A idade dos milagres

A idade dos milagres Karen Thompson Walker




Resenhas - A Idade dos Milagres


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Lica 02/08/2012

Sublime... delicado e viciante!
O romance de estréia de Karen Thompson Walker é também o livro estréia da parceria do Bookeando com a editora Companhia das Letras.E com muita alegria recebi a prova antecipada deste romance com cenário apocalíptico, e o li em um dia. Venha conhecer as percepções de Julia, uma garota de 11 anos, na idade dos milagres, que sofre com as transformações da adolescência, enquanto o mundo passa por uma tragédia.

E se os dias ficassem mais longos?

Em um sábado aparentemente comum, na Califórnia, Júlia e sua família acordam e descobrem, com o resto do mundo, que a velocidade de rotação da Terra está diminuindo. Os dias e as noites vão ficando mais longos, fazendo com que a gravidade seja afetada e o meio ambiente entre em colapso. Pássaros desorientados caem mortos do céu, centenas de baleias encalham na praia, as marés saem de controle. Ao mesmo tempo que luta para sobreviver às mudanças e se adaptar à nova normalidade, Júlia tem que lidar com os problemas da adolescência e os desastres do cotidiano. Com uma prosa econômica e prazerosa e a sabedoria emocional de uma contadora de histórias nata, Karen Thompson Walker criou uma narradora singular em Júlia, uma garota forte e perspicaz. Entre as tradições do romance de formação e do filme catástrofe, A Idade dos Milagres é uma obra visionária que discute a capacidade de adaptação do homem, traçando um retrato comovente da vida familiar em um mundo gravemente alterado.

O começo do livro é angustiante, já que o tema que a autora escolheu retratar é muito próximo dos eventos naturais a terra pode sofrerEm dezembro de 2004, um poderoso tsumani ocorreu no oceano Índico, e quase 200 mil pessoas morreram por causa dele.Naquele dia a rotação da terra sofreu uma pequena alteração, tornando-se uma fração de segundo mais rápida.Eu realmente me vi em um cenário onde com tanta inteligência, os humanos não tivessem uma resposta, de como a sociedade responderia as medidas governamentais e a escassez de alimentos.

Na narrativa de Julia, somos telespectadores do inicio da catástrofe, quando os dias começam a ficar maiores, chegam a mais de 48 horas,e não se diferenciam mais de noites, algumas noites são claras, alguns dias são noites, assim o mundo entra em colapso, natureza, humanos e sociedade. A verdade é que encarei o apocalipse como cenário da adolescência de Julia.

Aconteceu na escuridão: faróis em varredura, portas de carro fechando depressa, luzes vermelhas piscando silenciosamente no fim da rua.

A escrita de Karen Thompson Walker é específica e tem contexto cientifico que formam o cenário das descobertas de Julia, a leitura se torna viciante pela delicadeza em como a adolescente encara e narra os acontecimentos do cotidiano, como as amizades, o primeiro amor e muitas frustrações familiares e sociais. O amor platônico dela é Seth Moreno, um garoto misterioso que também possui conflitos internos, fiquei horas imaginando como seria o cheiro de sabão dele que agrada tanto nossa protagonista.

Seth foi o último a subir no ônibus.Deu um sorriso amarelo quando passou por mim, a caminho, como de costume, das fileiras do fundo. O que vi no rosto dele, quando cruzou comigo, dava mais medo do que a expressão de Daryl pouco antes. Nos olhos escuros de Seth e e seus lábios grossos, apertados, vi alguma coisa diferente, algo pior, vi pena.

A Idade dos Milagres é uma história de amadurecimento, onde uma adolescente começa a se dar conta de como a vida funciona, como a mentira pode se tornar um grande feito, como o primeiro amor pode acontecer e como as amizades podem acabar de um dia para o outro,onde o apocalipse é o fator de mudança, adaptação e descobertas.

A cada decepção de Julia, eu me emocionava, ela é uma protagonista fácil de se apegar já que ao decorrer do livro, vemos ela amadurecer, sofrer perdas irreparáveis, e o inicio do sofrimento dado pela mudança de gravidade, falta de alimentos, água em uma sociedade desnorteada.Só não sei realmente qual motivo da minha tristeza no final do livro, se foi por ele ter acabado, ou pelo final propriamente dito.

Um livro memorável, que você não vai querer parar de ler Se você gostou da resenha, A Idade dos Milagres chega dia 11 de agosto em todas livrarias!
V 10/02/2013minha estante
Gostei da sua resenha. O sentimento de tristeza foi mútuo ao terminar de ler o livro e também não saberia dizer se é por ter encerrado a leitura ou pela forma como a história termina - talvez ambos. Só posso confirmar que é um romace incrível.


