O Rebelde

O Rebelde Jack Whyte




Resenhas - O Rebelde


13 encontrados | exibindo 1 a 13


Leitora Viciada 17/10/2012

Até agora este é, sem dúvidas, o melhor livro lido por mim em 2012. E o que me surpreende é que conforme a narrativa avança melhor e mais envolvente a história se torna e este é apenas o primeiro volume de uma trilogia. Aviso que a resenha não está nem próxima de expressar o quanto eu adorei o livro. Não consegui realizar esse trabalho. O livro é magnífico.
Nesse primeiro volume, o autor nos mostra sua versão para a vida de William Wallace. No segundo volume, será a vez de Robert Bruce e no terceiro a de James Douglas - todos heróis escoceses. Uma brilhante trilogia, se os seguintes volumes forem tão bons quanto o primeiro. Porém acho que este primeiro, para mim, será sempre especial, por ser Wiliam Wallace.

Sou fã de épicos e romances históricos, gosto de autores como Steven Pressfield (Portões de Fogo, A Última Guerreira), Bernard Cornwell (As Crônicas de Artur, Stonehenge) e Colleen McCollough (A Canção de Tróia, série Senhores de roma) e pretendo ler em breve a série O Imperador de Conn Iggulden. Simplesmente adoro esse tipo de livro.
Não conhecia Jack Whyte e estou completamente cativada, empolgada e apaixonada por O Rebelde. Aquele livro que você o termina, o fecha e se sente órfã. Sente saudade da leitura, quer ler ansiosamente sua continuação.
Um livro que não faz você apenas vibrar, torcer, refletir... faz você tremer. Percebi que tremia no final do livro, ao virar as últimas páginas. Tremia com uma mistura de sentimentos, o coração parecia querer saltar pela boca. Foi assim que terminei O Rebelde e não sei o que fazer até esperar pelo segundo volume e não consigo para de pensar: "Nossa, esse é apenas o primeiro livro de uma trilogia!" Que história, que autor!

Gosto muito de filmes épicos, que possuem boa estrutura histórica, batalhas, intrigas, e até coleciono filmes. Em 1995 foi lançado Coração Valente, ou Braveheart e lembro que eu tinha onze ou doze anos de idade quando assisti ao filme, na época em que minha mãe alugava filmes em VHS e era preciso reservar determinado filme e foi o que ela fez com Coração Valente. Assisti com ela, que era fã do Mel Gibson e descobri um mundo maravilhoso e nunca mais consegui sair dele. Tornou-se o meu tipo de história preferida. Depois me apaixonei por Gladiador com Russel Crowe, por exemplo, e daí em diante. Não importa o livro ou filme histórico, eu corro e leio/assisto logo que posso.


Quando a Fantasy - Casa da Palavra anunciou uma trilogia baseada na história da Escócia e do gênero histórico e que o primeiro volume seria sobre o herói escocês William Wallace, eu vibrei e ao pesquisar sobre o autor Jack Whyte criei enormes expectativas. Pensei em quantas vezes já havia assistido ao filme de Mel Gibson e quantas vezes já pesquisara sobre William Wallace.
Ele, Rei Artur, Boudica, Robin Hood, Ulisses, Aquiles, Thor, Espártaco e até mesmo Jesus Cristo e muitos outros heróis, sejam lendários, mitológicos, verdadeiros, santos ou um pouco de cada, sempre me causam curiosidade e enorme admiração e respeito em diferentes níveis.
No caso de Will (olha a intimidade) ele é a representação pura e total do nacionalismo, liberdade, justiça e proteção de um povo massacrado, sofrido e que luta para não ser censurado e dizimado, nem que para isso sejam necessárias táticas cruéis, antiéticas e violentas.
Quantos povos já não passaram por isso, tendo cada um seus heróis? Quantos heróis que lutaram e defenderam seu povo, cultura e princípios com toda a força e emoção morreram e seus nomes foram esquecidos ou desonrados?
Wallace é um símbolo de força, rebeldia e bravura. Ele simboliza não apenas os escoceses, mas todos os povos que lutaram ou ainda lutam por sua liberdade.
Por vezes o tratam como selvagem inculto; em outras vezes como fora da lei e ladrão; ou como assassino impiedoso que não seguiu ética nem as regras medievais dos cavaleiros. Em O Rebelde, o autor nos apresenta uma versão nua, crua e realista. Totalmente crível, embora seja um livro de ficção.

A capa do livro é maravilhosa, mostrando o Wallace arqueiro, guerreiro, rebelde. Perfeita! O título possui um efeito de bronze que se estende por dentro, na parte detrás da capa e da contracapa. As orelhas são grandes e com muitas informações. O trabalho gráfico está maravilhoso e convidativo aos amantes do gênero.
Aviso que o livro é denso, com a fonte um pouco menor que o comum, então suas 400 páginas parecem muito mais que simples 400 páginas. Uma leitura que não é feita da noite para o dia e nem deve ser! Cada página e cada um de seus dezenove capítulos e extras devem ser degustados e refletidos. Foi um livro que não me fez correr com a leitura, mesmo quando tentei. É tão maravilhoso que você se agarra a cada parágrafo.
Existem pausas entre um acontecimento e outro dentro de cada capítulo, pois são longos.

O vocabulário do autor é vasto e muito expressivo, inteligente e imponente. Dificilmente encontramos uma escrita tão excelente assim, o que acho essencial para tornar um livro histórico bom. Nesse caso, fantástico. Acredito que parte disso também se deva a tradução, que imagino ser excelente.
Não é um livro para qualquer um. Um leitor iniciante pode até começar a leitura, mas se ele ao menos não gostar de História, filmes ou seriados épicos, terá certa dificuldade. Recomendo este livro para os adoradores desse gênero, mas uma pessoa que tem o costume de ler apenas livros românticos ou chick-lits poderá ter dificuldade no começo do livro. Não estou sendo preconceituosa, apenas sincera em dizer que não é uma leitura fácil. Nada que no decorrer das páginas não possa ser superado, claro. Agora quem já é fã desse estilo e está acostumado amará, adorará a leitura do início ao fim!

