A Casa das Sete Mulheres

A Casa das Sete Mulheres Letícia Wierzchowski




Resenhas - A Casa das Sete Mulheres


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Jordan 17/10/2017

Clássico melhor do que muitos clássicos brasileiros
Não irei atentar ao enredo do romance, mas à escrita de Letícia que é extremamente delicada no mais bom sentido da palavra. As descrições do pampa, do pôr do sol, dos cheiros de fruta na cozinha, o som das folhas embaladas ao vento, são feitas numa precisão refinada; uma escrita sinestésica envolvente. Wierzchowski consegue criar uma atmosfera de realidade palpável, coisa assim, até agora, só vi em três autores: Virginia Woolf, J.R.R.Tolkien e Donna Tartt (autora do famigerado ''O Pintassilgo''). Porém, ao contrário destes dois últimos, a autora de ''A Casa das Sete Mulheres'' não nos enfada em suas descrições, é de uma poeticidade encantadora, tal qual Virginia Woolf faz em seus romances.
As personagens? São maravilhosas, principalmente as mulheres, dentre elas minha favorita é Manuela, a eterna esposa de Garibaldi. Confinadas numa casa, as protagonistas, ''distantes'' da guerra, remoem suas ansiedades, angústias e temores; sem no entanto deixarem de dar espaço para a alegria, para a vida. As emoções das personagens são até bem exploradas, sem contudo serem muito aprofundadas. Levando em conta o contexto da Guerra Farroupilha achei esse um dos poucos pontos fracos do livro. As angústias de um tempo tão sombrio deveriam ser mais bem exploradas; por exemplo: vemos uma personagem em grande conflito interno, sentimento exposto pela abordagem do narrador, mas nós leitores não sentimos a real gravidade desse mesmo conflito. Introspecção psicológica não é o forte da narrativa, tão pouco as descrições de cenas de guerra. A sondagem psicológica aparece de maneira contida, digamos assim; talvez a única exceção, nesse sentido, são os trechos narrados por Manuela.
Sim; temos mais de um narrador no livro. Temos acesso ''à história em si'', em terceira pessoa, a trechos do diário de Manuela e das cartas trocadas entre as personagens. O que me espantou foi o fato de que Letícia dá personalidade própria de escrita para os trechos escritos por Manuela e para as cartas. A exemplo do estilo de escrita de Manuela que é mais visceral; já na do narrador da ''história em si'' temos uma escrita menos intimista. Não pelo fato de os trechos do dito diário serem reflexões íntimas de uma mulher, o caso vai além: Manuela tem um estilo de escrita próprio, diferente da do narrador em terceira pessoa. É como se houvesse um escritor para a história em si e outro escritor para o diário de Manuela!
A habilidade da autora em mesclar gêneros textuais diversos é exímia, sem falar na capacidade de nos repassar o comportamento tipicamente brasileiro-sulista das personagens daquela época, as transformações da visão de mundo delas ao longo do tempo (nos dez anos de guerra) também são bem apresentadas, não tanto como deveria devido a introspecção psicológica contida da qual falei antes.
Após lê-lo, pensei novamente numa coisa... O cânone literário brasileiro precisa ser revisto. Uma ''Escrava Isaura'' na frente d''A Casa das Sete Mulheres'' chega a ser humilhante, não para o último, mas para Bernardo Guimarães mesmo, com o seu pseudo-clássico, já que ''A escrava Isaura'' não é nem de longe um livro tão bem escrito como o de Letícia Wierzchowski.
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Chris Oliveira 04/10/2017

Bento Gonçalves é um revolucionário que luta por direitos e liberdade. Ao deixar sua casa para liderar a Guerra dos Farrapos, decide enviar sua mulher, seus filhos, sua irmã e suas sobrinhas para a casa de sua outra irmã, onde estarão longe dos conflitos e protegidos do perigo. Contudo, a guerra se estende e a família tem muitas perdas, e aquelas mulheres sofrem de uma enorme solidão que atinge cada uma de maneira peculiar.

Ninguém sai imune, todas sofrem as consequências da revolução, mesmo que distantes: uma enlouquece, outra é abandonada, uma sofre a perda dos filhos, outra se entrega a um amor proibido. Temos várias histórias narradas sob dois pontos de vista: um narrador onisciente e uma das personagens que escreve todas as suas dores em um diário.
Assim vamos descortinando a história e vivenciando todas as dores e sofrimentos dessas sete mulheres incríveis que, decerto, traduzem e dão uma amostra ao leitor das consequências da Guerra nas famílias envolvidas.

Um romance que tem como pano de fundo a Guerra Farroupilha e apresenta personagens históricos como Bento Gonçalves e o casal Anita e Giuseppe Garibaldi. Assim a história é desenvolvida, e o leitor fica em dúvida sobre o que de fato aconteceu e o que é imaginação da autora. A trama é tão bem construída e detalhada que nos confunde sobre a realidade e a ficção, e nos traz uma curiosidade crescente sobre os fatos históricos que marcaram essa parte da nossa História.