V 10/02/2013minha estante
Gostei da sua resenha. O sentimento de tristeza foi mútuo ao terminar de ler o livro e também não saberia dizer se é por ter encerrado a leitura ou pela forma como a história termina - talvez ambos. Só posso confirmar que é um romace incrível!


Ana Claudia Car 05/11/2014minha estante
Um livro realmente maravilhoso sem mais...
OBS. e a ressaca literária pós livro...




Yasmin 18/08/2012

Marcante, belo, tocante e inquietante

Desde que vi o nome desse livro na lista de lançamentos da Companhia das Letras no começo do ano fiquei curiosa e procurei a sinopse no Goodreads. Estava ansiosa para o lançamento e quando o vi no meio dos lançamentos da Paralela na Bienal fiquei muito feliz. É distópico sem ser, é o tipo de romance desastre que se bem construído renderia uma história fascinante. 216 páginas depois posso dizer que Karen Thompson Walker foi genial. Ela construiu uma história única, desconstruindo tudo o que é caro para nós e narrado de uma forma tão magistral que é difícil acreditar que esse é seu livro de estreia.

Julia tem 12 anos e era uma garota como outra qualquer. Tinha uma melhor amiga e jogava futebol. Foi em uma tarde de jogo que a notícia começou a se espalhar pelos canais de televisão, internet e jornais. A rotação do planeta terra estava diminuindo de velocidade. O planeta estava desacelerando e ninguém sabia por quê. O dia ganhava minutos. Os cientistas estavam como loucos atrás de respostas. O que causou e se ia continuar. Nos dias que se seguiram a notícia todo o mundo estava em pânico, os mercados eram drenados, religiosos falavam em fim dos tempos. A primeira mudança foi a gravidade que estava ficando mais forte, pássaros eram puxados para o chão, as marés estavam mudando. Muitos estavam fugindo e a pergunta que Julia se fazia era para onde. Afinal não adiantava mudar de estado. A mãe de Julia mudou. Estava com o medo estampado na cara. Seu pai parecia calmo e seguiu trabalhando. Os dias iam passando e os minutos logo se tornaram horas. Os relógios estavam obsoletos. O dia passou há ter 25 horas, depois 28 horas, em pouco mais de um mês já eram 48 horas, e só ia aumentando. Vieram às noites brancas para aqueles que ainda seguiam às 24 horas independentes do céu claro ou escuro. O nascer e o pôr do sol estavam cada vez mais distantes. Semanas no claro, semanas no escuro. E Julia ia vivendo.

É essa a premissa genial que dá início a uma narrativa reflexiva e uma trama linear que desenvolve um cenário desolador. Um cenário que mexe com o leitor. Terminei o livro sentindo um amor que jamais imaginei que ia sentir pelo nosso planeta. Só de pensar naquele cenário se tornando realidade meu estômago gela. Instinto de sobrevivência? Pensar que tudo pode simplesmente começar a parar e ir morrendo. O fim de um planeta. Seria possível? O pior é que sim. Já é fato que a rotação do nosso planeta está diminuindo. Claro que em um ritmo muito lento, 2,3 milissegundos por século, mas ainda assim é preocupante. E se essa diminuição for aumentando? Daqui, sei lá, 200 anos o cenário do livro pode se tornar realidade.

É apavorante e ao mesmo tempo emocionante pensar nisso. Contraditório, mas é verdade. Imagina viver em um planeta assim? Plantações ficando impossíveis, frutas, animais e tudo isso virando passado. É fascinante e muito, muito triste. A humanidade pode não ser grandes coisas, cheia de erros e defeitos, mas somos criaturas estranhas, inteligentes, que lutam mesmo quando o fim é certo. Imagine isso tudo apagado? Um simples planeta, vazio, morto, uma mera pegada na areia, um eco. É assustador. Existem teorias que aconteceu algo assim com marte e olha o que tem lá hoje em dia. Será esse o destino da terra?

A narrativa da autora assume um tom poético, melancólico, sem a intenção de parecer científico e muito menos um alerta. É um relato humano do fim de um planeta. A sensação ao ler é como se fosse um diário encontrado abandonado depois de muitos anos. Julia é uma garota que presenciou o mundo mudar, mas ainda tem sentimentos adolescentes. Através do seu olhar, simples, ágil e triste uma história surpreendente se revela. É uma mistura única de sentimentos que muda quem lê. Um livro que vai ficar na minha cabeça por muito tempo. Em cada nascer e pôr do sol. Mas do que uma forma de acordar o ser humano é uma história que mostra como a vida é efêmera. Podemos prever furacões, podemos ver as geleiras derreterem e a camada de ozônio se deteriorando, mas ainda assim existem muitas coisas que nem os mais brilhantes físicos podem prever. Somos uma pulga no universo. Prontos para sermos expelidos tão rápido como surgimos.

