A elegância do ouriço

A elegância do ouriço Muriel Barbery




Resenhas - A Elegância do Ouriço


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Dirce 14/12/2009

Xepa
“É só estender a mão e colher o livro
como um fruto maduro que lentamente degusto
e, milagrosamente,
permanece inteiro, íntegro, intacto
entre folhas e flores
e surpreendentemente se renova e multiplica
em inusitados sabores.”

Escolhi esses versos de J.G. Araújo Jorge para colocar no meu mural porque eles refletem exatamente como me sinto toda fez quem um novo livro passa a integrar minha Estante.
Depois de ter-me “lambuzado” com os deliciosos Pássaros Feridos e Faz me falta,durante a leitura do livro A elegância do Ouriço, eu me senti como uma xepa que colheu um fruto bem ruinzinho num final e feira.
Não resta dúvida que a intenção da autora foi boa: a de levar o leitor a uma reflexão sobre o mundo contemporâneo, porém, a maneira como ela o fez foi bem indigesta. Pra mim, tudo o que ela conseguiu foi apequenar os seres humanos ainda mais. As pessoas são rotuladas a todo instante: pessoas bonitas e ricas não podem ser inteligentes e boas – somente os pobres e feios são agraciados com essas qualidades. Em suma, não gostei, e assim sendo, das duas uma: ou eu tenho sério problema, ou o livro é bem “podrinho” mesmo.


Fabiana.Amorim 02/03/2019

Sempre no nunca
Esse livro foi uma das coisas mais lindas e tocantes que já li na vida.

A arte perfuma nosso espírito infectado pela sujeira da realidade. A vida é uma incerteza, é uma surpresa nem sempre boa. Quando a tristeza e as frustrações diárias se tornam um fardo pesado demais para carregar, tem-se o belo que nos resgata. Essa mão que afaga a alma e enxuga as lágrimas do coração.

A nossa capacidade de se regozijar com a beleza é o nosso bônus por viver.

Um livro desses faz a vida valer a pena. E dou graças por ser sensível ao alumbramento da página bem escrita, da história bem contada, comovente que conforta como um abraço sincero.

Ri, chorei e me emocionei. Este, sim, uma verdadeira obra prima da literatura moderna. Pensei estar diante de um conto de fadas intelectual. Renée como uma Cinderela culta , ainda que oculta aos olhos do mundo que não enxergam a essência de ninguém.

Num quartinho modesto de concierge de um prédio de ricos parisienses, reúnem-se quatro deliciosos e inusitados personagens para um chá da tarde com madeleines. Entre uma troca de lixo e divagações artísticas e filosóficas, passa-se a história.

Enganei-me quanto ao conto de fadas. O fim me apunhalou pelas costas. Senti-me traída em meus desejos. Mas eu deveria ter aprendido que a arte é a emoção sem o desejo. Mas viver é desejar sempre no meio dos nuncas.

O objetivo do artístico se cumpriu.


fsamanta (@sam_leitora) 09/08/2015

O livro começou bem e foi caindo, caindo. Apresenta idéias e nuances filosóficas interessantes, mas se deixa seduzir pelos esteriótipos mais caricatos do pobre x rico. Personagens extremamente inteligentes, mas que, com o tempo, cansam com seu mimimi adolescente de injustiçados pelo mundo. O final é particularmente decepcionante, uma verdadeira farsa.


Evelyn Ruani 11/03/2016

"Um sempre no Nunca"
"[...] afinal, talvez seja isso a vida: muito desespero, mas também alguns momentos de beleza".

Eu amo citações, e esse livro foi um banquete real em relação a isso. Marquei tantas páginas com post-it coloridos que nem soube quais citações escolher para esta resenha. Este livro ficou parado na estante da minha casa por no mínimo cinco anos. Eu queria muito lê-lo, mas sempre tinha algum outro que acabava entrando na frente. Por fim, depois de ver duas amigas queridas falando muito bem dele, eu decidi começá-lo e e já no primeiro capítulo fui pega por uma citação estonteante: "Como sempre, sou salva pela incapacidade dos seres humanos de acreditar naquilo que explode as molduras de seus pequenos hábitos mentais". Ela foi proferida pela protagonista da história, Renée Michel que é a concierge (zeladora) de um prédio nobre em Paris. Segundo a própria, ela é "viúva, baixinha, feia, gordinha", tem calos nos pés e em certas manhãs, um bafo de mamute. Sra. Michel não estudou, sempre foi pobre, discreta e insignificante. Ou isso, é o que ela pensa de si mesma.

