Fios de Prata

Fios de Prata Raphael Draccon




Resenhas - Fios de Prata


51 encontrados | exibindo 1 a 16
1 | 2 | 3 | 4


Albarus Andreos 13/05/2013

As Linhas Tortas de Raphael
Quando tenho expectativas demais, me decepciono. Isso é batata! Geralmente, quando gosto de um livro, elogio porque sou movido pela emoção e ninguém segura meu contentamento. Já quando não aprecio, sou minucioso e emito minhas opiniões baseado na análise técnica de que sou capaz, para não deixar nenhum espaço para acusações levianas. E, infelizmente, o que li até o momento, me desagradou demais!

É de se admitir, num texto longo, alguns errinhos esporádicos, ainda mais quando o autor tem um renome no meio literário. Um ou dois descuidos de português em 300 ou 400 páginas e alguma falha lógica que passou em branco por uma revisão. Alguns esbarrões na gramática pode ser considerado passável, mas, no mínimo, significa que a revisão não funcionou. O World, por exemplo, vive me aprontando e erros de concordância de gênero e número às vezes me surpreendem, mas passo logo o rodo neles quando vejo e tento fingir que não estou envergonhado. Por isso revisar é tão importante. Contudo, ao bom texto, isso não é lá tão palatável, eu acho (eu acho? Eu acho, não, né. Isso é inadmissível! Erros demais em um livro inviabilizam-no como bom livro e ponto! E existem muitos erros em Fios de Prata).

Nesse momento nem faço questão de comentar sobre o enredo ou os personagens, tamanha é a voracidade felina com que cacei os ratos soltos pelos cantos do livro (e eles encheram um enorme balaio). Pode haver até uma boa fábula por aí, mas eu ainda estou tão distraído com o todo o ruído provocado pelos deslizes e equívocos da escrita que não consegui me ater convenientemente a ela. É de se admirar que a equipe editorial da Leya tenha deixado passar o livro, justo do Draccon, nesse estado (Raphael Draccon é editor-chefe da Fantasy, um braço editorial da Leya, encarregado de publicar autores nacionais que não o próprio Rapahel Draccon). Ressalto o péssimo uso da vírgula, deixando frases inteiras sem sentido. É falta de conhecimento da língua, mesmo. Seria conveniente que a Leya deixasse o trabalho de revisão e correção com profissionais mais qualificados e não a estagiários e aventureiros.

Sim, há uma história muito interessante, que o Draccon foi buscar nas HQs do Sandman, de Neil Gaiman (publicada originalmente pela Vertigo, braço da DC Comics, e trazido ao Brasil, pela primeira vez, nas décadas de 80/ 90, pela Editora Globo, e republicada a exaustão por várias outras editoras até hoje). O livro faz até uma invocação da série no frontispício do livro: Reconstruindo Sandman, como não poderia deixar de fazer, tal a alusão mais que ideal, à obra de Gaiman. Isso, na minha opinião, aproxima muito o trabalho de Draccon ao de uma fanfic, embora ele tenha criado dois personagens, o jogador de futebol Allejo e a ginasta Ariana, para encarnar os protagonistas de sua obra, que tenta ser original em algum ponto (incluindo o viés espírita correlato aos fios de prata, que dão título ao livro). Há também momentos de boa leitura, mas esses são sempre devidos a colagens que o autor faz de notícias e acontecimentos contemporâneos ou marcantes do século XX, onde guerras, crimes e turbulências sociais das mais variadas, são creditados aos pesadelos gerados devido à guerra no Sonhar (o universo dos sonhos onde se passa grande parte da aventura).

Há também o artifício bem interessante de mudar o tom impessoal quotidiano das falas, do mundo real, para o português arcaico, em segunda pessoa, quando nos transportamos para o mundo onírico (mundo dos sonhos). E pode-se perceber claramente o trabalho de pesquisa que Draccon liga ao plot (drogas, assassinatos, atentados etc.; tudo seria consequência de pesadelos no mundo imaterial), mas Draccon escorregue, às vezes, como no episódio que fala sobre o lançamento das duas bombas atômicas no Japão, durante a Segunda Grande Guerra: para Draccon, as duas bombas foram atiradas sobre Nagasaki, o que está errado (a primeira foi sobre Hiroshima). Noutra ocasião, ele se refere a Pôncio Pilatos (governante/ magistrado da Judéia, nos tempos de Cristo) como imperador de Roma (IMPERADOR??? Tenha só...). Descuidos que desqualificam a pesquisa e que, no contexto geral, refletem a falta de cuidado com que a obra foi produzida.

