A Ira de Nasi

A Ira de Nasi Mauro Beting...




Resenhas - A Ira de Nasi


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Josi 12/05/2019

Incrível biografia de Wolverine Valadão
Biografia acachapante de uma das lendas do rock nacional. Pode não ser o maior, pode não ser o melhor, mas vamos combinar que Nasi sempre foi único. Pra quem não é fã da banda mas curte rock ou tem curiosidade sobre, o desenrolar da história do Nasi (assim como do Ira!) traz junto muita informação e curiosidades sobre o cenário do rock nacional, desde os anos 80 até meados dos anos 2000. Vale muito à pena.
Já pra quem é fã, como eu, sinto informar mas vai ser difícil largar o livro. Poder saber todos os bastidores da história da banda, assim como saber dos detalhes de vários sucessos (e das várias tretas) que envolvem os integrantes, não tem preço. Você vai rir e também vai chorar (às vezes de emoção, às vezes de raiva mesmo). É impressionante o crescimento do Nasi ao longo do tempo, sua pluralidade enquanto artista e sua dimensão dentro da banda. Interessante que o livro foi escrito ainda na época em que a banda ainda estava oficialmente terminada. É bom ler tudo aquilo, relembrar algumas coisas e ter a perspectiva de hoje, com a banda novamente reunida - até onde sei - mesmo sem Gaspa e André Jung. Convenhamos, o coração dessa banda sempre foi Nasi+Scandurra, so sorry pra quem pensa diferente.
Recomendo a leitura, muito bom mergulhar no universo do rock nacional em tão boa companhia.
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Juninho 02/11/2017

Música
foi legal saber as histórias de bastidores da banda Ira e de seus músicos e do vocalista Nasi
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Raiane Reis 13/02/2017

Sou o avesso do avesso do avesso
O livro conta a história de Marcos Valadão, o Nasi. Conta como começou o Ira até se transformar no Ira! (com exclamação).
A biografia mostra os autos e baixos do grupo, as brigas entre Nasi e Edgar. Mostra a luta de Nasi contra as drogas e as idas e vindas dos processos contra o irmão.
O livro vai do início até a implosão da banda; conta também sobre a carreira solo de Nasi.
Sempre fui fã do Nasi e do Ira! mas, depois do livro, me apaixonei mais pela história de uma das melhores bandas de Rock nacional e por esse Wolverine com jeitinho brasileiro.
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Marcelo 09/09/2015

Sensacional
Cresci ouvindo Ira! ,biografia brilhante mostra um pouco de cena do rock paulista e a luta do Nasi contra a dependência e sua espiritualidade recomendo
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Virgílio César 02/06/2015

Excelente! Não torna-se chato em nenhum momento. Seria interessante também uma biografia com os outros membros da banda, para podermos avaliar o lado deles também.
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vortexcultural 18/09/2014

A Ira de Nasi - Mauro Betting e Alexandre Petillo
Por Thiago Augusto Corrêa

O leitor pode reconhecer o início desta história: grupo de amigos se reúne para distrair-se do tédio e monta uma banda despretensiosa com o intuito de passar o tempo. Nasce uma afinidade que mantém uma unidade íntegra e, em poucas apresentações, o grupo começa a ter um retorno de seus poucos fãs e reconhece que as canções produzidas são autênticas.

A trajetória de paz e de luta de Marcelo Valadão, o Nasi, é uma destas jornadas movimentadas pela paixão musical. Dentro do rock´n roll brasileiro, muitas bandas desenvolveram-se no mesmo habitat por isso uma falsa ideia de história conhecida surge a princípio e músicos que hoje são aparentemente distantes dividiram, em outros tempos, bebidas, drogas, mulheres e indicações mútuas que em muitas vezes garantiram shows em casas renomadas e recomendações para contratos com grandes gravadoras.

A Ira de Nasi, dos jornalistas Mauro Betting e Alexandre Pettilo, vai além da biografia do cantor da banda Ira!. Parte das experiências do cantor para identificar a cena musical de São Paulo, o surgimento do Ira! e como tanto Marcelo quanto Nasi personagens que serão dissociados na vida do músico atravessariam estas jornadas.

De ascendência italiana, a infância do pequeno Valadão é apresentada brevemente, situando somente o necessário para que se compreenda o ambiente familiar e a sociedade da época. Além das primeiras fagulhas que despertaram o gosto pela música, o enfoque mais interessa ao leitor. Através desta expressão artística surgiria Nasi definitivamente, um apelido vindo da faculdade e transformado em uma espécie de personagem truculento, que nunca levava desaforo para casa, seduzia mulheres sozinhas ou acompanhadas -, e dono de um grande poderio vocal grave. Uma contraposição com o homem Marcelo, mais doce e mais sensível às experiências da vida.