A narrativa é um dos maiores acertos do autor. O fator principal se deve à escolha do narrador. Não é o próprio William Wallace quem conta a história. Nem um narrador de fora ou onipresente. É James, o primo mais que amigo, na verdade, quase um irmão para Wallace.
E por que digo que isso é um ponto positivo? Se o livro fosse narrado pelo próprio herói, perderia esse ar misterioso, lendário e secreto. O íntimo dele é parcialmente mostrado, a outra parte permanece uma incógnita esplêndida que deve ficar a cargo do leitor interpretá-lo. Ao mesmo tempo, por James ser importantíssimo na vida de William Wallace e quase sempre presente e ativo nos acontecimentos, vemos o lado mais pessoal do arqueiro escocês.
Ou seja, William Wallace nos é apresentado de forma íntima, direta, porém não completamente. A magia de desbravar quem realmente ele é, como se sente ou pensa sobre algo em seu interior, fica a critério da interpretação do leitor. James nos mostra seu primo e depois o líder guerreiro e acompanhamos a transformação do menino em herói através do seu mais próximo amigo. Por isso a narrativa é especial.
O autor fez uma excelente escolha. Em alguns acontecimentos, James não estava lá pessoalmente, e ficamos sabendo quando William ou outra pessoa o conta e o choque do leitor acompanha o de James.
Mas não se preocupem: Não perdemos detalhe algum, nada importante, porém essa estratégia de como contar a história mantém William Wallace como mistério em certos pontos, e em outros como uma alma revelada aos poucos.
Outra peça chave de James ser o narrador é o fato dele estar em locais onde William não está e assim a história é sempre montada e remontada.

Acompanhamos a História da Escócia medieval e da região do que chamamos hoje de Grã-Bretanha, e a de William e James Wallace. Intrigas políticas, muitas informações históricas estão presentes, então o leitor precisa estar atento a tantos nomes e sobrenomes, parentescos, propriedades, títulos, hierarquias e reviravoltas envolvendo isso tudo junto ao povo.
Paralelamente, acompanhamos a história de William e James Wallace, primos e crianças, logo no começo do livro, numa sequência frenética que já pula para a entrada de personagens essenciais. Desde o começo da leitura muitos fatos vão modificando a vida dos meninos e o tempo vai passando, mais aventura e ação vão tornando o enredo cada vez mais interessante. Não dá para largar o livro.

O que mais gostei sobre a infância e adolescência de William Wallace nessa versão foi que ele não é um selvagem ignorante que segue apenas o coração como muitas pessoas pensam. Ele é culto, fala, lê e escreve em diversos idiomas, apesar de não ser nenhum gênio e possui um nível alto de cultura e educação para a época. E seus traumas de infância (e de toda a vida) são muito dramáticos e profundos. O autor consegue manter uma elegância e naturalidade ao mostrar determinadas situações chocantes sem apelação alguma, a não ser para palavras bem utilizadas e estrutura do texto bem tecida.
E os meninos tornam-se rapazes e rapidamente são obrigados a serem homens. E nesse momento, aproximadamente na metade do livro, a leitura que estava boa, torna-se estonteante.
Will torna-se cada vez mais experiente, fisicamente, culturalmente e em estratégia e comando.

São tantas reviravoltas, tanta informação, tantas lutas, ciladas, personagens e acontecimentos que a cada parte o leitor se envolve cada vez mais e se compadece do povo escocês. A cada página, você admira cada vez mais William Wallace e seus seguidores, mesmo quando ele age violentamente ou de forma considerada militarmente inapropriada para a época.
São diversas as facetas mostradas do herói. Observamos sua mudança e evolução, seja ela física, intelectual ou psicológica. Mas seus princípios e ideias são sempre firmes e fortes. Acompanhamos como um menino assustado, traumatizado e fechado torna-se um líder natural, mesmo sem querer. Como ele torna-se um arqueiro, guerreiro, lutador, vingador, rebelde e procurado pela Inglaterra. é muito empolgante, cativante!
Ele é humano, simples, apaixonante e ao mesmo tempo feroz, implacável, perigoso e o mais interessante: respeitoso a Deus, mesmo quando ele percebe todo o envolvimento da Igreja Católica na política, seja para o bem ou mal - outro ponto bom do livro. Ele crê em Deus e em Jesus, e em alguns momentos se pergunta se está fazendo mesmo o correto pelo povo, se não é um pecador.
Seu ódio imortal pelos ingleses possui uma ampla base fundada pelo autor, tornando seu exagero totalmente plausível.

O clímax do livro é de tirar o fôlego e faz a história terminar de forma inesquecível. Me deixou por horas imaginando como será o segundo volume. Estou ansiosa e empolgada para saber como será tudo escrito pela mente e mãos do Jack Whyte.

A história é realista, convincente, envolvente e um pouco violenta. Em algumas partes, como anteriormente já alertei, chocantes. Mas em momento algum você deixa de admirar e querer conhecer cada vez mais essa figura lendária, esse mito considerado por alguns um bandido e por outros um herói.
Após um pouco de pesquisa sobre a História da Escócia e William Wallace (longe de mim ser especialista) ouso dizer que o livro me parece muito mais fiel à verdadeira história, apesar das inúmeras lacunas existentes na vida de Wallace. O filme do Mel Gibson marcou uma geração e fez retornar ao pódio de Hollywood os filmes épicos e é excelente até mesmo hoje, quase vinte anos depois. Um dos meus filmes preferidos e que sempre recomendo a quem ainda não o assistiu.

Comparando a versão cinematográfica de Mel Gibson à versão literária de Jack Whyte, me perdoem os fãs do filme, escolho O Rebelde. São diferentes versões de uma mesma lenda, diferentes mídias e em diferentes épocas. Ambas fantásticas e inesquecíveis. Existem semelhanças e diferenças gritantes, e embora o filme de Mel Gibson seja um dos melhores que já vi, apenas achei a versão literária O Rebelde mais realista, sanguinária e estruturada - menos romântica e idealista que a do filme. Meu simples ponto de vista, e que em nada me fez gostar menos do filme Coração Valente.

Além de escocês, e apesar de ser morador do Canadá há um tempo, o autor retornou à Escócia e fez uma incansável pesquisa sobre William Wallace, se preocupando com quem ele foi na realidade, dentro do possível. Ele encontrou-se com os maiores especialistas e leu manuscritos raros para compor a sua versão de romancista histórico. Sua maior dificuldade foi imaginar uma Escócia virgem e repleta de florestas e todo o cenário medieval que não mais existe, porém acredito que sua obra pode até não estar perfeita, e seria muito difícil alguém atingir esse nível, mas eu bato palmas para o livro. E de pé.

Só faltou no livro um mapa com a Grã-Bretanha daquela época, final de 1200 e início de 1300 para acompanharmos com mais atenção, mas também não é uma falta essencial.

