Psicopata Americano

Psicopata Americano Bret Easton Ellis




Resenhas - O Psicopata Americano


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Pah 13/01/2021

O Psicopata Americano
Livro extremamente detalhista, com diálogos fúteis do inicio ao fim, as únicas cenas que me prendiam eram os assassinatos.
Sinto que perdi meu tempo lendo e quando cheguei ao fim fiquei aliviada.

Mas gosto é gosto, e a quem aprecia esse estilo desejo uma boa leitura.
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Ana.sw 05/01/2021

Incrível
Certamente o melhor livro que já li. Publicado pela primeira vez em 1991 mas ainda muito atual. As críticas contidas no livro se encaixam facilmente em qualquer época. É um livro que incomoda. Que causa muitos questionamentos e reflexões. O autor te entrega um capítulo chocante, mas em seguida um capítulo suave, isso é incrível!
É importante ler o livro com um olhar crítico-social, do contrário será abandonado logo no início.
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Fernando Lafaiete 24/12/2020

Psicopata Americano - Bret Easton Ellis | O que dizer sobre a tortura que me foi ler este livro?
******************************NÃO contém spoiler******************************
Resenha postada originalmente em: https://www.mundodasresenhas.com.br/

Autor: Bret Easton Ellis 

Editora: Darkside Books / Gênero: Terror Psicológico / Idioma: Português / 432 páginas

A obra de Bret Easton Ellis sofreu constantes rejeições por parte das editoras até que seu lançamento de fato ocorresse em 1991. Com um personagem feito para incomodar e utilizado como ferramenta narrativa para criticar o sonho americano (de enriquecer e viver uma vida de luxo), o autor nos mergulha (na verdade nos afoga no meio do processo) em uma trama repleta de absurdidades e crueldade em um nível difícil de explicar.  O livro é magistral se analisado pelo âmbito crítico que possui e pela assertividade da escrita em elevar a futilidade e o vazio tanto do personagem quanto da sociedade a qual ele pertence. Indo e voltando em cenas que parecem ser a cópia uma da outra, Ellis não deixa na subjetividade as críticas que deseja fazer, deixando mais que claro seu posicionamento a respeito da parcela da sociedade que é movida pelo consumismo irrefreável, fútil e desproposital. Contudo, tamanha magistralidade não me foi o suficiente para sustentar o romance e os alicerces que deveriam mantê-lo de pé.

Fiquei um bom tempo pensando e organizando meus pensamentos em relação a obra supracitada, que ao terminar a leitura de Psicopata Americano senti um alívio tremendo. Tal dificuldade não provém apenas da temática da obra, que por si só já é bastante indigesta. Mas a forma como a trama é desenvolvida, é de uma morosidade tão extrema, que a leitura me foi uma tortura imensurável do início ao fim. Patrick Bateman - o protagonista da obra em questão - é uma pessoa tão asquerosa que o classifico como o pior da humanidade; o lixo humano que nem deveria existir. Homofóbico, misógino, racista, egocêntrico, xenofóbico, fútil, mesquinho, cruel, fã de Donald Trump, e um psicopata sem limites morais e sentimentais. Estar dentro da cabeça de um personagem tão negativo quanto este é torturante. A narrativa em primeira pessoa é desconfortável, irritante, sufocante, tediante e cansativa.

"Ao entrar na tinturaria chinesa, passo quase encostando por um mendigo suplicante, um velho, quarenta ou cinquenta anos, gordo e grisalho, e bem quando vou abrir a porta reparo, ainda por cima, que é também cego e piso-lhe o pé, que na verdade é um coto, fazendo-o derrubar a caneca, espalhando os trocados por toda a calçada. Fiz isso de propósito? O que você acha? Ou fiz sem querer?"