A história deste homem duplo cresce ao lado da cena do rock paulistano. A obra transita entre a biografia íntima de Nasi e a apresentação dos primeiros movimentos do rock paulistano, da cena punk da época e de como o Ira!, após flertar com o estilo, rompe com qualquer denominação e, mesmo reverenciado, começa a se tornar um incômodo para outras bandas que também representavam boa parcela do público que assistia a elas. A música representava um grito de rebeldia contra o sistema e alinhava, além da revolta, outros sentimentos divididos pelas juventude. Na época, a expressão musical ainda era representativa, como um movimento capaz de questionar a sociedade e gerar discussões e polêmicas.

O livro produz uma narrativa mista entre biografia e a trajetória do rock brasileiro com depoimentos diretos em que há um parágrafo específico para as falas do próprio Nasi e de outros escolhidos pontualmente, dando firmamento aos causos apresentados. Enquanto acompanha a trajetória do Ira!, os capítulos são iluminados por histórias por trás de grandes álbuns do rock brasileiro. Discos que ao público soam perfeitos mas que, aos ouvidos da banda e da produção, foram vistos ora de maneira simplista, ora geniais ou carregados de problemas internos que nem sempre transpareceram no exterior das canções e que eclodiram na década de noventa em uma derrocada na vida de Nasi por diversos ângulos.

O rock brasileiro estava em baixa e outros ritmos tornavam-se populares e queridos ao público e gravadoras. Em consequência disso, o Ira! sentia-se menos criativo do que a excelente década de oitenta, mas ainda estava na obrigação contratual de apresentar novos álbuns. O vício em drogas agravava as amizades de Nasi e foi responsável por minar boa parte de sua verba conquistada nos últimos anos. Marcelo tornou-se amigo íntimo de traficantes e foi responsável por festas memoráveis regradas a drogas e bebidas. Diz o músico, porém, que no momento que tal fonte secou, os amigos desapareceram e, sozinho, teve de superar seus problemas.

Os depoimentos do cantor atravessam a própria trajetória e são carregados de sinceridade, como um fiel que expia seus pecados a um padre. Ao recontar sua própria história, Marcelo revive-a com outros olhos. Como um anti-herói, assume que nunca foi santo. Mulherengo, dedicado aos vícios, viveu de maneira intensa, mas reconhecendo os frutos podres que colheu. Entre a violência gerada por si mesmo e contra si próprio, foi capaz de observar-se no fundo do poço e, por escolha, dar passos para sair dele, internando-se em uma clínica de reabilitação. A maturidade possível surgida com a idade potencializa mudanças em um novo momento de Nasi. Reconhecendo a vida dupla que viveu por muito tempo entre Nasi e Marcelo, aos poucos, reconecta-se com sua própria essência. Entrega-se ao candomblé, encontra guias como padrinhos e ressurge em uma versão melhorada e mais consciente de si mesmo.

A biografia encerra a história anos antes do reencontro com o amigo Edgar Scandurra e a volta da banda Ira!. Na ocasião, Nasi lança o disco solo Perigoso, trilhando mais passos de seu caminho pela música. Talvez não esperava que retornaria aos palcos com uma das bandas maiores representantes do rock brasileiro.

A carreira de músicos, principalmente envolvidos no rock n roll, caracteriza-se por deliciosas histórias cíclicas, pontuadas por altos e baixos, como bons acordes agudos de guitarra. Mesmo que a origem de muitas carreiras tenha um ponto de partida em comum, a Ira de Nasi é um registro da trajetória que adensa a figura pública e revela o humano por trás da máscara, merecendo o testemunho do leitor que, compartilhando a história, também vive para contar.


site: http://www.vortexcultural.com.br/literatura/resenha-ira-de-nasi-mauro-betting-e-alexandre-petillo
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Cristiano Abreu 25/05/2014

