O Castelo

O Castelo Franz Kafka




Resenhas - O Castelo


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Henrique.Saibro 13/01/2021

Uma busca incansável à corte
Num bom estilo kafkiano, O Castelo possui uma prosa oni?rica, ou seja, o leitor possui a impressa?o de estar sendo transportado a um sonho do pro?prio autor. Aqui, o tempo, metafisicamente, e? relativo; a?s vezes passa ra?pido ou lento demais e, muitas vezes, os hora?rios sa?o omitidos justamente para causar uma confusa?o temporal.
O protagonista e? um sujeito de nome K., o qual chega a uma aldeia, envolta a um castelo, sob o pretexto de prestar os seus servic?os de agrimensor. Ocorre que, ao chegar ao local, a contratac?a?o dos seus servic?os passa a ser questionada por todos, negando-se o seu ingresso a? realeza e inclusive o direito de conversar com funciona?rios do castelo. Mas K. acredita que, se conseguir chegar ao castelo, tudo sera? resolvido (sem maiores explicac?o?es sobre a raza?o pela qual teria chegado a essa conclusa?o). Enta?o, o objetivo do personagem passa a ser justamente este: ter acesso a? corte.
Como toda obra de Kafka, o protagonista e? incansa?vel, tem muita forc?a de vontade em alcanc?ar o que deseja, causando uma certa exausta?o prazerosa ao leitor. Os dia?logos sa?o bastante longos, com para?grafos extensos, e com poucas ac?o?es ? trazendo um toar teatral a? obra.
Assim como O Processo, trata-se de mais um trabalho incompleto elaborado por Kafka, portanto, na?o se preocupe se achar que estaria faltando algo para o enredo do romance. Aliás, esse e? justamente o charme da obra kafkiana: voce? mesmo cria o desfecho da histo?ria.
Indiretamente, percebemos uma cri?tica a? burocracia e a? ineficie?ncia estatal ? papelada desnecessa?ria, funcionalismo sem propo?sito... ?, aos ?bons costumes? e ao preconceito com imigrantes. Ainda prefiro A Metamorfose e O processo, mas, certamente, O Castelo integra as tre?s principais publicac?o?es de Franz Kafka. E pensar que ele havia pedido a um amigo para queimar este livro quando terminou de escreve?-lo...
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Claudio.Kinzel 12/01/2021

A absurdo da burocracia estatal numa leitura arrastada, densa e sufocante
O Castelo possui muitas semelhanças com o Processo, a começar pelo personagem principal K., que agora é um agrimensor que se dirige a um castelo em busca de um novo trabalho. Ao chegar lá, porém, as coisas não acontecem como esperado, ele descobre que não há serviço para ele, apesar de dois ajudantes terem sido designados a acompanhá-lo. Os personagens são traiçoeiros, e a cada diálogo descobre-se uma nova faceta que torna a história misteriosa, confusa e contraditória, e assim até o final, que na verdade não existe. Sim, o livro não foi concluído e só foi publicado graças ao amigo de Kafka que não destruiu as cópias conforme desejo do autor.

Assim como no processo o foco é o sistema jurídico, aqui é mostrada toda a burocracia estatal, através de uma hierarquia bem definida, que impede o próprio K. de obter respostas e sequer conseguir encontrar e dialogar com as pessoas de mais alto nível. A leitura é arrastada, densa, sufocante; os diálogos são intermináveis, com parágrafos enormes, o que torna a sua conclusão cansativa. Talvez se Kafka tivesse terminado a obra, poderia tê-la revisada e melhorado alguns pontos; de qualquer forma, o sentimento de angústia diante das situações apresentadas, bem como o próprio envolvimento de K. na situação, da qual parece não conseguir sair preso por uma inexplicável fascinação, até suas relações com os moradores, como Frieda que se tornaria sua noiva após um encontro de uma noite, mostram-se alinhadas ao formato de escrita, na qual o absurdo da vida é mostrado através dos eventos que se sucedem um após o outro desde que K. chega à aldeia.
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Roberto Ramalho 19/12/2020

