Psicopata Americano

Psicopata Americano Bret Easton Ellis




Resenhas - O Psicopata Americano


44 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3


Raphaela ð @noseosdogs 23/11/2020

Detestei!! Só tem a capa bonita ..
Um dos piores livros que já li. 428 páginas de vários nadas!
O cara descreve o tempo inteiro o que cada personagem veste, que até pensei que estava lendo um livro sobre Moda.
A primeira metade do livro poderia ser facilmente descartada.. não faria a menor falta.
E a segunda metade também não é lá essas coisas.
Só uma edição bonita.. o conteúdo não vale a pena.
Thais Toledo 23/11/2020minha estante
Não li mas te entendo pois me senti exatamente assim lendo O Homem de Giz, uma capa bonita mas por dentro um monte de nada.


Raphaela ð @noseosdogs 23/11/2020minha estante
Nossa! Que sensação de perda de tempo.. desmotivador! Eu não consigo abandonar nenhuma leitura.. sempre vou até o fim. Mas essa foi difícil de prosseguir, viu?!




Thi 16/11/2020

Precisa ter muita paciência... o livro é extremamente detalhado nas descrições, que acaba fazendo sentido no que realmente importa para Patrick, no contexto... o livro começa a pegar um embalo mais interessante após quase 60% dele lido... resiliência, mas vale a pena.
comentários(0)comente



Drika.Neske 01/11/2020

Livro desconfortante, muito pesado e de revirar o estômago. Nenhum dos personagens dos livro são passiveis de se gostar, principalmente o personagem principal. Ambientado em diálogos e descrições extremamente vazias e fúteis (o que acaba deixando a leitura maçante). Uma coisa não se pode negar é uma leitura original.
comentários(0)comente



spoiler visualizar
comentários(0)comente



spoiler visualizar
comentários(0)comente



Ariadne 24/10/2020

Gente do céu, que leitura perturbadora! É tanto tédio e futilidade por metrô quadrado, que as mortes são o ponto emocionante do livro. Depois de um tempo, você começa a ansiar por elas (?) já que o resto é uma leitura super lenta. Muito lenta.
comentários(0)comente



Leonardo 06/10/2020

um soco no estômago
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Psicopata Americano, lançado pela editora DarkSide Books. O livro é de autoria de Bret Easton Ellis


Aos 27 anos de idade, Patrick Bateman tem uma fortuna acumulada em um valor que poucos conseguem sequer imaginar ter. Acionista da bolsa de valores de Wall Street e pertencente a geração chamada "yuppie" (cuja sigla significa Young Urban Professional, ou então Jovem Profissional Urbano), Pat vive entre os maiores luxos que a cidade de Nova Iorque pode oferecer, visita os melhores restaurante, utiliza dos melhores cosméticos e vive na região mais badalada da cidade.

Todos os luxos que as marcas importadas e lugares requintados oferecem não parecem bastar para Pat, seu espírito extremamente competitivo e narcisista parece lhe repreender a todo instante, sempre procurando pela última novidade e pela sensação de frenesi, o homem então encontra uma paixão que pensou nunca encontraria, e ela está no desejo de matar. Não só matar, mas matar de forma extremamente violenta e gráfica. É nessa jornada de Bateman embarca: de dia um membro da Wall Street e de noite um assassino psicopata.



Pra começar, posso dizer que esse livro É UM SOCO NO ESTÔMAGO. Difícil dizer uma leitura que me impactou tanto igual a de Psicopata Americano. Narrado em primeira pessoa, o autor nos coloca dentro da cabeça conturbada de Patrick, e ali começamos e vivenciar um pouco de sua rotina e suas manias - e que manias.

Uma das primeiras coisas que observei ao iniciar a leitura é como Pat e seus amigos são fissurados pelo consumismo e pelo imediatismo. Vale lembrar que a narrativa se passa no final dos anos 80, onde o sonho americano ganhava cada vez mais força e os ideias de riqueza eram glorificados pela mídia e etc. Tais ideias parecem ter sido absorvidos pelos membros de Wall Street de maneira excessiva, visto que Pat e seus "amigos" conversam apenas sobre quais foram as últimas coisas que compraram, quanto gastaram e quanto irão gastar.