A primeira metade da estória é formada de vários nadas. Descrições infinitas das vestimentas dos personagens, diálogos que não chegam a lugar nenhum sobre moda, restaurantes, mulheres (que são a todo momento objetificadas), babações de ovo a Donald Trump, descrições sobre tratamentos de pele e cenas de sexo com liguajar e descrições chulas e vulgares. É tanta futilidade por metros quadrados que cinco páginas parecem cem. É tanto egocentrismo do personagem central e das pessoas que o cercam que cheguei a ficar com ranço de todos os personagens ao ponto de torcer pela morte de todos, sem excessão (me refiro exclusivamente ao ciclo de amizade que orbita ao redor do protagonista). Os cenários se repetem capítulo a capítulo e o desequilíbrio do personagem central entrega aos leitores momentos sem nexo, que me fizeram revirar os olhos e ficar em um looping de incompreensão em relação ao demais personagens da trama. O que faz alguém manter uma relação de amizade ou de qualquer outra natureza com alguém que do nada deixa claro que tudo que mais deseja é te esquartejar, te degolar ou te torturar? O que faz alguém achar bacana manter uma conversa com alguém que claramante é fissurado e apaixonado (de forma mórbida e venerativa) por psicopatas famosos, sendo quase que um especialista no assunto? Sem contar as personagens femininas que são constantemente humilhadas e continuam se relacionando com o demônio humano do protagonista. Tudo um verdadeiro saco!

A segunda metade melhora, começa a entregar o que já esperava encontrar e o ritmo se acelera, mesmo que não se mantenha de forma equilibrada. Não há um nivelamento quanto ao ritmo de leitura, o que transforma o processo de ler  Psicopata Americano em uma maratona que nos desafia a ir até o final sem desistirmos no meio do caminho. As cenas de assassinatos são brutais, bem descritas, sanguinárias ao extremo, chocantes e perturbadoras. Gostei desse aspecto do livro ao ver que o autor não nos poupa, não economiza nas palavras e não deixa de nos entregar cenas que nos tira do eixo. Entretanto, a narrativa sofre quebras de ritmos com as infindáveis divagações do personagem narrador que passa páginas e mais páginas falando sobre algum filme que aprecia ou destrinchando faixa a faixa de algum album de bandas que sente prazer em ser fã. A obra possui tantas incongruências que fiquei sem entender como muitas das situações ocorriam sem que ninguém fizesse nenhum questionamento a respeito. Tanta coisa absurda no meio de tantos nadas que Psicopata Americano parece ter 5.000 páginas, tamanho a demora desse livro acabar. Em alguns momentos cheguei a ficar tão irritado que hora cogitava abandonar a leitura e hora ansiava por algum assassinato para que o livro saísse de sua monotomia e entregasse um pouco de emoção. O que não me foi nada aprazível nem no quesito leitura, nem no quesito psiológico; já que todas as cenas de assassinato me deixaram muito mal, ao ponto de as vezes eu me pegar com um nó na garganta, com os olhos arregalados e sem força pra chorar. As vezes me pegava com nojo e as vezes finalizava minha leitura do dia com dor de cabeça. Uma leitura que me massacrou, me deixou pra baixo e aumentou minha desconfiança com relação as pessoas que me rodeiam.

"[...] empurro inutilmente uma faca pelo seu nariz adentro até sair fora pela testa, cortando a carne, mas aí lhe arranco o osso do queixo. Ela ficou só com a metade da boca que eu fodo uma vez, depois duas, três vezes ao todo. Sem me importar se está ainda respirando ou não, eu lhe arranco os olhos, usando finalmente meus dedos."

Definitivamente Psicopata Americano não me foi uma leitura agradável em nenhum aspecto. Já esperava algo pesado e confesso que gosto de livros que me desafiam e em que o sangue escorre pelas páginas. Mas o desequilíbrio narrativo do romance de Bret Easton Ellis me incomodou, me irritou e me fez querer durante toda a leitura que o livro acabasse o quanto antes. Detestei o final, achei algumas situações sem sentido (as incongruências já citadas) e considero Patrick Bateman a personificação do demônio na Terra. Que ele seja sensato e assim como Braz Cubas, reflita depois de morto o quão desprezível foi em vida e repita a frase do célebre narrador defundo de Machado de Assis, dizendo para si mesmo a famosa frase: "Não tive filhos. Não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria".