Recomendo esse livro para os amantes de épicos, História, batalhas, Geopolítica, estratégia militar, gênero histórico rico em informações e intrigas políticas. Para quem deseja um livro de primeira qualidade, que possua uma leitura densa, pesada, marcante, violenta, dramática, verdadeira, ousada, chocante e emocionante. O livro vale o investimento, pois você não será mais o mesmo após terminá-lo. Um livro especial feito sob medida para quem possui a mente curiosa, a alma inquieta e o coração valente!
Um livro que está na minha prateleira de favoritos.

Preciso ler os próximos dois volumes da Trilogia Corações Valentes. Mas, de qualquer forma, O Rebelde já está na minha lista de livros preferidos.

Ps.: O filme Coração Valente de Mel Gibson (Braveheart, 1995) citado nesta resenha não é uma adaptação do livro O Rebelde de Jack Whyte (The Forest Laird, 2010) e vice-versa. Apenas citei o filme, porque ele é a versão mais famosa de uma história sobre William Wallace.

Trechos:
"Para mim é doloroso ouvir as pessoas dizerem que William Wallace morreu um rebelde, um patriota com um grito de liberdade nos lábios, porque isso é mentira."

"– Você precisa aprender uma verdade, William Wallace, então aprenda agora. Em luta corpo a corpo não pode haver posição ou títulos envolvidos. Se você um dia terçar lâminas com qualquer homem seriamente, não importa quem, só pode haver um resultado. Ou você o mata, ou ele o matará."

"Mas um homem, um rebelde desafiador, continuou a chamá-lo de rei e defender sua causa, para grande dor de Eduardo, da Inglaterra e da maioria dos magnatas ingleses.
Esse homem foi William Wallace."

"Naquele primeiro dia eu descobri que o número de seguidores de meu primo era muito maior, e sua autoridade tinha muito mais alcance do que imaginara."

"– Meu nome é William Wallace, da Escócia, e não me importo com quem sabe disso, então malditos sejam todos. Digam a eles para, ao aprtir, espalhar a notícia do que aconteceu aqui, a vergonha e a desgraça. Digam a eles que a Escócia tem uma voz entre as árvores da floresta de Selkirk"

"– Estaremos declarando guerra à Inglaterra. Que fique bem claro. Não será guerra aberta, e não será uma guerra de cavalheiros, mas será guerra: sangrenta, brutal, implacável, por todo o tempo que Pernas Longas desejar."

"– Pense nisso antes de adormecer esta noite, se conseguir dormir: William Wallace, vox populi, a voz de um povo."

"– Mostre-me um líder que mereça ser seguido e uma guerra pela qual valha morrer e eu lutarei. Isso eu juro."
Carolina Lopes 06/11/2012minha estante
Oi, Tatiana.
Adoro livros e filmes históricos e sou fascinada com qualquer coisa que tenha relação com a Escócia.
E que resenha!!! Já estava com vontade de ler esse livro, agora então estou louca de ansiedade.
Mais um para minha lista de desejados!
Beijos

PS: Vi que vc não leu A Rosa Branca Rebelde. Eu amei esse livro, ele é simplesmente maravilhoso!
Corra e leia!!! Tenho certeza que vc não irá se arrepender!


Leitora Viciada 06/11/2012minha estante
Carolina, muito obrigada pela dica, irei procurar me informar por A Rosa Branca Rebelde. Beijos.


anabnas 22/12/2012minha estante
Incrível resenha. É perceptível sua emoção ao ler o livro, e isso foi transmitido para nós, futuros leitores da obra. Depois dessa maravilhosa resenha, é certo que será um dos próximos livros que irei adquirir.
Parabéns!


Leitora Viciada 24/12/2012minha estante
Oi, Carolina! Espero que curta a leitura tanto quanto eu! Irei pesquisar sobre sua indicação, muito obrigada! Beijos.


ThaGi 14/02/2013minha estante
Resenha PERFEITA!!




Albarus 16/11/2012

Quando o filme é melhor que o livro
O Rebelde (Ed. Fantasy - Casa da Palavra, 2012) é o primeiro livro da série Corações Valentes, do escocês Jack White publicado no Brasil.

A Editora Fantasy emprestou este nome para a trilogia (que no original é: The Guardians of Scotland, ou seja Os Guardiões da Escócia) para tentar tomar uma carona num blockbuster de Hollywood, de 1995, famoso até hoje. A estratégia é que, já que este primeiro volume retrata a vida de Willian Wallace, um dos grandes patriotas escoceses de todos os tempos, e personagem do filme de 1995, então as pessoas iriam ligar a excelência do filme às páginas de Jack Whyte, que ainda não tem lá, um "nome", no Brasil.

Se você esteve morando em Marte nos anos 90 ou se seu cérebro foi comido por zumbis, ou se simplesmente não assistiu ao filme, bem... Coração Valente foi um dos melhores filmes estrelados pelo americano Mel Gibson e ganhou o Oscar por isso. Gibson sempre foi um sincero crítico ao imperialismo inglês em todos os tempos (numa época em que só aparecia na imprensa para falar de seus filmes e não para justificar as agressões às esposas, por dirigir bêbado, ou ofender policiais judeus, como fez nos últimos anos).

Eu, pessoalmente, considero Coração Valente um FILMAÇO e é um dos meus favoritos de todos os tempos. Contudo, se nunca tivesse visto o filme, nunca viria saber quem é esse tal Willian Wallace. Daí o gancho, inevitável, tomado pela Editora Fantasy.

O livro é muito bom, tirando umas ligeiras decepções que explico em seguida. Jack escreve muito bem mas temos aqui e ali algumas confusões devido a vírgulas mal colocadas ou uma ordenação das palavras e orações que ficaram meio confusas, provavelmente surgidas da tradução do inglês e não retificadas numa revisão mais cuidada posteriormente (atenção para isso Fantasy!). Mas fora isso temos um bom livro. Capa excelente, diagramação estupenda e... letras inacreditavelmente miúdas (pô, Fantasy!!).

Jack Whyte lança então esta série em que retrata, a cada volume, um dos três grandes heróis escoceses de todos os tempos. O primeiro é, convenientemente, o mais famoso, Willian Wallace, depois virão Robert Bruce (The Bruce tem uma ponta no filme, já citado) e James Douglas (de quem nunca ouvi falar a não ser, talvez, numa citação num dos livros de Bernard Cornwell, mas não estou bem certo disso).

