A Casa das Sete Mulheres

A Casa das Sete Mulheres Letícia Wierzchowski




Resenhas - A Casa das Sete Mulheres


69 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5


Ana Carolina 22/02/2013

Como a História foi escrita por seres humanos do sexo masculino, sendo quase sempre relegado às mulheres serem meras mães de seus filhos, é muito interessante ler um livro em que 7 mulheres fazem parte da História e cada uma com uma personalidade única e cativante. Quantas assim existiram e nunca ficamos sabendo??
comentários(0)comente



Fernanda Nunes 10/06/2010

Amores, esperanças e perdas
A casa das sete mulheres mostra nada mais do que a espera e a guerra, não tem como ponto principal os ganhadores e as frentes de batalhas, porém mostra o que está por trás de tudo isso, mostra a família dos grandes guerreiros e soldados, mostra as longas esperas, que parecem nunca ter fim.
O amor que se perde, e perca é o que mais se acontece nas guerras, a mulher que perde o marido, o filho, o irmão, o primo, o tio.
E não são apenas as percas pessoais, são também as percas emocionais.
A guerra seca a vida, corroe a fé, a esperança e também o amor.
Espera-se por homens que talvez, jamais voltarão. Os filhos crescem sem o pai, tendo o como um visitante, em alguns momentos da frágil vida.
Perde-se um pouco da infância, e muito mais da adolescência e da sanidade.
Isso é o que o livro nos conta em suas páginas de espera.
A espera de um bilhete, de um recado, de uma rápida aparição, a espera do amor.
O mais triste de todo o livro, não foi nem o fato de Manuela ter morrido como a "noiva de Garibaldi", pq esse, foi o fim que ela mesma lhe traçou, mas foi por Caetana, que esperou amargamente por seu Bento Gonçalves, que voltou para casa, já velho e doente, sem forças para viver. Totalmente desapontado com a guerra.
10 anos da vida de Bento e Caetana foram enterrados, pela espera e a vontade de um dia poder voltar.
Apesar de não ter morrido fisicamente com a guerra, Bento morreu espiritualmente a cada dia em que a guerra durava, seu corpo físico foi sepultado 2 anos depois, porém ele já estava morto, desde antes do fim da guerra, Bento já havia morrido, e com certeza, Caetana já sabia disso, devido sua angustia pelo marido, mas ela sabia a quem amava, sabia que Bento era da república, e mesmo assim ela esperou e anciou por sua volta a cada dia, com suas rezas, com sua família e principalmente o amor.
O amor que não era como o de Manuela por Garibaldi, o de Rosário por Steban, o de Mariana por João, ou o de Perpétua por Inácio, mas era um amor que suportou todos os enlaces da guerra, todo o medo da perda, suportou tudo, até mesmo as traições, mas mesmo assim ela desejou por Bento todo os momentos, não que suas cunhadas não esperassem pelos maridos, mas eles morreram nos primeiros anos da guerra, apesar da dor que elas sentiram, acostumaram-se com a perda, já Caetana não, ela não perdeu o marido fisicamente na guerra, mas no decorrer dos 10 anos, foi como se matasse o seu amado a cada dia, torturando-a com o passar do tempo.
E para mim, essa foi a dor que mais senti, de saber que depois de anos, Caetana que tanto esperou por seu Bento, já o havia perdido sem que ela soubesse de verdade, mas que involuntariamente já o sabia disso.
comentários(0)comente