A história gira em torno de Allejo, como Mikael Santiago é mais conhecido; um craque que está prestes a ser contratado pelo time francês Paris Saint-Germain. Conhece Ariana Rochembach (que, apesar do sobrenome germânico, é descendente de italianos, vai saber por quê...) e acabam se apaixonando e dividindo uma sina terrível: os sonhos que Allejo tem e que o transportam para o mundo de pesadelos e terrores. Por alguma razão, Morpheus, Phobetor e Phantasos, os lordes do reino dos sonhos e pesadelos, estão em guerra e Allejo é trocado por Ariana e seus pesadelos passam a ser habitados por ela. Uma proposta bem interessante e até ambiciosa, tendo-se em vista a imensidade de aspectos psicológicos (e parapsicológicos) a serem abordados.

O autor tem o hábito de apelidar seus personagens por adjetivos, porque, em algum momento do livro, é dito, por exemplo, que Morfheus é o irmão mais novo, então, lá na frente, Phobetor se refere ao caçula. Isso é muito confuso. Até você lembrar que o caçula é o Morfheus é um troço bem ruim. Draccon faz muito isso, com os outros personagens também. Deveria haver um tratamento mais condizente para com eles, até para facilitar para o leitor.

Em matéria de personagens Allejo foge muito do estereótipo de jogador de futebol. É que ele conhece muito da cultura popular que seria mais plausível a um nerd. Cá para mim (e isso não é preconceito, mas a simples visualização do arquétipo), jogadores de futebol profissionais (e mais ainda os profissionais que se tornam craques internacionais envolvidos em negociações milionárias), passam a vida jogando bola, só pensam nisso e só vivem nesse meio. Não tem lá muito tempo para ler Tolkien, assistir seriados de TV ou ler gibis cult como Sandman (referências muito abordadas durante a narrativa). Ignorar isso é até uma falta de bom-senso e conhecimento de mundo. Já Ariana é retratada como uma mocinha de sotaque gaúcho, e suas falas são permeadas com bás e guris por todo lado, mas o mesmo não acontece com Allejo, que não trás seus sotaque do sudeste no texto (opção do autor de fazer o gaúcho como alienígena ao seu padrão). Não ficou bom, mas nem por isso o livro poderia ser considerado ruim.

Num dado momento, Ariana some do texto e fica apenas Allejo como personagem principal. Ariana se torna apenas um joguete sobre o qual Allejo faz sua trajetória monomítica, a la Matrix, por centenas de páginas.

O pior de tudo é a péssima escrita (vou insistir) com que essa história é narrada. PÉSSIMA. As mancadas no português são de todos os tipos e dos mais cabeludos. Construções das mais bizarras, frases inteiras sem qualquer lógica, pontuação incompreensível, palavras escritas erroneamente (!), parágrafos de puro delírio literário, períodos risíveis, vocábulos equivocados nos piores lugares e por aí vai... Um exagero, sim, concordo! E não é culpa somente da revisão não! Muito pelo contrário. Imagino como esse texto deveria estar antes de ser revisado. Nada a dever para crianças de doze anos que se metem a escrever seu primeiro romance; deslizes dos mais absurdos, de uma incompetência que daria pau em qualquer ENEM.

Mesmo se dando ao trabalho de retirar as ciladas que o Word prega na gente, como já aventado, ainda assim ficam erros conceituais, de semântica, de concordância e de tempo (de tempo! Isso é imperdoável!) que denigrem qualquer imagem (a não ser que você seja um fã, e para o fã ao ídolo se perdoa tudo). Deixa eu ser mais claro: semântica é o significado de uma palavra, é a aplicação de uma palavra para exprimir o que ela é. Errar semântica é o que o Giovanni Improtta, o bicheiro, personagem de José Wilker, numa novela global (cujo mote era: Felomenal), mais fazia. É não saber o que uma palavra significa!!! É dizer navio quando se quer dizer canoa; é dizer amor, quando se quer dizer ciúmes; é achar que sapato é combinação de sapo com pato. Meu... Espera-se que um escritor saiba um mínimo da língua, certo? Ou é má vontade minha? Não é pouca coisa não! Dá dó ler um livro assim. Dó dos leitores desavisados, muitos deles crianças ainda, que um dia errarão o português num e-mail, numa questão na escola ou no vestibular por, talvez, terem desaprendido a língua com esse texto vergonhoso.
Carlos Augusto 30/05/2013minha estante
Albarus,

Corre o boato no meio literário que o seu romance, "A Fome de Íbus", foi recusado pelo selo Fantasy, atualmente gerenciado pelo Raphael Draccon.