Se a redução pretendida pela Fantasy, de trazer o filme ao livro, como jogada de marketing, é boa e conveniente, a expectativa de um leitor assíduo por um filme pipoca logo atrapalha, já que o livro é mais denso e tem muito menos ação. Não que isso seja ruim, no todo, mas o início muito bom, com o prólogo em que o primo de Will, James, o visita na prisão em Londres, antes de sua execução (quem não lembra da tortura a que Wallace foi submetido, no filme?), parece nos levar a uma leitura sombria e dolorosa com prenúncios de aventura épica. Teríamos então uma conjunção de aventura com conteúdo, o que me atrai sempre, incondicionalmente. Perfeito, comprei o livro!

Aí caí de cara na história, ávido por esta narrativa que para mim seria The Best! Mas o livro não é o que parece. Há muita movimentação entre a família de Wallace, o povo local, as intrigas que levaram a sucessão do rei Alexandre, morto, e os interesses amorosos do herói. Um bom pano de fundo é necessário, claro, mas no caso me parece extenso a ponto de desequilibrar a trama. Juro que nas primeiras duzentas páginas, parece que leio um romance de costumes, tipo Jane Eyre, de Charlotte Brontë, ou Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Nada mau se você está procurando por livros de época (o YA de antigamente), mas aquela verve do guerreiro brandindo seu imenso montante escocês com o rosto pintado de azul e enfrentando seus opressores ingleses, como visto no filme, fica muito aquém no livro.

Óbvio que Hollywood exagera tudo! Talvez o livro seja até bem mais fiel, historicamente, e não cabe a mim ir atrás disso neste momento, mas acho que o marketing abraçado pela editora de vender a trilogia com o nome Corações Valentes, talvez tenha sido um tiro no pé! Um história de Wallace? Não. Uma história da própria formação da Escócia, na verdade, em que Wallace aparece meio escondido. Há, sim, ação, momentos de interesse genuinamente adolescente, como nas cenas onde Ewan Scringeour exibe sua perícia com o arco longo inglês. Aliás, as passagens com Ewan, o mestre arqueiro que ensinou tudo o que Willian sabe sobre o arco e o bastão militar, são as melhores, partindo do comecinho quando ainda tenta ajudar os dois meninos Wallace, após os pais de Will serem trucidados.

Gostaria de esclarecer que não sou do tipo que procura ação a todo custo. Não! Procuro imersão na leitura, e ela só veio com menor intensidade do que esperava. O livro me parece frio demais. Tudo muito certinho, calculado, elaborado, como se visto de dentro de uma sala com ar-condiinado... Não descontrai, como nas ditas cenas de ação, entende? Aquele certo caos em que ficamos boiando por um instante, ouvindo gritos e sentindo os cheiros da carnificina, só para sermos resgatados de volta pelo autor, nos braços do herói. Parece que tento saborear um bife tentado não me ater que é na verdade uma carne cozida enlatada, sem muita gordura ou sangue. Algo do tipo diet.

Há um problema grave na estratégia que Whyte tomou para contar esta história: desde o princípio é James Wallace quem nos conta as desventuras e os feitos de Willian, nas quais, muitas vezes, ele sequer participa. Cada fato sobre a vida de Wallace nos vem sempre por seu intermédio, requentadas, de segunda ou terceira mão e, de um personagem secundário que deveria se ater ao papel de narrador, Jamye tem um papel muito mais ativo a um ponto que ele aparece muito mais que Will. O personagem principal é Willian Wallace, mas revelado tão de longe que vemos o próprio autor metido nas roupas de James Wallace nos contando a história, lá, num arquivo histórico, num museu ou numa universidade moderna, ao invés de vermos as cenas da época se desenrolando diante de nossos olhos.

É então um festival de flashbacks que junto com a dificuldade que tive de saber quem é que está falando (períodos longos demais em parágrafos intermináveis que são de um personagem, de repente são interrompidos por uma linha, com alguma interjeição de alguém e então o assunto é retomado e não se fica sabendo se é uma continuação da fala anterior ou é outro personagem que tomou a palavra), torna a história bem confusa, às vezes.

Mr. Whyte também tem um certa dificuldade de inserir os fatos históricos que marcam este volume e o período que ele abrange. No capítulo 11 James se encontra com o arcebispo Wishart, de Glasgow, e muita informação sobre a formação escocesa da época e as mudanças que se esperam são expostas ao leitor de uma forma praticamente didática, com o pequeno padre James sentado e o bispo falando sem parar; uma aula de história do possível declínio do poder inglês, a ascensão dos burgos e a derrocada da nobreza. Deu até sono... O ideal é que as informações sejam inseridas no transcorrer da obra, no meio da trama, como parte do argumento proposto na narrativa, não usar um personagem para contar a história a outro e assim, canhestramente, o autor nos dizer o que se passa. Isso se repete depois, em outras ocasiões, com outros personagens. Se me permitem a crítica um pouco mais enfática, na minha opinião, isso ou é coisa de escritor pouco hábil ou preguiçoso!

Jack Whyte termina o livro de forma um tanto decepcionante, já que após um evento de suma importância na vida de Willian Wallace, que efetivamente o transformou no herói conhecido hoje, ele opta por apenas dizer que depois daquilo veio a batalha de Stirling Bridge e não toca numa linha do assunto! Ou Jack odeia cenas de batalhas ou simplesmente não tem a manha de narrá-las. E, convenhamos... Se estamos falando de um grande guerreiro medieval que se envolveu no próprio processo de libertação escocesa, sangrento e arrebatador, não esmiuçar as batalhas é até omissão! Parece que, ao querer intencionalmente se afastar do clássico de Hollywood, o autor opta por uma personalização de seu texto prejudicial à própria obra em si.

No final temos um bom livro, que me inspira por seu valor literário, pelas ideias de liberdade e de luta de um grande homem. Só gostaria de ter visto mais paixão e menos didatismo deste grande autor. Pretendo ler os outros, com Bruce e Douglas, já que seus nomes são citados neste primeiro volume. Ver esta história por outros olhos, não os esgotados por Hollywood, parece ser bem interessante. Em suma, temos um livro... Interessante; mas nem de longe uma obra imperdível.
Thiago 08/03/2013minha estante
Apenas um comentário sobre a batalha de Stirling Bridge: o autor comenta, no início do livro, que sua obra não pretende substituir o filme Coração Valente (e ele disse que o simples desafio de escrever um livro com a gigante sombra ameaçadora do filme sobre si já seria sufocante). Então, como o filme já retratou a cena da luta de maneira espetacular, acredito que Whyte tenha decidido não se incomodar em descrevê-la para não precisar "reiventar a roda".