Hester 02/06/2012

O livro é excelente. Embora um tanto triste e pesado. Li muito lentamente alternando com outros, pois em alguns momentos me deixou bastante triste, parecia que eu tb fui contaminada pela angustiante atmosfera da guerra e da espera...
Em alguns trechos me lembrou muito de Érico Verisimo, meu escritor brasileiro, depois de Machado, preferido. Como na obra "O Tempo e o Vento", aqui a autora cita muito o tempo e o vento, o tempo de espera, infindável, daquelas mulheres de certa forma confinadas na estância, sem notícias de seus maridos e filhos, e o vento que soprava como que trazendo sempre notícias da guerra distante e ao mesmo tempo perto.
Excelente livro.
Thais Soares 01/01/2015minha estante
Esse livro é fantástico! Já o li umas três vezes! Se você achou ele triste, vai morrer de tristeza quando ler "Um farol no Pampa", a continuação. História muito boa, mas que te deixa muito angustiada. Você sente a dor e a perda dos personagens! Esse é o tipo de livro que te leva pra dentro da história! Faz você se sentir como no livro "A História sem fem", ou seja, vivendo a história.




Bia09 09/04/2009

Maravilhoso!
Lindo, praticamente poético e apesar de tratar de um assunto delicado como a guerra, é de uma leveza impressionante!
comentários(0)comente



Leilinha Diniz 23/03/2009

Excelente!
Por ter gostado tanto da minisérie da Globo, me interessei por este livro e tenho que dizer que não me arrependi! Na evrdade gostei bem mais do que a versão televisiva!
O livro é muito rico em detalhes e conteúdo. Escrito de forma primorosa! Sem dúvidas a autora merece nossa atenção!
Totalmente recomendado!
=)
comentários(0)comente



Emerson 01/10/2014

Um épico envolvente e angustiante
Ao longo do livro você consegue sentir os sentimentos que afloram dos tantos personagens fascinantes da história. Alegria, esperança, raiva, tristeza, resignação, mas principalmente angústia. Um livro tão intenso, que acompanha a saga de tantos personagens cativantes, que mesmo você sabendo como o fato histórico termia, você torce por uma licença poética que mude a história real. Ao relatar a história de vários personagens, vemos que ninguém passou impune a essa guerra, e que na vida do ser humano a realização e alcance dos seus sonhos é uma tarefa árdua, em que muitos sucumbem antes de alcança-los.
comentários(0)comente



Renata 01/03/2009

Raro os casos em que o filme eh melhor que o livro, aqui no caso a serie da Globo na minha opiniao foi superior. O livro eh bom pelo seu conteudo historico, porem faltou a acao e emocao com que a globo conseguiu exibir. Mesmo assim a leitura vale a pena.
comentários(0)comente



Ka Castoldi 30/04/2009

Foi um livro que me deixou completamente fascinada, absorta enquanto lia. A história dessas sete mulheres sozinhas na imensidão do pampa é simplesmente indescritível. Os sete destinos unidos em um,e em tramas de amor, ódio e coragem consagraram Leticia aos meus olhos. Quanto mais eu tento explicar a perfeição desse livro, mais difícil fica. Só lendo para se entender a complexa simplicidade de um livro tão bem escrito. Como se não bastasse, se passa no meu amado Rio Grande do Sul. Não há palavras para explicar.
comentários(0)comente