Eu gostei muito da leitura fluida, detalhista e muito envolvente da autora. A história tem uma atmosfera melancólica, consegui sentir a solidão das personagens em suas linhas, e os diários da Manuela trazem um tom verossímil à obra, que muitas vezes me confundi acreditando que se tratava de um registro histórico e não de uma obra de ficção.

site: https://www.instagram.com/p/BZzEThvAUHB/?taken-by=letrasextraordinarias
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Suka 04/09/2017

A casa das sete mulheres é um romance histórico, ora narrado em terceira pessoa, ora em primeira, é uma trilogia que terá como cenário a Revolução Farroupilha, mas aulas de história a parte. Foquemos na narrativa.
A Guerra havia estourado, Bento Gonçalves líder da revolução, envia sua esposa, filhos (as), sobrinhas e irmãs para Estância da Barra que fica afastada da guerra, enquanto os homens mais velhos da família o acompanha.
A Estância é um lugar cercado de beleza natural e essas mulheres terão que viver ali, afastadas, de tudo e de todos, até que a guerra chegue ao fim.
Ana, Maria Manuela, Caetana, Perpétua, Rosário, Mariana e Manuela irão viver naquele lugar da melhor maneira possível, cada uma com seus sonhos, orações e afazeres. Mas nem todas sabem viver com aquela paz, em meio a guerra e as perdas.
Dentro da narrativa encontraremos os "Cadernos da Manuela", onde ela irá contar sua visão da guerra, suas angústias, seus sentimentos pelo aliado de seu tio, o italiano Giuseppe Garibaldi, um amor impossível visto que ela está comprometida com seu primo Joaquim que está na guerra.
Uma guerra que durou 10 anos, será contada com detalhes da batalha. Viveremos o drama dessas mulheres vendo seus filhos e maridos indo em busca de uma República com a incerteza de que irão voltar.
O leitor mergulhará de fato na escrita da autora e sentirá com os personagens a angústia da espera, veremos amores impossíveis surgirem e até sobrenatural.
Uma leitura densa, rica em detalhes, a cada página lida vemos a coragem e a força dos personagens diante das situações.
É um livro que vale a pena ser lido.

site: www.suka-p.blogspot.com
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Cheiro de Livro 28/08/2017

A Casa das Sete Mulheres
Não faço parte das pessoas que assistiram a minissérie da TV Globo (melhor avisar logo), ouvi falar de “A Casa das Sete Mulheres” assim que ele foi lançado lá em 2002 dentro de uma livraria (conversar com livreiros é a melhor coisa para descobrir bons livros) e ele entrou na listinha de livros para prestar atenção e ler no futuro. A obra de Letícia Wierzchowski virou sucesso na TV, eu assisti uma palestra ótima dela em uma Bienal e o livro continuava lá na listinha, depois na pilha de livros e assim se passaram 15 anos onde eu sempre ouvia pessoas me indicando essa leitura. Com uma década e meia de atraso finalmente me dediquei as pouco mais 400 páginas e fico me perguntando: porque demorei tanto tempo?
O romance histórico conta a vida das mulheres da família de Bento Gonçalves, as sete mulheres do título, que ficaram em uma estância durante os anos da Revolução Farroupilha. Ver a guerra pelo ângulo de quem espera, de quem reza e aguarda notícias é sempre uma experiência. Passamos a vida vendo os campos de batalha pela ótica de quem luta, das trincheiras, enfim, pelo olhar masculino. Leticia opta por nos mostrar a guerra pelos olhos das mulheres, aquelas que não iam para a frente de batalha mas sofriam cada momento do confronto com a angustia de quem nada sabe e que apenas torce pelos que lutam.

Os dez anos da Revolução Farroupilha são divididos em dez capítulos que se sucedem mostrando as angustias e a força dessas sete mulheres, as moças fúteis da cidade que crescem ao longo da guerra, as esposas que aguardam a volta de seus maridos, as sabedoria da que já perderam seus amados e sabem o quanto tudo aquilo marcará a vida. É uma narrativa envolvente, dessas que faz você torcer pelas personagens, torcer pelos seus amados, até torcer por desfechos diferentes em fatos históricos (quem nunca, não é mesmo).

No meio desse universo tão feminino, de amizade, solidariedade tem até o Giusepe Garibaldi (que mesmo eu não tendo visto a adaptação para a TV passei a imaginar com a cara do Thiago Lacerda). A história dele com Manuela é um dos hits do livro, todo mundo que lê fala deles. Para mim o livro é mais do que isso e me encantou bem mais pelo todo das mulheres do que por uma história especifica.

Caetana, Ana, Rosario, Perpétua, Mariana, Manuela e Maria nos acompanham por dez anos e mais de 400 págianas em uma viagem pela história menos explorada da Revolução Farroupilha ou de qualquer revolução ou guerra: as mulheres. É uma leitura que recomendo.

site: http://cheirodelivro.com/casa-das-sete-mulheres/
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Nay Moura 25/08/2017

[RESENHA]: A Casa das Sete Mulheres, Letícia Wierzchowski
A maioria, deve lembrar da famosa série da Globo, A Casa das Setes Mulheres, que tinha como pano de fundo a Guerra dos Farrapos (1835-1845). E como aprendemos na escola, essa guerra deu-se entre latifundiários do Rio Grande liderados por Bento Gonçalves, contra o Império. O que muitos não sabiam era que a série baseou-se no livro homônimo da autora gaúcha Leticia Wierzchowski.