Convenhamos que a maioria, senão todos os leitores de O Rebelde já assistiram Coração Valente.

Apenas meus 10 centavos. Abraços!




spoiler visualizar
Leitora Viciada 24/12/2012minha estante
Serão 4 livros no total, o autor me comunicou: http://www.leitoraviciada.com/2012/11/novidades-exclusivas-sobre-serie.html




Tobias 20/12/2012

Um Rebelde distante
Um livro sobre o Willian Wallace, no qual o mesmo é tão distante da narrativa que você aprende mais sobre a vida política da Escócia do que sobre a figura do herói escocês. Um obra que até o seu décimo quarto capítulo (mais da metade do volume) não tem situações que lhe prenda à leitura. Em alguns locais vi comparações com Bernard Cornwell (trilogia 'A Demanda do Graal' e as 'Crônicas de Artur') e não achei semelhança. Cornwell tem uma maneira de inserir seus personagens fictícios no meio dos grandes acontecimentos que está muito longe do que acontece no livro de Whyte. 'O Rebelde' é um livro lento que mantem o herói muito longe do leitor.
Mas é inegável a pesquisa feita pelo autor e como ele insere o leitor nas questões políticas da formação da Escócia. Os problemas de sucessão real, o peso dos laços de vassalagem, o valor dos títulos de nobreza, a forma como os acordos são montados entre os nobres escoceses e o seu resultado, e o principal: a interferência inglesa nos assuntos da Escócia. Talvez seja esse o único ponto no qual valha a pena a leitura.
comentários(0)comente



Eric Massoni 12/02/2013

Jack Whyte almejou muito mais do que conquistou com sua versão da história de William Wallace. Como historiador e fã do gênero literário, acredito que o autor encalhou demais em questões totalmente anacrônicas, utilizadas repetidas vezes por vários personagens, concedendo uma consciência histórica impensável no período, quase um poder de premonição, considerando termos utilizados que surgiriam séculos depois para descrever aquele específico período. Os personagens principais adentraram nesse mundo especulativo com frequência, dando a impressão de um programa educativo, quase um documentário e não uma obra literária. Impossível seria deixar de comparar com alguns mestres do gênero como Bernard Cornwell e Conn Iggulden que, compensam todas as lacunas da inexatidão histórica, com uma atmosfera e tramas complexas e envolventes, totalmente ausente nessa obra do Whyte. O filme "Coração Valente", apesar de se enquadrar em uma proposta distinta, embasado mais na lenda do Wallace do que em seu personagem histórica, consolidou-se muito mais atraente e até mesmo realista do que essa obra. Talvez seu objetivo de prolongar a história com sequência de livros o tenha obrigado a produzir um texto maçante, mas nada justifica a ausência de complexidade da trama, ao completo anacronismo dos personagens e a uma péssima ambientação da obra, produzindo muito mais algo próximo ao Robin Hood do Kevin Costner (igualmente péssimo em suas proposições históricas, na minha opinião cômico) do que as demais produções do gênero em nossa atualidade.
comentários(0)comente



Elaine 22/03/2017

O REBELDE
DUAS CRIANÇAS SOBREVIVEM A UMA BATALHA ONDE SEUS PAIS SÃO MORTOS E JUNTOS ESCREVEM UMA LINDA HISTORIA DE AMIZADE. UM DECIDE SER PADRE E O OUTRO ARQUEIRO E JUNTOS LUTAM POR UM PAIS MELHOR. O LIVRO CONTA LUTAS INCRÍVEIS E UM FINAL SURPREENDENTE.
comentários(0)comente



Virgílio César 25/04/2014

O autor escreve muito bem, mas a história fica muito repetitiva e cansativa. O ideia de colocar um narrador um pouco distante da história não foi muito boa. De qualquer forma acho que o autor tem capacidade de escrever bons livros. Vou tentar ler outra obra dele.
comentários(0)comente



Eu Pratico Livroterapia 04/03/2017

O Rebelde - Jack Whyte
O Rebelde nos apresenta através da perspectiva do Padre James Wallace, primo de William Wallace, a história de como ele se tornou uma lenda, um dos rebeldes mais ferozes da Revolução Escocesa contra os ingleses.

A história começa nos mostrando um William Wallace ainda criança, porém, já consciente de toda a maldade que há no mundo, fugindo junto com seu primo de soldados ingleses que, além de assassinarem toda sua família, os estupraram.

Ao fugirem, acabam conhecendo um homem chamado Ewan, que os toma sob sua proteção, levando-os para a casa de seu tio, onde os três são acolhidos e passam a viver.

O livro narra, então, desde a infância deles, passando pela adolescência, até chegarem à idade adulta. Logo de cara, percebemos, pelo desenrolar dos fatos, que os dois primos vão trilhar caminhos bem diferentes entre si. Enquanto Will possui habilidades para o uso do arco e flecha e luta com bastões, Jamie demonstra maior inclinação para os estudos e, por fim, se torna padre.

O livro conta também, de forma um tanto breve, o início do romance entre Will e Mirren e o consequente casamento.

Devido a frágil situação entre os ingleses e escoceses, os ânimos ficam agitados em toda a Escócia. E, por mais que Will tente com todas as forças se abster de ter qualquer contato com os ingleses que tanto odeia, alguns acontecimentos inesperados acabam por arrastá-lo para a luta, fazendo com que ele se torne um fora da lei. Ele e sua família são obrigados a viver escondidos na floresta de Selkirk.

Lá, Will acaba por se tornar o líder de um bando de foras da lei intitulados: Os Verdes. Liderando diversos saques aos carregamentos dos ingleses, como retaliação por atrocidades cometidas contra os escoceses.

Desde o começo, ele é requisitado como um líder na guerra que se aproxima, mas, com a chegada de seu primeiro filho, ele jura permanecer nos bastidores, apenas orientando seus homens, porém, sem lutar.

As primeiras partes do livro nos apresenta um Will mais tranquilo, pai e marido amoroso e com um humor contagiante. Porém, nos momentos finais do livro, uma tragédia sem proporções acorda a fera adormecida dentro dele, fazendo com que o William Wallace sanguinário, violento e vingativo venha à tona.




Não sabia da existência deste livro, e, quando o comprei, ao ler a sinopse e saber que retratava a vida de William Wallace, o guerreiro escocês do filme Coração Valente com Mel Gibson, me senti duplamente empolgada e ansiosa para lê-lo. E não me decepcionei, o livro me fez mergulhar de cabeça em uma Escócia medieval, com cavaleiros e guerreiros, uma terra cheia de intrigas políticas, lutas pelo poder e traição por todos os lados.