Essa maravilhosa senhora, na verdade, revela por trás da fachada de concierge ranzinza e sem cultura, uma apaixonada por boa leitura, música clássica e filmes antigos. Esconde esse fato, vamos descobrir muitas páginas depois, para sobreviver a classe da nobreza a qual tem a "grande ilusão universal de que a vida tem um sentido que pode ser facilmente decifrado". E em seu esconderijo particular, lê Tolstoi, ouve Mozart, come chocolate amargo e toma chá. Eu me apaixonei pela Sra Michel na primeira citação que tocou meu coração. Ela tem um gato gordo, apenas uma amiga chamada Manuela e a curiosidade e paixão pela leitura que a faz especial, mas não aos olhos dos moradores do prédio onde ela tão servilmente trabalha há 27 anos.

O livro é dividido em duas pessoas que narram os acontecimentos, a Sra. Michel e Paloma, a encantadora criança de 12 anos que não se encaixa em sua família nobre e decidiu que vai se suicidar no dia do seu aniversário, pois se recusa a seguir o destino que lhe está traçado pela sociedade: casar-se com um homem rico e criar uma família tão vazia quanto a própria. Ela vai narrando em vários "pensamentos profundos" como chama, o dia a dia em sua casa, e o que pensa acerca de vários acontecimentos. É então que se nota a afinidade de pensamentos dela com a Sra. Michel e nos faz esperar ansiosos o dia em que as duas vão se descobrir e dividir suas opiniões e críticas a sociedade alienadora. Não posso deixar de mencionar também a chegada de um novo morador, o Sr. Ozu, sorridente e misterioso e que traz um novo brilho ao romance quando se mostra um profundo conhecedor das pessoas e consegue visualizar suas personalidades apesar das aparências.

É um livro delicioso, uma crítica a sociedade e um convite ao pensamento, mas em tom humorado, filosófico e repleto de belíssimas palavras. Como diz a própria quarta capa, o livro nos leva a refletir que nenhuma vida vivida a fundo deveria evitar: o tempo e a eternidade, a justiça e a beleza, a arte e o amor. O tipo de livro que faz pensar, sonhar, refletir. Que emociona, que faz rir, que faz chorar. O tipo de livro que me encanta.

Não poderia deixar de colocá-lo entre os favoritos e de recomendá-lo a todos aqueles que queiram encontrar "um sempre no nunca". A beleza neste mundo.

site: https://lyani.wordpress.com/2016/03/11/resenha-a-elegancia-do-ourico/


Claire Scorzi 23/08/2009

Do Medo da Felicidade - na vida e nos livros
Confesso que me empolguei no começo da leitura desse romance. Confesso que, passando da página 200, fui encontrando uns clichês chatinhos - os ricos e os pobres (ah, as novelas da Globo não são as únicas), aquela atitude estilo "Sou socialista mas vejo os defeitos da esquerda" (Pepetela também a exibe em "Mayombe"), a revolta atéia de tom um tanto imaturo (porque a autora não a atribui só à menina de 12 anos, mas também à concierge de 54, e os argumentos soam tão adolescentes quanto) - enfim... Mas, hoje cedo, até a página 270 mais ou menos, ainda julgava estar diante de um grande livro contemporâneo, apesar daqueles senões.

Mas depois disso, temos: explicações do passado da concierge em tom melodramático e banal (os ricos e os pobres, again!), e ainda - chega-se à página 306... E aí - não dá! Despencou tudo. A autora não soube finalizar seu livro sem recorrer ao clichê que já é conhecido por leitores que leram muito: "quando as coisas melhorarem para os protagonistas, e tudo ameaçar um final feliz, mate um deles". Eu já li isto: em "Relações Exteriores" de Alison Lurie, em "Contraponto" de Aldous Huxley, em tantos outros que nem lembro agora; até o vi em filmes.