Agora, a pergunta que não quer calar: a sua resenha (acima, sobre o livro do Raphael) teria sido influenciada por esse fato?

Obrigado,
Carlos


Vitor 22/08/2013minha estante
@Carlos Augusto:
A obra é tosca mesmo, o texto do livro é vergonhoso. Não é, portanto, "puro recalque" do Albarus direcionar à obra uma crítica tão negativa, veja bem: há outras inúmeras críticas negativas referentes a Fios de Prata. Não é por que ele não gostou que está recalcado. Eu mesmo compartilho da opinião dele.


Marcos 06/10/2013minha estante
Não é a primeira opinião "Não blog" que leio sobre o quanto os livros dele são ruins. Tenho esse livro para ler, mas tenho tanta coisa boa que esse sempre vai para o final da fila.




neo 09/01/2014

EDITADO EM 18/11/2014. Resenha atualizada.

Li esse livro ano passado e já fiz uma resenha para meu tumblr há algum tempo, mas sinto que preciso de uma nova e mais detalhada agora. Plus, estou tão gripada que meus olhos ardem e respirar dói, e para completar coloquei aparelho ontem e no momento quero arrancar todos os meus dentes de tão nervosa que esse treco me faz ficar, com o bônus sendo que mal posso comer e isso está me levando lentamente à loucura/consideração de pensamentos assassinos. Então, sim, preciso extravasar toda a irritação que estou sentindo ou realmente acabarei matando alguém, esse alguém sendo muito provavelmente meu irmão, que vem reclamando de um bug em World of Warcraft no meu pé do ouvido desde domingo quando ele sabe muito bem que eu odeio World of Warcraft!!!!

Mas vamos ao que interessa.

Quando vi esse livro na livraria tive basicamente duas reações. A primeira foi achar a capa e o título maravilhosos. A segunda foi soltar um suspiro cansado, olhar para o céu e perguntar mentalmente, por quê?, quando percebi que o livro era do Draccon.

Sei que isso soa meio cruel e preconceituoso, mas já comprei um livro do Draccon, Dragões de Éter, e nunca consegui passar da página cem porque onomatopeias, caps lock, quebra da fourth wall e diálogos pra lá de desajeitados não são características que eu aprecio em livro algum. E a própria narrativa me pareceu infantil demais, então deixei a história, que até parecia bastante interessante, pra lá. Acho que fica fácil imaginar porque desanimei tanto ao ver que Fios de Prata era do mesmo autor de Dragões de Éter. A ideia me pareceu excelente, mas meu sexto sentido apitando loucamente não deixou que eu comprasse o livro da primeira vez que o vi.

Lá pela vigésima vez, desisti e o comprei.

Foi a última vez em que não confiei em meu sexto sentido.

(Mentira, teve O Trono de Vidro que veio depois, mas só).

Primeiro, tenho uma confissão a fazer: nunca li Sandman. Ou qualquer outra coisa do Neil Gaiman, pra falar a verdade. Pretendo o fazer um dia, mas acho que por ter colocado Gaiman e Stephen King no mesmo nível de fama/credibilidade (por motivos que eu mesma desconheço), depois de ter me decepcionado com um livro do King minha vontade de ler algo do Gaiman morreu. Sei que é uma razão estúpida, mas foi o que aconteceu. Sendo bem sincera, fico meio receosa de ler autores muito consagrados porque acabo indo com muitas expectativas e quebrando a cara, e meio que já li livros ruins demais esse ano e não preciso odiar outro livro amado por todos, muito obrigada.

(E aparentemente Sandman é HQ???? Menos chances ainda de eu ler um dia, plep).

Mas enfim, Fios de Prata começou muito bem, para surpresa minha e das minhas amigas, com quem sempre compartilho minhas opiniões sobre livros que estou lendo. As descrições eram boas e o ritmo também, e apesar dos diálogos desajeitados (de novo), eu estava disposta a perdoar defeitos menores em prol da ideia de gostar de um livro de fantasia nacional (also, se você não perdoar diálogos desajeitados não vai gostar de livro de fantasia brasileiro nenhum, porque juro que essa é a falha mais comum de todos eles). Mas minha alegrai foi curta; não demorou muito e o livro começou a desandar.

