Inverno do Mundo

Inverno do Mundo Ken Follett




Resenhas - Inverno do Mundo


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Cissa 16/04/2013

Excelente
"Inverno do Mundo"
de Ken Follett

Inicialmente li "Queda de Gigantes" que é o primeiro volume da trilogia "O Século" de Ken Follett. Achei excelente e mal conseguia esperar para ler este segundo volume. Agora que acabou fiquei triste ao lembrar que o terceiro volume só será editado o ano que vem, 2014.

Como todos os livros de Follett este não foge à regra: bem pesquisado, bem escrito e bem editado.

Fiquei surpresa ao ver o quão pouco sabia sobre a Segunda Grande Guerra do ponto de vista bélico. O autor me mostrou um sistema cruel fascista alemão, mandatário também cruel russo, obstinado japonês e libertário americano. Fica claro nesta história que a Segunda Grande Guerra seria somente uma questão de tempo em relação à Primeira Grande Guerra. O Mundo continuou andando capenga, tentando se firmar numa paz fraca e interesses comerciais e egocêntricos muito fortes que foram minando a fraca paz firmada até então.

As personagens do primeiro volume têm aqui suas vidas novamente esmiuçadas, entrelaçadas e contadas com muito sofrimento, coragem e patriotismo. Todos sofreram nesta guerra: alemães, ingleses, russos, japoneses, judeus, americanos. Todos sentiram o medo do nazismo batendo à porta de seus países e os horrores da política de Stalin se abatendo sobre a Rússia e ameaçando outros países.

Há trechos de arrepiar, de chorar, de raciocinar e de se espantar quando nos é mostrado até onde o ser humano pode chegar em sua loucura, sede de poder, ganância e egoísmo.

Com esse livro fica, definitivamente para mim, esclarecido o Século XX que mudou a História de Humanidade, já que a Guerra Fria que será o tema do próximo livro eu a vivi quase toda durante minha vida.

Outras guerras viriam como a do Vietnã, do Afeganistão, do Iraque, as guerras da África e tantas mais; só que nenhuma delas alcançou a dor e a ignorância da Segunda Guerra. Crueldades abafadas, mandatários omissos, religiões amordaçadas tiveram sua origem na Segunda Grande Guerra e desde então o Mundo mudou, se para melhor não sabemos, somente o Século XXI talvez nos diga.
Elaini 17/04/2013minha estante
Minha nossa Cissa!!! Fiquei sem fôlego só de ler sua resenha!
Maravilhosa! Como sempre...


Cissa 17/04/2013minha estante
Brigadinha, Elaini, você é um amor de amiga!
Mas, realmente, esse livro mexeu comigo e muito.


Tom 01/05/2013minha estante
Eu estou lendo o primeiro livro; simplesmente sensacional. O segundo deve ser melhor ainda. Também gostei de sua resenha. Parabéns!


Vanessa 13/07/2013minha estante
Estou no inicio do livro ainda... página 199! Mas estou amando! Você tem razão sobre aprender muita coisa nessas páginas. Acho que quando aprendemos na escola, não estamos tão interessados e não vemos a tamanha importância de tudo o que aconteceu naquela época (que nem está tão distante!), mas ler um livro assim, tão envolvente, nos faz aprender muito mais que os anos de escola!


Cissa 13/07/2013minha estante
Tom, que bom que você está gostando desse livro pois o acho sensacional. Agradeço seu comentário sobre minha resenha.


Cissa 13/07/2013minha estante
Vanessa, além desse livro ser instrutivo devido a pesquisa séria do autor, a trama é muito bem montada e cativante. Que bom que está gostando!




Caroline 19/01/2015

Incrível, cru, real...
O primeiro livro da trilogia O Século, Queda de Gigantes, me surpreendeu e me prendeu do início ao fim, mesmo com uma escrita simples. Ken Follett soube como contar sua história e nos entreter com tantos personagens, com tantas vidas diferentes. Fiquei me perguntando como ele continuaria, como faria para manter vivo o meu interesse em uma segunda geração, nos filhos daqueles que me envolveram e me conquistaram na primeira parte. Bastou, porém, apenas alguns capítulos de Inverno do Mundo para perceber que ele faria tudo novamente. E ele fez!