A filosofia por trás disso parece ser: um final feliz é subliteratura com certeza; e um autor que concede em escrevê-los (mesmo quando seria o natural pelo rumo dos acontecimentos da história, como é o caso de A Elegância do Ouriço) corre o risco de ser execrado pela crítica literária séria. Minha conclusão é que Muriel Barbery cria uma personagem que teme a felicidade em sua vida enquanto ela, autora, tem medo da felicidade nos livros, a tal ponto que sacrifica a coerência da narrativa com um desfecho abrupto, infeliz, para não ser confundida com uma escritora de best-sellers (oh! oh!).

Se o leitor não se importar com essa receita-de-como-escrever-um-romance-que-será-levado-a-sério-pela-crítica, pode ler.


Hel 31/01/2017

Melhor livro da minha vida

"[...] pensei que, afinal, talvez seja isso a vida: muito desespero, mas também alguns momentos de beleza em que o tempo não é mais o mesmo." (p. 350).

O texto de hoje não pode nem ser considerado uma resenha. Vai ser algo próximo a uma ode, uma homenagem, ao livro A elegância do ouriço. Existem alguns livros que eu leio e os coloco na categoria life changing book, ou seja, aqueles livros que, de um modo ou de outro, me fizeram refletir muito e que me deixaram uma profunda impressão. Esse é o caso deste livro maravilhoso:

Nunca havia lido nada da autora e agora quero ler tudo!
Toda a narrativa é ambientada num condomínio de luxo, no qual as duas protagonistas moram. Uma é Paloma, uma menina de doze anos proveniente de uma família rica. Paloma é uma menina muito, MUITO inteligente, mas seus pais e sua irmã sequer notam isso e acham que ela é esquisita. A verdade é que ela é uma menina muito consciente da podridão do mundo, digamos, e sabe muito bem que a vida não é um mar de rosas, baseada nas observações comportamentais que faz das pessoas próximas a ela. Sendo assim, ela decide que, no aniversário de treze anos, vai cometer suicídio e incendiar o apartamento. Dramático? Sim. A única coisa que a impediria de por em prática esse seu plano seria se ela encontrasse um sentido para a vida antes.

"Fico pensando se não seria mais simples ensinar desde o início às crianças que a vida é absurda."(p. 20)

A outra protagonista é Renée Michel, a concierge (porteira, zeladora) do condomínio, uma senhora viúva, baixinha, gordinha e que os moradores tratam como é de se esperar que os ricos tratem os subalternos: com desprezo. Renée sabe de sua condição de invisibilidade no ambiente em que vive, o que ninguém sabe é que ela é uma verdadeira intelectual: lê alta literatura e aprecia arte e música. Tem até um gato chamado Leon (em homenagem a Tolstói). Ela constrói um disfarce para que todos acreditem que ela é uma medíocre concierge, aproveitando o estereótipo da sua profissão e classe social:

"A Sra. Michel tem a elegância do ouriço: por fora, é crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes."(p. 152)

Eu achei essa comparação feita por Paloma muito sublime, poética demais! E pelo visto vocês podem perceber que a identidade secreta de Renée foi desvendada! Esta é uma das reviravoltas da estória, quando Paloma e o novo e misterioso morador do condomínio, o Sr. Ozu, unem suas suspeitas e chegam à conclusão de que Renée não é uma simples concierge. A partir daí, uma amizade, à primeira vista improvável, surge entre os três, e é lindo!

***

Toda a escrita do livro é feita em forma de romance epistolar, o que faz com que o leitor sinta-se íntimo das protagonistas e consiga entender seus dilemas, o contexto de suas vidas e o que motiva suas decisões. Quero dizer que Paloma e Renée são duas personagens muito cativantes - não vou nem citar o fato de que elas gostam de gatos, literatura e gramática - e, apesar de diferentes entre si, uma rica e criança, outra pobre e adulta, possuem muitas coisas em comum. E essa perspectiva que o livro traz, para mim, é a mensagem mais importante: ricos ou pobres, todos nós somos iguais. Aquilo que somos não é ditado pelas aparências. Não importa se moramos em um apartamento de 400 metros quadrados ou em uma casinha de porteiro, os problemas e as angústias são inerentes ao ser humano e não escolhem classe social, cor, nacionalidade... A felicidade é uma quimera a qual todos nós corremos atrás. Quem nunca se perguntou qual é o sentido de tudo o que vivemos, e porque estamos aqui, qual o propósito de tanto sofrimento e luta se a existência nessa Terra é finita!?
De início o leitor pode até questionar: "Do que essa menina mimada está se queixando? Muitos sonham em ter a vida que ela tem!" ou "De que adianta estudar e ler tanto se ninguém se importa com isso, se ninguém repara?". Eu digo que a leitura vale a pena cada vírgula!