PS. O livro deu origem ao elogiado filme de Mary Harron lançado nos anos 2000 e protagonizado por Christian Bale. O mesmo se tornou ao longo dos anos em um clássico da sétima arte. 
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Nath 24/12/2020

"Basta... Dizer... Não."
Melhor livro pra inaugurar um selo novo, dona Darkside. Eu to grata de mil jeitos diferentes e impactada pra uma vida inteira depois de terminar de ler.
Pra começo de conversa, vamos às controvérsias da narrativa: sim, é lenta. Muito. O começo principalmente é devagar quase parando. E embora eu afirme com muita convicção que vale muito a pena, acho que esse pode ser um motivo adicional pra dizer aquela frase clichê: "não é um livro pra todo mundo." O primeiro motivo é o nível absurdo de violência explícita. Sério, o filme (que é excelente, por sinal) não chega nem perto.
Dito isso, temos uma história narrada em primeira pessoa, portanto, estamos basicamente dentro da mente do protagonista. Patrick Bateman é um homem bonito, rico, fútil no sentido mais literal da palavra, narcisista ao extremo e desprovido de qualquer tipo de empatia e/ou quaisquer emoções em geral. Fez bingo com louvor na cartela da psicopatia e embora não precise dizer, vou reforçar: não é, nem de longe, um narrador confiável.
Quando Patrick Bateman nos conta sobre a vida dele, é no sentido de rotina mesmo, então sabemos onde ele mora, onde trabalha, os lugares que ele frequenta e todos os seus gostos - dos mais comuns aos mais… peculiares. Além disso, também sabemos com quem ele se relaciona; ele tem um grupo de amigos, uma noiva e um punhado de casos com outras mulheres, MAS, o detalhe crucial da narrativa está justamente nesse aspecto: o meio social em que ele vive e como vive. Sei que pode ser exaustivo pra algumas pessoas o excesso de detalhes que o livro trás sobre coisas aparentemente banais, mas garanto que é tudo importante.
Apesar de sabermos que todas essas pessoas fazem parte de algum modo da vida do Patrick, nós não sabemos como elas são fisicamente, tampouco temos qualquer detalhe marcante sobre suas personalidades. Entretanto, sempre sabemos o que vestem, o que bebem, o que comem, quanto custou etc. Em suma: sabemos o que eles tem, mas não sabemos como são. O ponto é esse: pro nosso narrador, isso é tudo o que importa. Mesmo sobre ele próprio, temos muito pouco além do superficial. Ele descreve seu corpo bem definido, sua pele e cabelos bem cuidados, mas é só isso, é muito vago, porque não importa muito além disso. Ele renega e descarta a existência das pessoas a tal ponto que isso se estende à ele mesmo de forma pessoal. Patrick Bateman tem uma única preocupação: ter. Não importa se a questão é ter poder, ter dinheiro, ter coisas luxuosas (das quais ele obviamente não precisa); ele quer basicamente tudo, quanto mais, melhor e ainda assim parece nunca ser suficiente.
Os distúrbios comportamentais e os impulsos agressivos de Patrick se evidenciam nessas minucias. Ele se relaciona apenas com pessoas "à altura dele", tanto que nas inúmeras situações que temos de conversas entre ele e seus "amigos", nota-se que todos são igualmente fúteis e narcisistas, a tal ponto que os nomes deles, por exemplo, nem fazem tanta diferença (eventualmente eles chamam uns aos outros por outros nomes, Patrick se passa por vários de seus colegas e ninguém percebe, dá tudo na mesma), afinal, assassinos ou não, eles são basicamente todos iguais. Mas há um detalhe importante: se alguém se mostra além dele em qualquer aspecto, ele entra em um estado instantâneo de fúria e descontrole. O poder e a atenção devem ser sempre inteiramente dele, pois lembrando: ele é um narcisista.