Leitura rápida, mas que exerce um ritmo próprio sobre quem lê. Podia ter lido de uma vez só, mas a história de Karen Thompson Walker é para ser degustada aos poucos. Ela fica com o leitor, impressa no pensamento para ser apreciada a longo prazo. A edição da Paralela está (...)

Termine o último parágrafo em: http://www.cultivandoaleitura.com/2012/08/resenha-idade-dos-milagres.html

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De Cara Nas Letras 16/03/2015

A idade dos milagres - Karen Thompson Walker
Julia é apenas uma pré-adolescente comum que está próximo de completar 12 anos. Como todos sabem, essa é a fase do desabrochamento e que coisas novas passam a acontecer com todas as crianças. É onde surge um maior amadurecimento da consciência, mudanças hormonais e corporais. Novos questionamentos e duvidas estão presente constantemente em cada dia, e consequente disso, novos sentimentos ficam a flor da pele.

Até aí tudo bem, não vemos nada demais, no entanto, numa manha de sábado, a mãe de Julia, que faz uma alarde para as coisas mais comuns do mundo, acaba chegando em casa eufórica e imediatamente liga o aparelho televisor. Por conhecer o temperamento da mãe, ninguém da atenção, até se ouvir as primeiras palavras que saem do aparelho anunciando que a rotação da terra está desacelerando, ou seja, os dias estão ficando mais longos.

A principio, todos, inclusive o seu avô, acham que é uma coisa passageira, só que ao decorrer do tempo, os dias passam a ficar cada vez mais lentos... 26, 30, 38, 40 horas e assim por diante. O mundo entra em colapso. A fauna e flora do planeta são afetados. A temperatura aumenta. Pessoas abastecem suas residencias com alimentos enlatados e outras acham que é o fim do mundo e viajam para outros lugares onde supostamente Jesus irá voltar.

As autoridades pedem que a população siga o relógio tradicional, mas há aqueles que não obedecem e seguem o horário natural do sol (acordados no claro, dormindo no escuro). Todos os horários se desorganizam, e as pessoas dessa nova divisão temem umas as outras.
E como já não bastasse as suas mudanças internas, é nesse novo mundo distópico cheio de mudanças que a Julia tem que aprender a viver.

É impossível largar A Idade dos Milagres, o livro é narrado em primeira pessoa sob a perspectiva da Julia. Ela que vai nos apresentando todas as mudanças que a terra vai sofrendo. O leitor vai ficando assustado com tantas tragedias e se questionando onde a história vai parar, porque tudo o que ela nos apresenta é tão real e ao mesmo tempo tão impensável que vai caminhando para algo sem solução.

Apesar de essa mudança na terra ser bem chamativa, por ser pelos olhos de uma garota, tudo converge para ela. Pessoas próximas que e de confiança vão se afastando, outras vão se aproximando, no entanto com segundas intenções, e há um conflito familiar que só ela tem conhecimento. Julia, como toda garota, também tem uma paixonite, e essa irá dá uma mudança na forma de vivenciar tudo ao seu redor.

A autora nesse seu primeiro livro não conseguiu me decepcionar. O livro é muito bem escrito, e ela consegue, em uma narrativa fluida, contar com maestria as mudanças climáticas que aqui são apresentadas, além de levantar questões atuais. Será que o ser humano conseguiria sobreviver a uma mudança desse porte? Ele iria se adaptar, ou teria que viver em um novo planeta?

site: www.decaranasletras.blogspot.com
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Gabriela 07/12/2012

Publicado em www.maisumcapitulo.com
Júlia é uma menina de 11 anos que joga futebol e mora na Califórnia. Também faz aulas de piano e tem uma melhor amiga chamada Hanna. Essa poderia ser uma estória comum, não fosse pelo acontecimento que surge já na primeira página do livro: a tal da desaceleração.

É assim que cientistas de todo o mundo chamam o fenômeno onde, sem explicação aparente, o planeta Terra começa a girar mais devagar, tornando assim os dias e as noites gradativamente mais longos. Primeiro um dia passa a ter 25 horas, depois 30, 36, 48...

Entretanto, a desaceleração pode até ser considerada como um segundo plano na estória. Se você espera encontrar no livro a explicação para o fenômeno, por exemplo, se decepcionará. A Idade dos Milagres é um livro sutil e delicado, que aborda os dramas adolescentes que todos um dia já passaram (ou passarão) inseridos em um cenário inesperado. Júlia precisa lidar com o primeiro amor, a amizade com a melhor amiga se desintegrando e problemas familiares em meio ao caos em que o planeta se encontra.