Kelli 15/12/2012

ESTIGMAS NO CORAÇÃO DO PAMPA
Um grande ícone da Literatura rio-grandense, Leticia Wierzchowski, nasceu em quatro de junho de 1972, em Porto Alegre, RS. Depois de abandonar a faculdade de Arquitetura e a confecção de roupas que possuía, foi trabalhar juntamente com seu pai no escritório de construção civil da família. Nessa época começa a escrever obras de ficção. Estreia com o romance O anjo e o resto de nós, em 1998 – relançado em 2001 –. Um ano depois a publicação de Eu@teamo.com, baseada na sua história romântica com o marido, e também Prata do tempo. No ano de 2002 chega ao auge da carreira com A casa das sete mulheres. Depois lança diversos livros: O pintor que escrevia, 2003; Cristal polonês, 2003; Um farol no pampa, 2004 – continuação da saga A casa das sete mulheres; Uma ponte para Terebin, 2005; De um grande amor e de uma perdição maior ainda, 2007; Os aparados, 2009; Os Getka, 2010. Entre esses há obras infanto-juvenis: O Dragão de Wawel e outras lendas polonesas, 2005; Todas as coisas querem ser outras coisas, 2006; O menino paciente, 2007; Era uma vez um gato xadrez, 2008.
A casa das sete mulheres retrata a Guerra dos Farrapos sob o ponto de vista da mulher gaúcha, sua espera e dor. Com os altos impostos, o preço do charque se elevou e os conflitos provenientes do descontentamento do povo sulino eclodiram numa revolta popular. Diante da resistência do império, mais tarde se tornaria a Revolução Farroupilha, uma luta em favor de um ideal: a liberdade de um povo e de uma terra. Com o desencadeamento da Revolta, o coronel e líder do movimento, Bento Gonçalves propõe às mulheres de sua família o isolamento na estância da Barra. Com o intuito de protegê-las, porém, não imaginava que jamais poderia poupá-las psicológica e emocionalmente dos acontecidos no decorrer daqueles dez anos longos e devastadores naquele pampa.
Leticia expõe o diário de Manuela, sobrinha de Bento, a única pessoa a prever os maus presságios que 1835 carregava em suas entranhas e, a narrar de forma exímia o sofrimento de suas parentas. As mulheres mais moças da família, habituadas com a vida social agitada e os bailes de Pelotas, se deparam com o tédio e rotina maçantes, desprovida de novidades, salvo as vezes em que o coronel trazia ou encaminhava revolucionários para a estância. Já as mais velhas, irmãs do coronel, são o alicerce da casa. Mostram-se fortes nos momentos mais conturbados: na morte de Paulo e Anselmo – maridos de D. Ana e Maria Manuela, respectivamente –, e também no fim trágico de Pedro – filho de D. Ana –, na prisão de Bento e nos delírios de Rosário, apaixonada pelo fantasma de Steban, imperial uruguaio morto em combate.
A monotonia e os tempos de guerra, contudo, não impedem que as moças, Perpétua e Mariana, se apaixonem, casem e formem suas próprias famílias. A primeira encontra um charqueador estancieiro a favor da revolta, na época, delegado da cidade de Rio Pardo, que depois de viúvo, lhe faz a corte e com ela se casa. E Mariana enamorada por João, peão recém-chegado a estância, engravida. Depara-se com a rejeição da mãe Maria Manuela, que ao saber do acontecido a deixa confinada em seu quarto durante três meses, enquanto João vai unir-se as pelejas. Findo esse período, D. Antônia, angustiada com a situação da sobrinha a leva para sua estância para cuidar-lhe a saúde. Com o retorno de João, devido à amputação de sua mão direita, o casal é acolhido pela tia da moça, e passa a residir na Estância do Brejo.