Por conta disso, eu insisto que por mais "arrastada" que a escrita possa parecer, a genialidade do livro está justamente nela. Nada é à toa. Nem mesmo um capítulo em que esse grupo fica o tempo inteiro no telefone em uma conversa completamente inútil pra escolher um restaurante e que não dá em nada. A ideia é justamente essa: a total falta de propósito dessas pessoas em suas preocupações completamente pífias.
É nesse cenário que a insanidade completa do protagonista é construída. À medida que o livro avança, vemos com uma frequência crescente ele dizer absurdos do tipo "eu vou (insira um meio de tortura aqui) com você e depois te matar" e as conversas seguem normalmente, de modo que a dúvida sobre o que é ou não real começa a ser plantada na cabeça do leitor: será que ele disse isso realmente e essas pessoas todas estão tão entorpecidas nessa realidade absurda em que vivem que sequer perceberam ou será que ele só fantasiou dizer essas coisas? Será que ele disse, as pessoas entenderam, mas o absurdo é tão grande que elas não levaram à sério? E esses questionamentos crescem à medida que a loucura do protagonista também cresce e é nesse ponto que o livro toma um ritmo mais agressivo até culminar em cenas horrivelmente detalhadas de tortura e assassinato. Digo com tranquilidade que além de ser um dos mais insanos, esse é o livro mais explicitamente violento que eu já li até o momento. O nível de gore é muito alto. Justamente por isso o impacto que senti à respeito da mentalidade do Patrick foi também muito forte. Porque no fim das contas, ele basicamente narra que a rotina dele inclui: cuidados de beleza e exercícios pela manhã, um homicídio no fim da tarde e um jantar caro à noite. Assim mesmo, de maneira extremamente trivial, como se todas essas coisas fossem iguais e desimportantes no mesmo nível.
Pra finalizar, quero mencionar outra coisa que me chamou atenção, mas um pouco fora da parte brutal da história, que foi a relevância que a música tem nesse livro e o quanto ela faz parte da vida do protagonista (embora odeie shows, Patrick é um grande amante de música e sempre está ouvindo algo em casa - inclusive durante seus crimes - ou nos fones). Me lembrou bastante o Alex Delarge de Laranja Mecânica que é aficionado por música clássica e passa várias páginas falando de forma muito apaixonada sobre Mozart, Beethoven, Chopin etc, de modo que a música se associa não só à sua personalidade, mas também à violência que o rodeia. Em Psicopata Americano, Patrick Bateman fala bastante sobre música pop, rock e faz referências à artistas icônicos dos anos 80. O que achei mais interessante nesse ponto é que os capítulos à esse respeito nem parecem narrados por ele, cheguei a pensar neles como interlúdios feitos pelo autor só pra contextualizar pontos "aleatórios" sobre os gostos do personagem, porém, deixei essa suposição de lado ao reparar que a arrogância costumeira estava presente e que em um breve "deslize" ele menciona a grife de um vestido usado pela Whitney Houston na capa de um de seus álbuns; típico de Patrick Bateman. Mas fora isso, é interessante ler ele falar sobre um assunto quase como uma pessoa comum, somente dando opiniões sobre suas bandas preferidas, de forma linear, lúcida e sem alusão à palavras como “caro”, “Armani”, “cartão platinum” ou qualquer coisa parecida. Ele encara a música como algo muito sério e até de certa forma emocional; lembra muito o Alex Delarge mesmo.
Enfim. É uma leitura que incomoda porque é feita pra isso. Traz muitos questionamentos e é o tipo de coisa que não vai sair da cabeça por algum tempo. E mesmo tendo sido escrito há tantos anos, carrega uma mensagem extremamente atual. Insanamente incrível.
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Raphaela ð @noseosdogs 23/11/2020