Uma coisa legal de observar é como a população se adapta a desaceleração. A população se divide entre aqueles que continuam seguindo o horário do relógio mesmo que o dia não tenha mais apenas 24 horas (eles vão dormir quando está na hora de dormir, mesmo que isso signifique que o sol ainda brilha lá fora) e entre aqueles que resolvem adaptar-se aos dias mais longos (seguindo assim o “tempo real”). Eles precisam adaptar-se a todas as situações, desde dias tão longos que o calor é insuportável até noites tão compridas e frias que passa a nevar na Califórnia em pleno verão.

Apesar de simplista, foi impossível para mim ler o livro sem sentir uma certa agonia. “E se fosse comigo? E se isso realmente acontecesse?”. Vamos acompanhando o “fim do mundo” junto com os personagens, nos perguntando “e agora? O que vai acontecer? Como eles vão sobreviver a isso?” a cada página virada. É o romance de estreia da autora Karen Thompson Walker e não poderia ter sido feito de maneira mais brilhante. É, acima de tudo, um livro que faz refletir e emociona, e meu favorito de 2012. Leitura mais que recomendada.

"Mais tarde, eu pensaria naqueles primeiros dias como o momento em que, como espécie, nos demos conta de que temíamos as coisas erradas: o buraco na camada de ozônio, o derretimento das calotas polares, o vírus do oeste do Nilo, a gripe suína e as abelhas assassinas. Mas acho que aquilo que preocupa mais nunca é o que acontece, no final das contas. As catástrofes reais são sempre diferentes - inimagináveis, desconhecidas, impossíveis de prever"
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Nedina 24/07/2014

isso não é uma resenha, é só um longo comentário provando que eu li o livro para validar minha participação no Desafio Literário Skoob 2014 mês de Julho.

O livro foi indicado e emprestado pela foufa Flávia (cuidado com ela, você não quer boiar no rio).

Sabe as distopias que falam que algo horroroso aconteceu e agora tem algo acontecendo, geralmente uma luta contra o governo? (ex: Jogos Vorazes, Feios, Divergente, etc). Então, A Idade dos Milagres é o que acontece DURANTE esse algo horroroso. E o que está acontecendo é que a Terra (o PLANETA) está parando de girar em torno de si mesmo. O movimento de rotação está diminuindo. E daí? Daí que os dias estão ficando mais longos e as noites também. Nada de dias de 24hrs. E daí? Daí que TODA a vida no planeta depende que essa rotação SEJA de 24hrs.

Assim, lemos o relato de Julia quando ela tinha 12 anos, a idade do 'milagre' para as crianças. Que é quando elas se desenvolvem, crescem 10 cm em uma noite e etc.

O livro é bom, angustiante, mas muito bom. Eu diria que me deu muito medo, mas conversando com a dona do livro eu vi que o certo é angustia. Eu sou engenheira eletrônica. Eu estaria no time 'vamos descobrir como sobreviver', mas ainda assim fiquei apavorada com a possibilidade. Em uma guerra você luta por um ideal, tenta vencer. Mas como lutar contra um planeta que se recusa a continuar girando?! =O

Leitura recomendada.
Flávia 28/07/2014minha estante
Que bom que gostou!!!!! Exatamente, eu me senti angustiada, sufocada por ter de presenciar de forma lenta, gradual, uma catástrofe e não poder fazer nada. Apenas tentar se adaptar, o que também estaria com os dias contados




CooltureNews 13/11/2012

Publicada no www.CooltureNews.com.br
Olá senhores, como vão? Andei sumido por muitos ótimos motivos e alguns poucos não tão bons, mas estou de volta e ao longo das próximas semanas colocarei em dia tudo o que estou devendo.

Como notícia ruim, tenho a dizer que os problemas que ocasionaram meu sumiço também influenciam meu ritmo de leitura. Como notícia boa, tenho a dizer que as próximas três resenhas serão bastante positivas (dei sorte ou escolhi bem, não sei qual é o caso aqui).

Começaremos com um livro que eu resolvi definir como “se Anos Incríveis tivesse sido escrito por J. J. Abrams”. Caso o título da série e o nome do cidadão em questão sejam desconhecidos para você, PARE TUDO O QUE ESTÁ FAZENDO e preencha essa lacuna na sua vida. Estou falando aqui do livro “A Idade dos Milagres”, lançado pela Companhia das Letras. Minha citação a J. J. Abrams se justifica pelo fato da obra ter como fato gerador (ou incidente incitante, para os estudiosos de estruturas para tramas) a mudança na duração dos dias, um elemento de ficção científica que, em muitos momentos da trama, parece tratar-se apenas de um pano de fundo para contar a história da protagonista.