A edição que li foi gentilmente emprestada pela Paula, do blog Caçando ouriços, que depois de muitos argumentos me convenceu que esse é um livro incrível. Agora eu quero comprar uma edição para mim e guardá-la num potinho ❤

Dentre as reflexões que o livro propõe, uma delas é a crítica a uma sociedade que vive de aparências, principalmente à classe "nobre", cujos modos de vida são superficiais. Paloma, em certo momento, justifica a vontade de deixar este mundo, pois já sabe o destino que a aguarda: casar com um homem rico, de família, e levar uma vida muito parecida com a da sua própria mãe, que é escrava dos antidepressivos e que mascara sua infelicidade servindo chás às amigas e cuidando das plantas. É compreensível que Paloma sinta-se insatisfeita com a vida diante do que ela relata ao leitor.

"Não se deve esquecer que o corpo definha, que os amigos morrem, que todos nos esquecem, que o fim é solidão. Esquecer muito menos que esses velhos foram jovens, que o tempo de uma vida é irrisório, que um dia temos vinte anos e, no dia seguinte, oitenta." (p. 138).

Esse é mais um livro que eu leio por indicação (da Paula que escreve no Caçando ouriços e que ama tanto o livro que batizou o blog assim!) e que vai direto para minha lista de favoritos da vida. O dilema da minha leitura foi querer saber o desfecho e se Paloma se suicidaria, mas, ao mesmo tempo, não querer que a estória chegasse ao fim, pois eu previa um final pesado e triste, afinal, toda a narrativa se encaminhava para isso. Mas eis que ao fim, quando tudo estava quase um mar de rosas... bom, não revelarei o que acontece, só digo que terminei a leitura aos prantos e que o fechamento da estória me deixou completamente surpresa e desidratada. Se você gosta de drama e se gosta de livros que são reflexivos, filosóficos e que utilizam metaliteratura, que é quando a literatura fala da própria literatura como elemento da narrativa, ou seja, livros que falam sobre livros ❤, esse é o livro certo para você! Se resolver embarcar nessa leitura linda, prepare os post-its, afinal são muitas citações memoráveis, e uma caixa de lencinhos, porque vai precisar! Posso dizer que o livro tem uma temática pesada, e que muitas vezes, enquanto lia, me senti triste e melancólica, mas, mesmo assim, é desse tipo de livro que gosto. Gosto de livros que cutucam a ferida, livros que me fazem pensar e que me tiram da zona de conforto. E A elegância do ouriço é tudo isso e muito mais; é poético, é belo, é emocionante, faz rir e chorar, é irônico e também provocador. É meu mais novo livro favorito! Depois de tudo isso eu preciso dizer que eu recomendo esse livro?


BARBERY, Muriel. A elegância do ouriço. (Tradução de Rosa Freire d´Aguiar). São Paulo: Companhia das Letras, 2008. 350 p.


site: http://leiturasegatices.blogspot.com.br/


João 25/05/2016

A Elegância do Ouriço conta a história de duas pessoas que moram em um prédio elegante em Paris.Renée é a zeladora do prédio e esconde com unhas e dentes a sua inteligência,seus conhecimentos literários.Os moradores do prédio sequer imaginam que a simples zeladora do prédio é uma mulher inteligente e culta.Paloma é uma menina de doze anos desiludida com a sua vida.Cansada da vida fútil que seus pais e sua irmã levam,ela se esconde cada vez mais pelos cantos,para não ser notada por ninguém.Dona de uma inteligência enorme,ela também esconde isso das pessoas,fazendo se passar por uma menina tola.Mas Paloma tem um plano.No dia em que completar treze anos irá colocar fogo na sua casa e se suicidar.Quando um novo morador aparece no prédio as vidas de Paloma e Renée vão se cruzar.