No entanto, a narrativa mais muito além disso a partir do momento em que os desejos sanguinários de Pat começam a aparecer: A partir daí a história ganha uma camada de violência gráfica assustadora e extremamente visceral. O fato da narrativa ser em primeira pessoa auxilia nesse processo macabro, onde Pat e seu machado trabalham em um ritmo incansável de psicopatia e crueldade. Provando ser um assassino extremante narcisista, misógino e racista; aos poucos o autor vai evidenciando sua crítica sobre o apetite voraz que o sonho americano pode trazer.



Não é pra menos que o próprio título já dá uma nacionalidade ao "psicopata", é possível entender o porquê do livro ter sido recusado por várias editoras durante seu período pré-publicação. Isso aliado a um modo de escrita tão cru deixou muita gente sem fôlego, por isso eu digo: esse livro não é pra todo mundo, entretanto, dê uma chance pra ele.

Ao evidenciar todos os fatores, Bret Easton te dá vários socos no estômago (não só um, como disse no começo da resenha), e torna Pat um personagem único! Por isso só te peço, leia!

Com relação ao filme, faz tempo que eu não assisto, mas pelo que me lembro a adaptação é extremamente fiel. Verei o filme e talvez farei um post comparativo, que tal? Enquanto isso, corram pra ler o livro também!

site: http://www.poraoliterario.com/2020/09/resenha-psicopata-americano.html
comentários(0)comente



clayci 03/10/2020

Conhecendo a mente de Patrick Baterman
Quando assisti Psicopata Americano pela primeira vez, foi em uma sala de aula. Eu estava cursando fotografia e tivemos um semestre de Cinema; por isso a professora achou interessante escolher este filme para análise técnica e inclui-lo em nosso trabalho conclusivo.

Precisei assistir ao Psicopata Americano (assim como psicose) várias vezes seguidas. Eu fiquei tão envolvida com o longa, que acabei me interessando pelos bastidores do filme. No entanto, por mais que eu tivesse interesse, nunca fui atrás da obra original. Então, assim que a Darkside Books divulgou este lançamento, com o novo selo Scene Fiction, senti que já era hora de voltar para a Wall Street de 1980.

Apesar de ter gostado da leitura, ela não fluiu por aqui. As descrições são arrastadas, pois existem muitos detalhes no dia de Patrick. E quando digo detalhes, não estou exagerando. O personagem descreve com maestria desde os equipamentos da academia até as suas relações sexuais. Mas é claro que esses detalhes são necessários, pois é dessa forma que vamos conhecendo o lado sádico dele.

Esses monólogos nos concede acesso aos esconderijos mais obscuros da mente de Bateman. É quando ele se desconecta da realidade, que enxergamos esse lado sombrio e vemos os seus atos monstruosos. Ele sabe que alguma coisa está errada, contudo precisa manter uma imagem de normalidade para disfarçar os seus crimes.

Patrick – assim como os seus amigos – são repulsivos. Apesar de ser atraente, manter a sua rotina de beleza e frequentar os lugares mais caros, a sua postura é detestável. Ele é machista, abusivo, cruel, racista, homofóbico e violento com as mulheres. Mesmo com todo o poder e atenção voltada para si, não sabe lidar com as suas emoções e vive se comparando com os outros. Sem falar que ele tem uma obsessão maluca por Donald Trump, Chega ser até assustador ver que mesmo depois de tantos anos esse homem ainda tem poder e destaque.

site: https://saidaminhalente.com/psicopata-americano/
comentários(0)comente



|Cinara|@cinarasrv 01/10/2020

Brutal!
"O mal é algo que está no ser? Ou é algo que está nas ações? Minha dor é constante e aguda, e não espero um mundo melhor para ninguém. Na verdade, desejo que minha dor seja infligida aos outros. Não quero que ninguém escape."

Esperei tanto por uma nova edição do Psicopata Americano quanto esperei pela edição de Cabo do Medo, mas ao contrário da decepção que foi Cabo do Medo, o Psicopata foi uma experiência única!
Nunca li algo tão brutal, violento, explícito e gráfico na minha vida!!!! O filme realmente é muito bem comportado!
Incrível! Muito bem escrito!
Alguns erros de digitação hein dona Darskide! "Mas eu tenho bebido quase vinte livros de água " não dá né!
comentários(0)comente



Mara Vanessa Torres 22/09/2020

Uma sociedade em estado de desintegração em "O psicopata americano", de Bret Easton Ellis

Garimpando na internet uma frase de efeito que seja mais forte do que a famigerada “People use masks” (Pessoas usam máscaras), achei duas sentenças ainda mais impactantes. A primeira delas é do escritor canadense André Berthiaume, que diz: “We all wear masks, and the time comes when we cannot remove them without removing some of our own skin” (Nós todos usamos máscaras, e chega o momento quando não podemos removê-las sem remover parte da nossa própria pele). A segunda máxima vem de Don Draper, personagem da série Mad Men, cuja interpretação ficou a cargo do ator Jon Hamm: “People tell you who they are, but we ignore it because we want them to be who we want them to be” (As pessoas contam quem elas são, mas nós o ignoramos porque nós queremos que elas sejam quem nós queremos que elas sejam).

