O namorado do papai ronca

O namorado do papai ronca Plínio Camillo




Resenhas - O namorado do papai ronca


4 encontrados | exibindo 1 a 4


Pedroom Lanne 29/11/2015

Os preconceitos que permeiam nosso dia-a-dia
Homofobia, xenofobia, bullying, machismo, violência doméstica, racismo, intolerância. Essa é a temática que permeia o título "O namorado do papai ronca" de Plínio Camillo. Entretanto, nem todas essas expressões preconceituosas estão contidas diretamente no texto do livro, e sim na cabeça do leitor, eis a grande sacada do escritor.
A história é simples, como uma boa novela, descreve o drama diário de um garoto que passa a viver com o pai e seu namorado em uma cidade pequena, e passa a inserir na coletividade em meio a escola e os "olhares tortos" dos adultos, das outras crianças e da própria família em alguns casos.
O interessante nessa novela, é como Plínio a constrói: valendo-se de um linguajar coloquial e direto, que se aproveita bem da objetividade comum dos dias atuais em que as pessoas estão acostumadas a consumir informações pela Internet.
E justamente valendo-se dessa objetividade que Plínio constrói sua "armadilha" ao leitor, pincelando as informações que são vitais para a sua história sem despejá-las completamente no papel, cabendo ao leitor preencher esse vácuo notoriamente colocado propositalmente na narrativa.
Conforme o leitor faz esse exercício, é obrigado contestar a si mesmo, se o que está pensando é ou não preconceito de sua parte. Assim, mais do que uma simples novela, esta história é um teste, um teste para o leitor saber até onde carrega algum tipo de preconceito que nem sempre lhe é explicitamente consciente.
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Rafael Revadam 20/11/2012

O Namorado do Papai Ronca: Dando simplicidade ao que é simples
Este livro surgiu para mim através de uma indicação. Confesso que não conheço nenhum livro infanto-juvenil que aborde a homossexualidade e ao me ver diante deste título chamativo, não pensei duas vezes e comprei o livro.

O Namorado do Papai Ronca já desperta curiosidade pelo assunto que vai tratar. Considerando que vivemos numa época em que a luta de aceitação à homossexualidade está em alta, o livro pega um assunto com viés polêmico e o retrata da forma mais verídica que possui, com a simplicidade que o tema merece.

Na obra conhecemos Dante, um menino de 12 anos que, por causa de uma viagem de estudos da mãe, tem que morar seis meses com o pai na cidade de Procópio, interior de São Paulo. Como se não bastasse entrar na escola no meio do ano letivo e aguentar a rejeição dos demais alunos, Dante vê que a orientação sexual paterna começa a impactar em sua vida. Num lugar onde tudo é novo, o fato de seu pai namorar um homem faz com que o menino seja cada vez mais excluído na sociedade em que vive.

"- Você é gay, pai?

- Como?

- Quero saber se você é gay

- O que é ser gay, filho?

- Pai! Estou perguntando e não quero responder!

- Filho, sou um homem que adora o filho que tem e que ama outro homem.

- Mas então, é gay!

- Não sei. Sou alguém que gosta do que é.

- Não é gay?

- Filho!

- É, ou não é?

- Sem entender o que você quer dizer não sei responder.

- Então tá: gay é aquele que anda rebolando, fala fino e faz coisas como se fosse uma mulher.

- Então eu não sou.

- E que também transa com homem.

- Então eu sou".

O grande destaque do livro é a retratação de preconceitos. Sem utilizar mensagens autoajuda ou classificar tais ações com o famoso termo bullying, a obra mostra que a discriminação é algo que está presente em nossas vidas. Julgamos os mais feios, os mais gordos, os mais magros, os diferentes – e não percebemos.

A linguagem da obra também é um aspecto positivo a se destacar. Criado na forma de uma agenda, o livro vai descrevendo as ações de Dante no passar dos dias, mostrando como o personagem lida com as mudanças hormonais, com a vontade de ficar com alguém e como tenta mostrar à sociedade que o fato de seu pai ter um namorado não interfere em nada na pessoa que ele é.

Ainda na linguagem, outro destaque é a presença da internet na trama. Muitos dos relacionamentos de Dante são realizados através das redes sociais e os personagens principais são apresentados como se fossem perfis do Facebook.