Confesso que esse livro foi difícil de ler.Como já diz na sinopse é um romance filosófico.
Na minha opinião começou bem,foi ficando tedioso logo após o começo e só depois da página cento e vinte começou a melhorar de novo.A partir as coisas ficaram realmente interessantes e seguiu assim até o final.Acredito que é um livro pra ser lido quando se está bem.Acho que se eu tivesse lido esse livro em uma outra fase da minha vida eu pudesse ter apreciado mais a leitura.O livro é recheado de questões filosóficas que saltam aos olhos do leitor.

“Talvez seja isso a vida:muito desespero,mas também alguns momentos de beleza em que o tempo não é mais o mesmo”

“Estar vivo talvez seja isto:espreitar os instantes que morrem.”

Enfim,vale a pena ler.


Dio-go 10/05/2018

Era esse o livro!
Definitivamente, quando o Milton Nascimento canta sobre um dia frio e um bom lugar pra ler um livro, era sobre esse tipo de livro que ele fala...


spoiler visualizar


Nínive 19/12/2018

Este livro é um sempre no nunca. É o mínimo que eu posso dizer. Não, é o certo. É o que a Renée merece e o que a Paloma irá buscar. As palavras são difíceis de engolir, tanto pelo vocabulário rebuscado tanto pelas reflexões proporcionadas... mas vale tanto a pena que não poderia deixar de registrar aqui o tamanho do meu apreço por esse livrinho!!!!!!Vale a beleza, vale a arte, vale um pouquinho do mundo japonês, vale o movimento do mundo de Paloma, vale a elegância de Renée, vale a filosofia, vale o amor e vale a busca do sempre. É um livro que (des)constrói, completo de uma palavrinha que amo muito: recomeço. Eu amei muito e já quero comprá-lo para sempre ter por perto essa narrativa linda e criadora do sempre. Para sempre!?


Paula 25/11/2013

Encantador.
Estou revisitando alguns livros de minha estante sobre os quais, não sei porque motivo, deixei de registrar minhas impressões. Hoje decidi então escrever sobre um livro que me é muito querido: A Elegância do Ouriço, da escritora francesa Muriel Barbery. Lembro que fiquei sabendo desse romance logo que ele foi lançado pela Companhia das Letras, em 2008, quando meu pai me mostrou um comentário na revista Carta Capital falando sobre o livro e me disse que ele tinha tudo a ver comigo pela descrição. Uma personagem que é a zeladora de um prédio muito chic em Paris e que esconde um segredo: uma paixão pela arte e pela literatura. E logo que ele terminou de me dizer isso eu já estava na livraria comprando o livro. E ele tinha toda razão, porque me apaixonei pela história. Depois disso, acho que já comprei duas ou três edições que acabaram virando presente para pessoas queridas, que depois de uma conversa gostosa sobre a história ficaram com muita vontade de ler também. E hoje procurando o livro me dei conta de que não tenho mais a edição em português. Nesses momentos, ter mais de uma edição de um livro favorito, ainda que em outro idioma, não tem preço. (tudo culpa dessa mania de ser precavida, viu, gente? Precaução: motivo maior de se ter mais de uma edição do mesmo livro) =]

Toda a história se passa em um prédio luxuoso de Paris. As pessoas que moram lá são bem esnobes, a alta burguesia que precisa realmente esbanjar tudo o que tem, sendo que na verdade sabe muito pouco ou quase nada sobre o que tem. Entre os moradores do prédio, uma família se destaca: a família Josse. O pai de Paloma é um político muito influente; a mãe é uma super dondoca que durante todo o livro dará demonstrações claras do quanto é vazia; a irmã de Paloma, que segue o mesmo caminho da mãe e com quem Paloma não tem nenhuma afinidade. E por fim, Paloma, uma menina de 11 anos, brilhante e extremamente inteligente, além de muito sensível. Na verdade, ela é a pessoa mais lúcida dessa família onde as relações são muito superficiais. Paloma sofre com isso, por não sentir que pertence a esse meio em que se encontra, e planeja se suicidar no seu próximo aniversário, tamanha é a sua solidão. É lendo o diário de Paloma que vamos compreendendo esse universo e o que se passa pela cabeça dessa personagem que imediatamente nos cativa. Dá vontade de adotar Paloma como filha.

