Farsa da boa preguiça

Farsa da boa preguiça Ariano Suassuna




Resenhas - Farsa da Boa Preguiça


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Nina Thais 08/09/2020

Maravilhoso
Ariano deveria ser mais valorizado, deveríamos estudar mais suas obras! Essa, em especial, trás a história do poeta Joaquim Simão a quem chamam preguiçoso, mas que se fosse rico diriam que o que ele vive é o ócio criativo! Trás também Dona Clarabela que se acha melhor que todo mundo com seu pseudointelectualismo! Tem ainda Aderaldo Catação que se diz ateu mas serve ao deus do dinheiro, se acha superior a tudo por ser "trabalhador" (e bota aspas nesse trabalhador, viu?)... Essa história não é só uma comédia pra relaxar, trás muito sobre nosso povo, nossa sociedade. Eita seu Suassuna, o senhor era mermo um gênio!
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MauricioTiso 19/02/2019

A ousadia de contestar
O autor já declara no início da obra qual o seu propósito, ainda não sei se isso é bom ou ruim mas como eu não ligo para spoilers realmente não me inviesou. Aliás, em parte foi bom pois chamou a minha atenção e interrompeu meu pré julgamento e o viés das minhas projeções ancorados em minhas convicções.

Em seu objetivo original, ousa na contestação de convicções enraizadas em nosso senso comum com relação ao esforço VS recompensa, propondo o equilíbrio através da reflexão se a recompensa compensa o esforço: e é aqui que se instala o conflito com o viés, ainda mais forte para mim com base em minha vida e convicções.

Foi muito provocador mas minha reflexão pessoal me deixou satisfeito, e fiquei feliz por ser assim provocado e impactado.

Outro ponto que ressalto como importante é do Herói como aquele que fez, se sacrificou e voltou para provar ser possível uma recompensa após uma provação, e não o herói idealizado e puro, além de ressaltar elementos fortemente nacionais e de uma riqueza cultural pouco difundida fora da região NE (Morei em PE e muitos termos e comportamentos me são familiares dessa vivência).

Recomendo como um exercício aos conceitos aprendidos em o Tratatado sobre a Tolerância de Voltaire para quem acredita na meritocracia e no esforço próprio, no entendimento que esse equilíbrio se da de maneira diferente para cada um e é totalmente válido desde que a compreensão sobre a relação esforço VS recompensa seja clara e honesta.
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DaniM 19/09/2018

Texto original da peça de Suassuna, repleta de toda aquela ironia fina, tão característica do autor. Conta a história do poeta de cordel Joaquim Simão e suas desventuras amorosas, incluindo a presença de anjos e demônios em suas peripécias. Um livro muito leve e divertido, bem diferente dos que costumo ler – livros de gente pirada, com a vida fudida. Me distraiu e me fez rir.
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regifreitas 23/07/2018

O poeta de cordel João Simão não quer saber de trabalhar, mesmo levando uma vida de necessidades. Suas únicas ambições são sua poesia e... dormir. Casado com Nevinha, a mulher lhe é completamente devotada; ela é a única a acreditar no talento do marido e a incentivá-lo a produzir a grande obra que o tornará famoso e resolverá os problemas financeiros do casal. Outro casal da história é formado por Aderaldo Catacão e Clarabela, as pessoas mais ricas da cidade. Vivendo um relacionamento aberto, Aderaldo é apaixonado por Nevinha, e Clarabela, com seus ares esnobes de refinamento intelectual, quer seduzir a todo custo Joaquim Simão. Também fazem parte da história: três figuras demoníacas, responsáveis por submeter os casais a diversas tentações, e três figuras santas, estes, com a intenção de testar o altruísmo e bondade dos personagens. Ademais, esses santos, ao longo da trama, travam discussões sobre a obrigação, a necessidade e o valor do trabalho, bem como sobre os pecados e as virtudes do ócio.

Peça em três atos, como outras do autor é inspirada em histórias populares nordestinas, voltadas para a comicidade, concluindo com as moralidades. Aliás, as peças cômicas produzidas principalmente a partir do AUTO DA COMPADECIDA (1955), representam o ponto máximo da produção teatral suassuniana. São nessas peças do ciclo cômico que o autor nos apresenta seus “personagens espertos” - figuras populares, pobres, mas que ditam a cena e são o centro das histórias. O imprevisto e o burlesco das situações tornam essas as peças mais divertidas do autor.
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monique.gerke 20/06/2018

"MIGUEL: Co-coró-cocó

SIMÃO PEDRO: Que brincadeira mais besta! Essa história do galo já está enchendo! Neguei a Cristo mesmo, e daí? A situação estava apertada, eu caí fora! Mas depois, quando chegou a minha vez, eu não venci o medo e não estava lá, na hora?"