Detestei!! Só tem a capa bonita ..
Um dos piores livros que já li. 428 páginas de vários nadas!
O cara descreve o tempo inteiro o que cada personagem veste, que até pensei que estava lendo um livro sobre Moda.
A primeira metade do livro poderia ser facilmente descartada.. não faria a menor falta.
E a segunda metade também não é lá essas coisas.
Só uma edição bonita.. o conteúdo não vale a pena.
Thais Toledo 23/11/2020minha estante
Não li mas te entendo pois me senti exatamente assim lendo O Homem de Giz, uma capa bonita mas por dentro um monte de nada.


Raphaela ð @noseosdogs 23/11/2020minha estante
Nossa! Que sensação de perda de tempo.. desmotivador! Eu não consigo abandonar nenhuma leitura.. sempre vou até o fim. Mas essa foi difícil de prosseguir, viu?!


warley torres 05/12/2020minha estante
Terminei o livro com muito custo justamente por causa desse excesso de descrições, até que chegou uma parte que literalmente eu pulava porque não dava, tem dos capítulos que é dedicados a falar sobre duas bandas, o que nao acrescentou em nada no livro. De resto, até que não é tão ruim. As cenas de assassinato são bem descritivos e me deixaram mal.


Raphaela ð @noseosdogs 05/12/2020minha estante
Exatamente, Warley! O segundo capítulo que ele fala sobre a banda, pulei todinho, pois já sabia que o primeiro onde ele citava outra banda, não tinha nada a ver.
Livro completamente massante!!




Thi 16/11/2020

Precisa ter muita paciência... o livro é extremamente detalhado nas descrições, que acaba fazendo sentido no que realmente importa para Patrick, no contexto... o livro começa a pegar um embalo mais interessante após quase 60% dele lido... resiliência, mas vale a pena.
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Drika.Neske 01/11/2020

Livro desconfortante, muito pesado e de revirar o estômago. Nenhum dos personagens dos livro são passiveis de se gostar, principalmente o personagem principal. Ambientado em diálogos e descrições extremamente vazias e fúteis (o que acaba deixando a leitura maçante). Uma coisa não se pode negar é uma leitura original.
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Ariadne 24/10/2020

Gente do céu, que leitura perturbadora! É tanto tédio e futilidade por metro quadrado, que as mortes são o ponto emocionante do livro. Depois de um tempo, você começa a ansiar por elas (?) já que o resto é uma leitura super lenta. Muito lenta.
warley torres 05/12/2020minha estante
A única coisa que me prendia no livro também eram as cenas de mortes, que por sinal eram de revirar o estômago




Leonardo 06/10/2020

um soco no estômago
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Psicopata Americano, lançado pela editora DarkSide Books. O livro é de autoria de Bret Easton Ellis


Aos 27 anos de idade, Patrick Bateman tem uma fortuna acumulada em um valor que poucos conseguem sequer imaginar ter. Acionista da bolsa de valores de Wall Street e pertencente a geração chamada "yuppie" (cuja sigla significa Young Urban Professional, ou então Jovem Profissional Urbano), Pat vive entre os maiores luxos que a cidade de Nova Iorque pode oferecer, visita os melhores restaurante, utiliza dos melhores cosméticos e vive na região mais badalada da cidade.

Todos os luxos que as marcas importadas e lugares requintados oferecem não parecem bastar para Pat, seu espírito extremamente competitivo e narcisista parece lhe repreender a todo instante, sempre procurando pela última novidade e pela sensação de frenesi, o homem então encontra uma paixão que pensou nunca encontraria, e ela está no desejo de matar. Não só matar, mas matar de forma extremamente violenta e gráfica. É nessa jornada de Bateman embarca: de dia um membro da Wall Street e de noite um assassino psicopata.



Pra começar, posso dizer que esse livro É UM SOCO NO ESTÔMAGO. Difícil dizer uma leitura que me impactou tanto igual a de Psicopata Americano. Narrado em primeira pessoa, o autor nos coloca dentro da cabeça conturbada de Patrick, e ali começamos e vivenciar um pouco de sua rotina e suas manias - e que manias.

Uma das primeiras coisas que observei ao iniciar a leitura é como Pat e seus amigos são fissurados pelo consumismo e pelo imediatismo. Vale lembrar que a narrativa se passa no final dos anos 80, onde o sonho americano ganhava cada vez mais força e os ideias de riqueza eram glorificados pela mídia e etc. Tais ideias parecem ter sido absorvidos pelos membros de Wall Street de maneira excessiva, visto que Pat e seus "amigos" conversam apenas sobre quais foram as últimas coisas que compraram, quanto gastaram e quanto irão gastar.

No entanto, a narrativa mais muito além disso a partir do momento em que os desejos sanguinários de Pat começam a aparecer: A partir daí a história ganha uma camada de violência gráfica assustadora e extremamente visceral. O fato da narrativa ser em primeira pessoa auxilia nesse processo macabro, onde Pat e seu machado trabalham em um ritmo incansável de psicopatia e crueldade. Provando ser um assassino extremante narcisista, misógino e racista; aos poucos o autor vai evidenciando sua crítica sobre o apetite voraz que o sonho americano pode trazer.