Causa número um: os personagens. São péssimos, sem mais. Ocos, sem profundidade, estereótipos puros sem a menor tentativa de originalidade ou até mesmo verossimilhança. Ariana é gaúcha, então claro que tivemos gírias gaúchas em cada frase dita pela moça, mas a "gaúchisse" dela começou e acabou aí. Ela é uma ginasta de personalidade forte, o que basicamente quer dizer que ela solta umas respostas de vez em quando, mas só. Ela acaba presa no mundo dos sonhos e nosso herói, Mikael Santiago, ou Allejo, tem como missão resgatá-la. Fazer uma pseudo-personagem feminina forte apenas para tê-la sendo salva pelo homem protagonista, hm? Por que isso não me surpreende?

O Allejo então, nem se fala. Jogador de futebol, rico, pegador, conhecedor de cultura nerd e uma boa pessoa. Tem a profundidade de uma poça no meio da estrada, e é tão ignorável quanto uma. Um Gary Stu em toda sua glória. Blah.

O resto dos personagens é tão marcante que não consigo lembrar do nome deles. Oops.

Causa número dois: o romance. Senhoras e senhores, bem vindos ao reino do insta-love, ou, para os marinheiros de primeira viagem que não costumam ler livros com muito romance, o amor instantâneo aka o melhor modo de fazer os dois pombinhos se apaixonarem sem se preocupar com coisas inúteis como desenvolvimento do relacionamento ou dos personagens. E vocês pensando que insta-love pertencia só aos "livros para garotas", hm? (O Poder da Espada, eu estou olhando para você.)

A cena que mais me marcou do relacionamento de Ariana e Allejo foi o momento em que ele se apaixonou por ela, numa cena em que ela se apresentava em alguma competição. Como se esquecer de Allejo babando nas características físicas de Ariana e se declarando apaixonado após vê-la executar um monte de saltos com nomes complicados (obviamente o autor teve que colocar os nomes deles lá, e também mencionar o quão difícil eles são)? Pra que se apaixonar após meses (ou anos) de convivência se você pode cair de amores por alguém depois de vê-los fazer um salto duplo carpado, já que se apaixonar assim custa bem menos desenvolvimento de personagem e página?

Mas pode continuar babando pela Ariana, Allejo. Eu ficarei aqui, encarando o seu relacionamento com ela (a maior causa da história existir, falando nisso), mais ou menos assim: https://p.gr-assets.com/540x540/fit/hostedimages/1416355115/11942740.gif

Mas, como eu disse, pode continuar :)

Causa número três: a escrita que, sim, começou ótima, deu alguns saltos carpados incríveis, mas terminou estatelada no chão com as pernas pra cima. Um desastre.

Sabe que Fios de Prata me lembra uma versão brasileira de A Lâmina na Alma? Não, as histórias não são nada parecidas, mas ambas as histórias compartilham uma coisa: a vontade ferrenha (lê-se desespero) de ser épica. Ou seja, usam purple prose o tempo todo.

Eu pude sentir esse livro tentando me convencer de que ele era a coisa mais épica da Terra. Ele tentou, e tentou muito. Houve longas descrições cheias de floreios, inúmeras referências à cultura pop, uma tentativa (que foi se tornando cada vez mais desesperada à medida que o livro ia se aproximando do fim) de mostrar que aquela era uma guerra que atingia a todos e influenciava a todos (e que por isso, obviamente, era tão, mas tão importante) e passagens feitas simplesmente para servir de quote, de tão forçadas e wtf que foram.

Como eu já disse, um desastre.

Causa número quatro: o final. Um final com um senhor deux ex machina, vale frisar.

Acho que o Draccon pensou que o deux ex machina soaria como um plot twist, mas esse não foi, nem de longe, o caso. Veja bem, não havia modo algum de as coisas se resolverem do jeito que elas estavam, então algo teve que surgir do nada para dar um fim à história. Basicamente um "epa não sei como concluir isso usando as coisas que foram apresentadas durante o livro, então vou ter que pegar isso aqui, algo quase sem relação alguma com tudo que aconteceu, e usar para resolver tudo. Genial!"

Mas eu ri, porque o final foi meio de desenho animado e porque eu gostei de ver alguns personagens quebrarem a cara lindamente. Mas sim, foi um deux ex machina. Ha.

Parei de ler Os Dragões de Éter porque o estilo não me agradou, mas lá cheguei a considerar a escrita do autor boa (apenas não meu tipo de escrita, saca). Fios de Prata, porém, me traumatizou demais para que eu volte sequer a considerar comprar um livro dele. Nem rola. Isso é um adeus, feliz ou infelizmente.

A única coisa boa desse livro foi o Phantasos, e não, não foi porque ele é um bom personagem. Mas tinha elfos no reino dele, so yay, call me biased, mas eu tinha que me apegar a algo bom no meio dessa bagunça. Anyway, uma estrela para Fios de Prata.