Me diverti :)
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Josué Brito 13/05/2018

Para se ler em dias de boa preguiça
De pouco a pouco enquanto crescemos, até alçarmos à maturidade, é-nos incutida à ideia de que o trabalho dignifica a alma. Ele é uma necessidade humana e a preguiça é um dos pecados capitais, a preguiça é o que leva os homens à miséria. Será mesmo que esse papel do trabalho é absoluto e diz tudo sobre nossos valores morais? Será, outrossim, que o trabalho inveterado é uma forma de grandeza?
Adriano Suassuna, em um dos seus mais divertidos livros, responde várias questões mostrando que os conceitos são relativos. Para tal feitura, o autor coloca de um lado o poeta Joaquim Simão, um homem dotado da preguiça, que evita o trabalho inveterado e só quer escrever seus versos e deles um dia ganhar a vida, e seu Aderaldo Catacão, um homem rico, que renunciou a religião, que é louco pelo trabalho e faz vista grossa às infidelidades da esposa, uma pseudointelectual dotada de luxúria.
Nesta luta, entre o trabalho e a preguiça, são revelados dois homens, um rico, que acho que o dinheiro compra tudo, e um pobre, que quer ter o direito de viver sua vida sossegada, com sua mulher, seus filhos e a poesia. Uma cena emblemática a se desenvolver com toda a comicidade e genialidade próprias de Suassuna.
Esta obra é um convite ao divertimento e a reflexão, de conceitos morais, sociais e econômicos. Nada melhor que num momento de boa preguiça, ler e talvez assistir a essa belíssima pérola do teatro brasileiro da década de 1960. Suassuna com sua generosidade à literatura nacional nunca decepcionou. Estivera sempre no bom trabalho e na boa preguiça!!

Josué Brito
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Tay 14/01/2018

Engraçado
Leitura super divertida, recomendo a qualquer pessoa. É uma peça e se passar no sertão, são 3 atos .. Não é nenhuma novidade que Ariano Suassuna é íncrivel, um poeta e escritor maravilhoso do Nordeste..
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isa.dantas 02/11/2016

Mais uma vez o senso de humor genial de Suassuna. Esse livro se valeria apenas pela introdução feita pelo autor.
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Murilo Amati 08/03/2016

A exaltação do simplório
Ariano Suassuna mergulha de cabeça na sua tese magistral de defesa da tranquilidade neste ensaio enroteirado sobre a desnecessidade do trabalho.

Brasileiríssimo, e nacionalista exaltado, Ariano defende a legítima cultura do país, fazendo ao mesmo tempo contraponto às visões marxistas e capitalistas de sociedade. Na Farsa da Boa Preguiça, misturam-se fé, religião, religiosidade, trabalho, exploração e ócio criativo, cultura e mercado cultural, povo e burguesia, santos, anjos e demônios... é um prato cheio!
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Ramon 02/11/2012

"Ah, o campo! O Sertão! Que pureza!
Como tudo isso é puro e forte!
Esse cheiro de bosta de boi, que beleza!
A alma da gente fica lavada!
As bolinhas dos cabritos, o canto das juritis,
o cocô dos cavalos, o cheiro dos roçados.
A água pura e limpinha
e esse maravilhoso perfume de chinica de galinha!
Ah, a vida pura! Ah, a vida renovada!
A catinga dos bodes, como é forte e escura!
E a trombeta dos jumentos, como é fálica, vibrante e
animada!
Ah, o campo! A alma da gente fica lavada!
A vida primitiva em todo o sei sentido!
Dá vontade de ir à igreja, de se confessar,
de fazer a sagrada comunhão
mesmo sem nela acreditar!
Dá vontade até de não chifrar mais o marido,
só para nos sentirmos tão puras quanto o Sertão!" P. 80-81
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cfsardinha 26/07/2011

A Farsa da boa preguiça, como muitas outras obras de Ariano, é originalmente uma peça. Foi escrita com base em histórias populares nordestinas e um estilo cordelista. É uma peça em três atos, além de ser um musical.
O livro conta a história de Joaquim Simão, poeta de cordel, pobre e um preguiçoso que só pensa em dormir. Joaquim é casado com Nevinha, mulher religiosa e dedicada ao marido e aos filhos. O casal mais rico da cidade, Aderaldo Catacão e Clarabela, possuem um relacionamento aberto. Então o que acontece? O primeiro swing oficial na literatura, rs. Aderaldo é apaixonado por Nevinha e Clarabela quer conquistar Joaquim Simão. Três demônios fazem de tudo para que o pobre casal se renda a tentação e caia no pecado, enquanto dois santos tentam intervir. Jesus observa e avalia tudo. A partir daí, situações inusitadas e muito divertidas fazem deste texto uma das peças mais divertidas do teatro brasileiro. Então a confusão está instaurada. É quase uma novela mexicana, onde fulano ama beltrano que ama ciclano e vai por esse caminho.
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Júlia 22/07/2010

O trabalho que Ariano Suassuna faz com o texto é uma coisa anormal de lindo. Toda a linguagem é incrível. E o enredo fala muito bem do ser humano, sobre as imperfeições etc, apesar de um certo modo declarar o que é certo e o que é errado. A religião é muito bem utilizada, principalmente por causa dos traços humanos que as divindades receberam.
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Duarte 31/10/2009

A Farsa da Boa Preguiça, é uma peça teatral escrita por Ariano Suassuna, nela o poeta pobre Joaquim Simão e sua mulher Nevinha interagem com os personagens do rico Aderaldo Catacão, que ama Nevinha que não retribui esse amor, e Clarabela a mulher do Aderaldo, que é apaixonada por Simão, que se derrete por todas as mulheres da peça, enquanto Nevinha fica firme e não trai o marido com o rico, o poeta, tem alguns deslizes evanescences e cai nas garras da produtora cultural, mas logo se lembra de seu casamento quando Nevinha entra em cena.
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