Não é pra menos que o próprio título já dá uma nacionalidade ao "psicopata", é possível entender o porquê do livro ter sido recusado por várias editoras durante seu período pré-publicação. Isso aliado a um modo de escrita tão cru deixou muita gente sem fôlego, por isso eu digo: esse livro não é pra todo mundo, entretanto, dê uma chance pra ele.

Ao evidenciar todos os fatores, Bret Easton te dá vários socos no estômago (não só um, como disse no começo da resenha), e torna Pat um personagem único! Por isso só te peço, leia!

Com relação ao filme, faz tempo que eu não assisto, mas pelo que me lembro a adaptação é extremamente fiel. Verei o filme e talvez farei um post comparativo, que tal? Enquanto isso, corram pra ler o livro também!

site: http://www.poraoliterario.com/2020/09/resenha-psicopata-americano.html
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clayci 03/10/2020

Conhecendo a mente de Patrick Baterman
Quando assisti Psicopata Americano pela primeira vez, foi em uma sala de aula. Eu estava cursando fotografia e tivemos um semestre de Cinema; por isso a professora achou interessante escolher este filme para análise técnica e inclui-lo em nosso trabalho conclusivo.

Precisei assistir ao Psicopata Americano (assim como psicose) várias vezes seguidas. Eu fiquei tão envolvida com o longa, que acabei me interessando pelos bastidores do filme. No entanto, por mais que eu tivesse interesse, nunca fui atrás da obra original. Então, assim que a Darkside Books divulgou este lançamento, com o novo selo Scene Fiction, senti que já era hora de voltar para a Wall Street de 1980.

Apesar de ter gostado da leitura, ela não fluiu por aqui. As descrições são arrastadas, pois existem muitos detalhes no dia de Patrick. E quando digo detalhes, não estou exagerando. O personagem descreve com maestria desde os equipamentos da academia até as suas relações sexuais. Mas é claro que esses detalhes são necessários, pois é dessa forma que vamos conhecendo o lado sádico dele.

Esses monólogos nos concede acesso aos esconderijos mais obscuros da mente de Bateman. É quando ele se desconecta da realidade, que enxergamos esse lado sombrio e vemos os seus atos monstruosos. Ele sabe que alguma coisa está errada, contudo precisa manter uma imagem de normalidade para disfarçar os seus crimes.

Patrick – assim como os seus amigos – são repulsivos. Apesar de ser atraente, manter a sua rotina de beleza e frequentar os lugares mais caros, a sua postura é detestável. Ele é machista, abusivo, cruel, racista, homofóbico e violento com as mulheres. Mesmo com todo o poder e atenção voltada para si, não sabe lidar com as suas emoções e vive se comparando com os outros. Sem falar que ele tem uma obsessão maluca por Donald Trump, Chega ser até assustador ver que mesmo depois de tantos anos esse homem ainda tem poder e destaque.

site: https://saidaminhalente.com/psicopata-americano/
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|Cinara| @cinarasrv 01/10/2020

Brutal!
"O mal é algo que está no ser? Ou é algo que está nas ações? Minha dor é constante e aguda, e não espero um mundo melhor para ninguém. Na verdade, desejo que minha dor seja infligida aos outros. Não quero que ninguém escape."

Esperei tanto por uma nova edição do Psicopata Americano quanto esperei pela edição de Cabo do Medo, mas ao contrário da decepção que foi Cabo do Medo, o Psicopata foi uma experiência única!
Nunca li algo tão brutal, violento, explícito e gráfico na minha vida!!!! O filme realmente é muito bem comportado!
Incrível! Muito bem escrito!
Alguns erros de digitação hein dona Darskide! "Mas eu tenho bebido quase vinte livros de água " não dá né!
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Mara Vanessa Torres 22/09/2020

Uma sociedade em estado de desintegração em "O psicopata americano", de Bret Easton Ellis