Inverno do Mundo nos traz uma enxurrada de novos personagens que se misturam aos que já conhecemos e passam a fazer parte dos nossos dias enquanto lemos. Temos Woody e Chuck Dewar, filhos do senador Gus; Carla e Erik, filhos de Maud e Walter; Greg e Daisy, filhos de Lev Peshkov; Boy, filho de Fitzherbert; Lloyd e Millie, filhos de Ethel; Volodya, filho de Grigori Peszkov. Isso para citar alguns, pois eles, claro, passam a conviver com outros tantos personagens que entram e saem da história.

A princípio entrei em parafuso tentando formar a árvore de todas essas famílias e foi preciso voltar algumas vezes para a lista de personagens presente no início do livro. No entanto, com o passar das páginas, nos tornamos tão íntimos de todos eles que isso já não é mais necessário.

Com eles passamos pela Grande Depressão, pelo Nazismo, pelo Comunismo Russo; passamos pela Guerra Civil Espanhola, pelas lutas de classe, pelos movimentos políticos que antecederam a Segunda Guerra Mundial; passamos, claro, pela Guerra em si e todos os planos e tentativas para selar a paz; passamos por Pearl Harbor, pelo Blitzkrieg, pelas bombas atômicas; passamos por fugas, prisões, desaparecimentos e torturas; passamos por toda a crueldade que esse período da História carrega, sem piedade.

Seria difícil dizer se prefiro esse ou o primeiro livro, pois são um pouco diferentes, não só pelo período histórico. Enquanto Queda de Gigantes tem um ar mais romântico, cheio de encontros, despedidas e esperas, Inverno do Mundo é mais cru, realístico, duro, sem muitos floreios, mas riquíssimo em História.

A escrita não é o forte de Ken Follett, mas a forma como narra e une as histórias, sim. Tem o dom de nos manter entretidos e atentos e nos deixa curiosos mesmo em meio aos acontecimentos históricos que já conhecemos. É como se passássemos a ver a História com outros olhos, com mais sensibilidade e clareza.

Gostei bastante de como ele criou uma segunda geração de personagens que fogem do “preto” ou “branco”. Não existe o mocinho e o malvado, não existe alguém totalmente mal ou bom, nem o certo e o errado. São personagens verossímeis, os filhos nem sempre são cópias dos pais, apesar de percebermos facilmente a influência que sofreram destes. A aleatoriedade dos tipos de personalidade é muito rica e foge bem do clichê.

Gosto, especialmente, que o autor não nos obriga a condenar ninguém – exceto os ditadores, claro. Leva-nos a perceber que por mais errado que seja o comportamento de alguém, nem sempre suas intenções são más, a exemplo de Erik Von Ulrich, que chegou a se iludir pelos dois extremos, nazismo e comunismo, na esperança de solucionar a vida em sua nação.

Poderia citar como ponto negativo que existem coincidências demais, encontros casuais demais, como se o mundo fosse um pequeno território habitado por pouquíssimas famílias. No entanto, prefiro ver isso como um artifício do autor para entrelaçar as histórias a fim de nos manter presos à trama.

Por que não pontuar com todos os 'corações'? Porque é tão duro e seco que não chega a emocionar, é mais razão que emoção, é mais realidade e veracidade que romance. Mas, além de uma incrível aula de História sob uma perspectiva diferente dos livros didáticos, Inverno do Mundo é uma leitura que vale a pena também como ficção e, sem dúvidas, merece todas as estrelas.



★ ★ ★ ★ ★
❤ ❤ ❤ ❤ ♡


site: www.historiasdepapel.com.br
Marques 19/01/2015minha estante
Maravilhosa está trilogia!!!!Ótima resenha!!!