(Se eu sei que estou provavelmente destruindo minhas chances de ser publicada aqui no Brasil com essa resenha? Ô se sei, mas, obviamente, não me importo. Tsk).

site: http://lynxvlaurent.blogspot.com.br/
Letícia 17/02/2014minha estante
Já li dragoes de eter, comprei na bienal, e comprei fios de prata sem querer, quando vi que era do Draccon, meu coração apertou.
Concordo com tudo o que disse e minha amiga me ouviu reclamar todo santo dia desse livro, os ouvidos dela sangraram hauhauah


Albarus Andreos 08/01/2018minha estante
Kkkkkkk... Adorei a resenha. Espero que os dentes tenham ficado lindos. :-)




leoconcatto 23/01/2013

O que esperar de Fios de Prata.
Em “Fios de Prata” nos deparamos com perguntas difíceis de responder. “Existiria o bem caso não existisse o mal?”, “Um Deus é mais importante do que seus seguidores?”. Isso é apenas uma amostra do que encontramos em meio a futebol, deuses, viagens astrais, guerra, Tolkien, romance e muito mais que compõe este livro de fantasia e ótimo representante da literatura nacional.

O livro se passa em dois mundos, o real e o etéreo, que estão interligados pelos sonhos da população humana. Dentro do universo dos sonhos, existem três grandes deuses. Cada um possui um território usado para acolher os sonhadores da terra que são a fonte de poder divino. Os diferentes deuses possuem características distintas e seguidores compatíveis. Não é atoa que alguns transmitem sonhos e outros pesadelos. Abaixo dos deuses está Madelein, a Senhora dos Sonhos Despertos, que deseja ascender para um reconhecimento divino. Para isso, ela vai precisar da ajuda de um mortal.

O mortal em questão é nosso protagonista Mikael Santiago, apelidado de Allejo (personagem de videogame) devido à habilidade quase sobrenatural no futebol. Aos 22 anos ele é o melhor jogador do mundo e está envolvido na maior negociação da história do esporte. Mas depois de conhecer e se apaixonar por Ariana, uma ginasta brasileira, ele se vê obrigado a lidar com problemas que fogem da razão humana. Para isso, terá que se envolver em uma guerra divina, fruto da ambição dos deuses que ditará o destino de 7 bilhões de sonhadores, e viajar até o inferno em busca da amada.

O título e a capa já dizem muito sobre a história. Fios de Prata ligam o corpo espiritual ao corpo físico. Ele é a diferença entre o sonho e a morte, visto que, se partido, o espirito não pode retornar ao corpo. A capa, belíssima obra de Kentaro Kanamoto, representa uma das cenas da trama.

O autor do livro é Raphael Draccon, carioca de 29 anos, também escritor da trilogia “Dragões do Éter”. É roteirista, avaliador de roteiros e script doctor. Trabalha na editora LeYa e foi um dos responsáveis por trazer a série “Guerra dos Tronos” para o Brasil. Por seu trabalho, ganhou o selo “Fantasy – Casa da Palavra” , uma das empresas do grupo LeYa. Os Nerds de plantão se identificarão com ele ao saber que Raphael também é colunista do blog Sedentário & Hiperativo e eventualmente participa do RapaduraCast.

A obra demorou sete anos para ficar pronta. Mesmo que, segundo Draccon ele seja capaz de escrever uma média de dez páginas por dia, a maior parte do tempo foi dedicada à pesquisa. É este trabalho que eleva o livro a altura de genial. “Fios de Prata” é repleto de referências sobre várias religiões e acontecimentos reais. Para demonstrar como os dois mundos interagem, o autor lista várias noticias do mundo inteiro, muitas delas reais, mostrando a influência dos deuses nas ações dos seres humanos.

“A cada cinco segundos, uma criança morre de fome ao redor do mundo. Definitivamente sobram motivos para os demônios sorrirem.”

Existem muitos outros fatores que cativam o leitor. Um deles é a fluidez dos diálogos. Como estamos lendo a obra de um escritor brasileiro, não existe o processo de tradução. Isso traz uma sensação de naturalidade para o texto que faz com que nossos olhos corram pelas páginas. Além disso, Draccon incorpora um sentimento jovial e leve aos protagonistas que facilita ainda mais a leitura.

No início, o roteiro é um pouco embaralhado e é difícil entender o que está acontecendo. Mas acredite, este também é outro ponto positivo do livro. O protagonista Mikael é jogado em um mundo surreal e inacreditável para os valores humanos e aos poucos começa a compreender no que está se envolvendo e coloca lógica na situação. Esta é a maneira do autor transmitir o mesmo sentimento do protagonista para o leitor, que vai construindo a trama no decorrer dos capítulos.