Das trevas para a luz!
O livro conta a história desse roqueiro que substimou o poder sedutor das drogas e se deu mal, mas muito mal mesmo! Histórias que chegam a parecer roteiro de filme de ficção. O lado bom é que o protagonista conseguiu sobreviver, ao contrário de muitos outros roqueiros que não tiveram a mesma sorte. O mais interessante ainda é que não foi com a ajuda de uma religião e nem de amigos, mas pela sua própria força de vontade (a religião veio depois). Nasi, nos seus 50 e poucos anos de vida, deu a volta por cima, teve atitudes de cristão e se reconciliou com seus parentes, amigos e namorada. Mais recentemente, voltou a pisar os palcos com seu velho parceiro de Ira!, Edgar Scandurra. Um ótima notícia para fãs como eu. “A Ira de Nasi” é uma leitura que indico para quem conhece e gosta da banda. Com certeza vão se deliciar! ;)
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Carol 19/07/2013

Mais que a história do Nasi e do Ira!, é a história do verdadeiro rock brasileiro. Conta a evolução do rock de qualidade.
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LidoLendo 10/01/2013

Nasi, Ira e SP!
Video Resenha em:

http://www.youtube.com/watch?v=-YkqCu-xWPk

Isa - LidoLendo
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Milla 18/12/2012

Escrito por Mauro Beting, jornalista futebolístico e por Alexandre Petillo, jornalista especializado em música, A ira de Nasi é uma biografia do ex-vocalista da banda Ira!

Fiquei surpresa ao receber uma biografia de Nasi, principalmente porque conheço pouco do cantor e da banda que ele integrava e é complicado ler uma biografia sobre uma personalidade que você não conhece bem ou não tem muito interesse, mas segui adiante.

O Ira! foi uma autêntica banda representante do rock paulista dos anos 80, formada pelo Nasi [voz], Scandurra [violão/guitarra, canhoto, grande nome e ego maior ainda], Jung [bateria, recifense e ex-Titã] e Gaspa [baixo].

Como não podia deixar de ser, o livro conta, além da história da vida do Nasi, a história de vida do Ira! já que não tem como imaginar estes nomes separados. Passando pelo nascimento, infância, a aquisição do apelido Nazi, o início da banda, o envolvimento com as drogas, os amores malfadados, as brigas excessivas até o momento em que o Ira! não tinha mais como continuar, o espiritualismo e redenção do cantor, os autores fazem uma viagem maravilhosa e nostálgica pelo mundo da música brasileira dos anos 80 em diante, mais precisamente do rock.


Demorei um pouco para me acostumar com a forma que o livro foi escrito, em alguns momentos os autores não se ativeram a detalhes e eu senti falta disso! O livro intercala entre seus parágrafos, narrativa e depoimentos de grandes nomes como Rick Bonadio, Ritchie e até mesmo do próprio Nasi. Isso me incomodou um pouco porque eu não sei dizer se são trechos de antigas entrevistas ou se o cantor estava orientando o que devia ser escrito na própria biografia!
Os capítulos são intitulados com trechos de músicas da banda e, como é de praxe, o livro traz algumas fotos do Nasi.

Durante vários momentos, larguei o livro e fui ouvir um pouco de música, tanto do Ira! (que eu conhecia muito pouco), como dos Titãs, Capital, Cazuza, Engenheiros, Legião, e no fim das contas dá uma nostalgia (isso é uma crítica implícita ao sertanejo universitário, sim!).
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Biografias sofrem algum tipo de preconceito, mas fiquei muito mais surpresa ao ver A ira de Nasi entre os livros mais vendidos da Veja e, se você não confia na Veja, o livro também está na lista do Publish News.
Mas, como uma leitora de biografias (dos mestres Fernando Morais e Lira Neto, por exemplo) senti falta de algumas coisas, como a discografia do Nasi, as fontes pesquisadas e um índice onomástico, acho que foi um erro dos autores e também da editora por não ter cobrado. Acredito que uma próxima revisão deveria receber mais atenção neste aspecto.
Eu tinha pensado em colocar uns comentários de Jan sobre a minha leitura, afinal ele é músico e acaba acompanhando tudo que eu leio, mas ele não gostou muito deste livro. Concordo com ele em sua opinião de que o Ira! não deixou um legado e que o Nasi não fez nada exatamente marcante a ponto de merecer ter sua história arquivada em formato de livro. Ao fechar o livro, tive a sensação de que o intento era esclarecer o início e fim da banda; sem, no entanto, documentar a trajetória.
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pontas 17/11/2012

A Ira de Nasi
Eu ainda não tinha lido nenhuma biografia, então é meio difícil saber como fazer a resenha de uma. Tentarei fazer o melhor possível e passar o máximo do que senti lendo. Dessa vez, diferente das outras resenhas, são vou contar um pouco da história do livro por medo de soltar spoiler, e esse é um método que vou adotar quando resenhar biografia aqui no blog.

