autora vai solucionar o grande mistério que envolve Grace. E devo dizer que a forma como o desfecho foi conduzido foi inteligente e até mesmo um tanto surpreendente, levando-se em conta se tratar de uma história datada e com base em fatos.
Palmas para Margaret Atwood, novamente.

“O que se acredita em sociedade nem sempre equivale à verdade, mas no que diz respeito à reputação de uma mulher, equivale à mesma coisa”.
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