Caroline 19/01/2015minha estante
Obrigada, Marques. É maravilhosa mesmo :))


Caroline 20/01/2015minha estante
Obrigada, Marques. É incrível mesmo essa trilogia :))


Bubu.Lima 11/05/2018minha estante
Me arrepiei com o trecho: "Enquanto Queda de Gigantes tem um ar mais romântico, cheio de encontros, despedidas e esperas, Inverno do Mundo é mais cru, realístico, duro, sem muitos floreios, mas riquíssimo em História." Resumiu o que penso. Ótima resenha.




Bruno T. 27/10/2012

Inferior ao primeiro volume da saga
Antes de começar a leitura de "Inverno do mundo", decidi reler o primeiro volume da saga, "Queda de gigantes", a fim de facilitar a compreensão da continuação contida neste segundo volume.
Neste contexto, sinto-me à vontade para afirmar que o autor não conseguiu apresentar um trabalho à altura do anterior, principalmente nos primeiros (e chatos) capítulos do livro, que tratam das paixões juvenis dos protagonistas. Clichês não faltam: mulheres de belezas estonteantes, amores à primeira vista (mal se conhecem e já se amam), situações forçadas e por aí vai.
O livro melhora em sua segunda metade, quando a guerra mundial domina a trama, mas raramente consegue alcançar os níveis de qualidade do primeiro volume, talvez pelo fato da nova geração de personagens não ser tão interessante quanto a que a precedeu (a tal da Daisy, por exemplo, é muito chata).
Apesar de tudo, "Inverno do mundo" é um bom livro, mas apenas isso, e nem de longe lembra o grande Ken Follet de "Pilares da terra".
Helder 07/01/2013minha estante
Ainda estou esperando o preço desse baixar, mas sei que vou le-lo, pois sou fã do Ken Follett e adorei o primeiro livro.Mas vc acha necessário reler o primeiro ou dá para seguir em frente sem problema?


Bruno T. 07/01/2013minha estante
Helder: vai depender de sua (boa) memória.
Se você estiver se lembrando bem da trama do primeiro volume, certamente não precisará lê-lo de novo. Como minha memória já foi bem melhor, e havia lido o primeiro volume há mais de um ano, preferi a releitura. Abç.


Bebé 05/04/2014minha estante
Também achei, a migração dos personagens de quedas de gigantes, realmente ficou a desejar, mesmo a parte histórica que é bem mais rica de informação acabou ficando em segundo plano, deixando os romances dos personagens quase que padronizados, mas valeu, alguém sabe quando vai sair o terceiro?


Bruno T. 05/04/2014minha estante
Olá, Bebé. Por ocasião do lançamento do primeiro livro da trilogia, "Queda de gigantes", em 2010, li que as continuações ocorreriam em 2012 (e, realmente, "Inverno do mundo" foi lançado em 2012) e em 2014. Portanto, é provável que ainda neste ano o terceiro volume da trilogia seja publicado.




Cheiro de Livro 15/06/2017

Inverno do Mundo
Todos os ótimos personagens do primeiro livro reaparecem, mas agora são secundários, quem domina a ação são seus filhos. Depois de dois anos de espera estava com saudades de Maud e Ethel, minhas personagens preferidas em “Queda de Gigantes”. Elas aparecem pouco mas o reflexo de suas personalidade nos filhos é visível.