Uma boa dica para facilitar a compreensão é ler e reler o prelúdio do livro. Dando uma atenção especial para os personagens Morpheus, Phantasos, Phobetor e a Senhora dos Sonhos Despertos.

Por tudo isso, o livro merece destaque na nossa prateleira. É muito bom ver o gênero de fantasia da literatura nacional sendo representada por nomes como Raphael Draccon. Ele é mais uma prova de que a nova safra de escritores brasileiros tem qualidade e promessa de bons lançamentos para o futuro.

Bruna Fernández 21/05/2013minha estante
Apesar de já conhecer o trabalho do Draccon, esse livro está parado na minha estante faz um tempo. Estava apreensiva com a história, mas sua resenha me animou, vou pegar ele pra ler logo! :)


leoconcatto 23/05/2013minha estante
Obrigado!
Boa leitura!




Júlia 10/01/2015

Cortando fios de prata
Esse livro, realmente, comprei pela capa. A capa possui uma ilustração muito bonita e que me agrada muito. Não leio muito sobre as histórias antes de ler um livro, pois não gosto de spoilers de jeito nenhum. Então, pelas poucas informações da capa + a ilustração, resolvi dar uma chance ao autor.

A premissa era boa. Mas não gostei do estilo de narração, nem da montagem da história. São muito elementos misturados, sem muita conexão, apenas na tentativa de criar descrições fantásticas. Não me identifiquei e nem fui tocada por nenhum dos personagens.

Se estiver meio sem livros na fila de leitura, vale as páginas... Mas se tiver outros de fantasia na lista, coloque este ao final...

:)
Livia Mantuano 03/05/2015minha estante
Vou seguir seu conselho =)




Matheus 07/03/2015

Criando pouquíssimo e abusando das referências, Raphael Draccon faz uma história medíocre, que nos deixa com um gosto amargo na boca pelo potencial desperdiçado.
http://antarktos.blogspot.com.br/2015/03/fios-de-prata-raphael-draccon.html
Ernani 25/07/2015minha estante
só a chamada da resenha já resume meu sentimento por esse livro




spoiler visualizar
Eder 14/04/2014minha estante
"Draccon deveria ter dado a ideia dele para um autor de verdade fazer o seu livro."
Adorei essa frase. Haha




Higor 27/06/2015

Sobre autores que estragam histórias consagradas
Raphael Draccon é um autor nacional de renome, o que é louvável, visto que não é um artista global, nem blogueiro/vlogger com centenas de inscritos; ao invés disso, é um simples autor de literatura fantástica, que, assim como Eduardo Spohr, batalhou para chegar ao lugar em que está. Acontece que Spohr é bom; Draccon não.

“Fios de Prata” é um livro que conquista pela capa, bem similar as de George Martin e Brandon Sanderson, autores de literatura fantástica épica, e também publicados pela editora Leya. O maior problema é que, apesar querer vender "Fios de Prata" como se fosse patamar, o livro não chegar nem perto de se igualar aos citados acima.

Falta de conteúdo não é, pois a história tem potencial. O que a gente vê logo de cara é a imaturidade do autor em conseguir amarrar a história em míseras 350 páginas. E digo míseras pelo fato de que, geralmente, livros do tipo ultrapassarem facilmente 500 páginas. O começo é bom, muito bom, admito, mas então aparece à mocinha da história, e o desconforto começa.

Ariana é gaúcha, o que deveria nos dar um alívio gigantesco por enfim lermos um livro em terras tupiniquins, mas Draccon logo corta o barato, ambientando a história na França, o que é um pouco plausível. Um pouco, já que os personagens são atletas em campeonatos mundiais. O problema é que, de brasileira amável, Ariana passou a ser antipática, de dar náuseas no leitor com a mera possibilidade de ela abrir a boca mais uma vez. O autor não soube usar – e dosar – o sotaque da personagem, deixando-a insuportável a cada vez que falava “tu”, “tchê” e “bah”.

O livro começa a cair a partir daí, e deslancha quando o clímax enfim chega, o que era para ser totalmente o oposto. Pior: é assim que permanece até o final. Uma historia cheia de altos e baixos – infelizmente mais baixos – e quando chega aos momentos altos, são cenas mornas, que não chegam a encher os olhos, apenas nos fazem retorcer a boca e acabar logo a leitura para passar para o próximo livro. Isso quando não sentimos vergonha alheia de certos acontecimentos.