A vinda do italiano Giuseppe Maria Garibaldi com marinheiros de diversas nacionalidades para a Estância do Brejo tinha como finalidade a construção de barcos para o propósito de conquistar as águas internas do estado. Durante a estada desses, o clima de excitação reinou entre as moças. E, como efeito colateral, surge a devastadora paixão entre Garibaldi e Manuela, a mais moça da casa. Prometida a Joaquim, seu primo, ela é impedida de dar continuidade a sua intenção de casar-se com o italiano. Apesar de eles noivarem às escondidas, o destino, sempre implacável, o leva para longe de sua amada. Mesmo com as promessas de retornar quando a guerra findasse, Garibaldi, no meio de tantas pelejas, apaixona-se por Anita, uma corajosa guerreira que abandona o marido para ficar ao seu lado. O marinheiro que outrora fazia juras de amor a Manuela, escolhe por ficar ao lado de Anita, cujo espírito livre e aventureiro se assemelha ao seu. Deixa assim, uma Manuela arrasada por um amor a que foi fiel até sua morte. “Noiva de Garibaldi”, como fica conhecida no Rio Grande.
Bento Gonçalves, eleito presente República Rio-Grandense encontrava-se preso quando essa foi declarada. Mas o gaúcho de personalidade forte e astuto por natureza, encontra na transferência para o Forte do Mar, Bahia, uma oportunidade de fugir. Praticando natação todos os dias no mar, aproveita-se de uma distração de um guarda e foge a nado da prisão. E enfim regressa ao seu Rio Grande, tão adorado. Retorna para tomar as rédeas de suas lides. Para felicidade de Caetena, sua esposa, que muito sofreu, sem nunca perder a postura, por seu marido e filhos tão expostos naquelas pelejas. Com a morte de três homens da família Gonçalves da Silva o desejo de vitória e vingança se intensifica entre os sobrinhos e os filhos de Bento, os quais vêm do Rio de Janeiro para pelear ao lado do pai.
Rosário, no decorrer da guerra e de sua loucura, se torna silente e distante. Apenas a sombra da moça meiga e jovial que outrora fora. Seu amor impossível a atormenta e a alimenta ao mesmo tempo. Maria Manuela presenciando agoniada os delírios de sua estimada filha, encontra uma única solução plausível: mandá-la para o convento. A jovem continua a encontrar-se com o fantasma do oficial, mantendo incursões noturnas pelo convento. E, no auge da paixão insana, crava no peito uma espada que seu Steban lhe dá. Quando as freiras encontram-na morta, no dia seguinte, ficam abismadas, sem entender de onde surgira aquela espada uruguaia, tão antiga.
Com a renúncia de Bento do seu posto de presidente e muitas tentativas de acordo, cansados já de guerrear, os farrapos assinam, finalmente, um acordo de paz, que concede anistia aos revoltosos e liberdade aos escravos. As cicatrizes, no entanto, permaneceram no seio do povo farroupilha. Cicatrizes de um luta, de um sonho não realizado, de um ideal não conquistado. Na vida desses heróis, que tanto perderam para pouco ganhar.
Ao leitor que não aprecia o sentimentalismo transcrito numa obra, essa não é recomendável, pois pode, muito provavelmente, entendiá-lo. Apesar dessa característica, a autora segue habilmente a risca os acontecimentos da Revolta, misturando realidade e ficção, o que, deve-se dizer, teve um resultado extraordinário. O livro é, conforme se constata, uma agradável ferramenta de apoio para a história rio-grandense. A autora deixa uma obra-prima em formato de livro para as futuras gerações gaúchas.
comentários(0)comente