Assim como na série livro traz a história das mulheres da família de Bento Gonçalves (D. Ana, Caetana, Perpétua, Maria Manuela, Manuela, Rosário e Mariana), numa espécie de exílio, protegendo-se na Estância da Barra, interior da província. A trama gira em torno da clausura dessas sete mulheres, da angústia dos dias carregados de espera e solidão. O leitor acompanha e se envolve muito facilmente com a história, não é difícil imaginar e visualizar tudo que está descrito, em parte porque pra quem assistiu a série vai lembrar de muita coisa, mas muito por conta da escrita da Letícia, que é bastante rica em detalhes e muito gostosa. Ao longo da trama vão se desenvolvendo os vários romances. Histórias de amores proibidos, improváveis, alguns felizes de certo modo, mas drama é o que não falta. Tudo isso atrelado a História da Revolução Farroupilha. Os relatos que permeiam a guerra em si, narrando as batalhas, as pelejas e toda a movimentação dos republicanos é descrita de forma muito precisa e com bastante propriedade. A autora consegue misturar a ficção e realidade daquele tempo de um jeito muito convincente, muito bem desenvolvido e muito bonito.


A narrativa se divide em dois tempos e visões. Antes de cada capítulo, há trechos dos Cadernos de Manuela, relatado em primeira pessoa. A outra parte da narrativa é contada em terceira pessoa, narrando os muitos anos e cada pedaço de tempo que sucedem a guerra. E como tudo vai ficando mais intenso, mais difícil e insuportável para elas. A perda dos filhos, dos maridos, irmãos, primos, sobrinhos, amigos e entes queridos vai despedaçando a esperança aos poucos.

Mas, umas coisinhas me incomodaram bastante e não poderia deixar de citar.

Levando em consideração a época e que o regime escravocrata ainda era vigente, eu entendo que descrições do tipo: negrinho(a), mestiço(a), preto(a), etc., eram comuns. O que me incomodou foi a excessividade delas.

-Haa Nay, mas na época era natural e não dá pra problematiza tudo buscando representatividade sempre. O foco é a revolução e a vida das 7 mulheres e não os negros da casa.

Sim, entendo isso, e é claro que é preciso questionar, pois existe diferença entre caracterizar o racismo e expressar racismo. Não se trata de buscar "representatividade ou protagonismo em tudo", se trata de ler algo e se sentir incomodado com a naturalização dessas expressões.

E pelo amor de Deus, eu não estou dizendo que a obra é racista, ou pior, que a autora é racista. Muito provavelmente, essas descrições foram sem intenção de causar desconforto, até por conta dessa visão naturalizada do racismo fomentada pela nossa cultura, e também pelo contexto da época. Mas não consigo ignorar, é preciso sim falar sobre isso. Pode ser um livro da Clarice Lispector (minha autora favorita), se tiver algo que me incomode eu vou falar.

Pra finalizar, eu espero que entendam o meu ponto. Eu acho o livro muito bonito e adorei ter lido, teria gostado muito mais se não fosse essa questão que citei, mas eu recomendo sim, para todos que já amavam a série e querem reencontrar esses personagens maravilhosos, e até para tirar suas próprias conclusões. Vale muito a pena a leitura.
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Gaby 23/08/2017

"Havíamos vivido a História, e seu gosto era amargo, no fim."
Em 1835 estourou no Rio Grande a Guerra dos Farrapos, uma revolução de caráter republicano que se estendeu por dez anos. A revolta teve como líder o general Bento Gonçalves da Silva, e ficou sob sua liderança por alguns anos até passar por outros generais e coronéis. Foi nessa guerra e em seus personagens históricos que Leticia Wierzchowski baseou seu romance de maior sucesso, que começa com o general Bento Gonçalves enviando as mulheres de sua família para uma estância afastada de todo o conflito para protegê-las. Enquanto isso, os homens da família estariam lutando pela causa dos latifundiários conta o Império.

Naquela casa afastada de tudo no meio do pampa rio-grandense, as sete mulheres (entre crianças, escravos e peões) esperam por notícias, pelo fim da guerra e pelos seus maridos e filhos, podendo apenas pedir em orações pela sua proteção. A sina dessas mulheres é esperar, e é a espera e o confinamento, além da violência e das mortes que rondam aquela estância, que aos poucos vão transformando-as e moldando seus destinos.

Uma dessas mulheres é a jovem Manuela, que possui grande sensibilidade e uma intuição muito forte, assim como suas tias. Poucos meses antes da guerra estourar ela conseguiu ver o futuro e toda a dor e todo sangue que os aguardavam; mas ela também viu a chegada daquele que seria seu grande e único amor: Giuseppe Garibaldi.


"Por que se lutava e por que se morria? Nunca hei de sabê-lo. E nenhum regime sob o céu me haverá de justificar esta guerra. Talvez por um sonho. Por liberdade. Por ela é que se luta. Como Giuseppe Garibaldi. Ele tem esse sonho e o persegue pela vida, mesmo muito longe deste Rio Grande, em outras terras ainda mais distantes de sua pátria, Giuseppe sempre lutou por seu sonho. E eu sempre sonhei com ele. Mas luto pouco, porque não tenho armas."