“Inverno do Mundo” começa cerca de 10 anos do termino do primeiro livro. O Nazismo é crescente na Alemanha, Stalin comanda uma ditadura cruel na Russia e o New Deal começa a reestruturar os EUA depois do crash da Bolsa em 1929. Esse é o panorama a que somos apresentados logo nos primeiros capítulos. Follett tem uma escrita ágil e, até certo ponto, didática sobre os acontecimentos mais importantes o que faz com que o leitor menos ligados a fatos históricos consiga administrar o andamento do livro. A mescla de personagens históricos com os fictícios emprega uma verdade ao que é contado, o leitor sabe o que vai acontecer no macro, Hitler vai perder ao final da guerra, e mesmo assim se vê hipnotizado pelas paginas.
Os personagens masculinos são bons, com destaque para Lloyd e Volodya, um inglês e um russo, ambos com ótima visão do mundo que os cerca e das mudanças que ocorrem. Volodya é um personagem que pode dar muito pano ara a manga no terceiro livro sobre a Guerra Fria, ele e seus filhos, já nesse volume ele questiona o regime sovietico. Entre as mulheres duas se destacam Daisy e Carla. A primeira começa a historia como uma socialite americana deslumbrada e se transforma, seu romance com Lloyd é pelo que o leitor torce, como torceu por Robert e Maud no primeiro volume. A segunda, Carla, é a guerreira da historia, sobrevive a tudo na Alemanha, tem um romance bonito mas o que a faz um personagem inesquecível é a sua luta implacável pelo seu pais. Sem quere contar spoiler, ao terminar o livro fiquei com muita dó da família Von Ulrich, nada dá certo para eles, torço, desde já, por uma redenção no ultimo livro. Follett adora um final feliz e essa família está merecendo isso mais do que qualquer outra.

Follett gosta de proteger seus personagens, não tem muitas mortes de personagens principais em seus livros. Aqui a proteção não acabou pro completo, mas ficou mais flexível, temos algumas mortes, algumas brutais, outras de partir o coração. É uma boa decisão de Follett não deixar seus personagens principais “protegidos”, afinal ela está falando sobre guerra e nela há mortes, ninguém sai ileso. Isso deixa o leitor tenso, torcendo para que os seus personagens preferidos sobrevivam.

Como no primeiro volume esse deixa muitas crianças para liderarem a história que fechará o século, que venha a Guerra Fria, a luta pelos direitos civis nos EUA, as greves no governo Margaret Thatcher, as guerras no Afeganistão e Vietnã, enfim Follett ainda tem muita história para contar e mais uma vez deixa tudo bem encaminhado para mais uma geração destas famílias. Agora é esperar até 2014.

site: http://cheirodelivro.com/inverno-do-mundo/
Juliane.Barpi 19/06/2017minha estante
Não to conseguindo ler as ultimas 100 pg de Queda de Gigantesss, não sei pq, bloqueei :/


Cheiro de Livro 19/06/2017minha estante
leia, vale a pena. A trilogia é ótima


Juliane.Barpi 22/06/2017minha estante
Conclui a leitura!! Obrigada pelo incentivo hehehehe




Paulera 25/06/2020

Assim como o anterior, narra com boa interpretação os acontecimentos por trás da guerra que estamos acostumados a conhecer nas aulas de História. Porém, senti que em comparação ao primeiro volume, este perdeu a energia. Talvez por não ter grandes novidades na fórmula de escrevê-lo, ou por algumas vezes se prender a detalhes insignificantes para o desenvolvimento, tornando a história arrastada.
É um livro maravilhoso para se ler enquanto vivemos essa situação política no país. Mesmo que tenha muita ficção no meio, podemos entender como ditadores extremistas conseguem manipular seu povo de uma forma que os fazem lutar por um ideal desumano.
Aninha || @clichesliterarios 25/06/2020minha estante
nossa eu sou apaixonada nessa trilogia! mas se você já achou esse devagar, o terceiro é mais ainda...


Paulera 25/06/2020minha estante
Hahahaha. Tristeeee ?

Vou encarar mesmo assim ?


Aninha || @clichesliterarios 25/06/2020minha estante
sério, vai na fé! o terceiro em relação as personagens eu não gostei tanto mas a tensão da guerra fria em Cuba e toda a luta dos direitos civis é perfeita!




Lucas 10/06/2017

E o mundo se cobre de horrores...
A continuação da trilogia O Século, iniciada em Queda de Gigantes, atende com louvor às expectativas geradas ao fim da obra inicial: Inverno do Mundo é denso, cinematográfico e dramático, um deleite histórico do período mais intolerante do século XX.