diademaazul 12/10/2012

A CASA DAS SETE MULHERES
Autora: Letícia Wierzchowski
Número de páginas: 542 (edição de bolso)
Editora: Bestbolso
Sete razões para ler A Casa das Sete Mulheres:
1. É envolvente. No começo, você vai se acostumando com a narração (nº 2), e parece um pouco cansativo, mas ao ler as páginas, você não somente observa aquela casa mas mora nela. Você vive os anseios das sete mulheres, chora com elas, ama com elas e sofre todos os 10 anos de Guerra Farroupilha.
2. A narração é muito boa. Acho que uma das coisas que faz um livro ficar bom, é isso, e esse já entrou para os meus favoritos. São as discrições do pampa, do minuano, das roupas, do estado emocional de cada personagem, do barulhinho dos pássaros, das estações que nos faz exatamente sentir a atmosfera do ambiente. Letícia Wierzchowski escreve MUITO bem!
3. A variedade de personagens é grande, então não tem jeito: com alguma você se identifica. Pode ser na solidão de Manuela, na imaginação de Rosário, no amor de Caetana, na força de D. Antônia ou até mesmo na coragem de alguns homens guerreiros!

4. Mistura ficção com realidade,e, acredite o resultado é ótimo.
5. Te ensina a nunca desistir e ter MUITA paciência. São dez anos angustiantes para oito mulheres que nunca perdem a fé, e ainda tentam não se perderem. A guerra não é acontece só lá fora, mas dentro da Estância é cada uma lutando com a dor em seu próprio peito.
6.Os romances. Ah, os romances. Não sei como, mas Letícia Wierzchowski conseguiu que cada uma das personagens, sendo elas mais velhas ou não tivessem um par romântico (ou mais de um). Cada um com suas características próprias, com suas promessas e sonhos...
7. Um verdadeiro balde de cultura sobre nossas cabeças. O livro retrata o dia a dia de uma estância no sec. XIX, os costumes, a fé, o jeito gaúcho de falar. Mistura português e espanhol (ás vezes até mesmo italiano) e catolicismo com espiritualismo.
Beijos,
Marcela
http://garotadadiademaazul.blogspot.com.br
comentários(0)comente



Dani-chan 24/09/2016

Encantador
A Casa das Sete Mulheres
Assisti a mini série, quando passou, e quando fiquei sabendo que tinha um livro fiquei com muita vontade de ler, mas naquela época meu acesso a livros era bem limitado, então só esse mês consegui finalmente ler. E adorei.
O livro começa com a virada do ano para 1835, quando Manuela tem uma visão agorenta. Mais tarde, ainda neste ano, Bento Gonçalves deixa sua esposa e filhos, junto com suas demais parentas na Estância do Barra, e em 20 de setembro 1835 estoura a mais longa guerra civil brasileira, a famosa Gerra dos Farrapos.

“Não imaginava ela o que o futuro estava reservando à província, nem nenhuma das mulheres o imaginava naquele princípio manso de primavera nos pampas. Perpétua Garcia Gonçalves da Silva tinha esperanças de que o verão já lhes trouxesse a paz. A paz e a vitória. E os bailes elegantes onde desfilaria os vestidos vindos de Buenos Aires e os sapatos de veludo que mandara buscar na Corte. D.”

O livro intercala a vida das parentes de Bento Gonçalves: Caetana (sua mulher, muito bonita e misteriosa, passa o livro com o coração apertado esperando noticias do marido), Perpétua (filha do General, se apaixona por um médico, Inácio, que era casado quando se conheceram), D. Ana (irmã de Bento, uma mulher forte e digna, na minha opinião, a mulher mais sofrida desse livro), D. Antônia (irmã de Bento, é a mulher que está mais perto da guerra, ela é forte, e mantem todas unidas. D. Antônia não mora na Casa das Sete Mulheres, mas sim em sua própria Estância, vizinha.), Maria Manuela (irmã de Bento, é a mais frágil das irmãs de Bento, durante os 10 anos que dura a guerra, Maria Manuela é a que mais definha), Rosário (filha de Maria Manuela, uma garota da cidade, que de repente se presa em uma Estância isolada, sua mente não resite), Mariana ( filha de Maria Manuela, das filhas de Maria Manuela, é a mais forte, e a mais namoradeira, isso não é muito bom em tempo de guerra, mas ela é uma pessoa que sabe se levantar) e por fim, a sétima moradora da Estância do Barra, a casa das sete mulheres é Manuela (filha de Maria Manuela, é prometida a Joaquim, filho mais velho de Bento Gonçalves, mas se apaixona pelo revolucionário italiano Garibalde, antes mesmo de conhece-lo, um romance proibido)

“Sim, sempre os homens se vão, para as suas guerras, para as suas lides, para conquistar novas terras, para abrir os túmulos e enterrar os mortos. As mulheres é que ficam, é que aguardam. Nove meses, uma vida inteira. Arrastando os dias feito móveis velhos, as mulheres aguardam... Como um muro, é assim que uma mulher do pampa espera pelo seu homem. Que nenhuma tempestade a derrube, que nenhum vento a vergue, o seu homem haverá de necessitar de uma sombra quando voltar para a casa, se voltar para casa... Minha avó Perpétua dizia isso, disse-nos isso muitas vezes ao contar das guerras que meu avô lutara. É a voz dela agora que ecoa nos meus ouvidos.”