Gostei muito da forma como Will foi retratado, um jovem culto que falava latim, mas, que trazia dentro de si uma selvageria instintiva que ameaçava escapar a todo o momento. Sendo assim, vi a dualidade que há no ser humano, onde o bem e o mal andam sempre lado a lado.

O livro descreve bastante as intrigas pelo poder entre os nobres, a realeza e a Igreja, enfatizando bem a dualidade da Igreja que usa a palavra de Deus para justificar atos de cobiça.

Achei emocionante a história de amor de Will e Mirren, mas, para uma pessoa romântica ao extremo como eu, gostaria que tivesse sido mais aprofundada. Porém, entendo que o foco do livro é a guerra e intrigas, ficando o romance como pano de fundo, mas nem por isso deixou de ser poderoso e arrebatador, mesmo breve.

Fazendo uma comparação livro X filme, digo que há poucas semelhanças. Mesmo o livro sendo escrito depois do lançamento do filme, houve uma preocupação do autor de ser fiel à verdadeira história, e não apenas produzir algo comercial. Jack Whyte fez uma investigação minuciosa, se dispondo a ir até a Escócia para vivenciar através de dados históricos e da cultura, que ainda permanece viva, para ser o mais fiel possível á extraordinária trajetória de William Wallace, que, até hoje, é tido como uma lenda.

São duas obras distintas, mas cada uma possui seus atrativos. Indico que conheçam as duas, pois não se arrependerão!


site: http://www.eupraticolivroterapia.com.br/2016/05/resenha-o-rebelde-jack-whyte.html
comentários(0)comente



03/01/2016


"I shall tell you of William Wallace".

Pois é. Para quem viu o filme, era assim que esse livro deveria começar. Mas...

"Para mim é doloroso ouvir as pessoas dizerem que William Wallace morreu um rebelde, um patriota heroico com um grito de liberdade nos lábios, porque isso é mentira." (p. 11)

E assim, em poucas palavras Jack Whyte acaba com a beleza do mito de William Wallace. Pelo menos neste primeiro - e por enquanto único, pelo menos aqui no Brasil - volume da trilogia Corações Valentes.

Neste primeiro volume, quase não se reconhece o William Wallace que conhecemos. Ainda crianças, ele e seu primo Jamie conhecem de perto a crueldade e o ódio pelos ingleses. Fugindo de sua aldeia, onde eles testemunharam o assassinato de toda a sua família, bem como foram vítimas de estupro, eles acabam conhecendo Ewan Scrymgeour, um arqueiro que também já sofreu horrores nas mãos dos ingleses, e que vai ajudá-los em sua criação.

Agora na casa do tio, William e Jamie vão para o mosteiro local p0ara receber sua educação formal, mas o tempo todo treinando combate com Ewan. Will logo se mostra bem à vontade com o arco e com o bastão, mas Jamie tem mais inclinação às letras. Desde já fica traçado o destino dos dois. Will se tornará o líder de homens, lutando pela liberdade, e Jamie seguirá no clero, mas acompanhando de perto as atividades de seu primo.

Will aqui ainda não é exatamente um líder, apesar de inspirar nos outros simpatia. É inteligente, perspicaz e decidido. Também é muito determinado, e não esquece nunca o que lhe aconteceu tantos anos antes. Ele tenta evitar a todo custo complicações com os ingleses, que já andam pela Escócia, ,as ainda não como vemos no filme. Mas, depois de um incidente com um padre inglês, Will é declarado fora da lei, e é obrigado a viver com sua família na floresta de Selkirk. Ele se estabelece como o líder de um bando de homens que, como ele, acabaram entrando em conflito com os ingleses. Ele lidera vários saques aos carregamentos ingleses, no maior estilo Robin Hood. Isso até que Mirren (você deve conhecê-la como Murron) tem seu primeiro filho. Daí, ele se conforma em ficar nos bastidores, e jura só lutar se e quando aparecer um rei, ou nobre, que realmente inspire confiança e por quem valha a pena lutar. Mas todo mundo sabe como isso acaba, certo?

Assim, neste primeiro, Will ainda não é o William Wallace que conhecemos. É um homem mais plácido e comedido. E com um humor e entusiasmo que envolvem qualquer um a seu lado. Pelo menos é assim que seu primo Jamie, que narra a história, o descreve. Na verdade, isso às vezes beira a adoração, e às vezes irrita. Jamie, como eu disse, segue na carreira religiosa, e, para m aluno relativamente inteligente, ele demora para entender algumas coisas. Ou, mais precisamente, não tem a perspicácia de Will. Na verdade, acho que às vezes ele inveja seu primo. A liberdade de viver na floresta, a mulher, a liderança... Jamie é mais diplomático e serve de ponte entre o bispo Wishart, patriota, e Will. O bispo é quem fornece muitas informações a Will. Gosto muito do bispo, mas Jamie não tem aquele charme de Derfel narrando a história de Arthur. Já volto nisso.

E Mirren é uma mulher forte e decidida também. Mas ela não aparece muito no livro, fica mais em segundo plano. Ela também é ´perspicaz, e entende tudo o que Will faz. Muitas vezes, é ela quem joga uma luz para Jamie. E, como eu disse, ela tem poder de decisão suficiente sobre Will para convencê-lo a deixar a luta para outros.

"De pé ao lado de Will, mal chegando à metade de seu braço inchado e olhando para todo o mundo como uma criança fraca e pequena - embora não fosse nada disso -, a garota Mirren erguia os olhos para ele, vendo seu rosto com um olhar profundamente reflexivo. À medida que eu me aproximei a jovem se afastou dele para abrir espaço para mim. Estava consciente de seus olhos azuis brilhantes me examinando da cabeça aos pés, os lábios sorrindo gentilmente.Mas, sendo quem sou, ignorei o olhar dela e me virei para Will, alegremente inconsciente de que no curto tempo em que estivera olhando para outro lugar, a vida de William Wallace, e todo o destino da Escócia, haviam mudado para sempre." (p. 101)

A nobreza escocesa ainda briga entre si, e francamente, me confundo toda com todos os nobres e quem está apoiando quem. Faz falta neste livro uma relação dos personagens no começo (ou no final). A narrativa é fácil, mas a parte política às vezes cansa. Há muita semelhança com a narrativa de Bernard Cornwell com as Crônicas de Arthur, mas Jamie não tem o mesmo humor refinado (aliás, isso falta completamente) de Derfel. Apesar de amar a história (como já disse aqui, Coração Valente é um dos meus filmes preferidos. Morro um pouquinho toda vez que vejo William Wallace gritando Freeeeeedom!!!!!!!!!!!!!! no final), e acho mesmo, pelo menos por enquanto, que o filme supera em muito o livro, ainda que não seja historicamente preciso, mas o livro ainda não me empolgou muito. É provável, pelo final deste, que o segundo, se um dia eu conseguir ler, me empolgue mais. Agora é manter os dedinhos cruzados para que a Fantasy publique.