A história é jogada, e as informações que o autor nos dá, achando ele ser o suficiente, não são. Então ficamos perdidos com o que está acontecendo, com quem é quem na história, e o porquê de esse alguém ter tanto destaque assim, já que aparentemente não passa de um mero personagem secundário que poderia ser melhor trabalhado. Além disso, a batalha não convence; o progresso do personagem principal é de rir; e a resolução, que era para ser chocante e agradável, passa a ser apenas incômoda.

O ponto alto no livro são as cenas em que uma reação em Sonhar reflete diretamente na Terra. Tudo bem que Draccon usou e abusou da técnica, mas mesmo assim, foi interessante ver, por exemplo, o que acontece na Terra quando um deus fica enfurecido, mexendo involuntariamente com o clima, os sonhos e as perspectivas de vida de cada habitante.

Enfim, “Fios de Prata” é um livro com uma ideia genial, mas que foi executado de maneira vergonhosa, amadora. Muitos foram os comentários nas resenhas, e tenho de concordar com os que disseram: Fios de Prata seria um excelente livro se não fosse escrito por Raphael Draccon.
Priscila Ferreira 27/06/2015minha estante
adoro tuas resenhas *-*




spoiler visualizar
Pedro Henrique 05/06/2013minha estante
gostaria que visse a minha resenha que foi, em sua grande parte negativa, e geralmente resenhas negativas apresentam mais argumentos, a sua teve poucos argumentos




Anderson 09/09/2012

Mais uma vez Raphael Draccon nos mostra seu talento extraordinário, nos dá a prova de que escrever pode ser um dom, se bem usado.
Em Fios de Prata, somos conduzidos de forma magistral por estradas visitadas por artistas e pelos sonhos de 7 bilhões de pessoas. E, acima de tudo, aprendemos que até mesmo os deuses podem sonhar...
Vemos o mundo dos sonhos afetando o nosso mundo físico, vemos o nosso mundo físico afetando o mundo dos sonhos, vemos um sonho impossível em nome do amor.
Rapahel Draccon nos mostra uma alternativa ao mundo de Morpheus de Neil Gaiman, sem jamais desrespeitar ou desmerecer a obra prima criada por ele. Ao contrário, ela é incorporada na narração e se torna peça chave no desenrolar dos acontecimentos. No livro, o autor é ao mesmo tempo, Phantasos, Morpheus e Phobetor, deixando o leitor livre para viajar, para sonhar e para aprender.
O livro toca fundo o coração do ser humano que sonha. A narrativa emociona e faz pensar; é às vezes poesia em forma de prosa, às vezes lição de vida para aqueles que conseguem enxergar e quase uma ode aos sonhos presentes dentro de todo ser humano.
E nisso reside seu maior mérito.
Pois não são apenas as crianças que sonham acordadas, todos nós fazemos isso. Esse é um livro perfeito para aquelas pessoas que ainda têm preconceito em relação a literatura de fantasia e a rotulam como literatura exclusivamente para crianças e adolescentes.
Sonhar é possível e saudável. Não por acaso, um dia um homem sonhou que a queda de uma maçã poderia ser algo mais que um caso banal, e mudou a história da Física. Um dia um homem sonhou que o ser humano poderia voar, e então o céu deixou de ser o limite. Um dia um homem achou que os sonhos poderiam ser mais do que sonhos, e mudou a história da Psicologia.
comentários(0)comente



Anne 07/01/2021

As últimas 80 páginas me prenderam, de fato. Mas fora isso achei a narrativa lenta e arrastada. Muitos personagens são abordados, a história acabou ficando picotada demais.
comentários(0)comente



Leonardo Barros 12/10/2012

DE TIRAR O SONO.
Fios de Prata é daqueles livros que mexem com sua cabeça. Se for ler antes de dormir, então, nem se fala...

Ao criar uma relação estreita entre os personagens das duas tramas (no mundo real e no mundo dos sonhos), Raphael Draccon engendra uma narrativa cheia de referências que tornam a fantasia mais crível (em meu ver, nem precisaria ir tão longe).

Percebe-se um desprendimento do autor em relação aos padrões, ao texto meramente narrativo. Como um maestro, Draccon acelera e desacelera o ritmo da leitura por meio de recursos quase... Sinestésicos.

O final surpreende.

Indico.
comentários(0)comente



Newton Correa 28/11/2012

Uma viagem fantástica que vai muito além do que você pode imaginar!
comentários(0)comente



Tati oliveira 13/11/2012

Mikael Santiago é um jovem, e promissor, jogador brasileiro que hoje reside na frança, seu talento é conhecido no mundo todo, inspirando milhares de pessoas.