A outra personagem principal é a zeladora Renne, uma mulher discreta, calada, meio sisuda, sobre a qual ninguém sabe nada. E é aqui que talvez esteja a grande crítica da Muriel Barbery: será que a Renne realmente esconde um segredo ou será que ela é invisível pela condição social que ocupa entre os habitantes desse prédio? Os moradores entram e saem sem lhe dirigir o olhar. Muitos deles nem sabem o nome da zeladora, que segue cuidando e mantendo a rotina do prédio em funcionamento e, ao final do dia, encontra no seu quarto um pequeno refúgio, espaço para seu gato e para os muitos livros que devora. Renné é uma leitora voraz, uma mulher extremamente culta, mas que não fica esnobando esse conhecimento todo para os outros. E é isso o que eu mais gosto nessa personagem. Renne tem um conhecimento vasto sobre os clássicos da literatura mundial, que acumula em cada canto disponível do seu quarto; sabe muito sobre teatro, sobre ópera, sobre música clássica. Paloma, essa menina inteligente, mas que anda cultivando pensamentos mórbidos, é a única moradora do prédio que consegue de fato “ver” Renne. E Renne, por sua vez, sendo igualmente sensível diante do universo que habita, consegue ver que Paloma está sofrendo, pois entende como ela se sente. As duas, através do amor à literatura e à arte, desenvolverão uma amizade bonita e redentora. Por conta de Renne, os planos de Paloma talvez mudem. E com Paloma, talvez Renne se faça notar, sem esconder o que de belo tem na alma.

Enquanto essa amizade se desenvolve, é o gato de Renne que vai mudar todo o destino da história. Um novo morador chega ao prédio, um japonês muito educado chamado Kakuro Ozu, e notando o nome do gato de Renne percebe imediatamente que ela não é tão comum quanto o que os outros moradores pensam. Ele também tem olhos que conseguem ver as pessoas como elas são e o muito que elas podem trazer para nossas vidas.

A Elegância do Ouriço não é só um livro sobre amizade. É um livro sobre a vida, sobre a importância do conhecimento (mas do conhecimento que se compartilha e que nos enriquece, sem esnobismos), uma reflexão bonita e, em alguns momentos, até filosófica sobre o ser humano (acredito que por conta da formação da autora em filosofia) através de personagens extremamente complexos.

Hoje fiquei com muita vontade de reler essa história (já estou com minha edição em inglês em mãos) e isso já é o suficiente para dizer o quanto esse livro é especial. São poucos os livros que podemos revisitar. Só aqueles dos quais sentimos saudades. Não posso deixar de recomendar também o filme que é igualmente lindo e tem cenas muito engraçadas: A Elegância do Ouriço (Mona Achache, Le Hérrison, 2009.

Muriel Barbery. A elegância do ouriço. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. 352 páginas. Tradução: Rosa Freire D'Aguiar

site: http://pipanaosabevoar.blogspot.com.br/2013/10/a-elegancia-do-ourico.html


Aline 11/11/2016

Tocante, delicado, reflexivo...
"O importante não é morrer nem em que idade se morre,
é o que se está fazendo no momento em que se morre". [BARBERY, 2008]

“A Elegância do Ouriço” foi um livro recomendado por uma grande amiga minha. Aquela recomendação que transborda empolgação e emoção: “Você precisa ler!” Pois eu obedeci e li.

No meio da minha leitura precisei pesquisar mais sobre a autora, pois queria saber quem era o ser maravilhoso que dava voz a essa história incrível. Acontece que Muriel Barbery é professora de filosofia; nasceu no Marrocos, mas cresceu na França, e morou um período no Japão. E as coisas ficaram muito claras depois disso.

Muriel Barbery usa todo seu arsenal de conhecimento para montar uma narrativa que é ao mesmo tempo tocante, delicada, reflexiva. A história é narrada alternadamente por duas personagens.
A primeira é Paloma Jousse, uma (pré?) adolescente de 12 anos que mora com seus pais e sua irmã em um apartamento gigantesco (eu considero 400m² gigantesco) e que sofre com o fato de que sua família não a compreende por completo. Ela é inteligente e dona de um diário em que escreve seus pensamentos mais profundos e observações do mundo ao seu redor e está se encaminhando para o fim de um projeto: seu suicídio.