Enquanto conta as histórias das mulheres, temos vislumbres da guerra, onde conhecemos um pouco dos homens dessa família, Bento mesmo, era um realmente um General sem ‘suerte’, essas eram as partes que me faziam segurar a respiração, a autora conseguiu deixar as passagens de guerra bem violentas, mas ao mesmo tempo muito poética, e eu vivia com medo de mais uma morte para afligir as mulheres da estância.
Também temos vislumbres dos cadernos de Manuela, onde ela reflete sobre a guerra, a vida das mulheres na estância, e principalmente sua paixão por Garibald, aqui a autora também antecipa alguns eventos, como por exemplo a clausura de Rosário.

“Havia um céu azul vendo tudo isso, havia um céu azul e uma brisa morna de manhãzinha. Havia um céu azul. Agora tudo é negro e sujo e moribundo por um momento, até que a poeira desce e outra vez se descortina o movimento ritmado dos corpos vivos pisando sobre os " corpos mortos. E o céu permanece inalterado, o olho de Deus.”

Gostei muito da escrita da Letícia, acho que ela conseguiu um tom muito certo para o livro, a premissa de sete mulheres esperando em um lugar isolado, podia se tornar algo chato depois de um tempo, mas ela conseguiu carregar a história por umas 500 páginas, onde muitas coisas interessantes estão acontecendo, amores nascem e morrem, as crianças aprontam, feridos são trazidos para junto de suas mulheres, e as cartas? Ai as cartas, como deve ser desesperador receber uma carta com seu marido (filho, pai, irmão, parente, amigo ...) está na guerra, acho que eu não teria mais dedos se isso acontecesse comigo.
“D. Ana sentiu a aflição inquietar seu peito. Que pena sentia da menina... Mas era a vida. Nem boa, nem má. Apenas a vida. Como ela tinha dito havia pouco.”

Acho muito interessante que se possa ler romances inspirados em fatos históricos brasileiros, sei que no Japão tem vários livros assim, sei que existe mais, e estou correndo atras delas, mas acho que comparado a outros países, existe poucos por aqui, e A Casa das Sete Mulheres é uma pérola que deveria ser apreciado por todos que gostam de um bom romance, e de quebra gosta de História.


site: www.poyozodance.blogspot.com.br
comentários(0)comente



Tamara 31/07/2017

*Resenha postada na íntegra e originalmente em: https://rillismo.blogspot.com.br/2017/07/resenha-casa-das-sete-mulheres-por.html


Falar de a casa das sete mulheres, para mim, é falar de um amor intenso e avassalador por um livro. É falar sobre uma história que me marca há anos, e é falar de um livro que tem a capacidade de me arrepiar da cabeça aos pés com suas passagens. Pois é. Esse é o meu livro favorito de toda a vida, e é uma história que me acompanha a muitos anos. Para falar a verdade, conheci inicialmente a série homônima que foi transmitida pela rede globo pela primeira vez no ano de 2003. Eu era então uma garotinha, mas já na época achava tudo aquilo fascinante. Mais tarde, nos livros de história, aprendi sobre a guerra dos farrapos e sobre Laguna, um berço importante dessa revolução, que por coincidência fica próximo de mim, e em uma visita escolar a essa cidade, vi algumas coisas antigas que aumentaram meu interesse. Mas meu amor se solidificou mais tarde quando tive a oportunidade de ler o livro A casa das sete mulheres pela primeira vez. Então, recentemente, com a notícia de que a autora lançaria um livro, agora sobre o italiano Giuseppe Garibaldi, e sobre a outra mulher que ele amou, Anita, resolvi que releria O primeiro livro, e também Um farol no pampa, que é a sequência. E então, mesmo não sendo dada a releituras, comecei-a.