As relações presentes no livro, tanto familiares quanto românticas, são bastante intensas, e Leticia explora bastante essas relações no livro, sempre marcadas por perdas, por amores proibidos, segredos e mortes. Em uma casa com sete mulheres, a emoção está sempre a flor da pele, e elas sofrem, choram e imploram; enquanto os homens padecem no campo de batalha, elas vivem com uma dor diferente, mas que é capaz de matá-las, apagar o brilho de seus olhos e também enlouquecê-las.

Acompanhamos essa narrativa em terceira pessoa e também através dos cadernos de Manuela, que narra seus dias naquela estância. Os cadernos são dos dias de guerra e também de muitos anos à frente, conforme a trama vai fluindo.

Leia a resenha completa com fotos no blog:

site: https://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/2017/08/a-casa-das-sete-mulheres-de-leticia.html
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Samanta 16/08/2017

espero que daqui a alguns anos possa tornar a me encontra com essa estória novamente.
Bem, aqui estou tentando colocar em palavras a experiência de ler o livro A casa das Sete Mulheres, mas o que dizer de um livro tão excepcional como esse? Tarefa muito difícil, porém irei tentar.
Depois de algumas leituras regulares, pego para ler esse livro sem muita expectativa, mas sabendo da fama e varias críticas positivas de um livro que até virou série de TV em 2003 que na época apreciei como uma criança pode apreciar na minha idade, sem muito envolvimento, mas só agora tive interesse de conhecer a obra.
A obra mescla realidade e ficção num romance que usa a Revolução Farroupilha como pano de fundo para descrever as aventuras de sete gaúchas da família do general Bento Gonçalves. Antes do início da guerra, ele isolou as mulheres da família em uma estância, a fim de protegê-las. Entretanto, o tempo se passa e a guerra não termina. Assim, o rumo da vida dessas sete mulheres começa a se modificar para sempre.
O romance trata, essencialmente, da busca de um sonho, de um ideal: o da liberdade (para os escravos do Rio Grande do Sul) e o da autonomia e independência de um território comandado pelo poder imperial. Um romance de ficção sim, mas pautado em fatos e personagens reais.
A autora nos conta todas as batalhas, conflitos, amores e dificuldades que as sete mulheres: Antônia, Caetana, Rosário, Ana, Perpétua, Manuela e Mariana vivenciaram em dez anos de confinamento na Estância da Barra, da família Gonçalves da Silva. Sua escrita é um poema em formato de prosa. Rica em detalhes parece que estamos mesmo vivenciando tudo de perto.
O amor de Manuela e Garibaldi, as incertezas e desencontros de Rosário e Steban, o amor enlouquecedor de Mariana e João Gutierrez é descritos e narrados de forma envolvente, pura e delicada. A história não conta apenas com o frescor de todos os amores, mas também com a dor da desgraça de todas as tragédias. Sobrinhos, amigos, entes queridos, pessoas em si são perdidas em uma guerra que, na verdade, não teve vencedores.
As narrativas vão se revezando até o final da trama, com os Diários de Manuela, que conta a história sob a perspectiva da personagem, e na narrativa em terceira pessoa do que acontece na estância/guerra contando a história de cada uma das sete mulheres, além de focar na guerra e nos homens da família que estão nela.
Conforme o tempo passa, quem está lendo começa a se sentir presos e angustiados nessa estância assim como as sete mulheres. As notícias são escassas, a preocupação é grande e o fim nunca chega. O medo e a fé estão presentes o tempo todo para essas gaúchas.
Não é uma obra cheia de felizes para sempre, como os contos de fada, mas uma obra que fala de vida real, de tudo aquilo que acontece mesmo contra a nossa vontade, de todos os sonhos que se perdem ou se realizam em meio aos dias monótonos da nossa existência.
Eu queria muito ter tido a oportunidade de lê esse livro antes, mas tudo tem seu momento certo, e espero que daqui a alguns anos possa tornar a me encontra com essa estória novamente.
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Luciane 06/08/2017

Definitivamente, a literatura brasileira está bem representada por uma mulher gaúcha. Letícia Wierzchowski é a autora de um dos melhores livros que tive oportunidade de escolher em parceria com o Grupo Editorial Record, me fazendo ter a certeza de que todo o meu preconceito com os livros daqui é pura ignorância.

Muitos devem se lembrar da minissérie exibida pela Rede Globo durante o ano de 2003, onde sete mulheres viviam confinadas em uma casa durante a Revolução da Farroupilha, também conhecida como Guerra dos Farrapos, e que aconteceu de verdade entre os anos de 1835 e 1845. A narrativa de A Casa das Sete Mulheres é dividida entre os relatos da escritora com trechos do diário de Manuela, filha de Maria Manuela e irmã de Rosário e Mariana.

Aliás, essa foi a primeira vez que registrei os principais personagens e a relação entre eles, visto que o livro carrega muitos nomes. Na maioria das vezes, me confundi e tive que reler as páginas para tentar entender a importância de cada um na história.

Em resumo, A Casa das Sete Mulheres é simplesmente um livro sobre sete mulheres (Maria Manuela, Caetana, Manuela, Rosário, Mariana, Perpétua e D. Ana) que são levadas para uma casa isolada e distante dos solos em guerra. Mulheres estas que são obrigadas a conviverem juntas, cada uma com seu tormento, tentando sobreviver ao medo de perder seus entes queridos na batalha que durou pelo menos 10 anos.