“Somos diferentes com direitos iguais”

Plínio Camillo merece parabéns. Em sua obra, o autor consegue retratar a simplicidade das diferenças, mostrando o quão diversa é a nossa sociedade e como devemos aprender a viver em coletivo. Ao usar a visão de uma criança para retratar a opinião sobre a homossexualidade, o autor tira todo o caráter polêmico do tema, criando uma situação real e inserindo um questionamento na cabeça de seus leitores. Será que as coisas não são mais simples do que aparentam ser?
Douglas 04/02/2015minha estante
Quero muito ler esse livro!! Muito boa sua resenha.




São Tantas Coisas 16/11/2012

Um Livro Encantador
Um livro agil, direto e divertido, assim que classifico o romance “O Namorado do Papai Ronca” de Plínio Camillo. Só para começo de conversa o titulo já chama nossa atenção, por que percebemos que o autor irá trabalhar com um tema polêmico nos dias de hoje. Porém me surpreendi quando comecei a ler o enredo. A medida que a história se desenrolava percebi que o escritor não queria tratar propriamente do homossexualismo, mas sim da vida de um garoto de 12 anos que terá que passar seis meses com seu pai, que é homossexual, enquanto sua mãe viaja a trabalho. Conflitos na nova escola, o namoro do pai com um homem e a saudade da mãe serão os problemas a ser enfrentados por Dante na pequena cidade do interior. Tudo muito novo para o garoto da cidade grande, que ainda tem que lidar com as duvidas de um primeiro amor.
O livro encanta pela sua forma de abordagem do seu tema, com diálogos rápidos mostrando os seis meses de vida do garoto, que tem que enfrentar os preconceitos de ter um pai gay. Gostei do livro por falar de um tema que chama atenção, sem precisar usar o erotismo, mas sim com um livro que pode ser lido por várias idades.
Já li outros livros do gênero, porém “O Namorado do Papai Ronca” se torna prazeroso por não possuir diálogos extensos o que torna a leitura fácil e acessível.
Indico o livro, não importando o seu gênero sexual, você vai gostar muito.
Confira o resumo do livro, Clique Aqui
Confira uma entrevista exclusiva com o autor, Clique aqui
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Sebo Por Todo C 12/09/2012

Leitura fácil em texto sensível e antenado, mérito do autor
O NAMORADO DO PAPAI RONCA, de Plinio Camillo
Selo Prologo e Instituto Mundo Mundano, 190 páginas, São Paulo, 2012.

O simples não é um resultado fácil, tratando-se da arte de escrever, ainda mais em um tema que não tem nada de tranquilo.
Um dos segredos de “O namorado do papai ronca” é que o autor se utiliza de uma estrutura descomplicada: apresenta o cotidiano do adolescente Dante indicando os dias da semana, dividindo o dia em manhã, tarde e noite, o que provoca uma leitura rápida, rapidíssima, em pequenos blocos de puro diálogo. O narrador aparece em parágrafos na maioria das vezes para contextualizar a cena.

Dante é um adolescente que parte da cidade de São Paulo para morar com o pai em uma cidade do interior paulista, por pelo menos seis meses, tempo que sua mãe passará no exterior. E esse é um período em que Dante passa apertado, de tantas que são as adaptações pelas quais terá que passar: à nova escola, aos novos amigos, à nova cidade, à descoberta de novos sentimentos, à saudade da mãe e dos amigos que deixou.

A leitura de “O namorado do papai ronca” corre rápida. Mérito do autor que toca com sensibilidade em temas intensos e diversos da vida do menino-homem Dante.
E o ronco do namorado do pai de Dante vai incomodando cada dia menos, enquanto Dante descobre que o afeto, o carinho e o amor acontece em qualquer idade, com qualquer pessoa.

Trecho Predileto: p. 113/114.
Sábado – 9 de outubro
[...]
Tarde
-- Você é gay, pai?
-- Como?
-- Quero saber se você é gay?
--O que é ser gay, filho?
-- Pai! Estou perguntando e não quero responder!
-- Filho, sou um homem que adora o filho que tem e que ama outro homem.
-- Mas então, é gay!
-- Não sei. Sou alguém que gosta do que é.
-- Não é gay?
-- Filho!
-- É, ou não é?
-- Sem entender o que você quer dizer não sei responder.
-- Então tá: gay é aquele que anda rebolando, fala fino e faz coisas como se fosse uma mulher.
-- Então eu não sou.
-- E que também transa com homem.
-- Então eu sou.
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