Fios de Prata

Fios de Prata Raphael Draccon




Resenhas - Fios de Prata


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Leonardo Barros 12/10/2012

DE TIRAR O SONO.
Fios de Prata é daqueles livros que mexem com sua cabeça. Se for ler antes de dormir, então, nem se fala...

Ao criar uma relação estreita entre os personagens das duas tramas (no mundo real e no mundo dos sonhos), Raphael Draccon engendra uma narrativa cheia de referências que tornam a fantasia mais crível (em meu ver, nem precisaria ir tão longe).

Percebe-se um desprendimento do autor em relação aos padrões, ao texto meramente narrativo. Como um maestro, Draccon acelera e desacelera o ritmo da leitura por meio de recursos quase... Sinestésicos.

O final surpreende.

Indico.
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CooltureNews 06/10/2012

Publicada no www.CooltureNews.com.br
Todas palavras que irei dizer sobre o livro Fios de Prata (Leya) nesta resenha poderiam ser resumidas em 2, SIMPLESMENTE GENIAL. Ok, então vocês podem achar que não vale a pena ler a resenha, puro engano, afinal tentar resumir uma obra que considero uma das melhores que tive o privilégio de ler é heresia. Por mais que não deveria me surpreender pela escrita de Draccon, afinal foi um autor que me ganhou logo no primeiro volume de Dragões de Eter, eu realmente fui surpreendido por uma história e narrativa densa que me prendeu do ínicio ao fim e quando o inevitável aconteceu me senti órfão de suas palavras.

Apesar de suas qualidades, o livro não possuí uma escrita fácil como muitos leitores atuais estão acostumados. A história viaja através do tempo e do espaço, nos mostrando diversos personagens e fatos intrinsicamente ligados, por mais estranhos que possam parecer. Devido ao vicio dessas leituras fáceis, levei um certo tempo para me adequar ao ritmo da história, mas no momento que isso aconteceu a leitura conseguiu ficar muito mais prazerosa e não conseguia mais me desgrudar de suas páginas, na verdade foi díficil manter a concentração em outras atividades durante os intervalos da leitura.

Não sou um conhecedor de mitologia mas sou um devorador de livros que retratam cenários e histórias relacionadas e tenho que confessar que não conhecia nada sobre os Deuses do sonhar e o mais interessante era que enquanto estava lendo o livro ficava com o notebook/celular ao lado para pesquisar informações relacionadas, quem diria que entraria de cabeça nesse universo que até pouco tempo era desconhecido.

Os personagens são cativantes, e o contexto em que se situam é extremamente real, é impossível você não visualizar os cenários e a trama, se emocionando e sofrendo junto de Mikael e Ariana, suas batalhas na vida podem ser a de qualquer pessoa. Não são personagens que crescem ao longo da história, simplesmente já nasceram gigantes.

A trama que se passa em outra dimensão também é envolvente e apesar de retratar uma guerra os argumentos das partes são válidos apesar de alguns se utilizarem de meios condenáveis, e somente por esse mero detalhe é que conseguimos tomar partido de um dos lados. A história é lindamente narrada sem deixar nenhuma ponta solta, todos os mistérios e segredos são revelados aos leitores no momento certo e de forma natural, dosando na medida certa emoção e ação.

Um dos melhores (se não O) que tive o prazer de ler neste ano e é motivo de orgulho ver uma obra tão completa nascer em terras brasileiras. Leitura indispensável e obrigatória!
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Samara MaiMa 01/10/2012

DESIGN

Uma das capas mais bonitas do ano que aproveita ao máximo a proximidade que a fantasia tem da ilustração. Aliás, já conhece o portfolio do Kentaro Kanamoto, o ilustrador deste livro e de Ruas Estranhas?

De verdade acredito que se fosse uma capa fotográfica perderia imensamente a força que Fios de Prata tem. Eu esperava um relevo seco no título do livro, mas o verniz localizado fez um bom trabalho de "textura". Achei bonita a diagramação da quarta-capa que quebra o sentido de leitura que normalmente temos nesta área. Só achei que a textura de madeira da imagem de fundo ficou um pouco escura demais. O Rico Bacellar, designer responsável, disse que as cores estavam muito carregadas na capa inteira. A intenção original era que fosse tudo um pouco mais claro. Para a próxima reimpressão esperem algumas surpresas na capa.