Posso dizer que novamente me emocionei, sorri e chorei com cada trecho. Me encantei com o amor de Caetana, a esposa de Bento Gonçalves, tão devota e apaixonada pelo marido, mesmo após tantos anos de casamento. Sofri com as irmãs de Manuela, Rosário e Mariana, e também com a prima, Perpétua, que já tão novas, tiveram de abrir mão de suas vidas confortáveis de festas e de serem cortejadas, para ficarem recolhidas na estância, e cada uma sofreu e amou a seu modo pessoas inalcançáveis ou impossíveis. Esperei junto com as irmãs de Bento gonçalves, Ana joaquina, Antônia e Maria, que choravam por seus maridos, filhos que estavam na guerra e que faziam o possível para que aquelas meninas levassem uma boa vida. E também me arrepiei com o amor de Manuela, tão sólido, tão intenso, tão real por Garibaldi, e lamentei com ela quando o amado encontrou Anita. E tive, como sentimento principal durante todo o tempo um sentimento de união, de mãos dadas, de sete vidas unidas em uma só, por um só objetivo, em uma só espera.

Mas, deixando um pouco de lado o meu amor intenso pela obra e o quanto ela me tocou, é preciso falar sobre as questões práticas que mais me fazem adorar esse livro. Em primeiro lugar, acho sensacional a pesquisa que a autora fez para essa obra. Ela alia ao romance, fatos reais de batalhas, inserindo datas, locais e fatos importantes, sem, no entanto, que isso se torne cansativo. Além disso, conseguimos vislumbrar com perfeição como eram os costumes da época, as regras de etiqueta, qual o tipo de comportamento que era exigido das mulheres, do que elas deveriam se ocupar em seus dias, dentre outras coisas. Também, é deliciosa a mescla de gêneros que encontramos aqui, pois ora vemos romance, e ora vemos drama, suspense e fatos históricos. Ainda, a autora insere uma poética em sua escrita, que nos leva a refletir juntamente com os personagens, sobre destino, sinas, amor, morte, dentre outros temas bastante importantes. Outro fator que é extremamente positivo, é a construção de cada personagem, e todos acabam se tornando reais para o leitor, ainda mais porque a autora escreve com a linguagem gaúcha que era usada na época, inserindo palavras como vosmecê, entonses, entre outras. Para mim, uma coisa que me ajudou ainda mais na caracterização de cada personagem, foi o fato de lembrar das vozes dos atores que protagonizaram a minissérie, pois cada vez que falava-se no livro a respeito de determinado personagem, minha mente lembrava-se das vozes dos atores e ouvia com perfeição eles falando.

Porém, para leitores que gostam de uma linguagem mais fácil, acessível e sem tanta poética, essa escrita que nos insere no Rio grande do sul pode não ser tão interessante. Também, em alguns momentos o livro traz poucos diálogos, e  para aqueles que gostam de várias falas em suas leituras, pode ser mais uma vez algo incômodo. Ainda, a narração, que é bastante mesclada entre momentos da guerra, a casa das mulheres e os pensamentos íntimos de manuela, pode ser um pouco perturbadora para quem espera uma linearidade monótona em uma leitura.

Os personagens são todos fascinantes com suas individualidades e peculiaridades. Acho que minha favorita é Manuela, pois conhecemos seus pensamentos mais íntimos e ficamos tocados por seu amor tão ferrenho, determinado e ilimitado. Ainda, gostei muito de Caetana, a esposa do general Bento, por sua força como esposa, mãe, amiga, irmã, e com sua fé fervorosa que lhe ajudou a manter a sanidade nos dias mais difíceis. Há ainda Antônia, uma irmã do general, que vive em uma estância  perto da estância da barra, e que está sempre presente em cada momento de alegria ou tristeza enfrentada por cada uma daquelas mulheres, e é calada, mas muito sábia, sempre sabendo que palavras falar ou que abraço dar para transmitir força e alento.

A narração é feita em alguns momentos em primeira pessoa, quando encontramos os cadernos de Manuela, que são uma espécie de diário onde ela escrevia sobre seus pensamentos, anseios e sonhos mais íntimos, e em terceira pessoa, nos momentos em que se narra o cotidiano da casa e das personagens ou ainda as passagens da guerra. Além disso, essa narrativa se passa em um período de mais ou menos dez anos, e é dividida em vários capítulos.