E, na minha humilde opinião, é nesse ponto que reside a beleza da narrativa.

“A Idade dos Milagres” é um drama adolescente (não leia isso de forma pejorativa) conduzido de uma forma tão deliciosa que, entregando minha idade na cara larga, me levou vinte anos de volta na minha vida. Cada sensação das personagens, cada desilusão, cada mudança de opinião e cada julgamento das atitudes das pessoas em volta da protagonista guia o leitor de forma magistral pelos problemas dessa fase da vida, potencializados pelo fato dos relógios deixarem de servir como base pra a vida social.

Dessa forma, o elemento estranho à vida comum de uma adolescente americana (a ficção científica já citada) serve como catalisador de sua visão de mundo, exacerbando seus conflitos internos e problemas típicos da idade. A obra nos pega pela mão e planta sementes de questionamentos sociais em nossa cabeça ao mesmo tempo em que mascara essa invasão mental com a sutileza de descobertas pelas quais todos nós, de uma forma ou de outra, passamos. Texto brilhante que, mesmo com algumas passagens e descrições desnecessárias, envolve o leitor e nos obriga a sorrir e torcer por aquela típica menina dos subúrbios americanos.

Se você procura por um livro sutil, atemporal e reflexivo, “A Idade dos Milagres” foi escrito para você.
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Francine 29/08/2012

Grata surpresa
A Idade dos Milagres (Editora Paralela/Cia das Letras, 208 p.) me ganhou pelo título e pela capa que, somente quando o livro estava sobre a minha cama e apaguei a luz, vi que ele brilhava no escuro. Achei divertido, mas isso também me causou insegurança de ter em mãos um livro para adolescente. Faz tempo que não sou uma, até acho legal alguns livros desse público, porém, não era o que eu imaginava. Mas não havia nada a fazer, a não ser ler e descobrir o que o livro de estréia da americana Karen Thompson Walker tinha a dizer. Foi uma grata surpresa.

Leia Mais: http://livroecafe.com/2012/08/29/a-idade-dos-milagres-karen-thompson-walker/
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Zilda Peixoto 17/02/2013

A idade dos milagres
E se os dias ficassem mais longos?

A catástrofe foi anunciada. Dia e noite já não se diferenciavam. Os dias chegavam a durar 48 horas e, as noites eram chamadas de “noites claras”, pois a luz do sol insistia em permanecer no céu. É assim que, a adolescente Júlia vê surgir à desaceleração da Terra.

Júlia morava na Califórnia e levava uma vida tranquila ao lado de seus pais. Ninguém sabia determinar quando e como o tal fenômeno chamado por especialistas de desaceleração tinha dado início. A rotação da Terra estava alterada e o caos iminente era inevitável. Pássaros desorientados perdem a gravidade e começam a cair do céu, as marés estão descontroladas, centenas de baleias morrem encalhadas, todos os moradores da cidade passam a estocar descontroladamente comidas em suas casas, entre tantas situações desesperadoras passam a ocorrer. Após o anúncio todos os noticiários falavam e especulavam a respeito. A vida de Julia e toda sua família tomariam rumos inimagináveis.

Mesmo diante de tantas mudanças Julia e todos os moradores da Califórnia precisavam se adaptar a nova vida. Apesar de tímida, Julia é uma menina de 12 anos muito forte. Assim como toda adolescente, ela mantém uma relação de afeto muito grande com sua amiga Hanna.

Em seu romance de estreia Karen Thompson Walker nos apresenta uma história singular que aborda as transformações ocorridas durante uma fase muito especial de nossas vidas. A jovem Julia precisa aprender a conviver com situações que mudarão sua vida para sempre. A narrativa é muito forte e levanta possíveis questionamentos em relação à destruição do planeta. É comum em distopias a apresentação do mundo pós-apocalíptico. No caso de A Idade dos Milagres o processo é inverso.

Questionamos-nos o tempo todo o motivo por tamanho desastre natural. Apesar de, a personagem ser uma adolescente de apenas 12 anos, é possível nos identificar facilmente. Acompanhamos o prelúdio de uma catástrofe anunciada. Independentemente da causa é impossível não levar em consideração a maneira como vivemos. O livro aborda questões comportamentais muito importantes para que o leitor possa captar a essência do livro.
Julia é uma menina muito inteligente e perspicaz, mas a maneira como ela enfrenta os problemas pessoais tornam a narrativa um pouco dissonante.