O verdadeiro nome de Nasi é Marcos, que nasceu no Bexiga e onde morou com seus pais e seu irmão cinco anos mais novo. Pra caracterizar um pouco sobre sua personalidade, colocarei um trecho do livro.


Nasi: Sempre fui um cara de ir atrás das coisas. De procurar a informação, um lugar para ensaiar no começo da banda, os lugares pra gente tocar... Sempre meti as caras. Até quando não tinha idade para isso.
Capítulo 1; Página 15


Já aproveitando esta deixa, tenho que dizer que uma das coisas que mais gostei, foram os comentários dele durante o livro. Os autores contam uma história, e em seguida Nasi vem com algum comentário sobre aquilo. Não só ele, temos também os companheiros do Ira que também dão seus depoimentos sobre a banda, o começo e tudo o mais.

Temos comentários também de várias outras personalidades que tiveram alguma influência na carreira da banda e do cantor, como por exemplo: Rick Bonadio, Kid Vinil – que inclusive é o responsável pelo prefácio -, Vagner Garcia e muitos outros nomes.

Ler essa biografia, foi um mergulho profundo na vida de uma personalidade que viveu muita coisa ao extremo e que tem muito a contar. Foi Interessante conhecer a banda Ira, sua formação e suas influências musicais. E também poder saber como foi os altos e baixos - sim, porque tiveram baixos -.

Eu não conhecia a banda, e já foi muito interessante poder ler o livro. Para os fãs, isso é uma dádiva, tenho certeza que todos vão gostar muito. A capa é bem interessante, a diagramação é simples e não encontrei erros de revisão. No meio do livro, somos presenteados com fotos, algumas da infância de Nasi, outras da sua carreira.

Vou dar três estrelas para o livro. A Ira de Nasi é um livro bom, que uma narrativa rápida mesmo com toda a história que é contada e que vai agradar muito os fãs, mas que não excedeu as minhas expectativas. Super recomendo para os fãs.


Quote:
Nasi: Sempre fui um cara de ir atrás das coisas. De procurar a informação, um lugar para ensaiar no começo da banda, os lugares pra gente tocar... Sempre meti as caras. Até quando não tinha idade para isso.
Capítulo 1; Página 15
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ricardo_22 13/10/2012

Resenha para o blog Over Shock
A Ira de Nasi, Mauro Beting e Alexandre Petillo, 1ª edição, Caxias do Sul-RS: Belas-Letras, 2012, 320 páginas + fotos.

Apaixonado pelo rock, o jornalista Mauro Beting foi o responsável ao lado do especialista em música, Alexandre Petillo, em escrever a biografia de Marcos Valadão Rodolfo, conhecido como Nasi, vocalista de uma das bandas mais importantes do rock brasileiro na década de 80: o Ira!.
Quem acompanha o trabalho de Mauro Beting sabe que ele é um dos maiores jornalistas esportivos do país e tem um jeito único de tratar suas matérias, independente de quais sejam elas – o que não o impede de ser criticado. Assim como acontece em algumas de suas reportagens, em A Ira de Nasi, seu primeiro livro sobre rock, Mauro Beting mostra que com ele um trabalho simples pode se tornar valioso – ainda que não seja perfeito.

“Com o Ira!, várias outras bandas foram convidadas. Poucos minutos antes de ir ao ar, uma ordem da produção: todo mundo que aparecesse no vídeo era obrigado a usar um meigo gorro de Papai Noel. Os roqueiros todos vestiram. Menos o Ira!. A produção bateu o pé. O Ira! puxou o carro da Globo” (pág. 128).

Não é preciso conhecer e acompanhar a história do rock no Brasil para saber que Nasi é um dos principais nomes do gênero musical no país. Líder de uma banda que influenciou músicos que surgiram principalmente nas últimas duas décadas, Nasi sempre foi conhecido por sua voz e personalidade marcantes, mas também por algumas de suas declarações. É a polêmica em forma de músico.
Em A Ira de Nasi, Beting e Petillo fazem um relato sobre a infância, adolescência e a vida adulta de Nasi, mostrando os problemas enfrentados no início da carreira do cantor – quando a banda se chamava apenas Ira, sem exclamação - e também ao decorrer dela. Para os fãs, é uma ótima oportunidade de saber detalhes sobre a criação de álbuns e principalmente sobre o relacionamento entre os integrantes da banda, que por vezes foi muito conturbado e isso fica claro ao longo do livro. O relacionamento com outras bandas, sobretudo do cenário underground da capital paulista, também é exposto na obra que mostra todos os lados do músico biografado.
Mais do que uma simples biografia, que muitas vezes é deixada de lado pelos leitores, os autores conseguiram deixar a obra com o seu lado jornalístico e também romanceado, parte disso pelo estilo único de Mauro Beting. Com diversas entrevistas e depoimentos, inclusive do próprio Nasi, conhecemos as várias opiniões sobre o vocalista, o que não passa a imagem de que ele é um santo, já que não mostra apenas o seu lado bom. Afinal, como está explícito na sinopse, “Nasi não nasceu para ser santo”. O livro ainda inclui fotos de toda a vida de Nasi, além de reportagens e resenhas publicadas em algumas revistas especializadas, o que deixa a obra mais rica.