O miolo é muito bonito! A escolha da Berkeley, que é uma fonte quase "sans serif", mas que mantém uma serifa sutil, dá uma harmonia, agilidade e faz com que a massa de texto seja muito mais agradável de olhar. Como ela é um pouco "fina" no corpo, ela não cria uma mancha pesada e preta na página. O livro é dividido em três partes com trechos da música Imagine, do John Lennon, e em capítulos numerados que, mais para o terço final do livro, ganham subdivisões por personagens.

Uma marca forte do estilo de Draccon é o parágrafo/frase solto, com uma separação intencional, ao final do capítulo. Sempre tenho a sensação de ênfase quando leio estas frases. Fora um ou outro probleminha/errinho na revisão não percebi nada de ruim no projeto gráfico. Só tenho uma pergunta: quem edita o livro do editor? ^_^

HISTÓRIA

Desde que terminei a trilogia Dragões de Éter (que tem resenha do primeiro livro aqui) fiquei meio orfã do estilo de fantasia criado por Raphael Draccon. Ainda não tive a oportunidade de ler Espíritos de Gelo, ainda mais por ser um livro de "terror". Então, quando anunciaram Fios de Prata fiquei extremamente ansiosa, tanto pelo novo livro quanto pela possibilidade de conhecer uma história completamente nova do autor.

Será que Raphael Draccon conseguiria me conquistar novamente como fez com Dragões de Éter?

Misturando várias mitologias, personagens carismáticos, descrições cinematográficas e uma oração que é a mais bonita de todas, na minha opinião, o autor cria uma história de sonhos. De Sonhadores. De uma dimensão em clímax para um guerra pelos sonhos de todas as pessoas. Pelo domínio dos fios de prata de todos os humanos que existem. De traições e trapaças e de amor incondicional e verdadeiro. E de um final único e surpreendente.

Tal qual os sonhos da gente que muitas vezes são confusos e enigmáticos, a narrativa de Fios de Prata me confundiu e me ludibriou. Por vezes pareciam duas histórias que caminhavam em paralelo, e que eu não via aonde se cruzariam. Mas quando as respostas são dadas e os acontecimentos se reúnem, o queixo cai de uma forma que você fica com a grata sensação de que "ainda bem que eu não vi essa resposta chegar"!

A escrita de Draccon continua agradabilíssima de ler. É ágil, fluida, atual. Usa de muitos conteúdos da cultura pop e referências e situações cotidianas. Uma das coisas que mais gostei foi ele utilizar os acontecimentos de sua história para "justificar" ações que vimos em nossos dias, como o caso von Richthofen.

Do jeito que o autor cria a sua dimensão do Sonhar, ela passa a ser tão crível quanto a existência do céu e do inferno, que inclusive são, locais fronteiriços aos domínios de Morpheus.

A narrativa também está um pouco mais adulta, com os personagens tendo relações sexuais (mas nada descritivo aqui, seus safadinhos!), apesar de o foco principal ser a ação e o conflito. Os personagens também são mais maduros. Draccon se permite reflexões profundas sobre idolatria, desejos, sonhos, futuro, universo, deuses, anjos, ..., a lista é longa. Mas em toda a narrativa ele faz você pensar e raciocinar junto com os personagens. E mesmo que sua opinião acabe sendo de alguma forma diferente, a semente da busca por respostas já foi plantada.

No fim das contas, existindo ou não esta dimensão para onde viajamos ao dormir, seguros por nossos fios de prata, o que importa é que todos nós sonhamos. Sejam sonhos despertos, desejos, ou não. E até onde nós iríamos para que nossos sonhos fossem vivos e realizados.

"Por você, eu iria até o inferno!"

Até a próxima! o/

Gostou da resenha? Então fique à vontade para visitar meu blog e ler todas que já escrevi. Parafraseando Livros: http://www.parafraseandolivros.com.br
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gleicepcouto 10/09/2012

Fios de Prata: onde a fantasia encontra a realidade
www.murmuriospessoais.com

***

Raphael Draccon, além de autor, é roteirista e responsável pelo selo Fantasy (da Editora Casa da Palavra, Grupo LeYa). Como escritor, é mais conhecido pela trilogia fantástica Dragões de Éter (LeYa), que já vendeu milhares de exemplares. Suas obras também já foram publicadas fora do país.