Apesar disso ele é solitário, e atormentado por sonhos medonhos, sonhos esses que não o deixam dormir, e médico nenhum consegue descobrir o porque.

Diante sua solidão ele decide assistir à uma competição de outra atleta brasileira, Ariana, uma ginasta de 19 anos que promete ser a melhor entre as melhores.

Em quanto o jovem se aproxima da bela garota, no Sonhar uma batalha épica se inicia, uma batalha entre deuses menores, anjos e demônios, uma batalha envolta em trapaças que poderá mudar o destino do mundo. Uma batalha na qual o jogador brasileiro tem um papel importante, e não tem idéia disso.

"Eu quero acordar... Eu quero acordar..."

Ao ler esse trecho lembrei de todas as vezes eu disse isso desesperada para sair de um sonho ruim. Isso, e o fato do autor ser nacional, fez com que eu me identificasse com a história de uma forma que eu nem imaginava ser possível.

 ler um livro de um autor nacional é totalmente diferente, mesmo que não se passe no Brasil ele traz traços de nossa cultura, o que te faz você se identificar muito mais com a história, não era algo que eu tinha reparado antes, mas com fios de prata isso fez toda a diferença.

...

Raphael Draccon consegue elaborar uma história fantástica, cheia de detalhes, e, ao mesmo tempo, utilizar sua influencia como escritor para nos fazer pensar na sociedade e em nosso próprios atos, realmente não tem como não se apaixonar por esse livro.


http://frasesrabiscadas.blogspot.com.br/2012/11/fios-de-prata.html
comentários(0)comente



Mari | Triplo Books 06/01/2013

Olá, pessoas.
Eu não sou muito boa escrevendo, então a minha resenha de Fios de Prata e Espíritos de Gelo de Raphael Draccon eu fiz em vídeo nesse link:

http://www.youtube.com/watch?v=isIYMlZwJd4

É um canal literário e a ideia é fazer 1 video por semana e esse primeiro do ano eu escolhi falar de Raphael Draccon por ser meu escritor predileto.

Aceito sugestões de leitura e críticas construtivas tambpem, por que não?

Obrigada.
comentários(0)comente



eibarba 15/01/2013

www.restaurantedamente.com
O novo livro do autor da série “Dragões do Éter”, Raphael Draccon, chegou para mostrar tudo o que o autor é capaz de fazer, trazendo o mundo fantástico na sua melhor forma. O livro envolve a trama de um homem disposto a ir ao inferno em busca do amor de uma mulher, ao redor de uma guerra de deuses envolvendo sete bilhões de sonhadores terrestres.

Mikael Santiago é um jogador de futebol mundialmente conhecido, que é incomodado por sonhos cada vez mais estranhos, até que conhece uma atleta também mundialmente conhecida, e se apaixona perdidamente por ela. Depois de um acidente, causado por forças sobrenaturais, ela fica presa em um mundo que só pode ser encontrado quando se está sonhando, o Sonhar, a Terra de Morpheus. Mikael precisa travar uma guerra com deuses e criaturas antigas e muito poderosas para recuperar o amor de sua mulher e nesse meio tempo, descobrir sobre suas origens.

Mais um livro do Draccon que leio e gosto bastante, todos os elementos da literatura fantástica estão aqui presentes de uma forma muito mágica e até emocionante. Diferente do livro “Espíritos de Gelo” onde tudo parece uma grande mistura, em Fios de Prata todos os elementos se interagem para contar a história do Mikael. Gostei bastante do tema do livro, usando a lenda do Sandman; gosto quando os autores usam um mundo completamente novo e que possam criar a suas próprias regras, assim eles têm total liberdade de expressar a sua criatividade, e o Raphael não poupou esforços e está de parabéns nesse quesito.

Umas das coisas que mais gostei, foi a área do sonhar reservada para as pessoas que trabalham com a arte, lá tem um espaço para a árvore da J.K Rowling, do J.R.R Tolkien entre outros autores bastante conhecidos do público, além de ter sido uma homenagem bonita as pessoas que inspiraram o autor, ficou muito bem colocado na narrativa essa passagem. Eu falei na resenha de “Espíritos de Gelo” que me incomodava bastante essas pequenas “homenagens” que vários autores brasileiros de fantasia colocam em seus livros, mas aqui isso não foi muito o problema, que bom né? Recomendo a leitura a todos que gostam de fantasia, com certeza não irá se arrepender.
comentários(0)comente



51 encontrados | exibindo 1 a 16
1 | 2 | 3 | 4