A Idade dos Milagres segue duas vertentes: narra a história de quando a vida das pessoas começam a ser afetadas diante de uma catástrofe e, aborda a transição para uma fase da vida muito importante: a adolescência.

O que mais me chamou atenção foi a maneira como a autora correlacionou dois temas tão distintos. Diante do caos vivido pelos personagens, ela soube descrever com precisão a fragilidade de cada um. Todas as mudanças ocorridas como: a transformação do corpo, a descoberta do primeiro amor, a fragilidade das relações conjugais, a perda de amizades consideradas insubstituíveis, o tempo dedicado a quem se ama, a negligência dos pais na educação dos filhos, entre outros. Intercalando ficção e realidade, Karen Thompson Walker nos presenteia com uma obra memorável.

O amor platônico que Julia sente por Seth Moreno torna a narrativa ainda mais bonita. Seth Moreno é um personagem importantíssimo na narrativa, assim como Julia e, ambos conduzem uma linda história que enfatiza a importância da amizade.

A diagramação é simples. O livro possui uma linda capa que condiz com o enredo. A capa tem um efeito bem legal no escuro. A leitura é cativante e surpreende o tempo todo. O final é muito bonito e surpreendente. Durante a leitura é impossível não se envolver com a trama. O tema escolhido é comum ao nosso cotidiano e com certeza, o leitor vai criar certa paranoia. Ainda não chegamos a tal estágio, mas A Idade dos Milagres traz à tona uma discussão muito importante.

Recomendo a leitura a todos os leitores. Aos adolescentes que estão passando por essa fase de tantos questionamentos e transformações quanto aos adultos que desejam que seus filhos cresçam em mundo melhor. Fica a dica!
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Ana Usui 20/03/2014

O desastre que ninguém esperava.
A Idade dos Milagres me veio como uma recomendação, e admito que antes mesmo de abri-lo pensei que não gostaria, porque a amiga que me recomendou só le coisas dificeís e inteligentes. Mas me supreendi bastante com esse livro em específico.

A Idade dos Milagres é uma distopia com uma teoria totalmente diferente de tudo o que eu vi em distopia ultimamente. Não há bombas, nada de guerras e definitivamente não tem nenhum alienigena ou zumbi escondido no canto da página.
O mundo sofre algo chamado "a desaceleração". Minutos começam a despontar no fim de cada dia, e ninguém sabe o que está acontecendo e é assutador por que é algo que ninguém pode controlar, não era o esperado e o desconhecido assusta muito mais.

A história é narrada por Júlia, quando o mundo mudou ela tinha 11 anos. Tudo o que ela conhecia, a partir daquele momento, nunca mais seria o mesmo. Os dias passaram a ter mais horas, “24 horas” se tornou um termo do passado, uma época em que a vida podia ser prevísivel e até mesmo confortável.
As pessoas tinham de se adaptar a esse novo sistema, que no inicio não revelava suas consequências, mas elas vieram. E como vieram.

Em questão de narrativa eu adorei, o eventos que vão acontecendo gradualmente na história me deixaram com um nível altíssimo de ansiedade, e o melhor de tudo é que mesmo com toda a ansiedade, com todo o apocalipse eminente, o mundo seguia em frente, as pessoas ainda tinham de ir ao trabalho, elas ainda viviam, e ainda havia momentos de raiva e alegria como em qualquer outra história, eu ainda torcia pelo amor de Júlia e ainda a via enfrentar coisas que até mesmo no fim do mundo não mudam, os malditos problemas sociais.

Em questão de ponto negativo acho que só consegui encontrar um, eu meio que esperava um pouco mais de colapso e violência em algumas partes, mas creio que a intenção da autora era mostrar mais o outro lado de uma distopia, o lado que quase não vemos nos atuais livros sobre o assunto.


Super recomendo pra quem gosta do assunto, e até mesmo pra quem não gosta creio que pode ser muito interessante.

“Devia saber, àquela altura, que os desastres nunca são aquilo que previmos — mas o que
ninguém esperava.”
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gleicepcouto 17/09/2012

Quando a sensibilidade faz toda a diferença
http://murmuriospessoais.com/?p=4294

***

A Idade dos Milagres (Paralela) é o primeiro livro da norte-americana Karen Thompson Walker. A autora, que também é jornalista, recebeu nessa sua estreia literária elogios dos mais diversos meios de comunicação, desde Marie Claire a The New York Times.