Dessa vez, ele 'ataca' com Fios de Prata - Reconstruindo Sandman (LeYa), contando a história do jogador de futebol brasileiro mega famoso, Mikael Santiago, mais conhecido como Allejo. O atleta, que está prestes a fechar uma negociação de valor estratosférico com o Paris Saint-Germain, conhece a ginasta, também brasileira Ariana, e logo se apaixonam. O que Allejo não fazia ideia, entretanto, era que os dois fariam parte, cada um à sua maneira, de uma batalha onírica nunca antes vista.

Tudo porque Morpheus, ao passar a perna em Madelein, Senhora dos Sonhos Despertos, ganhou a atenção dos sonhadores terrestres, causando rebuliço entre outras entidades, inclusive os próprios irmãos Phobetor e Phantasos. Madelein aproveita esse desequilíbrio para levar adiante um desígnio que não somente era seu, mas que também fazia parte de um propósito maior.

O problema é que, em meio a tantas divergências, uma iminente guerra irrompeu pelo Sonhar, e Allejo embarcou em uma viagem à procura de sua amada, mas também do seu próprio eu, enfrentando suas várias facetas e medos. Além, claro, de alguns demônios no meio do caminho.

A leitura de Fios de Prata foi uma experiência diferente. Sabe quando você começa um livro pensando A e termina pensando B? Foi exatamente isso que aconteceu comigo. Uma história que, para mim, começou um pouco intricada; mais para frente, começou a fluir.

Acredito que parte dessa resistência inicial à história tenha relação direta com o casal protagonista. A escolha de retratar atletas, eu achei até interessante (diferente), assim como suas personalidades bem elaboradas. O que não vi em Mikael e Ariana, entretanto, foi química. Não consegui visualizá-los como um casal apaixonado. Na verdade, a história de amor deles se desenvolveu em uma velocidade/intensidade que me incomodou. Mas vá lá, o amor motiva as pessoas a lutarem contra as oposições e, "irem até o inferno" por elas; como propõe o livro.

Mas ainda bem que o Fios de Prata não é apenas um romance entre um jogador de futebol e uma ginasta. Não somente. Então, o foco é outro. E esse 'outro', Draccon desenvolveu muito bem.

Não dá para passar despercebida a estrutura milimetricamente pensada em Fios de Prata. No livro, além de encontrarmos os estágios da 'Jornada do Herói' (Um 'viva' a Joseph Campbell, por favor.) , percebemos a organização do plot com bastante clareza. (Vocês não fazem ideia de como quase choro de alegria quando vejo esse cuidado em livros nacionais.) Os pontos de virada também estão lá, bonitinhos. O (plot) twist ending, inclusive, merece uma menção honrosa. (Olha eu aí, já imaginando uma adaptação para a tela grande.)

Se consigo visualizar uma adaptação, com certeza, é porque a narrativa é eficiente. Draccon é minucioso nas descrições, às vezes, parecendo ter algum tipo de TOC. Particularmente, não me incomodo. Gosto de descrições apuradas, que tenham a capacidade de nos transportar para aquele mundo. Na verdade, em fantasia, considero esse atributo indispensável. A única ressalva que faço aqui tem relação com as cenas da guerra em Sonhar. Considerei a batalha, em si, extensa, na medida que Mikael ainda se preparava para entrar em cena. Apesar de entender as razões dessa narrativa, por vezes, a impressão que tive era de que a guerra não saia nunca do lugar, na mesma proporção que Mikael demorava a aparecer pra resolver a situação. (Ansiedade. Oi?)