Trilha sonora

Não tem outra: Braveheart Theme Song.

Se você gostou de O Rebelde, pode gostar também de:


As Crônicas de Arthur - Bernard Cornwell;
As Crônicas Saxônicas - Bernard Cornwell;
A Busca do Graal - Bernard Cornwell;
1346 - Bernard Cornwell;
Azincourt - Bernard Cornwell;
Os Pilares da Terra - Ken Follett;
Mundo Sem Fim - Ken Follett;
Trilogia do Século - Ken Follett.

site: natrilhadoslivros.blogspot.com
comentários(0)comente



Marina Garcia ( 03/04/2013

Resenha: O Rebelde, escrito por Jack Whyte
Publicado no blog: http://falandodelivrosemusica.blogspot.com.br/

Na manhã de 24 de agosto de 1305, na prisão de Smithfield, em Londres, o herói e fora da lei William Wallace esta prestes a ser executado, quando recebe a visita de seu querido primo Jamie, um padre disposto a ouvir sua última confissão. Partindo desse ponto, mergulhamos em uma história recheada de patriotismo sobre uma Escócia que muito pouco nós conhecemos.

"- Você recuou no fim - disse ele - parou por causa de quem eu era, esquecendo o que eu era: seu inimigo. Esse tipo de hesitação pode matá-lo em um combate real. Você precisa aprender uma verdade, William Wallace, então aprenda agora. Em luta corpo a corpo não pode haver posição ou títulos envolvidos. Se você um dia terçar lâminas com qualquer homem seriamente, não importa quem, só pode haver um resultado. Ou você o mata, ou ele o matará. Nunca se esqueça disso." (Página 83)

Os que acompanharam as postagens anteriores do blog, sabem que me apaixonei pela capa do livro desde a primeira vez que coloquei meus olhos nela. Os tons de laranja misturados com o azul, céus... Não descansei enquanto não consegui o livro, esse foi um problema. Não aconselho a ir com muita “sede ao copo” se você esta a espera de sangue e guerra, assim como eu estava. Ainda assim, não tiro os créditos. Deixe-me explicar...

O Rebelde é contado pelo ponto de vista de Jamie Wallace, o primo de Will. Eles conviveram muito tempo de sua infância e adolescência juntos, enfrentaram muitas consequências com a crescente invasão dos ingleses nas terras escocesas, mas em certo ponto da história cada um deles segue seu próprio rumo. Por Jamie escolher seguir a carreira cristã acabamos tendo um contato mais político e histórico, as cenas de ação são poucas.

"- Meu nome é William Wallace, da Escócia, e não me importo com quem sabe disso, então malditos sejam todos. Digam eles para, ao partir, espalhar a notícia do que aconteceu aqui, a vergonha e a desgraça. Digam a eles que a Escócia tem uma voz entre as árvores da floresta de Selkirk. Também digam a eles meu nome, e digam aos ingleses que caso queiram me pegar, estarei aqui esperando. Um fora da lei, sim, mas antes de tudo, um escocês, e pronto para lutar até meu último suspiro." (Página 251)

E ainda apesar disso, por saber muito pouco do assunto, quase nada, e fazer muito tempo que vi o filme Coração Valente, tudo resultou em uma prazerosa surpresa. Não é algo que nos ensinam na escola e o próprio autor fala que a Escócia de hoje é muito diferente daquela que existiu na época de sua Independência. O país sofreu graves consequências com a morte sucessiva dos herdeiros de sua coroa, os ingleses entravam e saiam das terras fazendo barbaridades sem serem punidos.

"- Mostre-me um líder que mereça ser seguido e uma guerra pela qual valha morrer, e eu lutarei. Isso eu juro." (Página 329)

A narrativa de Jack Whyte é bem fluída, nos fazendo passar páginas e páginas sem notar, apenas o personagem em si do narrador não me agradou, senti-me muito pouco conectada a ele. Contudo, sempre que William Wallace entra em cena é impossível você não querer prestar atenção no que ele tem para falar, seus discursos e batalhas são os verdadeiros picos de ação no livro, fazendo com que eu permanece até o fim, sempre ansiando por mais dele.

Aguardo sim pela continuação da, antes Trilogia, agora, Série Corações Valentes que contará sobre outras figuras importantes das guerras de Independência da Escócia: Robert Bruce - o verdadeiro Coração Valente - e Sir James Douglas. Se você gosta de arco e flecha, história, política e um herói digno de ser seguido, quebre o porquinho e tenha na estante O Rebelde. Por hoje é isso meu povo, espero que tenham gostado. Até mais!
comentários(0)comente



Erich 23/12/2013

O Livro mais chato e longo que ja li
O livro é bem interessante, começa até bem, vai te deixando ligado e excitado nos acontecimentos das crianças, das vilas e cidades invadidas e destruidas, mas ai o autor começa com o famoso ''embromation'' paginas e mais paginas de longas descrições de lugares, coisas, pessoas, tudo isso repetidamente, o que vai tornando a leitura chata e parada, por varias vezes quase abandonei a leitura. O livro vai indo bem com ação e bons dialogos, mas de repente ele para e fica um saco. é uma boa leitura sim, mas é preciso ter muita paciencia pra ler esse livro e força de vontade.

O livro conta com muito patriotismo a história de William Wallace e como ele é importante. o autor mostra ao resto do mundo uma história muito além do que podemos ver no filme “Coração Valente”.

Narrado por seu primo, o padre James Wallace, então o prólogo – que é a narrativa de como o tal padre fez para chegar até William, como foi a sua conversa e seus sentimentos quando presenciou a execução- em primeira pessoa, deixa você super empolgado com o livro e querendo saber como toda a história começou e como William foi parar na Torre de Londres.