A sinopse já trás essa previsão sombria descrita nessa segunda parte. É quando Ken Follett relatará os efeitos da Segunda Guerra Mundial nos carismáticos personagens fictícios, desenvolvidos em Queda de Gigantes e, principalmente, nos seus filhos. Assim, os protagonistas da obra anterior agora são levados a um "segundo plano de luxo": cabe aos seus descendentes a tarefa de prender o leitor em uma ficção viciante, que está sob permanente influência da história da Europa entre 1933 e 1949 (abrangência da obra).

É o caso de Walter Von Ulrich e Maud Fitzherbert, cuja história de amor foi um dos grandes atrativos da obra anterior. Por estarem residindo em Berlim na época da ascensão do nazismo, o núcleo narrativo do casal é usado para que seja descrito a transformação ocorrida na sociedade alemã do início dos anos 30. Desse modo, o incêndio do Parlamento Alemão e a habilidade de Hitler em usar isso a seu favor ganham destaque nos primeiros momentos de Inverno do Mundo. Com o passar das páginas, há o fortalecimento da polícia nazista (Gestapo) e logo no primeiro capítulo o leitor tem contato com um estarrecedor relato de prisão e tortura. Além disso, a filha mais nova do casal, Carla, sofre na pele as consequências do machismo alemão trazido pelo nazismo. E se isso não fosse o bastante, seu irmão mais velho tem uma forma de pensar radicalmente oposta a da família, relatando, assim, a realidade de muitos jovens alemães filhos de democratas da época.

O núcleo da carismática galesa Ethel Williams também sofre os efeitos dessa era negra da história. Seu filho mais velho, Lloyd (cuja paternidade, para ele, é um grande mistério e para o leitor um motivo de suspense), resume bem a mente de um britânico democrata: o combate ao nazismo é uma luta constante, até mesmo em outros países. Nesse ponto, Follett também descreve a trajetória do General Franco, ditador fascista que, por meio de um golpe militar, chega ao poder na Espanha. Lloyd é um adolescente típico da época, que com a passagem do tempo vai adquirindo maior sabedoria e percebendo que nem sempre as ferramentas mais óbvias são capazes de enfraquecer o regime de medo que se alastrava pela Europa, já no contexto das conquistas alemãs no início do conflito.

Os outros círculos narrativos (os Peshkov, da URSS e dos EUA, os Dewar, dos EUA e os Williams, do País de Gales) são tratados com igual relevância, muitas vezes se relacionando entre si. Follett os usa para descrever as feridas provocadas pela Guerra, seja na América, na Europa e na Ásia, fazendo assim um relato bastante verossímil de um mundo em ebulição bélica.

No entanto, alguns aspectos negativos presentes em Queda de Gigantes também estão em Inverno do Mundo. O principal deles é a necessidade um pouco forçada que o autor tem de prender a atenção do leitor, usando descrições desimportantes. O perfil de quem lê esse tipo de livro normalmente é o de quem gosta de história e de um bom romance, cuja mistura, quando bem feita, é sensacional, que é o que ocorre na obra. Mas em nenhum escopo da realidade esse leitor está interessado na quantidade de pelos pubianos (!) que uma personagem pode vir a ter, por exemplo. É desconfortável falar de um tema tão íntimo em uma resenha, mas são coisas que a narrativa trás. Quem leu Queda de Gigantes (o que é indispensável para se adentrar em Inverno do Mundo) sabe do que se trata. Há, todavia, um pouco mais de sutileza aqui, em se tratando de temas íntimos, que incomodam, mas que em nenhum momento fazem a leitura ser desprezada ou abandonada. O fascínio que Inverno do Mundo causa passa longe destas ressalvas, que não são bem-vindas mas que são superadas.

Outro aspecto negativo, mas que não está em Queda de Gigantes é um certo monopólio a um determinado lado da história da época, nas últimas 150 páginas. É importante que se diga que os relatos do autor nesse sentido correspondem ao que de fato ocorreu, mas coisas parecidas ocorriam em ambas as esferas tirânicas e não são descritas com o mesmo fervor. São apenas fatos isolados, incapazes de influenciarem negativamente o pensamento de alguém, mas este foi um comportamento que não ocorre durante os primeiros 80% da obra. O leitor que conhece muitos dos pormenores da Segunda Guerra Mundial notará essa tendência no final da leitura.