E antes que você me pergunte como o tema “máscara social” pode estar relacionado com tudo isso, vou lembrando logo que as coordenadas foram dadas pelas nossas tataravós, com suas fábulas e lendas. Sabe aquela história de “não confiar nas aparências” lida na escolinha com o nome de “O gato, o galo e o ratinho”? Foi o primeiro passo para chegar até o sanguinolento “O Psicopata Americano” (original American Psycho – 2011), obra barra-pesada do norte-americano Bret Easton Ellis.

A narrativa e o fluxo de consciência se misturam para fazer emergir Patrick Bateman, yuppie, geração anos 80, jovem, bem sucedido financeiramente, mentalmente desumano e espiritualmente vazio. Patrick trabalha no “final do arco-íris” conhecido como Wall Street e incorpora a futilidade que tanto caracteriza os jovens profissionais urbanos, onde a aparência conta mais do que a própria individualidade, as festas são regadas à cocaína, mulheres são meros objetos sexuais acéfalos (fato que rendeu a Bret E. Ellis uma saraivada de críticas por parte de grupos feministas – e com fundamento, é preciso que se diga), dinheiro e poder são as únicas perspectivas de vida e ninguém, absolutamente ninguém, se reconhece. Todos esses fatos são uma grande rede de conexões com uma função estarrecedora: mostrar o processo de bestialização humana. Isso mesmo: Patrick Bateman, o jovem bem sucedido, bonito, herdeiro de fortunas e executivo no coração das finanças mundiais é, na verdade, uma farsa, uma máscara, um protótipo, um hospedeiro para um parasita maior e sem proporções, algo que está fora do que entendemos por humano e que se aproxima das bestas-feras.

Patrick mata, tortura, mutila, retalha, cozinha e devora. A sequência de imagens formadas à partir da narrativa são de embrulhar o estômago, pois, de excelente crítico musical amante de Phil Collins, Whitney Houston, Genesis, Talking Heads e Huey Lewis and The News, o comedor de tripas é um sádico de primeira categoria, onde torturar e aniquilar exercem atrativos infinitamente superiores ao de matar. Mas, ao contrário do que se pode pensar em um primeiro momento, o livro não está aí para falar de assassinatos em série, carnificinas ou açougues humanos. Indo de encontro ao que diz a resenha veiculada na bula gigante “1.001 livros para ler antes de morrer” -percepção totalmente insubstancial -, o Psicopata Americano não é “acima de tudo um livro feio”, com cenas de violência sem sentido e descrições enfadonhas de roupas e produtos de grife. É muito mais do que isso.

Bret Easton Ellis arremessa o facão na sociedade americana dos anos 80, que ele entendia como uma juventude vazia, consumista, materialista, pobre de ideais (qualquer conexão com a realidade atual é mera coincidência). As únicas coisas que importavam eram os lugares caros, as badalações alucinógenas seguidas de sexo desenfreado com completos desconhecidos e pessoas que não são pessoas: são máquinas de reproduzir notas e cotações na bolsa. As descrições exageradas em cada produto mostram o que era a vida de sujeitos como Patrick, que só enxergavam as roupas e bugigangas que se podia ostentar. Não interessava se era Paul, Tim, Richard, Marcus… O que importava era o que o sujeito estava usando, que mulher “boazuda, tesuda e tesaozinho” o acompanhava, o que ela estava usando e de que conta ele cuidava (qual era sua posição no mercado de trabalho). Tudo se banaliza, se aniquila, se usa, joga fora ou se destrói. “And as things fell apart/Nobody paid much attention” (Enquanto as coisas se desintegravam, ninguém prestava muita atenção), é o que diz o Talking Heads (banda preferida de Patrick) na música “(Nothing But) Flowers”. E assim eram os yuppies dos anos 1980, viciados em si mesmos.