Nesse livro, conhecemos Julia, uma menina tímida, de uma típica família americana. Um dia, num futuro não muito longe, vê no noticiário especial e urgente que a velocidade de rotação da Terra, gradativamente, diminui. Como consequência dessa mudança, os dias ficam mais longos, ou seja, duram mais que 24 horas. Isso reflete na vida da família de Julia, mas também em sua escola, em sua comunidade, até alcançar uma esfera global, com resultados segregacionistas. Há aqueles que preferem ignorar os fatos e as mudanças, até mesmo continuam a utilizar a noção de tempo que conhecemos, de 24horas/dia; e os que tentam se adaptar à mudança da melhor forma possível, aceitando o fato de que um dia possa ter 48 horas e até mais.

Não somente tendo que encarar essas mudanças físicas no mundo, Julia tem os próprios dramas para enfrentar, como o afastamento da melhor amiga, a passividade do pai, a neurose da mãe, o avô esquisito e o primeiro amor. Tentando manter sua vida normal em meio a um mundo caótico, Julia, aos poucos, aprende o quanto o ambiente externo pode dizer sobre ela e as pessoas ao seu redor.

Karen é uma contadora de história como poucas. A narrativa em primeira pessoa é fluída e surpreendentemente bem arquitetada. A impressão que tive ao ler o livro é que tinha em mãos um trabalho feito com esmero e responsabilidade, onde cada palavra foi escolhida cuidadosamente, cada sentença e expressão em seus devidos lugares.

Grande parte do êxito de Karen se deve à personagem principal. Julia é uma menina inteligente. Mais esperta que muitos adultos, mas sem perder seu lado garotinha. Sua sensibilidade é destaque e o modo como vê o mundo, único e inocente - mas sem ser alienado.

Outro ponto forte do livro é Karen ter tratado o assunto distopia de modo objetivo e próximo do que poderia ser real. É um mundo que, definitivamente, podemos nos ver nele de tão autêntico que é apresentado. Não há espaço para firulas, poderes especiais e nada do tipo. É uma ficção sim, mas que trata da natureza humana e sua capacidade (ou ausência dela) de se adaptar ao meio ambiente.

Os aspectos sociais e psicológicos abordados em A Idade dos Milagres são interessantíssimos. Percebemos como uma coisa "comum" como a contagem do dia em 24 horas, se modificada, pode originar uma mudança que nem todos estariam aptos a se adaptar. Questões sobre o efeito da luz e da escuridão nas pessoas chegam a ser inquietantes.

A aparente simplicidade da narrativa e trama pode passar uma impressão de "lugar-comum" para o leitor menos atento. Mas a verdade é que no texto de Karen está implícito uma sensibilidade e uma emoção que chegam a ser desconcertantes de tão belas.

Os personagens secundários do livro são tão humanos que me imaginei batendo na porta deles e pedindo uma xícara de açúcar emprestada. São presentes, bem caracterizados, imperfeitos, palpáveis. Eles passam por dramas genuínos, sem cair na armadilha da pieguice.

Sinceramente, não consigo pensar em nenhum ponto negativo na obra. Sério. Estou aqui pensando e pensando e pensando, mas nada vem em mente. Está tudo ali, gente: premissa extraordinária, narrativa harmônica, personagens encantadores e sensibilidade à flor da pele. A Idade dos Milagres chegou de fininho, sem fazer estardalhaço, e fez aquilo que os livros geniais devem fazer: emocionar.

Avaliação:
Autor(a): Karen Thompson Walker
Editora: Paralela
Ano: 2012
Páginas: 208
Valor: $25 a $35
Extra: Simplicidade emocionante.
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Pri 14/10/2016

Inteligentissimo
Uma fantástica narrativa com uma premissa bastante peculiar: o que aconteceria com o planeta se os dias e noites ficassem mais longos? O livro narra com enorme sensibilidade todas as catastróficas mudanças que ocorreriam com o clima, a fauna, a flora e principalmente com a sanidade humana quando uma das certezas mais inabaláveis do mundo de repente caísse por terra.
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Psychobooks 15/10/2012

Dois marcos na vida de uma única pré-adolescente: o primeiro é comum, a difícil passagem da infância para a adolescência e toda a dificuldade em se tornar uma nova pessoa, de acordo com os novos desafios propostos; a segunda é inusitada: A Terra está com a rotação em progressa desaceleração. O mundo continuará o mesmo? Como isso começou? Quais os efeitos dessa nova realidade?

Júlia tem uma melhor amiga, Hanna, e está com ela em sua casa, pronta para ir ao treino de futebol, quando a notícia da desaceleração da Terra, cai sobre sua família. A princípio o desespero toma conta de todos, a família de Hanna, por ser religiosa, resolve se afastar para um retiro. A família de Júlia segue sua vida, controlando o fato, mas convivendo com ele; cada membro encarando a tragédia do seu próprio jeito.