Na contramão disso, Follett vai construindo durante a narrativa um aspecto que é incrivelmente verdadeiro e válido atualmente: a inutilidade dos radicalismos. As páginas de Inverno do Mundo ensinam que qualquer lado político radical, seja de direita ou de esquerda, são equivalentes em se tratando de mensuração do impacto social que causam. A repressão, o medo e a autoridade sempre serão as mais importantes armas desses regimes em busca de um suposto fortalecimento nacional ou equilíbrio econômico. Os personagens fictícios do autor ensinam que um indivíduo pode pender para um lado ou outro dessa "balança", de acordo com a sua percepção do que é certo. Mas ele sempre deve estar ciente de que, ao se aproximar de um extremo, poderá estar pensando de uma forma totalmente contrária ao oposto, mas usará das mesmas ferramentas para o convencimento e atração de massas, a fim de fortalecer esse seu lado. E o uso destas táticas é o que gera conflitos e já foi responsável por incontáveis mortes ao longo da história da humanidade.

De tão tênue que é a linha que divide a ficção da história em Inverno do Mundo, alguns horrores, especialmente na Alemanha, podem parecer elementos de uma distopia apocalíptica, tamanho o seu nível de absurdo. É inicialmente inacreditável que o ser humano tenha sido capaz de tais atrocidades com seus semelhantes, ocorridas por motivos tão triviais nesse raciocínio, como a religião. Mas uma pesquisa rápida durante a leitura fará o leitor crer que sim, estas coisas realmente ocorreram, há menos de 80 anos, o que não é nada na linha evolutiva da humanidade. Estes elementos sombrios, de dominação e imposição, fazem com que quem lê perceba a infinidade de nuances que a Segunda Guerra Mundial possui, gerando a certeza de que as histórias e fatos relacionados ao evento jamais serão totalmente mensurados ou refletidos.

Inverno do Mundo é, apesar das ressalvas, um excelente livro de história, com diversas tramas fictícias paralelas, que ora se cruzam, ora se afastam. Uma obra que, assim como a sua sucessora, informa, revolta e emociona em doses iguais. E como em Queda de Gigantes, Follett deixa vários "assuntos" não resolvidos que já de cara trazem uma grande expectativa para Eternidade por Um Fio, que fechará a, até aqui brilhante, trilogia O Século.
Enza Cerqueira 17/06/2017minha estante
Minha ressalvas quanto a este livro são iguais às suas. Muito boa resenha. Estou aqui tentando controlar meus dedos de digitarem sobre o terceiro livro kkkk.


Enza Cerqueira 17/06/2017minha estante
O que me decepciona nesta trilogia é justamente essa descrição de cenas desnecessárias que, ao contrário do que o autor deve pensar, empobrecem um pouco a trama.


Lucas 17/06/2017minha estante
Kkkkk. Confesso que realmente Inverno do Mundo me decepcionou um pouco no final, Enza. Acredito, por exemplo, que um livro que trata da Segunda Guerra Mundial e o nome da cidade de Stalingrado ou Auschwitz aparecem menos de 5 vezes em uma obra com quase 900 páginas trás a sensação de que "algo de errado não está certo", além dos já mencionados artifícios forçados. Enfim, os sofrimentos e dramas que assolaram os personagens fictícios realmente chocam. Veremos como tudo se dará em Eternidade por Um Fio, mas também confesso que o meu ímpeto de lê-lo abrandou-se um pouco.