Simbolismo do absurdo da vida
K, um agrimensor, chega a uma pequena vila coberta de neve, encimada por um inescrutável castelo, a fim de se apresentar para a o trabalho para o qual foi contratado. Tão logo coloca os pés na primeira hospedaria que encontra, a recepção não poderia ser mais estranha do que ele esperava. O vilarejo é como um labirinto: as ruas confundem e trapaceiam a mente. O caminho para o castelo, onde supostamente reside o seu chefe em última instância, parece direto, mas é difícil transpô-lo. As ordens e regras são desencontradas, confusas, incompreensíveis, e conseguir uma audiência com quem supostamente poderia dar todas as respostas é uma tarefa angustiante e, ao que parece, impossível. Os habitantes da vila são guiados e doutrinados por um conjunto de regras que podem se contradizer e mudar a qualquer instante, e o temor impera no local. No entanto, tudo é transmitido - tanto para os personagens como para o leitor - com a naturalidade de uma realidade simples. Quem está no controle? Qual a função de cada um? Quem contratou K, para que, e o que realmente espera dele? Um trabalho objetivo ou simplesmente obediência cega? O universo criado e explorado tão realisticamente por Kafka pode ser sentido - e assim o é - como a grande incógnita da vida: qual a nossa função (existe uma)? Quem nos governa (alguém ocupa este posto)? Qual a razoabilidade das regras (elas são razoáveis)? E, em meio a tudo isso, como devemos nos portar? Por que nos sentimos culpados ao quebrar regras que sequer conhecemos em absoluto? O livro não é simples, embora faça parecer que é e talvez aí resida a sua maior força.
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André 23/11/2020

Cada vez que releio alguma obra de Kafka me sinto mais presente nos personagens. Personagem vítima das burocracias e da ineficiência dos sistemas e que perde parte de sua vida de trabalho ou pessoal dando voltas no mesmo local e não saindo do lugar. Kafka se inspirou muito na carreira jurídica, mas qualquer pessoa que trabalhe com sistemas onde há organogramas infinitos de comando se vê muito bem representado na figura de K. Quem está na base do processo jamais consegue se comunicar com quem está no topo, e ainda que haja uma comunicação, esta se perde ou se transforma em todas as linhas, tornando a comunicação e resposta totalmente falha e ineficiente.
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Thiarles 22/08/2020

O autor te conduz magistralmente
Kafka brinca com os leitores, dizendo o que quer não pelas palavras, mas pelo modo como conduz a história, fazendo você sentir aquilo que ele quer passar da forma mais crua possível, te deixando exausto. E quando você pensar: "Que livro cansativo, ou até por vezes chato!". Ele venceu!
Lidi 26/10/2020minha estante
Nossa kkk estou lendo e é exatamente esse o sentimento.




. 06/08/2020

Edição Nova Cultural (2003)
Traça percepção sobre um governo, representado pelo castelo, em determinada região onde a submissão é inquestionável a sua jurisdição. As pessoas permanecem nessa rotina numa rendição sem consciência crítica, no entendimento da necessidade, ao mesmo tempo que tal governo, tão presente em suas determinações, mostra-se ausente no contato com a população. O castelo, leia-se governo, é inacessível a todos.
Nesse contexto chega o Sr K para trabalhar como agrimensor (creio que uma espécie de geógrafo) e daí para frente o vemos tentando entrar no castelo, buscando audiência com o governante, que nada muda de inacessível. Busca meios para isso, através de alguns personagens, e vai se cansando da situação na crescente percepção de burocracia irredutível, com repartições ineficientes para os fins de facilitação do acesso ao indivíduo, chamadas de inúteis.

Leitura realizada na quarentena em Macapá.