Seria injusto fazer uma resenha que consiga fazer o leitor entender a importância deste livro para a literatura brasileira. Com maestria, Wierzchowski narra a angústia de quem vive esperando pelo pior e por uma guerra que parece não ter fim. Fiquei bastante impressionada com os pontos de ligação dessa história, onde cada personagem tem seu papel e não passa despercebido.

Quando cheguei à última página, fiquei tentando entender como poderiam ter mais dois livros dando continuidade. Um Farol no Pampa e Travessia prometem explicar aquilo que ficou sem respostas, mas confesso que não senti necessidade de mais explicações. Lembrando que é preciso ter bastante paciência para decorar os personagens e, enfim, entender a relação entre eles. Se você gosta de um desafio, vale a pena encarar esse.

site: http://www.pitacosculturais.com.br/2017/08/05/a-casa-das-sete-mulheres-wierzchowski-leticia/
Gustavo Rodrigues de Vargas 06/08/2017minha estante
Eu lembro de assistir a série da Globo quando mais jovem e adorei. E é bom saber que o livro é de qualidade também!


Luciane 06/08/2017minha estante
Espero que você tenha a mesma impressão quando tiver oportunidade de ler, Gustavo. :)




Luiza 03/08/2017

A Casa das Sete Mulheres
Lá pras bandas de 2003 a Rede Globo produziu uma minissérie que ficou marcada na minha memória pela quantidade de atores bonitos reunidos em uma mesma produção (recorde esse que não foi superado até hoje).

Anos depois descobri que A Casa das Sete Mulheres foi uma adaptação de um livro escrito pela escritora gaúcha Leticia Wierzchowski e, mais recentemente, descobri que a história não apenas era um livro como fazia parte de uma trilogia.

Em comemoração ao lançamento de "Travessia", livro que conclui a série iniciada em 2002, a Bertrand Brasil relançou os dois primeiros livros em um novo projeto gráfico.

Quem se lembra da série com certeza se lembra do enredo (difícil esquecer uma boa produção, e A Casa das Sete Mulheres foi excelente), mas, para quem não se lembra (ou não é dessa época),a história se passa durante a Revolução Farroupilha, revolução de caráter republicano ocorrida no sul do país entre os anos de 1835 e 1845. De um lado, estancieiros sulistas descontentes com o preço dos altos impostos cobrados pelo Império Brasileiro e também pelo baixo preço do charque e do couro, principais produtos da região.

Quando a guerra se fez iminente, o general Bento Gonçalves da Silva isolou as mulheres de sua família mais as crianças pequenas em uma estância afastadas das áreas de conflito com o propósito de protege-las.

Era para ser por um curto período de tempo, mas a guerra começou a se arrastar. Um ano virou três. Três anos tornaram-se cinco, e de cinco, para dez. E nesse meio tempo, as sete mulheres confinadas naquela estância aprenderam a conviver com a solidão e o silêncio da guerra e a esperar... Sempre a esperar.

A narração é feita em duas frentes: uma que acompanha episódios pontuais de todos os personagens envolvidos na estancia e na guerra. Seus pensamentos, medos e desdobramentos são ditos em terceira pessoa, como uma câmera acompanhando a pessoa. A outra frente são os "Cadernos de Manuela" (que na série foi interpretada por Camila Morgado) e, como o próprio nome sugere, são partes de seu diário, escritos durante o confinamento no campo ou mesmo muitas décadas depois dele.

Este não foi um livro fácil de se ler, e também muito difícil de se largar. O conhecimento prévio da história (pelo que aprendemos na escola ou mesmo pelas reminiscencias da série) já adiantava que não era uma história com final feliz (e histórias de amores partidos me cortam o coração até reduzi-lo a cacos).

Ao mesmo tempo, a narração de Leticia Wierzchowski é precisa e não te deixa largar o livro. Mesmo sabendo que esta é uma história de espera, me senti compelida a esperar e sofrer junto com aquelas mulheres, a sentir suas raras alegrias e a suportar o fardo das tristezas. No fim, além de tudo, é preciso também dividir o gosto amargo da derrota, e reunir os cacos para viver sem aqueles que pereceram ao longo da guerra.

Terminei este livro temendo pelo próximo, o Um Farol no Pampa deve chagar a minha casa por estes dias. Sei que vou lê-lo da mesma maneira que li A Casa das Sete Mulheres: agoniada pela espera e pela guerra em curso, e também envolvida em uma narração impecável e amarga.

site: http://www.oslivrosdebela.com/2017/08/a-casa-das-sete-mulheres-leticia-wierzchowski.html
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Tamara 31/07/2017

*Resenha postada na íntegra e originalmente em: https://rillismo.blogspot.com.br/2017/07/resenha-casa-das-sete-mulheres-por.html