Maria Elegiani 10/04/2013

Ufa, terminei!
Me tomou mais tempo do que esperava. Ganhei o livro no meu aniversário, em novembro, e somente agora concluí o mesmo. Achei o ritmo mais lento do que o Queda de Gigantes. Não me prendeu tão facilmente quanto o Queda de Gigantes. Li, inclusive, mais 2 livros durante essa leitura. As histórias e os personagens não se cruzam tão bem quanto no primeiro livro.Também as negociações políticas da guerra são mais pesadas. Mas é um bom livro e vou aguardar ansiosamente o último livro da trilogia.
Kika 29/04/2013minha estante
Minha opinião é a mesma que a sua. O primeiro com certeza foi muito mais envolvente. No segundo, achei algumas situações que os personagens passam meio forçadas. Mas, como você, aguardo com muita espectativa o terceiro. =]


Tom 01/05/2013minha estante
Eu estou gostando do primeiro livro, muito bem feito e elaborado. O ruim é que a leitura é muito demorada, o ritmo é bastante lento, e como você falou, toma muito tempo. Todavia, o livro é muito prazeroso e vale apena lê-lo.
Abraço, Maria.




Volnei 02/05/2015

INVERNO DO MUNDO
Esta obra é a continuação do livro TERRA DE GIGANTES que se passa no período da primeira guerra, enquanto este vai dar continuidade a história , agora com novos personagens , descendentes dos personagens do primeiro livro, enquanto outras são figuras reais que realmente existiram.Aqui o pano de fundo é a segunda guerra. Os que sobreviveram ais horrores da primeira guerra tem que enfrentar mais uma vez outro confronto, desta vez com armas muito mais poderosas e com uma artilharia muito mais pesada.

site: http://toninhofotografopedagogo.blogspot.com.br/
Leonardo 02/05/2015minha estante
Olá Antônio, já respondi os seus recados.


Volnei 02/05/2015minha estante
fico feliz em poder compartilhar minhas leituras com mais pessoas




spoiler visualizar
Fabrício Araujo 27/05/2015minha estante
Ken Follett é fera!! Por incrível que pareça tenho toda trilogia mas não li ainda nada.


Greice Negrini 27/05/2015minha estante
Nossa, então não perca tempo. Ele é maravilhoso mesmo. Para mim foi um banho de sabedoria! :)




marinildac 08/04/2013

Fraco
Não chega aos pés de Queda de Gigantes. A segunda geração de personagens é fraca e chata. A trama não surpreende. Os melhores personagens, os galeses e os russos, ou desaparecem ou amolecem. Os americanos ganham peso, mas são irrelevantemente superficiais. O livro melhora um pouco do meio pro fim, mas volta a cair no último capítulo. Dá a impressão de que Follett escreveu este com pressa.
Tom 09/05/2013minha estante
Nossa, não precisava criticar tanto o livro.


marinildac 09/05/2013minha estante
Tanto precisava que critiquei, ué.