Quem sabe em outra linguagem (quadrinho ou filme) a história pareça mais instigante. Sofri para terminar a leitura, o livro é enfadonho.
Pior foi o Sr K, que penou e não atingiu o objetivo, engolido pelas amarras da burocracia irritante e estúpida, o que o autor procurou evidenciar.
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Zkymicx 27/07/2020

Tudo certo, nada resolvido
O agrimensor K. é contratado para trabalhar numa aldeia, do território de um castelo, onde Klamm e chefe da repartição X. O superior imediato de K. é o prefeito, que tem contato com Klamm, inalcançável pra qualquer pessoa. K. quer saber as próprias funções e tenta chegar ao castelo pra saber disso da boca de Klamm. Os diálogos com todas as personagens são solilóquios confusos, fazendo jus à situação tortuosa, angustiante e labiríntica.
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Mariany_ 27/06/2020

Minhas histórias são uma espécie de fechar de olhos - Kafka.
Alguns livros funcionam como uma chave para as salas desconhecidas do nosso próprio castelo...
Mais uma obra prima de Kafka.. Ler o Castelo me rendeu muitas reflexões, notadamente sempre até o limite que a minha incomensurável ignorância me permite compreendê-lo... Gênios como Kafka sempre estão além do nosso entendimento..
Como escreveu o inigualável tradutor, especialista em Kafka, Modesto Carone: Pois como entender uma coisa que deliberadamente está além de nossa compreensão? ...
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mavericke 17/06/2020

Libelo
Um fantástico libelo contra a burocracia irracional de um Estado agigantado.
Pena que essa edição da Saraiva de Bolso deixou a desejar, cheia de erros de digitação/ortrografia. Faltou uma revisão cuidadosa.
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Kathe 11/06/2020

Brinca com a necessidade humana de busca por sentido em todas as coisas.
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Joao.Paulo 31/05/2020

Instituições e impasses
O Castelo, é um livro com uma atmosfera bem atípica, que acaba acentuando a potência política dos indivíduos. Isso se dá pelo, costumeiro, impasse paradoxal, de Kafka, juntamente com seu humor peculiar e a forma como os habitantes da cidade vivem.

O impasse no qual o protagonista, K.,se encontra, é que engatilham o livro. K., está em uma situação desfavorável, chega na cidade a trabalho, no entanto, ninguém necessita dele, não havendo motivos para ele ter sido contratado pelo pessoal do castelo, devendo permanecer nas redondezas até que as coisas se resolvam. O humor pitoresco turva a realidade, criando certo estranhamento, o que vai bem com a temática do livro.

"Para quem não sabe de nada, tudo parece possível", mas, K., logo percebe sua incapacidade de causar mudanças em sua situação, não conhece o funcionamento da vila (assim como o leitor), encontrando-se como um estrangeiro cultural.

Logo seu encanto pela cidade e pelo castelo, que antes parecia ter dimensões magnânimas, revela-se algo tosco e improvisado. Os moradores da cidade partem de uma lógica onde não há distinção entre a função oficial e a vida cotidiana, dessa forma, a vida, se torna algo extremamente burocrática e formal. Tudo que ocorre acaba sendo um ato político.

A instituição do Castelo é que coordena a cidade, agindo como se não houvessem erros por parte destes. K., vê sua "existência ameaçada por um sistema administrativo". No decorrer do livro os personagens vão explorando essa preocupação política crescente, onde cada um tem sua visão perante os fatos, até que esses discursos que tentam moldar a realidade assumem um quase fluxo de consciência, como se esse debate burocrático, envolvendo os interesses pessoais dos personagens que os discursam, assumisse uma identidade própria.
O livro acaba assumindo cada vez mais uma sensação de se estar aprisionado, os parágrafos vão ficando mais longos e a permanência de K. nos mesmos ambientes vai se alongando, até que finalmente o livro se concretiza em uma narrativa sem fim.


site: https://www.instagram.com/malresenhado/
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arthur 24/05/2020

"- então a conclusão é - afirmou k. - que tudo está muito confuso e nada pode ser resolvido"

nossa mas que livro DIFÍCIL. tive que lutar para terminar, mas ao mesmo tempo eu gostei. eu já sabia que não tinha final mas kafka seu canalha o que custava terminar esse livro que ódio
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leandrobones 19/04/2020

Opressor e agoniante
O Castelo é uma das principais obras do Kafka, onde o protagonista K. é contratado por um castelo para realizar um trabalho.

A obra tem as principais características do trabalho de Kafka: personagens que agem de modo sem sentido, como se estivessem em um sonho, burocracias sem sentido e que oprimem o protagonista e um mistério que nunca é revelado - pois no final não importa muito.

Fico imaginando qual seria o fim caso Kafka tivesse concluído a obra.
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