Falar de a casa das sete mulheres, para mim, é falar de um amor intenso e avassalador por um livro. É falar sobre uma história que me marca há anos, e é falar de um livro que tem a capacidade de me arrepiar da cabeça aos pés com suas passagens. Pois é. Esse é o meu livro favorito de toda a vida, e é uma história que me acompanha a muitos anos. Para falar a verdade, conheci inicialmente a série homônima que foi transmitida pela rede globo pela primeira vez no ano de 2003. Eu era então uma garotinha, mas já na época achava tudo aquilo fascinante. Mais tarde, nos livros de história, aprendi sobre a guerra dos farrapos e sobre Laguna, um berço importante dessa revolução, que por coincidência fica próximo de mim, e em uma visita escolar a essa cidade, vi algumas coisas antigas que aumentaram meu interesse. Mas meu amor se solidificou mais tarde quando tive a oportunidade de ler o livro A casa das sete mulheres pela primeira vez. Então, recentemente, com a notícia de que a autora lançaria um livro, agora sobre o italiano Giuseppe Garibaldi, e sobre a outra mulher que ele amou, Anita, resolvi que releria O primeiro livro, e também Um farol no pampa, que é a sequência. E então, mesmo não sendo dada a releituras, comecei-a.

Posso dizer que novamente me emocionei, sorri e chorei com cada trecho. Me encantei com o amor de Caetana, a esposa de Bento Gonçalves, tão devota e apaixonada pelo marido, mesmo após tantos anos de casamento. Sofri com as irmãs de Manuela, Rosário e Mariana, e também com a prima, Perpétua, que já tão novas, tiveram de abrir mão de suas vidas confortáveis de festas e de serem cortejadas, para ficarem recolhidas na estância, e cada uma sofreu e amou a seu modo pessoas inalcançáveis ou impossíveis. Esperei junto com as irmãs de Bento gonçalves, Ana joaquina, Antônia e Maria, que choravam por seus maridos, filhos que estavam na guerra e que faziam o possível para que aquelas meninas levassem uma boa vida. E também me arrepiei com o amor de Manuela, tão sólido, tão intenso, tão real por Garibaldi, e lamentei com ela quando o amado encontrou Anita. E tive, como sentimento principal durante todo o tempo um sentimento de união, de mãos dadas, de sete vidas unidas em uma só, por um só objetivo, em uma só espera.

Mas, deixando um pouco de lado o meu amor intenso pela obra e o quanto ela me tocou, é preciso falar sobre as questões práticas que mais me fazem adorar esse livro. Em primeiro lugar, acho sensacional a pesquisa que a autora fez para essa obra. Ela alia ao romance, fatos reais de batalhas, inserindo datas, locais e fatos importantes, sem, no entanto, que isso se torne cansativo. Além disso, conseguimos vislumbrar com perfeição como eram os costumes da época, as regras de etiqueta, qual o tipo de comportamento que era exigido das mulheres, do que elas deveriam se ocupar em seus dias, dentre outras coisas. Também, é deliciosa a mescla de gêneros que encontramos aqui, pois ora vemos romance, e ora vemos drama, suspense e fatos históricos. Ainda, a autora insere uma poética em sua escrita, que nos leva a refletir juntamente com os personagens, sobre destino, sinas, amor, morte, dentre outros temas bastante importantes. Outro fator que é extremamente positivo, é a construção de cada personagem, e todos acabam se tornando reais para o leitor, ainda mais porque a autora escreve com a linguagem gaúcha que era usada na época, inserindo palavras como vosmecê, entonses, entre outras. Para mim, uma coisa que me ajudou ainda mais na caracterização de cada personagem, foi o fato de lembrar das vozes dos atores que protagonizaram a minissérie, pois cada vez que falava-se no livro a respeito de determinado personagem, minha mente lembrava-se das vozes dos atores e ouvia com perfeição eles falando.

Porém, para leitores que gostam de uma linguagem mais fácil, acessível e sem tanta poética, essa escrita que nos insere no Rio grande do sul pode não ser tão interessante. Também, em alguns momentos o livro traz poucos diálogos, e  para aqueles que gostam de várias falas em suas leituras, pode ser mais uma vez algo incômodo. Ainda, a narração, que é bastante mesclada entre momentos da guerra, a casa das mulheres e os pensamentos íntimos de manuela, pode ser um pouco perturbadora para quem espera uma linearidade monótona em uma leitura.

Os personagens são todos fascinantes com suas individualidades e peculiaridades. Acho que minha favorita é Manuela, pois conhecemos seus pensamentos mais íntimos e ficamos tocados por seu amor tão ferrenho, determinado e ilimitado. Ainda, gostei muito de Caetana, a esposa do general Bento, por sua força como esposa, mãe, amiga, irmã, e com sua fé fervorosa que lhe ajudou a manter a sanidade nos dias mais difíceis. Há ainda Antônia, uma irmã do general, que vive em uma estância  perto da estância da barra, e que está sempre presente em cada momento de alegria ou tristeza enfrentada por cada uma daquelas mulheres, e é calada, mas muito sábia, sempre sabendo que palavras falar ou que abraço dar para transmitir força e alento.

A narração é feita em alguns momentos em primeira pessoa, quando encontramos os cadernos de Manuela, que são uma espécie de diário onde ela escrevia sobre seus pensamentos, anseios e sonhos mais íntimos, e em terceira pessoa, nos momentos em que se narra o cotidiano da casa e das personagens ou ainda as passagens da guerra. Além disso, essa narrativa se passa em um período de mais ou menos dez anos, e é dividida em vários capítulos.