A parte de pesquisa de Fios de Prata é algo monstruoso e aqui, um momento pra palmas. (Clap, clap, clap!). Draccon, visivelmente, dedicou muitas horas para pesquisar mitologia, filosofia japonesa, cristianismo, cultura pop, fatos reais. Pode parecer confuso, né? Mas não é, e acho que deu muito certo. Gostei do modo como os elementos tradicionais de mitologia (Deuses como Hypnos, Thánatos, Morpheus, Phobetor e Phantasos), cristianismo (Jesus Cristo, Dimas, Agesta) e cultura japonesa (Masamune) se 'fundiram' a assuntos contemporâneos e reais, tanto no âmbito cultural (U2, J K Rowling, Neil Gaiman) quanto no social (através das diversas menções a catástrofes – uma delas, por exemplo, o caso do índio queimado vivo por playboys, em Brasília). Draccon conseguiu harmonizar realidade com a fantasia e como esses mundos interagem, sem soar esquizofrênico, e isso é pra poucos. Como a batalha é travada entre os irmãos que representam todas as personificações dos sonhos, tudo pode acontecer e todo tipo de seres participam dela. Então há elfos, dragões, feiticeiras, orcs, basilisco e guerreiros para todos os gostos.

Sobre a linguagem na obra, considerei interessante o uso de recursos gráficos como onomatopeias e negrito, itálico e caixa alta, para dar ênfase em algumas palavras. (Confesso que não me habituei ao uso de reticências para indicar silêncio nos diálogos.) Por outro lado, o ‘sotaque’ sulista da ginasta, demonstrado através de certas expressões, me irritou. Entendo que é interessante sair do eixo RJ-SP, que o Brasil é enorme, que mostrar as diferenças é bacana e todo esse blablabla. Não é questão de preconceito linguístico meu, mas de achar que o modo da personagem se expressar deu um ar caricato à Ariana.

Em relação à parte gráfica, sem comentários. A capa é belíssima, ilustração do genial Kentaro Kanamoto - responsável também pela ilustração da capa de Ruas Estranhas (Fantasy). Simplesmente é a capa mais bonita dentre os livros nacionais lançados esse ano. Fato.

Mas não só de uma capa bonita se faz um bom livro, certo? E Draccon sabe disso. Tanto que Fios de Prata é um livro coeso, com início, meio e fim; enredo atraente, com estrutura e pesquisa impecáveis. Falem bem ou mal dessa nova geração de autores nacionais, o fato é que os itens aqui expostos, para mim, somente confirmam que o autor merece o lugar de destaque que tem na literatura nacional atual.

Avaliação: (Muito Bom)
Autor(a): Raphael Draccon
Editora: LeYa
Ano: 2012
Páginas: 352
Valor: $25 a $40
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Anderson 09/09/2012

Mais uma vez Raphael Draccon nos mostra seu talento extraordinário, nos dá a prova de que escrever pode ser um dom, se bem usado.
Em Fios de Prata, somos conduzidos de forma magistral por estradas visitadas por artistas e pelos sonhos de 7 bilhões de pessoas. E, acima de tudo, aprendemos que até mesmo os deuses podem sonhar...
Vemos o mundo dos sonhos afetando o nosso mundo físico, vemos o nosso mundo físico afetando o mundo dos sonhos, vemos um sonho impossível em nome do amor.
Rapahel Draccon nos mostra uma alternativa ao mundo de Morpheus de Neil Gaiman, sem jamais desrespeitar ou desmerecer a obra prima criada por ele. Ao contrário, ela é incorporada na narração e se torna peça chave no desenrolar dos acontecimentos. No livro, o autor é ao mesmo tempo, Phantasos, Morpheus e Phobetor, deixando o leitor livre para viajar, para sonhar e para aprender.
O livro toca fundo o coração do ser humano que sonha. A narrativa emociona e faz pensar; é às vezes poesia em forma de prosa, às vezes lição de vida para aqueles que conseguem enxergar e quase uma ode aos sonhos presentes dentro de todo ser humano.
E nisso reside seu maior mérito.
Pois não são apenas as crianças que sonham acordadas, todos nós fazemos isso. Esse é um livro perfeito para aquelas pessoas que ainda têm preconceito em relação a literatura de fantasia e a rotulam como literatura exclusivamente para crianças e adolescentes.
Sonhar é possível e saudável. Não por acaso, um dia um homem sonhou que a queda de uma maçã poderia ser algo mais que um caso banal, e mudou a história da Física. Um dia um homem sonhou que o ser humano poderia voar, e então o céu deixou de ser o limite. Um dia um homem achou que os sonhos poderiam ser mais do que sonhos, e mudou a história da Psicologia.
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