E a segunda é Renée Michel, a concierge do prédio em que Paloma mora. O número 7 da Rua de Grenelle é um prédio luxuoso no coração de Paris e seus moradores não poderiam ser mais tradicionais, aquele clichê de gente rica que não quer se misturar com os demais e se preocupa apenas com seu próprio umbigo. Acontece que esses moradores esperam que a concierge se encaixe nesse mundo ideal deles, mas é exatamente aí que está a beleza da criação de Muriel Barbery.

A sra. Michel vai descrevendo no início do livro o que faz uma concierge uma concierge e nos mostra como ela, com seus conhecimentos vastos de literatura russa, pintura holandesa, música, filmes japoneses, e muito mais, é tudo o que esses moradores menos esperam que ela seja.

A Sra. Michel tem a elegância do ouriço: por fora, é crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes. [BARBERY, 2008]

Renée Michel é juntamente com Paloma a observadora desse pequeno mundo e é com elas que Barbery vai introduzindo de maneira delicada as reflexões que marcam a narrativa. Nos deparamos com questionamentos de aparências, razões de ser, da existência da beleza, a importância da arte, da música do cinema. São essas pequenas doses de filosofia, escritas de uma maneira muito acessível, que fizeram com que esse se tornasse um dos meus livros favoritos de 2016. A leitura mistura choro e riso e aqueles momentos de suspiro e do olhar para o nada para pensar no que você acabou de ler antes de continuar com a leitura.

E o status quo do número 7 da Rua de Grenelle muda com a chegada de um novo morador: o japonês Kazuo. É ele que consegue penetrar nos pensamentos mais profundos dessas duas moradoras e consegue ver além das aparências. A relação de amizade que surge entre os três é encantadora. É um livro incrível que todos deveriam ler. Passo a recomendação que ganhei adiante.

O livro, que esteve na lista dos mais vendidos na França por 30 semanas quando foi lançado e foi adaptado para os cinemas em 2009, sob o título de “Le Herisson” e dirigido por Mona Achache.

site: http://www.booksimpressions.com.br/2016/11/resenha-elegancia-do-ourico-muriel.html


Lud 10/01/2015

Livro foda! Não sei nem o que dizer...tinha assistido o filme, mas já não lembrava dos detalhes da história...e os pensamentos das duas personagens é muito interessante...quando embalou a leitura, lá pela metade do livro, não consegui mais parar até terminar. É um belíssimo livro. Muita citação de obras, livros, música, arte em geral. Gostei muito.


Cássia Pires 19/02/2015

Poderia ter sido um grande livro
O meu conhecimento sobre Mario Quintana sempre se limitou a poemas avulsos. Lia um, encontrava outro, sabia mais um de cor. Essa foi a primeira vez que li um livro seu do começo ao fim e tive uma sensação de "passou e nem senti". Reconheci alguns poemas, mas os demais não me tocaram. Talvez tenha sido a seleção, talvez tenha sido o meu momento. De qualquer forma, continuo gostando do Mario Quintana e sua imensa delicadeza.


Pandora 09/02/2016

Eu tinha muitas expectativas em relação a este livro, então é natural que ele tenha me decepcionado um pouco. Difícil uma expectativa grande ser plenamente satisfeita. Gostei do início, dinâmico: a apresentação dos personagens, a alternância de pontos de vista entre duas mulheres tão distintas, mas não totalmente diferentes. Depois o livro fica muito filosófico e cansa. Mas o que me incomodou mais que a filosofia maçante de alguns trechos, foi a estereotipagem dos personagens: os ricos fúteis, o oriental sábio, a menina inteligente e introspectiva incompreendida pela família alienada. O trecho em que a suposta garota, tão superdotada, afirma saber o que acontecerá no futuro com seus colegas é tão pretensioso quanto generalista. Apesar das ironias, do humor francês, dos enxertos culturais, há um ranço durante toda a leitura, como se Renée, a zeladora culta que se faz de burra, fosse uma injustiçada; como se ela não tivesse o livre arbítrio de mudar a própria vida. Mas depois você entende o porquê e o livro sofre outra reviravolta, já quase no final. Final, aliás, que não me incomodou. Quero muito ver a versão cinematográfica, porque acredito que este texto funcione melhor no cinema. E no mais, adoro o cinema francês.


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