Recomendo essa obra veementemente e sempre. É um livro lindo, sobre amores, dores, vida e morte. Não é uma obra cheia de felizes para sempre, como só os contos de fadas o são, e sim uma obra que fala de vida real, de tudo aquilo que acontece mesmo contra a nossa vontade, e de todos aqueles sonhos que se perdem ou se realizam em meio aos dias banais da nossa existência.

site: https://rillismo.blogspot.com.br/2017/07/resenha-casa-das-sete-mulheres-por.html
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Kari 25/07/2017

“A casa das setes mulheres” é uma odisseia, narrada em alguns momentos em primeira pessoa e em outros, em terceira pessoa. A história se passa a partir do ano de 1835 e tem um grande elemento histórico nacional: Revolução Farroupilha.

Bento Gonçalves, um dos coronéis que irá liderar as tropas, decide manter as mulheres de sua família em segurança e por isso, enquanto ele estiver ausente, todas elas (sete no total), irão ficar na Estância da Barra, localizada na ribeira do Arroio Grande, as margens do rio Camaquã.

“Estância da Barra era de propriedade de D. Ana Joaquina da Silva Santos e do seu esposo, o senhor Paulo, que na noite de dezoito de setembro de 1835 reunira-se, juntamente com seus dois filhos, Pedro e José, às tropas do coronel Bento Gonçalves da Silva. A Estância da Barra ficava na ribeira do Arroio Grande, às margens do Camaquã, a doze léguas da Estância do Brejo, esta de propriedade de D. Antônia, irmã mais velha de Bento e D. Ana. A Estância do Brejo também situava-se às margens do Rio Camaquã e possuía um imenso laranjal, famoso entre todas as crianças da família Silva.”

As 7 mulheres são Ana, Maria Manuela e Caetana, irmãs e esposa de Bento Gonçalves, respectivamente. E as moças são Perpétua, filha de Caetana e Bento e suas primas Rosário, Mariana e Manuela. Manuela é a voz em primeira pessoa do livro, que narrada através de seus cadernos (diários) o dia a dia da Estância e das mulheres ao seu redor. Manuela tem um amor tumultuado com Giuseppe Garibaldi, um aliado italiano de Bento.

O problema é que ninguém imaginava que a Revolução fosse durar tantos anos e com o passar do tempo, algumas das mulheres começam a sucumbir, enquanto outras ficam relembrando seus momentos mais felizes.

“A Casa das Sete Mulheres” é uma obra rica de detalhes sobre um dos momentos mais importantes da história brasileira. É uma obra repleta de mulheres fortes que tiveram que aprender a ser independentes e se a salvar a si mesmas nos momentos mais inesperados.


A parte física do livro está incrível! Capa perfeita! Linda de viver! Posso dizer o quanto estou apaixonada?

“Do mesmo sonho que se vivia, também se podia morrer”, ocorreu-me isto naquela noite, num susto, como um pássaro negro que pousa numa janela, trazendo sua inocência e seus agouros. Muitas outras vezes, nos longos anos que se seguiram, tive oportunidade de me recordar dessa estranha frase que ouvi outra vez, algum tempo mais tarde, na voz adorada de meu Giuseppe, e que repetia o que eu mesma já tinha dito ao ver uma fresta do futuro... Talvez tenha sido exatamente nessa noite que tudo começou.”




site: http://www.pslivros.com.br/
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Carolina Durães 25/07/2017

A sinopse é bem explicativa. A história começa em 1835, quando no Brasil teria início a Revolução Farroupilha. O livro é narrado em primeira e terceira pessoa alterando a perspectiva da história. O General Bento Gonçalves da Silva decide mandar as mulheres de sua família para um local mais isolado, para que ficassem protegidas.

Então ele envia as Sete Mulheres para a Estância da Barra: Ana, Maria Manuela, suas irmãs e Caetana, sua esposa; Perpétua, filha de Caetana e Bento e suas primas Rosário, Mariana e Manuela.

"A Estância da Barra ficava na ribeira do Arroio Grande, às margens do Camaquã, a doze léguas da Estância do Brejo, esta de propriedade de D. Antônia, irmã mais velha de Bento e D. Ana. A Estância do Brejo também situava-se às margens do Rio Camaquã e possuía um imenso laranjal, famoso entre todas as crianças da família Silva.”

Ao serem mandadas para longe, essas mulheres começam a sentir o peso da realidade que as abate. Elas estão confinadas enquanto o seu futuro é incerto, pois uma guerra está para acontecer. As tensões na casa aumentam e os humores ficam voláteis. Algumas das mulheres desabam diante da nova realidade, enquanto outras prosperam e descobrem dentro de si uma força antes desconhecida.

Os trechos em primeira pessoa estão relacionados aos Cadernos de Manuela, uma espécia de diário que ela mantêm durante todo esse período. Manuela é apaixonada por Giuseppe Garibaldi, um aliado italiano de Bento. Manuela alterna contando o seu dia a dia com as lembranças do passado.