O núcleo familiar de Júlia é composto por ela, sua Mãe e seu Pai. Sua mãe é uma ex-atriz, que agora leciona teatro, seu pai é obstetra, especializado em gravidez de alto-risco. Seus empregos denotam bem suas características: a Mãe de Júlia é dada ao drama, superexagerada em suas reações, está sempre levando tudo aos extremos; seu pai é um homem calado, acostumado a lidar com problemas e resolvê-los de forma serena. Júlia demonstra durante todo o enredo uma mistura das duas personalidades.

É um livro intimista, uma tragédia vista sob o ponto de vista de uma adolescente, que conta, a partir de um futuro em que vive e que nunca comenta, como tudo começou. São lembranças de um tempo passado, recheadas de saudosismo, com uma clareza de ideia características de uma pessoa adulta, incorporadas nos acontecimentos da vida de uma pré-adolescente.

A nova realidade vai se desnudando aos poucos durante a leitura. Os acontecimentos vão se desencadeando, o mundo vai se desintegrando, relações vão deixando de existir e novas se firmam.

A narrativa é em primeira pessoa, sob o ponto de vista da Júlia, então todas as informações que temos sobre os desastres e sobre os desdobramentos da desaceleração são as impressões dela e tudo o que ouviu falar. Algumas perguntas ficam propositalmente sem resposta, nós sabemos o que ela sabe. O que não atiça sua curiosidade, não nos é revelado.

Gostei bastante da crítica à sociedade embutida no livro. Durante a desaceleração, há duas linhas seguidas pelas pessoas: umas acompanham o novo tempo da terra, com dias e noites mais longos, e outra, a mais rígida, que continua seguindo o relógio de 24 horas, independentemente da posição do sol. Há um preconceito pelas chamados “Seguidores da hora real” que beira o fanatismo religioso. Considerados páreas, são excluídos e rechaçados de forma velada pelos “Seguidores do relógio”.

O paralelo feito entre crescimento pessoal em meio a uma catástrofe foi um toque de gênio. Por muitas vezes me senti mais enlevada pelo drama pessoal de Júlia do que pela desaceleração em si. A história de Júlia é simples, seus dramas são comuns, sua vida é comum, mas a escrita de Karen nos envolve completamente. A forma como Júlia (sob oo ponto de vista de protagonista que já viveu aquilo) às vezes nos avisa de algo que ainda está por vir é sútil, mas eloquente quanto ao dano – ou benefício – que aquilo levou.

Faço um aparte para falar do avô de Júlia. Já com 86 anos, ele rouba todas as cenas em que aparece. Seu desenvolvimento foi o mais curto e o mais emocionante.

Leiam!

"Talvez tivesse começado antes da desaceleração, mas só depois fui me dar conta: minhas amizades estavam se desintegrando. Tudo estava desmoronando. Foi uma travessia difícil aquela, da infância para uma próxima vida. E, como qualquer outra dura jornada, nem tudo sobreviveu."
Página 74
http://www.psychobooks.com.br/2012/08/resenha-sorteio-a-idade-dos-milagres.html
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Saulo Cruz 08/02/2015

Livro Egoísta
“(...) nos demos conta de que temíamos as coisas erradas: o buraco na camada de ozônio, o derretimento das calotas polares, o vírus do oeste do Nilo, a gripe suína e as abelhas assassinas. Mas acho que aquilo que preocupa nunca é o que acontece, no final das contas. As catástrofes reais são sempre diferentes – inimagináveis, desconhecidas, impossíveis de prever.”

Nessa interessante ficção contemporânea de Karen Thompson Walker, a vida em nosso mundo está terminando por causa da desaceleração da rotação do planeta. E, em forma de diário, a protagonista nos conta os efeitos da progressão das costumeiras 24 horas em dias de mais uma semana de duração...

O fenômeno é intransponível. Resta tentar sobreviver dia a dia, entre os que tentam levar a vida de forma normal, seguindo o horário antigo e os que buscam se adaptar aos longos dias de radiação solar e as noites de duração gelada.

Nossos dramas íntimos tem a mesma importância que as piores tragédias da humanidade - principalmente quando a gente é adolescente. E o livro é escrito nesse tom, de histórias paralelas: a destruição do mundo e a destruição da infância.

“talvez tivesse começado antes da desaceleração, mas só depois fui me dar conta: minhas amizades estavam se desintegrando. Tudo estava desmoronando. Foi uma travessia difícil aquela, da infância para uma próxima vida. E, como em qualquer outra dura jornada, nem tudo sobreviveu”.

O texto é claro, direto e honesto. E egoísta: depois que comecei não consegui dar atenção às outras leituras até que “A Idade dos Milagres” estivesse concluído. Excelente livro.
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