Recomendo essa obra veementemente e sempre. É um livro lindo, sobre amores, dores, vida e morte. Não é uma obra cheia de felizes para sempre, como só os contos de fadas o são, e sim uma obra que fala de vida real, de tudo aquilo que acontece mesmo contra a nossa vontade, e de todos aqueles sonhos que se perdem ou se realizam em meio aos dias banais da nossa existência.

site: https://rillismo.blogspot.com.br/2017/07/resenha-casa-das-sete-mulheres-por.html
comentários(0)comente



Letícia 23/02/2015

Letícia, como diz a própria Martha Medeiros, tem o dom de nos fazer voltar no tempo. Uma escrita leve, rápida, poética e gostosa, mesmo tratando de um assunto pesado como a guerra.
Com as mulheres e homens retratados, andei pelas paragens do Camaquã, em meio às flores, frutas usadas nos doces, dancei nos bailes, comi a carne assada, senti o vento minuano me cortar a pele, rezei pela paz, lutei por justiça.
Independentemente das liberdades tomadas pela autora para construir o romance, fui capaz de sentir a solidão e a agonia das mulheres em meio ao medo e à espera que o contexto lhes impunha; tudo isso sem perder sua graça e bravura natural. Nos homens, vi a coragem de lutar por um ideal de liberdade e igualdade, mesmo com todas as dificuldades de uma jovem, forçada e logo mal fadada pequena república.
Acima de tudo, um povo aguerrido, que sabe o que quer, e não se entrega facilmente. O povo do Continente de São Pedro do Rio Grande do Sul.
comentários(0)comente



Dani 30/10/2012

Uma história muy bela
Uma longa e linda história, um romance bárbaro pra quem gosta da Revolução Farroupilha e o Rio Grande do Sul. Meu concelho seria ver primeiro a minissérie e despues ler o livro. Embora no livro não apareça várias coisas que na minissérie tem. Coisas desnecessárias, apenas para aumentar a história na tv.
No livro o que eu mais gostei é que citam a aparência e a idade de cada um. É bem detalhado e empolgante, a linguagem é fácil, pelo menos pra mim foi. Tem uma leve mistura de espanhol e italiano e o linguajar típico do gaúcho.
comentários(0)comente



AndersonPacheco 04/08/2014

"A Casa de minha tia ia se esvaziando aos poucos, enchendo-se de sombras e de silêncios. Para sempre marcada por aqueles anos, a grande casa acabrunhava-se na sua nova solidão, envelhecia. Ficavam para trás, as longas horas de espera, os bailes com os republicanos, o medo nas noites de inverno. Ficavam para trás, as minhas tardes com Giuseppe, o casamento da prima Perpétua, os banhos de sanga, as músicas de D. Ana ao piano, tudo de bom e tudo de ruim ficava para trás: As vozes, os cheiros, as lembranças... Tudo se ia perdendo no limbo do tempo que passava. Havíamos vivido a História, e seu gosto, era amargo no final.
Manuela"
Data de 30 de agosto de 1890

Pelas páginas do diário de Manuela Ferreira de Paula e pelas hábeis palavras de Leticia, A Casa das Sete Mulheres vai tomando forma em uma maravilhosa obra, que mistura "heróis, morte e amor, numa terra que sempre vivera de heróis, morte e amor", as batalhas sangrentas; cúmplices da morte... Os romances ardentes que vão se tecendo ao longo das páginas, a dor da partida derradeira, a angústia da espera por notícas. A vida de oito mulheres que existiram e ficaram nos bastidores de uma guerra. Nenhuma delas é mencionada em nenhum livro de História, nenhuma delas é lembrada na Data Farroupilha de hoje em dia. Mas todas elas estão eternizadas para sempre nessa obra que fascina o coração e a alma.
comentários(0)comente



69 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5