“As mulheres da sala se puseram a pensar no mar, nos mistérios das suas ondas, em praias remotas que decerto nunca veriam. E Manuela recordou a distante noite em que ele lhe surgira pela primeira vez, entre as névoas da sua intuição, os cabelos ao vento, no convés de algum navio, e soube que decerto ele já rumava para ela, e que aquela guerra toda, tudo aquilo, era apenas para que ambos se encontrassem e vivessem o que lhes estava destinado. E, nesse momento, segurando o bordado com mãos trêmulas, Manuela descobriu-se a mais feliz das criaturas.”

A história tem uma narrativa arrebatadora, que traz para os leitores a consciência de todos os que sofrem durante um período de guerra. Sim, os soldados são as principais vítimas, mas seus familiares também, pois ficam presos em um período de incertezas e mudanças e precisam aprender a lidar com novas situações por conta própria.

"Como um muro, é assim que uma mulher do pampa espera pelo seu homem. Que nenhuma tempestade a derrube, que nenhum vento a vergue, o seu homem haverá de necessitar de uma sombra quando voltar."

site: http://www.mixliterario.com/
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Livrai-Nos 25/07/2017

Sobre frágeis mulheres fortes!
A casa das sete mulheres é um romance histórico narrado em terceira e primeira pessoa, escrito pela autora Leticia Wierzchowski. O livro faz parte da trilogia que teve relançamento em maio de 2017 pela Bertrand Brasil.

Pulando a aula de história sobre a Revolução Farroupilha vamos focar na narrativa que essa obra maravilhosa apresenta. A história inicia com a chegada das mulheres numa estância afastada de onde a guerra tinha estourado. Bento Gonçalves, o líder da revolução e principal membro da família, resolveu deixar "suas mulheres" e crianças o mais isolados possível. Assim, sua esposa, filhos, irmãs e sobrinhos vão para a Estância da Barra.

A chegada naquele lugar tão afastado apesar das belezas naturais e fartura que a família possuía, mexeu de imediato, apesar de ainda pouco, com os ânimos, expectativas e anseios das mulheres que lá ficariam por tempo indeterminado, esperando sempre pelo fim daquela guerra.

As 7 mulheres são Ana, Maria Manuela e Caetana, irmãs e esposa de Bento Gonçalvez, respectivamente. E as moças são Perpétua, filha de Caetana e Bento e suas primas Rosário, Mariana e Manuela.
"Como um muro, é assim que uma mulher do pampa espera pelo seu homem. Que nenhuma tempestade a derrube, que nenhum vento a vergue, o seu homem haverá de necessitar de uma sombra quando voltar."

Na narrativa, temos os "Cadernos de Manuela", escritos da personagem contando de seus sentimentos e sua visão da história. Manuela é uma personagem de destaque pelo seu envolvimento com um italiano aliado de Bento Gonçalves chamado Giuseppe Garibaldi. A moça vive um amor impossível e um tanto quanto dramático na trama.

E drama é o que absolutamente não falta. Mulheres, esposas, irmãs, mães e filhas sofrendo a dor e a ânsia de ver os homens da casa indo para a guerra, sem ter muito o que fazer a não ser esperar. Se valendo de orações, preces e sofrimento por aqueles que estão no constante banho de sangue que durou quase 10 anos. Além de suas próprias dores, onde as mais jovens perderam todo o ânimo que sua época e a expectativa criaram para suas vidas tomando rumos totalmente inesperados e especialmente tristes.

A história da revolução é recontada com os pesares da guerra, das batalhas e das perdas. Mas o sentimento e a angústia o leitor acompanha através da agonizante paciência disfarçada daquelas que esperam. Romances impossíveis, inacabados, proibidos e até algo sobrenatural está sobre o véu que cobre a vida da casa das 7 mulheres. A tragédia não está somente nas batalhas...

"Havia um céu azul e uma brisa morna de manhãzinha. Havia um céu azul, agora tudo é negro e sujo e moribundo por um momento, até que a poeira desce e outra vez se descortina o movimento ritmado dos corpos vivos pisando sobre os corpos mortos. E o céu permanece inalterado,o olho de Deus."

Um livro longo e que tem absolutamente tudo pra ser cansativo, mas não é! Há muito força nas perdas, muito coragem nos medos e muito vida a ser contada entre essas quase 500 páginas. Se você acompanhou a série da Globo (muito boa, por sinal) irá sentir falta de algumas coisas que, confesso, se estivessem no livro seria melhor ainda. Mas não deixa a desejar. A edição está maravilhosa, sem nenhum erro de revisão encontrado por mim e essa arte da capa apaixonante! Uma obra e tanto.

site: https://estantelivrainos.blogspot.com.br/2017/07/resenha-livro-casa-das-sete-mulheres-de.html
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Neilania 11/04/2017

Forte, poético e encantador!
Demorei a ler mas bebi cada parágrafo com encantamento. A história narrada a partir de um ponto de vista feminino, cheio das limitações do período, é maravilhoso! Você não consegue ficar alheio aos amores, dores e medos dessas mulheres que nada podem fazer além de esperar. Um belo retrato da sociedade da época. A farroupilha nunca teve cores tão impressionantes e momentos tão vivos.
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Flavia 24/01/2017

Estudei várias vezes a Revolução Farroupilha. Mas após ler este livro foi que compreendi melhor o que esta guerra que durou 10 anos.
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