As mortes e violências cometidas por Patrick Bateman não escolhem vítimas: de mulheres com que ele se relaciona a crianças em visita ao zoológico, mendigos, trabalhadores e até mesmo colegas de profissão, como foi com Paul Owen, o cara que cuidava da conta Fisher (uma contaça, pelo visto). A inveja é o tipo de sentimento motivador nutrido por Patrick, cegando-o e enchendo-o de fúria, de ânsia assassina. A clássica cena dos cartões de visitas, com cada qual expondo o seu, esnobando-se mutuamente e competindo em detalhes ínfimos, como a escolha da cor do papel, da fonte, do material, são indicativos de como essa “yuppada” toda estava mal, muito mal.

Em matéria de relacionamentos, tudo não passa de sexo. Bateman mantém algo como “aparência” com uma dondoca chamada Evelyn, que o trai com seu “amigo de aparências” Tim Price; Patrick também é amante da viciada em lítio Courtney, que por sua vez é noiva de Luis Carruthers, que por conta de um mal entendido acaba se envolvendo em outro mal entendido ainda maior com o psicopata de Wall Street. Bateman também é viciado em filmes pornôs, cenas de sexo selvagem e massacre de prostitutas, que contrata para satisfazer suas necessidades animalescas para, logo depois, torturar e matar.

O livro é cercado por momentos insanos, onde o fluxo de consciência de Patrick dá intensidade marcante, caracterizada por mostrar o que está por trás da máscara, o que se faz “pelas sombras”. Nas cenas que se encaminham para o final, quando Patrick já está tão alucinado que nada faz efeito – o sujeito se entope de remédios do tipo Valium e Xanax -, seu nível de crueldade atinge patamares alucinantes: ele começa a não conseguir conter seu instinto assassino, outrora noturno, e passa a cometer toda espécie de atrocidades à luz do dia.

A crítica que o autor Bret E. Ellis faz é tão contundente que pode ser notada através das falas do psicopata-narrador que, muitas vezes, comenta com pessoas diferentes e em ocasiões diversas que ele é um assassino, homicida sem controle. Mas, como diz a música do Talking Heads: “ninguém prestava muita atenção”. Assassinatos são cometidos sem sentimento de culpa, a continuação dos crimes é inspirada pela impunidade, as pessoas são ocas, apartamentos guardam corpos em estado de decomposição que são “desovados” para purificar o local e passar para o próximo comprador, flores e purificadores de ar escondem o odor de morte, falta de reconhecimento faz o Miguel se passar por João, como já foi dito… Todos esses fatores formam a teia de podridão e superficialidade que o norte-americano Bret Easton Ellis tentou, ao seu modo, criticar e chamar a atenção.

A obra enfrentou severos rechaçamentos, editoras cancelaram e renegaram sua edição, grupos protestaram e escritores precisaram sair em defesa da liberdade de expressão para que o livro fosse publicado, o que aconteceu em 1991. No ano de 2000, a história foi levada ao cinema com o ator Christian Bale no papel de Patrick Bateman. Não deixa de ser uma versão interessante, mas muito – MUITO – longe da loucura que é o livro. Foram feitas adaptações, com a permissão da licença poética e que não chega a alterar os fatos, mas deixa muito a desejar. Bale personifica o psicopata muito bem, sem maiores ressalvas, mas a película não representa a real tensão que você só encontra nas linhas do original. Seria interessante se o longa-metragem descortinasse a crueldade como um pano de fundo para a real insanidade dos que beberam no vazio yuppista da década de 1980. O Psicopata Americano é, além de um thriller ou slasher, um filme sobre desintegração, vazio, crenças perdidas, sangue derramado e existência banalizada.

site: https://biblioo.info/uma-sociedade-em-estado-de-desintegracao-em-o-psicopata-americano-de-bret-easton-ellis/
comentários(0)comente



Simone de Cássia 18/09/2020

Gendedeus, que trem cansativo... Minha amiga disse pra eu insistir porque a história é boa... mas tá me parecendo aquele lance: "no funfo no fundo a pessoa é legal"... no fundo tipo pré-sal, né?? Acho que não vai dar, desculpa, amiga...
Riva 18/09/2020minha estante
Que pena que não gostou. Eu amei. Mas, gosto é gosto!