“Nasi: Foi um momento de encruzilhada... Na época eu tinha uma arma... Juro que pensei em ir até a casa da mãe da Maysa e acabar com eles... Mas foi bom não ter ido. Se me deixassem subir para conversar, não sei o que teria feito. Ou até sei...” (pág. 217).

Independente do gênero musical, todos sabemos que em décadas passadas o que realmente importava para o músico era fazer sua arte e apresentá-la ao público, ao contrário do que acontece hoje quando grande parte dos músicos de sucesso pensa apenas em tornar suas músicas conhecidas e ganhar dinheiro. Em A Ira de Nasi percebemos que tanto Nasi como também todos os membros da banda Ira! se importavam mesmo com a música, independente do sucesso. A vontade era tão grande, que carregaram os problemas durante anos para que pudessem fazer o que mais gostavam.

Mais em: http://www.blogovershock.com.br/2012/10/resenha-110-ira-de-nasi.html
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Euflauzino 27/09/2012

Caminhando no fio da navalha

Tenho minhas preferências e sofri inúmeras influências musicais, sou Paralamas, depois Legião e tantas outras bandas, um amálgama molda minha natureza neste corpo musical. Por tudo isso, ao me deparar com A ira de Nasi (Belas-Letras, 320 páginas), lembrei-me de tanta coisa e me veio logo à memória: “Eu tentei fugir / não queria me alistar / eu quero lutar / mas não com esta farda”. Fui criado no interior de São Paulo e o “Ira!” para muitos de minha geração é algo inatingível, pela agressividade punk e pelo rock sem medidas. Sei quase todos seus sucessos de cor, ficaria aqui escrevendo as letras, uma a uma, sem errar, pois cantei muitas delas na noite. O engraçado é que é um livro autobiográfico escrito por dois autores de peso – Alexandre Petillo (um especialista na banda) e Mauro Beting (hoje jornalista esportivo, entre outras coisas, torcedor do Palmeiras, assim como eu e fã confesso).

Feitas as apresentações vamos ao livro. Quem me conhece sabe o fascínio que possuo por romances históricos e “biografias”, talvez seja aquele negócio de olhar pelo buraco da fechadura que tanto o “anjo pornográfico” Nelson Rodrigues apregoava. Tenho ressalvas a biografias em vida ou autobiografias, porque sempre haverá o outro lado da história que fica acobertada ou com menos ênfase, ainda assim este livro é
nitroglicerina, é um corte nas veias, uma decida ao inferno das lembranças de um cara que sempre admirei e hoje admiro ainda mais, apesar de escolher muito mal o time do coração.

A introdução feita pelo Mauro Beting subverte a tal biografia, não é direta, é lírica, um universo à parte, um prêmio para o Wolverine brasileiro e seus leitores. O trabalho da editora é caprichado e cheio de fotos no miolo, coisa pra fã e pra quem quer conhecer um pouco mais da história deste cara e por tabela do próprio rock:

“O Ira! parecia a banda da garagem do vizinho. Fazia um barulho danado, até em horas impróprias. Mas era o grupo da nossa terra, do nosso bairro, da nossa rua.”

Nasi (Marcos Valadão Rodolfo) era a voz rascante dessa banda:

“Marcos não nasceu para ser santo. Nasceu para ser a voz de um pecado capital.”

Banda eminentemente paulistana, portanto fora da antena do Rio e por isso um tanto quanto underground, vivendo num período em que diversas bandas eram sucesso, tais como Paralamas, Ultraje, Titãs, Barão e por que não Blitz, o Ira! não estava para brincadeira e se armava para a guerra:

“Nasi: A música brasileira era um bolerão só no começo dos anos 80. A abertura política do país precisava dar uma cara para a juventude. Ter uma voz forte. Não eram mais eles. Seríamos nós.”

Veja mais no Literatura:
http://migre.me/aTg2n
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