O livro então volta anos, quando James e William ainda são crianças e são os únicos sobreviventes da família que foi brutalmente morta por ingleses. O padre James então começa a narrar (com extremos detalhes) tudo o que William fazia deixando o livro chato e focado numa unica coisa e distante do personagem principal.

Emfim a história é boa o que mata é a narrativa arrastada.Parece que quando a coisa vai ficar boa, a ação que eu tanto esperava ao ler um livro sobre um guerreiro como William Wallace, a narrativa ficava meio embaralhada, a ação do momento não era nada emocionante e logo acabava.
comentários(0)comente



Karol 27/05/2013

Resenha para LivrosEmSerie.com.br
A primeira coisa que você nota ao começar o livro é que Jack Whyte é um patriota confesso. Ele deixa claro que da onde ele veio, a história de William Wallace é importante e que o resto do mundo deveria saber como ela realmente foi, muito além do que podemos ver no filme “Coração Valente”. Fica claro que nele existe uma certa incredulidade pelo resto do mundo não admirar o que veio a ser o principal personagem de seu livro, assim como ele o admira.

Páginas depois de um texto explicativo de Jack Whyte que se resume ao parágrafo que vocês acabaram de ler, o livro começa. E começa bem! No prólogo, William Wallace está preso na Torre de Londres esperando o dia da sua execução, e então seu primo que se tornou padre, aparece disfarçado para escutar suas últimas confissões e se despedir do primo e amigo.

O livro é narrado por esse primo, o padre James Wallace, então o prólogo – que é a narrativa de como o tal padre fez para chegar até William, como foi a sua conversa e seus sentimentos quando presenciou a execução- em primeira pessoa, deixa você super empolgado com o livro e querendo saber como toda a história começou e como William foi parar na Torre de Londres.

Acabou o prólogo, acabou o interesse! O livro então volta anos, quando James e William ainda são crianças e são os únicos sobreviventes da família que foi brutalmente morta por ingleses. O padre James então começa a narrar tudo o que William fazia, e isso acabou me deixando meio distante do personagem principal desse livro. No começo achei que talvez pudesse ser birra minha, já que no prólogo que tanto gostei, William fala mal dos ingleses e eu, como apaixonada pela Inglaterra e pela sua história, acabei me sentindo meio ofendida. Tirei essa ideia da cabeça logo, e pensei comigo mesma que William deveria ter seus motivos para odiar tanto os ingleses, e realmente tinha, e que eu deveria ler o livro sem nenhum preconceito. Segui a leitura e continuei distante do rebelde; para tirar minhas dúvidas resolvi ler algumas resenhas pela internet e encontrei muitas pessoas que se sentiram da mesma maneira. Na verdade, muitas vezes me peguei confusa pois, não sei como ou porque, eu lia achando que a história era narrada pelo William, e quando eu via se tratarem dele na terceira pessoa, meu cérebro dava uma travadinha básica e mentalmente eu voltava o que tinha acabado de ler ligando os fatos e pensamentos ao James, e não à William como eu tinha feito.

Outra coisa que me incomodou foi a narrativa arrastada. Parece que quando a coisa vai ficar boa, a ação que eu tanto esperava ao ler um livro sobre um guerreiro como William Wallace, a narrativa ficava meio embaralhada, a ação do momento não era nada emocionante e logo acabava. O motivo talvez seja pelo fato do narrador ser um clérigo e o autor tentar passar um ar de imparcialidade, já que o mesmo, logo no começo do livro a gente descobre que vive na Inglaterra e que não odeia os ingleses tanto quanto William. A narrativa continua assim, lenta, o livro todo. A falta de ação não. Ela muda um pouco e cria mais emoção depois da metade do livro.

Um dos motivos que escolhi ler esse livro, foi o fato dele ser histórico. Ele tem bastante história realmente, nisso o autor não pecou e todo o conhecimento, e patriotismo, dele são visíveis. Porém, a mistura de história e ficção que podemos ver em autores de grande sucesso como Bernard Cornwell, ou a minha favorita Philippa Gregory, não aparece no livro, talvez seja isso que o deixe meio arrastado, muita história e pouca ficção e emoção, o que diferencia um livro de história de um romance.

William Wallace foi enforcado até perder a consciência, depois foi amarrado a uma mesa, estripado e suas entranhas queimadas ainda presas a ele, foi castrado e no final de tudo cortaram a sua cabeça e acabaram com seu sofrimento. Pedaços de seu corpo foram enviados para diversos lugares da Inglaterra e sua cabeça foi exposta na torre de Londres como advertência aos traidores da coroa. Esse tipo de emoção era o que eu esperava do livro!

Ao contrário de mim, vi algumas pessoas completamente apaixonadas pelo livro. Talvez, o gosto literário seja diferente do meu, então nunca se sabe quem vai amar ou odiar O Rebelde. Mas com certeza no meio termo você não fica!

A série é composta por outros três livros, que contam as histórias de outros rebeldes que ajudaram na revolta escocesa e que são heróis para seus conterrâneos mas, que são pouco conhecidos para o resto do mundo. Espero que os próximos volumes não sejam narrados pelo padre chato James!
comentários(0)comente



Juliana 14/07/2014

Um livro sobre um guerreiro sem guerra
No geral, não gostei livro. Discordo profundamente da pequena fala contendo na sua capa. Jack Whyte não faz com William metade do que Cornwell fez com Artur. O livro é cheio de diálogos. Cheio de argumentações. Cheio de moral cristã. A pergunta que ficou latente a medida que as páginas foram avançando é : cadê a guerra ? cadê os corpos suando? pessoas sangrando ? Ora, o livro é sobre um guerreiro que inflamou todo um país. Ele não era um nobre para discutir sobre a legitimidade da guerra.Era um homem simples que era visto como um líder pelo seu povo e paradoxalmente durante a narrativa de sua vida sabemos muito sobre seu espírito, sobre sua família , sobre sua habilidade com armas porém não o vemos em combate.
O fim do livro me pareceu errado, a história poderia ter crescido a a partir do ultimo evento, mas ela morreu ali juntamente com toda a minha vontade de ler mais algum livro do autor.
Michele 29/12/2015minha estante
Obrigada pela resenha. O fato de você alertar que é cristão me fez interessar pelo livro. Gosto muito quando as resenhas no skoob falam a respeito dos aspectos morais, que infelizmente muita gente ignora. Mesmo que tenhamos opiniões diferentes, o seu aviso me ajudou. Da minha parte, abandonei Bernard Cornwell. Acontece de errarmos nas escolhas :)




13 encontrados | exibindo 1 a 13