Lucas Almeida 17/09/2020

Crítica visceral e atual.
Psicopata Americano é um livro que requer um pouco de paciência e, sobretudo, que o leitor compreenda a proposta de Bret Easton Ellis. Há uma razão para a existência de trechos demasiadamente descritivos a respeito de roupas, cosméticos e afins. Assim como há uma razão para a lentidão com que o enredo se desenrola. Uma boa dica é não pular o prefácio de autoria de André Barcinski, presente no relançamento da DarkSide Books.

O autor nos apresenta ao grande processo de desumanização de Patrick Bateman, um yuppie serial killer dado ao materialismo, aos excessos pautados em superficialidade. A obra realiza uma profunda crítica ao consumismo e aos rumos da sociedade americana. O ídolo de Bateman é ninguém menos que o odioso Donald Trump. Atual, não? Contudo, possuo algumas ressalvas. Se você tem estômago fraco, não encare a obra. É repleta de gatilhos e uma violência desmedida, crua, altamente descritiva e real. Demorei mais que o usual para finalizar meras 428 páginas pelo fato de que, em diversos momentos, o soco no estômago e a repulsa eram demasiadamente grandes e me impediam de prosseguir com a leitura. Esteja ciente de que estará lendo um livro sobre um psicopata, escrito por um autor que desejou chocar e até estudou manuais forenses do FBI para trazer uma perversidade desnuda nas descrições. Não espere algum senso de empatia, moral ou a violência comum que vemos em outros livros e em filmes.

Afinal, Bateman está, gradativamente, sendo despersonalizado e dominado por seus instintos desequilibrados.
comentários(0)comente



Queria Estar Lendo 08/09/2020

Resenha: Psicopata Americano
Resenhar Psicopata Americano vai ser difícil porque eis um livro perturbador como nenhum outro que li na vida. A controversa obra de Bret Easton Ellis, lançada aqui pela Editora Darkside - que cedeu este exemplar em cortesia - retrata uma mente perversa em todas as suas nuances, e por isso te prende do começo ao fim.

A história é contada pelo ponto de vista de Pat, o psicopata funcional e perturbador que vive na elite de Nova York no fim dos anos 80. Em meio ao luxo e à riqueza, a mente de Pat se desconecta da realidade para que ele realize seus crimes monstruosos a dezenas de vítimas, usando sempre a sombra de bom moço e do desconhecido para que nenhuma suspeita caia sobre ele.

Ler Psicopata Americano foi uma grande experiência de horror e desespero e raiva e medo. A escrita do autor é perturbada e te coloca justamente no lugar mais desconfortável da história - a mente do serial killer.

O protagonista, Patrick, é sádico. Insano. Violento a níveis extremos e asquerosos. É o tipo de livro cuja classificação indicativa ultrapassa os dezoito anos porque requer muita maturidade e consciência para encarar essas cenas gore; apesar de em partes eu ter achado muita coisa gratuita, entendo que é a mente de um cara que vive pelos surtos violentos. Não dá para esperar menos da narração de alguém assim.

O autor divide Pat entre esses episódios de descontrole total, onde ele se torna quase animalesco em sua sede de sangue e tortura, e os momentos apáticos para tirar ainda mais a humanidade dele. O prefácio inclusive cita isso como um motivo pelo qual o livro é tão focado em descrever coisas, a primeira vista, fúteis e inúteis.

São páginas e mais páginas de bens materiais luxuosos que não acrescentam, realmente, nada à narrativa, mas à desconstrução de qualquer traço humano do personagem que é Pat. Ele é uma máquina de informações consumistas e um surto de brutalidade e violência. Patrick é tudo que existe de pior em uma pessoa e além. Traços que já são horrendos por si só (sadismo, racismo, sexismo, homofobia, etc), no personagem, ultrapassam o absurdo.

Causa repulsa. Ódio. Dá vontade de jogar o livro longe e gritar. Por causar tudo isso, como a história que ela é, funciona.

Não é um livro que traz bons sentimentos em você, mas ele nunca existiu para isso. Assim como um livro de terror existe para aterrorizar, esse existe para perturbar. Pode não ser convidativo como história, mas é uma história a se discutir, principalmente porque a gente sabe que existem homens como o Patrick por aí.

Que têm muito poder ao seu alcance e usam e abusam dele - exageradamente, algumas vezes, ou moderadamente, mas de maneira inadequada da mesma maneira.

O final abre margem para maiores discussões a respeito da psiquê do personagem e de quão longe sua mente insana ainda poderia levá-lo - ou o havia levado. Quando terminei, estava só o John Travolta naquele gif icônico.