Garimpando na internet uma frase de efeito que seja mais forte do que a famigerada “People use masks” (Pessoas usam máscaras), achei duas sentenças ainda mais impactantes. A primeira delas é do escritor canadense André Berthiaume, que diz: “We all wear masks, and the time comes when we cannot remove them without removing some of our own skin” (Nós todos usamos máscaras, e chega o momento quando não podemos removê-las sem remover parte da nossa própria pele). A segunda máxima vem de Don Draper, personagem da série Mad Men, cuja interpretação ficou a cargo do ator Jon Hamm: “People tell you who they are, but we ignore it because we want them to be who we want them to be” (As pessoas contam quem elas são, mas nós o ignoramos porque nós queremos que elas sejam quem nós queremos que elas sejam).

E antes que você me pergunte como o tema “máscara social” pode estar relacionado com tudo isso, vou lembrando logo que as coordenadas foram dadas pelas nossas tataravós, com suas fábulas e lendas. Sabe aquela história de “não confiar nas aparências” lida na escolinha com o nome de “O gato, o galo e o ratinho”? Foi o primeiro passo para chegar até o sanguinolento “O Psicopata Americano” (original American Psycho – 2011), obra barra-pesada do norte-americano Bret Easton Ellis.

A narrativa e o fluxo de consciência se misturam para fazer emergir Patrick Bateman, yuppie, geração anos 80, jovem, bem sucedido financeiramente, mentalmente desumano e espiritualmente vazio. Patrick trabalha no “final do arco-íris” conhecido como Wall Street e incorpora a futilidade que tanto caracteriza os jovens profissionais urbanos, onde a aparência conta mais do que a própria individualidade, as festas são regadas à cocaína, mulheres são meros objetos sexuais acéfalos (fato que rendeu a Bret E. Ellis uma saraivada de críticas por parte de grupos feministas – e com fundamento, é preciso que se diga), dinheiro e poder são as únicas perspectivas de vida e ninguém, absolutamente ninguém, se reconhece. Todos esses fatos são uma grande rede de conexões com uma função estarrecedora: mostrar o processo de bestialização humana. Isso mesmo: Patrick Bateman, o jovem bem sucedido, bonito, herdeiro de fortunas e executivo no coração das finanças mundiais é, na verdade, uma farsa, uma máscara, um protótipo, um hospedeiro para um parasita maior e sem proporções, algo que está fora do que entendemos por humano e que se aproxima das bestas-feras.

Patrick mata, tortura, mutila, retalha, cozinha e devora. A sequência de imagens formadas à partir da narrativa são de embrulhar o estômago, pois, de excelente crítico musical amante de Phil Collins, Whitney Houston, Genesis, Talking Heads e Huey Lewis and The News, o comedor de tripas é um sádico de primeira categoria, onde torturar e aniquilar exercem atrativos infinitamente superiores ao de matar. Mas, ao contrário do que se pode pensar em um primeiro momento, o livro não está aí para falar de assassinatos em série, carnificinas ou açougues humanos. Indo de encontro ao que diz a resenha veiculada na bula gigante “1.001 livros para ler antes de morrer” -percepção totalmente insubstancial -, o Psicopata Americano não é “acima de tudo um livro feio”, com cenas de violência sem sentido e descrições enfadonhas de roupas e produtos de grife. É muito mais do que isso.

Bret Easton Ellis arremessa o facão na sociedade americana dos anos 80, que ele entendia como uma juventude vazia, consumista, materialista, pobre de ideais (qualquer conexão com a realidade atual é mera coincidência). As únicas coisas que importavam eram os lugares caros, as badalações alucinógenas seguidas de sexo desenfreado com completos desconhecidos e pessoas que não são pessoas: são máquinas de reproduzir notas e cotações na bolsa. As descrições exageradas em cada produto mostram o que era a vida de sujeitos como Patrick, que só enxergavam as roupas e bugigangas que se podia ostentar. Não interessava se era Paul, Tim, Richard, Marcus… O que importava era o que o sujeito estava usando, que mulher “boazuda, tesuda e tesaozinho” o acompanhava, o que ela estava usando e de que conta ele cuidava (qual era sua posição no mercado de trabalho). Tudo se banaliza, se aniquila, se usa, joga fora ou se destrói. “And as things fell apart/Nobody paid much attention” (Enquanto as coisas se desintegravam, ninguém prestava muita atenção), é o que diz o Talking Heads (banda preferida de Patrick) na música “(Nothing But) Flowers”. E assim eram os yuppies dos anos 1980, viciados em si mesmos.