dani 07/04/2013

[Livro] Inverno do mundo – Ken Follett
Aproveitando o tema deste mês do desafio literário, que em abril é uma ou mais das quatro estações no título, decide escolher um livro que estava morrendo de vontade de ler, Inverno do Mundo, segundo volume da trilogia O Século.
Se em Queda de Gigantes Follett ganhou meu coração, em Inverno do Mundo ele o arrancou. Trocando a suavidade do primeiro livros por cenas duras e cruas Follett mostra que a guerra não poupa ninguém.
Seguindo a linha temporal do primeiro livro, neste segundo o ambiente tratado é logo após a crise de 1929, com a ascensão do nazismo e do fascismo e a Europa tendo que lidar com esses regimes políticos, Follett ainda continua com o mesmo elenco de personagens usado anteriormente, porém o foco agora é a próxima geração, os filhos dos personagens das famílias anteriores.
Tenho que dizer que me apaixonei pelo Queda e com isso estava morrendo de medo com a leitura de Inverno do Mundo, com medo de me decepcionar, de não conseguir me apegar aos personagens como me apeguei aos anteriores (Ethel \o/) mas além da felicidade de ainda poder ler sobre suas vidas tive uma feliz surpresa com os novos personagens que apareceram e que ganharam um espaço só seu em meu coração, pois além de criar novas histórias e personagens, eles não são uma repetição da geração anterior, mas sim únicos, com suas próprias personalidades e ocupando seus espaços na narrativa. Outro aspecto que foi mantido é que os cinco núcleos ainda se encontram e as suas vidas ficam cada vez mais entrelaçadas.
A narrativa desse livro merece uma observação especial, primeiro por ter me surpreendido, quando se pensa que um autor não pode mudar durante uma série vemos que Follet muda e que faz isso de forma magistral, e segundo que com essa mudança ele cria uma densidade em sua narrativa que é nova para o leitor da série, quase uma sombra de medo e tensão durante toda a leitura, Follett torna sua escrita mais dura, realista e crua, sim ainda há o romance, mas ele agora está regado de tragédias e dor e isso simplesmente enriquece muito mais a história.
Tive a sensação que o autor quis mostrar o como a Segunda Guerra e o nazismo/fascismo foram muito mais duros que os problemas enfrentados na Primeira Guerra e isso foi passado em sua narrativa, como disse na resenha anterior, Follett humaniza fatos históricos tornando conhecimentos mais palpáveis e não apenas algo que aprendemos na aula de história, e essa humanização continua neste segundo volume, e é exatamente por isso que ele usa de recursos que quase não foram usados, como maior descrição de desastres e mortes.
A linha histórica é muito boa, aborda todos os grandes eventos, a ascensão do nazismo, o fascismo na França e Espanha, a guerra na Espanha, culminando na Segunda Guerra Mundial e todos os aspectos que a envolveram se encerrando no início da Guerra Fria. Fiquei feliz por poder ver vários fatos que só tinha visto superficialmente na aula de história. Uma curiosidade que achei bem interessante é que diferente do primeiro livro em que todas as tramoias políticas foram exploradas com afinco, o foco neste segundo tomo é o serviço de espionagem, que foi longamente usado durante a guerra.
Follet conseguiu me ganhar ainda mais, fazendo com que eu me encantasse por mais personagens e renovando sua linha narrativa com novas histórias e novas abordagens. Agora é esperar ansiosamente pelo terceiro livro.

http://olhosderessaca25.blogspot.com.br/2013/04/livro-inverno-do-mundo-ken-follett.html
Tom 06/05/2013minha estante
Resenha muito boa. Parabéns!




Gisele Alves 16/08/2020

O Autor conseguiu fazer um livro ainda melhor que o primeiro da Trilogia O Século, Queda de Gigantes. Nesse ele relata a 2a. Guerra Mundial aos olhos dos filhos dos personagens do 1° livro. As atrocidades cometidas por Hitler, o papel da União Soviética para derrubar os nazistas, a participação dos Estados Unidos e dos outros países. A luta vivida pelas mulheres fortes é de uma descrição impecável. Valeu cada página lida.
Fran 12/09/2020minha estante
Tão feliz que você gostou... É uma leitura incrível.




Roberto.Suga 07/11/2015

Fantástico!
Fantástico este livro! Para quem quer conhecer a história da Segunda Guerra Mundial é um prato cheio! Eu particularmente gostei desse mais do que o primeiro!
Hester 07/11/2015minha estante
Sabia que gostaria. Esta trilogia é fantástica. O terceiro é um tnto diferente e parece nao tao bom quanto os dois primeiros, mas era outra é época; guerra fria, pós-guerra etc. Eu, geralmente, nao gosto de séries e trilogias, mas esta eu amei.




Nalu 27/04/2016

maravilhoso.
thais.moore 27/04/2016minha estante
ta na minha listinha rs




Luiza Valente 08/09/2020

Historicamente atual e intenso
Batendo palmas de pé!

Ken Follett possui o talento admirável de nos possibilitar a vivência intensa e atual da história mundial como se estivéssemos vivendo a nossa própria historiografia.

Essa trilogia são aqueles livros que precisamos, sem dúvida, lermos antes de morrer.

Gratidão ao autor pela generosidade de compartilhar seu talento.
Natália 08/09/2020minha estante
Estou amando tbm. Que autor, minha gente!




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