Não dá pra falar muito mais sobre o livro porque sinto que saber muito sobre o desenrolar da história entrega onde ela quer chegar - e onde talvez chegue ou talvez não chegue. É confuso? Sim. Tem muitas análises sobre o livro e o filme? Sim também, e eu vou assistir todas.

A edição da Darkside é uma das coisas mais lindas e combina o visual patriótico estadunidense com a bizarrice insana que é a narração do Patrick. Capa, diagramação, tudo impecável - a tradução do Paulo Raviere está muito boa e a revisão também não deixou nada a desejar.

Psicopata Americano é uma montanha-russa difícil e perturbadora que não é para qualquer um. Se tem estômago fraco ou se impressiona fácil com nuances e situações escancaradas de crueldade, não é uma leitura para você. Mas, se tem curiosidade de conhecer mais sobre a história que inspirou o filme e também sobre a mente de um dos maiores psicopatas que a literatura já viu, esse lançamento é uma oportunidade para isso.

site: http://www.queriaestarlendo.com.br/2020/09/resenha-psicopata-americano.html
comentários(0)comente



Riva 23/08/2020

Tapa na cara da sociedade como um todo!
Simplesmente abismada com esse livro.
Já li muito livros sobre psicopatas bem como já li inúmeros livros baseados em casos reais.
Contudo, este livro, embora ficção (ficção que poderia perfeitamente ser uma triste realidade!), é narrado em 1ª pessoa, então, conseguimos ver o mundo pelos olhos do psicopata.
Outra coisa que eu achei interessantíssima foi a maneira do autor descrever os personagens e lugares. É muito peculiar e isso só faz reforçar como o psicopata vê tudo o que está ao seu redor.
O livro foi lançado em 1991 e causou muita repercussão e a história se passa nos anos de 1980.
Porém, a história é atemporal, pois além de mostrar a vida do psicopata, é também um tapa na cara da sociedade em geral.
Uma coisinha e outra poderia ter sido mais explorada, mas nem isso consegue apagar o brilhantismo do livro com um
comentários(0)comente



Jacque Spotto 01/07/2020

Brutal
Bem, esse não é apenas um livro sobre um psicopata, mas um relato da banalidade, superficialidade e futilidade da vida de boa parte da sociedade. No livro a história se passa ali pelos anos 90 e conta a rotina maçante e fútil, de Patrick Bateman, um yuppie bonito, rico, que gosta de frequentar bons restaurantes, estar acompanhado de belas mulheres, fazer análises detalhadas de álbuns musicais e assistir filmes de gostos duvidosos, além disso tudo... brutalizar mulheres, animais e mendigos, ou qualquer outra pessoa que cruze seu caminho em um momento que ele esteja com sede de sangue.

O livro é interessante pois é contado a partir da perspectiva de Patrick, que por ser um psicopata não se importa com sentimentos e emoções de ninguém, no mesmo momento que ele está descrevendo sua rotina de ir a academia, devolver as fitas de vídeo, há o relato “estuprei e assassinei uma estudante…”, sim, como um ato normal de sua rotina que chega a ter o mesmo nível de levar uma roupa na lavanderia.

Patrick é fascinado por seu corpo, por sua aparência e por seus bens, gosta de mostrar a todos isso, um verdadeiro narcisista. Também tem total desprezo por mendigos e negros. Uma das únicas pessoas que ele tem uma grande admiração é por Donald Trump!

O livro é composto por 477 páginas que na minha opinião poderia ser contada toda a história em bem menos. Há descrições de cenas parecidas com outras, e olha, são cenas que para quem é sensível são difíceis de ler! Pois todas as mortes cometidas por ele são muito bem detalhadas, que caso você tenha sensibilidade pode até não conseguir ler, confesso que faltando 18% do livro para terminar empaquei e tive que parar por uns 2 dias para poder continuar, pois as cenas de brutalidade, principalmente com as mulheres são muito fortes.

Vejo que todas as descrições feitas por Patrick no decorrer do livro de seus produtos de beleza, roupas, discos, entre outras parafernálias que ele compra pra seu apartamento descreve muito bem a cabeça psicopata do personagem, pois para que um assassino assim liga? Simplesmente a superfície, dele e dos outros, somente a “casca”, nada mais, ele não tem sentimentos assim não liga para os sentimentos das pessoas, somente o superficial, e é essa aparência das coisas e pessoas que conta.


site: https://www.instagram.com/a_lusotopia/
comentários(0)comente



44 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3