As mortes e violências cometidas por Patrick Bateman não escolhem vítimas: de mulheres com que ele se relaciona a crianças em visita ao zoológico, mendigos, trabalhadores e até mesmo colegas de profissão, como foi com Paul Owen, o cara que cuidava da conta Fisher (uma contaça, pelo visto). A inveja é o tipo de sentimento motivador nutrido por Patrick, cegando-o e enchendo-o de fúria, de ânsia assassina. A clássica cena dos cartões de visitas, com cada qual expondo o seu, esnobando-se mutuamente e competindo em detalhes ínfimos, como a escolha da cor do papel, da fonte, do material, são indicativos de como essa “yuppada” toda estava mal, muito mal.

Em matéria de relacionamentos, tudo não passa de sexo. Bateman mantém algo como “aparência” com uma dondoca chamada Evelyn, que o trai com seu “amigo de aparências” Tim Price; Patrick também é amante da viciada em lítio Courtney, que por sua vez é noiva de Luis Carruthers, que por conta de um mal entendido acaba se envolvendo em outro mal entendido ainda maior com o psicopata de Wall Street. Bateman também é viciado em filmes pornôs, cenas de sexo selvagem e massacre de prostitutas, que contrata para satisfazer suas necessidades animalescas para, logo depois, torturar e matar.

O livro é cercado por momentos insanos, onde o fluxo de consciência de Patrick dá intensidade marcante, caracterizada por mostrar o que está por trás da máscara, o que se faz “pelas sombras”. Nas cenas que se encaminham para o final, quando Patrick já está tão alucinado que nada faz efeito – o sujeito se entope de remédios do tipo Valium e Xanax -, seu nível de crueldade atinge patamares alucinantes: ele começa a não conseguir conter seu instinto assassino, outrora noturno, e passa a cometer toda espécie de atrocidades à luz do dia.

A crítica que o autor Bret E. Ellis faz é tão contundente que pode ser notada através das falas do psicopata-narrador que, muitas vezes, comenta com pessoas diferentes e em ocasiões diversas que ele é um assassino, homicida sem controle. Mas, como diz a música do Talking Heads: “ninguém prestava muita atenção”. Assassinatos são cometidos sem sentimento de culpa, a continuação dos crimes é inspirada pela impunidade, as pessoas são ocas, apartamentos guardam corpos em estado de decomposição que são “desovados” para purificar o local e passar para o próximo comprador, flores e purificadores de ar escondem o odor de morte, falta de reconhecimento faz o Miguel se passar por João, como já foi dito… Todos esses fatores formam a teia de podridão e superficialidade que o norte-americano Bret Easton Ellis tentou, ao seu modo, criticar e chamar a atenção.

A obra enfrentou severos rechaçamentos, editoras cancelaram e renegaram sua edição, grupos protestaram e escritores precisaram sair em defesa da liberdade de expressão para que o livro fosse publicado, o que aconteceu em 1991. No ano de 2000, a história foi levada ao cinema com o ator Christian Bale no papel de Patrick Bateman. Não deixa de ser uma versão interessante, mas muito – MUITO – longe da loucura que é o livro. Foram feitas adaptações, com a permissão da licença poética e que não chega a alterar os fatos, mas deixa muito a desejar. Bale personifica o psicopata muito bem, sem maiores ressalvas, mas a película não representa a real tensão que você só encontra nas linhas do original. Seria interessante se o longa-metragem descortinasse a crueldade como um pano de fundo para a real insanidade dos que beberam no vazio yuppista da década de 1980. O Psicopata Americano é, além de um thriller ou slasher, um filme sobre desintegração, vazio, crenças perdidas, sangue derramado e existência banalizada.

site: https://biblioo.info/uma-sociedade-em-estado-de-desintegracao-em-o-psicopata-americano-de-bret-easton-ellis/
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